Esta versão foi traduzida do inglês pelo Complexe Systémique com a ajuda da inteligência artificial. Em caso de dúvida, prevalece a versão original.
Journal of Solution-Focused Brief Therapy · Tomada de posição
A terapia breve focada nas soluções se apresenta como uma abordagem (conceitualmente) simples; as tentativas de defini-la, porém, não são nada simples. Com a ascensão das abordagens “baseadas em forças” e da resiliência, ficou fácil diluir ou alargar a definição da terapia breve focada nas soluções até quase esvaziá-la de sentido. Este artigo examina algumas das dificuldades de construir uma definição da abordagem e propõe características necessárias.
Tradução não oficial para o português. Este artigo é a tradução de Confessions of an Unashamed Solution-Focused Purist: What Is (and Isn’t) Solution-Focused?, de Michael Durrant, publicado em Journal of Solution-Focused Brief Therapy, vol. 2, n. 1 (2016), doi: 10.59874/001c.75114, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido e rediagramado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. Esta tradução não foi realizada pelo autor nem pela editora, que não respondem por seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.
Outras coisas podem muito bem ser úteis… e eu posso até endossá-las… mas não as considero focadas nas soluções.
Michael Durrant
As pessoas costumam me dizer, a respeito das qualidades de determinado programa ou de determinada ideia: “e… isso é um programa REALMENTE focado nas soluções!” Em seguida, parecem um pouco decepcionadas quando não demonstro o mesmo entusiasmo. Quase sem exceção, o programa ou a ideia em questão é algo que eu apoiaria de bom grado e recomendaria com prazer… NO ENTANTO, muitas vezes, minha opinião é que aquilo NÃO é focado nas soluções.
Então, o que faz com que algo seja “focado nas soluções”?
Há um problema com a palavra “solução” no nome da nossa abordagem. Na maioria das línguas, a palavra “solução” implica a palavra “problema”. Ou seja, uma solução é a solução de um problema. Sem problema, não há solução. É assim que funciona na matemática!
Consultei meu médico por causa de um problema de saúde. Ele me disse que “a causa principal é ter mais de 50 anos”. Não há muito o que fazer quanto a isso! E prosseguiu: “Mas não vamos nos concentrar no que pode ter causado isso… não dá para resolver… vamos nos concentrar, em vez disso, no que precisamos fazer”. Passou então a me listar tudo o que eu precisava fazer para “resolver” esse problema (ou… pelo menos… administrá-lo). Isso incluía tomar certos medicamentos que ele prescreveu.
Meu contador se chama Sydney Financial Solutions. O escritório se dedica a maximizar a renda, reduzir impostos ou algum outro objetivo que sempre parece me escapar. Para isso, oferece conselhos e expertise. Se eu apresento um problema financeiro, o escritório fielmente toma para si a tarefa de encontrar uma solução. Lá se pesquisa a legislação tributária, recorre-se à experiência e à sabedoria da casa, e me dizem em detalhes o que eu preciso fazer.
Nos dois casos, se eu fizer o que os especialistas que me aconselham dizem que eu deveria fazer, meu dilema provavelmente será resolvido… e isso provavelmente me trará satisfação. Nos dois casos, o problema é meu… e são ELES que me dizem a solução. Tanto o médico quanto o contador provavelmente me dirão que se concentram nas soluções, e não nos problemas.
Concentrar-se nas soluções combina bem com as ideias modernas de “tocar a vida”, “seguir em frente”, “não ficar atolado no passado”, “olhar para a frente, não para trás”… são injunções correntes no léxico atual do autodesenvolvimento.
“Soluções” virou palavra da moda.
Já ouvi pessoas me dizerem: “eu trabalho com foco nas soluções… não me incomodo com essa história toda de infância, simplesmente digo a você qual é a solução!” Do ponto de vista da língua, isso é perfeitamente razoável: a pessoa está focada na solução, e não no problema. Ainda assim, a maioria de quem pratica a abordagem focada nas soluções não classificaria uma abordagem do tipo “simplesmente digo a você qual é a solução!” como algo compatível com o que entendemos por focado nas soluções.
Outras pessoas já me disseram, em reuniões: “vamos focar nas soluções… vamos fazer um brainstorming sobre o que vamos FAZER”. A implicação aqui é que, ao nos concentrarmos no que vamos fazer em vez de analisar o problema, nossa conduta seria de algum modo “focada nas soluções”. Também aqui isso não corresponde ao que entendo por focado nas soluções.
Em 1997, de Shazer e Berg propuseram uma “definição” da terapia breve focada nas soluções (SFBT) e sugeriram quatro “traços característicos” da abordagem.
de Shazer e Berg, 1997, p. 123
(1) Em algum momento da primeira entrevista, será feita a ‘pergunta do milagre’.
(2) Ao menos uma vez durante a primeira entrevista e nas seguintes, será pedido à pessoa atendida que avalie algo numa escala de ‘0 → 10’ ou ‘1 → 10’.
(3) Em algum momento da entrevista, será feita uma pausa.
(4) Depois desse intervalo, a pessoa atendida receberá alguns elogios, que às vezes (com frequência) serão seguidos de uma sugestão ou de uma tarefa de casa (frequentemente chamada de ‘experimento’).
E acrescentam: “Uma vez que se dê a uma pessoa leiga a descrição dessas quatro características, sua presença ou ausência pode ser facilmente notada. Se alguma ou todas estiverem faltando, então… temos de concluir que a terapia praticada não é SFBT” (p. 123).
Assim, a definição deles baseava-se unicamente na presença ou na ausência de técnicas particulares. de Shazer e Berg deixam claro que se trata de uma “definição de pesquisa” da SFBT e que o trabalho clínico pode ser mais flexível e ainda assim ser considerado SFBT; ainda assim, a mensagem é clara.
Só que temos, de imediato, um problema. A experiência anedótica sugere que muitos terapeutas que se identificam com a abordagem focada nas soluções não fazem pausa de forma sistemática (Huber e Durrant, 2014). Iveson, George e Ratner — a equipe do BRIEF em Londres — dizem que deliberadamente não fazem pausa nem dão sugestão de fim de sessão, e que não fazem sistematicamente a pergunta do milagre (Shennan e Iveson, 2012). Muitas pessoas no mundo focado nas soluções descreveriam esse trabalho como profundamente focado nas soluções; no entanto, a maior parte dele não inclui três das quatro características de de Shazer e Berg. Isso nos diz mais sobre a natureza do trabalho no BRIEF ou sobre a utilidade de uma definição baseada unicamente na presença ou na ausência de técnicas particulares — sobretudo se admitirmos que os modelos terapêuticos se desenvolvem e que a própria terapia breve focada nas soluções já foi descrita como uma “abordagem em evolução” (Trepper, Dolan, McCollum e Nelson, 2006)?
A definição de pesquisa da SFBT adotada pela European Brief Therapy Association (Beyebach, 2000) especifica que PODE ser feita uma pausa, mas ainda inclui a pergunta do milagre e os elogios de fim de sessão entre os “requisitos mínimos” que devem estar presentes. Essa definição é, portanto, um pouco menos restritiva; mesmo assim, continua definindo a abordagem por referência à presença de técnicas particulares.
McKergow e Korman (2009) comentam: “Boa parte da literatura existente sobre SFBT, compreensivelmente, concentrou-se em descrições do que fazem os terapeutas da abordagem focada nas soluções [e] nas técnicas que usam…” (p. 35).
de Shazer (1991) afirmou, de modo célebre, que, na terapia focada nas soluções, a tarefa é “permanecer na superfície” em vez de “escavar” em busca de significados profundos hipotéticos. McKergow e Korman (2009), embora concordem com essa afirmação, admitem que falar da terapia breve focada nas soluções unicamente em termos do que os terapeutas fazem contribuiu para que, em outros meios, a abordagem fosse vista como simplista ou ingênua.
Miller e de Shazer (2000) reconhecem ir além de um foco no que os terapeutas fazem: “A especificidade da terapia focada nas soluções envolve tanto as estratégias práticas que os terapeutas da abordagem focada nas soluções usam ao interagir com quem atendem quanto as tradições intelectuais das quais se valem para se orientar diante das dificuldades pessoais e da mudança em terapia” (p. 5). E descrevem o próprio trabalho como enfatizando “tanto os aspectos práticos quanto os intelectuais”.
Portanto, não rejeitarei a pretensão de que algo seja focado nas soluções apenas com base em quais técnicas focadas nas soluções estão — ou não estão — presentes!
Ainda assim, não acredito que isso signifique que tudo o que se diz focado nas soluções deva ter permissão para adotar esse rótulo.
Depois das mortes de de Shazer e de Berg, houve, em certos meios, uma sensação de “ufa… agora podemos afrouxar o rigor da definição”.
McKergow (2016) lembra que algumas pessoas afirmam que “se ajuda a pessoa, então é focado nas soluções”. Ele sugere que uma definição tão ampla acaba não sendo útil. Bannink, por sua vez, propõe que a SFBT seja vista como uma forma de Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Não vejo sentido nessa afirmação. Embora às vezes possa haver semelhanças no que se faz em sessão, os pressupostos fundamentais da SFBT e da TCC estão fundamentalmente em conflito (Johnsen, 2014). McKergow chama essa descrição da SFBT como forma de TCC de “bizarra” (McKergow, 2016). Além disso, isso levanta a questão de saber se é realmente útil diminuir as distinções entre as abordagens.
Na esteira da observação de McKergow (2016), sugiro que “se ajuda a pessoa, então é focado nas soluções” NÃO ajuda em nada a esclarecer o que pensamos estar fazendo. Se eu me apresento como praticante de terapia cognitivo-comportamental, presumo que seja útil ter clareza sobre o que faço e sobre o que, naquilo que faço, torna isso “cognitivo-comportamental” e não outra coisa (mesmo que essa outra coisa seja de fato útil). De fato, Gaudiano (2008) aponta como características da TCC sua “abordagem manualizada” e o fato de a abordagem ter sido “codificada”.
Parte da razão de ser do lançamento do Journal of Solution-Focused Brief Therapy era que uma revista de padrão acadêmico podia — e devia — começar a decidir que certas contribuições eram, ou não eram, consideradas focadas nas soluções… ainda que continuassem intelectual, clínica e praticamente valiosas.
Então… não: o fato de você dizer que algo é focado nas soluções não significa que deva ser tido como tal (no meu mundo, pelo menos).
McKergow e Korman (2009) buscaram, corajosamente, sugerir o que ser focado nas soluções NÃO é. A conclusão deles: “Nossa visão da SFBT é que os terapeutas da abordagem focada nas soluções não usam nem se valem da maior parte da teoria psicológica que as outras tradições terapêuticas tomam como dada” (p. 35).
O artigo comenta que a história do desenvolvimento da SFBT foi uma história de aplicação da navalha de Ockham e que a literatura focada nas soluções sempre se esforçou por tornar a descrição do que fazemos tão simples quanto possível.
“A SFBT pode ser vista como uma forma de prática que ajuda as pessoas atendidas a simplificar suas vidas. Ela faz isso simplificando o modo como terapeutas e pessoas atendidas conversam sobre a vida e ajudando essas pessoas a se concentrarem naquilo que dizem ser importante e útil para si, e a prestarem atenção nisso” (p. 38).
Assim, uma das coisas que, segundo McKergow e Korman, a SFBT NÃO faz é recorrer a mecanismos ou entidades psicológicas internas hipotéticas. Entre os “mecanismos internos hipotéticos” que citam estão não apenas os “traços de personalidade”, as “atitudes” e as “fraquezas”, mas também as “forças” e, implicitamente, a “resiliência”.
O texto deixa claro que os terapeutas da abordagem focada nas soluções podem escolher conversar com quem atendem sobre coisas como “forças”; mas sugere que a SFBT não pensa as “forças” ou a “resiliência” como coisas que devam ser mudadas, desenvolvidas, cultivadas ou fortalecidas. Pensar que nosso papel é mudar, cultivar, construir ou desenvolver “forças” ou “resiliência”, prossegue o texto, “… nos leva imediatamente a fazer, em terapia, algo que não é focado nas soluções. É isso que distingue a SFBT dos outros modelos” (p. 40).
McKergow e Korman deixam claro que algumas dessas outras maneiras de pensar podem muito bem ser úteis e merecer incentivo… mas que, no interesse da clareza, não deveriam ser descritas como “focadas nas soluções”.
A abordagem das forças (Rapp, 1998), ou perspectiva das forças (Saleebey, 1992), representou uma mudança importante no modo como pensamos nosso trabalho no campo dos serviços humanos. De fato, o termo “baseado em forças” é quase onipresente na autodescrição de todas as organizações não governamentais de proteção à criança e à família na Austrália e na Nova Zelândia! E o modo como muitas equipes dessas organizações falam sugere que a abordagem das forças e a abordagem focada nas soluções seriam uma só e mesma coisa.
As duas organizações da Austrália mais publicamente associadas à abordagem das forças foram provavelmente o St Luke’s Family Services, em Bendigo (Victoria), e o Family Action Centre da Universidade de Newcastle (Nova Gales do Sul), que organizou os decisivos congressos australianos Family Strengths da década passada.
Graeme Stuart, do Family Action Centre, escreve: “A perspectiva das forças e as abordagens baseadas em forças oferecem às equipes dos serviços maneiras de trabalhar que se concentram nas forças, nas capacidades e no potencial, em vez de nos problemas, nos déficits e nas patologias” (Stuart, 2012).
Saleebey, figura fundadora da abordagem das forças (1992, p. 15), sugere que ela não é um modelo de prática, mas antes uma “coletânea de princípios, ideias e técnicas”. Em vez de um modelo de prestação de serviços, a “abordagem das forças” é um quadro de referência, ou um conjunto de crenças e valores que orientam a prática. McCashen (2005) a define como uma outra “abordagem das pessoas, que depende sobretudo de atitudes positivas quanto à sua dignidade, às suas capacidades, aos seus direitos, à sua singularidade e àquilo que têm em comum” (p. v).
Assim, eu argumentaria que a abordagem das forças é uma “postura” ou uma “posição” que assumimos, e não um modelo de prática ou um “mapa” consistente capaz de guiar nosso trabalho com as pessoas atendidas.
Silberberg (2001) adverte contra uma abordagem “baseada em forças” que se torne uma abordagem que identifica as qualidades das famílias “fortes” para em seguida prescrevê-las… ou que faz “coaching” das famílias vistas como deficitárias em alguma força particular. “Em vez de ensinar às famílias um conjunto de práticas de força, nossa tarefa é facilitar às famílias o processo de identificar suas próprias forças” (Silberberg, 2001, p. 55).
Isso é semelhante à ênfase do projeto de resiliência da La Cima Middle School (Oddone, 2002) — um projeto que registrou, em cinco anos de aplicação do “pensamento da resiliência”, uma redução de 90% dos problemas de droga e álcool e dos problemas de violência numa escola grande, além de um aumento significativo do desempenho acadêmico.
Na La Cima, a ênfase estava em treinar o corpo docente para perguntar “de que maneira particular a resiliência se manifesta nesta criança?” em vez de “há resiliência nesta criança?”. Ou seja, o projeto partia do pressuposto de que toda criança da escola tem resiliência — e cabe à equipe identificar as maneiras particulares pelas quais isso se manifesta. Isso contrasta nitidamente com uma abordagem que pergunta “qual é o grau de resiliência desta criança?” (ou “HÁ resiliência nesta criança?”) — caso em que a tarefa passa a ser promover ou aumentar a resiliência.
A pergunta que mede
“Qual é o grau de resiliência desta criança?”
A pergunta que descreve
“De que maneira particular a resiliência se manifesta nesta criança?”
Iveson (2008) aponta o problema de se concentrar nas forças — independentemente de elas já serem, em si, a reificação de conceitos muito abstratos. Ele sugere que, assim que nos concentramos numa força particular — “eu tive muita força de vontade”, “eu tive muita coragem”, etc. — e em como mobilizar essa força, corremos o risco de diminuir a importância dos momentos em que essa força não parecia estar ali e, ainda assim, a pessoa conseguiu ter êxito.
Ele sugere, portanto, que a terapia breve focada nas soluções se concentre mais utilmente em “o que você FEZ para lidar com isso, para conseguir, para atravessar isso?” do que em “o que isso nos diz sobre a sua força?”. Ele contrapõe uma descrição detalhada da ação bem-sucedida à identificação de uma entidade hipotética (a “força”).
Um exemplo — Evan George, comunicação pessoal, 18/8/2016
Terapeuta — O que foi preciso para fazer isso?
Pessoa atendida — Acho que foi preciso muita força de vontade.
Terapeuta — E o que você se viu fazendo, ao enfrentar aquela situação, que decorria dessa força de vontade [força]?
[Resposta com muitos detalhes]
Terapeuta — Me conte sobre uma vez em que você conseguiu agir daquele jeito mesmo sem estar sentindo essa força de vontade dentro de você.
Além disso, boa parte da literatura seminal sobre a abordagem das forças não indica nenhum modelo terapêutico particular. Eu diria mesmo que se poderia adotar uma perspectiva das forças e depois seguir a terapia breve focada nas soluções, as terapias narrativas, a appreciative inquiry ou outras abordagens.
Nos primeiros tempos da exploração de uma abordagem de forças familiares no St Luke’s, a equipe recebeu formação completa em terapia breve focada nas soluções (aviso: tive o privilégio de conduzir essa formação). Assim, o desenvolvimento de uma abordagem das forças e o da terapia breve focada nas soluções se entrelaçaram ali.
McCashen propõe a “abordagem em colunas”, em cinco etapas, para o trabalho com as pessoas atendidas. Ele sugere que “as etapas funcionam como um guia para aplicar a abordagem das forças a uma questão” (2005, p. 48). Suas duas primeiras etapas são as seguintes.
Do ponto de vista de uma prática focada nas soluções “purista”, a etapa 1 NÃO é essencial e poderia até não ser necessária de modo algum. A etapa 2, por sua vez, saiu diretamente do léxico focado nas soluções; mas várias abordagens das “forças” não são movidas, antes de tudo, por um foco no futuro ou nos resultados.
Sugiro, portanto, que McCashen detalhou uma manifestação de uma abordagem das forças, mas que combinou a abordagem das forças e a abordagem focada nas soluções de um modo que nenhum dos textos fundadores da abordagem das forças adotou.
Russel Deal, figura-chave no desenvolvimento do trabalho baseado em forças no St Luke’s, comenta: “quando Wayne escreveu The Strengths Approach, desconhecíamos o trabalho de Saleebey. Isso continua sendo uma omissão enorme” (comunicação pessoal, 22/8/2016).
Evan George, do BRIEF em Londres, distingue entre “SF” e “sf”. Ele diz: “O trabalho só pode ser SF quando se baseia na resposta da pessoa à pergunta das best hopes. A maioria das pessoas, é claro, é sf: usa muitas das técnicas mas, por uma razão ou por outra — e há boas razões —, determina ela mesma a direção do trabalho” (comunicação pessoal, 18/8/2016).
As “melhores esperanças” (best hopes) são a versão que o BRIEF dá da pergunta “como você vai saber que conversar comigo foi útil para você?” — uma pergunta que orienta imediatamente a entrevista de terapia ou de coaching para o RESULTADO desejado (Korman, 2004).
Já ouvi colegas dizerem: “eu me centro na pessoa… sempre começo perguntando a ela sobre o que acha que seria útil conversarmos”. Eu sugeriria que isso NÃO é “se centrar na pessoa”… na verdade, é se centrar na sessão [de terapia]. É perguntar “sobre o que deveríamos conversar aqui?” em vez de perguntar “como você gostaria que sua vida estivesse diferente quando sair daqui?”
Assim, George sugere que nossa conversa só é focada nas soluções se começar explorando como a pessoa quer que as coisas estejam diferentes.
Eu sugeriria, então, que nosso trabalho é “focado nas soluções” se, e somente se:
1
Começa com alguma versão de “como você vai saber que a nossa conversa foi útil?” ou de “como você espera que conversarmos juntos faça diferença na sua vida [trabalho, casamento, etc.]?”
2
É essencialmente voltado para o futuro (pergunta do milagre ou alguma outra pergunta que construa uma descrição detalhada do futuro preferido da pessoa).
3
Explora os momentos em que a pessoa já foi capaz de realizar aspectos desse futuro preferido.
4
Não pressupõe saber melhor do que a pessoa o que ela precisa fazer (para resolver seu problema, para desenvolver resiliência, para mobilizar suas forças, etc.).
Essas etapas não estão necessariamente nesta ordem.
Outras coisas podem muito bem ser úteis… e eu posso até endossá-las… mas não as considero “focadas nas soluções”.
Nota do original
1. Agradeço a Mark McKergow e a Evan George pelos comentários a versões anteriores deste manuscrito.
Quem é Michael Durrant
Michael Durrant é Adjunct Fellow da Faculty of Education and Social Work da Universidade de Sydney, dirige o Brief Therapy Institute of Sydney e responde pela edição desta revista.
E-mail: michael@briefsolutions.com.au
Referências
Beyebach, M. (2000). European Brief Therapy Association Outcome Study: Research definition. Retrieved from http://www.solutionsdoc.co.uk/ebtamain.html on 4 August 2016.
de Shazer, S., & Berg, I. K. (1997). ‘What works?’ Remarks on research aspects of Solution-Focused Brief Therapy. Journal of Family Therapy, 19(2), 121–124.
Gaudiano, B. A. (2008). Cognitive-Behavioral therapies: Achievements and challenges. Evidence-Based Mental Health, 11(1), 5–7. http://doi.org/10.1136/ebmh.11.1.5
Huber, F., & Durrant, M. (2014). The break (and summary) in Solution-Focused Brief Therapy: Its importance and client experiences. Journal of Solution-Focused Brief Therapy, 1(1), 63–80.
Iveson, C. (2008). Strengths: How useful are they in solution focused practice? Solution News, 3(2), 8–10.
Johnsen, I. (2014). Review: Practising positive CBT: From reducing distress to building success, by Frederike Bannink. Journal of Solution-Focused Brief Therapy, 1(2), 109–113.
Korman, H. (2004). The common project. 1–14. Retrieved from www.sikt.nu on 4 August 2016.
McCashen, W. (2005). The Strengths Approach: A strength-based resource for sharing power and creating change. Bendigo, VIC: St Lukes Innovative Resources.
McKergow, M. (2016). Solution Focused practice: Engaging with the client as a first-person, rather than a third-person. InterAction: The Journal of Solution Focus in Organisations, 8(1), 31–44.
McKergow, M., & Korman, H. (2009). Inbetween – Neither inside nor outside: The radical simplicity of Solution-Focused Brief Therapy. Journal of Systemic Therapies, 28(2), 34–49.
Miller, G., & de Shazer, S. (2000). Emotions in Solution-Focused Therapy: A re-examination. Family Process, 39(1), 5–23.
Oddone, A. (2002). Promoting resilience in an “at risk” world. Childhood Education, 78(5), 274–277.
Rapp, C. A. (1998). The Strength Model: Case management with people suffering from severe and persistent mental illness. Oxford: Oxford University Press.
Saleebey, D. (Ed.) (1992). The strengths perspective in social work practice. New York: Longman.
Shennan, G., & Iveson, C. (2012). From solution to description. In C. Franklin, T. S. Trepper, W. J. Gingerich, & E. E. McCollum (Eds.), Solution Focused Brief Therapy: A handbook of evidence-based practice. New York: Oxford University Press.
Silberberg, S. (2001). Searching for family resilience. Family Matters, 58 (Autumn), 52–57.
Stuart, G. (2012). What is the Strengths Perspective? Blog post retrieved from https://sustainingcommunity.wordpress.com/2012/05/30/what-is-the-strengths-perspective/ on 4 August 2016.
Trepper, T. S., Dolan, Y., McCollum, E., & Nelson, T. (2006). Steve de Shazer and the future of Solution-Focused Therapy. Journal of Marital and Family Therapy, 32(2), 133–139.
Tradução não oficial para o português de Confessions of an Unashamed Solution-Focused Purist: What Is (and Isn’t) Solution-Focused?, de Michael Durrant, publicado em Journal of Solution-Focused Brief Therapy, vol. 2, n. 1 (2016), doi: 10.59874/001c.75114, sob licença CC BY 4.0. Tradução e diagramação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença. Nem o autor nem a editora respondem por esta tradução; a versão original prevalece.
Tradução não oficial para o português de “Confessions of an Unashamed Solution-Focused Purist: What Is (and Isn’t) Solution-Focused?”, publicado em Journal of Solution-Focused Brief Therapy (2016) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.
Ler o artigo originalComo citar este artigo
Durrant, M. (2016). Confissões de um purista assumido: o que é (e o que não é) focado nas soluções? (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/articles/confissoes-de-um-purista-assumido-o-que-e-e-o-que-nao-e-focado-nas-solucoes (Obra original publicada em 2016 em Journal of Solution-Focused Brief Therapy, vol. 2, n° 1; republicada em 2023 por Journal of Solution Focused Practices, https://journalsfp.org/article/75114)
Para ir mais longe
Comentários 0
Entre para participar da discussão. Entrar