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Domine as bases da terapia de casal com o Dr. Robert Neuburger
Curso online • 55 lições
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Por que a terapia de casal?


Terapia de casal · Histórico e fundamentos

O casal como última utopia íntima

Há trinta anos, a terapia de casal ainda era um território marginal, muitas vezes confundido com o aconselhamento conjugal. Hoje, ela se impõe como um campo pleno da psicoterapia contemporânea. Essa progressão espetacular não se explica apenas pelo aumento dos conflitos ou das separações: ela revela uma transformação profunda do estatuto do casal nas nossas sociedades. Na abertura deste percurso, Robert Neuburger propõe um olhar sistêmico sobre essa mudança de paradigma.

Um entusiasmo que revela um deslocamento identitário

A multiplicação das demandas de terapia de casal não indica tanto uma multiplicação dos fracassos conjugais quanto um aumento das expectativas projetadas sobre essa forma de vínculo. O casal tornou-se central na construção de si. Antes inserido em um conjunto familiar mais amplo, muitas vezes patriarcal, ele formava uma célula a serviço do clã. Hoje, ele se autonomizou.

Essa mutação está ligada a um enfraquecimento das outras instâncias identitárias: a família ampliada está fragmentada, os pertencimentos comunitários se apagaram, o mundo do trabalho — antes vetor de reconhecimento social — perdeu o seu poder estruturante. Diante dessa erosão dos pertencimentos, o casal torna-se a última promessa de um “lar” afetivo e identitário.

A “casa-casal”: um continente a dois

O que Neuburger chama de casa-casal é essa construção simbólica e relacional na qual dois indivíduos se engajam em busca de reconhecimento mútuo, de segurança e de pertencimento. O casal, segundo Neuburger, torna-se uma instituição — a menor do mundo — mas uma instituição ainda assim, com as suas funções, as suas fronteiras, os seus rituais e as suas crises.

O que torna essa “instituição” tão particular é que ela mobiliza expectativas paradoxais: cada um busca nela, ao mesmo tempo, intimidade, liberdade, apoio, diferenciação e uma forma de fusão afetiva. Essas contradições estão frequentemente no coração dos conflitos que levam os casais à terapia.

Uma fragilidade estrutural acentuada

Se a duração média de um casal oscila hoje entre 4 e 5 anos, talvez seja menos por um déficit de competência relacional do que por um excesso de idealização do próprio casal. Esse vínculo, apresentado como o espaço último de realização pessoal, é sobre-solicitado: espera-se que ele compense o que nem a família nem o trabalho garantem mais. E essa pressão o fragiliza.

Antigamente, separar-se quando se tinham filhos era percebido como um fracasso maior, quase uma transgressão. Hoje, a separação faz parte da paisagem conjugal. Mas isso não significa que os indivíduos estejam mais bem preparados para ela. A perda de referências sobre o que “ser casal” quer dizer é um dos elementos desencadeadores do recurso à terapia.

O que isso implica para o terapeuta

O terapeuta de casal não lida simplesmente com duas pessoas em dificuldade. Ele é convocado a intervir em um sistema que concentra as tensões sociais, geracionais, existenciais e afetivas contemporâneas. Para Neuburger, isso supõe um olhar ao mesmo tempo clínico, antropológico e sistêmico sobre essa forma particular de vínculo.

A terapia não tem por vocação reparar uma disfunção objetiva, mas permitir que os parceiros redefinam juntos o enquadre da sua “casa-casal”, revisitem os seus fundamentos e se reposicionem diante das próprias expectativas. O casal é pensado ali como um espaço de negociação, de simbolização e de subjetivação recíproca.

Conclusão

Como ser dois quando as referências comuns desmoronam? Ao ler o casal como um sistema aberto, investido de novas missões identitárias, Robert Neuburger convida o terapeuta a se pensar não como reparador, mas como acompanhante de um sistema complexo, movente, frágil e extraordinariamente rico.

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