Esta versão foi traduzida do inglês pelo Complexe Systémique com a ajuda da inteligência artificial. Em caso de dúvida, prevalece a versão original.
Journal of Solution Focused Practices · Reflexão
Quatro dias de formação em Liverpool, e Evan George, cofundador do BRIEF em Londres, percebe que nunca usa a palavra “mudança”. Perguntar “o que você quer mudar?” leva direto de volta ao problema. Mas há mais: na prática focada nas soluções, a mecânica da mudança desapareceu. Já não se pergunta “como você vai fazer isso?”; convida-se a pessoa a “se encontrar” um ponto acima na escala, a acordar “a versão confiante de si”. Essa versão já está lá. Não estamos no negócio da mudança, dizia Chris Iveson, mas no das perspectivas: deslocar o olhar para o que a luz forte demais do problema deixa na sombra. Até a palavra “objetivo” se apagou.
Tradução não oficial para o português. Este artigo é a tradução de Changing How We Think About Change, de Evan George, publicado no Journal of Solution Focused Practices (2019), doi: 10.59874/001c.75079, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para o português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. A “pergunta das melhores esperanças” (best hopes) designa, no BRIEF, a pergunta de abertura “Quais são as suas melhores esperanças para o nosso trabalho juntos?”. Esta tradução não foi feita nem pelo autor nem pela editora, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.
Acabo de concluir quatro dias de formação realmente agradáveis em Liverpool, e o que essa formação me deixou pensando, entre muitas outras coisas (incluindo, claro, o quanto gosto da cidade de Liverpool), é a pequena palavra “mudança”. Na verdade, me dei conta do quanto me sinto desconfortável com essa palavra.
A percepção veio durante uma discussão. Falávamos do que podemos perguntar quando alguém tem dificuldade em responder à pergunta das “melhores esperanças”. Um dos grupos sugeriu, muito apropriadamente, que poderíamos reformular a pergunta. O que ela perguntaria, quis saber, e a sua primeira ideia foi algo como: “Então, o que você quer mudar?” Soube imediatamente que não era uma pergunta que eu jamais quisesse fazer. A primeira razão da minha certeza era simples. Se você pergunta “então, o que você quer mudar?”, inevitavelmente convida a pessoa a uma resposta enquadrada pelo problema: “bom, é o comportamento deles que eu quero mudar”. A pergunta não está a anos-luz de “então, o que traz você aqui hoje?”, outra pergunta que praticamente garante uma resposta baseada no problema. A segunda razão era mais difícil de articular. Eu simplesmente não uso a palavra mudança! Não é estranho? Alguém que exerce a terapia (ou o aconselhamento, o coaching, a consultoria) e que se sente desconfortável em usar a palavra mudança. O que está acontecendo, então, comecei a me perguntar.
Me parece que a ideia de mudança está se apagando no pano de fundo da maneira como conceituamos, na nossa prática focada nas soluções. Evidentemente, a mecânica do processo de mudança desapareceu há muito tempo, ao menos na versão BRIEF da abordagem. Não fazemos perguntas de estratégia prospectiva, perguntas do tipo “como você vai fazer isso?”. Tomamos a mecânica como dada, saltando por cima dela linguisticamente, concentrando-nos na diferença que a mudança faz. Isso é, em certos aspectos, um desenvolvimento da pergunta do milagre. A pessoa acorda e a mudança aconteceu. Não nos interessa convidá-la a se concentrar em como isso vai acontecer, no que ela deve fazer para que aconteça. Apenas a convidamos a descrever o seu dia do milagre, como poderá saber que o milagre aconteceu. Noto que tendo a fazer algo semelhante com a pergunta da escala. “Imagine que você sobe um ponto na escala e se encontra no 4” (por exemplo). “Como você vai saber que está no 4?” Nas minhas perguntas, as pessoas são convidadas a “se encontrar” um ponto acima; o processo da mudança desapareceu. Não convidamos a pessoa a se interessar pelo “como” prospectivo.
Ora, esse desaparecimento do processo prospectivo de mudança, que em certos aspectos podemos datar dos primeiros tempos da abordagem (embora Steve de Shazer insistisse regularmente, e a meu ver retoricamente, em perguntar às pessoas atendidas “então, como você vai fazer isso?”), parece ter reforçado o seu domínio sobre a maneira como muita gente entre nós usa a abordagem. É aos nossos amigos e colegas Elliott Connie e Adam Froerer que se deve, creio, o aparecimento da palavra “versão” nas nossas conversas com as pessoas que atendemos. Por exemplo, podemos perguntar: “Imagine que você acorda amanhã a versão confiante e otimista de si: qual é a primeiríssima coisa que você vai notar?” O que me interessa na palavra “versão” é que todo sentido de mudança desaparece. A “versão confiante e otimista” já está lá, latente na vida da pessoa. Não é uma possibilidade não realizada que ela tenha de pôr em prática ou construir. Ela está mesmo já lá. As pessoas podem acordar vivendo a vida dessa versão de si. Se respondem à pergunta, aceitam implicitamente a premissa.
Esse pequeno ajuste, a meu ver significativo, da maneira como pensamos e como construímos as nossas perguntas se apoia na clareza que Chris Iveson, do BRIEF, trouxe ao nosso pensamento há alguns anos. Chris pôs em questão a ideia de que estaríamos no negócio da mudança. Estamos, contrapropôs ele, no negócio das perspectivas. Convidamos as pessoas a olhar para as zonas de sombra da sua vida, os cantos escondidos, e a notar os elementos do futuro preferido que já estão no lugar, apenas não notados, invisíveis e talvez impossíveis de ver enquanto a luz ilumina com tanta força os problemas e as dificuldades que passaram a ocupar o primeiro plano, a frente do palco, da vida das pessoas que atendemos. Quanto mais forte a luz que ilumina os problemas, mais profunda a sombra que oculta as instâncias e as exceções. Quando olhamos para uma luz forte, os nossos olhos, literalmente, têm mais dificuldade em ver na penumbra, atrás, além. E nas nossas vidas a nossa percepção parece funcionar mais ou menos como os nossos olhos. As pessoas não têm, portanto, de fazer mudanças: apenas as convidamos a deslocar o olhar. É realmente um grande passo desde os primeiros tempos da nossa abordagem, quando Steve de Shazer sublinhava que uma das características dos objetivos “bem formados” ou “exequíveis” é que devem ser percebidos pelas pessoas atendidas como implicando o seu “trabalho árduo” (de Shazer, 1991, p. 112). Até a palavra “objetivo” desapareceu! Percorremos um longo caminho no nosso pensamento.
Complexe Systémique: para lembrar
Duas páginas, e um deslocamento de fundo. Onde a primeira geração da terapia breve focada nas soluções perguntava à pessoa como ela ia fazer, a prática do BRIEF dispensa o “como”: o milagre aconteceu, a pessoa “se encontra” no 4, a versão confiante de si já está lá. Não é um maneirismo de linguagem, é uma teoria implícita da mudança, a do olhar que se desloca. Ler junto com Chris Iveson sobre as pegadas terapêuticas, a TBFS 2.0 de McKergow e, para a posição contrária, as confissões de um purista.
Referência
de Shazer, S. (1991). Putting difference to work. New York: Norton.
Tradução não oficial para o português de Changing How We Think About Change, de Evan George, publicado no Journal of Solution Focused Practices, vol. 3, n.º 1 (2019), artigo 4, p. 7-8, doi: 10.59874/001c.75079, sob licença CC BY 4.0. Tradução e diagramação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença. Nem o autor nem a editora respondem por esta tradução; a versão original prevalece.
Tradução não oficial para o português de “Changing How We Think About Change”, publicado em Journal of Solution Focused Practices (2019) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.
Ler o artigo originalComo citar este artigo
George, E. (2019). Mudar a nossa maneira de pensar a mudança (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/mudar-a-nossa-maneira-de-pensar-a-mudanca (Obra original publicada em 2019 em Journal of Solution Focused Practices, vol. 3, n° 1 (2019), article 4, p. 7-8; republicada em 2019 por Journal of Solution Focused Practices, https://journalsfp.org/article/75079)
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