Escola de Roma · O sintoma

A escola de Roma na terapia familiar: entender o sintoma de outra forma

Entre as grandes correntes da terapia familiar sistêmica, a escola de Roma ocupa um lugar importante por sua maneira singular de pensar o sintoma, a mudança e a postura do terapeuta. Sustentada sobretudo por Maurizio Andolfi, Carmine Saccu, Paolo Menghi e Anna Maria Nicolò, essa abordagem se interessou de perto pelas famílias nas quais a mudança parece ao mesmo tempo desejada… e temida.

O sintoma nunca é apenas individual

Uma das ideias centrais desse modelo é que o sintoma nunca é apenas um problema individual. Ele possui uma função relacional. Expressa um sofrimento, claro, mas também participa da regulação do sistema familiar. Em outras palavras, aquilo que faz a família sofrer pode igualmente, de certa maneira, contribuir para manter sua estabilidade. É por isso que a escola de Roma se interessa muito pela questão da homeostase: esse movimento pelo qual um sistema busca preservar seu equilíbrio, às vezes até ao preço de uma grande rigidez.

Nessa perspectiva, o sintoma pode ser compreendido como um sinal de alerta, mas também como uma tentativa de mudança que ainda permanece prisioneira das regras antigas do sistema. Uma família pode então chegar ao atendimento com um pedido paradoxal: ela deseja que algo mude, ao mesmo tempo em que teme profundamente que essa mudança coloque em risco sua identidade, seus vínculos ou seus equilíbrios implícitos.

Referência clínica

O terapeuta não pode se contentar em empurrar a mudança de forma frontal. Ele precisa primeiro reconhecer o que a estabilidade atual protege, antes de abrir um espaço de transformação.

Três técnicas emblemáticas

É precisamente nesse quadro que ganham sentido várias técnicas emblemáticas da escola de Roma. Elas são potentes, às vezes desconcertantes, e exigem sempre muita fineza, prudência e humanidade em seu uso.

A provocação terapêutica

Nunca se trata de provocar a pessoa em si, mas de provocar a função do sintoma. O terapeuta passa então a nomear, por vezes de maneira voluntariamente acentuada, a lógica relacional que se desenrola diante dos olhos de todos. Em uma família na qual um adolescente se cala enquanto um dos pais fala em seu lugar, o terapeuta poderia, por exemplo, sublinhar esse funcionamento pedindo explicitamente ao jovem que permaneça em silêncio para permitir que o pai ou a mãe continue a organizar tudo. Bem conduzida, essa intervenção torna visível a rigidez do sistema. Mal conduzida, pode se tornar ferina. Toda a diferença está na qualidade da aliança terapêutica e na sutileza da postura.

A amplificação

Aqui, o terapeuta leva um pouco mais adiante uma dinâmica já presente para que ela apareça com mais evidência. Ele pode encenar, quase teatralizar, uma interação familiar para que cada um veja mais claramente o que costuma se repetir sem ser nomeado. A amplificação permite tornar perceptível a organização relacional do sintoma. Ela tem às vezes uma dimensão quase cômica, não para ridicularizar a família, mas para introduzir um deslocamento que abre a reflexão.

A negação estratégica

Ela consiste, paradoxalmente, em não validar rápido demais os progressos ou as mudanças observadas. Se uma família volta à sessão explicando que as coisas vão muito melhor, o terapeuta pode adotar uma posição de recuo e minimizar prudentemente a ideia de uma mudança já conquistada. Esse tipo de intervenção visa proteger uma mudança ainda frágil. De fato, quando um sistema tem medo de evoluir, celebrar a melhora cedo demais pode às vezes reativar as defesas e provocar um retrocesso. A negação estratégica permite então evitar que a mudança nascente seja atacada cedo demais pelo próprio sistema.

Acompanhar as resistências em vez de combatê-las

Essas três técnicas ilustram bem a inteligência clínica da escola de Roma: em vez de combater diretamente as resistências, ela procura compreendê-las, acompanhá-las e, às vezes, até se apoiar nelas para transformar o sistema. A não mudança não é tratada como um obstáculo patológico; ela é reconhecida como uma tentativa de sobrevivência. É por isso que o terapeuta da escola de Roma é ao mesmo tempo engajado, autêntico, diretivo e imprevisível. Ele não busca simplesmente corrigir comportamentos, mas modificar as regras implícitas que organizam as relações.

Para guardar

Nas famílias em sofrimento, o que precisa mudar é muitas vezes exatamente aquilo que por muito tempo permitiu se sustentar. Toda transformação exige, portanto, antes de mais nada, respeito pelos equilíbrios antigos, mesmo quando se tornaram dolorosos.

Esse é, sem dúvida, o principal aporte dessa corrente, e a razão pela qual ela continua a iluminar nosso trabalho com as famílias. A apresentação completa desse modelo — em francês — pode ser vista abaixo.

Como citar este artigo

Besse, J. (2026, 15 de março). A escola de Roma na terapia familiar: entender o sintoma de outra forma. Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/articles/a-escola-de-roma-na-terapia-familiar-entender-o-sintoma-de-outra-forma

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