Red Sistémica · Epistemologia

Ecologia das ideias. Construtivismo, construcionismo social e narrativas: nos limites da sistêmica?

No fim dos anos 1970, o sistema que se estudava em terapia familiar era o da família, e o terapeuta passava por um observador externo. Mony Elkaïm retraça aqui o duplo deslocamento que desfez essa evidência: o construtivismo dos anos 1980 e, depois, o construcionismo social e as terapias da conversação, da narrativa ou da solução, que por sua vez o criticaram. Teses, autores, escolas, congressos: um panorama por dentro, escrito por um dos protagonistas desses encontros.

Autor Mony Elkaïm, fundador e presidente da Sociedade Europeia de Terapia FamiliarPrimeira publicação Perspectivas Sistémicas, n° 42, julho-agosto de 1996Tradução Complexe Systémique, com a autorização da Red Sistémica

“O terapeuta era geralmente considerado um observador externo, e pouquíssimos terapeutas se interessavam pelo sistema terapêutico.”

Mony Elkaïm

Do sistema familiar ao sistema terapêutico

Por volta do fim dos anos 1970, o sistema que se estudava com mais frequência em terapia familiar era o da família, e o terapeuta era geralmente considerado um observador externo. Pouquíssimos terapeutas se interessavam pelo sistema terapêutico.

Essa abordagem aceitava implicitamente que existisse uma realidade objetiva, exterior a nós, realidade que era preciso desvelar para ajudar os pacientes a se livrarem da rede em que estavam presos.

No entanto, a partir do início dos anos 1980, e mais particularmente depois da publicação em alemão, em 1981, da obra organizada por Paul Watzlawick, A realidade inventada (1), um novo movimento chamado construtivismo difundiu-se no meio dos psicoterapeutas de família: essa abordagem reivindicava os trabalhos de Ernst von Glasersfeld (2), de Heinz von Foerster (3), de Humberto Maturana (4) e de Francisco Varela (4).

Depois, alguns anos mais tarde, o construtivismo foi por sua vez atacado em nome do “social constructionism” (construcionismo social); novas formas de terapia, que insistiam nas narrativas ou nas soluções, propuseram então substituir a metáfora cibernético-sistêmica por uma metáfora desta vez pós-moderna e antropológica (5). Gostaria de começar esta introdução descrevendo brevemente as teses construtivistas, expondo as teorias dos representantes do construcionismo social e as críticas que estes dirigiram ao construtivismo; depois disso, apresentarei as principais escolas dessas duas correntes, bem como certos autores que encarnaram esses movimentos no campo da psicoterapia.

As fontes construtivistas: von Foerster, Maturana, Varela

Os trabalhos de Heinz von Foerster sobre a cibernética de segunda ordem, assim como os de Humberto Maturana e de Francisco Varela sobre a percepção, estiveram em parte na origem da aplicação das teorias construtivistas ao campo da terapia familiar.

Heinz von Foerster (6) insistiu na relação entre o sistema observador e o sistema observado, mostrando que esses dois sistemas são inseparáveis. Pondo o acento na ética e concedendo um lugar essencial ao vínculo que põe o outro em relação consigo mesmo (“essa relação é a identidade”, dizia ele), considerava que realidade e comunidade caminham juntas; ele desenvolveu, aliás, esse ponto de vista em uma introdução a um artigo de Francisco Varela (7), na qual indicava que, ao colocar a autonomia do observador no centro de sua filosofia, “Kant não tinha a intenção de efetuar um movimento da objetividade para a subjetividade, mas antes de fundar uma ética, pois vira claramente que sem autonomia não podia haver responsabilidade, nem por consequência ética”.

Maturana e Varela (8), por sua vez, sublinharam que a percepção visual nasce na interseção do que se oferece a nós e de nosso próprio sistema nervoso: mostraram que aquilo que vemos não existe enquanto tal, fora de nosso campo de experiência, mas resulta da atividade interna que o mundo exterior desencadeia em nós. Maturana estabeleceu igualmente que os critérios de validação de uma experiência científica não precisam da objetividade para funcionar: o que é necessário ao pesquisador não é um mundo de objetos, mas uma comunidade de observadores cujos enunciados formam um sistema coerente; é por isso que esse biólogo põe a objetividade “entre parênteses”.

Em definitivo, tanto para Maturana quanto para Varela, a linguagem não foi inventada por um sujeito que buscava apreender o mundo exterior; os seres humanos são para eles seres “linguajantes” (**), fundamentalmente indissociáveis da trama de acoplamentos estruturais que a linguagem tece.

Graças a esses pensadores construtivistas, os terapeutas familiares foram levados a descobrir que a construção mútua do real em psicoterapia conta mais do que a busca da verdade ou da realidade. Essa descoberta teve ao menos quatro implicações capitais no campo terapêutico:

  • na medida em que acoplamentos diferentes fazem emergir mundos diferentes, e no entanto compatíveis, uma psicoterapia bem-sucedida não implica que o terapeuta tenha tido razão, mas que a construção que ele edificou com os membros do sistema terapêutico seja operatória;
  • do mesmo modo, a intervenção do terapeuta, em vez de visar a fazer surgir alguma “verdade” pretensamente utilizável pelo sistema ou por seus membros, deve antes tender a ampliar o campo dos possíveis;
  • convém notar, por outro lado, que o conceito de acoplamento estrutural, tal como Maturana e Varela o elaboraram para descrever o que se manifesta na interseção de um sistema determinado por sua estrutura e de um meio no qual esse sistema se insere (8), mantém a importância da autonomia individual e, por isso mesmo, da responsabilidade pessoal;
  • enfim, aqueles que, como von Foerster, recusam separar o observador do sistema observado são inevitavelmente confrontados com um paradoxo autorreferencial; é imperativo que formulem o problema em outros termos para evitar recair na eterna questão: como é possível falar de uma situação da qual participamos sem que nossas descrições sejam contaminadas por nossas propriedades pessoais?

Os congressos dos anos 1980

Entre os numerosos congressos de terapia familiar consagrados a temas construtivistas nos anos 1980, alguns tiveram uma importância particular. Um dos primeiros congressos sobre esse domínio foi organizado em fevereiro de 1985 em Saint-Étienne, sob a égide de um psiquiatra e terapeuta familiar especialista no tratamento de comportamentos violentos intrafamiliares; foi no curso desse encontro, do qual participaram Edgar Morin e Carlos Sluzki, que Humberto Maturana e Heinz von Foerster foram apresentados pela primeira vez aos terapeutas franceses. Em seguida, o Mental Research Institute de Palo Alto organizou em 1987, em São Francisco, um colóquio intitulado “Maps of the world, maps of the mind” (“Mapas do mundo, mapas da mente”). Convém enfim acrescentar a essa lista os dois seminários que a Gordon Research Conference consagrou ao tema da cibernética, primeiro em junho de 1986 em Wolfeboro (New Hampshire), depois em janeiro de 1988 em Oxnard (Califórnia): numerosos terapeutas interessados pelas teses construtivistas – entre os quais Lynn Hoffman, Tom Andersen, Bradford Keeney, Carlos Sluzki, Karl Tomm e eu mesmo – ali se reencontraram.

O construcionismo social: Kenneth Gergen

Foi por volta do fim desses mesmos anos 1980 que as teorias do construcionismo social ganharam impulso nos Estados Unidos.

Kenneth J. Gergen, professor de psicologia no Swarthmore College, na Pensilvânia, que está entre os principais representantes do construcionismo social no domínio da psicologia, descreveu esse novo campo por ocasião de um encontro recente.

A seus olhos, as significações, assim como o sentimento de si e as emoções, nascem de um contexto intrinsecamente relacional: não apenas o “eu” e o “tu” se manifestam no interior dos diálogos que as relações humanas permitem, mas a própria identidade é produzida pelas narrativas oriundas das trocas comuns, o que remete de fato as narrativas do eu às relações sociais mais do que às escolhas individuais (III); nessa ótica, mesmo as emoções correspondem a modos de funcionamento social, pois estão inseridas em sequências e em roteiros comuns.

Gergen propõe aos terapeutas que substituam as metáforas mecânicas da cibernética por metáforas tomadas da teoria literária ou da antropologia pós-moderna: ele situa resolutamente o construcionismo social na era pós-moderna, definindo o modernismo como uma visão de mundo enraizada nos séculos XVI e XVII.

Segundo esse autor, o modernismo assimilava o mundo a uma gigantesca máquina que os homens deviam e podiam compreender, na esperança de que a compreensão do funcionamento dessa máquina produzisse conhecimentos garantidores de um progresso ilimitado: de modo que o pensamento moderno punha o acento nos projetos, na evolução, na objetividade e na racionalidade. Ao passo que o pensamento pós-moderno teria nascido por volta do fim dos anos 1960, ao mesmo tempo que a colocação em questão de uma ordem política amoral, unicamente preocupada em acumular mais riquezas e mais poderes; a abordagem pós-moderna associa, por conseguinte, a reivindicação ética à desconstrução dos conceitos de racionalidade, de objetividade e de progresso.

Em sua obra intitulada Realities and Relationships (Realidades e relações), Kenneth Gergen analisou as relações estabelecidas entre o construtivismo e o construcionismo social: concebendo ambos o saber como uma construção do espírito, e recusando ambos definir o conhecimento como o reflexo fiel de uma realidade ou de um mundo independente de nós (concepção característica do modernismo), essas duas abordagens rejeitam o dualismo sujeito/objeto. Mas para os construcionistas, conceitos como “o mundo” ou “o espírito” não têm o estatuto ontológico que os construtivistas parecem lhes atribuir, pois pertencem a práticas discursivas e são portanto suscetíveis de ser discutidos e negociados na linguagem. Segundo Gergen, o construtivismo permanece ligado à tradição ocidental do individualismo, na medida em que descreve a construção do saber a partir de processos intrínsecos ao indivíduo, ao passo que o construcionismo social, ao contrário, busca remontar as fontes da ação humana às relações sociais. É nesse sentido que ele afirma: “a construção do mundo não se situa no interior do espírito do observador, mas antes no interior de diferentes formas de relação”. As consequências dessa abordagem para a psicoterapia poderiam ser as seguintes, segundo Gergen:

  • as trocas verbais entre o terapeuta e o paciente não refletem verdade alguma; não se trata de verificar ou de aplicar uma teoria preconcebida, mas de engajar-se em um diálogo potencialmente produtivo;
  • quando o paciente fala deste ou daquele problema, importa interrogar-se sobre o contexto relacional, perguntando-se a quem ele dirige esse discurso e com que finalidade. A evocação de uma depressão, por exemplo, pode ser um meio de se aproximar do outro, de convidar outras pessoas a entrar em certas “danças” específicas;
  • sendo as significações cogeradas pelo paciente e pelo terapeuta no contexto terapêutico, já não existe uma voz única, tampouco existe um eu unificado: não há uma voz, mas várias, e cabe então ao terapeuta, a partir do aspecto pragmático da linguagem terapêutica, ajudar o paciente a fazer surgir nele outras vozes que lhe permitam orientar-se para outras formas de “conversação”.

Os que conversam

Numerosas escolas fizeram eco a esses últimos desenvolvimentos. Harry Goolishian e Harlene Anderson (12), considerando que o vivido é compreendido e experimentado por meio de realidades narrativas socialmente construídas, pronunciaram-se em favor de terapias centradas na “dissolução do problema” (dissolving therapies), por oposição às solving therapies, centradas no sintoma.

Para esses dois autores, a intervenção terapêutica é um princípio obsoleto: o terapeuta já não intervém, limita-se a participar da conversação terapêutica a partir de uma “posição de perplexidade”.

Para Michael White, terapeuta familiar que atua em Adelaide, na Austrália, o terapeuta, inspirando-se em Derrida, deve buscar reconstruir as “verdades” que foram separadas das condições e dos contextos de sua produção. Pensando na esteira de Michel Foucault, para quem os domínios de conhecimento são domínios de poder, White adere à definição foucaultiana da exclusão como consequência da aceitação de uma identidade socialmente atribuída: tanto para as pessoas quanto para os grupos, seria a identidade imposta ao indivíduo marginalizado que criaria a exclusão, mais do que o não pertencimento a esta ou àquela coletividade. Reencontrando, por outro lado, as intuições antipsiquiátricas dos anos 1960, ele considera fundamental desvelar a “natureza política” das interações locais e esforça-se, portanto, por exteriorizar os discursos interiorizados graças às “conversações terapêuticas”, que visam a “repolitizar” aquilo que havia sido despolitizado. Muito atento, enfim, à importância dos “relatos” na construção das significações das experiências individuais, ele considera que os saberes culturais podem acabar constituindo um fator de “subjetivação”; é portanto para ele no espaço criado em terapia pela exteriorização de alguns desses discursos interiorizados, na nova distância que a pessoa tende a estabelecer com “seus relatos”, que narrativas alternativas podem eventualmente edificar-se.

Embora White tenha se definido em certo momento como “construtivista radical”, e tenha feito o elogio tanto dos estruturalistas (para quem os comportamentos refletem a estrutura do espírito) quanto dos funcionalistas (que se polarizam antes na função que o comportamento deve cumprir em um sistema dado), sua escola inscreve-se antes de tudo no movimento do construcionismo social.

Como Anderson e Goolishian, Steve de Shazer, do Brief Family Therapy Center de Milwaukee, nos Estados Unidos, pensa que os problemas estão inscritos na linguagem; mas, à diferença desses autores, ele se dá como objetivo principal resolver o mais rapidamente possível as dificuldades dos pacientes: interessando-se muito menos pela causa dos problemas do que pela descoberta das soluções, empenha-se em promover essas resoluções amplificando os recursos latentes das pessoas que solicitaram sua ajuda, conforme o método de Erickson. Busca também as “exceções”, pois está convencido de que a realidade é construída antes que descoberta: com Insoo Kim Berg, esforça-se por identificar os momentos em que seus clientes superaram relativamente bem os problemas de que se queixam, a fim de ajudá-los a lutar melhor contra o que os oprime. Essa abordagem, centrada nas soluções, desenvolve-se rapidamente nos Estados Unidos, como atestam as numerosas obras recentemente publicadas pelos representantes dessa corrente: In Search of Solutions: A New Direction in Psychotherapy (9), de William Hudson O’Hanlon e Michele Weiner-Davis; Becoming Solution-Focused in Brief Therapy, de John L. Walter e Jane E. Peller; ou ainda Solution Talk: Hosting Therapeutic Conversations, de Ben Furman e Tapani Ahola.

Tom Andersen, professor de psiquiatria social na universidade de Tromsø, na Noruega, começou a experimentar o dispositivo chamado “equipe reflexiva” em meados dos anos 1980 (10): nesse tipo de dispositivo, a equipe que trabalha atrás do espelho unidirecional reflete em voz alta na presença da família que consulta, a qual comunica em seguida aos terapeutas as reflexões que esses comentários suscitaram. Essa abordagem, que aspira a desenvolver o respeito pelo paciente, por oposição à orientação demasiado hierárquica de certas psicoterapias sistêmicas, inspirou numerosos praticantes, como Esther Wanschura, do Instituto para o estudo e as intervenções sistêmicas de Viena, ou Elida Romano, Jean-Clair Bouley, Patrick Chaltiel, Didier Destal, Serge Hefez e Françoise Rougeul, membros da Association parisienne de recherche et de travail avec les familles (APRTF). Depois de terem sido muito próximos de Mara Selvini Palazzoli, esses seis terapeutas recorreram, num segundo momento, ao modelo de “intervenção provocadora” de Maurizio Andolfi e ao modelo conversacional e construtivista de Carlos Sluzki; sensíveis igualmente ao meu conceito de ressonância, criaram além disso pequenos grupos de formação em que cada estudante é livre para experimentar um estilo de intervenção específico. Essas referências múltiplas são um traço comum à maioria das escolas de formação: a formação em uma única abordagem é, com efeito, relativamente rara na Europa. Mas a riqueza da APRTF é ainda amplificada pelo pertencimento de seus formadores a um sistema psiquiátrico institucional no seio do qual desenvolveram numerosas unidades de psicoterapia familiar.

Os que perguntam

Em um contexto em que o diálogo tende cada vez mais a ser preferido à “intervenção” para modificar as significações e ampliar o campo das alternativas possíveis, a importância terapêutica das “perguntas” só pode crescer: essa noção foi levada em conta por Luigi Boscolo, Gianfranco Cecchin, Karl Tomm, Carlos Sluzki, Peggy Penn, Lynn Hoffman e muitos outros, que sublinharam que as perguntas podiam ser poderosos instrumentos de autocura.

É interessante notar como certos terapeutas familiares foram levados a afastar-se do construtivismo para voltar-se ao construcionismo social. Lynn Hoffman e Harlene Anderson contaram de que maneira Harold Goolishian se separou do construtivismo já no fim dos anos 1980: essa separação produziu-se, segundo elas, no povoado de Sulitjelma (Noruega), onde Tom Andersen havia organizado um encontro do qual participaram, entre outros, Ernst von Glasersfeld, Heinz von Foerster, Humberto Maturana, Lynn Hoffman, Harold Goolishian, Harlene Anderson, Gianfranco Cecchin e Luigi Boscolo. Anderson e Goolishian haviam projetado diante dos teóricos um vídeo destinado a lhes dar um exemplo concreto de seu estilo não diretivo; não apenas seu trabalho pareceu ter sido pouco compreendido, como alguns membros da assistência se mostraram resolutamente refratários a sua demonstração. Pouco depois, no momento em que Lynn Hoffman já não conseguia acompanhar um debate entre dois teóricos construtivistas, Harold Goolishian aproximou-se dela para lhe anunciar que um “estalo” acabava de se produzir em seu espírito: ele acabava de compreender que a cibernética não era uma ciência da compreensão, mas uma espécie de energia fundada no controle, e disse-se convencido da necessidade de renunciar dali em diante às analogias de tipo cibernético. No curso da conversa em que Lynn Hoffman me pôs a par desse fato, Harlene Anderson precisou que naquela época Goolishian e ela mesma estudavam tanto Kenneth Gergen quanto os autores construtivistas: esforçavam-se até então por fazer coexistir esses dois corpos teóricos como referências complementares, e foi apenas a partir desse encontro de Sulitjelma que se separaram do movimento construtivista para se interessar pelo construcionismo social, pela hermenêutica e pelas teorias da narrativa.

A terapia colaborativa

Por ocasião de um seminário que animaram em novembro de 1994 em Chicago, no âmbito do quinquagésimo segundo congresso da American Association for Marriage and Family Therapy, Joan Aderman, Tom Andersen, Harlene Anderson, Marilyn Frankfurt, Peggy Penn, Tom Russell e Kathy Weingarten difundiram um texto que precisa os pontos essenciais da abordagem que preconizam: chamada collaborative therapy (terapia colaborativa) e pretendendo-se uma coconstrução do novo ligada ao pós-modernismo, essa abordagem opõe os sistemas sociais definidos pelas estruturas e pelos papéis aos sistemas linguísticos – as famílias, os indivíduos que vivem na linguagem –, e as organizações hierárquicas às organizações horizontais e igualitárias. Para os partidários dessa collaborative therapy, o eu é uma instância múltipla que se funde na linguagem e nas relações, ao passo que o “não saber” do terapeuta é considerado indispensável à eclosão de novas possibilidades. Concebendo a terapia como uma colaboração entre duas pessoas que têm experiências e perspectivas diferentes, mais do que como uma colaboração entre um especialista e sujeitos que pedem ajuda, esse grupo deduziu logicamente que o terapeuta deve aceitar instalar-se em um “não saber” a fim de abrir-se às possibilidades que o saber poria em perigo. Essa posição, que permite manter-se em um processo de aprendizagem, privilegia a busca comum do terapeuta e do cliente, sem implicar por isso a rejeição de todo saber anterior.

Notas do original

(**) Nota da tradução espanhola: no original, “langagiers”. Convém assinalar que Maturana e Varela empregam de bom grado o neologismo “lenguajear” (linguajar).

Este artigo foi publicado no n° 42 de Perspectivas Sistémicas, julho-agosto de 1996.

Quem é Mony Elkaïm

(*) Mony Elkaïm foi presidente e fundador da Sociedade Europeia de Terapia Familiar.

Bibliografia

(1) Watzlawick, P. (Ed.), La realidad inventada. Ed. Gedisa, 1998.

(2) Glasersfeld, E. von, « Introducción al constructivismo radical ». En (1).

(3) Foerster, H. von, « Construyendo una realidad ». En (1).

(4) Maturana, H., Varela, F., Autopoiesis and Cognition, D. Reidel Publishing Company, 1980.

(5) Hoffman, L., « Constructing realities: An art of lenses », Family Process, 29, 1990, p. 1-12.

(6) Foerster, H. von, Observing Systems, Seaside, California, Intersystems Publications, 1981.

(7) Foerster, H. von, y Howe, R. H., « Introductory comments to Francisco Varela’s Calculus for self-reference ». Int. J. Gen. Systems, t. 2, 1975, p. 3.

(8) Maturana, H. y Varela, F., El árbol del conocimiento. Ed. Universitaria, S. de Chile, 1984.

(9) O’Hanlon, W. H. y Weiner-Davis, M., En busca de soluciones. Ed. Paidós.

(10) Andersen, T., El equipo reflexivo. Ed. Gedisa, 1994.

Este artigo é a tradução para o português de “Ecología de las ideas. Constructivismo, construccionismo social y narraciones ¿En los límites de la sistémica?”, publicado pela Red Sistémica (primeira publicação: Perspectivas Sistémicas, n° 42, juillet-août 1996). Traduzido e republicado com a autorização da revista.

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Como citar este artigo

Elkaïm, M. (2022). Ecologia das ideias. Construtivismo, construcionismo social e narrativas: nos limites da sistêmica? (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/articles/ecologia-das-ideias-construtivismo-construcionismo-social-e-narrativas-nos-limites-da-sistemica (Obra original publicada em 1996 em Perspectivas Sistémicas, n° 42, juillet-août 1996; republicada em 2022 por Red Sistémica, https://redsistemica.ar/2022/06/27/ecologia-de-las-ideas-constructivismo-construccionismo-social-y-narraciones-en-los-limites-de-la-sistemica/)

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