Red Sistémica · Psicopatologia

O mundo dos medos (2ª parte). O uso de prescrições nos transtornos fóbicos e de pânico

Continuação do artigo publicado no n.º 85 de Perspectivas Sistémicas. Depois de descrever os efeitos falhados de uma prescrição paradoxal, Marcelo Rodríguez Ceberio distingue três resultados que podem ser considerados favoráveis. Este fragmento, republicado pela Red Sistémica, desenvolve o primeiro deles: o paciente tentou fazer surgir o sintoma e não conseguiu.

Autor Marcelo Rodríguez Ceberio, psicólogo, diretor do curso de psicologia da Universidade Maimónides, codiretor da Escuela Sistémica ArgentinaPrimeira publicação Perspectivas Sistémicas, n.º 86, maio-junho de 2005Tradução Complexe Systémique, com a autorização da Red Sistémica

Nota da redação

A Red Sistémica republica este texto sob a menção “Fragmento”. Ele dá continuidade à primeira parte, que se interrompe precisamente na frase que abre este.

“O efeito dominó já não está orientado para o caos, mas para a evolução e o crescimento.”

Marcelo Rodríguez Ceberio

Três resultados favoráveis

Três resultados podem ser considerados favoráveis:

a

O sintoma não surge

O paciente tentou estimular o aparecimento do sintoma e não conseguiu fazê-lo surgir.

b

O sintoma aparece por completo

O sintoma apareceu de forma total, quantitativa e qualitativamente.

c

O sintoma aparece em parte

O sintoma apareceu de maneira parcial, com intensidade variável em porcentagem.

Primeiro caso: o paciente não conseguiu reproduzir seus sintomas

Na primeira hipótese, o paciente conseguiu realizar a tarefa, mas, para sua grande surpresa, tentou e tentou de novo sem poder reproduzir seus sintomas. É a primeira vez, depois de meses ou anos, que ele enfrentou o monstro sintomático que o domina, e não cedeu diante de suas ameaças de aparecer. Isso o obriga a deixar uma posição assimétrica que o coloca por baixo, olhando para o sintoma como se fosse um gigante. Ele começou a se sentir mais seguro de si. Depois de tanto tempo, parece-lhe estranho não experimentar a sensação que tanto o acompanhou. O terapeuta conotará positivamente suas ações, mas, mostrando-se cético e como que refletindo em voz alta, o pressionará a refazer a tarefa:

Relançar a prescrição

Hum…, que estranho que você não tenha conseguido instalar os sintomas…, esquisito! Como eles sempre apareceram de maneira espontânea, agora que é preciso fazê-los de propósito, eles não surgem… Vejamos, vamos tentar de novo…, vamos refazer o exercício, mas desta vez você vai se aproximar mais do elevador. Tente a 2 metros…, mas você poderia acrescentar o suor, além das dores de estômago e de garganta…

Se, uma vez cumprida a nova prescrição, o resultado for o mesmo (isto é, ele não conseguiu desencadear os sintomas), o paciente provavelmente começa a sentir que o sintoma é dominado por ele, o que o coloca em posição superior na interação com o sintoma, quando sempre havia acontecido o inverso. É então plausível que, nesse processo, sua segurança e sua valorização pessoal aumentem (características perdidas quando se está à mercê do sintoma), e que ele se sinta progressivamente mais independente. Em outras palavras, o efeito dominó já não está orientado para o caos, mas para a evolução e o crescimento.

A externalização do sintoma (Michael White, 1992), à qual aludíamos acima, implica que, com a figura do monstro que domina o paciente, se desenvolva uma luta corpo a corpo. Essa chave permite dar um corpo a um adversário que, até então, se desenhava como abstrato. Dessa maneira, torna-se possível travar com o sintoma um assalto de esgrima em que as prescrições são as diferentes manobras que permitem desarmar a função do sintoma.

Para lembrar

Quando o paciente não consegue produzir voluntariamente seu sintoma, o terapeuta não triunfa: ele conota positivamente, mostra-se cético e relança a tarefa, tornando-a mais difícil. É a repetição desse fracasso em fazer surgir o medo que instala o paciente em posição superior diante do “monstro”.

A segunda possibilidade é…

Nota da redação

O texto completo pode ser lido em Perspectivas Sistémicas n.º 86, nas bancas, nas livrarias ou por assinatura.

Quem é Marcelo Rodríguez Ceberio

O Dr. Ceberio é psicólogo, diretor do curso de psicologia da Universidade Maimónides, formador nacional e internacional em terapia familiar sistêmica, autor de numerosos artigos e livros, codiretor da ESA (Escuela Sistémica Argentina) e editor associado de Perspectivas Sistémicas.

Este artigo é a tradução para o português de “El Mundo de los Miedos (2° Parte). Uso de prescripciones en los trastornos fóbicos y de pánico”, publicado pela Red Sistémica (primeira publicação: Perspectivas Sistémicas, n° 86, mai-juin 2005). Traduzido e republicado com a autorização da revista.

Ler o artigo original

Como citar este artigo

Rodríguez Ceberio, M. (2022). O mundo dos medos (2ª parte). O uso de prescrições nos transtornos fóbicos e de pânico (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/articles/o-mundo-dos-medos-2a-parte-o-uso-de-prescricoes-nos-transtornos-fobicos-e-de-panico (Obra original publicada em 2005 em Perspectivas Sistémicas, n° 86, mai-juin 2005; republicada em 2022 por Red Sistémica, https://redsistemica.ar/2022/07/19/el-mundo-de-los-miedos-2-parte-uso-de-prescripciones-en-los-trastornos-fobicos-y-de-panico/)

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