Red Sistémica · Terapia familiar
Este artigo questiona toda formação em terapia familiar que enfatiza o estudo dos casos bem-sucedidos e negligencia o estudo das terapias interrompidas. Nele são apresentados dois breves exemplos de terapias inacabadas e propõe-se tirar proveito do estudo das decisões clínicas e das pressões éticas que governam esses casos. O autor recomenda uma perspectiva que poderia melhorar o processo de formação nesse campo e agir favoravelmente sobre os lugares onde se trabalha com a família.
Nota da redação
O Dr. Braulio Montalvo, figura lendária dos primórdios da terapia familiar sistêmica, honrou-nos com sua presença no recente 4º Congresso Mundial de Psicoterapia do WCP (World Council of Psychotherapy), “Psicoterapia: uma ponte entre as culturas”, realizado de 27 a 30 de agosto em Buenos Aires e organizado pela APRA (Asociación de Psicoterapia de la República Argentina).
“Os casos interrompidos trazem uma enorme dose de realidade à formação do terapeuta.”
Braulio Montalvo
Entre as experiências formadoras do terapeuta familiar, aquelas que consistem em brigar com os colegas ou em escapar de um caso continuam a estar entre as menos estudadas. Os centros de formação, com algumas exceções, preferem supor que não há grande benefício em examinar essa experiência muito de perto; consideram que dedicar-se ao estudo dos casos bem conduzidos produz benefícios mais evidentes, em termos de motivação e de saber-fazer, do que o estudo minucioso dos casos interrompidos. Aqueles que se interromperam não se ajustam às noções estéticas implícitas que ditam o que deve ser um bom material pedagógico. Teme-se até que, ao dedicar tempo a uma atitude médico-legal, buscando compreender em detalhe as dificuldades particulares que levaram ao abandono do caso, o terapeuta em formação se desanime.
Embora os centros de formação prefiram estudar o caso bem-sucedido, muitos terapeutas contestam isso. Consideram que, para se formar – sobretudo na perspectiva de trabalhar no ambiente frustrante da saúde mental pública –, há muito a aprender precisamente com os casos interrompidos. Afinal, estes constituem, mesmo segundo os cálculos mais prudentes, mais da metade dos casos que o terapeuta enfrenta quando trabalha com os mais desfavorecidos, com as questões de toxicomania entre os pobres, com a delinquência e a violência1. Esses casos chegam carregados de problemas múltiplos e surgem de contextos variados de diversidade cultural. Com eles, é impossível não esbarrar na fragmentação e na escassez dos serviços. Quando é preciso obter atendimentos dos hospitais, das escolas e dos tribunais, essa população esbarra sempre em frustrantes emaranhados interinstitucionais. Nesse ambiente de trocas complexas, o terapeuta não pode alimentar muitas ilusões sobre os limites do problema nem sobre os seus próprios, e descobre depressa que muitos dos obstáculos que encontra não nascem principalmente da mente ou da conduta do paciente, mas da falta de coordenação e de colaboração por parte daqueles que deveriam ser seus recursos e seus aliados. Abundam, além disso, os desacordos de humor entre o terapeuta e a família que resultam da interrupção da terapia.
A fantasia segundo a qual o terapeuta se moveria em um campo profissional globalmente harmonioso, povoado de colegas cooperativos que lhe permitem navegar como um Buda imperturbável, se dissipa. Outras ideias românticas associadas também desaparecem. Aprende-se que, em seu momento de vulnerabilidade, o terapeuta nem sempre pode ser encaminhado a um meio de terapeutas de terapeutas, politicamente desconectados do centro de formação, onde se procederia a rápidos e discretos reparos. Em suma, os casos interrompidos trazem uma enorme dose de realidade à formação do terapeuta. Ensinam, entre outras coisas, que a arte oculta de saber se desvincular de certos casos de maneira responsável é necessária, e que ela exige levar a sério o processo que consiste em aprender a se tornar o adversário dos próprios colegas.
Os casos interrompidos contribuem sobretudo para que o terapeuta ajuste, ou abandone completamente, as metáforas da moda que pretendem orientar a terapia. A ideia de que a vida é como um livro do qual você é o autor e o narrador revela-se logo inútil e descartável. O mesmo vale para a fuga poética segundo a qual sua alma é um navio e você é o capitão dele. Se o terapeuta e a família acabam vendo que se parecem mais com um barquinho de papel à deriva, com uma vela minúscula, enquanto o mar os açoita com ondas ferozes, aumentam as possibilidades de que possam ajustar seus objetivos e se ajudar mutuamente. Elas aumentam ainda mais quando o terapeuta se comporta de maneira criativa diante das poderosas forças de fundo que Pakman traz à luz: a globalização e o pós-modernismo2. À medida que essas forças lhe roubam e lhe desvalorizam as verdades conceituais que até então lhe davam apoio e direção em seu caminho com a família, o terapeuta procura rapidamente outras. Já não encontra os pontos de apoio habituais com que antes contava e precisa se situar nas novas verdades incontornáveis. Posso contar com certeza que alguns dos meus me bloquearão ou me trairão. Posso contar com certeza que alguns casos me farão perder a equanimidade. Algumas das maneiras pelas quais essas novas verdades avassaladoras, antigas no coração do homem, se deixam entrever podem ser observadas na improvisação que exigem os dois casos que se seguem.
Caso n.º 1: o confronto
Uma terapeuta que precisa se tornar, diante de um tribunal, a adversária de dois colegas aliados contra ela.
Caso n.º 2: a fuga
Uma terapeuta que, sentindo-se ela própria em perigo, precisa aprender a se desvincular de maneira responsável.
Uma mulher foi encaminhada a uma terapeuta porque sua filha de dois anos tivera de ser internada de urgência. Segundo o pediatra, a criança estava gravemente desidratada. As irmãs da mãe haviam constatado que a menina tinha um aspecto muito ruim e haviam chamado o serviço de proteção à infância. A mãe, usuária crônica de drogas, tinha uma longa história de traumas emocionais graves. Ela consumia drogas quando deixou a filha nas mãos de vizinhos irresponsáveis. O pediatra estava alarmado: a seu ver, a criança deveria ter sido internada muito antes. Nos dois últimos anos, a mãe e a filha haviam se mudado de um estado do país para outro. Ela era movida pela ideia de que os prontuários dos hospitais eram alterados pelos médicos para lhe tirar a filha.
A terapeuta a quem o caso foi confiado notou que, pouco depois de o serviço de proteção à infância ter assumido o processo e o ter levado ao tribunal, a mãe deixou de ser amável. Ela desenvolveu uma atitude de contrariedade assim que o tribunal lhe designou um psiquiatra e uma advogada. A mãe explicou à terapeuta que esses novos recursos – a advogada e o psiquiatra – lhe haviam dito: “você pode perder a criança, porque sua terapeuta não a apoia plenamente”. Ao ouvir isso, a terapeuta estremeceu, mas considerou que não podia se tratar de uma falta ética por parte de seus colegas. Certamente era uma má interpretação da mãe. A terapeuta entrou imediatamente em contato com o psiquiatra e a advogada, que responderam a uma só voz: “seu relatório põe em dúvida que a segurança e os cuidados desta criança possam ser assegurados de forma autônoma por esta mãe. Você diz que ela ainda está em recuperação, que continua instável e que não pode cuidar da criança sem ser supervisionada.” Uma aliança solene e arrogante se formara entre o psiquiatra e a advogada contra a terapeuta. Eles insistiam a todo custo para que a mãe recuperasse a filha imediatamente e sem nenhuma supervisão.
A terapeuta se sentiu traída e desqualificada. Sentiu que sua reputação profissional, tanto quanto seu próprio eu, estava ameaçada por duas pessoas poderosas e respeitadas do tribunal. Ela tomou medidas concretas para resistir a eles. Repetiu à sua paciente que não podia mais recomendar, sem ir contra a própria consciência, que o tribunal lhe devolvesse a criança sem ter certeza de que haveria dessa vez um adulto responsável para apoiá-la e supervisioná-la. Precisou mais uma vez que a continuidade dos cuidados da criança havia sido perigosamente instável nos dois últimos anos. Escreveu em seguida ao tribunal as razões pelas quais separava seu parecer do parecer do psiquiatra e da advogada. Antecipou que o psiquiatra e a advogada dariam a entender ao tribunal que qualquer recomendação de cuidados supervisionados equivalia, de fato, a recomendar a destituição do poder familiar. Afirmou que não pretendia nada disso e acrescentou que pôr fim aos direitos da mãe deixaria essa mulher sem nenhuma motivação para se recuperar de sua dependência. Advertiu o tribunal de que a irmã da mãe, primeira candidata a acolher a criança, sempre buscara afastar sua paciente. Se o tribunal viesse a considerar a tia como mãe substituta, deveria fazê-lo apenas em último recurso. Para fazer justiça não somente às necessidades da mãe, mas também às da criança, que corria grande perigo, o tribunal deveria instituir cuidados supervisionados. Essa medida poderia reparar e prevenir a instabilidade dos cuidados.
O processo está em curso. A terapeuta, embora incerta diante da possibilidade de que o tribunal privilegie a recomendação das duas pessoas mais estimadas dos meios judiciários, sente que respondeu às pressões éticas fazendo o que era justo.
Uma mulher vem ver uma terapeuta porque está muito triste depois de ter decidido pôr fim à relação com seu companheiro. Ela explica que ele nunca encontra trabalho e que, nos últimos tempos, tem se comportado de maneira estranha. A mãe dessa mulher lhe disse que o encontrara ao pé de sua cama, tarde da noite, e que não sabia ao certo se ele tentava lhe tirar a calça do pijama. Diante dessa informação, a mulher confrontou o companheiro, que lhe respondeu friamente que essa acusação era um bom exemplo da senilidade da mãe dela e que ele não fizera nada disso. De todo modo, a mulher lhe pediu que saísse de casa, o que ele fez.
Na segunda sessão, a terapeuta descobriu que essa mulher trabalhava como agente de segurança em meio prisional. Fora ali que ela conhecera esse homem. Ele estava detido quando ela se tornou sua amiga e sua defensora. Ela conseguira apresentar o caso dele diante da comissão de liberdade condicional e, por sua intercessão, obtivera a redução de sua pena.
Entre duas sessões, a terapeuta nota uma coincidência. Ela vinha acompanhando na televisão as notícias sobre um estuprador em série em liberdade, e acontece que ele agia no bairro onde vivia sua paciente. A terapeuta perguntou à paciente sobre o tipo de delitos cometidos por seu companheiro e soube que em mais de uma ocasião ele fora suspeito de estupro. A terapeuta continuou a explorar com que eficácia sua paciente havia rompido com o companheiro. Descobriu que a mulher permanecia muito implicada na vida desse homem, que falava com ele com frequência e sem reservas. Tinham longas conversas em torno de um café toda vez que ele vinha buscar suas coisas. Quanto mais a terapeuta questionava em que medida esse homem havia saído da vida dessa mulher, mais ela insistia em falar da dureza da vida desse “pobre homem”. A terapeuta concluiu, em silêncio, que essa mulher continuava inteiramente disposta a encontrar desculpas para a conduta do companheiro. Ela mantinha com ele uma política de portas abertas.
Aconteceu que a terapeuta, cujo marido estava temporariamente fora da cidade, começou a se sentir insegura e vulnerável. Pensou que, apesar de todos os seus esforços, seria inútil propor um tratamento a essa mulher enquanto ela própria se sentisse muito assustada. Decidiu que precisava encontrar o modo de ajudar essa mulher a obter ajuda sem prosseguir ela mesma o atendimento. Refletindo sobre a maneira desenfreada como essa mulher falava, perguntou-se se o homem já não teria descoberto onde ela morava. Informou-se a respeito e, de fato, o homem já sabia, pelas conversas frequentes que tinha com essa mulher em torno de um café. Mesmo depois de saber o que acontecera com sua mãe, essa mulher continuara incapaz de manter fronteiras e lhe revelava tudo.
A terapeuta entrou em contato com um consultor e lhe transmitiu sua inquietação. Seria possível que o companheiro da minha paciente seja o estuprador em série de que falam as notícias? Reagindo à angústia da terapeuta, o consultor perguntou-lhe imediatamente se ela queria continuar a trabalhar com essa paciente. “Não, de todo modo já estou de saída. Meu objetivo, nesta consulta, é ver como posso passar o bastão de maneira responsável a outro terapeuta.” Depois dessa troca, a terapeuta confrontou sua paciente: “Não a vejo fechar completamente a porta dessa relação. Assegure-se de que sua mãe fique longe desse homem e, quanto a você, cuide-se.”
A terapeuta prosseguiu: “Você precisa começar imediatamente a tentar compreender como escolhe seus homens, mas isso não poderá ser comigo. Neste momento, não estou preparada para essa tarefa. Recomendo que você consulte o doutor X.” A terapeuta se desvinculou o melhor que pôde, assegurando-se de que essa mulher encontrasse outro terapeuta antes de ela própria abandonar totalmente o atendimento. Em uma sessão de retomada, o consultor, levando em conta as pressões éticas, interveio perguntando à terapeuta: “essa paciente poderia alertar a comunidade sobre a possibilidade de que seu ex-companheiro seja o estuprador procurado?” A terapeuta respondeu imediatamente: “Não, é pouco provável. É pouco provável, mas é possível, em contrapartida, que, de uma maneira ou de outra, ela avise esse indivíduo de que há um estuprador no bairro e de que a polícia o procura. Lembre-se de que foi ela quem defendeu esse homem quando ele estava encarcerado e que chegou a obter a redução de seu prazo de liberdade condicional.” Depois acrescentou: “veja, sinto-me mais segura, e talvez essa mulher e sua mãe estejam mais vigilantes e até menos em perigo, mas a comunidade ficou sem proteção”.
Imediatamente após a consulta, a terapeuta fez uma ligação anônima para o Crime Stoppers3 e insistiu para que esse homem fosse incluído na lista de suspeitos.
Para lembrar
Nenhum dos dois casos termina em êxito terapêutico: um se desenrola diante de um tribunal, contra colegas; o outro se encerra com uma passagem de bastão e uma ligação anônima. É precisamente sua ambiguidade que os torna formadores: eles obrigam a olhar as decisões clínicas e as pressões éticas que as apresentações de casos bem-sucedidos deixam fora de quadro.
A formação em terapia familiar pode ser melhorada se nela se incluir mais deliberadamente o estudo das decisões clínicas e das pressões éticas que governam os casos interrompidos. Esses casos abundam e oferecem a vantagem de que suas ambiguidades esvaziam a tradição de onipotência e de triunfalismo que frequentemente se infiltra nas apresentações de casos em congressos e na literatura.
Recomendamos que a formação enfatize o desenvolvimento de competências específicas destinadas a melhorar a comunicação do terapeuta com a família. Essa perspectiva artesanal recebe o apoio indireto de pesquisas recentes conduzidas na formação médica4. É possível organizar uma série de experiências que melhorem as habilidades de comunicação do terapeuta com a família e fazer com que essas habilidades diminuam o número de casos interrompidos. Elas poderiam se revelar eficazes apesar das diferenças do contexto institucional em que são ensinadas. Houve, sem dúvida, consequências construtivas em admirar a imagem do terapeuta imune ao sobressalto; mas, para o melhor e para o pior, isso ao mesmo tempo acelerou seu sofrimento. A falta de bem-estar pode se tornar intolerável quando o terapeuta descobre, repetidas vezes, que lhe faltam competências precisas, que ele é um ser perturbável e imperfeito em um campo imperfeito. Quando aceita que o desagrado de batalhar com colegas ou de fugir de maneira responsável faz parte integrante e natural do que há para aprender, a tarefa profissional torna-se mais suportável.
Favorecer que esse passo de aceitação seja dado cedo no percurso de formação talvez aliviasse a insatisfação e a insidiosa desmoralização que tende a se apoderar dos serviços públicos de saúde mental. Todo passo capaz de aliviar essa situação merece ser considerado, ao lado das palavras encorajadoras com que o doutor Luis Polo consola aqueles que se queixam do peso do clima de trabalho nas instituições públicas de saúde mental: “Este campo seria dos mais agradáveis se não fossem os pacientes e os colegas.”
Quem é Braulio Montalvo
Braulio Montalvo é consultor em terapia familiar de um centro de reabilitação de ex-combatentes. Foi consultor familiar da clínica pediátrica e da clínica de geriatria da faculdade de medicina da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos.
Notas do original
1. Manuel Gutiérrez, Organizational Management Group Center, Filadélfia (Pensilvânia), comunicação pessoal.
2. Pakman, Marcelo (2002), Poética y micro-política: Terapia familiar en tiempo de postmodernismo y globalización, Psicoterapia y Familia, vol. 15, n.º I, p. 57-70.
3. Organismo policial encarregado de recolher informações anônimas sobre delitos cometidos.
4. Yedidia, M., Gillespie, C. C., Kachar, E., Schwartz, M. D., Ockene, J., Chepaitis, A. E., Snyder, C. W., Lazare, A., Lipkin Jr., M. (2003), Effect of Communications, Training on Medical Student Performance. Jama, vol. 290, n.º 9, p. 1157-1165.
Referências
Pakman, Marcelo (2002), Poética y micro-política: Terapia familiar en tiempo de postmodernismo y globalización, Psicoterapia y Familia, vol. 15, n.º 1, p. 57-70.
Yedidia, M., Gillespie, C. C., Kachar, E., Schwartz, M. D., Ockene, J., Chepaitis, A. E., Snyder, C. W., Lazare, A., Lipkin Jr., M. (2003), Effect of Communications, Training on Medical Student Performance, Jama, vol. 290, n.º 9, p. 1157-1165.
Procedência do texto
Este artigo é uma reprodução do artigo publicado originalmente na revista Psicoterapia y Familia, ano 2003, vol. 16, n.º 2, revista da Asociación Mexicana de Terapia Familiar.
Este artigo foi publicado em Perspectivas Sistémicas n.º 88, setembro-outubro de 2006.
Este artigo é a tradução para o português de “El uso de las terapias interrumpidas: en busca de la capacitación artesanal”, publicado pela Red Sistémica (primeira publicação: Psicoterapia y Familia (Asociación Mexicana de Terapia Familiar), vol. 16, n° 2, 2003 ; repris dans Perspectivas Sistémicas, n° 88, septembre-octobre 2006). Traduzido e republicado com a autorização da revista.
Ler o artigo originalComo citar este artigo
Montalvo, B. (2022). O uso das terapias interrompidas: em busca de uma formação artesanal (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/articles/o-uso-das-terapias-interrompidas-em-busca-de-uma-formacao-artesanal (Obra original publicada em 2003 em Psicoterapia y Familia (Asociación Mexicana de Terapia Familiar), vol. 16, n° 2, 2003 ; repris dans Perspectivas Sistémicas, n° 88, septembre-octobre 2006; republicada em 2022 por Red Sistémica, https://redsistemica.ar/2022/08/01/el-uso-de-las-terapias-interrumpidas-en-busca-de-la-capacitacion-artesanal/)
Para ir mais longe
Photo : Braulio Montalvo, Salvador Minuchin et Jay Haley. Jamespkeim, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.
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