Dossiê
Em 2016, Mark McKergow propôs chamar de “TBFS 2.0” a prática do centro BRIEF de Londres, e de “1.0” a de Milwaukee: a linguagem da descrição substituiu a da ação, as melhores esperanças substituíram os objetivos, a pausa e os elogios de fim de sessão desapareceram. Harry Korman respondeu, McKergow replicou, e a questão deslizou para a das fronteiras: o que é, e o que não é, focado nas soluções? Este dossiê reúne os onze textos dessa conversa.
Ordem de leitura sugerida. A base: Chris Iveson e Mark McKergow, “Terapia breve: o desenvolvimento de uma descrição focada” (2016). A proposta: McKergow, “TBFS 2.0” (2016). A troca: Korman, “Reflexões sobre o artigo de Mark McKergow, versão 3.0” (2019) e McKergow, “Resposta às reflexões de Harry Korman” (2019). A questão das fronteiras: Michael Durrant, “Confissões de um purista assumido” (2016), e a base empírica que ambos os lados invocam, Janet Beavin Bavelas et al., “Os fundamentos teóricos e empíricos da coconstrução do sentido no diálogo” (2014).
O segundo momento trata da teoria e do compromisso social. Korman, De Jong e Smock Jordan, “A elaboração teórica de Steve de Shazer” (2020); Guy Shennan, “Rumo a uma prática crítica focada nas soluções?” (2020) e depois “Narrativas de singularidade ou de semelhança e conexão” (2021); o Solution-Focused Collective, “Ação coletiva focada nas soluções” (2021); e a resposta de Korman, De Jong e Smock Jordan, “Não queremos borrar as fronteiras” (2021). Todos esses textos estão publicados sob licença CC BY 4.0; cada página remete ao seu original.
Artigo O Solution-Focused Collective responde a Korman, De Jong e Smock Jordan: as fronteiras que importam separam o praticante do cliente, e a ação coletiva as apaga.
Artigo Guy Shennan contesta a insistência de Korman, De Jong e Smock Jordan em distinguir a TBFS de todas as outras terapias: narrativas de singularidade ou de parentesco?
Artigo Korman, De Jong e Smock Jordan respondem a Shennan e ao Collective: quando o terapeuta tem um projeto para o cliente, já não é terapia focada nas soluções.
Artigo Korman, De Jong e Smock Jordan releem a obra de Steve de Shazer em quatro fases e extraem seis axiomas duradouros: ele fazia teoria descrevendo, nunca explicando.
Artigo Guy Shennan pergunta se a prática focada nas soluções pode levar em conta as relações de poder: passar de “suas melhores esperanças” a “nossas melhores esperanças”.
Artigo Harry Korman responde a Mark McKergow: recusa a numeração 1.0/2.0, contesta que o modelo BRIEF não influencie o cliente, e vai olhar os números.
Artigo Mark McKergow responde a Harry Korman: a segunda geração não é invenção exclusiva do BRIEF, e de Shazer e Berg nunca pararam de deslocar sua prática.
Artigo Mark McKergow sustenta que uma segunda geração da terapia focada nas soluções já substituiu a de de Shazer e Berg, e propõe chamá-la de “TBFS 2.0”.
Artigo Michael Durrant assume ser um purista: quase tudo que se apresenta como focado nas soluções não o é. Quatro critérios para decidir.
Artigo Chris Iveson e Mark McKergow formulam a versão minimalista do BRIEF: a terapia como elaboração de uma descrição, reduzida a três perguntas e a uma neutralidade estrita.
Artigo Janet Beavin Bavelas e três praticantes dão à coconstrução do sentido um processo observável, vindo da psicolinguística de Herbert Clark: um micromodelo em três passos.