Tradução assistida por IA

Esta versão foi traduzida do inglês pelo Complexe Systémique com a ajuda da inteligência artificial. Em caso de dúvida, prevalece a versão original.

OMEGA - Journal of Death and Dying · Luto

Apoio após o suicídio: uma análise temática da experiência de irmãos e irmãs

Depois de um suicídio, irmãos e irmãs costumam ser “os enlutados esquecidos”. Dez adultos australianos contam o que ajudou: pares que também perderam um irmão ou uma irmã, pessoas próximas capazes de escutar, empregadores flexíveis. E o que machucou: grupos centrados nos pais, uma polícia desconfiada, uma parentificação que tira o espaço do próprio luto.

Autores Paul Blaze e Rachel M. Roberts (School of Psychology, Universidade de Adelaide, Austrália)Primeira publicação OMEGA - Journal of Death and Dying, 13 de agosto de 2023Tradução Complexe Systémique, tradução não oficial

Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de Apoio após o suicídio: uma análise temática da experiência de irmãos e irmãs, de Paul Blaze e Rachel M. Roberts, publicado na OMEGA - Journal of Death and Dying (SAGE) (2026), doi: 10.1177/00302228231195922, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. Os agradecimentos e as declarações do fim do artigo foram reunidos nas notas; as notas biográficas não foram reproduzidas. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.

O presente estudo verificou que essa parentificação se estendia a irmãos e irmãs adultos, inclusive a quem morava longe dos pais durante e após a perda.

Paul Blaze e Rachel M. Roberts

Resumo

O suicídio é um fenômeno mundial que causa a morte de mais de 700 mil pessoas por ano. Cada suicídio deixa pessoas para trás. A pesquisa sobre a experiência de luto de irmãos e irmãs e sobre o apoio de que precisam após a perda de um irmão ou de uma irmã é limitada. Este estudo explorou as experiências de luto e de apoio de pessoas que perderam um irmão ou uma irmã por suicídio. Grupos de apoio repassaram as informações sobre o estudo a pessoas que consideravam adequadas para participar. Dez adultos que perderam um irmão ou uma irmã participaram de entrevistas. A análise temática identificou três temas: compreensão compartilhada, espaço para o luto e relações. Os resultados indicam que irmãos e irmãs enlutados desejam o apoio de outras pessoas que perderam um irmão ou uma irmã por suicídio, bem como um apoio social livre de estigma e disposto a escutar. A relação entre a pessoa que morreu por suicídio e o irmão ou a irmã sobrevivente teve efeitos sobre a experiência do luto, assim como a parentificação e os efeitos do contato com as instituições.

Palavras-chave: suicídio, luto, irmãos, apoio, relações

Introdução

Estima-se que mais de 700 mil pessoas morram por suicídio a cada ano, um fenômeno que não se limita aos países de alta renda, mas ocorre no mundo todo, independentemente da cultura (Hunt & Hertlein, 2015). Cada suicídio consumado deixa efeitos duradouros nos pais, nos irmãos e irmãs, nos parceiros e parceiras e nas comunidades. Quem fica pode viver um luto intenso, com manifestações físicas, emocionais, cognitivas, comportamentais e espirituais (Hall, 2014). Apesar dos grandes avanços na compreensão de como as pessoas vivem a perda de alguém querido por suicídio, um grupo continua amplamente esquecido: irmãos e irmãs.

Na literatura sobre luto, irmãos e irmãs foram chamados de “os enlutados esquecidos”, qualquer que seja a forma como a perda aconteceu; no entanto, as cargas emocional e social aumentam quando a morte ocorre por suicídio (Dyregrov & Dyregrov, 2005; Kabatchnick & Black, 2015; Rostila et al., 2012). Os irmãos e irmãs de quem morre por suicídio estão sujeitos a um sofrimento psicológico amplo e intenso, que inclui depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), culpa, retraimento social, dificuldades de concentração, maior agitação psicomotora e aumento da ideação suicida (Brent et al., 1993; Dyregrov & Dyregrov, 2005; Kabatchnick & Black, 2015; Rostila et al., 2012; Sethi & Bhargava, 2003).

Uma revisão de literatura de 2005 verificou que, nos trinta anos anteriores, apenas oito estudos tinham se concentrado em crianças e adolescentes que perderam um irmão ou uma irmã por suicídio (Dyregrov & Dyregrov, 2005). A pesquisa sobre irmãos e irmãs adultos é ainda menor: não encontramos nenhum artigo que relatasse a experiência de adultos enlutados pelo suicídio de um irmão ou de uma irmã, suas necessidades de apoio e suas vivências desse apoio. Por isso, o presente estudo se concentra em irmãos e irmãs adultos, na tentativa de ampliar essa compreensão.

O luto

O luto agudo vivido após a perda de uma pessoa querida é uma resposta psicológica instintiva à perda (Shear, 2012; Young et al., 2012). Os sentimentos, pensamentos e comportamentos associados ao luto costumam combinar tristeza e saudade. Pensamentos e lembranças sobre a pessoa falecida, e sobre a própria morte, também fazem parte do luto vivido (Shear, 2012). Worden (2018) divide os aspectos do luto em quatro categorias: sentimentos, sensações físicas, cognições e comportamentos. Embora reconheça que essa lista não é exaustiva, ele explica que ela abrange grande parte do que pode compor um luto normal. Embora as subcategorias dessas grandes categorias sejam numerosas demais para serem tratadas em detalhe, Worden ressalta que nenhuma dessas reações deve ser considerada patológica em sua forma básica; ele observa ainda que não viver algumas dessas partes do luto pode levar a complicações, como o luto complicado e o luto não reconhecido (Worden, 2018).

Worden também fala de sete mediadores do luto que influenciam o modo como o percurso de luto de uma pessoa se desenrola: quem era a pessoa que morreu, a natureza do vínculo, como a pessoa morreu, os antecedentes históricos, as variáveis de personalidade, as variáveis sociais e os estresses concomitantes. Supõe-se que vários deles atuem como mediadores do luto no presente estudo. Perder um irmão ou uma irmã costuma levar a uma reação de luto maior do que perder um primo ou uma prima (Worden, 2018). A natureza do vínculo pode levar a uma reação de luto mais complexa, pois a força do vínculo, a ambivalência na relação e o conflito dentro dela podem ser muito presentes nas relações entre irmãos. Worden também aponta que as mortes por suicídio naturalmente provocam reações de luto mais complexas, por diversas razões, e complicam as variáveis sociais envolvidas no luto. Esses mediadores serão, portanto, usados para enquadrar o luto das pessoas entrevistadas e oferecer um referencial para ajudar a compreender suas respostas.

Luto não reconhecido e luto complicado

A característica mais importante do luto agudo talvez seja que, embora irregular e inconstante, as pessoas enlutadas acabam chegando a aceitar a perda e a integrá-la à vida cotidiana. Perdas violentas, como o suicídio, podem acrescentar obstáculos ao processo de luto. Os sentimentos, pensamentos, sensações físicas e comportamentos mencionados costumam ser ampliados pelo suicídio, somando-se a sentimentos de raiva, culpa, confusão e vergonha e aos efeitos do estigma social que cerca essa morte (Young et al., 2012). Por causa dessas complicações, as pessoas enlutadas por suicídio correm maior risco de desenvolver luto não reconhecido, luto complicado ou ambos (Heeke et al., 2017).

Acredita-se que vários fatores contribuam para o desenvolvimento desses transtornos do luto. Um deles é o fato de que jovens adultos que perderam um irmão ou uma irmã muitas vezes precisam cuidar dos pais logo após o suicídio. É uma responsabilidade em geral pesada demais do ponto de vista emocional, sobretudo enquanto enfrentam o próprio luto, o que leva a esconder esse luto não só da sociedade, mas também dos próprios familiares, para cuidar deles (Rostila et al., 2012). Verificou-se que alguns irmãos e irmãs afastavam do pensamento consciente os sentimentos de desconforto associados ao luto, o que por sua vez levava a complicações de saúde mental (Demi & Howell, 1991). O mesmo estudo constatou que muitos irmãos e irmãs com novas complicações de saúde mental não identificavam, ou não conseguiam identificar, que um luto não resolvido podia estar causando essas complicações.

O luto não reconhecido é a sensação de ter perdido o direito de estar de luto porque esse luto não é admitido nem reconhecido pela sociedade, algo fortemente associado às mortes por suicídio, por causa do estigma que pesa sobre esse tipo de morte (Cvinar, 2005; Lindqvist et al., 2008). O estigma pode levar os familiares a temer o julgamento das pessoas ao redor por causa da natureza da morte, o que leva ao isolamento social na hora de buscar apoio (Kabatchnick & Black, 2015; Lindqvist et al., 2008). Além disso, a família e as amizades podem ter dificuldade de se aproximar e oferecer apoio às pessoas enlutadas, porque também sentem o estigma ligado ao suicídio ou porque lhes faltam as habilidades adequadas para consolar e apoiar. Embora existam muitos grupos de apoio ao luto na Austrália, os que oferecem apoio específico a pessoas enlutadas por suicídio são poucos, e os que oferecem apoio específico a irmãos e irmãs são ainda menos numerosos. Assim, a possibilidade de elaborar o luto e eventualmente resolvê-lo é limitada; a falta de apoio específico para irmãos e irmãs, em comparação com o apoio destinado a pais e cônjuges, também pode sinalizar às pessoas enlutadas que seu luto é menos importante.

O objetivo do presente estudo foi entrevistar pessoas que perderam um irmão ou uma irmã por suicídio sobre sua relação com essa pessoa, sobre a própria perda e sobre os apoios que consideraram úteis e inúteis depois dela, e assim melhorar o apoio oferecido a irmãos e irmãs após a perda de um irmão ou de uma irmã por suicídio.

Método

Participantes

As pessoas participantes foram recrutadas por amostragem de resposta voluntária: as informações foram enviadas a grupos de apoio ao luto, que as repassaram a possíveis participantes e as divulgaram em seus boletins e redes sociais. Nove grupos de apoio ao luto de diferentes partes da Austrália receberam por e-mail informações sobre o estudo, com a mesma folha de informações em linguagem simples entregue às pessoas participantes. Pediu-se que repassassem as informações aos membros que considerassem adequados para participar. Os critérios de inclusão eram: ter 18 anos ou mais no momento da entrevista, ser fluente em inglês e ter perdido um irmão ou uma irmã por suicídio nos últimos 15 anos, mas não nos últimos 12 meses. Este último critério foi incluído para dar ao sofrimento psicológico possivelmente vivido pelas pessoas participantes a chance de diminuir antes de uma entrevista sobre a perda e sobre suas experiências com os serviços de apoio, mantendo-o ao mesmo tempo recente o bastante para refletir com precisão os serviços de apoio atuais e como poderiam ser melhorados (Ross et al., 2017).

A amostra foi composta por nove mulheres e um homem, com idades entre 21 e 49 anos e média de 32,2 anos (DP 8,7 anos). O tempo decorrido entre o suicídio e a entrevista variou de 13 meses a 14 anos e 11 meses, com média de 4 anos e 1 mês (DP 4 anos e 1 mês). Todas as pessoas participantes tinham a mesma mãe e o mesmo pai que a pessoa falecida. Uma entrevista foi feita presencialmente e nove por videoconferência (Zoom). Uma pessoa participante era da região metropolitana da Austrália Meridional, uma do interior da Austrália Meridional, seis da região metropolitana de Victoria, uma do interior de Victoria e uma da região metropolitana de Nova Gales do Sul. O uso do Zoom permitiu realizar as entrevistas num ambiente familiar e confortável para as pessoas participantes (Archibald et al., 2019).

Procedimento

A aprovação ética foi concedida pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade de Adelaide. Após a aprovação, os grupos de apoio foram contatados e solicitados a repassar as informações às pessoas que considerassem adequadas para participar. As pessoas interessadas eram convidadas a enviar um e-mail à pessoa responsável pela pesquisa, que lhes enviava então uma cópia da folha de informações. Após a leitura, se ainda quisessem participar, recebiam opções de horário e a possibilidade de fazer a entrevista presencialmente, se morassem na mesma localidade que a pessoa responsável pela pesquisa, ou pelo Zoom. Depois, recebiam um termo de consentimento para assinar. Das dezessete pessoas que fizeram contato, três não atendiam aos critérios de inclusão por causa do tempo decorrido desde o suicídio do irmão ou da irmã. Quatro não seguiram adiante no processo de entrevista por motivos desconhecidos, o que resultou em dez entrevistas concluídas. Depois de concluídas todas as transcrições, elas foram devolvidas às pessoas participantes para revisão e eventuais alterações antes da finalização dos resultados.

Processo de entrevista

A pessoa que assina em primeiro lugar, em formação em psicologia com registro provisório, conduziu todas as entrevistas em formato semiestruturado. As entrevistas duraram de 40 minutos a 1 hora e 47 minutos. A única entrevista presencial foi gravada em áudio, e as nove pelo Zoom foram gravadas com o recurso de gravação do próprio Zoom. Todas as entrevistas foram transcritas por um serviço de transcrição e revisadas pela pessoa que assina em primeiro lugar. As perguntas tratavam da família da pessoa participante, de sua relação com a pessoa falecida, de sua experiência da perda, de sua reação à perda, de sua experiência do luto, do apoio disponível e de sua experiência desse apoio (ver o material suplementar). Ao final da entrevista, as pessoas participantes tinham a oportunidade de fazer um momento de devolutiva com a pessoa responsável pela pesquisa e de dar sua opinião sobre o processo.

Análise

Usou-se a análise temática indutiva para identificar temas e padrões que surgiam ao longo das entrevistas (Braun & Clarke, 2006, 2013). A análise temática indutiva busca descobrir temas nos dados por meio de uma abordagem “de baixo para cima”, na qual os temas são orientados pelos dados, e não preexistentes.

Para começar esse processo, a pessoa que assina em primeiro lugar se familiarizou com os dados, revisando a transcrição automática de cada entrevista e verificando sua exatidão, e depois importando o arquivo de texto para o NVivo (versão de março de 2020), um software que ajuda a pesquisa a organizar, analisar e extrair compreensões de dados não estruturados ou qualitativos, como entrevistas. A partir daí, leu o arquivo e codificou os dados no NVivo.

A codificação é um processo que consiste em identificar o menor fragmento de dados que tenha uma relação significativa com o fenômeno investigado. Esses fragmentos surgem nos dados vindos das pessoas participantes e são identificados e organizados por quem faz a pesquisa. Os temas são então construídos a partir dos códigos desenvolvidos, combinando, comparando e analisando como os códigos aparecem nos dados e a mensagem que transmitem.

A codificação das entrevistas ocorreu à medida que os dados eram coletados, para que a coleta pudesse ser encerrada quando se alcançasse a saturação dos dados, isto é, quando novas entrevistas já não produzissem informações novas. Enquanto a pessoa que assina em primeiro lugar codificava as entrevistas, a segunda pessoa signatária, com registro em psicologia clínica, também revisava as transcrições, conferia os códigos de forma cruzada e discutia os temas para garantir consistência e confiabilidade.

Reflexividade

Na escolha do tema deste projeto, a equipe de pesquisa se baseou em suas próprias experiências pessoais. Embora a pessoa que assina em primeiro lugar não tenha perdido um irmão ou uma irmã por suicídio, uma amizade próxima a confrontou com essa perda. Isso alimentou grande parte de seu interesse pelo tema e evidenciou a escassez de pesquisas sobre irmãos e irmãs enlutados por suicídio, o que a levou a empreender o presente estudo.

Por causa dessa exposição prévia ao tema pesquisado, era importante que a pessoa que assina em primeiro lugar estivesse atenta a seus próprios possíveis vieses ou expectativas em relação ao estudo. Por isso, ao longo das entrevistas e da análise dos dados, teve o cuidado de considerar como suas experiências pessoais anteriores poderiam afetar sua compreensão das informações recebidas. Isso também contribuiu para a escolha de comparar e conferir os códigos e temas com a segunda pessoa signatária, para ficar atenta a qualquer viés de pesquisa que pudesse afetar a compreensão final dos dados.

Resultados

A análise temática gerou três temas principais: compreensão compartilhada, espaço para o luto e relações, este último subdividido em relação das pessoas participantes com o irmão ou a irmã antes do suicídio, relação com os pais e relação com a polícia e com o serviço do médico-legista (coroner). Cada um é discutido abaixo com exemplos desidentificados.

Compreensão compartilhada

A compreensão compartilhada reflete o que, segundo as pessoas participantes, as ajudou no processo de luto; reflete também o que sentiram faltar em suas redes de apoio social, nos serviços profissionais, nos grupos de apoio ao luto e nos serviços de apoio que não eram voltados a irmãos e irmãs. Quase todas as pessoas participantes frequentaram algum tipo de grupo de apoio ao luto após a perda. Os primeiros serviços frequentados foram grupos de luto gerais, aos quais iam com a família. O participante 4 contou que “a mãe tinha entrado em contato com a associação de apoio a enlutados por suicídio, e eles tinham um grupo de apoio para pessoas que perderam alguém por suicídio. Era mais um grupo de pais.” Ele acrescentou que o “grupo de irmãos que eu frequento é quase, um pouco mais leve, se é que dá para entender. Ninguém entra tanto nos pontos sensíveis, o que eu acho mais útil… Acho que há mais um sentimento de pertencimento nesse grupo do que, do que no outro.” As pessoas participantes relataram que, nesses grupos, o foco do apoio estava nos pais e em lidar com a perda de um filho, e que por isso se sentiam deixadas de lado; a participante 10 relatou: “fomos lá como família e todo mundo ali tinha perdido um filho, alguns tinham perdido um parceiro. E acho que eu era provavelmente a única irmã. Então ninguém se importava comigo.”

As pessoas participantes mencionaram que parte do motivo para se sentirem deixadas de lado era que suas dificuldades como irmãos ou irmãs lhes pareciam diferentes das dos pais. A participante 1 observou: “Acho que a dor e as dificuldades que você passa como irmão ou irmã são muito, muito diferentes da dor e das dificuldades que você passa como pai ou mãe. Eles têm um conjunto de emoções completamente diferente em relação a isso.” Ela continuou: “Acho que, para mim, é como perder um amigo, e agora existe meio que um buraco na minha vida. Mas, para mim, era muito voltado para o futuro e para o que falta nele agora.” O participante 4 ecoou essas impressões: “Também é, na minha opinião, melhor porque, sabe, os outros irmãos ali parecem querer seguir em frente no seu caminho e fazer o que podem para se ajudar.” Ele comparou isso com o desafio dos pais, que lhe parecia centrado em descobrir “o que deu errado” ao revisitar as lembranças da pessoa falecida.

As pessoas participantes também contaram que esse desejo de compreensão não se limitava aos grupos de apoio, mas se estendia às amizades e à família, bem como a profissionais de saúde mental. A participante 10 falou de sua frustração na busca por atendimento psicológico, dizendo que ia “perguntar ao médico: tem alguém que trabalhe especificamente com suicídio e irmãos?… Eu não quero que não me entendam.” A participante 7 contou: “Mas levou muito tempo até eu encontrar alguém na psicologia que reconhecesse que não era só luto… era um trauma profundo.” A participante 9 achava que as pessoas próximas que evitavam falar da morte não entendiam: “Acho que só o fato de as pessoas nem tocarem no assunto talvez mostre uma falta de compreensão. É enorme. É obviamente enorme.” Em seguida, observou que os serviços profissionais foram úteis: “Eu diria que, com certeza, as três pessoas que me acompanharam reconheceram e entenderam isso.” A participante 1 falou positivamente da ajuda que sua psicóloga lhe deu por meio da psicoeducação, mas considerava que a capacidade dela de ajudar era limitada: “Eles me ajudaram muito a entender que as emoções que estou sentindo fazem parte do processo de luto, que nada é incomum ou estranho e que dá para viver isso do seu jeito. Mas há um limite para o quanto ela pode ajudar, porque, no fim das contas, ela não passou por isso. E eu acho que é um tipo de luto tão singular que você realmente precisa estar perto de pessoas que passaram por isso. Para realmente, de verdade, entender.”

Mas, para algumas pessoas, tratava-se de encontrar qualquer pessoa capaz de entender a relação entre irmãos; a participante 5 disse: “Acho muito difícil pôr em palavras o que significa ter alguém, saber que alguém simplesmente entende, mesmo que a sua relação de irmão ou irmã seja completamente diferente. É. Alguém que entenda isso. Isso. Sabe, aquela pessoa constante na sua vida, principalmente porque ele era meu irmão mais velho. Eu nunca tinha vivido sem ele.” O participante 4 contou que, no trabalho, descobriu que uma colega tinha perdido um irmão por suicídio: “outra funcionária entrou em contato comigo porque tinha perdido o irmão. E eu perguntei se ele tinha morrido de (sic) suicídio. E ela disse que sim. E foi, foi surpreendente que, mesmo não sendo próximo, mesmo eu não sendo próximo dessa pessoa, eu, eu não me senti sozinho.”

Espaço para o luto

As pessoas participantes falaram do desejo de que as pessoas ao redor conseguissem dar espaço ao seu luto, e da gratidão por quem conseguia. Isso pode ser visto como uma extensão do primeiro tema, já que algumas pessoas participantes sentiam que só quem tinha passado pela mesma coisa podia acolher de fato o seu luto. No entanto, a forma como recebiam espaço e tempo para o luto ia além do círculo de outros irmãos e irmãs enlutados.

A participante 1 contou que queria “pessoas dispostas a simplesmente sentar e escutar você” e pessoas que não fossem “julgadoras nem tirassem conclusões precipitadas”. O participante 4 reforçou essa ideia: “ter alguém para escutar, deixar a pessoa saber: é aqui que eu estou.” Para a maioria das pessoas participantes, esse papel era ocupado por amizades próximas, mas também podia ser o de amizades mais amplas e pessoas conhecidas que perguntavam como estavam e falavam abertamente da pessoa falecida. “Tipo, uma amiga perguntava: como você está? E ela dizia abertamente: aposto que você sente falta do seu irmão… Pouca gente fala abertamente, meio que, como se fosse algo real e atual.” (participante 9).

As pessoas participantes também expressaram frustração com quem evitava o seu luto; a participante 8 explicou que “eles simplesmente ignoravam totalmente o assunto… não perguntavam do jeito ‘ah, como você está levando? Sabe, eu soube do que aconteceu.’ Era só um ‘como vai?’ normal.” A participante 7 contou que queria “pôr fotos da minha família pela casa e ele (o parceiro dela) não aceitava, não queria muito isso”. E que o parceiro chegou a dizer que “não queria trazer a [sua] tristeza para dentro de casa. Então foi muito difícil.” Situações como essas faziam as pessoas participantes sentir que não havia espaço para explorar o luto ou lidar com ele.

A participante 1 percebeu que as amizades não conseguiam lidar com o seu luto por ele estar ligado a um suicídio: “todos os meus amigos acabaram sabendo. Então eu falei com as pessoas, mas é uma conversa tão constrangedora que, depois de passar o início, tipo, sim, ele morreu e foi isso que ele fez e é isso que eu sinto, meio que some da conversa, e eu não quero voltar ao assunto porque é desconfortável e muita gente não consegue lidar… Não tenho certeza se meus amigos estão preparados, nem se querem estar preparados, para lidar com isso.” A participante 8 revelou que tinha dificuldade de falar do luto com a família ou com as amizades: “Outras pessoas podem recorrer a outros familiares em busca de apoio. Mas eu sentia que não tinha isso, porque eles tinham morrido ou porque emocionalmente não conseguiam. Então isso também dificultou, porque. A maioria dos meus amigos também nunca tinha conhecido meu irmão. Então eu estava de luto por alguém que eles nunca conheceram.”

As pessoas participantes revelaram que os empregadores facilitaram bem o apoio e o espaço para o luto. A participante 7 contou que sua “chefe era muito boa em perceber quando talvez eu precisasse de uma pausa. Ela era até muito proativa nisso: ‘Ei, sabe, como estão as coisas? Vamos conversar. Você precisa de uns dias de folga? Vamos planejar uns dias de folga? É. Na verdade. Vamos planejar um tempo.’” Outras pessoas participantes relataram vivências semelhantes: “Meu trabalho foi provavelmente um dos meus maiores apoios… Mesmo quando voltei a trabalhar, tiraram muita coisa das minhas costas.” (participante 3); “Eu tinha começado só dois dias antes… me disseram: quando você estiver pronta… E depois não ficaram bravos comigo e aceitaram que eu trabalhasse quatro horas por dia, saísse mais cedo ou chegasse mais tarde.” (participante 9). Outras pessoas participantes, porém, observaram que, quando o trabalho não era tão flexível ou compreensivo, isso acrescentava estresse a vidas já estressantes; a participante 10 relatou: “Mas aí (nome do local de trabalho) mudou de empresa. E eu tive que, acho que foi um ou dois meses depois de perder (irmão ou irmã). Tive que me candidatar de novo ao meu próprio cargo. E me perguntaram: onde você se vê daqui a cinco anos? E eu: eu só… eu não sei, estou tentando passar pelo dia de hoje.” A participante 7 contou que, quando a chefia mudou, ela passou de um ambiente de trabalho acolhedor para um ambiente extremamente difícil: “apesar de eu ter tentado explicar o que aconteceu, percebi que não tinha a menor porra de chance de ela entender. Ela nem sabia. Ela me olhou como se eu tivesse vindo de outro mundo quando eu disse que meu irmão tinha morrido por suicídio.”

As pessoas participantes também falaram de como os serviços profissionais, como psicologia, psiquiatria e aconselhamento, foram úteis no luto, não só por darem espaço ao luto, mas também por oferecerem informações e compreensões sobre como o irmão ou a irmã podia ter se sentido e como o próprio luto poderia afetá-las. Falando de sua psiquiatra, a participante 2 disse: “Ela me explicou, acho, como a depressão estava afetando meu irmão, mas também era muito boa em explicar o que o luto estava fazendo comigo.” A participante 1 acrescentou que os serviços profissionais eram um lugar onde podia falar sem sentir que era um peso: “Então eu só preciso de alguém profissional aqui. Basicamente, posso pagar para alguém me escutar. Preciso de alguém para desabafar, que só sente e escute, outro ombro para pôr tudo, esse tipo de coisa.” A participante 9 também observou que entrar em contato com um serviço de apoio, que a encaminhou para aconselhamento, permitiu que ela aprendesse mais sobre o próprio luto: “Talvez eu tivesse dúvidas, um ano ou dezoito meses depois, em procurar o serviço de luto, pensando: ah, isso aconteceu naquela época? Não sei. Será que não são só dramas de relacionamento? Não sei se ainda estou de luto. Eu não sabia muito sobre luto, mas, sim, só o fato de eles procurarem você e dizerem, não com essas palavras, mas sim, você merece, vamos te pôr em contato com a pessoa certa, pode acabar com as dúvidas que eu tinha.” As pessoas participantes mencionaram que já ter acompanhamento psicológico facilitou o acesso a apoio após a morte do irmão ou da irmã: “Tem o meu psicólogo. Foi bem fácil entrar em contato com ele. Foi por e-mail, inclusive para marcar a sessão.” (participante 4) e “Eu fazia terapia com uma terapeuta havia anos até aquele momento. Então, sabe, comecei a vê-la com mais frequência depois que meu irmão morreu.” (participante 8).

A participante 5, que morava no interior, mencionou dificuldades adicionais: “o esforço que dá tentar encontrar alguém na psicologia e depois alguém com quem você se dê bem, ou no serviço social, ou no aconselhamento. Isso também pode ser bem complicado.” Ela acrescentou que a falta de informações acessíveis também dificultava as coisas: “Eu não conseguia encontrar muita coisa sobre o que era aquilo, e queria encontrar palavras para o que estava acontecendo e tentar entender.” A participante 6, que morava numa região metropolitana, falou das dificuldades para acessar os serviços públicos: “foi um transtorno enorme, eu tive que primeiro marcar consulta na clínica geral para conseguir o plano de cuidados em saúde mental, e depois fui a um atendimento de psicologia, mas me disseram que TEPT e esse tipo de coisa não eram a especialidade ali, então para procurar outra pessoa. E a cada vez havia um ou dois meses de espera entre uma consulta e outra.” Ela continuou falando de como, a seu ver, os serviços deveriam ser proativos para ajudar pessoas na situação dela, dada a complexidade de acessar os serviços públicos: “E eu acho isso simplesmente terrível, porque sinto que as pessoas na minha situação não deveriam ter que, tipo, ser proativas… Eu sou bem envolvida com a área da saúde, então sei como o sistema de saúde funciona. Sou bem inteligente e tudo, então consigo tentar me virar. Mas, mesmo assim, é tão difícil que eu não sei como as outras pessoas teriam alguma chance.”

Relações

Este tema incluiu três subtemas: o primeiro tratou de como a relação das pessoas participantes com o irmão ou a irmã antes do suicídio afetou seu luto; o segundo, de como a relação com os pais mudou após o suicídio; e o último, de como a interação com os serviços afetou as pessoas participantes e seu luto.

A relação com o irmão ou a irmã antes do suicídio

A relação que as pessoas participantes mantinham com o irmão ou a irmã antes do suicídio afetou o seu luto. Embora todas descrevessem uma relação amorosa e afetuosa, o grau de conflito descrito na relação parecia influenciar o luto e o pesar. A participante 6 contou que a relação com o irmão ficou tensa nos anos que antecederam a morte dele: “Eu simplesmente odiava o impacto que aquilo tinha, principalmente na minha mãe… Acho que às vezes eu ficava muito brava com ele.” Ela falou dos diferentes momentos do processo de luto em que estavam os membros da família: “Acho que a mãe e o pai, e provavelmente minha irmã também, até certo ponto, conseguiram, tipo, perdoá-lo na hora… enquanto eu primeiro tive que passar por toda a raiva, o que eles não tiveram.” Ela percebeu que sua relação com ele antes da morte afetou sua capacidade de viver o luto, em comparação com a família, que, a seu ver, tinha uma relação melhor com ele. A participante 7 mencionou dificuldades: “Ele começou a beber… eu ficava um pouco irritada com ele porque odiava que ele bebesse.” Embora também dissesse que “(eles) se amavam muito”, resumiu assim a relação: “A gente se amava muito. Éramos muito próximos. Mas era complicado.” Disse ainda que o luto ficou mais difícil: “o segundo ano é muito mais difícil… Eu não falo mais de luto com meus amigos.” Ao longo da entrevista, a participante 8 falou do conflito na relação com o irmão: “a gente brigava muito fisicamente quando criança, porque eu achava ele muito egoísta.” E continuou: “Ele se autossabotava e eu ficava furiosa com ele porque, sabe, ele tinha passado dos limites. Mas ele agia como se eu estivesse exagerando.” Descreveu a dificuldade de seguir em frente ao olhar para trás: “cada uma das minhas lembranças de infância agora está manchada pela dor da perda dele”, e disse que agora sente as emoções dele em suas lembranças: “É como se eu sentisse as negativas, como vergonha e medo. E a vergonha, principalmente, é extremamente dolorosa.”

Por outro lado, a participante 3 disse: “A gente se amava. Como nenhum outro irmão e irmã. Não havia rancor. A gente nunca brigava.” Ela contou que tinha adotado os passatempos dele: “Aprendi a tocar piano… ele me tira da minha zona de conforto. Ele sempre fez isso e continua fazendo.” Suas lembranças positivas e a estima pelo irmão permitiram que ela elaborasse o luto junto com a memória dele, em vez de essa memória ser um obstáculo. A participante 2 falou em termos positivos da relação com o irmão, descrevendo o tempo em que moraram juntos: “a gente tinha uma relação muito boa. Fazíamos as refeições juntos… Gostei muito daquele ano em que pude morar com ele em (cidade). Foi muito bom.” Ela também descreveu seu percurso de luto, dizendo que conseguiu se engajar bem com os serviços e compreender o próprio luto: “O aconselhamento é muito bom. Pela universidade, ela foi incrível”; “Eu conseguia reconhecer quando o luto estava tendo impacto… isso foi muito útil, porque me ajudou a reconhecer quando estava acontecendo e meio que nomear, tipo ‘ah, isso é uma reação de luto’, e simplesmente. Não afastar, mas ficar com aquilo e lidar com aquilo.”

A relação com os pais após o suicídio

As pessoas participantes falaram de como a relação com os pais mudou em consequência da morte do irmão ou da irmã. A participante 3 contou como passou por uma parentificação: “Tive que sentar e escolher o caixão do meu irmão, escolher o que ele ia vestir no dia, quais flores iam ter, cada detalhe… Na verdade, tomei a decisão de proteger meus pais, porque eu pensava: bom, eles não estão dando conta de nada agora.” Ela não foi a única a viver essa mudança na relação; a participante 1 observou: “Senti que tinha meio que me segurar para ajudá-los a atravessar aquilo. O funeral e toda a parte administrativa que simplesmente tem que ser feita… eu vou fazer os jantares, vou passear com o cachorro e vou ajudar com as coisas do funeral.” E acrescentou: “nossos pais são meio que: vocês estão sempre aí para cuidar da gente. Acho que nessa situação os papéis se inverteram.” O participante 4 descreveu como começou a proteger a mãe imediatamente: “Corri para dentro. Porque, se o pior tivesse acontecido, eu não queria que a mãe o encontrasse… A mãe veio do canto e me disse para acender a luz do quarto. E eu acendi. E. A mãe começou a gritar não, sem parar. E aí eu meio que saí do estado de choque e. Entrei no quarto e fechei a porta. Para a mãe não ter mais que vê-lo. E, é, peguei o telefone, liguei para o 000, tentei fazer reanimação.” E continuou: “Eu planejei o funeral dele porque a mãe não estava bem e ele tinha que ter um funeral. Sabe, não seria certo não fazer um para ele.” A participante 8 também relatou ter assumido a organização do funeral, além do reconhecimento do corpo: “Passei meu aniversário visitando o lugar onde ele morreu… e depois planejando o funeral dele.”; “Ela tinha acabado de perder um filho, o que também é realmente horrível… Eu me encarreguei de avisar as pessoas, fiz questão de ser eu a reconhecê-lo… Não vou deixar a mãe ver isso.” Ela também falou do peso emocional: “Acabei ficando, principalmente na véspera do funeral, eu fiquei com raiva de verdade, porque sentia que não podia viver o meu luto.”

A relação com a polícia e com o serviço do médico-legista

Por fim, a interação entre irmãos e irmãs e os diversos serviços, como a polícia e o serviço do médico-legista (coroner), teve efeito sobre o luto. “Ele era bem julgador… parece uma investigação criminal. E acho que trataram a mãe como suspeita”: foi assim que a participante 1 descreveu as interações com um investigador. E acrescentou: “Isso só piora tudo. Porque você sente que fez coisas erradas na vida.” Interações como essa acrescentam um nível de culpa e de “responsabilização” pela morte da pessoa querida, fazendo-a parecer um crime e não uma perda; elas interrompem o processo de luto e acrescentam um estressor a um processo já estressante: “isso só agrava todas as emoções normais que você sente.” (participante 1).

A participante 8 também descreveu dificuldades com a polícia, contando que decidiu reconhecer o corpo do irmão, mas que “eles tinham tirado uma foto do rosto dele e eu ainda tenho meio que flashbacks… acho curioso que a polícia não o tenha posto em outra posição antes de tirar a foto para mostrar à família, porque é um ato violento.”

Em contrapartida, a participante 3 falou positivamente da interação com o policial responsável pelo caso do irmão: “ele foi incrível, passou nossos contatos para os serviços de apoio, e agora estou num grupo de irmãos e irmãs e converso com outras pessoas que tiveram que encontrar esses grupos sozinhas.” Assim, ela já conhecia os grupos de apoio voltados especificamente para ela quando se sentiu pronta para buscar apoio, o que tornou o processo menos estressante do que poderia ter sido.

Irmãos e irmãs também falaram de como as dificuldades com outras instâncias, como o serviço do médico-legista, afetaram o luto. “O médico-legista pressiona um pouco para você retirar o corpo e cuidar disso, o que é meio horrível”, foi o que a participante 1 disse sobre o serviço, acrescentando que a pessoa que telefonou do serviço do médico-legista era “muito fria. É. E é obviamente um assunto extremamente delicado, e você está tão no começo do luto que precisa de alguém muito gentil e atencioso. E é isso. E eu não acho que ela fosse nada disso.”

Alterações nas transcrições feitas pelas pessoas participantes

Como parte do procedimento, as transcrições concluídas foram enviadas às pessoas participantes para eventuais alterações. Das dez pessoas participantes, três devolveram a transcrição com alterações. As três corrigiram a gramática da transcrição para torná-la mais legível e acrescentaram detalhes esclarecedores a certos trechos para tornar suas mensagens mais claras. Uma pessoa participante esclareceu uma afirmação, acrescentando que falar abertamente do luto tinha feito bem a ela e à sua recuperação, algo que se perdera na entrevista original, seja por uma conexão ruim de internet, seja pela dificuldade de verbalizar isso no momento, dado o estresse da entrevista. Outra pessoa participante alterou a linguagem que usava para falar do irmão, retirando palavrões que tinha usado inicialmente na entrevista. Ela escolheu, no entanto, manter essas mesmas palavras ao dirigir a raiva às pessoas que, a seu ver, não compreendiam o seu luto.

Discussão

Este estudo buscou compreender a experiência de pessoas que perderam um irmão ou uma irmã por suicídio e o apoio que consideraram útil em seu percurso. A análise temática revelou três temas principais: (1) compreensão compartilhada, (2) espaço para o luto e, como terceiro tema, relações, subdividido em três subtemas.

Quando alguém perde uma pessoa querida, costuma buscar apoios sociais para enfrentar a perda, geralmente na família e nas amizades (Cacciatore et al., 2021). As pessoas participantes, porém, descreveram dificuldades para falar abertamente do luto com familiares ou amizades próximas. Contaram que os pais não conseguiam ajudá-las, ou que lhes parecia injusto buscar o apoio dos pais durante o luto deles; falaram também da dificuldade de se abrir com as amizades por causa do estigma social associado ao suicídio. Disseram sentir que deixavam as amizades desconfortáveis, ou que elas não saberiam como reagir ao seu luto; pesquisas anteriores mostraram que esse sentimento é comum entre pessoas enlutadas (Dyregrov & Dyregrov, 2008; Worden, 2018).

A necessidade de outro tipo de apoio social era, portanto, evidente. Quase todas as pessoas participantes procuraram grupos de apoio ao luto tradicionais, ou foram contatadas por eles. Infelizmente, perceberam que esses grupos abrangiam um campo amplo demais e que o estigma presente no apoio das amizades também aparecia nos grupos de apoio ao luto gerais. Isso não surpreende: pesquisas anteriores mostraram que pessoas enlutadas valorizam muito a ideia de encontrar quem tenha “as mesmas experiências” (Dyregrov & Dyregrov, 2008; Dyregrov et al., 2014; Worden, 2018; Young et al., 2012). A experiência de irmãos e irmãs, porém, leva mais longe a ideia de encontrar apoio e conforto em pessoas com as mesmas experiências, já que afirmam preferir muito mais um grupo composto exclusivamente de irmãos e irmãs enlutados por suicídio. Apontaram que, embora os grupos de apoio específicos para o suicídio fossem úteis, em geral se concentravam na experiência da perda vivida pelos pais, no conforto a lhes dar quanto à vida da pessoa falecida e nas dúvidas sobre sua própria culpa. As pessoas participantes contrapunham a isso o desejo de grupos de apoio voltados para o futuro, que tratassem da vida que continua após o suicídio do irmão ou da irmã e de como seria a vida sem essa pessoa. Observaram ainda que, como sua relação com o irmão ou a irmã era muito diferente da relação dos pais com esse filho ou essa filha, as conversas nos grupos de apoio eram diferentes e mais próximas da sua realidade quando aconteciam entre irmãos e irmãs, o que reforçava ainda mais o sentimento de experiência e compreensão compartilhadas.

Isso não deveria surpreender, pois a literatura sobre luto tem apontado de forma consistente que, quanto mais homogêneo o grupo, mais a pessoa enlutada consegue normalizar sua própria experiência e se sentir à vontade no luto (Dyregrov, 2002; Dyregrov et al., 2014; Jordan, 2001; Worden, 2018; Young et al., 2012). Assim, a criação de grupos de apoio específicos para irmãos e irmãs enlutados por suicídio atenderia melhor às necessidades dessas pessoas e deveria ser uma prioridade para os serviços de luto que ainda não os oferecem.

As pessoas participantes mencionaram constantemente, de uma forma ou de outra, a importância de pessoas ou organizações capazes de dar espaço ao seu luto. Como já dito, tinham dificuldade de falar com amizades e familiares por causa do estigma social, real ou percebido, em torno do suicídio do irmão ou da irmã (Worden, 2018). Embora uma enxurrada imediata de apoio vinda de vários lados possa ser exaustiva, as pessoas enlutadas por suicídio tendem a viver o oposto: amizades e familiares têm dificuldade de abordar a perda com elas (Dyregrov & Dyregrov, 2008). Por isso, as pessoas participantes achavam mais fácil se retirar da vida social e se isolar em casa com a família próxima, que também sofria e não conseguia oferecer apoio. Uma implicação importante disso é que irmãos e irmãs se afastam ainda mais do pouco apoio a que poderiam ter acesso, o que pode levar o luto a se tornar internalizado e não reconhecido, prolongando o processo de luto.

Outro aspecto que pode aumentar a chance de o luto de irmãos e irmãs não ser reconhecido ocorre quando as pessoas próximas que mantêm contato não mencionam o suicídio nem como a perda pode estar afetando a pessoa. Embora isso possa não ser uma tentativa explícita de negar o luto do irmão ou da irmã, pode levar à internalização do estigma e da culpa associados ao suicídio, fazendo a morte parecer um tabu, algo de que não se fala ou, no pior dos casos, algo pelo qual a família, e portanto o irmão ou a irmã, seria em parte responsável (Wray, 2003).

As pessoas participantes descreveram o trabalho como um refúgio em meio ao tumulto que as atingiu após a morte do irmão ou da irmã. Contaram que a volta ao trabalho dava estrutura aos dias, enquanto se isolar em casa podia fazer os dias se fundirem num único e contínuo dia de luto. Também acharam que ter algo além da perda em que se concentrar ajudava com o peso psíquico do luto. Isso aliviava parte da sensação de não reconhecimento vivida nas outras redes de apoio social, já que o trabalho se mostrava flexível nas expectativas e, ao mesmo tempo, perguntava constantemente como a pessoa estava, para garantir que o trabalho não se tornasse excessivo. Assim, conversas abertas, ou muito mais abertas e diretas do que as de amizades e familiares, davam às pessoas participantes a chance de falar com franqueza e de se sentir ouvidas e compreendidas. Isso está em linha com pesquisas anteriores, que mostraram que pessoas enlutadas, qualquer que seja o luto, podem se beneficiar da volta ao trabalho, quando ele estrutura o dia e se mostra flexível nas exigências (Dyregrov & Dyregrov, 2008). É importante observar, porém, que as pessoas participantes que encontraram um trabalho inflexível e pouco atencioso reagiram mal à volta ao trabalho, o que também está em linha com pesquisas anteriores na área (Dyregrov & Dyregrov, 2008). Assim, a necessidade de os locais de trabalho terem diretrizes para o luto, sobretudo para pessoas enlutadas por mortes traumáticas como o suicídio, é crucial para favorecer um percurso de luto saudável.

Por fim, não se pode subestimar a importância de serviços de saúde mental mais tradicionais, como psicologia, aconselhamento e psiquiatria. As pessoas participantes disseram que, com esses serviços profissionais de saúde mental, sentiam ter a opção de “despejar” pensamentos e sentimentos de um jeito que não conseguiam com outros apoios sociais. Outro benefício mencionado foi que esses serviços especializados podiam explicar como a saúde mental do irmão ou da irmã pode ter afetado suas escolhas em relação ao suicídio, ou como o luto atual poderia estar afetando as pessoas participantes e o que elas poderiam fazer para se ajudar. Pesquisas anteriores mostraram resultados semelhantes com outros públicos, como pais e mães, para quem o apoio de psicologia era o mais desejado e, ao mesmo tempo, o mais frequentemente ausente (Dyregrov, 2002; Jordan, 2001). Como discutido na introdução, as pessoas enlutadas por suicídio podem ter uma infinidade de problemas de saúde mental; um benefício adicional do contato com serviços profissionais pode ser tratar esses problemas mais cedo do que ocorreria de outro modo, reduzindo o risco de complicações duradouras no percurso de luto (Brent et al., 1993; Young et al., 2012). Como algumas pessoas participantes observaram nas entrevistas, elas não perceberam, vários anos depois, que o luto ainda as afetava até procurarem serviços profissionais, o que destaca a importância desses serviços para oferecer apoio terapêutico tradicional e psicoeducação.

Apesar dessa importância, as pessoas participantes falaram da frustração ao tentar acessar serviços profissionais pelo sistema público de saúde e de como as longas esperas para uma consulta tornavam ainda mais difícil uma experiência já penosa. Quem já tinha acompanhamento psicológico por outros motivos conseguiu com mais facilidade um apoio adequado e rápido, enquanto quem não tinha acompanhamento teve mais dificuldade. Simplificar o acesso a profissionais de saúde mental nos casos de luto pelo suicídio de um irmão ou de uma irmã pode ajudar essas pessoas a obter atendimento no momento adequado.

Um aspecto importante e inesperado que surgiu neste estudo foi como a relação entre a pessoa participante e a pessoa falecida afetou seu percurso de luto. As pessoas participantes que relataram relações com pouco ou nenhum conflito pareciam ter uma visão mais positiva do luto. Em comparação, as que relataram uma relação marcada por conflitos e dificuldades pareciam ter uma visão mais negativa do pesar e do luto. Esse seria um fator importante para profissionais de clínica que trabalham com pessoas enlutadas pelo suicídio de um irmão ou de uma irmã, pois pode afetar seu engajamento com os serviços e sua própria saúde mental após a perda. Pesquisas limitadas mostraram que uma terapia específica que explore a relação e qualquer conflito inconsciente nela envolvido pode ajudar a reduzir a tensão e a culpa ligadas à relação que podem ter se associado ao luto da pessoa (Rubin, 1999; Worden, 2018). Para pessoas com uma relação marcada por conflito não resolvido, isso poderia melhorar o percurso de luto e reduzir possíveis complicações. Essa é uma área a ser mais explorada em estudos futuros, com uma terapia breve focada na exploração da relação com a pessoa falecida, na qual a imagem internalizada dessa pessoa seja trazida à tona, ganhe sentido e seja desarmada. É importante avaliar a viabilidade disso, pois um conflito na relação não pode ser resolvido facilmente por causa da morte e de qualquer trauma adicional associado a ela.

Outro achado em linha com pesquisas anteriores foi a mudança na relação observada entre irmãos e irmãs e seus pais. A literatura mostrou que, na adolescência, ocorre certa parentificação: quando os pais não conseguem lidar com a perda do filho ou da filha, o irmão ou a irmã assume as tarefas domésticas habituais, como cozinhar e limpar, além de tarefas emocionalmente mais difíceis, como organizar o funeral e reconhecer o corpo (Dyregrov & Dyregrov, 2005). O presente estudo verificou que essa parentificação se estendia a irmãos e irmãs adultos, inclusive a quem morava longe dos pais durante e após a perda. Muitas pessoas participantes disseram sentir que, embora tivessem perdido o irmão ou a irmã, para os pais perder um filho era pior, e que por isso cabia a elas cumprir as tarefas ligadas à morte, como o reconhecimento do corpo e a organização do funeral, além de informar amizades e familiares sobre o que tinha acontecido. Um possível efeito colateral disso é a compreensão ou a crença implícita de que o próprio luto importa menos do que o dos outros, o que pode aumentar o risco de esse luto se tornar não reconhecido e complicado ou, no mínimo, adiado (Byng-Hall, 2008; Willis, 2022). Mais uma vez, os serviços deveriam estar atentos a isso, sobretudo no caso de jovens adultos que talvez ainda dependam mais dos pais ou morem com eles, pois a carga sobre essas pessoas será bem maior do que sobre filhos e filhas adultos mais velhos, que talvez dependam menos dos pais ou tenham mais experiência de vida e melhores apoios sociais.

Outro ponto de atenção foi o papel da polícia e do serviço do médico-legista no luto das pessoas participantes. Elas relataram que agentes de polícia que tratavam o suicídio como homicídio reforçavam ainda mais o estigma em torno do suicídio, já presente para a maioria das pessoas participantes. Além disso, interrogar familiares como suspeitos acrescentava mais uma camada de trauma à perda. Uma constatação semelhante foi publicada no inquérito parlamentar de 2010 sobre o suicídio na Austrália, segundo o qual as investigações policiais e do médico-legista podiam impor mais trauma aos familiares (“CHAPTER 4”, 2022). As pessoas participantes que tiveram interações positivas com a polícia observaram que o apoio inicial e a comunicação contínua durante a investigação aliviaram suas dificuldades, sobretudo quando a polícia levava ao local informações sobre grupos de apoio. Também contaram que o fato de a polícia repassar seus contatos a grupos de apoio adequados lhes deu um ponto de contato para quando se sentissem prontas para buscar apoio, o que simplificou o processo. Isso, assim como as conclusões do inquérito parlamentar, indica que uma formação de sensibilização para agentes de polícia e para as equipes do serviço do médico-legista seria benéfica para as pessoas enlutadas por suicídio. Especialmente para irmãos e irmãs, que podem assumir o peso emocional de lidar com a polícia e com o serviço do médico-legista após o suicídio. Outra opção seria enviar profissionais de serviço social ou de outras áreas da saúde mental com a polícia aos locais de suicídio; assim, pessoas mais qualificadas estariam disponíveis para ajudar os familiares enlutados e orientar a polícia no contato com eles, permitindo que a polícia se concentrasse na tarefa de cuidar do local.

Vale notar que várias pessoas participantes fizeram alterações na transcrição da entrevista, talvez para reforçar a importância de falar do luto com abertura e honestidade, algo que, segundo elas, era difícil com as amizades e com a família ampliada. Isso também pode ser visto como uma forma de enfatizar o quanto suas vidas mudaram com o suicídio e a importância de se sentirem apoiadas, acolhidas e compreendidas nos serviços de apoio. A raiva sentida pelas pessoas enlutadas por suicídio em relação à vítima está bem documentada na pesquisa (Young et al., 2012). Ela às vezes é entendida como raiva da vítima por ter tirado a própria vida e deixado essas pessoas para trás, ou como a responsabilidade que atribuem a si mesmas pela morte por não terem conseguido ajudar a vítima (Young et al., 2012). Dado o estresse da entrevista e a intensidade emocional envolvida, não surpreende que a participante tenha usado uma linguagem muito mais raivosa do que talvez usasse em outras circunstâncias. A alteração da transcrição poderia então ser vista como expressão de culpa por ter sentido raiva do irmão pelo suicídio; quando teve a oportunidade, ela retirou essa raiva.

Um ponto forte deste estudo foi a riqueza das informações obtidas das pessoas participantes, que nos permite compreender melhor a experiência de irmãos e irmãs enlutados por suicídio e suas necessidades em uma ampla gama de áreas. Uma limitação clara, porém, foi a amostra de pessoas que já estavam em grupos de apoio ou ao menos ligadas a essa rede; com isso, vozes de quem não está ligado a grupos de apoio não foram incluídas. No presente estudo, as mulheres eram maioria; por isso, os resultados aqui apresentados podem não representar as necessidades de irmãos homens enlutados por suicídio. Pode-se argumentar que, apesar dessas limitações, esta amostra é representativa das pessoas que provavelmente se beneficiariam de mudanças nos grupos de apoio ou em outros serviços voltados a irmãos e irmãs enlutados por suicídio. De todo modo, pesquisas futuras deveriam ampliar este trabalho investigando as necessidades de quem está fora das redes de apoio; elas poderiam se concentrar em irmãos homens enlutados por suicídio, para entender se há diferenças de necessidades segundo o gênero, e explorar as necessidades de pessoas que vivem no interior e de pessoas aborígenes australianas, dois grupos desproporcionalmente representados entre os suicídios na Austrália.

Complexe Systémique: a reter

Esta pequena amostra qualitativa põe em palavras um lugar muitas vezes invisível na família enlutada: o da irmã ou do irmão. Três lições interessam diretamente à clínica sistêmica. Primeiro, a parentificação não diz respeito só às crianças: adultos escolhem o caixão, reconhecem o corpo e protegem os pais, ao custo do próprio luto, que fica adiado ou não reconhecido. Segundo, a qualidade da relação fraterna antes da morte pesa sobre o luto: onde havia conflito, a raiva e a vergonha complicam a elaboração, o que pede um espaço para explorar essa relação ambivalente. Terceiro, as instituições fazem parte do sistema: uma investigação que trata a família como suspeita agrava o estigma, ao passo que um policial atento pode abrir a porta de um grupo de pares. O estudo continua limitado: dez pessoas, quase todas mulheres, já ligadas a grupos de apoio. Para ler junto com o artigo sobre as famílias que perdem um familiar por suicídio e com o artigo sobre as práticas familiares no luto fraterno.

Notas do original

Agradecimentos. A equipe agradece às pessoas que participaram do estudo e compartilharam histórias difíceis na esperança de que quem tiver a infelicidade de perder um irmão ou uma irmã por suicídio tenha uma experiência melhor do que a delas.

Conflitos de interesse. A equipe de pesquisa declara não haver potenciais conflitos de interesse em relação à pesquisa, à autoria e/ou à publicação deste artigo.

Financiamento. A equipe de pesquisa não recebeu apoio financeiro para a pesquisa, a autoria e/ou a publicação deste artigo.

Material suplementar. O material suplementar deste artigo está disponível on-line.

Referências

Archibald M. M., Ambagtsheer R. C., Casey M. G., Lawless M. (2019). Using zoom videoconferencing for qualitative data collection: Perceptions and experiences of researchers and participants. International Journal of Qualitative Methods, 18, 1–8. 10.1177/1609406919874596.

Braun V., Clarke V. (2006, 2006/01/01). Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, 3(2), 77–101. 10.1191/1478088706qp063oa.

Braun V., Clarke V. (2013). Successful qualitative research: A practical guide for beginners. Sage Publications Ltd.

Brent D. A., Perper J. A., Moritz G., Liotus L., Schweers J., Roth C., Balach L., Allman C. (1993). Psychiatric impact of the loss of an adolescent sibling to suicide. Journal of Affective Disorders, 28(4), 249–256. 10.1016/0165-0327(93)90060-W.

Byng-Hall J. (2008). The significance of children fulfilling parental roles: Implications for family therapy. Journal of Family Therapy, 30(2), 147–162.

Cacciatore J., Thieleman K., Fretts R., Jackson L. B. (2021). What is good grief support? Exploring the actors and actions in social support after traumatic grief. PLoS One, 16(5), e0252324. 10.1371/journal.pone.0252324.

Cvinar J. G. (2005). Do suicide survivors suffer social stigma: A review of the literature. Perspectives in Psychiatric Care, 41(1), 14–21. 10.1111/j.0031-5990.2005.00004.x.

Demi A. S., Howell C. (1991, 1991/12/01). Hiding and healing: Resolving the suicide of a parent or sibling. Archives of Psychiatric Nursing, 5(6), 350–356. 10.1016/0883-9417(91)90036-5.

Dyregrov K. (2002). Assistance from local authorities versus survivors’ needs for support after suicide. Death studies, 26(8), 647–668. 10.1080/07481180290088356.

Dyregrov K., Dyregrov A. (2005). Siblings after suicide-“The forgotten bereaved”. Suicide and Life-Threatening Behavior, 35(6), 714–724. 10.1521/suli.2005.35.6.714.

Dyregrov K., Dyregrov A. (2008). Effective grief and bereavement support the role of family, friends, colleagues, schools and support professionals. Jessica Kingsley Publishers.

Dyregrov K., Dyregrov A., Johnsen I. (2014). Positive and negative experiences from grief group participation: A qualitative study. Omega: The Journal of Death and Dying, 68(1), 45–62. 10.2190/OM.68.1.c.

Hall C. (2014, 05/09). Bereavement theory: Recent developments in our understanding of grief and bereavement. Bereavement Care, 33(1), 7–12. 10.1080/02682621.2014.902610.

Heeke C., Kampisiou C., Niemeyer H., Knaevelsrud C. (2017). A systematic review and meta-analysis of correlates of prolonged grief disorder in adults exposed to violent loss. European Journal of Psychotraumatology, 10(1), 1583524. 10.1080/20008198.2019.1583524.

Hunt Q. A., Hertlein K. M. (2015). Conceptualizing suicide bereavement from an attachment lens. American Journal of Family Therapy, 43(1), 16–27. 10.1080/01926187.2014.975651.

Jordan J. R. (2001). Is suicide bereavement different? A reassessment of the literature. Suicide and Life-Threatening Behavior, 31(1), 91–102. 10.1521/suli.31.1.91.21310.

Kabatchnick R., Black B. P. (2015). Remebering the “forgotten bereaved”: Understanding and caring for siblings of completed suicide victims. In Black B. P., Limbo R. F., Moyle W. P., Limbo R. (Eds.), Perinatal and pediatric bereavement in nursing and other health professions. Springer Publishing Company. https://ebookcentral.proquest.com/lib/adelaide/detail.action?docID=4096377.

Lindqvist P., Johansson L., Karlsson U. (2008). In the aftermath of teenage suicide: A qualitative study of the psychosocial consequences for the surviving family members. BMC Psychiatry, 8(1), 26–26. 10.1186/1471-244X-8-26.

Ross V., Kõlves K., De Leo D. (2017). Beyond psychopathology: A case–control psychological autopsy study of young adult males. International Journal of Social Psychiatry, 63(2), 151–160. 10.1177/0020764016688041.

Rostila M., Saarela J., Kawachi I. (2012). The forgotten griever: A nationwide follow-up study of mortality subsequent to the death of a sibling. American Journal of Epidemiology, 176(4), 338–346. 10.1093/aje/kws163.

Rubin S. S. (1999). Psychodynamic therapy with the bereaved: Listening for conflict, relationship and transference. OMEGA-Journal of Death and Dying, 39(2), 83–98.

Sethi S., Bhargava S. C. (2003). Child and adolescent survivors of suicide. Crisis, 24(1), 4–6. 10.1027//0227-5910.24.1.4.

Shear M. K. (2012). Grief and mourning gone awry: Pathway and course of complicated grief. Dialogues in Clinical Neuroscience, 14(2), 119–128. 10.31887/DCNS.2012.14.2/mshear.

Willis J. L. (2022). Life after a sibling suicide: The relationship between sibling survivors of suicide. Posttraumatic Growth, and Coping Alliant International University.

Worden J. W. P. A. (2018). Grief counseling and grief therapy: A handbook for the mental health practitioner. Springer Publishing Company. https://ebookcentral.proquest.com/lib/adelaide/detail.action?docID=5355008.

Wray T. J. (2003). Surviving the death of a sibling: Living through grief when an adult brother or sister dies. Harmony.

Young I. T., Iglewicz A., Glorioso D., Lanouette N., Seay K., Ilapakurti M., Zisook S. (2012). Suicide bereavement and complicated grief. Dialogues in Clinical Neuroscience, 14(2), 177–186. 10.31887/DCNS.2012.14.2/iyoung.

Tradução não oficial em português de Apoio após o suicídio: uma análise temática da experiência de irmãos e irmãs, de Paul Blaze e Rachel M. Roberts, OMEGA - Journal of Death and Dying, vol. 92, no 3, p. 1105-1123 (2026), doi: 10.1177/00302228231195922, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença. Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.

Tradução não oficial para o português de “Support After Suicide: A Thematic Analysis of Siblings’ Experience”, publicado em OMEGA - Journal of Death and Dying (2026) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.

Ler o artigo original

Como citar este artigo

Blaze, P., et Roberts, R. M. (2026). Apoio após o suicídio: uma análise temática da experiência de irmãos e irmãs (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/apoio-apos-o-suicidio-uma-analise-tematica-da-experiencia-de-irmaos-e-irmas (Obra original publicada em 2023 em OMEGA - Journal of Death and Dying, 92(3), 1105-1123 (2026); republicada em 2026 por OMEGA - Journal of Death and Dying, https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/00302228231195922)

Carrinho

Seu carrinho está vazio.