Journal of Marital and Family Therapy · Terapia familiar

O aconselhamento de discernimento para casais “com projetos divergentes”

Quando uma pessoa do casal quer ir embora e a outra quer ficar, a terapia de casal começa com um contrato frágil. William J. Doherty e a equipe da Universidade de Minnesota propõem um dispositivo breve, de uma a cinco sessões baseadas em conversas individuais, para escolher entre três caminhos: manter o rumo, separar-se ou comprometer-se com seis meses de terapia, deixando o divórcio de lado. Em 100 casais, quase metade escolheu a terapia.

Autores William J. Doherty, Steven M. Harris e Jason L. Wilde (Family Social Science, Universidade de Minnesota, EUA)Primeira publicação Journal of Marital and Family Therapy, 20 de julho de 2015Tradução Complexe Systémique, tradução não oficial

Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de O aconselhamento de discernimento para casais “com projetos divergentes”, de William J. Doherty, Steven M. Harris e Jason L. Wilde, publicado na Journal of Marital and Family Therapy (Wiley) (2016), doi: 10.1111/jmft.12132, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. O esquema da Figura 1 foi mantido em inglês. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.

O divórcio não é considerado um fracasso do aconselhamento de discernimento.

William J. Doherty, Steven M. Harris e Jason L. Wilde

Resumo

Este artigo descreve o aconselhamento de discernimento (discernment counseling), uma abordagem para trabalhar com casais em que uma das pessoas tende ao divórcio e a outra quer preservar a relação e trabalhá-la em terapia de casal. Esses casais “com projetos divergentes” (mixed-agenda couples) são comuns na prática clínica, mas têm sido negligenciados pela literatura. O objetivo do aconselhamento de discernimento é chegar a mais clareza e confiança quanto aos próximos passos da relação, com base em uma compreensão mais profunda da contribuição de cada pessoa. As sessões privilegiam conversas individuais com cada uma delas. A análise de 100 casos consecutivos mostrou que cerca de metade dos casais escolheu iniciar uma terapia de casal para buscar a reconciliação, e a maior parte dos demais escolheu o caminho do divórcio. Também são apresentadas informações de acompanhamento de mais longo prazo.

Uma experiência cotidiana de terapeutas de casal é a do casal em que uma das pessoas quer continuar casada e chega com vontade de fazer a terapia, enquanto a outra tende ao divórcio e hesita em tentar uma terapia de casal. Casados formalmente ou em uma relação estável de longo prazo, esses casais formam um grupo negligenciado no campo da terapia de casal. A maioria dos modelos supõe que as duas pessoas chegam ao tratamento com pelo menos uma motivação básica para preservar e melhorar a relação. Este artigo descreve um modelo de “aconselhamento de discernimento” para casais divididos quanto ao futuro da relação. O aconselhamento de discernimento busca ajudar os casais a ganhar clareza e confiança para decidir os próximos passos da relação, inclusive se devem iniciar uma terapia de casal ou seguir para o divórcio. Apresentamos uma descrição de 100 casos consecutivos de casais atendidos no Minnesota Couples on the Brink Project (projeto de Minnesota para casais à beira da ruptura).

Contexto

Embora terapeutas lidem regularmente com casais com projetos divergentes (uma pessoa “de saída”, que tende a deixar a relação e reluta em trabalhá-la em terapia, e a outra “apegada à relação”, que quer preservá-la e começar a terapia), a literatura clínica sobre como trabalhar com esses casais é surpreendentemente escassa. O livro organizado por Crosby (1989), com o título muito apropriado de When One Wants Out and the Other Doesn’t, é a principal exceção. O capítulo de L’Abate e Hewitt (1989) descrevia o impasse polarizado que muitos desses casais enfrentam: ou “se desvencilhar pela mágica do divórcio”, ou “manter o status quo” (p. 152). Ecoando os conselhos clínicos de muitos outros capítulos do livro, Russell e Drees (1989) recomendavam desacelerar o processo de decisão e negociar certo número de sessões. Jurich (1989) propunha seis sessões de avaliação em vez de passar diretamente à terapia de casal. Apesar da reflexão cuidadosa desses capítulos, os conselhos clínicos que ofereciam eram bastante gerais. Nenhum apresentava um protocolo detalhado para trabalhar com casais com projetos divergentes.

Outros estudos de orientação clínica descrevem o fenômeno dos casais “com projetos divergentes” sem usar especificamente o termo. Por exemplo, Kanewischer e Harris (2014) entrevistaram 15 mulheres que tinham cogitado o divórcio, mas fizeram terapia conjugal e acabaram decidindo continuar casadas. O objetivo do estudo era determinar o impacto da terapia de casal em seu processo de decisão. Em cada caso, apenas uma das duas pessoas estava interessada em recorrer ao divórcio para resolver os problemas conjugais. Da mesma forma, Gurman e Burton (2014), ao abordar as possíveis armadilhas e problemas de oferecer terapia individual para problemas de casal, sustentavam que muitas pessoas que chegam sozinhas a uma terapia voltada para a relação estão ali por causa de recusas “vindas do par” em participar de uma terapia conjunta. Parte dessas recusas vindas do par pode estar ligada a projetos divergentes dentro do casal.

Assim como na literatura clínica, a pesquisa empírica sobre o tema é limitada. Identificamos apenas cinco estudos clínicos revisados por pares. Em um estudo pioneiro, Doss, Simpson e Christensen (2004) constataram que as preocupações com o divórcio eram o terceiro maior motivo para iniciar uma terapia e, de modo marcante, que havia pouca sobreposição dentro dos casais quanto a esse e a outros motivos para buscar terapia de casal. Na amostra de 147 casais casados de Doss et al., mais de um terço se encaixava em nossos critérios de casal com projetos divergentes. Essa equipe defendeu que se desse muito mais atenção aos diferentes objetivos que os membros do casal têm para a terapia de casal.

Em um estudo posterior, Tremblay, Wright, Mamodhouseen, McDuff e Sabourin (2008) identificaram três direções que a terapia de casal pode tomar: intervenções para melhorar a relação, intervenções sobre a ambivalência para trabalhar questões de compromisso em pelo menos um dos membros do casal e intervenções de separação. Embora essa equipe não tenha avaliado a ambivalência na admissão (intervenções de melhora eram oferecidas a todos os casais), constatou que 20% dos casos se transformaram em intervenções sobre a ambivalência. Os detalhes da intervenção sobre a ambivalência não foram descritos.

O terceiro estudo sobre o tema investigou se projetos semelhantes ou diferentes entre as duas pessoas afetam os resultados. Owen, Duncan, Anker e Sparks (2012) encontraram diferenças marcantes de resultados entre os casais em que as duas pessoas queriam melhorar a relação (dois terços da amostra) e aqueles (23%) em que uma pessoa queria melhorar a relação e a outra queria “esclarecer se a relação deveria continuar”. (Em outros 9% dos casais, as duas pessoas queriam esclarecer a relação.) Seis meses após a terapia, 45% dos casais com projetos divergentes tinham se separado, contra apenas 8% dos casais em que as duas pessoas queriam melhorar a relação.

Dois estudos mais recentes exploraram a natureza e o papel da “incerteza de compromisso” na terapia de casal. Segundo Owen, Rhoades et al. (2014), a incerteza de compromisso “reflete uma ruptura ou tensão no senso de identidade do casal [em que] as pessoas do casal tendem a experimentar uma mudança na forma como veem o ‘nós’ ou o senso de identidade compartilhada com a outra pessoa” (p. 209). Esse conceito parece relacionado à ideia de casais com projetos divergentes. Em um estudo, Owen, Keller et al. (2014) ofereceram terapia a 30 casais com níveis variados de incerteza de compromisso, para observar o efeito terapêutico nesses casais. O estudo mostrou resultados diferentes para os casais que começavam a terapia de casal com mais incerteza de compromisso. Essa equipe recomenda que “as mudanças na incerteza de compromisso sejam consideradas um […] alvo de intervenção para muitos casais” (p. 237).

O outro estudo clínico que encontramos também tratava da incerteza de compromisso. Luebcke et al. (2014) estudaram três casais em um delineamento de casos múltiplos para acompanhar as respostas dos casais às intervenções clínicas. Dois dos casais apresentavam níveis de incerteza de compromisso mais altos que o terceiro. Os resultados sugerem que a abertura de um casal a certas intervenções depende de seu nível de incerteza de compromisso. Esse estudo exploratório traz mais uma evidência da importância de atender às necessidades específicas dos casais com projetos divergentes para que a terapia tenha êxito.

Em suma, a escassa literatura disponível sobre casais com projetos divergentes sugere que a experiência clínica cotidiana está certa: esses casais representam um subconjunto significativo dos casais que procuram terapia (30% pode ser uma estimativa razoável), faltam protocolos para trabalhar com eles, os casais com projetos divergentes respondem de modo diferente às intervenções terapêuticas em comparação com os casais de projeto comum, e correm alto risco de divórcio.

Origens do protocolo de aconselhamento de discernimento

O protocolo aqui descrito se inspirou no trabalho da terapeuta familiar Betty Carter, que desenvolveu (mas nunca publicou) uma forma original de trabalhar com casais com projetos divergentes. Por meio de conversas individuais, ela ajudava cada pessoa a trabalhar objetivos divergentes: para quem estava de saída, o objetivo de tomar uma boa decisão entre permanecer no casamento e se divorciar; para quem tinha apego à relação, o objetivo de aumentar ao máximo a probabilidade de que o casamento fosse preservado e fortalecido. A pessoa que assina em primeiro lugar ouviu Betty Carter fazer uma apresentação clínica sobre essa abordagem nos anos 1980 e depois a adaptou e ampliou em sua prática de terapia de casal.

Em 2008, a pessoa que assina em primeiro lugar iniciou um projeto de pesquisa e intervenção com uma vara de família e um grupo de profissionais do direito colaborativo de família, que reconheciam que sua área também carecia de meios sistemáticos para avaliar e trabalhar a ambivalência diante do divórcio e o interesse em reconciliação de sua clientela. O pressuposto predominante era que, quando as pessoas contratavam um escritório de advocacia, os dois membros do casal já acreditavam, ou logo aceitariam, que o casamento estava irremediavelmente rompido. Ao contrário, o estudo resultante desse projeto judicial mostrou alta prevalência de ambivalência diante do divórcio e de projetos divergentes entre casais que já tinham entrado com o pedido de divórcio (Doherty, Willoughby e Peterson 2011).

Com base nessa pesquisa, o grupo de profissionais do direito e a pessoa que assina em primeiro lugar desenvolveram um protocolo de “ambivalência diante do divórcio”, no qual a advocacia avaliava a ambivalência e os projetos divergentes. Começaram a conversar com a clientela sobre a possibilidade de fazer uma “pausa” no processo de divórcio para considerar as opções para o casamento. No entanto, muitos desses casais já tinham passado por terapia de casal, e pelo menos uma das pessoas não tinha vontade de tentar de novo. Foi então que a pessoa que assina em primeiro lugar falou ao grupo do direito sobre seu protocolo de trabalho com casais com projetos divergentes, uma “abordagem prévia à terapia de casal” que supunha a presença de uma pessoa apegada à relação e de uma pessoa de saída. O grupo do direito respondeu que esse era o tipo de serviço que queria para sua clientela e acreditava que ela se interessaria. Era preciso um nome para essa abordagem, e o grupo chegou a “aconselhamento de discernimento”, pois o objetivo era que os casais trabalhassem as complexidades de sua situação e chegassem a uma decisão sobre o rumo futuro do casamento. A pessoa que assina em primeiro lugar se ofereceu para criar um protocolo completo que pudesse ser ensinado a outras pessoas terapeutas de casal. Este artigo descreve o protocolo de aconselhamento de discernimento e apresenta informações sobre uma amostra de 100 casais consecutivos atendidos por três profissionais do aconselhamento de discernimento, que juntos aperfeiçoaram o modelo no Minnesota Couples on the Brink Project.

Descrição do aconselhamento de discernimento

Como descrito anteriormente, a necessidade do aconselhamento de discernimento decorre da dificuldade de aplicar as estratégias habituais de melhora da relação da terapia de casal a casais em que pelo menos uma das pessoas está ambivalente quanto a permanecer na relação e quanto a tentar trabalhá-la em terapia, enquanto a outra em geral quer preservar a relação e tentar a terapia de casal. Esse cenário cria desafios especiais para a aliança terapêutica e torna os avanços, na melhor das hipóteses, hesitantes na terapia de casal, sendo comuns na prática clínica os abandonos precoces e a frustração de terapeutas (Doherty, 2011). O aconselhamento de discernimento é indicado para casais casados ou em uma relação estável de longo prazo, nos quais a ruptura é uma possibilidade real, mas em que a pessoa de saída ainda não tomou uma decisão final. O protocolo não é indicado para o “aconselhamento de encerramento”, em que uma das partes quer apenas ajudar a outra a aceitar de forma construtiva uma decisão de divórcio.

O objetivo do aconselhamento de discernimento é ajudar os casais a ter mais clareza e confiança quanto ao rumo da relação, com base em uma compreensão mais profunda da relação e da contribuição de cada pessoa para os problemas. (Usamos intencionalmente o termo “aconselhamento” em vez de “terapia” para indicar que a melhora imediata da relação não é o foco e para torná-lo menos ameaçador para as pessoas de saída, que relutam em iniciar uma terapia de casal.) A decisão imediata a ser “discernida” é formulada como três caminhos alternativos, e não como uma escolha dicotômica entre ficar juntos ou se divorciar. O primeiro caminho é manter o rumo: continuar no casamento como as coisas estão e não fazer terapia de casal. É o caminho do “status quo”. O segundo caminho é a separação ou o divórcio. O terceiro caminho é um compromisso com seis meses de terapia de casal (e às vezes outros serviços), com o divórcio fora de cogitação, para ver se é possível construir uma relação mais saudável e mutuamente satisfatória. Depois de seis meses, o casal pode avaliar se assume um compromisso permanente com a relação ou se a encerra, em ambos os casos tendo feito um esforço pleno de reconciliação. Se o casal escolhe o terceiro caminho, o aconselhamento de discernimento dá lugar à terapia de casal, com uma demarcação explícita de que o aconselhamento de discernimento terminou e a terapia de casal começou.

O aconselhamento de discernimento é breve, com 1 a 5 sessões e uma estrutura especial, que difere acentuadamente das abordagens tradicionais da terapia de casal. Embora as duas pessoas venham juntas às sessões, o trabalho intensivo acontece em conversas individuais separadas, com interações cuidadosamente orquestradas quando as duas estão juntas na sala. Nenhuma intervenção de casal (por exemplo, tentativas de favorecer conexão e intimidade) é feita com as duas pessoas presentes na sala, e os casais são incentivados a não esperar mudanças em seus problemas relacionais durante o aconselhamento de discernimento. As razões dessa abordagem são, primeiro, que não há contrato para intervenções de melhora da relação e, segundo, que as duas pessoas têm objetivos divergentes no início.

Durante as conversas individuais, uma das ênfases está na diferenciação de si e na responsabilidade por si, e em como crescer nessas áreas pode contribuir para um melhor processo de decisão sobre o futuro da relação. Esse foco estimula as duas pessoas a assumir sua parte no declínio da saúde da relação, o que as beneficia quer entrem em terapia de casal, quer escolham o divórcio. Se decidirem entrar em terapia de casal, o benefício está em ter superado a expectativa de que a mudança venha apenas da outra pessoa. Se decidirem se divorciar, o benefício está em que aprender sobre si na relação pode preparar cada pessoa para uma próxima relação íntima mais saudável. (Um dos ditos do aconselhamento de discernimento é: “Ninguém se divorcia de si mesmo.”) A outra ênfase das conversas individuais é ajudar o casal a ver seus padrões conjuntos de interação, suas “danças”. Ouvir falar de seu padrão de interação é, por si só, uma experiência nova para a maioria dos casais. Uma vez descrito o padrão, as pessoas do casal muitas vezes se abrem mais para ver seu próprio papel nos desafios da relação e às vezes se inclinam mais a tentar o terceiro caminho, a terapia de casal.

Quem conduz o aconselhamento de discernimento trabalha de forma diferente com cada pessoa nas conversas individuais. Com a pessoa de saída, o foco está no processo de decisão sobre os três caminhos (incluindo por que as tentativas anteriores de resolver os problemas da relação podem ter falhado) e em aprender sobre a própria contribuição para os problemas. Com a pessoa apegada à relação, o foco especial está em escutar o que a outra está dizendo sobre a relação, em esforços construtivos para salvar a relação num momento de estresse e em usar essa crise como um alerta para aprender sobre si e definir metas de mudança pessoal. Consideramos o trabalho de Weiner-Davis (2002) particularmente útil para ajudar quem tem apego à relação a não afastar a outra pessoa por demonstrar mais sofrimento, por exemplo perseguindo, suplicando ou repreendendo. Nos dois casos, cada pessoa passa a compreender seu próprio papel nos problemas e nas possíveis soluções, em vez de se concentrar em mudar a outra. Como dissemos, enfatizamos o uso dessa crise como um meio de fazer mudanças positivas em si, qualquer que seja o desfecho para o casamento.

Se a decisão final for tentar a reconciliação (terceiro caminho), a fase de terapia começa com uma pauta escrita das mudanças que cada pessoa quer fazer em si para poder ter uma relação mais saudável. Em geral, a pessoa terapeuta que conduziu o aconselhamento de discernimento assume a terapia do casal, embora possa haver situações em que o encaminhamento a um atendimento de casal mais especializado seja apropriado, por exemplo quando competências mais avançadas em terapia sexual forem indicadas. O plano de reconciliação pode incluir outros serviços, como uma avaliação do uso de álcool, fins de semana de retiro para casais ou terapia pessoal. Se a decisão final for o divórcio (caminho 2), quem conduz o aconselhamento de discernimento ajuda o casal a formular princípios orientadores sobre como ambos querem agir durante o processo de divórcio (como tratar-se com respeito ou colocar em primeiro lugar as necessidades dos filhos) e a entrar em contato com profissionais do divórcio e outras fontes de apoio que os ajudarão a ter um divórcio construtivo e cooperativo. Se a decisão for não decidir nem pelo divórcio nem pela reconciliação, mas permanecer juntos (primeiro caminho), quem conduz o aconselhamento de discernimento se oferece como recurso para o futuro.

No protocolo de aconselhamento de discernimento, a primeira sessão dura 2 horas e as sessões seguintes, uma hora e meia cada. (A primeira sessão é mais longa por causa do tempo necessário para colher informações de contexto.) As duas partes decidem, em cada sessão, se haverá uma nova sessão de aconselhamento de discernimento ou se o processo termina ali. Essa abordagem busca obter a adesão da pessoa de saída, que tem voz sobre continuar ou não no processo de aconselhamento de discernimento. As sessões seguem este fluxo: um momento com o casal no início (muito breve depois da sessão de acolhimento), seguido de uma conversa individual, de um breve resumo feito à outra pessoa sobre o que se aprendeu nesse tempo individual, depois de uma conversa com a outra pessoa, seguida de seu resumo, e de observações finais de quem conduz o aconselhamento de discernimento. Como dissemos, o trabalho intensivo é feito com cada pessoa individualmente, com um compartilhamento cuidadosamente estruturado do que cada uma aprendeu nas conversas individuais.

Uma questão-chave ao combinar conversas individuais e de casal é como lidar com a confidencialidade. Quem conduz o aconselhamento de discernimento não conta o que as pessoas dizem nas conversas individuais, mas compartilha seletivamente impressões e reações extraídas dessas conversas. Por exemplo, não diria: “Seu marido disse que ainda ama você”, mas poderia dizer: “Estou sentindo amor nas duas direções na relação de vocês, mesmo que seja difícil ver isso agora.” Segredos como casos extraconjugais são mantidos em sigilo durante o aconselhamento de discernimento, mas em geral teriam de ser compartilhados como parte de um plano para iniciar a terapia de casal do terceiro caminho.

Dados sobre cem casos

Examinamos os registros de 100 casos consecutivos para gerar dados preliminares sobre os tipos de casos atendidos e os resultados do aconselhamento de discernimento. As três pessoas responsáveis pelo Minnesota Couples on the Brink, que juntas aperfeiçoaram o protocolo e conduziram formações, realizaram o aconselhamento de discernimento dos 100 casos consecutivos abrangidos por esta avaliação. A equipe usava um protocolo escrito e fazia consultorias regulares sobre os casos, mas não empregava medidas formais de adesão ao protocolo; um manual de tratamento ainda está em elaboração. A avaliação abrangeu as seguintes perguntas: (a) Quais eram as características dos casais encaminhados ao projeto? (b) Como foram encaminhados ao projeto? (c) Qual foi o número médio de sessões? (d) Quais foram os resultados iniciais em termos dos “caminhos” escolhidos? (e) Que fatores prediziam o caminho escolhido? e (f) Quais foram os resultados de mais longo prazo dos casais que escolheram os diferentes caminhos? Os dados vieram de formulários de admissão preenchidos pelos casais, de relatos de caso detalhados redigidos em formato padronizado por quem conduziu o aconselhamento de discernimento, de registros estaduais de divórcio e de contatos de acompanhamento com os casais e com as pessoas terapeutas às quais tinham sido encaminhados.

Triagem dos casais

Os casais que entravam em contato com o projeto passavam por entrevistas telefônicas separadas com cada pessoa, para estabelecer a elegibilidade ao aconselhamento de discernimento. Uma das pessoas tinha de estar de saída do casamento, mas ainda sem ter decidido definitivamente pelo divórcio, e a outra tinha de estar apegada à relação, querendo preservá-la. Antes da entrevista telefônica, pedia-se às pessoas interessadas que lessem uma descrição do aconselhamento de discernimento em um site. A condição de pessoa de saída era determinada pela forma como respondiam a uma pergunta aberta sobre como o aconselhamento de discernimento poderia lhes ser útil. Especificamente, atribuía-se o papel de pessoa de saída a quem dizia querer ajuda para decidir se permanecia na relação ou se divorciava. A condição de pessoa apegada à relação era atribuída a quem dizia esperar evitar o divórcio e melhorar a relação. Em todos os casos incluídos, o divórcio era uma possibilidade imediata e a pessoa de saída relutava em iniciar uma terapia de casal. Excluímos algumas poucas pessoas que indicaram já ter tomado a decisão final de se divorciar e queriam um espaço para ajudar a outra pessoa a aceitar essa decisão. Também fizemos triagem de coerção e de risco de violência por parceiro íntimo. Depois das conversas com as duas pessoas, marcava-se um primeiro atendimento.

Medidas na admissão

Três instrumentos de avaliação aplicados na admissão foram usados para examinar possíveis preditores do caminho que o casal tomaria ao fim do aconselhamento de discernimento. Eles não foram reaplicados ao fim do aconselhamento de discernimento nem no acompanhamento de longo prazo.

O ajustamento da relação de casal foi medido pela versão breve da Escala de Ajustamento Diádico (Sabourin, Valois e Lussier, 2005). Essa escala de quatro itens demonstrou confiabilidade e validade como forma breve de avaliar o ajustamento diádico, distinguir populações clínicas e não clínicas e predizer a dissolução da relação. Os escores podem variar de 0 a 21, com um ponto de corte de sofrimento conjugal de 13, correspondente ao ponto de corte de 100 pontos da Escala de Ajustamento Diádico completa (Sabourin et al., 2005).

As fontes de encaminhamento foram determinadas por autorrelato, com as pessoas respondendo a uma pergunta sobre como tinham ficado sabendo do projeto.

O contato com escritório de advocacia foi avaliado perguntando às pessoas, durante a entrevista telefônica de admissão, em que ponto estavam do processo de divórcio, inclusive se tinham procurado um escritório de advocacia. Além disso, coletamos informações demográficas sobre a duração do casamento e a escolaridade.

Medidas de resultado

O resultado principal foi o caminho escolhido por cada casal. O terceiro caminho era a decisão de tentar a reconciliação por meio de seis meses de terapia de casal, com o divórcio fora de cogitação. O segundo caminho era a separação ou o divórcio. O primeiro caminho era a decisão de ficar em suspenso, sem buscar nem a reconciliação nem o divórcio. Esses caminhos eram um foco central do aconselhamento de discernimento, e a escolha do caminho era registrada no prontuário de cada casal por quem conduzia o aconselhamento, depois da última sessão. Não houve dados faltantes.

Também coletamos dados sobre resultados de mais longo prazo a partir de três fontes: registros de divórcio do condado, acompanhamentos individuais com os casais e contatos com terapeutas no caso dos casais que ainda estavam em terapia. O período de acompanhamento após o aconselhamento de discernimento foi em média de 28 meses, com mínimo de 12 meses. Os resultados de 99 dos 100 casais foram determinados, e um casal teve o acompanhamento perdido. Codificamos os resultados em cinco categorias: divorciado, buscando o divórcio (pedido feito e processo de divórcio em andamento), reconciliado, buscando a reconciliação (em geral ainda em terapia) e em suspenso (nem buscando o divórcio nem em terapia para se reconciliar).

Resultados

Características dos casais

A amostra incluiu 97 casais heterossexuais casados e três casais do mesmo sexo que se consideravam casados. (O casamento entre pessoas do mesmo sexo ainda não era legal no estado naquela época.) Os casais estavam casados, em média, havia 15,5 anos (de 1 a 44 anos). Quanto ao ajustamento da relação, tratava-se, como esperado, de um grupo com sofrimento muito elevado. O escore médio de ajustamento conjugal foi de 6,98, diante de um ponto de corte de sofrimento conjugal de 13 na versão breve da Escala de Ajustamento Diádico. Na verdade, os casais do presente estudo ficaram, em média, um desvio-padrão inteiro abaixo da média (10) da amostra clínica relatada por Sabourin et al. (2005). Cerca de metade dos casais (51%) tinha procurado um escritório de advocacia especializado em divórcio antes de iniciar o aconselhamento de discernimento. Do ponto de vista demográfico, era um grupo com alta escolaridade, com quase todas as pessoas tendo diploma de graduação ou de pós-graduação.

Fontes de encaminhamento

A procura espontânea foi a maior fonte de encaminhamento (48%). Os casais que chegaram por conta própria souberam do projeto por amizades e contatos, pela leitura de artigos, por buscas na internet ou por outros meios de comunicação. A segunda maior fonte foram terapeutas e serviços sociais (34%); depois vieram o meio jurídico, advocacia e magistratura (11%), uma mala direta enviada a pessoas em processo de divórcio (4%) e um curso de educação parental (4%).

Número de sessões

O aconselhamento de discernimento pretende ser breve, e foi o que constatamos. O número médio de sessões subsequentes de aconselhamento de discernimento recebidas por casal foi de 3,61 (DP = 1,75).

Resultado principal: caminhos escolhidos

Depois da última sessão, quem conduzia o aconselhamento de discernimento registrava o resultado imediato, isto é, a direção (o caminho) que o casal escolheu. Quarenta e sete por cento da amostra decidiram passar ao terceiro caminho: trabalhar pela reconciliação em terapia de casal. Quarenta e um por cento escolheram o segundo caminho: seguir para a separação ou o divórcio. E 12% escolheram o primeiro caminho: permanecer juntos, sem se divorciar nem iniciar terapia. Ver a Figura 1 para um panorama dos resultados.

Esquema dos resultados imediatos e de longo prazo dos 100 casos de aconselhamento de discernimento, segundo o caminho escolhido
Figura 1. Resultados imediatos e de longo prazo de 100 casos de aconselhamento de discernimento (esquema original em inglês)

Preditores do caminho escolhido

Apenas uma variável medida na admissão se mostrou relacionada ao caminho escolhido pelo casal. O contato prévio com um escritório de advocacia especializado em divórcio esteve associado a uma probabilidade menor de escolher o terceiro caminho (esforço de reconciliação) e a uma probabilidade maior de escolher o segundo (divórcio) (χ2 (2, N = 100) = 8,45, p = 0,015). Entre os casais que tiveram contato com a advocacia, 55% escolheram o segundo caminho e 31% o terceiro. Entre os que não tiveram esse contato, 27% escolheram o segundo caminho e 52% o terceiro.

Acompanhamento de mais longo prazo

Como o aconselhamento de discernimento visava ajudar os casais a escolher uma direção imediata para a relação, apresentamos os resultados quanto à situação da relação em função do que aconteceu com os casais que escolheram os diferentes caminhos ao fim do aconselhamento. Entre o número relativamente pequeno de casais (n = 12) que escolheram o primeiro caminho (status quo da relação, manter o rumo) ao fim do aconselhamento de discernimento, três casais estavam divorciados, um buscava o divórcio, um tinha se reconciliado, um buscava a reconciliação e cinco estavam em suspenso, sem buscar o divórcio nem novos esforços de reconciliação.

Entre os casais que escolheram o segundo caminho (divórcio), 90% estavam divorciados no acompanhamento. Esse número reúne os 80% com divórcio concluído e os 10% com divórcio em andamento. Um casal tinha se reconciliado e três casais estavam em suspenso.

Entre os casais que escolheram o terceiro caminho (esforço de reconciliação em terapia), 36% tinham se reconciliado, 6% buscavam a reconciliação, 28% tinham se divorciado, 17% estavam em processo de divórcio e 13% estavam em suspenso. Agrupando os casais que buscavam o divórcio e os que buscavam a reconciliação nas categorias mais amplas de divorciados e reconciliados, os resultados do terceiro caminho podem ser resumidos assim: proporções semelhantes de casais do terceiro caminho tinham se reconciliado (42%) ou se divorciado (45%), e os demais estavam em suspenso. Curiosamente, ter procurado a advocacia não predisse o resultado de longo prazo para os casais que escolheram o terceiro caminho.

Discussão

O propósito deste artigo foi defender uma forma específica de trabalhar com casais com projetos divergentes à beira do divórcio, descrever o protocolo de aconselhamento de discernimento e apresentar dados iniciais de um projeto voltado a aperfeiçoar o aconselhamento de discernimento como ferramenta de intervenção. É importante mencionar que, como não houve grupo de controle, não se pode tirar nenhuma conclusão sobre a eficácia do aconselhamento de discernimento para prevenir divórcios desnecessários, evitar decisões prematuras de divórcio ou favorecer divórcios mais construtivos. O objetivo, neste momento, era uma descrição cuidadosa de uma amostra de casais atendidos consecutivamente.

Ao discutir os resultados deste estudo, é importante ter em mente que se tratava de uma amostra com sofrimento muito elevado, mesmo para um estudo de intervenção com casais, com escores de satisfação conjugal bem abaixo das normas para amostras clínicas. A perspectiva de um divórcio iminente estava presente para todos os casais, e metade já tinha procurado profissionais do divórcio. Muitos já tinham tentado algum tipo de terapia de casal no passado e, em todos os casos, a pessoa de saída relutava, no início, em iniciar uma terapia de casal. Apresentamos aos casais o objetivo de alcançar mais clareza e confiança em sua decisão sobre o rumo da relação, com base em uma compreensão mais profunda do que tinha acontecido com o casamento e da contribuição de cada pessoa. O foco do trabalho estava tanto nas contribuições individuais quanto na dinâmica do casal, e em três caminhos: manter o rumo, seguir para a separação ou o divórcio, ou comprometer-se com seis meses de terapia de casal, tendo claras as mudanças a serem feitas por cada pessoa.

O resultado principal foi a escolha do caminho tomado pelo casal. Os resultados mostraram que cerca de metade dos casais (47%) escolheu o caminho da reconciliação, 41% escolheram a separação ou o divórcio, e os demais optaram pelo status quo. Quando começamos a desenvolver o aconselhamento de discernimento com essa população “à beira da ruptura”, tínhamos pouca ideia de como os caminhos se distribuiriam. Se quase todos os casais escolhessem o divórcio imediato ou a terapia de casal, teríamos nos perguntado se o aconselhamento de discernimento não seria uma intervenção supérflua: por que não seguir direto para o divórcio ou para a terapia de casal? No entanto, a distribuição efetiva dos caminhos escolhidos sugere que havia um verdadeiro processo de discernimento em curso, e não um “aconselhamento de encerramento” para facilitar um divórcio, nem um processo de avaliação antes de iniciar a terapia de casal. Esses casais deliberaram seriamente sobre o próximo passo da relação.

O divórcio não é considerado um fracasso do aconselhamento de discernimento. Interessavam-nos, porém, os resultados de mais longo prazo dos casais que tentaram o caminho da reconciliação com terapia. Constatamos que cerca de 42% tinham conseguido a reconciliação ou ainda trabalhavam nela. Uma proporção semelhante (45%) tinha se divorciado ou estava em processo de divórcio, e um subgrupo menor (13%) estava em suspenso, nem em crise nem particularmente satisfeito com a situação. Dito de outro modo, um pouco menos da metade dos casais que tentaram se reconciliar acabou se divorciando em um prazo médio de dois anos, e a maioria dos demais se reconciliou.

É importante enfatizar, porém, que os dados usados para os resultados do acompanhamento de mais longo prazo eram menos precisos do que os referentes à escolha dos caminhos. A duração do acompanhamento variou consideravelmente e, embora as categorias de resultado das sentenças e dos pedidos de divórcio fossem informação pública, não tínhamos medidas objetivas para as três categorias reconciliado, buscando a reconciliação e em suspenso. Os resultados medidos objetivamente com base no número de divórcios e de pedidos de divórcio podem ser resumidos assim: 49% do total da amostra inicial de casais estavam divorciados no acompanhamento, 13% estavam em processo de divórcio e 38% continuavam casados e fora de qualquer processo de divórcio.

Uma de nossas observações informais na prática do aconselhamento de discernimento foi a volatilidade e a fluidez desses casais com sofrimento muito elevado, à beira da ruptura. Durante o processo, algumas pessoas passaram da posição de apego à relação para a posição de saída, e vice-versa. Algumas pessoas de saída pareciam tentar usar sua posição de força para obter concessões da outra, situação que quem conduzia o aconselhamento contestava nas conversas individuais, concentrando-se na contribuição dessa pessoa para os problemas e para as possíveis soluções. Algumas pessoas apegadas à relação oscilavam entre a disposição de olhar para si e a culpa atribuída à outra por ter levantado o divórcio. É um trabalho difícil, intenso, mas gratificante.

Outra observação informal diz respeito a erros comuns de terapeutas que começam no aconselhamento de discernimento. Depois de vários anos formando terapeutas de casal em aconselhamento de discernimento, eis alguns erros comuns que observamos:

Erro 1: Fazer intervenções de terapia de casal e buscar vulnerabilidade demais quando o casal está junto na sala. O trabalho intensivo no aconselhamento de discernimento é feito com cada pessoa separadamente, com um compartilhamento cuidadosamente orquestrado entre as conversas individuais.

Erro 2: Passar tempo demais revisitando mágoas e conflitos passados sem se concentrar nas decisões sobre o futuro. O aconselhamento de discernimento está orientado para o que fazer agora, sobretudo se vale a pena tentar a terapia.

Erro 3: Não confrontar com rapidez suficiente a pessoa de saída quanto à sua contribuição para o problema e, com isso, concentrar-se apenas na contribuição da pessoa apegada à relação. Há terapeutas que temem afastar a pessoa de saída e entram em conluio para responsabilizar apenas a outra.

Erro 4: Não preparar com cuidado suficiente os resumos que se seguem ao tempo individual. Eles são cruciais para que cada pessoa perceba que a outra se moveu durante o aconselhamento de discernimento.

Erro 5: Deixar de aproveitar, na conversa com uma pessoa, o que se aprendeu sobre a outra, por medo de quebrar a confidencialidade. As sessões se beneficiam muito da disposição de quem conduz o aconselhamento de discernimento para compartilhar com cada pessoa reflexões sobre a outra.

O desenvolvimento do protocolo de aconselhamento de discernimento continua, e a formação de terapeutas nos dá uma ideia de como essa intervenção pode se encaixar na prática clínica cotidiana. Observamos três maneiras pelas quais os casais chegam ao aconselhamento de discernimento. Alguns casais podem ser identificados como tendo projetos divergentes antes da primeira sessão, pelo que dizem ao entrar em contato com a pessoa terapeuta. Ela então começa pelo aconselhamento de discernimento em vez da terapia de casal tradicional. Em outros casos, a constatação de projetos divergentes ocorre durante a primeira ou a segunda sessão de terapia de casal, e a pessoa terapeuta propõe então deslocar o foco do trabalho clínico de terapia para o aconselhamento de discernimento. Em terceiro lugar, em comunidades (como a nossa) em que o aconselhamento de discernimento se torna publicamente conhecido como opção para casais “à beira da ruptura”, às vezes as pessoas pedem diretamente o aconselhamento de discernimento.

Quanto à formação, constatamos que terapeutas de casal com boa formação podem aprender a usar alguns elementos do aconselhamento de discernimento depois de uma formação de um dia. Passam a identificar casais com projetos divergentes, a evitar com eles os erros comuns e a usar conversas em conjunto e em separado como prelúdio para iniciar uma terapia de casal habitual. No entanto, como em outras intervenções complexas com casais, praticar o aconselhamento de discernimento com segurança e perícia exige formação adicional. Informações sobre oportunidades de formação estão disponíveis em (www.discernmentcounseling.com).

Embora ainda estejamos aprendendo a implementar esse protocolo com uma grande variedade de casais, a experiência inicial e os dados preliminares aqui apresentados sugerem que o aconselhamento de discernimento é promissor como ferramenta para ajudar os casais com projetos divergentes, que têm representado um desafio tão grande na prática clínica cotidiana. Em vez de oferecer terapia a casais que divergem quanto ao desejo de fazer terapia, esse protocolo acolhe o casal onde ele está, dividido quanto aos próximos passos, e procura atender às necessidades de cada pessoa.

Notas biográficas

  • William J. Doherty, PhD, docência titular em Family Social Science (ciências sociais da família), Universidade de Minnesota.
  • Steven M. Harris, PhD, docência titular em Family Social Science (ciências sociais da família), Universidade de Minnesota.
  • Jason L. Wilde, PhD, avaliação de programas, Family Social Science (ciências sociais da família), Universidade de Minnesota.

Complexe Systémique: a reter

O dispositivo parte de algo que toda a clínica de casal conhece: quando as duas pessoas não vêm pela mesma coisa, propor de saída uma terapia de casal equivale a assinar um contrato que uma delas recusa. O aconselhamento de discernimento muda o contrato: não mais reparar, e sim decidir, com três caminhos nomeados e uma porta de saída a cada sessão. Para uma leitura sistêmica, o interesse é duplo. A divergência não é tratada como resistência, mas como a forma atual do sistema, e cada pessoa é convidada a olhar para sua parte na “dança”, inclusive quem quer ir embora. Dois pontos pedem atenção. Os rótulos “de saída” e “apegada à relação” correm o risco de cristalizar posições que a própria equipe descreve como móveis. E o trabalho em conversas separadas, com segredos guardados, exige muito rigor para não criar alianças ocultas. Sem grupo de controle, os números descrevem mais do que provam. Para ler junto com o artigo sobre a separação do casal e com o artigo sobre a metáfora com um casal diante do divórcio.

Referências

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Tradução não oficial em português de O aconselhamento de discernimento para casais “com projetos divergentes”, de William J. Doherty, Steven M. Harris e Jason L. Wilde, Journal of Marital and Family Therapy, vol. 42, no 2 (2016), doi: 10.1111/jmft.12132, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença. Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.

Tradução não oficial para o português de “Discernment Counseling for “Mixed-Agenda” Couples”, publicado em Journal of Marital and Family Therapy (2016) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.

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Como citar este artigo

Doherty, W. J., Harris, S. M., et Wilde, J. L. (2016). O aconselhamento de discernimento para casais “com projetos divergentes” (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/o-aconselhamento-de-discernimento-para-casais-com-projetos-divergentes (Obra original publicada em 2015 em Journal of Marital and Family Therapy, 42(2) (2016); republicada em 2016 por Journal of Marital and Family Therapy, https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/jmft.12132)

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