Journal of Marital and Family Therapy · Terapia familiar

O impacto da repetição de pistas somáticas na profundidade da experienciação de quem se retrai e de quem persegue na terapia de casal focada nas emoções

“Vejo lágrimas nos seus olhos”: na terapia de casal focada nas emoções, nomear o que o corpo mostra ajuda a aprofundar a vivência emocional? Uma equipe finlandesa e canadense codificou treze sessões de demonstração conduzidas por terapeutas que formam em EFT. Repetir a pista somática aprofunda a experiência de quem se retrai, mas reduz a de quem persegue, talvez para o seu próprio bem.

Autores Sari Kailanko e Aarno A. Laitila (Universidade de Jyväskylä, Finlândia); Stephanie A. Wiebe (Universidade Saint Paul, Ottawa, Ontário, Canadá); Giorgio A. Tasca (Universidade de Ottawa, Ontário, Canadá)Primeira publicação Journal of Marital and Family Therapy, 1º de agosto de 2021Tradução Complexe Systémique, tradução não oficial

Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de O impacto da repetição de pistas somáticas na profundidade da experienciação de quem se retrai e de quem persegue na terapia de casal focada nas emoções, de Sari Kailanko, Stephanie A. Wiebe, Giorgio A. Tasca e Aarno A. Laitila, publicado na Journal of Marital and Family Therapy (Wiley) (2022), doi: 10.1111/jmft.12544, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. As tabelas são apresentadas em forma de listas; as duas figuras são reproduzidas em sua versão original em inglês, com legendas traduzidas; o apêndice (equações da modelagem multinível) não foi reproduzido. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.

Repetir a mesma pista emocional somática, ou referir-se a ela, até seis vezes ou mais, pode ser uma forma de engajar quem se retrai no casal.

Sari Kailanko, Stephanie A. Wiebe, Giorgio A. Tasca e Aarno A. Laitila

Resumo

A terapia de casal focada nas emoções, uma modalidade experiencial, considera a emoção central para a mudança terapêutica. Neste estudo exploratório, examinamos a repetição, por terapeutas, de intervenções focadas no somático (a pessoa terapeuta verbaliza pistas somáticas, como expressões faciais) e seu impacto na experienciação emocional de cada pessoa do casal em sessão. Avaliamos também as diferenças entre quem se retrai e quem persegue. A amostra incluiu 13 terapeutas de EFT, com um casal por terapeuta, em uma única sessão. A partir das transcrições, codificamos a repetição das intervenções focadas no somático por terapeutas e a profundidade da experienciação de cada pessoa do casal antes e depois da intervenção. A modelagem multinível mostrou que um número maior de repetições das intervenções focadas no somático predizia um aumento maior na profundidade da experienciação, ao contrário do tempo gasto repetindo as intervenções. As intervenções focadas no somático resultaram em aumento maior da profundidade da experienciação em quem se retrai do que em quem persegue. Os resultados deste estudo exploratório sugerem que essas intervenções podem ser uma técnica específica de terapeutas de EFT que intensifica a experienciação emocional, sobretudo em quem se retrai.

Segundo Gendlin (1961), a experienciação emocional é uma variável importante da mudança terapêutica. Na sua definição, a experienciação emocional tem duas características: ocorre no presente imediato e é sentida, em vez de pensada, sabida ou verbalizada. Além disso, Gendlin (1964) e Madison (2014) propuseram que o corpo e as experiências corporais são a porta de entrada para um sentido sentido de si e para as emoções subjacentes às palavras, aos conceitos e ao pensamento. Assim, a experiência somática é importante para compreender as próprias emoções e para a mudança terapêutica. Gendlin (1969) propôs que a pessoa está em interação corporal com os outros e com o ambiente, de modo que a forma como os seres humanos vivem e reagem é em parte um processo somático que ocorre em diferentes situações. Nas interações de casal, por exemplo, quando uma das pessoas grita com a outra ou a magoa, quem recebe isso pode “sentir” no estômago. Em outras palavras, os seres humanos costumam ter experiências somáticas de acontecimentos carregados de emoção. Por isso, é importante estudar a experienciação emocional nos casais, e pode ser particularmente importante compreender as experiências somáticas e suas manifestações na terapia de casal.

Uma metanálise recente indicou que uma experienciação maior das pessoas atendidas, medida pela Escala de Experienciação (EXP; Klein et al., 1969), era um preditor significativo da melhora dos sintomas em psicoterapia (Pascual-Leone e Yeryomenko, 2017). A pesquisa sobre a terapia de casal focada nas emoções (EFT; Johnson, 2004, 2020) tem se concentrado no processo de mudança e nos preditores de resultado, além de demonstrar a eficácia e a efetividade do tratamento. Vários estudos sobre a EFT demonstraram que a profundidade da experienciação emocional é um preditor de resultados bem-sucedidos, como a satisfação conjugal (Wiebe e Johnson, 2016). Em um dos primeiros estudos sobre a EFT, Johnson e Greenberg (1988) constataram que os casais com resultados bem-sucedidos apresentavam maior profundidade de experienciação emocional em suas respostas em sessão. Os casais progrediam mais nas sessões em que as pessoas do casal tinham uma experienciação emocional mais profunda (McRae et al., 2014). Além disso, os casais que conseguiam manter um nível mais profundo de engajamento emocional na sessão tinham mais chances de mantê-lo a longo prazo, melhorando assim sua satisfação conjugal (Wiebe et al., 2017). A pesquisa de processo em EFT sobre quem se retrai e quem persegue tem se concentrado recentemente em dois eventos-chave de mudança: o reengajamento de quem se retrai (Lee et al., 2017) e o abrandamento de quem persegue (Burgess Moser et al., 2018; Bradley e Furrow, 2004). Esses eventos exigem que terapeutas levem cada pessoa do casal a uma experienciação mais profunda (Dalgleish et al., 2015; Bradley e Furrow, 2004, 2007). No presente estudo, a experienciação emocional de cada pessoa do casal, em termos de profundidade, é medida e avaliada por codificação com a escala de experienciação.

Intervenções que facilitam o aprofundamento da experiência

O aprofundamento da experiência pode ser visto como um conceito de dupla face. O aprofundamento é uma mudança, em sessão, de experiências emocionais secundárias para primárias, e é também um processo que envolve atenção à experiência somática e criação de novo sentido (Gendlin, 1969). Na prática da EFT, o foco está em acessar e aprofundar as emoções de cada pessoa do casal e, depois, em usar as novas experiências emocionais para reestruturar as interações do casal (Johnson, 2004, 2009, 2020). A prática das intervenções da EFT, tal como formulada por Johnson (2004, 2020), inclui sintonia empática, validação, conjecturas empáticas, perguntas e respostas evocativas, trabalho com as estratégias de desativação e hiperativação, intensificação, reenquadramento e encenações. As intervenções voltadas especialmente para o aprofundamento das emoções são a intensificação e as perguntas e respostas evocativas (Johnson, 2004, 2020). Na intensificação, referir-se a uma reação somática é uma das opções de que terapeutas dispõem entre os cinco elementos da experiência (Johnson, 2019).

Uma forma de intensificar as experiências emocionais nos casais é que terapeutas identifiquem e comentem, durante a sessão, as pistas somáticas das emoções (Kailanko et al., 2020).

As experiências afetivas são observáveis em pistas emocionais somáticas que a pessoa terapeuta pode acompanhar e verbalizar. Essas pistas, que surgem no aqui e agora da sessão, podem abrir para terapeutas e casais uma porta para a experiência interior de cada pessoa (Kailanko et al., 2020). Em um estudo recente sobre a EFT para casais, as intervenções focadas no somático (isto é, terapeutas verbalizando as reações emocionais somáticas, os movimentos ou a postura de cada pessoa do casal) estiveram significativamente associadas a uma maior profundidade de experienciação em uma sessão de terapia de casal (Kailanko et al., 2020). A equipe de Kailanko (2020) também constatou um aumento imediato da profundidade de experienciação de cada pessoa após cada intervenção focada no somático. Esses resultados servem de base para este artigo, que se concentra no que terapeutas podem fazer para apoiar o aprofundamento emocional. Mais especificamente, estudamos duas variáveis independentes das intervenções focadas no somático: os efeitos da repetição da intervenção dirigida a uma pessoa do casal durante uma sessão de terapia de casal, e do tempo gasto nessa repetição.

Repetição das intervenções

A literatura sobre EFT destaca a repetição por terapeutas como útil para intensificar o afeto (Johnson, 2019, 2020), o que pode levar à dissolução da supressão emocional (Johnson, 2019) e ao aprofundamento das emoções-chave (Johnson, 2009). Esse raciocínio vem da teoria do apego, que está no cerne da EFT para casais, pois a repetição pode atuar sobre a inibição emocional de pessoas que usam estratégias de evitação do apego. Por isso, a repetição na intensificação do afeto é recomendada a terapeutas de EFT, mas ainda não havia sido estudada no quadro da EFT para casais. Um estudo recente de Wiebe et al. (2017) sugeriu que terapeutas de EFT se concentrem nas estratégias de desativação de pessoas com apego evitativo, para obter melhores resultados conjugais; assim, a repetição pode ser uma opção para reconectar a pessoa à sua experiência emocional. Como sugeriram Greenman e Johnson (2013), é importante estudar o que se faz em terapia, em pontos específicos da EFT, que impacta e intensifica as experiências emocionais nos casais.

Tempo dedicado à repetição das intervenções

Dedicar mais tempo às repetições pode ser uma variável importante no aprofundamento da experiência emocional das pessoas atendidas. Um estudo sobre a relação entre o tempo gasto expressando emoções muito intensas e o resultado terapêutico concluiu que níveis moderados de ativação emocional intensificada melhoravam os resultados terapêuticos (Carryer e Greenberg, 2010). Ou seja, o objetivo, na EFT, não é sobrecarregar a pessoa com uma emoção desregulante, mas facilitar a experienciação em um nível ótimo de ativação (Brubacher e Wiebe, 2019; Elliott et al., 2004). Além disso, quem mais se retrai pode precisar de mais tempo para aumentar gradualmente sua experiência emocional (Lee et al., 2017; Rheem, 2011). A equipe de Lee observou que terapeutas usavam, com quem se retrai, uma sequência de várias intervenções: primeiro intensificar o afeto central, depois compartilhá-lo com a outra pessoa do casal por meio de uma encenação guiada e, por fim, continuar a intensificar o afeto ou buscar o apoio da outra pessoa para favorecer uma nova experiência emocional. Assim, Lee e Rheem observaram em seus estudos que, em vez da progressão linear que se supunha, terapeutas precisavam intensificar o afeto várias vezes com a pessoa que mais se retrai no casal. Durante o processo, as intervenções mais usadas foram a intensificação (35%), as perguntas e respostas evocativas (20%), a validação (12%) e a reestruturação das interações (8%). Elas representavam 75% dos comportamentos de terapeutas codificados como intervenções de EFT (Lee et al., 2017). Diferentemente daquele estudo, estudamos o impacto do tempo dedicado ao aprofundamento da emoção e incluímos as diferenças entre quem se retrai e quem persegue no casal.

Aprofundamento da experienciação em quem se retrai

Um dos modelos em que se apoia a EFT para casais é a teoria do apego. Segundo essa teoria, os bebês humanos adotam comportamentos que aproximam as figuras de apego e aumentam a possibilidade de segurança (Bowlby, 1988). As interações repetidas com quem cuida deles levam os bebês a desenvolver modelos operativos internos de apego. Esses modelos se tornam estratégias não conscientes de regulação do afeto, armazenadas na memória procedural (Schore, 1994, 2011; Schore e Schore, 2008), que a pessoa pode usar nas interações relacionais (Ogden e Fisher, 2015), sobretudo em momentos em que a experiência é vivida como ameaça. As respostas somáticas e os movimentos ligados ao apego se desenvolvem durante o primeiro ano de vida do bebê. O retraimento e a imobilização podem ser respostas funcionais a situações impossíveis ou perigosas, nas quais a experiência de vulnerabilidade poderia ser avassaladora (Porges, 2011), como a dependência de uma figura de apego imprevisível. As estratégias evitativas para lidar com emoções negativas incluem a supressão e a regulação para baixo das experiências afetivas (Hofmann et al., 2009). Essas estratégias de apego tendem a ser relativamente estáveis ao longo da vida (Pinquart et al., 2013).

Da mesma forma, na teoria da EFT, as pessoas que se retraem tendem a reagir evitando, silenciando, fechando-se ou defendendo-se (Johnson, 2004, 2020). Esse comportamento de retraimento pode ser visto como uma desativação das necessidades de apego, frequente em pessoas com maior evitação do apego (Johnson e Whiffen, 1999). Por isso, aprofundar a experiência emocional de quem se retrai na terapia de casal pode ser difícil. Rheem (2011) constatou que as pessoas que se retraíam tentavam sair de seu afeto central primário e precisavam do apoio de terapeutas para conseguir se reconectar a um nível mais profundo de experienciação emocional. Além disso, Wiebe et al. (2017) sugeriram que terapeutas de EFT mantenham atenção às estratégias de desativação das duas pessoas do casal ao longo de toda a sessão. Ainda assim, é mais provável que seja quem se retrai que tenda a usar mais as estratégias de desativação na relação.

Aprofundamento da experienciação em quem persegue

No modelo da EFT, a posição de quem persegue costuma ser vista como equivalente a um apego ansioso. A ativação do sistema nervoso autônomo de pessoas com apego ansioso costuma ser alta (Schore e Schore, 2014). Nessas pessoas, a raiva e a hipervigilância são facilmente desencadeadas pela expectativa de rejeição nas relações. Pessoas com apego ansioso podem ver essas respostas como funcionais e protetoras (Porges, 2011). No entanto, essa hiperativação do sistema de apego traz dificuldades de regulação do afeto, já que essas pessoas ficam fácil e intensamente perturbadas, ativadas emocionalmente, com medo e com raiva (Buss e Plomin, 1986). Nas relações próximas na vida adulta, pessoas com apego ansioso tendem a se preocupar com a disponibilidade emocional e física da outra pessoa. Soltar ou se distanciar é difícil, por medo da rejeição e da perda da relação.

Às vezes, quem persegue tende a culpar, cobrar ou gritar com a outra pessoa, na tentativa de buscar proximidade e conexão. Na mente de quem persegue, até uma resposta negativa é melhor do que nenhuma resposta. Segundo Burgess Moser et al. (2018), o comportamento de culpabilização de quem persegue pode ser uma forma de lidar com as necessidades de apego hiperativadas associadas à ansiedade de apego. Por isso, nas sessões de EFT, quem persegue demonstra mais emoção e reage com mais intensidade (Johnson e Whiffen, 1999).

O presente estudo

O presente estudo é um estudo exploratório com uma amostra pequena, que visa obter uma compreensão preliminar das ações que a pessoa terapeuta pode realizar em sessão para apoiar a experienciação emocional, com foco nas intervenções focadas no somático. Testamos se a repetição, por terapeutas, das intervenções focadas no somático e o tempo dedicado a essa repetição poderiam ser um meio pelo qual terapeutas ajudam cada pessoa do casal a aprofundar sua experienciação. A intervenção focada no somático se refere ao fato de terapeutas de EFT identificarem, verbalizarem e repetirem a verbalização das pistas emocionais somáticas de cada pessoa do casal. Além disso, examinamos se a repetição das intervenções focadas no somático tem um impacto diferente na experienciação emocional de quem persegue e de quem se retrai.

As hipóteses do estudo foram as seguintes:

Hipótese 1a. Um número maior de repetições das intervenções focadas no somático por terapeutas vai predizer aumentos maiores na profundidade da experienciação de cada pessoa do casal ao longo da sessão.

Hipótese 1b. Quanto mais tempo a pessoa terapeuta passar repetindo a mesma intervenção focada no somático, maiores serão os aumentos na profundidade da experienciação de cada pessoa do casal ao longo da sessão.

Hipótese 2a. Um número maior de repetições das intervenções focadas no somático por terapeutas vai predizer maior profundidade de experienciação em quem se retrai do que em quem persegue.

Hipótese 2b. Quanto mais tempo a pessoa terapeuta passar repetindo a mesma intervenção focada no somático, maior será a profundidade de experienciação em quem se retrai, em comparação com quem persegue.

Método

Participantes

O presente estudo incluiu 13 terapeutas de EFT de diferentes partes do mundo, com mais de dez anos de experiência clínica em terapia de casal. Cada terapeuta tinha certificação de formação e supervisão pelo International Centre for Excellence in Emotionally Focused Therapy (ICEEFT). Cada terapeuta de EFT trabalhou com um casal.

As pessoas dos casais (N = 26) eram membros adultos de 13 casais heterossexuais. As sessões foram encontros únicos de demonstração de EFT, realizados entre 2011 e 2016. Cada terapeuta do estudo e seu casal se encontraram uma única vez, em uma demonstração em um Externship ou em uma formação Core Skills para terapeutas. As sessões foram transcritas e disponibilizadas on-line para formar terapeutas na EFT para casais. As transcrições eram elegíveis para este estudo se estivessem anonimizadas, disponíveis em inglês, se terapeutas de EFT tivessem identificado quem se retrai e quem persegue, e se tivessem usado pelo menos uma vez durante a sessão uma intervenção sobre pista emocional somática (definida abaixo).

A equipe de pesquisa não usou nem analisou os dados pessoais dos casais neste estudo, pois os casais eram anônimos. Por isso, não há informações específicas sobre as pessoas ou os casais, como dados demográficos e nível de satisfação conjugal.

Medidas

A escala de experienciação

A Escala de Experienciação (EXP; Klein et al., 1969) é uma escala de avaliação por observação, de 7 pontos, aplicada a transcrições de terapia para indicar as experiências interiores de uma pessoa ao longo da terapia. Os níveis da Escala de Experienciação são claramente definidos. As experiências da pessoa passam do nível 1, de narrativa impessoal, para o nível 2, de relato intelectual de pensamentos e opiniões, e depois para o nível 3, de descrição comportamental que pode incluir referências limitadas a sentimentos. A experienciação mais profunda começa no nível 4, em que quem fala compartilha sua perspectiva ou seus sentimentos pessoais e internos. O nível 5 é uma exploração dos sentimentos de quem fala, que coloca e explora um problema sobre si em termos de sentimentos. Mais adiante, o aprofundamento no nível 6 inclui os sentimentos e as percepções interiores da pessoa sobre si, elaborados e comunicados no aqui e agora. No nível 7, a pessoa consegue se concentrar nas experiências interiores e se conectar a elas (Klein et al., 1969). Neste estudo, a EXP foi usada como variável contínua nas análises. As descrições do nível 4 em diante como experiência mais profunda servem de informação clínica sobre a escala. A pesquisa sobre os eventos-chave de mudança da EFT aponta a necessidade de níveis de experienciação de 4 a 6 para que ocorra uma mudança (Lee et al., 2017; Rheem, 2011).

Cada pessoa do casal recebeu dois escores diferentes para sua experiência dentro de um segmento codificado: um escore modal, que indica o escore alcançado com mais frequência, e um escore de pico, que indica o escore mais alto alcançado. Pesquisas anteriores constataram que a EXP apresenta alta validade e alta confiabilidade entre avaliadores, com coeficientes de 0,76 a 0,91 (Klein et al., 1969). Neste estudo, a confiabilidade entre avaliações foi verificada pelo coeficiente de correlação intraclasse (CCI) entre as duas avaliações. O CCI foi de 0,94 para a identificação dos segmentos de codificação e de 0,76 para as avaliações da EXP, o que indica confiabilidade excelente a boa. No presente estudo, os escores da escala de experienciação codificados em diferentes momentos (6 min antes e depois de cada intervenção de terapeutas sobre uma pista emocional) foram a variável dependente dos modelos.

Procedimento

Para cada terapeuta que forma em EFT e cada casal, havia uma sessão de EFT disponível para transcrição e codificação. No documento da sessão transcrita, terapeutas tinham indicado quem perseguia e quem se retraía. Como o estudo se concentrava na profundidade da experienciação de cada pessoa do casal antes e depois da intervenção focada no somático, essa profundidade foi codificada repetidamente ao longo de toda a sessão de terapia. A intervenção focada no somático foi definida como qualquer momento em que a pessoa terapeuta identificava e comentava uma resposta ou pista somática de uma pessoa do casal. Uma pista somática foi definida como uma reação não verbal, uma postura ou um movimento da pessoa que representa uma emoção. As duas pessoas responsáveis pela codificação examinaram a sessão inteira para identificar todos os momentos-chave em que a pessoa terapeuta se referia às pistas emocionais somáticas de uma pessoa do casal. As codificações foram comparadas e, em caso de divergência, o possível momento-chave foi revisto em conjunto até se chegar a um acordo. Para identificar esses momentos, foram usados os seguintes critérios: (1) a pessoa expressava uma pista emocional somática na sessão, e terapeutas de EFT a reconheciam; (2) a pessoa terapeuta comentava a pista somática dizendo, por exemplo, “Vejo lágrimas nos seus olhos” ou “Você parece triste enquanto fala disso”; (3) a pista emocional somática da pessoa era identificável no texto transcrito; e (4) a pessoa terapeuta usava a pista emocional somática e se referia a ela repetidamente. Codificamos os dados das pistas somáticas em categorias como lágrimas, olhos, rosto, cabeça, voz, mãos, corpo. Esses momentos identificados serviram de ponto de partida para dividir a transcrição em segmentos a codificar. Foram codificados os segmentos definidos como os 6 minutos anteriores e os 6 minutos posteriores a esses momentos. Em cada segmento de 6 minutos, todos os turnos de fala foram codificados com a escala de experienciação, resultando em um valor de pico e um valor modal para aquele segmento. O tempo de codificação de 6 minutos está de acordo com as diretrizes da Escala de Experienciação de Klein et al. (1969), em que o tempo recomendado de codificação variava de cinco a oito minutos. Cada sessão tinha vários desses segmentos identificados e codificados, o que confere caráter longitudinal aos dados da escala de experienciação em cada sessão. Além disso, para testar as hipóteses, codificamos a frequência com que a mesma intervenção era enunciada pela pessoa terapeuta e também o tempo, em minutos, durante o qual a mesma intervenção ocorria.

Duas pessoas pós-graduandas em psicologia foram treinadas para identificar os momentos-chave e codificar as respostas antes e depois das intervenções sobre pistas emocionais, usando a escala de experienciação (EXP; Klein et al., 1969). Receberam catorze horas de treinamento para identificar as pistas emocionais somáticas e usar a escala EXP. O treinamento se baseou no manual de treinamento da Escala de Experienciação e nos DVDs desenvolvidos por Klein et al. (1969). A codificação EXP dos trechos de transcrição de 6 minutos foi feita em ordem aleatória, um segmento de cada vez. A avaliação usou a Árvore de Decisão da Experienciação (Jaouich et al., 2006), que oferece uma referência visual simples para favorecer a precisão e a rapidez da avaliação. A árvore de decisão foi desenvolvida e validada para melhorar a eficiência da pontuação, manter altos níveis de confiabilidade entre avaliações e ajudar a sustentar o interesse de quem avalia ao longo do processo.

Como os dados pessoais dos casais não estavam disponíveis, não se exigia a proteção de dados pessoais prevista no Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD). Além disso, os dados dos casais utilizados são agregados e anônimos, o que protege sua privacidade.

Ilustração

Para ilustrar as intervenções focadas no somático, apresentamos uma vinheta tirada das transcrições de uma intervenção de terapeuta sobre uma pista emocional com o parceiro que se retrai, um homem, de um casal. No exemplo, a pessoa terapeuta verbalizou uma pista emocional somática ligada à dor, notada nos olhos do parceiro que se retrai. Como indicado, a intervenção de terapeuta foi definida como notar e verbalizar uma pista emocional somática, uma reação somática ou uma postura da pessoa, que ocorre no momento. Os turnos de fala das pessoas do casal foram codificados antes e depois da intervenção de terapeuta, que aparece em itálico. A repetição das intervenções e o tempo dedicado a elas também são indicados.

Terapeuta: Quando olho nos seus olhos, quando você fala disso, e vejo você meio que lutando com isso agora… parece muito doloroso.

Parceiro que se retrai: É…

Terapeuta: É… Lá no fundo… É… Vejo isso nos seus olhos, mas você alguma vez se permite sentir essa dor?

Parceiro que se retrai: De vez em quando, é difícil pra mim fazer isso, sabe.

Na primeira menção de terapeuta à pista emocional somática do parceiro que se retrai, como “Quando olho nos seus olhos, vejo você…”, ele dá respostas muito curtas, como “é”. Mas não nega, então a pessoa terapeuta permanece ali, repetindo a pista emocional somática no momento. O ritmo de fala de terapeuta é lento, dando tempo com pausas enquanto se dirige ao parceiro que se retrai.

Terapeuta: O que está acontecendo agora, enquanto falamos da dor?

Parceiro que se retrai: Ah, eu só estou meio que mantendo a compostura. Sinto como se estivesse respirando pela metade.

A pessoa terapeuta continua repetindo a pista. Embora esteja se abrindo devagar, o parceiro que se retrai está em contato com sua experiência interior, consciente de que está segurando a compostura, que é sua estratégia de enfrentamento, e descreve reações somáticas, como “respirar só pela metade”.

Terapeuta: É, é. Estou vendo isso. Então essa dor está aí?… Vejo a dor nos seus olhos. (Hum-hum.) É muito compreensível, e sentir a dor de que de algum modo você está falhando com ela… e decepcionando ela… e ela obviamente importa tanto pra você.

Parceiro que se retrai: Certo. Eu só estou meio… ainda tenho dificuldade, sabe, de entrar em contato com a parte da dor, sabe, porque eu só… sinto que não quero desmoronar. Eu tenho que… ainda preciso conseguir funcionar, sabe, fazer a minha parte como… pai e, sabe, e eu sempre vi a tristeza assim, como uma fraqueza também, sabe. Não sei. É só o jeito como eu fui criado, sabe: ficar triste, sabe, é tipo: “Ah, você tem que ser positivo, sabe, ver o lado bom das coisas.”

Por fim, quando a pessoa terapeuta continua pacientemente repetindo a pista emocional somática, o parceiro que se retrai começa a expressar o que está acontecendo por dentro, e aos poucos se abre para explorar percepções mais profundas sobre a própria experiência.

Plano de análise

O número de eventos-chave identificados e codificados por terapeuta de EFT e casal na sessão variou de um mínimo de dois a um máximo de sete. O número médio de eventos-chave por terapeuta foi quatro. Os dados foram analisados por modelagem multinível (MLM; Singer e Willett, 2003). Esse método foi escolhido por ser adequado a dados longitudinais e flexível para considerar dados coletados em momentos variáveis, como no presente estudo. O momento em que a codificação ocorreu foi modelado no nível 1 da MLM, e as pessoas de cada casal (N = 26), no nível 2. Na MLM, modelos mais complexos são construídos a partir de modelos mais simples. Primeiro, estimamos um modelo de base (só com interceptos), contendo apenas a variável dependente e os interceptos. Em seguida, estimamos um modelo linear simples, incluindo o parâmetro de tempo linear que representa a sequência dos momentos de codificação ao longo da sessão (modelo de crescimento linear incondicional). Depois, para avaliar a Hipótese 1, rodamos um modelo linear com um parâmetro de crescimento de nível 1, que indica o momento da sessão em que a codificação ocorreu, e um parâmetro de nível 1 que representa as repetições da intervenção (Hipótese 1a) ou o tempo gasto repetindo a intervenção (Hipótese 1b). Para avaliar a Hipótese 2, criamos uma variável dicotômica que representa quem se retrai (código 0) em oposição a quem persegue (código 1), e essa variável foi acrescentada ao modelo no nível 2 para predizer interceptos e inclinações. Quando o efeito da variável dicotômica sobre a predição dos escores EXP pelas repetições era significativo, prosseguimos testando as inclinações simples de quem persegue e de quem se retrai em modelos lineares separados. Mais uma vez, também foram estimados modelos para representar o número de repetições (Hipótese 2a) e o tempo gasto repetindo a intervenção (Hipótese 2b). Cada um desses modelos foi estimado separadamente quanto ao impacto dos preditores sobre os escores de pico e modal de experienciação como variáveis dependentes. Ver o Apêndice para as equações da modelagem multinível.

Resultados

Resultados de base

Terapeutas realizaram 53 intervenções focadas em pistas emocionais somáticas, considerando todos os casais. Terapeutas repetiram a intervenção focada no somático em 28 das 53 intervenções (52,8% das intervenções foram repetidas) (Tabela 1). Das pistas somáticas verbalizadas, 82% se concentravam na região da cabeça, como lágrimas, olhos, rosto, voz (por exemplo, um suspiro) e cabeça (Tabela 1). As lágrimas foram a pista emocional somática mais verbalizada com quem persegue (39%), e os olhos, com quem se retrai (27%). Quanto ao gênero, as pistas emocionais somáticas verbalizadas por terapeutas se distribuíram de forma quase igual entre os homens e as mulheres dos casais: 25 para os homens (47%) e 28 para as mulheres (53%). O número médio de intervenções, o tempo em minutos dedicado às intervenções somáticas com quem se retrai e com quem persegue e os dados detalhados da EXP para quem se retrai, quem persegue e o total, após intervenções focadas no somático repetidas e não repetidas, são apresentados na Tabela 2.

Tabela 1 — Número e porcentagem das intervenções focadas no somático de terapeutas, entre quem se retrai, quem persegue e no total

  • Total. Quem se retrai: 30 (57%); quem persegue: 23 (43%); total: 53 (100%).
  • Lágrimas. Quem se retrai: 6 (20%); quem persegue: 9 (39%); total: 15 (28%).
  • Olhos. Quem se retrai: 8 (27%); quem persegue: 2 (9%); total: 10 (19%).
  • Rosto. Quem se retrai: 7 (23%); quem persegue: 6 (26%); total: 13 (25%).
  • Cabeça. Quem se retrai: 3 (10%); quem persegue: 0 (0%); total: 3 (6%).
  • Suspiro. Quem se retrai: 1 (3%); quem persegue: 1 (4%); total: 2 (4%).
  • Corpo. Quem se retrai: 4 (14%); quem persegue: 1 (4%); total: 5 (9%).
  • Mãos. Quem se retrai: 1 (3%); quem persegue: 4 (18%); total: 5 (9%).

Valores: n (%). N = 26 pessoas (13 que se retraem e 13 que perseguem) em 13 casais. Terapeutas: n = 13.

Tabela 2 — Média (M) e desvio padrão (DP) dos escores de profundidade da escala de experienciação (EXP) entre quem se retrai, quem persegue e no total

  • Número de repetições por pessoa. Quem se retrai: 5,88 (4,79); quem persegue: 2,83 (1,52); total: 4,57 (4,05).
  • Repetições por pessoa, em minutos. Quem se retrai: 6,69 (5,43); quem persegue: 4,17 (3,66); total: 5,61 (4,92).
  • Intervenções focadas no somático repetidas — EXP pico, antes da intervenção. Quem se retrai: 3,44 (0,96); quem persegue: 3,25 (1,06); total: 3,36 (0,99).
  • Repetidas — EXP pico, depois da intervenção. Quem se retrai: 4,31 (1,01); quem persegue: 4,08 (1,24); total: 4,21 (1,1).
  • Repetidas — EXP moda, antes da intervenção. Quem se retrai: 3,06 (1,12); quem persegue: 2,67 (0,89); total: 2,89 (1,03).
  • Repetidas — EXP moda, depois da intervenção. Quem se retrai: 4,06 (1,12); quem persegue: 3,67 (1,07); total: 3,89 (1,1).
  • Intervenções focadas no somático sem repetição — EXP pico, antes da intervenção. Quem se retrai: 3,00 (0,68); quem persegue: 3,00 (0,77); total: 3,00 (0,71).
  • Sem repetição — EXP pico, depois da intervenção. Quem se retrai: 3,64 (1,08); quem persegue: 4,55 (0,93); total: 4,04 (1,1).
  • Sem repetição — EXP moda, antes da intervenção. Quem se retrai: 2,07 (0,27); quem persegue: 2,45 (0,82); total: 2,24 (0,6).
  • Sem repetição — EXP moda, depois da intervenção. Quem se retrai: 3,07 (1,21); quem persegue: 4,00 (1,00); total: 3,48 (1,19).

Valores: M (DP). “Antes” e “depois da intervenção” se referem às intervenções focadas no somático de terapeutas. N = 26 pessoas (13 que se retraem e 13 que perseguem) em 13 casais. Terapeutas: n = 13. Número de intervenções focadas no somático: 53 (28 repetidas e 25 sem repetição).

Modelagem multinível

Escala de experienciação

Como primeiro passo, estimamos um modelo de crescimento linear incondicional para as mudanças nos escores EXP (pico e moda) em todos os momentos codificados das sessões. Esses resultados já foram relatados por Kailanko et al. (2020) e servem de base para as análises que estão no centro deste estudo. Esse modelo mostrou aumentos lineares significativos nos escores EXP ao longo dos momentos (pico: β10 = 0,13, t(22) = 2,27, p = 0,033; moda: β10 = 0,15, t(22) = 3,12, p = 0,005).

Repetições das intervenções focadas no somático (Hipótese 1)

Em consonância com a Hipótese 1a, os resultados indicaram que um número maior de intervenções focadas no somático repetidas por terapeutas estava associado a aumentos maiores nos escores EXP das pessoas atendidas (pico: β20 = 0,05, t(22) = 2,27, p = 0,033; moda: β20 = 0,07, t(22) = 3,23, p = 0,004).

No entanto, ao contrário da Hipótese 1b, passar mais tempo repetindo as intervenções focadas no somático não estava associado a aumentos maiores nos escores EXP (pico: β20 = 0,03, t(22) = 1,26, p = 0,22; moda: β20 = 0,04, t(22) = 1,64, p = 0,12).

Efeitos perseguição-retraimento (Hipótese 2)

Repetição das intervenções (Hipótese 2a)

Os resultados indicaram um efeito significativo da interação entre a classificação como quem persegue ou quem se retrai e as repetições da intervenção, tanto para o pico: β21 = 0,32, t(21) = 4,59, p < 0,001, quanto para a moda: β21 = 0,35, t(21) = 7,12, p < 0,001. Em linha com nossa hipótese, aprofundamos esse efeito significativo relatando separadamente os efeitos para quem se retrai e para quem persegue.

Em apoio à Hipótese 2a, os resultados indicaram que, em quem se retrai, havia uma associação positiva entre a repetição das intervenções focadas no somático por terapeutas e os escores EXP, de modo que um número maior de repetições estava associado a escores EXP mais altos (pico: β20 = 0,09, t(21) = 4,17, p < 0,001; moda: β20 = 0,12, t(21) = 5,05, p < 0,001). Em contrapartida, em quem persegue, um número maior de repetições das intervenções focadas no somático estava associado a escores EXP mais baixos (pico: β20 = −0,23, t(21) = −3,51, p = 0,002; moda: β20 = −0,23, t(21) = −5,36, p < 0,001). A Figura 1 representa graficamente o efeito da condição de quem persegue ou de quem se retrai sobre a associação entre a repetição das intervenções focadas no somático e os escores EXP.

Gráfico do efeito da condição de quem persegue ou se retrai sobre a relação entre o número de repetições das intervenções focadas no somático e os escores EXP
Figura 1. Efeito da condição de quem persegue ou se retrai sobre o efeito de mais repetições das intervenções focadas no somático nos escores EXP (Hipótese 2a) (gráfico original em inglês)

Duração das repetições da intervenção (Hipótese 2b)

Os resultados indicaram um efeito significativo da interação entre a classificação como quem persegue ou quem se retrai e o tempo durante o qual a intervenção foi repetida, tanto para o pico EXP, β21 = 0,17, t(21) = 3,84, p < 0,001, quanto para a moda EXP, β21 = 0,19, t(21) = 5,86, p < 0,001. Para testar nossa hipótese a priori, aprofundamos esse efeito significativo relatando separadamente os efeitos para quem se retrai e para quem persegue.

Em quem se retrai, havia uma associação positiva entre o tempo durante o qual as intervenções focadas no somático eram repetidas e os escores EXP. Quanto mais tempo as intervenções eram repetidas, mais altos os escores EXP (pico: β20 = 0,08, t(21) = 4,19, p < 0,001; moda: β20 = 0,10, t(21) = 3,86, p < 0,001). Em contrapartida, em quem persegue, um tempo maior de repetição das intervenções focadas no somático estava associado a escores EXP significativamente mais baixos (pico: β20 = −0,09, t(21) = −2,21, p = 0,04; moda: β20 = −0,09, t(21) = −4,75, p < 0,001). A Figura 2 representa graficamente o efeito da condição de quem persegue ou de quem se retrai sobre a associação entre o tempo de repetição das intervenções focadas no somático e os escores EXP.

Gráfico do efeito da condição de quem persegue ou se retrai sobre a relação entre o tempo de repetição das intervenções focadas no somático e os escores EXP
Figura 2. Efeito da condição de quem persegue ou se retrai sobre o efeito da duração da repetição das intervenções focadas no somático nos escores EXP (Hipótese 2b) (gráfico original em inglês)

Discussão

O objetivo desta pesquisa foi explorar se a repetição, por terapeutas, das intervenções focadas no somático e o tempo dedicado a essa repetição poderiam ser um meio pelo qual terapeutas ajudam cada pessoa do casal a aprofundar sua experienciação. Os resultados deste estudo exploratório confirmaram a Hipótese 1a: um número maior de intervenções focadas no somático repetidas por terapeutas predisse maior profundidade de experienciação das pessoas do casal durante uma sessão de EFT. A Hipótese 1b, porém, não foi confirmada. O número de minutos da sessão que terapeutas dedicaram a repetir as intervenções focadas no somático não esteve significativamente relacionado à profundidade de experienciação durante a sessão.

A segunda hipótese também foi confirmada. O impacto das repetições de intervenções focadas no somático sobre a profundidade de experienciação diferiu entre quem se retrai e quem persegue. Mais especificamente, mais repetições dessas intervenções por terapeutas (Hipótese 2a) e mais tempo dedicado a elas (Hipótese 2b) predisseram um aumento significativo da profundidade de experienciação em quem se retrai e uma diminuição significativa em quem persegue. O impacto das intervenções focadas no somático foi pesquisado primeiro por Kailanko et al. (2020), que constataram aumentos imediatos do nível de experienciação das pessoas do casal em EFT após uma intervenção focada no somático. O presente estudo aprofunda nossa compreensão do impacto dessas intervenções na EFT. Os resultados apontam a possibilidade de que as intervenções focadas no somático repetidas tenham efeitos diferentes sobre a profundidade de experienciação de quem se retrai e de quem persegue em um casal.

Profundidade de experienciação: quem se retrai e quem persegue

Não apenas as intervenções focadas no somático repetidas por terapeutas resultaram em maior profundidade de experienciação em quem se retrai, como também constatamos que o escore de pico médio dessas pessoas após intervenções repetidas ultrapassou o nível da EXP que indica a passagem de uma descrição puramente factual dos sentimentos para uma expressão mais profunda da experiência interior. Essa é uma passagem importante para quem se retrai, pessoas que, como as de apego evitativo, tendem a minimizar as experiências emocionais internas e a se concentrar no externo. A profundidade de experienciação encontrada neste estudo após as intervenções focadas no somático repetidas por terapeutas de EFT esteve no mesmo nível da relatada nas melhores sessões de estudos anteriores (Wiebe et al., 2017; Bradley e Furrow, 2004; Johnson e Greenberg, 1988). Esses estudos anteriores constataram que uma maior profundidade de experienciação nas melhores sessões predizia uma resposta positiva ao tratamento.

Neste estudo, quem se retrai alcançou maior profundidade de experienciação quando terapeutas repetiam as intervenções focadas no somático. Isso está em linha com a pesquisa anterior de Lee et al. (2017), que mostrou que o trabalho com as pessoas que mais se retraem exige que terapeutas intensifiquem o afeto várias vezes para que se alcance maior profundidade de experienciação. Pessoas com apego evitativo, que provavelmente constituem a maioria de quem se retrai nos casais, tendem a ter um sistema nervoso autônomo em desativação, ao lado de uma ativação e de um afeto autorregulados (Ogden et al., 2006). Os resultados deste estudo sugerem que intervenções focadas no somático repetidas atenuam a desativação das pessoas com apego evitativo.

Este estudo constatou uma diminuição da experienciação emocional em quem persegue quando terapeutas repetiam mais as intervenções focadas no somático e dedicavam mais tempo a elas. Pessoas com apego ansioso costumam ter maior ativação do sistema nervoso autônomo, porque tendem a se preocupar com a perda da relação. Muitas vezes é difícil para elas permanecer no nível ótimo da janela de tolerância (Ogden e Fisher, 2015). Neste estudo, as reações emocionais de quem persegue pareciam imediatamente vivas. No entanto, a repetição, por terapeutas, das pistas somáticas e da emoção de quem persegue pode ter levado essas pessoas a reduzir sua experiência emocional a um nível mais adequado ao trabalho terapêutico. Burgess Moser et al. (2017) observaram que a ansiedade pode tomar conta da experiência de quem persegue, mas constatamos que o nível de experienciação de quem persegue diminuiu ao longo do tempo com a repetição das intervenções focadas no somático por terapeutas.

Há algumas limitações do presente estudo que merecem ser mencionadas. Primeiro, os dados demográficos dos casais participantes, sua história de terapia e de relacionamento e os problemas que os trouxeram à terapia não eram conhecidos pela equipe de pesquisa. Assim, não é possível avaliar em que medida esses resultados podem ser generalizados a uma população. Segundo, o tamanho da amostra, relativamente limitado, provavelmente reduziu o poder de alguns testes estatísticos, e por isso não está claro quão confiáveis são os resultados sem replicação. Consideramos, portanto, o presente estudo como exploratório, oferecendo resultados preliminares que podem abrir caminho para pesquisas futuras, que busquem replicar e aprofundar nossos achados. Ainda assim, o estudo tinha alguns pontos fortes metodológicos. As sessões de EFT incluídas no estudo foram conduzidas por terapeutas experientes que formam em EFT, representando possivelmente a forma como a EFT deveria idealmente ser praticada. As sessões de terapia foram examinadas e codificadas do início ao fim, o que confere mais profundidade e abrangência aos achados sobre o que acontece ao longo de toda uma sessão de EFT. Este é um estudo inédito sobre intervenções focadas no somático repetidas por terapeutas de EFT, que pode orientar estudos futuros e maiores, a fim de estabelecer a confiabilidade dos achados e as condições em que essas intervenções podem funcionar.

Para pesquisas futuras, pode ser útil obter evidências que corroborem a escala de experienciação para medir as experiências emocionais interiores de cada pessoa do casal. Como quem se retrai tende a limitar sua expressão emocional, sua experiência emocional pode ser difícil de avaliar de fora. Assim, pode ser interessante avaliar as reações do sistema nervoso autônomo dessas pessoas com medidas fisiológicas, como a frequência cardíaca ou a condutância da pele. Além disso, seria útil saber mais sobre os pensamentos e os pontos de vista de terapeutas e de responsáveis pela formação em EFT por trás do uso das intervenções focadas no somático, especialmente no trabalho com quem se retrai e com quem persegue. Um estudo qualitativo com entrevistas de terapeutas de EFT pode esclarecer os processos de decisão ligados ao uso dessas intervenções.

Implicações clínicas

Os achados do presente estudo trazem várias implicações para a prática clínica e para a formação de terapeutas de EFT. Primeiro, as intervenções focadas no somático podem dar acesso à experiência interior das pessoas do casal e oferecer um modo de aprofundá-la. Os achados sustentam o conceito teórico-chave de montagem e aprofundamento do afeto que ocorre nas sessões de EFT (Brubacher e Wiebe, 2019; Johnson, 2004, 2020). Segundo, os achados sugerem um modo de manter as emoções vivas durante uma sessão de EFT: a repetição das intervenções focadas no somático. Isso é especialmente útil com quem se retrai, que tende a lidar com situações estressantes desativando a ativação e o afeto. Repetir a mesma pista emocional somática, ou referir-se a ela, até seis vezes ou mais, pode ser uma forma de engajar quem se retrai no casal. Com base nos achados deste estudo, sugerimos que a formação de terapeutas de EFT dê atenção especial a identificar, nomear e focalizar as pistas somáticas nos casais.

Uma terceira implicação deste estudo é que terapeutas talvez precisem trabalhar de maneira diferente, quanto à repetição das intervenções focadas no somático, com quem se retrai. Embora possa ser difícil para quem se retrai ativar suas emoções, a repetição das intervenções focadas no somático pode ajudar. O efeito da repetição pode ser o oposto em quem persegue, que está mais em contato com as próprias emoções. A repetição das pistas emocionais pode resultar em diminuição da experienciação emocional de quem persegue. Do ponto de vista clínico, isso pode ser visto como benéfico, ao ajudar quem persegue a olhar de forma mais reflexiva para a própria experiência, evitando que as emoções tomem conta. Permanecer com a emoção e falar dela com a pessoa terapeuta pode trazer a quem persegue um senso de estrutura e de compreensão dos sentimentos.

Conclusões

O presente estudo é o primeiro estudo exploratório que busca uma compreensão preliminar das ações que a pessoa terapeuta pode realizar em sessão para apoiar a experienciação emocional, com foco nas intervenções focadas no somático na terapia de casal focada nas emoções. Esta pesquisa sugere que a repetição, por terapeutas, das intervenções focadas no somático pode ser um meio de ajudar cada pessoa do casal a aprofundar sua experienciação. Um número maior de repetições dessas intervenções esteve associado a um aumento maior da profundidade de experienciação, sobretudo em quem se retrai, em comparação com quem persegue. Os resultados deste estudo sugerem que essas intervenções podem ser uma técnica específica de terapeutas de EFT que intensifica a experienciação emocional, sobretudo em quem se retrai.

Complexe Systémique: a reter

O estudo põe números em um gesto que muita gente na clínica faz sem pensar: nomear o que o corpo mostra e depois voltar a isso. Seu interesse sistêmico está em um resultado assimétrico. A mesma intervenção não tem o mesmo efeito conforme o lugar ocupado no ciclo perseguição-retraimento: aprofunda a experiência de quem se retrai e reduz a de quem persegue. A intervenção atua, portanto, sobre uma posição relacional mais do que sobre um indivíduo, e dá para ler nela uma forma de desacelerar um lado e despertar o outro, desarmando a circularidade. A cautela, porém, se impõe: treze sessões únicas, filmadas para formação e conduzidas por figuras de referência da EFT, com casais heterossexuais anônimos; um delineamento correlacional; e uma leitura favorável da diminuição em quem persegue que continua sendo uma hipótese. As próprias posições foram atribuídas pelas pessoas terapeutas. Para ler junto com o estudo microanalítico das conjecturas empáticas na terapia de casal focada nas emoções e com o artigo sobre o papel do corpo na terapia.

Referências

Bowlby, J. (1988). A secure base. Basic Books.

Bradley, B., & Furrow, J. L. (2004). Toward a mini-theory of the blamer softening event: Tracking the moment-by-moment process. Journal of Marital and Family Therapy, 30(2), 233–246. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.2004.tb01236.x

Bradley, B., & Furrow, J. J. (2007). Inside blamer softening: Maps and missteps. Journal of Systemic Therapies, 26(4), 25–43. https://doi.org/10.1521/jsyt.2007.26.4.25

Brubacher, L. L., & Wiebe, S. A. (2019). Process-research to practice in emotionally focused couple therapy: A map for reflective practice. Journal of Family Psychotherapy, 30(4), 292–313. https://doi.org/10.1080/08975353.2019.1679608

Burgess Moser, M., Johnson, S. M., Dalgleish, T. L., Wiebe, S. A., & Tasca, G. A. (2018). The impact of blamer-softening on romantic attachment in emotionally focused couples therapy. Journal of Marital and Family Therapy, 44(4), 640–654.

Buss, A. H., & Plomin, R. (1986). The EAS approach to temperament (67–80). In R. Plomin & J. Dunn (Eds.), The study of temperament (pp. 66–80). Psychology Press.

Carryer, J. R., & Greenberg, L. S. (2010). Optimal levels of emotional arousal in experiential therapy of depression. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 78(2), 190–199. https://doi.org/10.1037/a0018401

Dalgleish, T. L., Johnson, S. M., Burgess Moser, M., Wiebe, S. A., & Tasca, G. A. (2015). Predicting key change events in emotionally focused couple therapy. Journal of Marital and Family Therapy, 41(3), 260–275. https://doi.org/10.1111/jmft.12101

Elliott, R., Watson, J. C., Goldman, R. N., & Greenberg, L. S. (2004). Learning emotion- focused therapy: The process experiential approach to change. American Psychological Association.

Gendlin, E. T. (1961). Experiencing: A variable in the process of therapeutic change. American Journal of Psychotherapy, 15(2), 233–245. https://doi.org/10.1176/appi.psychotherapy.1961.15.2.233

Gendlin, E. T. (1964). A theory of personality change. In P. Worchel & D. Byrne (Eds.), Personality change (pp. 100–148). John Wiley & Sons.

Gendlin, E. T. (1969). Focusing. Psychotherapy: Theory, Research and Practice, 6(1), 4–15. https://doi.org/10.1037/h0088716

Greenman, P. S., & Johnson, S. M. (2013). Process research on emotionally focused therapy (EFT) for couples: Linking theory to practice. Family Process, 52(1), 46–61. https://doi.org/10.1111/famp.12015

Hofmann, S. G., Heering, S., Sawyer, A. T., & Asnaani, A. (2009). How to handle anxiety: The effects of reappraisal, acceptance, and suppression strategies on anxious arousal. Behaviour Research and Therapy, 47(5), 389–394. https://doi.org/10.1016/j.brat.2009.02.010

Jaouich, A., Rogan, K., Fitzpatrick, M., Desbois, A. C., & Janzen, J. (2006). Experiencing decision tree: Modifications to the experiencing. McGill University.

Johnson, S. M. (2004). The practice of emotionally focused couples therapy ( 2nd ed). Brunner-Routledge.

Johnson, S. M. (2009). Attachment theory and emotionally focused therapy for individuals and couples, perfect partners. In J. H. Obegi & E. Berant (Eds.), The attachment theory and research in clinical work with adults (pp. 410–433). The Guilford Press.

Johnson, S. M. (2019). Attachment: An essential guide for science-based practice. In S. M. Johnson (Ed.), Attachment theory in practice: Emotionally focused therapy (EFT) with individuals, couples, and families (pp. 1–23). Guildford Publications.

Johnson, S. M. (2020). The practice of emotionally focused couple therapy: Creating connection ( 3rd ed). Routledge.

Johnson, S. M., & Greenberg, L. S. (1988). Relating process to outcome in marital therapy. Journal of Marital and Family Therapy, 14(2), 175–183. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.1988.tb00733.x

Johnson, S. M., & Whiffen, V. E. (1999). Made to measure: Adapting emotionally focused couple therapy to partners' attachment styles. Clinical Psychology: Science and Practice, 6(4), 366–381. https://doi.org/10.1093/clipsy.6.4.366

Kailanko, S., Wiebe, S. A., Tasca, G. A., & Laitila, A. A. (2020). The impact of therapists’ somatically-focusedsomatically-focused interventions on the depth of clients’ experiencing in emotionally focused couple therapy [Unpublished manuscript].

Klein, M. H., Mathieu, P. L., Gendlin, E. T., & Kiesler, D. J. (1969). The experiencing scale. A research and training manual (Vol. I). Wisconsin Psychiatric Institute.

Lee, N. A., Spengler, P. M., Mitchell, A. M., Spengler, E. S., & Spiker, D. A. (2017). Facilitating withdrawer re-engagement in emotionally focused couple therapy: A modified task analysis. Couple and Family Psychology: Research and Practice, 6(3), 205–225. https://doi.org/10.1037/cfp0000084

Madison, G. (2014). Palpable existentialism: A focusing-oriented therapy. Psychotherapy in Australia, 20(2), 26–33.

McRae, T. R., Dalgleish, T. L., Johnson, S. M., Burgess-Moser, M., & Killian, K. D. (2014). Emotion regulation and key change events in emotionally focused couple therapy. Journal of Couple & Relationship Therapy, 13(1), 1–24. https://doi.org/10.1080/15332691.2013.836046

Ogden, P., & Fisher, J. (2015). Sensorimotor psychotherapy: Interventions for trauma and attachment. W.W. Norton & Company, Inc.

Ogden, P., Minton, K., & Pain, C. (2006). Trauma and the body: A sensorimotor approach to psychotherapy. W.W. Norton & Company, Inc.

Pascual-Leone, A., & Yeryomenko, N. (2017). The client “experiencing” scale as a predictor of treatment outcomes: A meta-analysis on psychotherapy process. Psychotherapy Research, 27(6), 653–665. https://doi.org/10.1080/10503307.2016.1152409

Pinquart, M., Feußner, C., & Ahnert, L. (2013). Meta-analytic evidence for stability in attachments from infancy to early adulthood. Attachment & Human Development, 15(2), 189–218. https://doi.org/10.1080/14616734.2013.746257

Porges, S. W. (2011). The polyvagal theory: Neurophysiological foundations of emotions, attachment, communication, and self-regulation. Norton.

Rheem, K. D. (2011). Analyzing the withdrawer re-engagement change event in emotionally focused couple therapy: A preliminary task analysis. Argosy University.

Schore, A. N. (1994). Affect regulation and the origin of the self: The neurobiology of emotional development. Erlbaum.

Schore, A. N. (2011). The right brain implicit self lies at the core of psychoanalysis. Psychoanalytic Dialogues, 21(1), 75–100. https://doi.org/10.1080/10481885.2011.545329

Schore, J. R., & Schore, A. N. (2008). Modern attachment theory: The central role of affect regulation in development and treatment. Clinical Social Work Journal, 36(1), 9–20. https://doi.org/10.1007/s10615-007-0111-7

Schore, J. R., & Schore, A. N. (2014). Regulation theory and affect regulation psychotherapy: A clinical primer. Smith College Studies in Social Work, 84(2–3), 178–195. https://doi.org/10.1080/00377317.2014.923719

Singer, J. D., & Willett, J. B. (2003). Applied longitudinal data analysis: Modeling change and event occurrence. Oxford University Press.

Wiebe, S. A., & Johnson, S. M. (2016). A review of the research in emotionally focused therapy for couples. Family Process, 55(3), 390–407. https://doi.org/10.1111/famp.12229

Wiebe, S. A., Johnson, S. M., Burgess Moser, M., Dalgleish, T. L., & Tasca, G. A. (2017). Predicting follow-up outcomes in emotionally focused couple therapy: The role of change in trust, relationship-specific attachment, and emotional engagement. Journal of Marital and Family Therapy, 43(2), 213–226. https://doi.org/10.1111/jmft.12199

Tradução não oficial em português de O impacto da repetição de pistas somáticas na profundidade da experienciação de quem se retrai e de quem persegue na terapia de casal focada nas emoções, de Sari Kailanko, Stephanie A. Wiebe, Giorgio A. Tasca e Aarno A. Laitila, Journal of Marital and Family Therapy, vol. 48, no 3 (2022), doi: 10.1111/jmft.12544, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença (tabelas apresentadas em listas, figuras em inglês). Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.

Tradução não oficial para o português de “Impact of repeating somatic cues on the depth of experiencing for withdrawers and pursuers in emotionally focused couple therapy”, publicado em Journal of Marital and Family Therapy (2022) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.

Ler o artigo original

Como citar este artigo

Kailanko, S., Wiebe, S. A., Tasca, G. A., et Laitila, A. A. (2022). O impacto da repetição de pistas somáticas na profundidade da experienciação de quem se retrai e de quem persegue na terapia de casal focada nas emoções (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/o-impacto-da-repeticao-de-pistas-somaticas-na-terapia-de-casal-focada-nas-emocoes (Obra original publicada em 2021 em Journal of Marital and Family Therapy, 48(3), 693-708 (2022); republicada em 2022 por Journal of Marital and Family Therapy, https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/jmft.12544)

Carrinho

Seu carrinho está vazio.