Este segundo capítulo explora as dinâmicas fundadoras do casal contemporâneo, no cruzamento do afetivo, do simbólico e do pragmático. Robert Neuburger desenvolve ali uma leitura sistêmica do processo de constituição do vínculo conjugal, em três etapas maiores.
O casal de hoje se forma em um contexto cultural e social inédito: pluralidade das configurações, recuo do engajamento espontâneo, ascensão da individualização… fatores que transformam as maneiras de « ser casal ».
O que Neuburger chama de mito fundador: uma narrativa imaginária que confere ao encontro um sentido particular e dá ao casal uma legitimidade simbólica.
A compatibilidade (valores, famílias, projetos, lugares de vida…), igualmente decisiva para construir um vínculo durável — com a emergência do pré-casal, essa fase intermediária em que se coabita para testar a relação.
As tensões fundadoras do casal: entre romantismo e lucidez, entre o desejo de um « nós » que sustenta e o cuidado de preservar a própria liberdade. Uma base essencial para compreender as questões clínicas que virão.