Red Sistémica · Terapia familiar

A história acaba no pós-modernismo? Rumo a uma terapia familiar ultramoderna

É possível decretar o fim da História? Juan Luis Linares relê a evolução do pensamento ocidental como uma alternância entre realismo e subjetivismo, situa o pós-modernismo nessa longa série e faz o balanço do que ele trouxe à terapia familiar – e também do que lhe custou. Em seguida, propõe os traços da etapa que vem: uma terapia familiar “ultramoderna” que devolveria seu lugar ao sujeito, às emoções, ao amor e ao diagnóstico relacional, sem retirar nada da importância da linguagem.

Autor Juan Luis Linares, M.D., Ph.D., professor titular de psiquiatria na Universidade Autônoma de BarcelonaPrimeira publicação Family Process, vol. 40, n° 4, inverno de 2001; retomado em Perspectivas Sistémicas, n° 71, maio-junho de 2002Tradução Complexe Systémique, com a autorização da Red Sistémica

“Não há lugar para o ‘aqui cheguei e aqui fico’, assim como é absurdo pensar que uma mudança de paradigma equivale a uma revolução surgida do nada e que nada deveria ao passado.”

Juan Luis Linares

Resumo

Há já alguns anos, a comunidade intelectual sentiu um sobressalto não isento de irritação diante de certas formulações provocativas de Fukuyama (1992), no momento em que um comunismo cambaleante cedia terreno em todas as frentes a um capitalismo vitorioso e irresistível. Em uma obra de título expressivo, O Fim da História e o Último Homem, ele afirmava que os processos históricos haviam culminado na entronização de uma ordem capitalista universal. E ele certamente não é o único autor a ter tido a audácia de decretar o fim da História.

De fato, existe no pensamento ocidental – e seguramente não apenas nele – uma tentação de se situar acima do tempo, como o testemunha a sobrevivência dos mais variados milenarismos, religiosos e políticos. Podemos ver nisso uma defesa eficaz contra a angústia diante dos limites, da vulnerabilidade e mesmo, digamos, da insignificância do ser humano; jamais, em compensação, um estímulo para o desenvolvimento da Ciência ou da Filosofia.

A rara combinação de orgulho e de modéstia que caracteriza o cientista e o filósofo exige que assumam sua dimensão histórica, situando sua obra em um continuum que mergulha suas raízes no passado mais distante e se projeta, necessariamente, em um futuro incerto.

Não há, portanto, lugar para o “aqui cheguei e aqui fico”, assim como é absurdo pensar que uma “mudança de paradigma” equivale a uma revolução surgida do nada e que nada deveria ao passado. Cientistas e filósofos não podem permitir-se tal ingratidão, moeda corrente entre políticos e religiosos.

Realismo versus subjetivismo

Uma das maneiras possíveis de compreender a evolução do pensamento humano no Ocidente consiste em vê-la como uma sucessão de etapas alternadas quanto à capacidade de apreender a realidade.

Na Grécia, os filósofos pré-socráticos da natureza olhavam ao seu redor tentando explicar o que viam. Para Tales, todas as coisas derivavam da água, enquanto Anaximandro afirmava que o homem, como os demais animais, provinha dos peixes. Anaxímenes considerava o ar como a substância fundamental. São hipóteses compatíveis com os pontos de vista do pensamento positivista moderno.

Ao contrário, Heráclito acreditava na mudança perpétua: panta rhei, tudo flui, não se toma banho duas vezes no mesmo rio, o sol é novo a cada dia. Sob tais afirmações, a realidade se esvai. E o que dizer de Parmênides que, não acreditando na possibilidade da mudança, desconfiava da realidade ainda mais do que Heráclito, já que tinha os sentidos como provedores de engano e de ilusão. Para ele, em certo sentido, eram as palavras que determinavam a realidade – uma realidade enganosa, é claro.

Mas com Demócrito o realismo retorna. Para ele, tudo é composto de átomos indivisíveis que se movem ao acaso, como na teoria cinética moderna dos gases. Em seu olhar exploratório pulsa uma inspiração causalista: a “questão mecânica” que, para Russell (1946), conduz ao conhecimento científico. E, de fato, o autor dos Principia Mathematica, que tanto deslumbrou Bateson, lamenta que, a partir de Demócrito e até o Renascimento, os filósofos substituam a “questão mecânica” pela “questão teleológica”, o “porquê” pelo “para quê”.

Não há, contudo, motivo para lamentá-lo se considerarmos que os filósofos, depois de se interessarem pelo que se passava ao seu redor, estavam obrigados a se interessar pelo que se passava dentro deles. E, de fato, essa mudança responde a uma virada no objeto de reflexão da filosofia que, de Protágoras e dos demais sofistas – Sócrates incluído – até o Renascimento, abandona a natureza para ocupar-se de preferência do homem. Tudo se passa como se o subjetivismo, depois do breve ensaio que haviam constituído Heráclito e Parmênides, empreendesse um longo voo, apenas interrompido durante dezoito séculos, para concluir sua travessia sob os assaltos de Copérnico e de Galileu.

Durante um período tão longo de apogeu, a filosofia subjetivista acumulou um imenso patrimônio impossível de resumir aqui: esplendores e misérias, que compreendem tanto grandes construções ontológicas e éticas quanto vulgares malabarismos escolásticos. De todo modo, uma bagagem impressionante, que deveria apaziguar as inquietações dos subjetivistas de hoje ao garantir a presença de suas sensibilidades na história da humanidade. E mais ainda, pois a evolução prosseguiu, com alternâncias realistas e subjetivistas, entre as quais nada menos que a obra de Kant ou a de Hegel. Até que, enfim, em reação ao modernismo positivista, perdidamente apaixonado pela realidade, chega o pós-modernismo.

A viagem foi longa e minuciosa, e do maior interesse para os psicoterapeutas, que deveriam apressar-se em aprender filosofia. Não só é divertido e enriquecedor do ponto de vista da formação teórica, como também pode constituir uma proteção contra a ameaça que lança Marinoff (2000) em seu best-seller Plato, not Prozac! (Mais Platão, menos Prozac): que os filósofos acabem por suplantar os terapeutas. E o que surpreende é que esta última etapa, a passagem do modernismo ao pós-modernismo, revelou-se laboriosa e imprecisa, pois se efetuou ao longo de todo o século XX.

O pós-modernismo em psicoterapia

Um processo tão lento não foi isento de contradições. Por exemplo: o impacto pós-moderno nas ciências da natureza se produz muito cedo, no início do século – as teorias quântica e relativista estão aí para demonstrá-lo –, ao passo que as ciências humanas e, em particular, a psicologia lhe resistem durante algumas décadas.

Não é paradoxal? Os físicos aceitavam a incerteza enquanto os psiquiatras e os psicanalistas continuavam a apostar em um futuro no qual a neurologia resolveria os enigmas da mente. Foi preciso esperar Lacan (1953) e sua decidida reivindicação da linguagem como criadora de realidades para que a psicanálise se ajustasse aos tempos pós-modernos. E foi preciso esperar que o cognitivismo suplantasse o behaviorismo, relegando-o ao baú das lembranças positivistas, para que, até mesmo nas grandes pradarias da psicologia experimental, se começasse a respirar um certo construtivismo – pós-moderno. Kelly (1955), Bandura (1977) e Beck (1967), para citar apenas alguns, foram os artesãos dessa transformação, partindo de posições e de propostas diversas que confluíram no cognitivismo atual, tão próximo de certas formulações sistêmicas.

É nesses mesmos anos que a terapia familiar também começava seu caminho. E o fazia, de fato, de mãos dadas com o comunicacionalismo de Palo Alto que, sob sua aparência pragmática, não escondia sua profunda filiação subjetivista.

Focalizar a comunicação humana, partindo do princípio de que ela é inevitável; compreender que a relação, em toda comunicação, se situa em um nível “meta” em relação ao conteúdo; distinguir uma linguagem digital, a serviço do conteúdo, de uma linguagem analógica, a serviço da relação; sublinhar a importância decisiva da pontuação em toda sequência comunicacional, a ponto de permitir leituras diversas e igualmente legítimas; considerar que é o modo de relação, simétrico ou complementar, que determina o sujeito, e não o inverso…

Qualquer estudante reconheceria nesses princípios os axiomas da comunicação humana de Watzlawick (1967) e da equipe de Palo Alto. Mas, além disso, poder-se-ia sem grande esforço ouvi-los como um autêntico manifesto pós-moderno, presente nas origens comunicacionalistas do modelo sistêmico antes mesmo que esse termo fosse forjado, e muito, muito antes que Keeney (1982) e Dell (1982) polemizassem com o pessoal de Palo Alto, desqualificando-os gentilmente como “pragmáticos”. Ou seria o pragmatismo incompatível com o pós-modernismo? Se a obra de Watzlawick em seu conjunto responde aos gritos que não, a evidência é ainda maior em um de seus livros mais citados: How Real is Real? Quem quiser declarar-se pós-moderno com um mínimo de credibilidade tem de dizer esse tipo de coisa.

Em seguida – e que me permitam esta paráfrase irreverente –, “a carne se fez verbo e habitou entre nós”. Todos nos convertemos ao construtivismo durante os anos oitenta e ao socioconstrucionismo durante os anos noventa, fazendo do bezerro de ouro pós-moderno um ídolo do pensamento politicamente correto. As práticas improvisacionais e conversacionais apoderaram-se da terapia familiar, desdenhando como pragmáticos ou como instrutivos justamente aqueles que, anos antes, haviam desdenhado Virginia Satir por ser emotiva demais. Tudo estava na linguagem, e apenas na linguagem. Só as palavras – ó prodigiosa descoberta de Parmênides – podiam criar pseudo-realidades. Mas eis que a política batia com insistência à porta da terapia familiar. Diante de problemáticas de abuso e de maus-tratos que punham em questão as relações de poder entre os gêneros e entre as gerações, era difícil sustentar a ingênua neutralidade do construtivismo, que parecia supor ao alcance de todos a mesma capacidade de criar realidades.

O construcionismo social retomou Foucault (1966), trinta anos depois da publicação de sua obra, para apoiar uma conversão da linguagem em discurso. A palavra incorporou assim as relações de poder, e a conversação tornou-se narrativa.

Dizer que “todos nos convertemos” ao construtivismo e ao construcionismo social é, na realidade, um exagero. A conversão maciça foi um fenômeno essencialmente americano que, na Europa, atingiu apenas o centro-norte anglo-germano-escandinavo e algumas pequenas ilhas latinas: o grupo de Milão de Boscolo e Cecchin é o exemplo mais representativo. Nos próprios Estados Unidos, houve alguns casos de resistência entre as figuras históricas da terapia familiar, como Haley e Minuchin. De fato, a terapia estrutural, integrada ao espaço comum do modelo sistêmico, nunca teve o selo pós-moderno que caracterizou desde suas origens o comunicacionalismo; ao contrário, representou a presença histórica de um núcleo de cepa realista no campo da terapia familiar. Outra figura mítica, Selvini, depois de ter ampliado como ninguém os limites da terapia familiar explorando a fundo seus territórios mais emblemáticos, tomou distância crítica em relação à orientação pós-moderna destes últimos anos, aproximando-se dos outros grandes modelos psicoterapêuticos e, em particular, da psicanálise de Bowlby e do cognitivismo de Guidano e Liotti.

Um balanço necessário

Definir em detalhe o pós-modernismo excede as possibilidades destas páginas, mas mesmo uma abordagem ligeira exige referir-se aos diferentes campos da atividade humana. Nas ciências da natureza, a aceitação da incerteza provavelmente basta para merecer o qualificativo de pós-moderno. Na arte, a definição passa por um certo maneirismo eclético, que ultrapassa o funcionalismo moderno. E nas ciências humanas, e concretamente em psicoterapia, o núcleo definidor é talvez a reflexividade, a inclusão do observador no sistema, que se torna auto-observante, e a correspondente passagem de uma realidade que pode ser descoberta e conhecida a uma realidade que se constrói e se impõe, ou que é objeto de um consenso.

O principal inconveniente da extensão uniformizadora do pós-modernismo no campo sistêmico, envolta na histórica autossatisfação dos terapeutas familiares diante do “new way of thinking” (o “save the planet” de que fala Johnson, 2001), foi a desconexão em relação aos outros modelos terapêuticos e a perda de influência sobre territórios outrora promissores, como as psicoses. Uma abordagem psicoterapêutica da esquizofrenia e dos demais transtornos mentais graves deveria integrar as bases biológicas e a farmacoterapia, mas sem renunciar ao desenvolvimento de recursos teóricos e práticos que a terapia familiar sistêmica possui em abundância. Não podemos nos considerar, nós, os sistêmicos, brilhantes revolucionários quando a revolução que pregamos está permanentemente adiada há cinquenta anos.

Mesmo que talvez nem tudo flua no sentido de Heráclito, as coisas se movem. Há algum tempo, detectam-se, em todo o vasto mundo da terapia familiar, manifestações de incômodo diante da presença muito difundida do manto ideológico pós-moderno. E isso é lógico, pois os dois movimentos do pensamento humano, o realista e o subjetivista, não podem conceder-se uma trégua mútua e, menos ainda, ceder-se indefinidamente territórios científicos e filosóficos de alguma importância.

Talvez comece a chegar, portanto, o momento de fazer o balanço dos resultados de uma etapa e de entrever o que se anuncia como conteúdo possível daquela que, inevitavelmente, lhe sucederá.

Quais poderiam ser os principais aportes do pós-modernismo à terapia familiar, aqueles que, com toda a probabilidade, as orientações que lhe sucederem deverão reinterpretar mas não poderão ignorar?

O primeiro a sublinhar é a colocação em questão do objetivismo ingênuo, da posição de perito sem falhas que a cibernética de segunda ordem tornou impossível. O perito psicoterapeuta não pode desenvolver as mesmas atitudes de base diante do mundo das relações entre sujeitos e diante do mundo das coisas. O segundo é o cenário da ação instrumental, enquanto o primeiro contempla a ação interpessoal, estratégica ou comunicacional. Habermas (1981) dixit.

Daí decorre outro ponto de interesse: a legitimação de diferentes abordagens terapêuticas de uma mesma realidade psicorrelacional. A complexidade torna o dogmatismo impossível; ou, melhor dizendo, o dogmatismo nasce da ignorância da complexidade. Nesse terreno, será provavelmente preciso ser mais pós-moderno do que os pós-modernos, que muitas vezes esquecem esse são preceito para ditar o que é correto e o que não é em terapia.

Permanecerá igualmente, com uma presença de crescimento irresistível, a importância da diversidade diante da homogeneidade. O lado bom da globalização será essa dificuldade crescente das purezas, apesar dos limpadores étnicos e de toda a laia dos simplificadores mais ou menos brutais. Em um mundo cada vez mais mestiço, barroco e variegado, a terapia familiar deverá adaptar-se cada vez mais às diferenças de gênero, de cultura, de geração, de classe social etc. Às diferenças, mas também às misturas, às combinações de ingredientes heterogêneos, às equações complexas.

Por fim, e não é menos importante por ser paradoxal, a terapia familiar deverá conservar alguns preciosos aportes técnicos do pós-modernismo.

Tomemos por exemplo as perguntas circulares que, primeiro descritas por Selvini (1980) e sua equipe milanesa antes de sua divisão e antes da virada construtivista de Boscolo e Cecchin, foram em seguida desenvolvidas de forma exaustiva por estes últimos e por outros autores como Tomm (1987). Trata-se de um precioso recurso técnico, que se adapta muito bem à natureza circular da relação e que pode enriquecer a conversação terapêutica somando-se a outras modalidades comunicacionais.

Se as perguntas circulares constituem um aporte técnico construtivista interessante, a externalização é outro recurso oriundo do socioconstrucionismo. Habituados a pedir aos pacientes a internalização de seus conflitos e de suas dificuldades, os terapeutas não haviam notado que, com frequência, o movimento em sentido contrário podia revelar-se uma manobra muito útil. White (1989) inventou a maneira de fazer com que os pacientes coloquem seus problemas do lado de fora, estimulando-os assim a lutar melhor contra eles. Um terapeuta relacional, consciente de que as narrativas dos pacientes são parasitadas por poderosos relatos vindos de outros lugares e de que, por sua vez, eles também podem parasitar com seus relatos as narrativas alheias, enriquecerá notavelmente sua prática se aprender a trabalhar com a internalização e com a externalização, configurando entre as duas um dos eixos ao longo dos quais pode desenrolar-se a dança terapêutica.

Para lembrar

Quatro conquistas do pós-modernismo que o que vier depois deverá reinterpretar sem poder ignorá-las: a colocação em questão do objetivismo ingênuo e do perito sem falhas; a legitimação de várias abordagens de uma mesma realidade psicorrelacional; a primazia da diversidade sobre a homogeneidade; e ferramentas preciosas como as perguntas circulares e a externalização.

E quais poderão ser os aportes que se poderão esperar de uma futura etapa da terapia familiar, superando dialeticamente o pós-modernismo?

Indivíduo e família

Antes de tudo, a integração do indivíduo no modelo sistêmico é uma questão não resolvida, que permanecerá em suspenso enquanto não se tiver elaborado uma teoria relacional do self. Os alegatos de Gergen (1991), que negam a existência do eu em proveito de um vago equivalente social, não são de modo algum suficientes.

É claro que um self relacional não pode ser compreendido como uma instância maciça e inamovível, dotada de qualidades per se, mas como um reflexo individual de um ambiente sistêmico que não cessa de produzir histórias encadeadas, do nascimento à morte.

O conceito de narrativa mostra-se útil para designar esse conjunto de histórias nas quais o indivíduo descreve a si mesmo e descreve tudo o que lhe acontece, conferindo-lhes uma coerência ao mesmo tempo cultural e pessoal. Mas a narrativa se tornaria uma noção dormitiva, boa para justificar qualquer argumento, se lhe faltasse estrutura, isto é, se as histórias nela se dissolvessem, despojadas de certa hierarquia. A experiência, em sua infinita complexidade, confere sentido à narrativa individual, e o eixo em torno do qual se articula esse sentido é a nutrição relacional, algo como a história de amor vivida. Maturana (1996) diz que somos animais amorosos e que a interferência do amor nos adoece. Poderíamos acrescentar que nossa história de amor lança nossa narrativa por vias sadias ou doentes. E o faz, entre outros mecanismos possíveis, engendrando uma identidade determinada.

Por que algumas situações mudam facilmente e outras não? Como compreender os diversos graus de gravidade e a tendência à cronificação de certos transtornos mentais? A resistência à mudança não pode explicar-se apenas pela inexperiência dos terapeutas, como tantas vezes afirmaram algumas das vozes sistêmicas mais prestigiosas. Há sem dúvida fatores biológicos que influem, sobretudo na psicose e em outros transtornos graves, mas nada prova que sua influência seja exclusiva. A complexidade obriga a considerar também aspectos relacionais, e é aí que a identidade pode tornar-se uma referência útil: uma identidade que não é um bem absoluto, mas uma infraestrutura necessária, construída com elementos como o reconhecimento, a valorização e a ternura, que são ingredientes do amor. Um excesso de identidade pode revelar-se uma pesada carga e um sério obstáculo à mudança.

A identidade pode ser compreendida como aquela parte da narrativa na qual um sujeito se reconhece, a ponto de dificilmente aceitar qualquer negociação a esse respeito. É na relação entre a identidade e o conjunto da narrativa, do qual ela faz parte, que se joga a saúde mental desse ponto de vista individual. Uma identidade equilibrada, nem raquítica nem hipertrofiada, que sirva de ancoragem a construções narrativas variadas e flexíveis, é a melhor garantia contra a psicopatologia. E esse equilíbrio só pode sustentar-se em uma rica história de amor, isto é, em uma nutrição relacional securizante, reconhecedora e valorizadora, cheia de ternura e veículo de uma sociabilidade adequada.

O conceito de narrativa é, portanto, útil para ligar o self ao mundo relacional, mas ganha em ser articulado ao conceito de identidade, que dele emana até dele se diferenciar substancialmente.

Por outro lado, se as famílias são sistemas compostos de indivíduos dotados de uma narrativa e de uma identidade (Linares, 1996), como podem tais atributos individuais encaixar-se em um nível lógico diferente, o da família?

Não há lugar para o dogmatismo diante de um problema como este, presidido pela incerteza. Não somente cada autor, mas cada terapeuta tem fundamento para desenvolver sua própria teoria e, de fato, o faz. Na perspectiva que se tenta expor aqui, as narrativas individuais dos membros de uma família (ou de qualquer outro sistema relacional: o argumento vale também para os sócios de um clube de futebol) convergem em um espaço comum, que é a mitologia familiar. Trata-se de um espaço povoado de histórias consensuais, os mitos, no qual, diferentemente do que se passa com as narrativas, a identidade dificilmente se inscreve. Não faz sentido, portanto, falar de identidade familiar, assim como não faz sentido representar a família como um organismo capaz de pensar, de sentir ou de agir. Essas são funções próprias do indivíduo, que jamais podem ser exercidas por um sistema relacional, por mais elevado que seja o consenso alcançado por seus mitos. De fato, o conceito de identidade coletiva (familiar, associativa ou nacional) é em si mesmo um mito que pode tornar-se perigoso (Maalouf, 1998), como mostra a história dos nacionalismos políticos, mas que se desmonta com relativa facilidade: um sistema pode mudar de mitologia e continuar sendo ele mesmo.

Mas, ainda que não pensem, não sintam nem ajam, as famílias participam, tal como os indivíduos, dos universos cognitivo, emocional e pragmático. As mitologias familiares têm um componente cognitivo, os valores e as crenças; um componente pragmático, os rituais; e um componente afetivo, o clima emocional no qual tudo isso se produz. Mitos complexos, portanto, produtos do consenso narrativo e relativamente isentos de carga identitária. Eis um dos espaços familiares nos quais se encaixam os “selfs” individuais. O outro é a organização.

Se a mitologia, como espaço de diálogo narrativo, representa o antigo domínio de interesse do comunicacionalismo, a organização não esconde sua condição de cepa estrutural. As duas grandes raízes da terapia familiar participam assim da ancoragem conceitual do indivíduo na família.

A mitologia

Espaço de diálogo narrativo onde convergem as narrativas individuais: valores e crenças, rituais, clima emocional. Herança do comunicacionalismo.

A organização

Evolução das estruturas através do tempo: coesão e desligamento, hierarquia e limites, distância e proximidade, triangulação. Herança estrutural.

A organização equivale à evolução das estruturas através do tempo e é o que mais se assemelha à identidade de um sistema relacional; mas, resultando de uma confluência consensual de indivíduos, é bem mais flexível e negociável do que a identidade individual. Na organização encontram seu lugar, dotados de uma dimensão histórica, os conceitos estruturais clássicos, tais como coesão e desligamento, hierarquia e limites, distância e proximidade, triangulação etc.

Se o indivíduo é chamado a ocupar um lugar mais reconhecido na teoria sistêmica de amanhã, parece evidente que será preciso também recuperar alguns conceitos de cepa individual caídos recentemente em desuso, como a vontade, o dever e a responsabilidade. A vontade, que implica um movimento de afirmação do sujeito, viu-se suplantada pela motivação que, como assinala Marina (2000), parece apresentá-lo como constantemente submetido a forças e a pressões externas. Os direitos reinam, onipresentes, nos meios de comunicação, sufocando os deveres; e embora estes apontem em questões de grande alcance social, como os maus-tratos, o fazem, e Lipovetsky (1992) o evidencia, aplicados apenas aos pais. Como se os deveres das crianças de hoje não fossem os dos pais de amanhã! A responsabilidade, enfim, que permite superar a tensão, outrora encarnada pela polêmica entre Bateson e Haley, entre poder e circularidade. O poder engendra o controle, condenado ao fracasso se não se inscrever em uma realidade relacional de complexidade superior. Poder-se-ia mesmo sustentar que o controle autêntico não existe, e que o poder é, portanto, um conceito dormitivo. Mas a circularidade pura se dissolve em uma quimera de igualitarismo. A responsabilidade é o terceiro elo da sequência que começa pelo exercício da vontade e passa pela aceitação do cumprimento dos deveres.

E falar do indivíduo conduzirá a uma reflexão sobre as emoções, outra lacuna histórica do modelo sistêmico que deverá ser preenchida. Pesa sobre elas a interdição de Bateson (1973), que as desprezava como conceito dormitivo; elas atravessaram o período de apogeu pós-moderno da terapia familiar sem sair de sua posição periférica, quase clandestina. É verdade que o construcionismo social ocupou-se das emoções, mas mais a partir do campo da psicologia social (Harré, 1986) do que a partir da psicoterapia. O risco de um discurso sociologizante sobre as emoções é que surja uma nova nuance dormitiva (por exemplo, a alegria dos latinos ou a irascibilidade dos árabes) que viria somar-se à visão dormitiva biológica, que faz delas uma espécie de força cega da bioquímica cerebral.

Em compensação, enquanto fenômenos psicorrelacionais, as emoções ocupam um espaço central em toda atividade psicoterapêutica.

Parece razoável considerar o amor como ocupando o núcleo central do universo relacional humano. Outras orientações das ciências humanas atribuíram essa posição à agressividade, mas a antropologia traz dados que permitem considerar o amor como o elemento definidor da condição humana. Há cerca de seis milhões de anos, nossos ancestrais hominídeos teriam descoberto o prazer do jogo em grupo, ao mesmo tempo em que a sexualidade feminina se teria estendido para além dos estreitos limites do cio. Assim teria nascido o amor e, com ele, uma imensa capacidade de engendrar novos estados de alma e de favorecer novas atitudes reflexivas a partir da experiência. A linguagem seria a consequência natural de mudanças que Langaney e cols. (1998) associam à “mais bela história da humanidade”: o desenvolvimento, durante o paleolítico, de uma espécie humana capaz de amar e de falar.

O amor, que nos define como seres humanos, ocupa o núcleo central do universo emocional. E não só isso. Que os defensores da linguagem como criadora última de realidades não esqueçam que o amor, assentado no jogo e no sexo (e no sexo como jogo), é a base relacional sobre a qual ela se sustenta. Um amor complexo, é claro, que, desde seu núcleo emocional, incorpora importantes elementos cognitivos e pragmáticos e que, por consequência, para além do sentir, permite perceber, pensar e comportar-se amorosamente. Fenômenos como o reconhecimento e a valorização, a expressão da ternura e do afeto, a socialização dos filhos ou a sexualidade nas relações de casal fazem parte do espectro amoroso.

Se os maus-tratos, em qualquer de suas modalidades psicológicas e físicas, equivalem ao desamor, uns e outro constituem o fundamento da psicopatologia: a interferência do amor em toda a sua complexidade.

E enquanto se assiste a um reconhecimento progressivo da importância das emoções no nível individual e familiar, é previsível que os terapeutas familiares confirmem a tendência a recuperar as suas próprias do canto de “neutralidade benevolente” para o qual Freud as havia relegado. Muito caminho foi percorrido, pois os sistêmicos utilizaram a “inteligência emocional” antes que Goleman (1995) popularizasse o termo. Talvez o esforço principal pudesse dirigir-se à sua teorização, além de sua utilização, para que o discurso ganhe em solidez em benefício das estratégias e das técnicas terapêuticas.

Psicopatologia relacional

É previsível também que o futuro reserve um interesse renovado pelas causas dos fenômenos psicopatológicos.

Não que esse interesse tenha alguma vez deixado de existir, mas a ênfase colocada na circularidade do relacional muitas vezes o relegou à clandestinidade. E isso embora as causalidades linear e circular não sejam concorrentes, mas complementares, admitindo a geometria relacional as mais variadas combinações das duas. A “questão mecânica” será novamente pronunciada pelos sistêmicos, sem que o novo sentido concedido aos “porquês” obscureça aquele que, seguramente, continuarão a ter os “para quês”.

A consequência de tudo isso poderá bem ser que a preocupação com o diagnóstico aumente entre os terapeutas familiares. Não é apenas que apresentar-se diante do DSM-IV com as vagas noções de presenting problem, de disfuncionalidade e de sintoma torne as coisas muito difíceis no plano do diálogo entre modelos. É também que as categorias diagnósticas com as quais a imensa maioria dos profissionais da saúde mental organiza seu pensamento merecem outra coisa que não desenvoltura e desprezo. Merecem o imenso desafio de serem ativamente colocadas em questão a partir de uma perspectiva de complexidade. Merecem ser reduzidas à categoria de metáforas-guia (ou, talvez melhor, elevadas a essa condição) e despojadas de rigidezes anacrônicas. E merecem sobretudo uma reinterpretação radical em chave relacional. Tudo, menos continuar a incorrer em uma dupla epistemologia que, por um lado, deslegitima o diagnóstico e, por outro, reconhece quase envergonhadamente seu caráter inevitável.

As velhas entidades nosológicas da psiquiatria clássica foram tradicionalmente utilizadas como rótulos classificatórios. Isto é, para prosseguir com a terminologia de Bateson, como conceitos dormitivos: o paciente se angustia porque é neurótico, ou se agita porque é psicótico. Eis uma maneira de pensar – o pensamento nosológico – justa e definitivamente desacreditada. Mas os sistemas psicopatológicos recolhem outra tradição, a da sabedoria terapêutica que, navegando em meio a ideologias de todos os matizes, se acumulou ao longo de séculos de interação com o sofrimento humano.

Como não reconhecer que as grandes categorias diagnósticas apresentam concordâncias com certas constelações relacionais? As psicoses, ao lado de suas bases biológicas cada vez mais exploradas, parecem ligadas a fenômenos comunicacionais como a desconfirmação e a mistificação, veiculados por situações organizacionais como a triangulação, que implica pais que negam seu confronto simétrico, irmãos prestigiosos e membros pseudoparentais da família ampliada. E esse é apenas um exemplo, pois a lista poderia ser muito longa e, de fato, o diagnóstico ocupa cada vez mais a atenção dos autores sistêmicos. O campo aberto à pesquisa relacional sobre os transtornos psicopatológicos é imenso.

Tampouco parece insensato que o modelo sistêmico prossiga sua expansão por territórios não clínicos, estranhos à implantação tradicional dos serviços de saúde mental. Os espaços psicopedagógicos e psicojurídicos, as organizações de empresa e de serviços, as empresas familiares… todos podem beneficiar-se da análise e da intervenção sistêmicas mais do que atualmente o fazem. Mas onde é mais urgente que isso aconteça “antes que seja tarde demais” é nos serviços sociais e de proteção à infância, assim como naqueles que intervêm na violência doméstica. É de esperar que a presença sistêmica nesses espaços, já considerável, aumente e se consolide, trazendo uma visão terapêutica complexa que neutralize as abordagens simplificadoras. Não há dúvida de que o controle e a proteção são necessários diante dos maus-tratos; mas se não se inscreverem em uma abordagem terapêutica que integre as múltiplas dimensões relacionais implicadas, o problema não cessará de se agravar.

Terapia familiar ultramoderna

Depois de vinte anos instalados em plena pós-modernidade, os entusiasmos e os heroísmos epistemológicos do início converteram-se em um plácido conformismo. Tudo anuncia, portanto, que se aproxima uma nova virada, que sacudirá o campo sistêmico engendrando novas façanhas e suscitando novas adesões. E digo virada, em vez de “mudança de paradigma”, porque isso me parece um enquadre mais modesto, que não só não renuncia à história do pensamento humano, como nela se inscreve de bom grado.

Evidentemente, nem todo mundo subscreverá a mudança. Como acontece cada vez que uma transformação mais ou menos profunda abre caminho, alguns abraçam sua causa enquanto outros lhe resistem. A tradição sistêmica, no entanto, diferentemente do que se produziu em outros modelos psicoterapêuticos, quer que esses processos se resolvam em boa harmonia, sem que as diferentes sensibilidades se tornem cismas.

Um estado de opinião inovador está se formando e ninguém sabe ainda sob que denominação ele se desenvolverá, mas muitos de seus elementos definidores já inspiram numerosos terapeutas familiares mundo afora. As mudanças, com efeito, não se produzem bruscamente no campo do pensamento humano, e não seria de estranhar que a que hoje se anuncia levasse um longo tempo de transição.

Nessa perspectiva, poder-se-ia mesmo considerar que o declínio do pós-modernismo já começou com a passagem do construtivismo ao construcionismo social: o feminismo, que tão justamente criticou como reacionário um construtivismo relativista, sentiu-se muito mais à vontade sob o manto construcionista. Mas existem numerosas sensibilidades no interior deste, e algumas, as mais radicais, conservam um intenso espírito pós-moderno: nada tem consistência no indivíduo, tudo é pura construção social. De novo, portanto, a evanescência desresponsabilizadora.

Um filósofo, Marina (2000), descreve a disposição pós-moderna como uma utopia do espírito dotada de “(…) um sedutor ar de leveza, de jogo, de ausência de compromisso, de gosto pela incoerência, que nos parece a todos refrescante. Há um sentimento de provisório, de indeterminação e de superficialidade agradável que facilita o jogo rápido dos encontros e dos desencontros” (Crónicas de la Ultramodernidad, p. 58).

Nessa atmosfera desenvolta, em que a linguagem fornece o quadro geral de compreensão do mundo, o sujeito desaparece.

Marina propõe a recuperação de um sujeito forte, zeloso de sua autonomia psicológica e social. Um sujeito preocupado com fins e com projetos. Propõe também uma teoria da inteligência que não se limite a resolver problemas cognitivos, mas que enfrente aqueles que “… afetam nossa vida, implicam esperanças, medos, amores, ódios, toda a vasta flora do sentimento humano” (op. cit., p. 60). E afirma:

“Diante do paradigma moderno da inteligência como razão e do paradigma pós-moderno da inteligência como criatividade, nós, os ultramodernos, defendemos um paradigma ético da inteligência.”

José Antonio Marina, Crónicas de la Ultramodernidad, p. 61

E eis a palavra: ultramodernos. Ignoramos as razões do filósofo para propô-la, mas podemos imaginar um certo impulso provocador que não deixa de ter interesse.

Avancemos, pois, desde já a proposta de denominação de terapia familiar ultramoderna para aquilo que imaginamos como uma superação integradora do pós-modernismo.

A terapia familiar ultramoderna, tal como a vislumbramos a partir deste artigo, poderia continuar sendo criativa sem ser tão obcecada pela criatividade; não incorreria no relativismo linguístico sem, no entanto, retirar nada da importância da linguagem, e reconheceria mais amplamente o alcance da dimensão emocional do ser humano. A inteligência emocional, nessa perspectiva, não seria apenas um recurso para ter êxito na vida: estaria dotada de uma dimensão ética. Organizar uma família feliz seria, seguramente, uma marca de inteligência bem superior à que exige a resolução de equações diferenciais.

O sujeito ocuparia um espaço maior, tanto na reflexão teórica quanto na intervenção terapêutica e, por consequência, o diagnóstico também: ao ampliar sua dimensão relacional, integraria sem dificuldade as metáforas psicopatológicas tradicionais.

Enfim, superando inclinações históricas, a terapia familiar ultramoderna deixaria de pregar a revolução do “new way of thinking” e assumiria modestamente a necessidade de ampliar o entendimento com os outros modelos terapêuticos.

Alguém poderá dizer que nada do que se reivindica para o ultramodernismo é bem novo e, certamente, terá razão. Trata-se apenas de nuances, a maior parte das quais já está presente e operante no campo sistêmico, e que não fazem senão continuar a espiral infinita que é o fluxo do pensamento humano. Talvez seja aí, em última instância, a razão de ser da virada ultramoderna: uma modesta reivindicação de nuances.

Nota do original

(*) Este artigo é o desenvolvimento de uma conferência proferida em 4 de novembro de 2000 no simpósio do Instituto de la Familia A.C. (IFAC), em Puebla (México). Foi publicado em Family Process (vol. 40, n° 4, inverno de 2001) e em Perspectivas Sistémicas (n° 71, maio-junho de 2002).

Quem é Juan Luis Linares

Juan Luis Linares, M.D., Ph.D., é professor titular de psiquiatria na Universidade Autônoma de Barcelona. Dirige a Unidade de Psicoterapia e a Escola de Terapia Familiar do Hospital de la Santa Creu i Sant Pau de Barcelona, Espanha (C/ Padre Claret 167, 08025 Barcelona). Contato: eterapia@hsp.santpau.es.

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Este artigo é a tradução para o português de “¿Acaba la historia en el post-modernismo? Hacia una terapia familiar ultramoderna”, publicado pela Red Sistémica (primeira publicação: Family Process, vol. 40, n° 4, hiver 2001 ; repris dans Perspectivas Sistémicas, n° 71, mai-juin 2002). Traduzido e republicado com a autorização da revista.

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Como citar este artigo

Linares, J. L. (2022). A história acaba no pós-modernismo? Rumo a uma terapia familiar ultramoderna (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/articles/a-historia-acaba-no-pos-modernismo-rumo-a-uma-terapia-familiar-ultramoderna (Obra original publicada em 2001 em Family Process, vol. 40, n° 4, hiver 2001 ; repris dans Perspectivas Sistémicas, n° 71, mai-juin 2002; republicada em 2022 por Red Sistémica, https://redsistemica.ar/2022/06/29/acaba-la-historia-en-el-post-modernismo-hacia-una-terapia-familiar-ultramoderna/)

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