Journal of Solution Focused Practices · Pesquisa empírica
Seis mulheres de 22 a 32 anos, em Taipei, deixadas ou tendo deixado alguém há menos de um ano, ainda na dor ou na confusão. Oito sessões de duas horas, canções de amor para fazer subir o que dispara as lágrimas, uma lista das vantagens de ser solteira, uma pergunta do milagre encenada em conjunto, um desenho de si em três momentos. Wei-Su Hsu e colegas medem, antes, depois e um mês mais tarde, sete dimensões da resiliência após o rompimento. O que se move: o prazer, o flow, a esperança, o otimismo, o crescimento pessoal, tudo o que olha para o presente e o futuro. O que não se move: o perdão e a gratidão, tudo o que olha para o passado. As autoras dizem sem rodeios: é o esperado de uma abordagem que não trabalha o passado. Um pequeno estudo, sem grupo de controle, que diz exatamente o que pode e não pode dizer, e que descreve um protocolo de grupo reutilizável, sessão por sessão.
Tradução não oficial para o português. Este artigo é a tradução de The Effectiveness of Solution-Focused Group Counseling for Taiwanese Unmarried Females’ Post-Breakup Loss: A Pilot Study, de Wei-Su Hsu, Hsiang-Yun Chen e Hsuan-Jung Chen, publicado no Journal of Solution Focused Practices (2022), doi: 10.59874/001c.75001, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para o português e reformatado, com as sete tabelas apresentadas em fichas, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. Os números foram relidos na renderização das páginas. “Solution-focused group counseling” (SFGC) é traduzido por “aconselhamento de grupo focado nas soluções” (AGFS). Esta tradução não foi feita nem pelas autoras nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.
O rompimento de uma relação íntima é uma forma de perda. Além de significar o fim de uma relação íntima, um rompimento resulta também na perda das ligações sociais, do apoio emocional, da identidade de papel, das esperanças para o futuro e da identidade pessoal associados à relação (Hebert & Popadiuk, 2008). Robak e Weitzman (1995) constataram que as experiências de perda após rompimento dos jovens adultos se assemelhavam às que se seguem a uma perda por morte e eram notavelmente parecidas com as respostas de luto, como depressão, sofrimento, dor e outras emoções negativas. Robak e Weitzman (1998) descrevem essa forma de perda não reconhecida e difícil de articular como luto não autorizado, que pode não ser suficientemente tratado. O rompimento amoroso correlaciona-se positivamente com a raiva (Purwoko & Fitriyah, 2018) e com sintomas depressivos (Verhallen et al., 2019), o que interfere nas relações íntimas subsequentes ou na escolha do cônjuge no início da idade adulta (Wu, 2001).
O impacto do rompimento de uma relação amorosa constitui frequentemente um desafio significativo ao modo de viver de uma pessoa e pode estar associado a sentimentos de confusão e incerteza quanto ao futuro. No entanto, nem todo rompimento resulta em luto e perda, e nem todos os rompimentos têm efeitos negativos ou traumáticos. Embora um rompimento possa resultar em múltiplas formas de perda e produzir estressores significativos, pode levar a pessoa a ter uma capacidade mais forte de lidar com o estresse e a adotar comportamentos de enfrentamento eficazes (Huang, 2003). Norona et al. (2018) destacaram especialmente as formas pelas quais as estratégias de regulação emocional ajudam os adultos emergentes a lidar com estressores relacionais como os rompimentos. Além disso, as pessoas que conseguem construir sentido num rompimento e encontrar explicações para a sua dor podem transformar o rompimento em oportunidades de mudança (Huang; Neimeyer, 2001). As pessoas também podem alcançar crescimento pessoal pelo processo de recuperação, por exemplo refletindo de modo significativo sobre traços pessoais e sobre as suas relações íntimas, e obtendo desenvolvimento positivo pelo apoio social (Tashiro & Frazier, 2003).
Com base no trabalho de Seligman (2002) em psicologia positiva, as emoções positivas podem ajudar as pessoas a estabelecer recursos pessoais duradouros, incluindo recursos físicos, intelectuais, sociais e psicológicos. As emoções positivas também ampliam a flexibilidade da cognição e da ação, estimulando a abertura das pessoas a novas informações e à experimentação, o que leva a mudanças construtivas (Kim & Franklin, 2015). Seligman distinguiu as emoções positivas orientadas para o passado, o presente e o futuro. O perdão e a gratidão podem ajudar a pessoa a sentir satisfação e outras emoções positivas em relação ao passado; o prazer, uma emoção relativamente fácil de alcançar, e o flow, que pode trazer satisfação duradoura, são meios de evocar emoções positivas no presente; enquanto as emoções positivas de otimismo e esperança podem incutir fé e confiança diante dos desafios futuros (Chen, 2010; Seligman).
A terapia breve focada nas soluções (TBFS) foi amplamente implementada na forma de aconselhamento individual, aconselhamento de grupo, coaching e supervisão, e foi adaptada com sucesso a uma gama de problemas, populações-alvo e contextos clínicos (Bavelas et al., 2013; Franklin et al., 2012; Hsu et al., 2017; Martenstyn & Grant, 2021). A pesquisa baseada em evidências da TBFS indica que o modelo é altamente eficaz em prazos curtos (Kim et al., 2019). Devido à sua alta eficiência e à sua ampla gama de aplicações, resultados recentes de pesquisas no Leste Asiático, incluindo Taiwan, constataram que a TBFS se adapta facilmente a diversos contextos culturais e resulta em bons desfechos de aconselhamento para os clientes (Chen et al., 2018; Gong & Hsu, 2017; Kim et al., 2015). Segundo Kim e Franklin, no processo de construção de soluções (com os componentes de objetivo autodeterminado, visão da mudança futura, compromisso com a mudança, pequenos passos rumo à mudança, percepção das melhorias e maior senso de resiliência para sustentar a mudança), os valores e as técnicas profissionais da TBFS podem levar a ciclos de mudança que se reforçam mutuamente, incluindo mudanças comportamentais (como o cumprimento das tarefas de casa, a ampliação das opções de solução, a prática de novos comportamentos e a amplificação dos comportamentos que funcionam), mais emoções positivas (como esperança, felicidade, alegria, gratidão, orgulho e interesse) e melhoria do repertório pensamento-ação (como maior abertura a novas ideias e comportamentos, maior senso de competência e reversão de pensamentos e emoções negativos). Uma força da TBFS pode estar no papel central que atribui à descoberta de novas possibilidades na vida. Para os clientes que sabem transformar crises em oportunidades, as mudanças pessoais suscitadas pelas perdas são frequentemente mudanças profundas e relativamente permanentes na forma de pensar (Hsu, 2014).
Ao abordar questões de perda, a abordagem focada nas soluções vê a terapia não apenas como um simples processo de contar histórias ou de dar explicações ao cliente, mas como um esforço colaborativo que envolve narração, escuta ativa e ajuda para explorar partes desconhecidas, a fim de guiar os clientes na construção de narrativas terapêuticas com o objetivo de produzir significados positivos, novas realidades e novas narrativas (Simon, 2010). Além de sinalizar que os clientes esperam obter mais da vida, as emoções também podem ajudar a revelar o que os clientes querem (Hsu, 2014). Os objetivos do cliente devem servir de bússola ao processo terapêutico, e o trabalho colaborativo deve avançar segundo o método e o ritmo desejados pelo cliente, sem lhe impor um quadro predeterminado ou uma teoria da perda (De Jong & Berg, 2012; Hsu). Na TBFS, entende-se que as pessoas podem atravessar simultaneamente os processos de luto e de cura. A ênfase recai, portanto, sobre o cuidado de si em tempos de perda e sobre o enquadramento das recaídas como partes esperadas da aprendizagem de novas experiências. A TBFS trabalha a percepção do cliente, deslocando-a para incluir novas interações entre as suas emoções, a sua cognição e as suas ações nos contextos sociais. As respostas transformadoras à perda são ativamente encorajadas e, com percepções transformadas, os clientes podem vir a compreender que o futuro ainda oferece potencial de ajuste, e que o verdadeiro problema não é a perda em si, mas como enfrentar a vida após a perda com outras perspectivas e ações (de Shazer & Miller, 2000; Simon). Huang (2012) constatou que as perdas são frequentemente reenquadradas como oportunidades de mudança. No seu estudo, o efeito positivo da TBFS no crescimento de clientes que lidavam com um rompimento os ajudou a enfrentar a frustração e a dor do fim das suas relações. Os clientes da TBFS fortaleceram a sua capacidade de reorganizar as suas experiências ao desenvolver novas formas, mais estáveis, de autoconsciência.
Como todas as abordagens focadas nas soluções, o aconselhamento de grupo focado nas soluções (AGFS) enfatiza as mudanças e as possibilidades dos membros. O AGFS usa as mesmas ferramentas da TBFS, mas as aplica ao contexto do grupo (Cooley, 2009; Sharry, 2007). Além de integrar o espírito da abordagem focada nas soluções, outras características essenciais do AGFS são: (a) o estabelecimento rápido da coesão do grupo e a facilitação ativa da interação entre os membros, de modo que o líder não domine as conversas, (b) os membros aprendem melhor uns com os outros e desenvolvem soluções por si mesmos, sobretudo quando têm problemas, objetivos e experiências de vida relativamente homogêneos, e (c) a regra “trabalhar no que funciona” pode reduzir significativamente as lutas, os conflitos e a ansiedade que os grupos tradicionais frequentemente encontram na etapa de transição (Hsu, 2003; Sharry, 2007). Quanto aos passos específicos do processo de AGFS, Pichot e Dolan (2003) propuseram um modelo de 13 passos que inclui fazer perguntas de introdução, explorar e identificar temas comuns, ligar os temas comuns aos temas de cada membro, pedir aos membros permissão para se concentrar num tema comum, fazer a pergunta do milagre, extrair o máximo de detalhes relativos à pergunta do milagre, escutar as exceções e os detalhes pertinentes, fazer perguntas de escala para avaliar o progresso dos membros rumo aos seus objetivos, ajudar os membros a descobrir o que fizeram para manter a sua situação atual, fazer perguntas relacionais, convidar os membros a se atribuírem tarefas de casa e dar feedback aos membros do grupo.
Nos últimos anos, o AGFS começou a ser aplicado em diversos contextos e com membros de origens variadas, e um número considerável de pesquisas apoia a sua eficácia (Smock et al., 2008), inclusive em Taiwan (Gong & Hsu, 2017). Quick e Gizzo (2007) investigaram a eficácia e os fatores promotores de mudança de um AGFS “fazer o que funciona”, com um total de 108 participantes. Constataram que os membros adquiriram um senso de controle significativamente maior sobre os seus problemas pessoais na última sessão, e que os participantes que frequentaram mais sessões experimentaram mudanças maiores. Esse estudo também sugeriu que quanto mais específico o foco, melhor. Além disso, Gray et al. (2000) e Whitehead et al. (2018) aplicaram a TBFS a grupos de luto e constataram que um programa focado nas soluções teve impacto positivo em jovens que sofriam uma perda, quanto ao seu senso de ligação aos outros, senso de domínio, competência social e emocional e pensamento otimista.
Embora exista um grande corpo de pesquisas sobre a eficácia do AGFS para uma ampla gama de populações e problemas, faltam pesquisas sobre a sua eficácia específica para questões ligadas ao rompimento. Assim, o objetivo deste estudo é investigar a eficácia do AGFS no ajuste após rompimento de mulheres adultas não casadas em Taiwan. As questões de pesquisa são:
Membros do grupo. As participantes foram recrutadas pela internet (Facebook, quadros de avisos eletrônicos, e-mail etc.). Devido à ampla faixa etária e ao tempo variado desde o rompimento das candidatas recrutadas, os critérios de seleção foram revisados para incluir mulheres taiwanesas não casadas que: (a) nunca haviam se casado e não estavam atualmente noivas nem namorando, (b) estavam no início da idade adulta (entre 20 e 35 anos), (c) haviam vivido o rompimento há menos de um ano, (d) achavam subjetivamente que ainda não haviam superado o impacto do rompimento e ainda sentiam dor ou confusão, mas queriam dar um salto e fazer algumas mudanças, e (e) se interessavam pelo tema da pesquisa, aceitavam participar de todas as sessões do AGFS, preencher as escalas exigidas e passar pelas entrevistas individuais, e aceitavam ser gravadas durante as entrevistas.
Este estudo convidou as candidatas elegíveis a um encontro individual para informá-las sobre o estudo. Durante esse encontro, o estado atual de cada candidata também foi avaliado. As candidatas foram pré-selecionadas para verificar se estavam prontas para entrar no grupo ou precisavam ser encaminhadas. Por exemplo, se estivessem em estado de alto risco, o aconselhamento individual era recomendado primeiro. Quatorze pessoas elegíveis se inscreveram inicialmente, das quais seis aceitaram participar e assinaram o termo de consentimento.
As seis participantes taiwanesas tinham 22, 23, 24, 25, 28 e 32 anos. Todas tinham pelo menos um diploma universitário de quatro anos. Três tinham emprego em tempo integral e três eram estudantes em tempo integral. Os seus rompimentos datavam de uma semana a seis meses. Apenas duas das participantes haviam tomado a iniciativa do rompimento. Quanto à duração da relação íntima antes do rompimento, uma foi de seis meses, uma de mais de dois anos, três de três anos e uma de dez anos.
Líderes do grupo. O grupo foi conduzido pela segunda autora deste artigo, que tem mais de dez anos de formação em TBFS. A colíder do grupo tinha formação básica em TBFS e rica experiência na condução de grupos.
Os ajustes do protocolo de grupo do AGFS deste estudo foram feitos com base num grupo piloto e nos retornos de três especialistas em TBFS. O protocolo final (apresentado na tabela 1) previa oito sessões de grupo de 120 minutos cada. Cada sessão se concentrava num tema ligado à técnica focada nas soluções. Como este grupo tratava de rompimentos e perda, depois de compreender os objetivos iniciais de participação dos membros, o grupo explorou primeiro os processos de enfrentamento dos membros após o rompimento. Em seguida, explorou os olhares positivos possíveis sobre o rompimento a fim de reforçar a sua energia, e refletiu os recursos e as forças individuais dos membros (sessões 1 a 3). Depois, o grupo discutiu a visão do futuro preferido de cada membro e, em seguida, um pequeno passo rumo a essa visão (sessões 4 e 5). Os membros eram convidados a compartilhar as suas pequenas mudanças no início de cada sessão, e encorajados a rever os seus progressos e a explorar como mantê-los após o grupo (sessões 6 a 8). Todas as sessões incluíam também uma pausa de 10 minutos, seguida do feedback dos membros e das líderes, com elogios e tarefas de casa após a pausa.
Tabela 1. Protocolo de grupo do AGFS deste estudo
1. Um encontro com a felicidade: formação do grupo. Convidar os membros a escolher um cartão colorido que represente uma qualidade pessoal positiva e depois se apresentar. Os membros compartilham a sua motivação para participar, e as líderes os guiam para articular as suas melhores esperanças de mudança ou os objetivos que desejam alcançar no grupo. As líderes exploram, confirmam e anotam os objetivos dos membros, e os encorajam a participar do processo segundo os seus próprios objetivos. Os membros recordam e compartilham o que mudou desde o rompimento, e a líder pergunta o que poderia ajudá-los a manter a esperança. O grupo discute as regras necessárias para um ambiente seguro. Pausa curta. Os membros se elogiam mutuamente e as líderes dão feedback a cada um. Tarefa: observar os acontecimentos que se espera que persistam.
2. O amor sempre brilha: estratégias de enfrentamento. Os membros compartilham as pequenas mudanças da semana e como as provocaram. Depois de ouvir canções de amor populares, compartilham as situações que disparam facilmente as suas emoções; a líder normaliza as reações negativas ligadas à desilusão amorosa. Exploração detalhada dos momentos de exceção em que o rompimento pesava menos. Os membros compartilham as estratégias e os recursos que ajudaram, e a líder resume as suas estratégias de enfrentamento. Pausa. Elogios mútuos e feedback. Tarefa: continuar a fazer o que foi útil para si.
3. Voltar-se para a felicidade: reenquadramento. Pequenas mudanças da semana. Cada membro escreve rapidamente as vantagens de ser solteira e depois compartilha as que viveu ou espera viver. Convite a reenquadrar a experiência do rompimento e a descobrir nela significados positivos, aprendizagens e qualidades pessoais. Pausa. Elogios e feedback. Tarefa: continuar a descobrir os significados positivos e as forças pessoais na experiência do rompimento.
4. Milagres que movem você: estabelecer objetivos. Pequenas mudanças da semana. Descrever um momento brilhante da semana e ligá-lo a uma força pessoal. A líder usa uma pergunta do milagre para ajudar os membros a imaginar o momento em que o rompimento já não os perturbaria. Os membros descrevem em detalhe como a sua vida seria diferente depois do milagre. Cada um escolhe uma nova ação a realizar depois do milagre e a encena com os outros. Compartilhamento e discussão da experiência. Pausa. Elogios e feedback. Tarefa: dar um pequeno passo que tornaria o milagre mais provável.
5. Jukebox de canções de amor, parte 1: meu primeiro pequeno passo. Pequenas mudanças da semana. Imaginar um símbolo que represente o milagre e compartilhar como usá-lo para se lembrar de pôr o milagre em prática no dia a dia. Desenhar uma curva dos altos e baixos emocionais do último mês; refletir sobre os estados emocionais, compartilhar como se atravessaram os baixos e o que ajudou. Com perguntas de escala, a líder convida os membros a situar a sua posição atual e a distância até o milagre, e depois a imaginar o próximo pequeno passo, em que difere da vida atual e do que precisam para dá-lo. Pausa. Elogios e feedback. Tarefa: tentar dar esse pequeno passo.
6. Jukebox de canções de amor, parte 2: persistir. Pequenas mudanças da semana. Imaginar e descrever um símbolo da sua força e dos seus progressos até aqui. Pergunta de escala para avaliar como a determinação de se ajustar ao rompimento evoluiu. Pergunta relacional sobre um outro importante que pode testemunhar as mudanças, apreciá-las, dar feedback sobre elas, e sobre o que essa pessoa notaria e como reagiria a outras mudanças. Pausa. Elogios e feedback. Tarefa: planejar e realizar uma ação que ajude a progredir um pouquinho.
7. Marcos rumo à felicidade: revisão dos progressos. Pequenas mudanças da semana. Desenhar-se em três momentos: durante o rompimento, na primeira sessão e agora. Compartilhar por vez os detalhes das suas mudanças em cada etapa e os métodos usados. Compartilhar as mudanças observadas nos outros membros ao longo das sessões. Pausa. Elogios e feedback. Tarefa: implementar e manter uma ação importante para a mudança positiva.
8. A felicidade não para: acolher o futuro. Pequenas mudanças da semana. Ouvir uma canção sobre o futuro. Compartilhar como manter as mudanças após o fim do grupo. Discutir os desafios possíveis após o grupo e como enfrentá-los. Fazer para si um cartão com o projeto de um futuro feliz, e compartilhar como será usado para lembrar o apoio e a ajuda do grupo. Os membros se desejam boa sorte. Pausa. Elogios e feedback. Fim do grupo.
Inventário de resiliência e crescimento pessoal. Baseado nos conceitos de emoções positivas de Seligman (2002), o Inventário de Resiliência e Crescimento Pessoal (RPGI), compilado por Chen (2010), reestruturou a escala de adaptação cognitiva à dissolução (CADS) e a escala de enfrentamento da dissolução (CDS). A CADS e a CDS foram desenvolvidas por Wang e Wang (2007) com 746 sujeitos, em estudos quantitativos de análise de itens, análise de estrutura e validade. A análise fatorial da CADS resultou em 34 itens em quatro subescalas, com coeficientes alfa de 0,70 a 0,90. A análise fatorial da CDS resultou em 115 itens em quinze subescalas, com coeficientes alfa de 0,78 a 0,93.
O RPGI avalia sete dimensões ao todo: (a) perdão: a capacidade de aceitar que a relação terminou e de fazer as pazes com ela, (b) gratidão: a capacidade de valorizar o que foi bom na relação e de se sentir satisfeita com os esforços do ex-parceiro, (c) prazer: a capacidade de restabelecer o seu modo de vida e de sentir felicidade e satisfação na vida atual, (d) flow: a capacidade de se concentrar no momento presente e de alcançar um senso relativamente duradouro de satisfação e realização, (e) otimismo: a capacidade de atribuir o rompimento a fatores temporários e específicos e de validar o seu valor nas relações futuras, (f) esperança: a capacidade de ter uma atitude aberta em relação ao futuro e confiança nas relações futuras, e (g) crescimento pessoal: a capacidade de compreender melhor os parceiros e de gerir as relações íntimas.
A escala completa tem 42 itens, e cada subescala tem seis. As respostas são dadas numa escala Likert de seis pontos. Um escore mais alto numa subescala significa uma tendência positiva mais forte para essa dimensão. A consistência interna do RPGI foi avaliada com as respostas de 361 pessoas (136 homens e 225 mulheres) que haviam passado recentemente por um rompimento, com idades entre 19 e 33 anos. O alfa de Cronbach das subescalas variou de 0,77 a 0,89, indicando boa consistência interna. As sete dimensões foram obtidas após análise de itens e análise fatorial confirmatória. Pelos critérios de ajuste preliminares, o ajuste global do modelo e o ajuste da sua estrutura interna, o RPGI mostra boa validade de construto.
Os membros deste AGFS preencheram o RPGI uma semana antes do início do grupo, na semana seguinte ao seu término e quatro semanas após o término.
Autoavaliação da capacidade e da confiança de ajuste após o rompimento. Cada participante devia situar numa escala a sua confiança e a sua capacidade percebida de se ajustar ao rompimento, uma semana antes do início do grupo, na semana seguinte ao término e quatro semanas depois. Os membros escolhiam numa escala de 1 a 10 o número que melhor correspondia ao seu estado atual percebido, 1 indicando nenhuma capacidade ou confiança e 10 capacidade ou confiança completa.
Formulário de feedback. Após cada sessão, os membros preenchiam um formulário de feedback avaliando a sua percepção da sessão da semana. O formulário tinha três itens sobre o grau de engajamento, de satisfação e de utilidade da sessão do dia (por exemplo “Estive plenamente engajada na sessão de hoje”). As respostas eram dadas numa escala Likert de cinco pontos, 1 indicando “discordo totalmente” e 5 “concordo totalmente”.
Entrevista sobre a experiência global do grupo. Após o término do grupo, cada membro foi convidada a uma entrevista individual de uma hora. O objetivo das entrevistas era compreender a experiência global dos membros, os seus resultados pessoais e as suas impressões mais fortes do grupo.
Este estudo usou a análise estatística descritiva para apresentar os dados do formulário de feedback, incluindo as avaliações subjetivas das capacidades, da confiança, da resiliência e do crescimento pessoal dos membros.
Estatísticas não paramétricas foram usadas na análise. Devido ao tamanho da amostra, não se pressupõe que os dados provenham de modelos prescritos determinados por um pequeno número de parâmetros (Hollander et al., 2013). Especificamente, o teste dos postos sinalizados de Wilcoxon foi usado para avaliar as diferenças entre os escores de resiliência e crescimento pessoal dos membros no pré-teste, no pós-teste e no acompanhamento, a fim de avaliar a eficácia terapêutica imediata e de acompanhamento do AGFS (Laerd Statistics, 2022).
Os dados de entrevista foram analisados por codificação aberta, como sugere Kao (2008). Cada frase de cada entrevista foi decomposta nas menores unidades de sentido possíveis. Toda transformação de sentido, acontecimento ou perspectiva era marcada como uma nova seção e etiquetada. Por comparação e indução repetidas, essas seções etiquetadas foram agrupadas em subtemas. Por fim, foi feita a compilação dos dados entre as entrevistadas.
As estatísticas das respostas dos membros ao RPGI estão na tabela 2. Para os escores globais, as médias foram mais baixas no pré-teste e mais altas no pós-teste. Os escores no acompanhamento foram ligeiramente inferiores aos do pós-teste, mas ainda superiores aos do pré-teste. Usamos, portanto, o teste dos postos sinalizados de Wilcoxon para pares emparelhados a fim de avaliar a significância estatística dessas diferenças.
Tabela 2. Estatísticas descritivas dos escores do RPGI (N = 6 em cada momento)
Para cada subescala: pré-teste M (DP); pós-teste M (DP); acompanhamento M (DP).
Perdão: 26,50 (2,43); 29,00 (3,29); 27,67 (4,18). Gratidão: 26,50 (4,46); 28,00 (5,55); 25,50 (7,01). Prazer: 21,17 (2,99); 27,33 (5,09); 28,33 (4,41). Flow: 22,00 (2,83); 27,17 (5,56); 28,33 (4,68). Otimismo: 22,00 (1,55); 25,17 (6,01); 26,00 (5,06). Esperança: 23,33 (1,37); 27,17 (2,64); 25,67 (2,42). Crescimento pessoal: 24,17 (4,31); 26,33 (6,22); 26,50 (4,93). Escore global: 165,67 (10,56); 190,17 (29,43); 188,00 (27,52).
Quanto à eficácia imediata da intervenção AGFS no ajuste após rompimento, as comparações dos escores do RPGI dos membros no pré-teste e no pós-teste estão na tabela 3. Os escores globais dos membros diferiram significativamente entre pré-teste e pós-teste (z = −1,89, p = 0,047), assim como os escores das subescalas prazer (z = −2,21, p = 0,016), flow (z = −2,02, p = 0,031) e esperança (z = −2,23, p = 0,016), mas não os das subescalas perdão, gratidão, otimismo e crescimento pessoal.
Tabela 3. Teste dos postos sinalizados de Wilcoxon para o RPGI, pré-teste contra pós-teste
Para cada subescala: número de postos negativos (pós < pré) / positivos (pós > pré) / empates; posto médio dos negativos / dos positivos; escore Z; significância (unilateral).
Perdão: 2 / 4 / 0; 1,75 / 4,38; −1,48; 0,094. Gratidão: 2 / 3 / 1; 1,75 / 3,83; −1,08; 0,188. Prazer: 0 / 6 / 0; 0,00 / 3,50; −2,21; 0,016*. Flow: 0 / 5 / 1; 0,00 / 3,00; −2,02; 0,031*. Otimismo: 2 / 4 / 0; 2,25 / 4,13; −1,26; 0,125. Esperança: 0 / 6 / 0; 0,00 / 3,50; −2,23; 0,016*. Crescimento pessoal: 1 / 5 / 0; 3,50 / 3,50; −1,48; 0,094. Escore global: 1 / 5 / 0; 1,50 / 3,90; −1,89; 0,047*.
*p < 0,05.
Quanto à eficácia de acompanhamento da intervenção, a tabela 4 indica que os escores globais dos membros diferiram significativamente entre pré-teste e acompanhamento (z = −1,99, p = 0,031), assim como os escores das subescalas prazer (z = −2,02, p = 0,031), flow (z = −2,20, p = 0,016), otimismo (z = −2,21, p = 0,016), esperança (z = −1,89, p = 0,047) e crescimento pessoal (z = −2,03, p = 0,031). Nenhuma diferença significativa foi encontrada para as subescalas perdão e gratidão.
Tabela 4. Teste dos postos sinalizados de Wilcoxon para o RPGI, pré-teste contra acompanhamento
Mesma apresentação da tabela 3 (acompanhamento < pré / acompanhamento > pré / empates).
Perdão: 3 / 3 / 0; 2,67 / 4,33; −0,53; 0,344. Gratidão: 4 / 2 / 0; 3,38 / 3,75; −0,63; 0,297. Prazer: 0 / 5 / 1; 0,00 / 3,00; −2,02; 0,031*. Flow: 0 / 6 / 0; 0,00 / 3,50; −2,20; 0,016*. Otimismo: 0 / 6 / 0; 0,00 / 3,50; −2,21; 0,016*. Esperança: 1 / 5 / 0; 1,50 / 3,90; −1,89; 0,047*. Crescimento pessoal: 0 / 5 / 1; 0,00 / 3,00; −2,03; 0,031*. Escore global: 2 / 3 / 1; 1,00 / 4,00; −1,99; 0,031*.
*p < 0,05.
Quanto à diferença entre o fim do grupo e o acompanhamento de quatro semanas, o exame das tabelas 2 e 5 mostra que os escores dos membros na escala global e nas subescalas perdão, gratidão e esperança foram ligeiramente mais baixos no acompanhamento do que no pós-teste, mas essas diferenças não foram estatisticamente significativas. Nas subescalas prazer, flow, otimismo e crescimento pessoal, os escores no acompanhamento foram ligeiramente mais altos do que no pós-teste, mas essa diferença também não foi estatisticamente significativa.
Tabela 5. Teste dos postos sinalizados de Wilcoxon para o RPGI, pós-teste contra acompanhamento
Mesma apresentação (acompanhamento < pós / acompanhamento > pós / empates); Z baseado nos postos positivos (d) ou negativos (e).
Perdão: 4 / 1 / 1; 3,13 / 2,50; −1,36 (d); 0,125. Gratidão: 3 / 2 / 1; 4,00 / 1,50; −1,22 (d); 0,156. Prazer: 2 / 4 / 0; 3,50 / 3,50; −0,74 (e); 0,266. Flow: 1 / 4 / 1; 3,50 / 2,88; −1,08 (e); 0,188. Otimismo: 1 / 4 / 1; 4,50 / 2,63; −0,82 (e); 0,250. Esperança: 4 / 1 / 1; 3,50 / 1,00; −1,79 (d); 0,063. Crescimento pessoal: 3 / 2 / 1; 2,17 / 4,25; −0,27 (e); 0,438. Escores globais: 3 / 3 / 0; 3,67 / 3,33; −1,05 (d); 0,500.
*p < 0,05.
As mudanças das autoavaliações dos membros quanto à sua capacidade e confiança de se ajustar após o rompimento estão na tabela 6. As respostas foram medidas numa escala Likert de 10 pontos.
Tabela 6. Estatísticas descritivas da capacidade e da confiança de ajuste após o rompimento, nos diferentes momentos (N = 6)
Capacidade de ajuste: pré-teste 6,00 (2,53); pós-teste 7,58 (1,50); acompanhamento 7,87 (1,18). Confiança no ajuste: pré-teste 5,92 (2,46); pós-teste 7,25 (1,48); acompanhamento 8,00 (1,41).
No pré-teste, a autoavaliação média da capacidade de ajuste percebida foi de 6,00. Esses escores subiram para 7,58 e 7,87 no pós-teste e no acompanhamento. Resultados semelhantes foram encontrados para a confiança percebida dos membros na sua capacidade de se ajustar. Os escores médios no pré-teste foram de 5,92 e subiram para 7,25 e 8,00 no pós-teste e no acompanhamento. Os escores mais altos após o término do grupo sugerem que a participação no AGFS aumentou a capacidade e a confiança percebidas de se ajustar ao rompimento, e que estas permaneceram altas após o grupo.
A tabela 7 apresenta o número de presentes em cada uma das oito sessões, além das médias e desvios-padrão dos escores dos membros em cada um dos três itens de feedback. As respostas foram dadas numa escala Likert de cinco pontos.
Tabela 7. Estatísticas descritivas dos escores de feedback para cada sessão
Para cada sessão: presentes; engajamento M (DP); satisfação M (DP); utilidade M (DP).
1: 6; 4,17 (0,75); 4,33 (0,82); 4,33 (0,52). 2: 4; 4,00 (0,00); 4,25 (0,50); 4,00 (0,00). 3: 5; 4,40 (0,55); 4,40 (0,55); 4,40 (0,55). 4: 4; 4,75 (0,50); 4,75 (0,50); 4,00 (0,00). 5: 6; 4,17 (0,75); 4,00 (0,63); 4,00 (0,00). 6: 5; 3,80 (0,45); 4,40 (0,55); 4,00 (0,00). 7: 6; 4,33 (0,52); 4,33 (0,52); 4,00 (0,89). 8: 6; 4,33 (0,52); 4,83 (0,41); 4,50 (0,55).
Exceto na sexta sessão (M = 3,80), os escores médios de engajamento foram todos superiores a 4. Os escores médios de satisfação foram superiores a 4 em todas as sessões, e particularmente altos na quarta (M = 4,75) e na oitava (M = 4,83). Para a utilidade, os escores médios de todas as sessões também foram de pelo menos 4, e a oitava sessão teve escore médio de 4,5. Esses resultados indicam que os membros geralmente concordavam que a sessão do dia havia sido envolvente, satisfatória e útil.
A análise dos dados das entrevistas individuais conduzidas após o término do grupo mostrou que a percepção dos membros sobre os efeitos deste AGFS pode ser analisada em três fatores principais.
O primeiro fator foi a atmosfera calorosa, segura e confiável do grupo. Os membros foram tocados pelo calor do grupo, pelo apoio sincero dos outros membros e pela aceitação e capacidade de empatia das líderes. Os membros também relataram sentir-se à vontade no processo. Entre as razões: a ênfase do grupo na positividade e nos lados possíveis da vida que haviam sido ignorados, e a sua insistência num foco temático claro e em regras de grupo para dar feedback.
O segundo fator foi o apoio e a aprendizagem mútuos entre os membros e o sentimento compartilhado de universalidade. Compartilhar as questões ligadas ao rompimento e abordar as emoções associadas ajudou os membros a se sentirem confortados e menos sozinhos, reforçando a sua capacidade de aceitar as emoções. O diálogo e o compartilhamento no grupo ajudaram os membros a refletir e esclarecer as suas experiências relacionais, os seus sentimentos e os seus pensamentos sobre si mesmos e sobre todos os aspectos da sua vida. Além de conhecer novas amigas e ampliar a sua aprendizagem interpessoal, os membros também aprenderam com o encontro com as experiências e os métodos de enfrentamento das outras. Compreender os estados positivos e negativos das outras ajudou no próprio autoexame e as ajudou a sentir-se mais preparadas para o futuro. Os membros também sentiram que os traços positivos e as mudanças construtivas das outras tinham uma qualidade contagiosa. Para elas, esses fatores significavam que participar do grupo era uma oportunidade de estabelecer novas relações e de reexaminar o processo do rompimento. Receber feedback direto ajudou os membros a se validar e a ajustar os seus objetivos e formas de pensar anteriores.
O terceiro fator foram os efeitos benéficos do desenho do grupo e da participação nas atividades. Os membros ficaram impressionados com as atividades de compartilhar ou discutir as suas imagens do milagre, os elogios, as ações de enfrentamento, as tarefas de casa e a medição dos seus progressos em escala. Durante as atividades e tarefas, as perguntas condutoras das líderes e as discussões entre os membros foram muito encorajadoras, e validaram fortemente os seus próprios recursos, forças e capacidades de enfrentamento, incluindo a capacidade de aceitar que os altos e baixos emocionais são inevitáveis, de refletir sobre diferentes estratégias para lidar com o rompimento, de ver claramente as suas mudanças e a sua evolução nas diferentes etapas, e de obter lembretes e estratégias para manter e consolidar as mudanças. Todos esses benefícios do grupo facilitaram o aumento da autoeficácia e do senso de competência dos membros, reforçaram a sua capacidade de aprender a definir e ajustar objetivos e de esboçar um bom futuro, o que lhes devolveu um forte senso de poder, esperança e controle sobre a sua vida.
Embora o AGFS só tenha se reunido oito vezes, o grupo mostrou impacto positivo nos seus membros, tanto imediatamente quanto no acompanhamento posterior. As mulheres taiwanesas não casadas que participaram relataram melhores capacidades de ajuste e confiança superior às de antes do grupo. No conjunto, as participantes tiveram uma experiência muito positiva, em grande parte graças ao apoio interpessoal oferecido pelo grupo.
Diferenças significativas foram encontradas entre os escores médios do pré-teste e do pós-teste para o escore global do RPGI e as subescalas prazer, flow e esperança, indicando que esta intervenção AGFS demonstrou eficácia terapêutica imediata. A análise das diferenças entre pré-teste e acompanhamento encontrou diferenças significativas no escore global e nas subescalas prazer, flow, otimismo, esperança e crescimento pessoal, indicando eficácia terapêutica de acompanhamento. Nenhuma diferença significativa foi encontrada para as mudanças nas quatro semanas após o término do grupo, o que sugere que as oito sessões respondem pela maior parte da eficácia do grupo.
Os resultados deste estudo sugerem que as intervenções AGFS têm impacto limitado nas emoções positivas relativas ao passado (por exemplo perdão e gratidão), mas podem contribuir para um aumento significativo das emoções positivas orientadas para o presente (prazer e flow) e para o futuro (otimismo e esperança), tanto no pós-teste quanto no acompanhamento. Esses resultados são esperados, pois os princípios da TBFS em que se baseia o AGFS enfatizam o pensamento orientado para o presente e o futuro, e os objetivos desejados pelo cliente, e não o passado (Bavelas et al., 2013). Além disso, como afirmam Kim e Franklin (2015), a abordagem focada nas soluções ajudou os clientes a produzir emoções positivas e a provocar mudanças.
As atividades desta intervenção AGFS foram particularmente úteis para inspirar sentimentos positivos. Este plano de grupo estava ancorado na abordagem de construção de soluções e na convicção de que os próprios clientes possuem os poderes e os recursos necessários para criar uma vida melhor. Muitas atividades visavam, portanto, ajudar os membros a descobrir e ampliar as soluções que consideravam eficazes para enfrentar (sobretudo na primeira, segunda e quinta sessões), a concentrar-se nos objetivos concretos e nos pequenos passos possíveis na sua vida atual (quarta e sexta sessões), e a rever e encorajar os progressos (no início de cada sessão e sobretudo da quinta à oitava). Os conceitos e as estratégias de uma abordagem focada nas soluções podem produzir sentimentos de esperança (Reiter, 2010) e enfatizam o senso de esperança que pode surgir após a perda, e não o impacto da perda nos clientes. Além disso, o efeito do AGFS no otimismo e no empoderamento dos membros vinha de sentimentos razoáveis de poder e controle, que reforçam a esperança e as expectativas de mudança. Como sugerem Steinbrecher et al. (2021), a pergunta do milagre é uma pergunta orientada para o futuro que cocria um futuro preferido e traz esperança aos clientes que vivem perdas e traumas de vários tipos. A discussão da pergunta do milagre na quarta sessão e a atividade “acolher o futuro” da oitava foram ambas muito elogiadas pelas participantes como reforçando particularmente o seu senso de esperança.
Quanto aos progressos dos membros na recuperação e no crescimento após o rompimento, os membros compreendem melhor como se adaptar aos desafios presentes e futuros ao estabelecer objetivos, reforçar os seus recursos e forças pessoais, e explorar as exceções em que enfrentaram situações difíceis (Sharry, 2007). Com atividades como a mudança pré-sessão (primeira sessão), os elogios e as tarefas de casa (no fim de cada sessão), as exceções e o enfrentamento (segunda e quinta sessões), os membros adquiriram um senso de competência mais forte ao ver outras, em situações semelhantes, enfrentar dificuldades semelhantes. Essa camaradagem ajudou a externalizar os problemas e a fazer avançar a confiança e a capacidade dos membros de lidar com o rompimento. Os membros puderam ajustar continuamente os seus objetivos ao ouvir elogios, reforçar os comportamentos iniciais e experimentar novas perspectivas e ações. Como a eficácia dos grupos AGFS não vem da imposição de conhecimentos ou técnicas, quando os membros conseguem encontrar a sua força, o seu objetivo e o seu futuro preferido, podem continuamente engajar-se em cada momento da vida que desejam. Isso reflete também a ênfase da TBFS nos poderes próprios do cliente e a convicção de que a tarefa mais importante do grupo é ajudar os membros a iniciar o processo de mudança, o que os ajuda a compreender os métodos e meios de mudança mais apropriados para eles e a ter uma experiência pessoal direta de mudança.
Os resultados deste estudo fornecem evidências de que não é necessário, no trabalho de grupo, concentrar-se na exploração das experiências passadas de rompimento, o que corresponde à sugestão de Eads e Lee (2019) de que os benefícios de uma abordagem focada nas soluções não dependem de um foco no trauma passado. Este grupo AGFS não passou muito tempo nas questões não resolvidas dos membros, mas quando estas conseguiram encontrar pequenos tesouros preexistentes na sua vida, isso aumentou ainda mais a sua confiança em manter ou até melhorar a sua vida. Como mostrou a atividade de reenquadramento da terceira sessão, as respostas transformadoras dos clientes à perda podem ser facilitadas quando as informações diversas contidas nas suas respostas à perda são respeitadas e quando os líderes ajudam a explorar e conduzem os clientes a ver as coisas sob novos ângulos (Li, 2006). Mesmo que os membros não tivessem resolvido inteiramente a sua percepção do rompimento ao fim do grupo, relataram mais prazer e paixão na vida presente (isto é, podiam concentrar-se no que importa para elas agora e engajar-se plenamente na vida atual por meio de ações). Em outras palavras, a abordagem focada nas soluções ajuda as pessoas a transformar as emoções negativas adotando novas perspectivas e experimentando novos comportamentos (Kim & Franklin, 2015).
Embora a perda por rompimento possa afetar significativamente o respeito por si e o senso de valor (Kaczmarek & Backlund, 1991), este resultado reflete o princípio de que a ênfase do AGFS na exploração das forças e na validação pode aumentar o senso de valor dos membros, uma mudança que pode exigir a colocação em prática bem-sucedida das soluções desenvolvidas no grupo. Este resultado corresponde às constatações de Martenstyn e Grant (2021) de que as perguntas focadas nas soluções aumentam as expectativas de sucesso, a progressão percebida rumo ao objetivo e a autoeficácia. Grant e Gerrard (2020) também constataram que as perguntas focadas nas soluções são mais eficazes do que as perguntas focadas no problema para aumentar a autoeficácia e atenuar o impacto negativo das atitudes disfuncionais. Esse processo corresponde à convicção da TBFS de que a capacidade própria dos clientes de gerar significados eficazes a partir da sua experiência de perda é muito mais importante do que a aceitação da realidade da perda (Simon, 2010). Tashiro e Frazier (2003) constataram, de modo semelhante, que as pessoas podem relatar mudanças positivas após um rompimento, como sentir-se mais confiantes, independentes e fortes.
Neimeyer (2001) menciona que ajudar os clientes a criar mudanças e novos sentidos de identidade, e construir pontes entre as perdas do passado e as incógnitas do futuro, são partes importantes do processo de aconselhamento do luto. Neste estudo, as atividades de desenho da quinta e da sétima sessões ajudaram os membros a descobrir novos aspectos de si mesmos, e todo o processo do grupo os ajudou a dar feedback uns aos outros e a ver reflexos de si nos outros membros. O feedback dos outros estimulou o desenvolvimento de novas compreensões de si. Na terceira sessão, ao refletir sobre “quem sou eu?” durante a reestruturação dos seus quadros de significado pessoais, compreenderam que não é preciso depender inteiramente dos outros ou do mundo exterior para se curar de uma perda. As clientes podem decidir por si mesmas e construir novas identidades ao se reconhecerem, o que traz um sentimento de autoempoderamento, como enfatizaram De Jong e Berg (2012). Um tal processo de mudança se parece com o que Hebert e Popadiuk (2008) descrevem no seu “modelo teórico da mudança e do crescimento pessoal após rompimentos”: o processo pós-rompimento está centrado no tema do “eu”, e “fazer o eu avançar” é um aspecto-chave do processo de crescimento.
Esses resultados apoiam ainda mais a afirmação de que os processos de luto e de cura podem coexistir (Simon, 2010) e correspondem à ênfase das abordagens focadas nas soluções no cuidado de si dos clientes enquanto lidam com o problema (Hsu, 2014). Ao trabalhar em AGFS, os membros se viveram como pessoas em mudança, que não só possuem a capacidade e a vontade de reescrever a sua história de vida, mas que também moldam e remodelam, negociam e mudam as suas relações em curso. Esses resultados destacam o papel importante da criação de uma narrativa coerente após um rompimento amoroso nesses diálogos terapêuticos. Como afirmam Berg e Dolan (2001) e Kansky e Allen (2018), as dissoluções não conjugais dão aos adultos emergentes tempo para refletir sobre sucessos e fracassos das relações passadas, o que pode aumentar o potencial de aprender e crescer a partir das experiências relacionais anteriores e levar a relações amorosas futuras mais satisfatórias, estáveis e plenas.
Segundo os relatos dos membros sobre a sua experiência, integrar o espírito do AGFS no desenho e na condução de um grupo pode ser extremamente valioso para estabelecer um ambiente de grupo caloroso, seguro, confiante e apoiador. Quando os membros colaboram com outros na exploração e na construção de soluções, não só ajudam os outros a encontrar o seu potencial, como também aprendem com as soluções dos outros, e desenvolvem assim novos recursos pelas suas interações no grupo (Chang, 2006; Cooley, 2009; Lin, 2011). Este resultado sugere que o AGFS pode integrar diversos métodos e recursos para o enfrentamento positivo dos membros após um rompimento, o que os encoraja a encontrar as suas forças, gera um senso de valor ampliado e contribui para engajamento, satisfação e utilidade elevados.
Até o ato de aceitar participar do grupo deu aos membros mais força para lidar com o rompimento. Como sugerem Quick e Gizzo (2007), temas claros e específicos ajudam os membros a se sentirem mais preparados antes das sessões e a se engajarem com segurança no grupo. Os temas claros desta intervenção ajudaram os membros a compartilhar experiências semelhantes e a sentir empatia uns pelos outros. Cultivar um senso de camaradagem e ressonância fez as participantes se sentirem menos sozinhas e menos travadas. Esse ambiente encorajador corresponde aos fatores terapêuticos do AGFS que são o apoio do grupo (Sharry, 2007) e a universalidade.
Outro fator terapêutico essencial foi a aprendizagem interpessoal dos membros. A percepção que os membros tinham das histórias dos outros refletia as suas próprias experiências, daí um ganho de insight e de preparação para o futuro. Dar feedback positivo e eficaz aos outros também aumentou o seu senso de valor. Rosa e Riva (2021) enfatizaram a importância dos aspectos sociais e relacionais da psicoterapia de grupo no processo de recuperação, e participar do grupo foi para os membros uma oportunidade de fazer novas amigas nesse ambiente seguro de interação interpessoal. Esse novo apoio social lhes deu a oportunidade de experimentar novas formas de interagir e de se libertar dos seus padrões relacionais fixos. Os membros de um AGFS também recebem validação das líderes e dos outros membros à medida que mudam, o que reforça a sua determinação de mudar (Cooley, 2009; Lin, 2011). Além disso, os objetivos específicos e as áreas de progresso dos outros membros ao longo das discussões serviram de pontos de referência para ajustar os próprios objetivos e progressos.
Em suma, esses resultados validam a discussão de Quick e Gizzo (2007) sobre os efeitos do processo de grupo. Os fatores terapêuticos importantes para este grupo incluíram a aprendizagem em grupo, a ajuda aos outros (Sharry, 2007), a transmissão de informações, a aprendizagem interpessoal, o desenvolvimento de técnicas de socialização, o comportamento imitativo, a esperança dada e o altruísmo (Yalom, 1995).
Este estudo investigou a experiência de clientes ainda às voltas com a perda devida a um rompimento, e apoiou que as intervenções eficazes do AGFS envolvem um foco nos objetivos orientados para o futuro e o presente, nas forças, no enfrentamento, nos passos e nas ações. O estudo demonstrou que o AGFS pode ajudar os membros a recuperar um senso de satisfação e ordem na vida, contribuindo assim para a sua recuperação e o seu crescimento após o rompimento.
Por falta de participantes potenciais, não pudemos fixar limites estritos às características demográficas dos membros, e não pudemos, portanto, incluir dados mais diversos. Daí resultaram fragilidades inevitáveis nas características das participantes, incluindo grande variação na duração das relações terminadas, no estatuto de iniciadora, no grau de ajuste após o rompimento, nas oportunidades de interação contínua com o ex-parceiro e em outras características demográficas. Sugerimos, portanto, que as pesquisas futuras investiguem em profundidade a influência das variáveis de fundo dos membros no ajuste após o rompimento.
Além disso, sem grupo de controle, não pudemos excluir a possibilidade de que influências externas ao grupo de aconselhamento expliquem parte ou a totalidade das mudanças, daí limites à capacidade de explicar os efeitos encontrados. As pesquisas futuras podem conduzir simultaneamente dois grupos de orientações terapêuticas diferentes, ou usar um método com grupo experimental e grupo de controle, a fim de comparar a eficácia no ajuste dos membros aos rompimentos. Além disso, no recrutamento futuro, uma escala de triagem adequada pode ser usada.
Por fim, nenhuma eficácia terapêutica significativa foi encontrada para as subescalas perdão e gratidão do RPGI. As pesquisas e os desenhos de grupo AGFS futuros podem explorar mais as questões de perda ligadas ao rompimento, incluindo como aumentar ainda mais as emoções positivas e como usar o quadro da TBFS para desenvolver medidas das variáveis pertinentes. Por exemplo, a pesquisa futura sobre o AGFS pode buscar a melhor forma de produzir efeitos imediatos e duradouros correspondentes às emoções de prazer, flow e esperança, e tentar desenvolver métodos de condução em que os líderes utilizem o poder da linguagem de forma mais estruturada, por exemplo para transmitir mais claramente informações que ajudem os membros a perceber as intenções do líder.
Complexe Systémique: o que reter
Seis participantes, sem grupo de controle, testes não paramétricos: as autoras não pretendem nada além de um piloto, e o dizem. O que vale a visita está em outro lugar. Primeiro o protocolo, descrito sessão por sessão, reutilizável tal como está por quem conduz grupos após separação: canções de amor para identificar os gatilhos, vantagens de ser solteira, milagre encenado em grupo, curva dos altos e baixos, desenho de si em três momentos, cartão para o futuro. Depois um resultado honesto e esclarecedor: a abordagem move tudo o que olha para o presente e o futuro, e nada do que olha para o passado, perdão e gratidão. É coerente com o que ela é, e diz também o que deixa de lado. Para ler com as mesmas autoras sobre a supervisão em Taiwan, com a perda ambígua e os rituais, para outra teoria da perda, e com a história do casal Rodriguez, em que o fim de um amor é contado do lado da terapia.
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Contatos
Wei-Su Hsu: weisuhsu@ntnu.edu.tw · Hsiang-Yun Chen: anneluckies@gmail.com · Hsuan-Jung Chen: dj9xk@hotmail.com
Tradução não oficial para o português de The Effectiveness of Solution-Focused Group Counseling for Taiwanese Unmarried Females’ Post-Breakup Loss: A Pilot Study, de Wei-Su Hsu, Hsiang-Yun Chen e Hsuan-Jung Chen, publicado no Journal of Solution Focused Practices, vol. 6, n.º 1 (2022), artigo 6, p. 52-69, doi: 10.59874/001c.75001, sob licença CC BY 4.0. Tradução e diagramação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença, com as tabelas em fichas. Nem as autoras nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.
Tradução não oficial para o português de “The Effectiveness of Solution-Focused Group Counseling for Taiwanese Unmarried Females’ Post-Breakup Loss: A Pilot Study”, publicado em Journal of Solution Focused Practices (2022) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.
Ler o artigo originalComo citar este artigo
Hsu, W.-S., Chen, H.-Y., & Chen, H.-J. (2022). A eficácia do aconselhamento de grupo focado nas soluções após um rompimento amoroso em mulheres taiwanesas não casadas: um estudo piloto (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/a-eficacia-do-aconselhamento-de-grupo-focado-nas-solucoes-apos-um-rompimento-amoroso-em-mulheres-taiwanesas-nao-casadas (Obra original publicada em 2022 em Journal of Solution Focused Practices, vol. 6, n° 1 (2022), article 6, p. 52-69; republicada em 2022 por Journal of Solution Focused Practices, https://journalsfp.org/article/75001)
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