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Family Relations · Família
Quando pais e adolescentes discordam, nem tudo está na intensidade do conflito: o que acontece é uma sequência de microgestos, justificar, desviar, minimizar, encerrar. Filmando 23 díades canadenses antes e depois da entrada no ensino médio, a equipe de Daniel Ji mapeia esses movimentos e observa que o estado ao qual as trocas voltam muda com a transição.
Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de A resistência diádica nas interações entre pais e adolescentes: uma análise por grades de espaço de estados antes e depois da entrada no ensino médio, de Daniel Ji, Frances Cabahug e Sheila K. Marshall, publicado na Family Relations (Wiley) (2026), doi: 10.1111/fare.70137, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. A tabela é apresentada em forma de lista; a figura é reproduzida na versão original em inglês, com legenda traduzida. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.
Não afirmamos qual lado do contínuo deveria ser incentivado nas díades de pais e adolescentes; apenas observamos variações de “espaços” de abertura e fechamento ao ver a resistência se desenrolar em suas interações.
Daniel Ji, Frances Cabahug e Sheila K. Marshall
Resumo
Objetivo. Este estudo examinou as dinâmicas de resistência de nível micro que ocorrem nas interações entre pais e adolescentes antes e depois da entrada no ensino médio.
Contexto. Embora a pesquisa sobre desentendimentos entre pais e adolescentes tenha privilegiado medidas globais de frequência e intensidade, deu-se menos atenção às ações de resistência durante as interações entre pais e adolescentes. Este estudo preenche uma lacuna no conhecimento sobre as dinâmicas de resistência entre pais e adolescentes.
Método. Uma abordagem por grades de espaço de estados, informada pelas teorias dos sistemas dinâmicos e do conflito familiar, foi aplicada a duas conversas gravadas em vídeo de uma amostra de 26 díades canadenses de pais e adolescentes. Análises de flexibilidade, de atratores e de distância entre grades avaliaram a variabilidade intradiádica na forma como pais e adolescentes resistiam uns aos outros, momento a momento.
Resultados. A análise de atratores revelou que o estado mais provável durante as sequências de resistência mudou: antes do ensino médio era a célula Mãe ou pai justifica – Adolescente justifica; depois, a célula Mãe ou pai minimiza – Adolescente rejeita. Os testes t dos escores de distância entre grades mostraram uma diferença significativa no posicionamento das sequências de resistência depois da entrada no ensino médio.
Conclusão. Os resultados oferecem evidências de que a resistência diádica difere antes e depois de transições familiares importantes, como a passagem para o ensino médio.
Implicações. Pesquisas futuras sobre microprocessos de resistência diádica poderiam examinar se as categorias conceituais propostas podem ser aplicadas a díades com múltiplas diferenças, a fim de avaliar sua utilidade para uma variedade de relações culturais e de cuidado.
Embora um volume significativo de pesquisas sobre adolescentes sugira que interações difíceis podem contribuir para desfechos negativos para pais e adolescentes (LoBraico et al., 2020; Thomas et al., 2019; Weymouth et al., 2016), a resistência tem se mostrado um sinal de manifestações saudáveis e normais do crescimento na adolescência (Parkin e Kuczynski, 2012; Van Petegem et al., 2015; Vansteenkiste et al., 2014). Os desentendimentos entre pais e adolescentes costumam girar em torno dos aborrecimentos corriqueiros da vida cotidiana (Hill, 1988) e podem envolver dinâmicas comportamentais complexas, à medida que pais e adolescentes expressam suas diferenças e lidam com elas juntos. As abordagens teóricas do conflito entre pais e adolescentes variaram em suas tradições e na ênfase que dão a diferentes aspectos do conflito. Enquanto as abordagens psicanalíticas do conflito se concentraram na individuação e na maturação puberal (Blos, 1962; Freud, 1958), as teorias dos sistemas familiares (LoBraico et al., 2020) e dos sistemas dinâmicos (Lougheed, 2019) se voltam para os processos emocionais momento a momento durante os conflitos entre adolescentes e pais. Apesar das numerosas abordagens teóricas do conflito entre pais e adolescentes, as medidas do que acontece quando pais e adolescentes discordam não captaram as ações de resistência das partes envolvidas nas disputas. O foco deste artigo são as ações relacionadas à resistência durante as interações entre pais e adolescentes.
A revisão sistemática de Marshall et al. (2023) indicou que o uso de medidas de conflito tem se concentrado de forma desigual na frequência e na intensidade do afeto negativo durante as divergências, o que justifica uma investigação mais ampla das ações envolvidas nas interações entre pais e adolescentes. A pesquisa sobre as emoções durante os conflitos entre pais e adolescentes fez parte de um movimento de afastamento das medidas globais de frequência e intensidade em favor da observação e do registro dos processos momento a momento. As teorias dos sistemas dinâmicos reconhecem que os padrões de interação podem ser identificados como mais ou menos variáveis (Branje, 2008). Embora essas abordagens do conflito entre pais e adolescentes tenham investigado a variabilidade emocional como mecanismo de mudança na relação entre pais e adolescentes, outras abordagens das dinâmicas de interação de nível micro se concentraram nas ações envolvidas quando pais e adolescentes discordam.
Como argumentam Saarni et al. (2006), as aplicações dos princípios dos sistemas dinâmicos ao desenvolvimento emocional não são específicas da emoção, mas valem para qualquer ação em contexto. Sua abordagem funcionalista da emoção enfatiza o papel que as ações orientadas a objetivos desempenham na expressão de si. Central nessa abordagem é a ideia de que a comunicação das emoções como ações, e não apenas como respostas, pode ser investigada pelo modo como as respostas servem para mudar ou manter a relação entre a pessoa e o ambiente. Até onde sabemos, nenhum estudo tentou captar as dinâmicas de resistência ao longo do tempo durante as interações entre pais e adolescentes, nem investigou se a resistência se apresenta de forma diferente antes e depois de uma transição familiar significativa. O presente estudo preenche essa lacuna ao mapear as dinâmicas de resistência face a face durante as interações e testar se os padrões de resistência diferem antes e depois da entrada no ensino médio.
Assim como o conflito, a resistência nas interações entre pais e adolescentes tem uma estrutura dinâmica, de modo que é possível registrar, momento a momento, os processos pelos quais as díades expressam suas diferenças e lidam com elas juntas. Ji et al. (2025) observaram que, embora cada díade resistisse de maneira singular, foram identificados pontos em comum na forma como pais e adolescentes resistiam uns aos outros face a face. A observação de padrões de resistência expressa durante as interações entre pais e adolescentes sugere que pode ser possível captar a variabilidade, dentro das díades e entre elas, nas ações conjuntas de resistência, feitas de idas e vindas, em que pais e adolescentes se engajam juntos. Se essa variabilidade puder ser situada em um contínuo, talvez seja possível mapear a resistência durante as interações entre pais e adolescentes.
Investigar as dinâmicas da resistência entre pais e adolescentes exige a adoção de um quadro conceitual que vá além das medidas globais do comportamento individual (Grumi et al., 2022; Zhang et al., 2022). A díade pais-criança é vista há muito tempo como um sistema que não pode ser reduzido às suas partes (Maccoby, 1992). A teoria dos sistemas dinâmicos do desenvolvimento humano (Thelen e Smith, 1994) vê os sistemas como abertos, não lineares, multicausais e multifinais, mantendo estabilidade e coerência à medida que crescem em organização e complexidade (Smith e Thelen, 2003). Na perspectiva dos sistemas dinâmicos, o desenvolvimento humano é visto como a confluência de uma série de estados disponíveis dentro de oportunidades contextuais específicas (Thelen e Smith, 1994). Os padrões recíprocos de interação dentro de um sistema são tratados como produto de interações passadas, que emergem ao longo do desenvolvimento e restringem as formas como as pessoas em relação interagem (Fogel, 1993). Nessa perspectiva, uma díade pais-criança pode ser vista como um sistema auto-organizado, em que as ações de uma pessoa e as da outra se influenciam mutuamente (Granic, 2000).
As teorias dos sistemas dinâmicos do desenvolvimento humano foram usadas para estudar como as interações momento a momento se desenrolam no contexto das relações entre pais e bebês (Lewis et al., 1999). A pesquisa sobre o desenvolvimento infantil buscou compreender os mecanismos diádicos que permitem ao bebê crescer em complexidade mantendo estabilidade e identidade (Sander, 2002). Na perspectiva dos sistemas dinâmicos, o desenvolvimento ao longo do tempo pode ser visto como ocorrendo em três escalas hierárquicas aninhadas e relacionadas. A escala micro consiste nas interações momento a momento, em tempo real; a escala meso inclui processos situacionais de horas ou dias; e a escala macro abrange processos de semanas ou mais (Granic, 2000). Supõe-se que os processos de mudança familiar nos níveis micro e meso contribuam para mudanças sistêmicas mais amplas no nível macro (Pennings e Hollenstein, 2020). Central nas teorias dos sistemas dinâmicos é a ideia de que a coordenação e a regulação contínuas dos comportamentos das duas partes em interação são possíveis graças tanto a restrições quanto a graus de liberdade (Grumi et al., 2022). Essas teorias se interessam particularmente pelas transições entre estados, como sinal da capacidade de um sistema de se adaptar a uma multiplicidade de contextos.
A flexibilidade dinâmica se refere às mudanças momento a momento em um fenômeno de interesse (geralmente a emoção) dentro de um dado contexto (Hollenstein, 2015). Por exemplo, durante um conflito, a capacidade de entrar e sair de estados afetivos é considerada reflexo de uma regulação hábil e adaptativa (Hollenstein, 2015). Ela ocorreria pela interação de processos de retroalimentação positiva e negativa dentro de um sistema. Duas abordagens para demonstrar a flexibilidade dinâmica na pesquisa sobre o afeto foram examinar a inércia em tempo real e analisar índices de afeto diádico. A inércia se refere à tendência a persistir em certos estados e pode ocorrer quando uma díade não consegue passar de um estado (geralmente negativo) para outro, razão pela qual o conceito às vezes também é chamado de rigidez. Os índices de afeto diádico examinam a dispersão (quanto do espaço de estados é coberto), o número de transições e a duração média dos eventos (o tempo passado em uma mesma área). Por exemplo, se os comportamentos diádicos estiverem amplamente distribuídos pela grade de espaço de estados (GEE) durante uma situação de conflito, a dispersão provavelmente ficará mais próxima de 1 (variabilidade máxima); se a distribuição for limitada e todos os pontos estiverem concentrados em uma área, a dispersão ficará mais próxima de 0 (nenhuma variabilidade; Pennings e Hollenstein, 2020). Um sistema é considerado flexível quando tem uma propensão relativamente maior a entrar e sair de estados, e rígido quando essa tendência é relativamente menor. Idealmente, os sistemas serão flexíveis, com graus de liberdade suficientes para se adaptar às exigências do ambiente ou a contingências inesperadas, mas capazes de manter estabilidade suficiente para resistir a perturbações, de modo que as partes saibam o que esperar uma da outra. Com base no equilíbrio relativo entre graus de liberdade e restrições postulado pelas teorias dos sistemas dinâmicos, é possível observar os graus variáveis de flexibilidade dinâmica em sistemas como as díades pais-criança.
Não faltam oportunidades de ir além das medidas de intensidade e frequência do conflito para estudar os processos dinâmicos da resistência, de modo que nossa compreensão do que acontece quando as partes discordam possa ser mais matizada. As expressões de agência são orientadas a objetivos e específicas de cada díade, e podem levar as díades a percorrer uma série de estratégias ou, ao contrário, a cair na inércia ao longo das interações. Algumas expressões podem ser muito breves (por exemplo, uma ou duas palavras de desaprovação, uma insistência para obter aprovação, ou uma frase ou expressão que sinaliza o desejo de encerrar a conversa sobre um tema), outras muito longas (por exemplo, uma pausa prolongada ou uma longa explicação das próprias expectativas). Examinar a flexibilidade dinâmica da resistência pelo número de transições e pela duração média dos eventos pode permitir um exame mais próximo e detalhado de como é a resistência diádica, indo além das descrições autorrelatadas para o registro de observações. Um primeiro passo importante poderia ser examinar em que medida as díades percorrem uma série de padrões diádicos de comportamento ou ficam inertes, travadas, durante as interações e, se percorrem uma série de comportamentos, com que frequência passam de um tipo de estratégia para outro.
Lewis et al. (1999) desenvolveram o método das GEE como ferramenta para medir quantitativamente e depois mapear visualmente a estrutura dos processos dos sistemas dinâmicos nas interações entre pais e crianças, usando múltiplos índices de organização e flexibilidade no nível diádico de análise. Os estados são as ações momento a momento que ocorrem em tempo real entre duas pessoas, e o conjunto completo de todos os estados possíveis que a díade poderia ocupar é chamado de espaço de estados (que pode ser visualizado em uma grade bidimensional; Hollenstein, 2013). Dentro de um sistema assim, os padrões de interação bem estabelecidos tendem a resistir à mudança (von Bertalanffy, 1968), e os padrões em que um sistema permanece por longos períodos ou aos quais retorna repetidamente são chamados de “atratores” (Thelen e Smith, 2006). Os atratores se desenvolvem pela repetição e se supõe que estejam relacionados à qualidade das relações no nível macro (Pennings e Hollenstein, 2020). Estudos anteriores examinaram como mães e crianças transitam entre estados emocionais positivos e negativos (Granic e Lamey, 2002) e como as dinâmicas do conflito entre pais e adolescentes se relacionam com a depressão na adolescência (Zhang et al., 2022). Granic e Lamey (2002), por exemplo, aplicaram uma análise de sistemas dinâmicos para distinguir as interações entre pais e crianças com problemas externalizantes das interações com crianças que tinham problemas externalizantes e internalizantes comórbidos. O uso das GEE permitiu mostrar que, embora tanto as díades comórbidas quanto as externalizantes tendessem para a região permissiva do espaço de estados antes de uma perturbação, apenas as díades comórbidas se deslocavam para uma região de hostilidade mútua após a perturbação. Zhang et al. (2022) usaram o quadro dos sistemas dinâmicos para examinar a relação entre conflito entre pais e adolescentes e sintomas depressivos na adolescência. A equipe mediu a entropia de duração, a entropia de visitas e indicadores de conflito intenso entre pais e adolescentes para mostrar que mais comportamentos de conflito estão associados a níveis mais altos de sintomas depressivos quando o padrão de interação do conflito é mais previsível durante uma tarefa de negociação de conflito (Zhang et al., 2022). Os dois estudos ilustram o potencial de examinar padrões de interação dinâmicos e diádicos e desfechos importantes de bem-estar na adolescência.
A base para estudar a resistência nas interações entre pais e adolescentes vem da teoria do conflito familiar (Sprey, 1979; J. White et al., 2019). Essa teoria propõe que a própria estrutura das famílias traz uma tensão permanente entre as forças conjuntas e opostas da “autonomia e da união” (Sprey, 1979, p. 141), que precisa ser administrada para evitar que o conflito se agrave a níveis danosos (J. White et al., 2019) e para alcançar maior unidade (Simmel, 1904). A teoria do conflito familiar destaca que as interações podem ser entendidas como duas pessoas envolvidas em um processo de negociar autonomia e proximidade de formas que refletem uma história de comportamentos repetidos e padronizados. Da mesma forma, a resistência pode envolver pais e adolescentes expressando agência de forma dinâmica durante as interações, de acordo com a resistência atual e prevista vinda da outra parte (Ji et al., 2025). Assim, a resistência entre pais e adolescentes está inserida em um contexto relacional.
É importante compreender os processos de resistência nas interações entre pais e adolescentes porque se mostrou que a forma como as interações se desenrolam contribui para o desenvolvimento e o bem-estar de pais e adolescentes (Buehler, 2020; Silva et al., 2020; Weymouth et al., 2016). As interações hostis contribuem para desfechos negativos tanto para pais quanto para adolescentes (Arslan et al., 2024; Lobraico et al., 2020; Moed et al., 2015; Thomas et al., 2019), o que sugere que interações marcadas pela dificuldade podem se cristalizar em padrões ao longo do tempo. No entanto, poucos estudos descreveram como é a resistência momento a momento durante essas interações. A resistência tem sido estudada a partir de descrições autorrelatadas, e não de observações momento a momento (Kuczynski et al., 2021; Parkin e Kuczynski, 2012). A resistência, porém, é um fenômeno diádico e relacional, feito de expressões de diferença que vão e vêm. Esses padrões de comportamento são, portanto, específicos de cada díade, mas podem não chegar à intensidade de um conflito aberto. Ji et al. (2025), por exemplo, identificaram uma série de microprocessos diádicos que as partes usam para escapar, contornar ou evitar de outra forma a discussão de temas sensíveis, e que não correspondem facilmente à forma como o conflito foi conceituado e operacionalizado. Esses padrões de resistência eram específicos de cada díade, mas se repetiam com frequência suficiente para despertar nossa curiosidade: com que frequência as díades passam de uma forma de resistir para outra, e por quanto tempo permanecem em um mesmo padrão?
Uma pesquisa que descreva o movimento da resistência entre pais e adolescentes ao longo do tempo pode ampliar a compreensão de como expressar e negociar diferenças em conjunto contribui para a evolução da relação entre pais e adolescentes durante a adolescência. Registrar como pais e adolescentes passam de um estado para outro poderia não só revelar como as partes constroem significados na resistência, mas também ajudar a compreender como essas construções alimentam, ao longo do tempo, as expectativas que pais e adolescentes têm uns dos outros. M. White (2009) argumentou que as conclusões que as partes tiram uma sobre a outra durante interações difíceis podem moldar a relação ao longo do tempo e contribuir para complicações difíceis de superar. Observar de uma interação para outra serve para chamar a atenção para a coconstrução dos padrões de resistência em que pais e adolescentes se engajam quando resistem uns aos outros. Sugerimos que dar ênfase aos processos de resistência pode ter implicações para a pesquisa e para a prática (por exemplo, no aconselhamento familiar e no serviço social) com famílias de adolescentes que atravessam transições. Se os processos de resistência puderem ser identificados, as equipes profissionais também poderiam aprender a vê-los e a ajudar os membros da família a fazer o mesmo.
Com base nas teorias dos sistemas dinâmicos e do conflito familiar, esperávamos que pais e adolescentes resistissem uns aos outros de formas que refletissem tentativas de negociar a tensão entre autonomia e união. Formulamos, portanto, as seguintes perguntas:
Escolhemos estudar a entrada no ensino médio para observar atratores, ou estados recorrentes, porque se trata de uma transição familiar importante, planejada e antecipada, em que jovens e pais aprendem a equilibrar novas exigências escolares com a família, o lazer e as atividades extracurriculares (Marshall et al., 2014). Essa transição coincide com o período de desenvolvimento do início da adolescência, em que transições rápidas ocorrem em múltiplos domínios, o que pode levar a um desalinhamento entre as expectativas de pais e adolescentes sobre a legitimidade da autoridade parental e o comportamento aceitável na adolescência (Jindal-Snape e Rienties, 2016; Smetana e Rote, 2019). Embora desentendimentos leves sejam normais na adolescência (Hill, 1988), o início da adolescência pode ser a fase em que as emoções negativas e as tensões aumentam (Meeus, 2019). O consenso da pesquisa sobre o desenvolvimento adolescente, porém, é que as divergências refletem uma perturbação normal, mas transitória, da relação entre pais e adolescentes, que faz as famílias passarem de um funcionamento mais hierárquico no início da adolescência para um funcionamento mais igualitário e simétrico ao longo do tempo (Branje, 2018; Meeus, 2016; Smetana e Rote, 2019).
Assim, o período antes e depois da entrada no ensino médio pode ser um momento oportuno para estudar como pais e adolescentes lidam juntos com suas divergências. Como a pesquisa em geral concorda que as tensões aumentam no início da adolescência, mas diminuem com o tempo à medida que a relação entre pais e adolescentes se torna mais igualitária, esperamos que o estado atrator antes da entrada no ensino médio seja mais orientado para a discussão do que depois. A transição para o ensino médio pode aumentar a probabilidade de observar se os padrões de resistência são constantes ao longo do tempo. Os dados deste estudo consistiram em conversas de uma amostra de díades de pais e adolescentes de dois centros urbanos canadenses, em plena transição para o ensino médio.
Das 28 díades de pais e adolescentes que inicialmente manifestaram interesse em participar, 23 tinham dados disponíveis nos dois momentos (uma díade manifestou interesse, mas acabou não participando, uma desistiu antes de T1 e três saíram antes de T2). Das 23 díades que permaneceram no estudo, sete adolescentes tinham 12 anos, cinco tinham 13 e 11 tinham 14 (M = 13). Catorze jovens se identificaram como do gênero feminino e nove como do gênero masculino. Quatro jovens tinham nascido fora do Canadá, mas viviam no país havia entre 1 e 11 anos (M = 3). Três adolescentes vinham recebendo apoio escolar.
Embora a maioria de quem participou como adolescente tivesse contato com as duas figuras parentais, a equipe de pesquisa convidou apenas uma delas para participar, porque incluir as duas teria aumentado muito a complexidade e o custo da coleta e da análise dos dados. A idade dos pais e mães participantes variava de 38 a 51 anos (M = 45 anos), e em sua maioria eram mães (n = 20). Oito criavam os filhos em família monoparental, e uma pessoa era madrasta ou padrasto. A maioria tinha emprego (n = 19). Quanto à escolaridade, três tinham concluído o ensino médio, cinco tinham diploma de curso técnico superior (college), 10 tinham graduação e quatro tinham pós-graduação (informação desconhecida para uma pessoa). A maioria das díades (78,3%, ou 18) era de origem europeia, e nenhuma era francófona; três eram de origem asiática (13%); e duas relataram outras origens (9%). Sete das figuras parentais tinham nascido fora do Canadá e viviam no país havia entre 1 e 25 anos (M = 11 anos). Três díades relataram falar em casa outras línguas além do inglês, ou em vez dele (cantonês, mandarim e espanhol).
Foi realizada uma análise secundária de dados coletados originalmente para examinar os projetos conjuntos de pais e adolescentes durante a transição para o ensino médio, com o Método Ação-Projeto (Action-Project Method; Young et al., 2005). A decisão de fazer uma análise secundária baseou-se no baixo risco e na baixa carga para as pessoas participantes e na eficiência de custos (Doolan e Froelicher, 2009; Langkamp et al., 2021). O conjunto de dados, com múltiplos informantes, oferecia as perspectivas da figura parental e de quem é adolescente (Bernard, 1982; De Los Reyes et al., 2019), e, com múltiplas fontes e entrevistas de recordação por vídeo, esclarecia como cada pessoa dava sentido à resistência (Welsh e Dixon, 2005). Além disso, esse conjunto de dados permitia observar os microprocessos que ocorrem nas interações momento a momento entre as partes, em tempo real (Gottman e Notarius, 2000). A coleta dos dados iniciais seguiu a revisão ética dos comitês de ética em pesquisa comportamental (Behavioral Research Ethics Boards) das duas universidades em que trabalhavam as duas pessoas responsáveis pela pesquisa.
Os dados coletados para o estudo original compreendiam uma conversa em três partes, realizada em salas de pesquisa reservadas em dois campi universitários canadenses. A Parte 1 consistia em uma entrevista de introdução e aquecimento, não estruturada e gravada em vídeo. Nessa entrevista, duas pessoas treinadas, estudantes de pós-graduação em serviço social, educação e relações familiares e desenvolvimento humano, exploravam o uso que cada adolescente fazia do tempo livre e como organizava suas atividades. Perguntava-se às figuras parentais sobre seu envolvimento no ensino médio e nas atividades de lazer dos filhos. As duas pessoas entrevistadoras faziam perguntas aos dois membros da díade, mas as perguntas eram abertas, para permitir que pais e adolescentes conduzissem a conversa. Perto do fim do aquecimento, pediam à díade que escolhesse um tema da conversa de aquecimento para conversar sem a presença delas. As pessoas participantes eram orientadas a falar sobre o tema e deixar a conversa evoluir até chegar a um fim natural, momento em que deveriam abrir a porta e convidar as pessoas entrevistadoras a voltar à sala. A Parte 2 era essa conversa autodirigida e autogerada, gravada em vídeo, sem a presença das pessoas entrevistadoras, que ocorria imediatamente após a entrevista de aquecimento.
Logo após a Parte 2, cada participante ia para uma sala separada com uma das pessoas entrevistadoras para assistir à gravação da conversa conjunta (a partir do momento em que a equipe tinha saído da sala). Na Parte 3 (a entrevista de recordação por vídeo), as pessoas participantes eram convidadas a relatar seus pensamentos e sentimentos em trechos da conversa, a intervalos regulares. As gravações de áudio das conversas conjuntas e das entrevistas de recordação foram transcritas literalmente por um serviço profissional. Outros elementos da comunicação, além das transcrições, foram anotados e descritos (por exemplo, risos, pausas, variações de inflexão ou de tom de voz). As conversas conjuntas realizadas antes da entrada no ensino médio duraram em média 10min24, e as recordações por vídeo, em média 35min24 para os pais e mães e 27min29 para adolescentes. A segunda conversa seguiu o mesmo formato em três etapas da primeira e ocorreu depois que as famílias tinham se adaptado ao ensino médio, 10 meses após a primeira conversa. As conversas conjuntas depois da entrada no ensino médio duraram em média 9min46, e as recordações por vídeo, em média 37min03 para adolescentes e 47min19 para os pais e mães.
Foi realizada uma análise por GEE, guiada pela teoria dos sistemas dinâmicos, dos dados das conversas entre pais e adolescentes, com o programa Gridware 1.1 (Lamey et al., 2004). A análise por grades de espaço de estados (GEE) é útil para investigar as mudanças dinâmicas que ocorrem ao longo das interações entre pais e adolescentes e permite visualizar os processos de interação em tempo real (Grumi et al., 2022; Hollenstein, 2013; Zhang et al., 2022). Dado o foco do estudo em examinar como pais e adolescentes se engajam na resistência ao longo das interações, as sequências de resistência foram escolhidas como unidade de análise. Uma sequência de resistência é iniciada por uma das partes como expressão de diferença em relação à percepção, à opinião ou à tentativa de controle da outra. As sequências de resistência foram identificadas combinando o conhecimento teórico e empírico sobre resistência da pessoa que assina em primeiro lugar com as informações das entrevistas de recordação por vídeo dos pais e adolescentes, para confirmar a intenção de resistir de quem falava no trecho correspondente da transcrição da conversa conjunta. Toda a troca que se seguia a uma primeira expressão de diferença era incluída na codificação. O fim de uma sequência de resistência foi definido como o ponto em que não havia mais idas e vindas entre pais e adolescentes sobre o tema em discussão.
Definida a unidade de análise, todas as sequências de resistência das conversas nos dois momentos (T1 = antes da transição para o ensino médio, T2 = depois da transição para o ensino médio) foram codificadas quanto à resistência, para as díades com dados disponíveis (n = 26 em T1 e n = 23 em T2). Um livro de códigos de estratégias de resistência, desenvolvido para um estudo anterior pela pessoa que assina em primeiro lugar (ver Ji et al., 2025), foi usado pela segunda pessoa signatária para codificar linha a linha todas as 23 conversas de T2 (vários códigos podiam ser atribuídos a uma mesma linha). O livro de códigos consistia em estratégias de resistência distintas, que descrevem as ações pelas quais uma pessoa resiste à outra parte durante uma interação (isto é, expressões de agência em resposta a tentativas de controlar, orientar ou influenciar). Entre os exemplos de códigos de estratégias de resistência estavam a declaração de limite (enunciado de um limite, exigência ou expectativa minimamente aceitável e inegociável), a resposta adiada (“Hum…”, “Depende muito…” ou “Bom, vamos ver…”), a provocação (enunciado humorístico, às vezes usado de forma brincalhona, para revidar ou fazer pouco de um enunciado da outra parte, criticar suas opiniões ou expectativas, se gabar ou sugerir segundas intenções) e o soltar de passagem (revelar uma informação potencialmente importante de passagem e com poucos detalhes). O livro de códigos continha uma lista com nomes, definições e exemplos literais de todas as 43 estratégias de resistência, usada pela segunda pessoa signatária para atribuir códigos aos exemplos de sequências de resistência extraídas. A segunda pessoa signatária atua no serviço social, tem vários anos de experiência na observação de famílias com crianças e recebeu formação para codificar a resistência da pessoa que assina em primeiro lugar. As sequências de resistência identificadas em T1 foram codificadas linha a linha pela pessoa que assina em primeiro lugar. Assim, todas as sequências de resistência de T2 foram codificadas pela segunda pessoa signatária, e todas as de T1 pela pessoa que assina em primeiro lugar.
Como a pessoa que assina em primeiro lugar codificou todas as conversas de T1 e a segunda pessoa signatária todas as de T2, a confiabilidade entre as codificações foi avaliada fazendo a primeira codificar uma subamostra de sequências de resistência de três casos de T2 e a segunda uma subamostra de sequências de três casos de T1. Nos dois casos, os casos das subamostras foram selecionados aleatoriamente e codificados linha a linha com o mesmo livro de códigos de estratégias de resistência. Concluída a codificação, atribuiu-se a cada linha um número de categoria de 1 a 6 que melhor refletisse os códigos atribuídos, como descrito anteriormente. Todas as linhas categorizadas dos três casos foram então comparadas entre as duas codificações por porcentagem de concordância. A concordância entre avaliações foi de 0,87.
Depois que todas as sequências foram codificadas nos dois momentos, o passo seguinte foi desenvolver um quadro conceitual de como as díades se movem nos momentos de resistência ao longo do tempo. Nas discussões contínuas da equipe, surgiu a curiosidade sobre se um conceito abstrato como a resistência poderia ser reunido em um contínuo. Essa curiosidade veio de nossas observações ao revisar os dados codificados com os vídeos das conversas. Observamos variabilidade na medida em que pais e adolescentes facilitavam ou limitavam a expressão de resistência da outra parte ao responder um ao outro. Observamos também, em muitas sequências, um padrão em que um membro da díade ou oferecia ao outro oportunidades de expressar sua agência, ou encontrava formas de restringir essas expressões. Ao confrontar esses momentos com os trechos correspondentes das transcrições das recordações por vídeo, via-se que as partes agiam assim por várias razões (por exemplo, favorecer a autonomia, renunciar ao conflito para preservar a relação ou evitar perturbar a paz). Com base em nossas observações e em discussões iterativas da equipe, recorremos às tensões conjuntas em direção à autonomia e à conexão descritas pela teoria do conflito familiar (J. White et al., 2019) para agrupar os códigos de resistência em seis categorias distintas, reunidas em um contínuo que chamamos de “abertura” e “fechamento” do espaço.
O contínuo de abertura e fechamento do espaço se inspirou em teorias e estudos anteriores sobre a resistência que tratam o ato de abordar ou evitar temas sensíveis como uma série de estratégias indicativas de tato (Ji et al., 2025; Parkin e Kuczynski, 2012). Em um estudo qualitativo anterior, Ji et al. (2025) constataram que as partes eram hábeis na forma de criar ou limitar um espaço conversacional para poder discutir esses temas, muitas vezes travando um jogo de empurrões para levar a opinião da outra parte para um lado ou para outro, em direção à sua própria posição ou ponto de vista. A pesquisa anterior sobre medidas de conflito entre pais e adolescentes destacou a importância de medidas sensíveis o bastante para informar sobre a variabilidade das divergências entre díades e ao longo do tempo (Collins e Laursen, 1992). Essas medidas produziram de forma consistente baixas taxas de ocorrência (Smetana e Gaines, 1999), embora a pesquisa indique que desentendimentos de baixa intensidade são comuns na adolescência (Weymouth et al., 2016). Ji et al. (2025) observaram diferenças de ponto de vista pelo menos uma vez em mais de 85% das conversas, mas essas diferenças não se tornavam necessariamente intensas, o que está de acordo com a literatura sobre conflito entre pais e adolescentes. Assim, propomos que o fato de pais e/ou adolescentes ampliarem ou limitarem o espaço para conversar sobre temas potencialmente controversos pode oferecer um esquema de codificação da resistência sensível o bastante para investigar a variabilidade das divergências de baixa intensidade ao longo do tempo e entre díades.
Sustentamos que a abertura e o fechamento do espaço também oferecem um quadro útil para compreender o espectro do espaço conversacional em que pais e adolescentes aprendem a negociar a tensão entre autonomia e união (J. White et al., 2019). Ji et al. (2025) propuseram que tensões associadas a objetivos como manter expectativas ou fazer a outra parte mudar de ideia eram inerentes aos padrões de resistência desenvolvidos. A pesquisa sobre a adolescência sustenta há muito tempo que um equilíbrio entre diferenciação e integração interpessoais é vital para um crescimento saudável (Adams e Marshall, 1996; Grotevant e Cooper, 1985). Ao propor um quadro de abertura e fechamento de espaços, queremos enfatizar que o espaço em que as divergências de baixa intensidade são negociadas, nas idas e vindas da resistência, talvez seja aquele em que adolescentes e pais experimentam para alcançar esse equilíbrio. A Tabela 1 apresenta essas seis categorias e os códigos específicos de cada uma.
Tabela 1 — Categorias de resistência diádica, com definições e códigos individuais
Abertura do espaço
Fechamento do espaço
A abertura do espaço se refere às ações de resistência voltadas a ampliar a discussão sobre o tema a respeito do qual uma diferença foi inicialmente expressa. Ao abrir o espaço, fazem-se propostas para que a diferença expressa seja negociada em conjunto, e as categorias, assim como seus respectivos códigos, se relacionam a um engajamento mais profundo para chegar a uma solução. O fechamento do espaço se refere às expressões de resistência que afastam a interação da continuação da discussão sobre o tema a respeito do qual uma diferença foi expressa. No lado do fechamento do contínuo, busca-se adiar, desviar, concluir e, no extremo, desengajar-se totalmente da discussão. As decisões sobre a ordenação das estratégias nas categorias desenvolvidas dependeram da medida em que se buscava suscitar engajamento adicional ou idas e vindas prolongadas da outra parte. As estratégias que, a nosso ver, eram usadas com a intenção de continuar discutindo um tema, suscitar os pensamentos da outra parte ou incentivá-la a refletir ficaram do lado do convite ou da justificação, já que o foco está em continuar explorando o tema em conjunto. Por outro lado, as estratégias que, a nosso ver, eram usadas para interromper as idas e vindas sobre um tema foram as que situamos do lado do fechamento do espaço no contínuo. As estratégias que tendiam a ser mais unilaterais ou menos dispostas a continuar a discussão foram classificadas no lado do fechamento do contínuo. Interpretamos essas estratégias, que sugerem menor disposição para continuar a troca, como indicativas de um fechamento do espaço de resistência por qualquer uma das partes.
É importante deixar explícito que, ao desenvolver esse contínuo, não pretendíamos moralizar, apresentando a abertura do espaço como positiva e o fechamento como negativo. Observamos que ambos dependem inteiramente da interpretação da família e de uma multiplicidade de fatores, como o tema em discussão, se o tema já tinha sido discutido antes e até o humor de uma ou das duas pessoas no momento da conversa. Não afirmamos qual lado do contínuo deveria ser incentivado nas díades de pais e adolescentes; apenas observamos variações de “espaços” de abertura e fechamento ao ver a resistência se desenrolar em suas interações.
A Tabela 1 mostra como as categorias de resistência resultantes do agrupamento dos códigos foram organizadas ao longo do contínuo de abertura e fechamento do espaço.
Organizar os códigos em categorias e depois situar as categorias em um contínuo permitiu captar a variabilidade da resistência diádica. Uma vez captada essa variabilidade, começamos a mapear as sequências de resistência em uma grade bidimensional, situando cada expressão de resistência no espaço temporal. Ou seja, o quadro desenvolvido permitiu mapear as sequências de resistência codificadas na GEE para ver como as díades lidavam juntas com as expressões de resistência. Começamos atribuindo a cada código um número de 1 a 6 de acordo com sua categoria (1 = Convidar; 2 = Justificar; 3 = Dirigir, redirecionar ou desviar; 4 = Afirmar a posição; 5 = Desvalorizar ou minimizar; e 6 = Rejeitar ou encerrar). Se uma linha recebia mais de um código, a categoria atribuída era aquela à qual pertencia a maioria dos códigos da linha (por exemplo, se uma linha tinha dois códigos da categoria justificar e um da categoria convidar, recebia o número 2). Assim, a codificação das novas categorias baseou-se na codificação anterior das estratégias de resistência, atribuídas com o livro de códigos e também feitas linha a linha, conforme a alternância de turnos de fala e de gestos, que são unidades conceitualmente significativas por constituírem ao mesmo tempo pausas naturais e o vaivém dinâmico da interação entre os membros da díade. Os empates entre categorias em uma mesma linha foram resolvidos em discussão da equipe.
Depois que cada linha foi atribuída a uma categoria, essa categoria serviu para localizar um ponto na grade bidimensional. Esse processo continuou até que todas as sequências de resistência de uma díade fossem mapeadas na grade de resistência de 6 × 6, permitindo representar visualmente como a díade se movia nas oportunidades de expressar resistência uma parte à outra. Esses valores foram então inseridos no Gridware 1.1, que permite avaliar os eventos tanto em frequência quanto em duração (Lamey et al., 2004). A equipe de pesquisa decidiu, com base em discussão e na observação de como a resistência se manifestava nas conversas, usar a frequência em vez da duração. Essa decisão partiu de nossa observação de que a resistência pode ser muito breve e passageira, às vezes difícil de perceber sem a ajuda das entrevistas de recordação por vídeo. É uma decisão também em linha com as observações de interações entre parceiros de casais adultos feitas por Gottman (1994), segundo as quais as expressões de desprezo durante as interações podem ser breves, mas de importância vital para os desfechos da relação.
A flexibilidade se refere à medida em que uma díade consegue passar de um estado para outro (Granic et al., 2007). Para examinar se as díades diferiam na flexibilidade da resistência entre pais e adolescentes antes e depois da entrada no ensino médio, examinamos medidas de dispersão e de visitas médias. Análises anteriores (Granic et al., 2007; Granic e Lamey, 2002) examinaram medidas de dispersão, duração média e transições para quantificar a flexibilidade nas relações entre pais e crianças. Este estudo avalia a dispersão e as visitas médias para refletir contagens de frequência, mas o Gridware ainda assim controla a duração total das trajetórias no cálculo dos escores de dispersão e de visitas médias.
A dispersão é uma medida da soma das células visitadas em uma sequência, ajustada pela duração proporcional em cada célula (Hollenstein, 2013). Seus valores vão de 0 a 1: 0 indica que todos os estados estão em uma única célula, e 1 indica a máxima dispersão possível. Escores de dispersão mais altos indicam mais flexibilidade. As visitas médias correspondem à contagem de transições entre células da GEE dividida pela duração total da trajetória. Essa propensão a passar de uma célula para outra reflete a flexibilidade dinâmica (Hollenstein, 2012). Escores mais altos de visitas médias indicam maior flexibilidade.
Para responder à segunda pergunta do estudo, sobre a coerência e a estabilidade da resistência diádica, foi realizada uma análise de atratores das conversas antes e depois da entrada no ensino médio. Um atrator é um estado persistente e recorrente que atrai para si a trajetória de um sistema (Granic et al., 2007). Nos sistemas dinâmicos, é preciso pouca energia para entrar em um estado atrator e mais energia para sair dele (Hollenstein, 2013). Portanto, um estado atrator é mais provável do que os demais. Neste estudo, os atratores são as células ou regiões da GEE que as díades de pais e adolescentes visitavam preferencialmente. Hollenstein (2013) descreveu o peneiramento (winnowing) como um processo empírico e iterativo de identificação das células atratoras, em que as células de menor duração ou frequência são eliminadas passo a passo. Após cada eliminação, calcula-se um escore de heterogeneidade de referência, até que reste apenas a célula de maior frequência. Cada iteração gera um valor de proporção de heterogeneidade, isto é, um valor proporcional à heterogeneidade da iteração inicial. Os valores de proporção de heterogeneidade de todas as iterações são então examinados em busca do cotovelo (scree), ou seja, da maior queda. Lewis et al. (1999) definiram uma grande queda como uma redução de 50% ou mais. Se não houver grandes quedas, Hollenstein (2013) sugere que o valor do cotovelo seja a última queda até 0 na iteração final, e que a célula única restante seja designada como atrator.
Para nossa terceira pergunta de pesquisa, sobre a frequência dos padrões nas interações de resistência entre pais e adolescentes, avaliamos as diferenças entre as grades de T1 e de T2 com um simples princípio de distância euclidiana. Seguindo a análise de distância entre grades de Lewis et al. (2004), a contagem de frequência de cada célula em T1 foi subtraída da contagem da mesma célula em T2; as diferenças foram elevadas ao quadrado e somadas para obter os escores de distância de cada díade. Calculamos a diferença de valores entre os dois períodos para cada célula da grade, elevamos essa quantia ao quadrado e somamos os valores das 36 células. A raiz quadrada dessa soma forneceu o escore de distância entre as duas grades. Repetimos esse processo para obter uma distância entre grades para cada díade e para a amostra inteira.
No total, foram encontradas 194 sequências de resistência em 18 das 23 conversas de cada momento; 105 sequências de resistência foram identificadas em T1 e 89 em T2. A amplitude do número de sequências de resistência nas conversas das díades foi maior em T1 (amplitude = 0-15, M = 4,57, DP = 4,19) do que em T2 (amplitude = 0-11, M = 3,87, DP = 3,32). O momento em que as primeiras sequências de resistência começavam variou para cada díade e também diferiu entre T1 (amplitude = 0-18min53, M = 2min02, DP = 4min35) e T2 (amplitude = 0-1min55, M = 1min21, DP = 1min55).
Quanto à flexibilidade, foram realizados testes t para amostras pareadas a fim de testar as diferenças de dispersão e de visitas médias entre os momentos. Não foram encontradas diferenças significativas, antes e depois da entrada no ensino médio, nos escores de dispersão, t(22) = 0,07, p = 0,94, nem nas visitas médias, t(22) = 0,02, p = 0,97. Com o método de peneiramento para identificar atratores, não observamos quedas maiores que 50% em nenhum dos momentos; a iteração final de célula única, porém, identificou células diferentes como atratores. Antes do início do ensino médio, a célula Mãe ou pai justifica – Adolescente justifica permaneceu na iteração final. Depois da entrada no ensino médio, foi a célula Mãe ou pai minimiza – Adolescente rejeita que foi identificada como atrator. Um teste t para amostra única dos escores de distância entre grades mostrou diferença significativa no posicionamento das sequências de resistência na grade antes e depois do início do ensino médio (M = 8,81, DP = 5,98); t(22) = 7,07, p < 0,001. A Figura 1 mostra um exemplo da diferença de estados de uma díade antes e depois da entrada no ensino médio.

O objetivo deste estudo foi descrever os estados de resistência diádica que ocorrem momento a momento nas interações entre pais e adolescentes, antes e depois da entrada no ensino médio. Para isso, testamos se a flexibilidade da resistência entre pais e adolescentes (dispersão, amplitude, número de estados comportamentais e transições entre eles) variava antes e depois da transição. Examinamos também se a resistência diádica ganha coerência e se estabiliza, e se os padrões de frequência da resistência oscilam entre esses dois períodos. Não houve diferenças significativas nos escores de dispersão e de visitas médias, o que indica ausência de mudança na flexibilidade antes e depois da entrada no ensino médio. A análise de atratores, porém, indicou um deslocamento do estado mais provável nas sequências de resistência, da célula Mãe ou pai justifica – Adolescente justifica antes do ensino médio para a célula Mãe ou pai minimiza – Adolescente rejeita depois do início do ensino médio. Além disso, os escores de distância entre grades revelaram diferença significativa no posicionamento das sequências de resistência na grade antes e depois da entrada no ensino médio. Já tínhamos observado que pais e adolescentes se engajavam na resistência de formas distintas (Ji et al., 2025), mas, apesar da forma singular de cada díade, queríamos saber se era possível situar o conceito em um contínuo para responder às nossas perguntas de pesquisa. Começamos a construir uma variável contínua para a resistência tentando cristalizar esse conceito abstrato por meio de duas perguntas: (a) o que gera variabilidade no construto e (b) se essa variabilidade pode ser medida. As tentativas de situar a resistência em um contínuo levaram a equipe a desenvolver um quadro conceitual provisório de abertura e fechamento do espaço. Esse quadro é produto de observações repetidas dos dados e de discussões contínuas da equipe de pesquisa. Aplicamos então uma metodologia a esse quadro conceitual usando a GEE, que nos permitiu mapear sistematicamente e representar visualmente os microprocessos de resistência diádica. Escolhemos a GEE por sua utilidade no mapeamento de microprocessos diádicos.
Este estudo se soma a um conjunto de evidências que sugere que a resistência pode ser vista e tratada como um conceito diádico. Até agora, nenhuma pesquisa tinha investigado a resistência além do nível individual de análise. A resistência foi investigada por meio da análise temática de respostas individuais; assim, este estudo é um dos dois únicos que estudaram a resistência no nível diádico de análise. Além disso, nossos esforços preliminares sugerem que pode ser possível conceituar a resistência diádica como uma variável contínua. Nenhum estudo sobre resistência tinha ido além do desenvolvimento de temas no nível individual; portanto, conceituar a resistência diádica como variável contínua é uma contribuição original deste estudo. Nossos resultados sugerem que nossas tentativas de captar a variabilidade da resistência entre pais e adolescentes durante as interações e de cristalizá-la em um contínuo foram bem-sucedidas. A possibilidade de reunir a variabilidade da resistência em um contínuo nos permitiu mapear com sucesso as sequências de resistência ao longo do tempo nas interações entre pais e adolescentes. Este estudo representa um esforço conceitual para levar a resistência do comportamento diádico para uma variável contínua.
Este estudo contribui para a pesquisa anterior sobre resistência ao estabelecer que a resistência momento a momento oscila ao longo do quadro de abertura e fechamento do espaço e ao demonstrar que essas mudanças podem ser captadas ao longo do tempo em uma única conversa. Demonstramos também que é possível captar mudanças-chave na resistência com um ano de intervalo, antes e depois de um evento familiar de transição significativo. Embora não tenha havido diferença significativa na flexibilidade, nossos resultados mostraram uma diferença clara de atratores entre os dois momentos. Nossa hipótese, baseada no consenso da pesquisa sobre a adolescência, de que a resistência seria mais orientada para a discussão antes da entrada no ensino médio, parece ter apoio provisório. Pais e adolescentes usaram mais justificação e argumentação antes do ensino médio, como sugere a literatura; o período após a transição, porém, foi marcado por minimização da parte da mãe ou do pai e rejeição da parte de quem é adolescente. Antes do início do ensino médio, pais e adolescentes eram mais propensos a recorrer à justificação como estratégia de resistência. Depois da transição, pais e mães eram mais propensos a recorrer à minimização, enquanto adolescentes rejeitavam mais frequentemente a figura parental, como estratégia de resistência preferida. O teste de distância entre grades revelou que a frequência dos padrões de resistência foi significativamente diferente entre T1 e T2. Há várias explicações possíveis para a diferença na forma como as díades de pais e adolescentes resistem antes e depois da entrada no ensino médio. Dadas as múltiplas adaptações, em múltiplos domínios, que ocorrem logo antes da entrada no ensino médio (Jindal-Snape e Rienties, 2016), as famílias com adolescentes talvez precisem raciocinar juntas sobre como os jovens assumirão mais responsabilidades nas tarefas escolares, nas amizades e nas atividades extracurriculares, o que exige negociação. Pais e adolescentes podem apresentar argumentos para suas preferências, o que pode se refletir na identificação da justificação como atrator. Depois que a família se adapta ao ensino médio, porém, pode haver menos necessidade de discutir as mudanças de expectativas (a menos que seja necessário um novo ajuste). Após a transição, pais e adolescentes podem ter adotado formas de interagir que tendem menos a ser revistas. A pesquisa anterior sobre resistência (Ji et al., 2025), por exemplo, sugere que pais e adolescentes são estratégicos na forma de abordar ou evitar temas potencialmente sensíveis ou controversos para não perturbar a paz, o que poderia ajudar a explicar a tendência à minimização como estratégia. Pais que minimizam e adolescentes que rejeitam podem refletir um desejo de manter o status quo. Passamos agora a discutir as implicações teóricas e práticas desses resultados para pesquisas futuras.
Os dados analisados neste estudo estavam ancorados em um único evento (antes e depois da entrada no ensino médio) e, portanto, não podem ser considerados verdadeiramente longitudinais. Como a coleta de dados estava vinculada a um evento de transição, não foi possível determinar se o exame em escala menor de mais momentos produziria padrões de resistência diferentes. É provável que padrões de resistência mais finos fossem encontrados ao longo do tempo, considerando a variabilidade observada entre as díades e o deslocamento dos atratores entre T1 e T2. O registro desses padrões poderia levar a uma compreensão mais abrangente de como a resistência diádica evolui ao longo da adolescência. Por fim, a maioria das figuras parentais desta amostra era de mães; assim, não sabemos se as dinâmicas de resistência seriam diferentes se os dados incluíssem mais díades pai-adolescente ou outras configurações entre figuras de cuidado e adolescentes.
Em consonância com a teoria dos sistemas dinâmicos, pais e adolescentes de nosso estudo viveram mudanças na forma de se engajar na resistência de um momento para o outro. A observação de mudanças significativas de atratores nas díades antes e depois da entrada no ensino médio sugere que pais e adolescentes ajustam a forma de resistir uns aos outros após eventos importantes da vida. As famílias costumam passar por eventos importantes durante a adolescência, alguns esperados (por exemplo, formatura, mudanças de amizades, exploração de opções de estudo pós-secundário e de carreira) e outros inesperados (por exemplo, doença, separação, desastres). Pode ser útil investigar mais a fundo se a resistência diádica é diferente nas famílias antes e depois de vários tipos de eventos, previstos ou não. A partir daí, seria possível investigar e registrar os padrões de deslocamento de atratores associados a tipos específicos de eventos. Por extensão, talvez seja possível identificar os tipos de eventos que tendem a levar a estados atratores (por exemplo, minimizar, rejeitar) em que as famílias poderiam se beneficiar de intervenções de apoio.
Nossos resultados indicaram que algumas díades lidavam com a resistência fechando o espaço depois da entrada no ensino médio (Mãe ou pai minimiza – Adolescente rejeita). A ideia de que algumas díades possam ficar “travadas” em um estado em que a figura parental minimiza e a pessoa adolescente rejeita, em uma amostra de famílias não clínicas, tem implicações para a prática. As famílias podem se beneficiar de observar os próprios estados atratores e refletir sobre eles. Isso poderia ser feito levando pais e adolescentes a assistir juntos à gravação de uma conversa, seguida de uma devolutiva para identificar seus atratores e refletir sobre eles. Engajar-se na observação e na autorreflexão pode ajudar as famílias a se deslocar em direção à abertura do espaço e a expressar resistência com segurança, com ajuda profissional. Retomando as teorias do conflito familiar e dos sistemas dinâmicos, pode ser possível levar uma família a uma maior unidade ajudando-a, pela reflexão, a sair de seus pontos de travamento. Intervenções práticas que favoreçam a expressão segura da resistência diádica podem melhorar a relação entre pais e adolescentes, ajudando as díades a lidar de forma mais eficaz com a tensão entre autonomia e união. Continuamos com a curiosidade de saber se é possível ajudar as famílias a reconfigurar a forma como se engajam na resistência usando uma GEE como intervenção (por exemplo, uma terapia da resistência por espaço de estados).
Nossos resultados destacam a importância de buscar padrões de abertura e fechamento de espaços entre pais e adolescentes. Clinicamente, as intervenções voltadas aos desentendimentos entre pais e adolescentes têm tendido a focar a desobediência da criança e o controle parental (Collins et al., 2000). Essas intervenções unilaterais costumam se basear em uma visão comportamental da socialização, que vê a influência na relação entre pais e filhos como unidirecional e determinista, dos pais para a criança (Kuczynski e Hildebrandt, 1997). Poucas intervenções trataram os desentendimentos entre pais e adolescentes como estados atratores recorrentes de resistência face a face, embora a pesquisa indique que padrões de resistência diádica são comuns nas interações entre pais e adolescentes (Ji et al., 2025). Os processos momento a momento nas interações entre pais e adolescentes estão ligados ao ajustamento de longo prazo na relação (Lougheed, 2020). O quadro de abertura e fechamento de espaços de resistência oferece uma abordagem mais matizada dos desentendimentos entre pais e adolescentes e pode ajudar profissionais a identificar padrões de resistência que permitam antecipar impasses ou atratores antes que as divergências se agravem até um conflito aberto. Nenhum estudo até hoje explorou o conceito de resistência para auxiliar profissionais que ajudam famílias a lidar com desentendimentos entre pais e adolescentes; o quadro de abertura e fechamento de espaços é uma contribuição original à literatura sobre resistência, que pode oferecer uma forma promissora de repensar essas situações e intervir nelas.
Profissionais também podem aplicar a dinâmica de abertura e fechamento de espaços ao trabalho com outros tipos de díades em que se pode esperar resistência. Por exemplo, o quadro de abertura e fechamento da resistência pode ajudar casais a identificar padrões ao longo do contínuo aos quais a relação volta repetidamente, incentivando cada parte a refletir sobre esse estado, sua adequação a cada situação e suas possíveis implicações para a relação a longo prazo. O contínuo de abertura e fechamento de espaços também pode ser útil para compreender mais a fundo as dinâmicas entre adolescentes e as pessoas que as acompanham no serviço social. Em vez de ver as interações como desobediência ou questões de controle, profissionais podem se beneficiar de buscar padrões de interação que facilitam ou dificultam a capacidade de trabalhar em conjunto para atender às necessidades de cada jovem. O quadro proposto neste artigo enfatiza a agência dos jovens e as ações conjuntas de resistência em suas interações com outras pessoas.
Situando este estudo na literatura existente sobre conflito e resistência entre pais e adolescentes, propomos que a principal contribuição desta pesquisa é seu foco em processos que podem ser examinados por meio do contínuo e da grade. Essa contribuição representa um avanço importante em relação às medidas tradicionais de conflito, que tenderam a se concentrar apenas na intensidade ou na frequência. Em vez disso, oferecemos uma forma de captar os processos relacionais de coordenação, sutis e cotidianos, envolvidos quando pais e adolescentes resistem uns aos outros.
Pesquisas anteriores sugerem que a resistência pode ser diferente conforme o tema sobre o qual pais e adolescentes divergem (por exemplo, questões prudenciais ou pessoais; Smetana e Rote, 2019). As mães se mostraram mais dispostas a fazer concessões e negociar quando as divergências diziam respeito a escolhas pessoais (Nucci e Weber, 1995) e mais propensas a exercer autoridade e estabelecer limites quando as ações dos filhos contrariavam convenções sociais (Nucci e Smetana, 1996). Estudos futuros com delineamento quase experimental poderiam examinar se as formas como pais e adolescentes se engajam na resistência se relacionam com o domínio em discussão. As díades poderiam ser distribuídas entre um grupo de temas prudenciais e um grupo de temas pessoais, e os possíveis estados atratores poderiam ser identificados e comparados por meio de análise, para determinar diferenças na resistência diádica conforme o domínio.
As categorias de resistência diádica desenvolvidas para este estudo também podem ter implicações para pesquisas futuras. A pesquisa sobre conflito entre pais e adolescentes identificou que os desentendimentos podem assumir formas diferentes conforme etnias e culturas (Darling et al., 2005; Li e Warner, 2015; Phinney et al., 2005; Skinner et al., 2016). Pesquisas futuras poderiam aplicar as seis categorias deste estudo a outro conjunto de dados. Em pesquisas futuras, esperamos examinar a utilidade de nosso quadro conceitual em diferentes contextos de cultura, capacidades e tipos de relação de cuidado (por exemplo, entre família acolhedora e adolescente). Esses estudos podem ser úteis para refinar ou adaptar o quadro proposto e para compreender melhor se abrir e fechar o espaço para expressar resistência é uma forma útil de pensar o construto. Dados os atratores encontrados neste estudo, pesquisas futuras poderiam descrever, por meio da análise de dados qualitativos, os significados que pais e adolescentes atribuem um ao outro durante os estados atratores de resistência. Esses significados poderiam ser descritos analisando entrevistas de acompanhamento com pais e adolescentes após uma divergência em que um atrator foi identificado. A análise dessas entrevistas pode revelar informações importantes sobre as intenções, os objetivos e a história interpessoal que embasam os estados atratores de resistência. Por exemplo, compreender melhor por que adolescentes ou pais recorrem à minimização ou à rejeição poderia ajudar a desenvolver as categorias ao longo do contínuo de abertura e fechamento do espaço.
Este estudo amplia o que se sabe sobre a resistência diádica ao descrever os microprocessos que ocorrem momento a momento ao longo do tempo nas interações entre pais e adolescentes antes e depois da entrada no ensino médio. Desenvolvemos uma abordagem nova para mapear a resistência diádica em um plano bidimensional, de modo a permitir a análise por GEE. Embora nossos resultados não tenham mostrado diferença de flexibilidade entre os momentos, foram encontradas diferenças nos estados atratores e na distância entre grades, o que oferece evidências preliminares de que os tipos de resistência diádica diferem antes e depois de transições familiares significativas, como a passagem para o ensino médio.
Complexe Systémique: a reter
O interesse do artigo está na mudança de escala: em vez de medir quanto e com que intensidade se discute, ele acompanha o vaivém dos turnos de fala e nomeia estados aos quais a díade volta, o que a clínica sistêmica reconhecerá como redundâncias interacionais. O contínuo “abrir ou fechar o espaço”, apresentado sem julgamento moral, oferece um vocabulário simples para a sessão: identificar com a família o momento em que a figura parental minimiza e quem é adolescente se fecha, por exemplo revendo juntos um trecho filmado. Os resultados continuam frágeis: 23 díades, sobretudo mães, uma pessoa diferente codificando cada momento, o que mistura o efeito do tempo com o de quem codifica, atratores identificados sem queda nítida no peneiramento e uma distância entre grades testada contra zero, embora ela não possa ser negativa. O artigo também anuncia uma terceira pergunta de pesquisa que não foi formulada. Vale ler como uma pista de método, mais do que como uma demonstração. Para ler junto com o artigo sobre morfostase e morfogênese e com o artigo sobre erros e dilemas no trabalho com adolescentes.
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Tradução não oficial em português de A resistência diádica nas interações entre pais e adolescentes: uma análise por grades de espaço de estados antes e depois da entrada no ensino médio, de Daniel Ji, Frances Cabahug e Sheila K. Marshall, Family Relations, vol. 75, no 2 (2026), doi: 10.1111/fare.70137, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença (tabela apresentada em lista, legenda da figura traduzida). Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.
Tradução não oficial para o português de “Dyadic resistance during parent–adolescent interactions: A state space grid analysis before and after high school”, publicado em Family Relations (2026) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.
Ler o artigo originalComo citar este artigo
Ji, D., Cabahug, F., et Marshall, S. K. (2026). A resistência diádica nas interações entre pais e adolescentes: uma análise por grades de espaço de estados antes e depois da entrada no ensino médio (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/a-resistencia-diadica-entre-pais-e-adolescentes-antes-e-depois-do-ensino-medio (Obra original publicada em 2026 em Family Relations, 75(2), 901-920 (2026); republicada em 2026 por Family Relations, https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/fare.70137)
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