Esta versão foi traduzida do inglês pelo Complexe Systémique com a ajuda da inteligência artificial. Em caso de dúvida, prevalece a versão original.
Journal of Solution Focused Practices · Pesquisa empírica
Cento e sessenta e sete pessoas vindas estudar na Turquia, sobretudo da África, entrevistadas on-line entre março e junho de 2021: o medo do vírus anda junto com mais dificuldades de ajustamento, mas só entre as pessoas que pensam “problema”. Entre as que obtêm uma pontuação elevada no inventário de pensamento focado nas soluções de Grant, a relação desaparece. Aman Sado Elemo, da Universidade Gelişim de Istambul, propõe uma moderação clássica, com um modelo que só explica 7% da variância e uma amostra em bola de neve, e tira dela uma recomendação modesta para os serviços de apoio universitários: ensinar a olhar para o que funciona.
Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de Fear of COVID-19 and Psychological Adjustment Among International Students: Solution-Focused Thinking as a Moderator, de Aman Sado Elemo, publicado no Journal of Solution Focused Practices (2024), doi: 10.59874/001c.120630, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e paginado de novo, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. As quatro tabelas são apresentadas em fichas; a figura 1 não é reproduzida. A revista publica também resumos em chinês e em espanhol. Esta tradução não foi feita pelo autor nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.
Resumo. Este estudo examinou a relação entre o medo da COVID-19 e o pensamento focado nas soluções, e como ela afeta o ajustamento psicológico da população estudantil internacional durante a pandemia. No total, 167 estudantes internacionais participaram desta pesquisa transversal por amostragem em bola de neve. O pensamento focado nas soluções revelou uma relação negativa e significativa com o medo da COVID-19 e com os problemas de ajustamento psicológico. Em contrapartida, observou-se uma associação positiva entre o medo da COVID-19 e os problemas de ajustamento psicológico. A análise de moderação realizada com a macro PROCESS mostrou que o pensamento focado nas soluções moderava significativamente a relação entre o medo da COVID-19 e os problemas de ajustamento psicológico. Os resultados deste estudo têm implicações importantes para as intervenções destinadas a facilitar o ajustamento da população estudantil internacional, que poderão considerar intervenções orientadas para o pensamento focado nas soluções.
Palavras-chave: medo da COVID-19, pensamento focado nas soluções, estudantes internacionais, ajustamento psicológico
Estudar no exterior pode significar sair da zona de conforto, correr riscos, viver longe da família e das amizades de infância, e adaptar-se a viver num país estrangeiro. Essa população estudantil pode encontrar diversos desafios emocionais ao enfrentar essas dificuldades particulares e ao tentar construir uma nova identidade (Elemo et al., 2022; Fiorillo & Gorwood, 2020). Esses desafios, combinados com as barreiras linguísticas, os problemas de saúde mental não tratados, o estresse de aculturação, a discriminação percebida e a falta de compreensão da comunidade de acolhimento (Elemo & Türküm, 2019; Huang et al., 2020; Sherry et al., 2010; Xu, 2021), podem explicar a deterioração da saúde mental da população estudantil internacional. Em consequência, o bem-estar físico e mental desse grupo pode ser afetado negativamente por uma experiência estressante como a COVID-19.
Durante a pandemia, a população estudantil internacional, como todo mundo, teve de aprender a viver com os desafios e as mudanças que ela trouxe. O fechamento das escolas em nível nacional levou o ensino universitário para o ensino a distância; contudo, com os avanços da vacinação, foi anunciado um retorno ao ensino presencial (Özer et al., 2022) e o ensino universitário passou, em todo o país, ao formato presencial ou híbrido. Para a maioria das pessoas estudantes, passar de um ambiente de aprendizagem on-line para um ambiente híbrido ou presencial pode ser uma experiência positiva, porque lhes dá a oportunidade de reencontrar o corpo docente e o restante da turma. Mas, para algumas, voltar à sala de aula depois de quarentenas rigorosas pode desencadear ansiedade (Fiorillo & Gorwood, 2020; Sherry et al., 2010).
Estudar no exterior e adaptar-se ao mesmo tempo às mudanças abruptas trazidas pela COVID-19 e à cultura do país de acolhimento pode ser esmagador e frustrante, além dos muitos estresses e ansiedades próprios da vida universitária (Sherry et al., 2010). A relutância de parte da população estudantil internacional em procurar ajuda profissional, apesar de ter maior probabilidade de sofrer problemas de saúde mental (Huang et al., 2020), também pode agravar os desafios que enfrenta, em particular quando adota um pensamento centrado no problema. Determinar se o pensamento focado nas soluções pode contribuir para uma melhor adaptação dessa população em situações estressantes como a COVID-19 é, portanto, importante para ajudar a pesquisa e a prática a identificar formas de preparar melhor essas pessoas para a vida durante os estudos no exterior.
Em comparação com as pessoas que deixaram o país e voltaram para casa, as que ficaram durante a quarentena da COVID-19 estavam mais suscetíveis a problemas de saúde mental (Lai et al., 2020). As preocupações com os estudos, com a segurança e o bem-estar dos entes queridos, e o estigma e a discriminação que encontram ao estudar no exterior podem explicar a deterioração da sua saúde mental. Nessas situações esmagadoras, é importante que escolham prestar atenção ao que funciona em vez do que não funciona, e continuem a amplificar os recursos disponíveis que ajudam a se adaptar e a enfrentar os desafios.
Um dos traços psicológicos que ajudam as pessoas a superar experiências estressantes é a sua capacidade de controlar a forma como respondem ao estresse e a sua maneira de abordar a resolução dos problemas. O tempo dedicado às causas do problema ou à geração de soluções varia de pessoa para pessoa. Enquanto algumas pessoas passam muito tempo nas causas (pensamento centrado no problema), outras preferem passar tempo nas soluções (pensamento focado nas soluções) (Anaswara et al., 2016). As pessoas que adotam uma abordagem positiva para descobrir o que funciona, em vez de se centrarem no negativo, podem se concentrar em soluções práticas e se distanciar dos problemas ativando as suas qualidades e recursos existentes (McAllister, 2013), aumentando assim a sua autoeficácia e reforçando a sua resiliência (Şanal Karahan & Hamarta, 2020). Trata-se, portanto, de saber se a população estudantil internacional escolhe concentrar a atenção, as forças interiores e os recursos no que funciona, e quão bem aborda as situações estressantes com uma abordagem focada nas soluções para lidar com elas de forma adaptativa.
O pensamento focado nas soluções se organiza em torno de três temas: orientação para objetivos, desligamento do problema e ativação de recursos (Al-Ma’seb, 2018). O desligamento do problema é a medida em que se pensa com um problema em mente. A orientação para objetivos diz respeito à orientação de uma pessoa para os seus objetivos, levando em conta os resultados desejados e desenvolvendo a autorregulação. A ativação de recursos se define como o reconhecimento e o uso, por uma pessoa, dos seus recursos e capacidades (Grant et al., 2012). Os recursos de uma pessoa podem ser reforçados, e as suas ideias e o seu senso de si ampliados, concentrando-se no que funciona em vez do que não funciona (Murphy, 2015). Isso exige a capacidade de se concentrar no que está acontecendo no momento presente e de ter consciência disso.
Desligar-se do problema e concentrar-se na solução (Grant et al., 2012) pode aumentar a autoconfiança, reforçar a capacidade de produzir soluções e de utilizar as próprias forças (Ayar & Sabanciogullari, 2021), permitindo às pessoas uma orientação mais forte para objetivos (Jackson & McKergow, 2007). Essa forma de pensar tem o potencial de reduzir o sofrimento psicológico e de apoiar o bem-estar psicológico (Şanal Karahan & Hamarta, 2020). Assim, escolher envolver-se no pensamento focado nas soluções, definindo objetivos, dando passos concretos para agir sobre o que funciona e depois observando o processo para alcançar esses objetivos, pode permitir lidar com situações estressantes como a COVID-19.
O ajustamento psicológico é a capacidade de uma pessoa que estuda no exterior de se manter num estado mental e emocional equilibrado, mobilizando recursos de coping para responder às exigências da adaptação e concentrar-se em alcançar os seus objetivos (Elemo & Türküm, 2019). Contudo, algumas dessas pessoas podem hesitar em enfrentar os desafios da adaptação, procurando o familiar ou escolhendo evitar os fatores de estresse. Isso se torna uma desvantagem para responder às exigências da adaptação e ajustar-se à vida no exterior. Assim, quanto mais consciência essas pessoas tiverem dos seus recursos e quanto mais responderem de forma adaptativa a situações estressantes como a COVID-19, por meio de uma abordagem focada nas soluções, mantendo mais relaxamento e concentração no que funciona (Hick & Bien, 2008), melhor lidarão com os fatores de estresse e com as exigências do ajustamento.
Por isso, o resultado deste estudo ajudará os centros de aconselhamento das universidades a considerar o papel do pensamento focado nas soluções na facilitação do ajustamento da população estudantil internacional. Além disso, pode ajudar a compreender se essa população tende a pensar de forma centrada no problema ou focada nas soluções ao lidar com os desafios do ajustamento e com situações estressantes como a COVID-19, o que pode contribuir para a sua capacidade de se concentrar no que funciona e de usar melhor os seus recursos. Assim, o objetivo deste estudo é examinar o papel do pensamento focado nas soluções na relação entre os desafios de ajustamento psicológico e o medo da COVID-19. Em conformidade, o presente estudo propõe as seguintes hipóteses (H):
H1: O medo da COVID-19 está negativamente relacionado com o pensamento focado nas soluções na população estudantil internacional na Turquia.
H2: O pensamento focado nas soluções modera a relação entre o medo da COVID-19 e o ajustamento psicológico na população estudantil internacional na Turquia.
Tabela 1. Características demográficas das pessoas participantes
No total, 167 pessoas vindas estudar na Turquia (103 homens, 64 mulheres) participaram de uma pesquisa on-line divulgada por meio das contas de redes sociais da população estudantil internacional entre março e junho de 2021, por amostragem em bola de neve. O estudo foi realizado de acordo com a Declaração de Helsinque. Como parte do procedimento, o objetivo do estudo foi informado e foram obtidos consentimentos informados eletrônicos antes que as pessoas começassem a responder ao questionário. O formulário Google estava em inglês e foi preparado de forma a permitir que cada pessoa se retirasse do estudo a qualquer momento.
Como indica a tabela 1, a idade média das pessoas participantes era de 25,6 anos (DP = 5,18). Quanto aos países de origem, a maioria (60,5%) vinha da África. Os demais 32,9%, 5,9% e 0,6% vinham da Ásia, da Europa e da América do Sul, respectivamente. Os anos de estadia na Turquia distribuíam-se assim: menos de 1 ano (N = 12, 7,2%), entre 1 e 3 anos (N = 65, 38,9%), entre 4 e 6 anos (N = 59, 35,3%) e 6 anos ou mais (N = 31, 18,6%).
Escala de medo da COVID-19 (FCV-19S). A FCV-19S é uma escala de tipo Likert de cinco pontos (1 = discordo totalmente a 5 = concordo totalmente) usada para avaliar o medo da COVID-19. Foi desenvolvida por Ahorsu et al. (2020) e compreende sete itens (por ex. “Meu coração acelera quando penso em pegar o coronavírus-19”) com um único fator. As pontuações possíveis variam entre 7 e 35, e pontuações mais altas indicam maior medo da COVID-19. A consistência interna da FCV-19S no presente estudo é de 0,90.
Escala de ajustamento dos estudantes internacionais (ISAS). A ISAS é uma escala de tipo Likert de sete pontos (1 = não me descreve, ou não é verdade para mim, a 7 = descreve-me, ou é verdade para mim). É usada para avaliar os níveis de ajustamento psicológico da população estudantil internacional. Originalmente uma escala de 38 itens desenvolvida por Crano e Crano (2016), foi mais tarde reduzida a 12 itens (por ex. “Prefiro voltar para casa imediatamente”) por Sakurai, McCall-Wolf e Kashima (2010). Fez-se uma modificação substituindo “Austrália” por “Turquia” nos itens 1, 3, 6, 7 e 12. As pontuações possíveis variam entre 12 e 84. Pontuações mais baixas indicam melhor ajustamento psicológico. O coeficiente de consistência interna da ISAS neste estudo foi de 0,87.
Inventário focado nas soluções (SFI). O SFI é uma escala de tipo Likert de seis pontos (1 = discordo totalmente a 6 = concordo totalmente) usada para avaliar a tendência de uma pessoa a construir pensamentos que apoiam mudanças focadas nas soluções. Foi desenvolvido por Grant et al. (2012) e contém 12 itens com três subescalas: desligamento do problema, orientação para objetivos e ativação de recursos. As pontuações possíveis variam entre 12 e 72, e pontuações mais altas indicam maior capacidade de construir um pensamento focado nas soluções. O coeficiente de consistência interna do SFI neste estudo foi de 0,83.
Formulário de informação demográfica. Perguntas preparadas pela equipe de pesquisa ajudaram a coletar informações sobre a idade, o gênero, o ano de estadia na Turquia, o país de origem das pessoas participantes e se tinham sido hospitalizadas por COVID-19 ou não.
Para testar o modelo proposto, seguiu-se uma abordagem analítica em duas etapas, com estatísticas descritivas e teste de hipóteses. As análises preliminares incluíram estatísticas descritivas para determinar as características da amostra e a distribuição das variáveis principais. Os dados foram verificados quanto ao cumprimento adequado dos pressupostos de normalidade univariada e multivariada, de linearidade e de homogeneidade. Para realizar as análises de moderação do modelo proposto, usou-se o software PROCESS Macro para SPSS v3.3 (Hayes, 2017). Além da análise de moderação, empregou-se o procedimento de bootstrap com 5000 reamostragens para estimar os intervalos de confiança de 95%, a fim de investigar a significância dos efeitos de moderação.
As estatísticas descritivas, as intercorrelações das variáveis do estudo e os coeficientes de confiabilidade interna de cada medida são apresentados na tabela 2. O medo da COVID-19 estava associado negativa e significativamente ao pensamento focado nas soluções (r = -0,401, p < 0,01), e positiva e significativamente aos problemas de ajustamento psicológico (r = 0,178, p < 0,01). O pensamento focado nas soluções, por seu lado, estava negativa e estatisticamente relacionado com os problemas de ajustamento psicológico (r = -0,187, p < 0,01).
Tabela 2. Correlações, medidas descritivas e consistência interna (N = 167)
Tabela 3. Teste dos efeitos de moderação do pensamento focado nas soluções
Nas análises de moderação, o medo da COVID-19 era a variável preditora, o ajustamento psicológico a variável de resultado, e o pensamento focado nas soluções a variável moderadora. Para verificar a hipótese, usou-se a macro PROCESS para testar o modelo de moderação. A tabela 3 mostra os efeitos de moderação do modelo.
Como indica a tabela 3, o modelo revelou-se significativo (F(3, 163) = 4,31, p < 0,01, R² = 0,07) e explicava 7% da variância. Como esperado, o medo da COVID-19 era um preditor significativo dos problemas de ajustamento psicológico (β = 1,58, p < 0,05). Os dados não revelaram um efeito direto significativo do pensamento focado nas soluções nos problemas de ajustamento psicológico da população estudantil internacional (β = 0,47, p > 0,05). Foi antes a interação entre o medo da COVID-19 e o pensamento focado nas soluções que predisse significativamente os problemas de ajustamento psicológico (β = -0,03, p < 0,05). Portanto, o pensamento focado nas soluções serviu de moderador na associação entre o medo da COVID-19 e os problemas de ajustamento psicológico.
Para apurar melhor a essência do efeito de interação no modelo hipotético, o pensamento focado nas soluções foi dividido em subgrupos médio, baixo (1 DP abaixo da média) e alto (1 DP acima da média). Usou-se uma análise de inclinações simples para determinar o efeito do medo da COVID-19 no ajustamento da população estudantil internacional em diferentes níveis de pensamento focado nas soluções.
Como ilustra a tabela 4, os resultados desta análise mostram que a interação entre o medo da COVID-19 e os problemas de ajustamento psicológico é significativa e positiva aos níveis baixos de pensamento focado nas soluções (β = 0,55, EP = 0,22, p < 0,05). Em outras palavras, um nível elevado de medo está associado a níveis elevados de problemas de ajustamento psicológico quando o nível de pensamento focado nas soluções é baixo. A relação negativa e não significativa surgiu quando as pessoas participantes relataram níveis elevados de pensamento focado nas soluções (β = -0,03, EP = 0,20, p > 0,05). A mesma tendência surgiu nas pessoas com níveis médios de pensamento focado nas soluções (β = 0,26, EP = 0,15, p > 0,05). Quando os níveis de pensamento focado nas soluções são elevados, a relação entre o medo da COVID-19 e os problemas de ajustamento psicológico não só é não significativa como é inversa, dado que as pessoas participantes relataram níveis elevados de pensamento focado nas soluções. A representação gráfica do efeito do pensamento focado nas soluções na relação entre o medo da COVID-19 e os problemas de ajustamento psicológico é dada na figura 1.
Tabela 4. Estimativas das inclinações simples (N = 167)
Figura 1. Representação gráfica do efeito do pensamento focado nas soluções na relação entre o medo da COVID-19 e os problemas de ajustamento psicológico. Figura não reproduzida.
O presente estudo foi realizado para examinar o efeito de interação do medo da COVID-19 e do pensamento focado nas soluções no ajustamento psicológico da população estudantil internacional. Como resultado, a análise revelou uma associação significativa e negativa entre o medo da COVID-19 e o pensamento focado nas soluções, apoiando a primeira hipótese (H1). Nessa condição, um medo aumentado da COVID-19 torna-se uma desvantagem para as pessoas que não tendem a usar o pensamento focado nas soluções. Embora não tenha avaliado a relação específica entre o medo da COVID-19 e o pensamento focado nas soluções, um estudo com equipes de enfermagem e obstetrizes durante o surto de COVID-19 indicou uma relação inversa entre o pensamento focado nas soluções e a ansiedade (Selçuk Tosun et al., 2021), o que indica também o potencial das intervenções focadas nas soluções para reduzir os níveis de ansiedade (Zengin et al., 2021). Essas pessoas podem tomar a iniciativa de usar o pensamento focado nas soluções com mais frequência e de lidar com os desafios do ajustamento e com as condições da COVID-19, desde que o seu medo se torne administrável.
Níveis baixos de ansiedade ligada ao coronavírus estavam relacionados com melhor ajustamento psicológico (G. Arslan et al., 2021). As pessoas que relataram pontuações mais altas de medo da COVID-19 podem ter tido preocupações com as incertezas e as mudanças durante a pandemia. Assim, os seus pensamentos podem ter estado tomados pelos problemas que percebiam. Nesse sentido, seria difícil para elas organizar os seus recursos em direção a soluções, e hesitariam em dar pequenos passos para formar novos hábitos (Elemo & Türküm, 2019). Contudo, as pessoas com níveis elevados de pensamento focado nas soluções podem ativar os seus recursos psicológicos para se adaptar ao novo ambiente e às condições em mudança (Zhou & Lin, 2016). Assim, apesar da pandemia de COVID-19 e do seu amplo leque de fatores de estresse, essa população estudantil pode ter conseguido se adaptar às mudanças e manter o equilíbrio mental e emocional.
Em conformidade com a segunda hipótese (H2), o resultado notável deste estudo é o papel moderador do pensamento focado nas soluções na relação entre o medo da COVID-19 e o ajustamento psicológico. O pensamento focado nas soluções pode mudar a força da relação entre o medo da COVID-19 e os problemas de ajustamento psicológico. Este estudo revelou que só quando as pontuações de pensamento focado nas soluções eram mais baixas o medo da COVID-19 estava significativamente relacionado com os problemas de ajustamento psicológico. Esses resultados são consistentes com os de pesquisas anteriores que sugerem o papel protetor do pensamento focado nas soluções contra as ansiedades relacionadas com a COVID-19 (Selçuk Tosun et al., 2021) e a sua contribuição para o apoio ao bem-estar psicológico (Ü. Arslan & Asıcı, 2021; Şanal Karahan & Hamarta, 2020).
Quando a adaptação psicológica das pessoas está em risco devido a condições fora do seu controle (por ex. a pandemia de COVID-19), o pensamento focado nas soluções pode ajudar a sustentar o mecanismo de coping adequado (ativação de recursos e esforços concentrados nos objetivos) e a melhorar o bem-estar (Ayar et al., 2021; Grant et al., 2012). Ter uma mentalidade focada nas soluções pode ajudar as pessoas a deslocar o foco dos problemas para as soluções (Grant et al., 2012; Kondrat & Teater, 2012). Concentrar-se nas soluções fortalece o potencial de coping e melhora a autoconsciência (Şanal Karahan & Bakalım, 2021). Assim, as pessoas que relataram um pensamento focado nas soluções mais elevado podem ter se empenhado em esforços de descoberta e desenvolvimento das forças interiores (McAllister, 2013) e ter vivido um melhor ajustamento psicológico.
Como observação final, é importante considerar as limitações do estudo. Primeiro, embora o link da pesquisa tenha sido amplamente compartilhado nas redes sociais (grupos de WhatsApp e Facebook) onde a população estudantil internacional podia acessá-lo on-line, pode haver viés de seleção. Isso pode acontecer porque as plataformas de redes sociais usadas por cada pessoa em mobilidade estudantil na Turquia podem não ter sido acessíveis à equipe de pesquisa. Recomenda-se, portanto, que os estudos futuros prevejam alcançar mais pessoas dessa população no país por e-mail. Segundo, este estudo se baseia num desenho de pesquisa transversal. O desenho é limitado quanto à possibilidade de compreender a relação de causa e efeito, e de efeito a longo prazo, entre as variáveis. Com o acesso da população estudantil internacional na Turquia à vacinação, espera-se que o medo relacionado com a pandemia de COVID-19 diminua com o tempo. Assim, a pesquisa futura poderá considerar estudos longitudinais, para que a relação entre as variáveis do estudo seja melhor examinada em diferentes períodos. Apesar dessas limitações, os resultados deste estudo apoiam a importância do pensamento focado nas soluções na gestão dos efeitos do medo da COVID-19 sobre os desafios de ajustamento psicológico, e iluminam o seu potencial para apoiar intervenções psicológicas destinadas a facilitar o ajustamento da população estudantil internacional.
Este estudo é um dos primeiros trabalhos a sugerir o papel do pensamento focado nas soluções na relação entre o medo da COVID-19 e o ajustamento psicológico da população estudantil internacional durante a pandemia. Assim, as intervenções centradas no pensamento orientado para as soluções podem ser promissoras para reforçar as adaptações psicológicas. Por isso, as unidades de apoio psicológico podem considerar o pensamento focado nas soluções ao organizar seminários, ao oferecer seminários e ao planejar programas de intervenção psicológica destinados a facilitar um melhor ajustamento dessa população. Além disso, o resultado deste estudo pode ser um dos primeiros passos para acrescentar programas de intervenção de grupo focados nas soluções para estudantes internacionais. Assim, essas pessoas poderiam ser encorajadas a deslocar o foco dos problemas para as suas forças e recursos interiores. Também poderiam receber oportunidades envolventes e significativas de desenvolver competências de definição de objetivos, de elaboração de planos focados nas soluções, de dar passos concretos e depois de monitorar o progresso em direção a esses objetivos, por meio de programas de psicoeducação e de aconselhamento de grupo. As universidades também podem desempenhar um papel importante ao buscar diferentes formas de oferecer conforto e apoio à população estudantil internacional, para que ela escolha concentrar a mente nas coisas e nas soluções que funcionam.
Conflito de interesses: a pessoa que assina o artigo declara não ter conflito de interesses. Financiamento: esta pesquisa não recebeu financiamento externo. Comitê de ética: o estudo foi conduzido de acordo com a Declaração de Helsinque. Declaração: o consentimento informado foi obtido de todas as pessoas participantes. Disponibilidade dos dados: os dados que sustentam os resultados deste estudo estão disponíveis com a pessoa signatária mediante pedido razoável.
Submetido em 20 de maio de 2024, aceito em 24 de junho de 2024, publicado em 4 de julho de 2024.
Complexe Systémique: para lembrar
Um estudo de moderação honesto quanto aos seus limites: 167 pessoas respondentes recrutadas em bola de neve, um desenho transversal, um modelo que explica 7% da variância e uma interação significativa por pouco. O resultado central é plausível e merece ser guardado pelo que é: o medo só prejudica o ajustamento entre as pessoas que ruminam o problema, e o “pensamento focado nas soluções” do inventário de Grant, desligamento do problema, objetivos, recursos, é aqui uma disposição medida, não uma intervenção. Convém, portanto, ler com prudência o salto da conclusão para os programas de grupo, que nada nos dados testa. O interesse para nós está em outro lugar: uma pesquisa feita em Istambul, uma população estudantil sobretudo africana, uma literatura turca abundante e quase desconhecida em português, exatamente o que Macdonald anunciava em 2013. Para ler com o ponto de vista de Macdonald sobre a literatura e a escala de comunicação de Kitai.
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Tradução não oficial em português de Fear of COVID-19 and Psychological Adjustment Among International Students: Solution-Focused Thinking as a Moderator, de Aman Sado Elemo, publicado no Journal of Solution Focused Practices, vol. 8, n.º 1 (2024), doi: 10.59874/001c.120630, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença (tabelas em fichas, figura não reproduzida). Nem o autor nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.
Tradução não oficial para o português de “Fear of COVID-19 and Psychological Adjustment Among International Students: Solution-Focused Thinking as a Moderator”, publicado em Journal of Solution Focused Practices (2024) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.
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Elemo, A. S. (2024). Medo da COVID-19 e ajustamento psicológico dos estudantes internacionais: o pensamento focado nas soluções como moderador (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/medo-da-covid-19-e-ajustamento-psicologico-dos-estudantes-internacionais-o-pensamento-focado-nas-solucoes-como-moderador (Obra original publicada em 2024 em Journal of Solution Focused Practices, vol. 8, n° 1 (2024); republicada em 2024 por Journal of Solution Focused Practices, https://journalsfp.org/article/120630)
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