Journal of Child and Family Studies · Família

Violência interparental: semelhanças e discrepâncias entre as narrativas das mães e de seus filhos

Uma mãe e seu filho ou filha contam a mesma história sobre a mesma violência conjugal? Uma equipe neerlandesa comparou, entrevista por entrevista, os relatos de 36 mães e de 43 de seus filhos. Sobre o clima em casa, os relatos convergem; sobre o que a criança viu, sofreu e sentiu, divergem: as crianças presenciaram muito mais violência do que as mães supunham, e seu sofrimento interior muitas vezes passa despercebido.

Autores Floor Barbera van Rooij e Winneke Aalken van der Schuur (Universidade de Amsterdã, Países Baixos); Majone Steketee, Jodi Mak e Trees Pels (Verwey-Jonker Instituut, Utrecht, Países Baixos; Trees Pels também na Universidade Livre de Amsterdã)Primeira publicação Journal of Child and Family Studies, 1º de fevereiro de 2015Tradução Complexe Systémique, tradução não oficial

Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de Violência interparental: semelhanças e discrepâncias entre as narrativas das mães e de seus filhos, de Floor Barbera van Rooij, Winneke Aalken van der Schuur, Majone Steketee, Jodi Mak e Trees Pels, publicado na Journal of Child and Family Studies (Springer) (2015), doi: 10.1007/s10826-015-0137-3, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. As tabelas são apresentadas em forma de listas; as trocas citadas são apresentadas em forma de diálogo. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.

Aparentemente, as crianças tinham testemunhado mais violência do que as mães supunham.

Floor Barbera van Rooij, Winneke Aalken van der Schuur, Majone Steketee, Jodi Mak e Trees Pels

Resumo

Os estudos e os programas de intervenção sobre violência interparental têm se apoiado em grande parte em relatos colhidos apenas com os pais ou apenas com as crianças. No entanto, a literatura e o referencial teórico indicam que existem discrepâncias entre as narrativas dos pais e as dos filhos. Este estudo se concentra, portanto, nas semelhanças e diferenças entre as narrativas das mães e as de seus filhos sobre a exposição das crianças à violência interparental e seu impacto no funcionamento da criança e dos pais. Foram realizadas entrevistas abertas em profundidade para conhecer as narrativas de 36 mães (de 27 a 59 anos) e de 43 de seus filhos (17 meninos e 26 meninas, de 9 a 25 anos) que haviam vivido violência interparental no passado. Um sistema de codificação hierárquico foi usado para codificar as entrevistas. Em seguida, as diferenças entre as narrativas das mães e as das crianças foram analisadas com base nos fragmentos codificados. Poucas diferenças foram encontradas entre as narrativas no que diz respeito ao funcionamento parental. Encontramos, porém, discrepâncias quanto à exposição das crianças à violência interparental e ao seu impacto no funcionamento da criança. Análises exploratórias mostraram relações entre as discrepâncias, a gravidade da violência e a idade das crianças. É essencial dar mais atenção a essas diferenças para ampliar o conhecimento sobre o impacto complexo da violência nos membros da família e para aprimorar um apoio ajustado às suas necessidades específicas.

Palavras-chave: violência interparental, discrepâncias entre fontes de informação, relatos mãe-criança, funcionamento parental, funcionamento da criança

Introdução

Estimativas de prevalência indicam que, nos Países Baixos (país onde este estudo foi realizado), cerca de 10% da população foi exposta à violência doméstica. O tipo mais comum de violência doméstica é a violência interparental, isto é, a violência que ocorre entre os pais (Van der Veen e Bogaerts 2010). A exposição à violência interparental tem um impacto importante no funcionamento das crianças e das famílias (por exemplo, Holt et al. 2008). As crianças expostas à violência interparental são mais vulneráveis a problemas de ajustamento. Elas apresentam, por exemplo, mais problemas internalizantes, externalizantes e escolares. Além disso, a exposição à violência interparental está associada a níveis mais altos de abuso emocional, físico e sexual contra as crianças (DeBoard-Lucas e Grych 2011; Holt et al. 2008; Kitzmann et al. 2003; Wolfe et al. 2003). Quanto ao funcionamento parental, as mães lutam continuamente para controlar suas condutas parentais durante os períodos de violência interparental (Pels et al. 2010; Peled e Gil 2011). Por exemplo, constatou-se que as mães têm dificuldade em proteger os filhos. Os relatos mostram que elas se esforçavam para se concentrar na parentalidade, conter o parceiro ou compensar a violência dele, além de proteger os filhos da exposição à violência. Ainda assim, muitas vezes não conseguiam impedir que os filhos fossem expostos à violência interparental (Peled e Gil 2011). Além disso, a violência interparental tem sido associada à indisponibilidade emocional das mães (Pels et al. 2010; Sturge-Apple et al. 2012). Vários estudos indicaram também que a relação entre violência interparental e funcionamento da criança é moderada, ou até mediada, pelo funcionamento parental (por exemplo, DeBoard-Lucas et al. 2010; Skopp et al. 2007; Sturge-Apple et al. 2012). Por exemplo, uma parentalidade que oferece apoio diminui a autoculpabilização das crianças, e essa autoculpabilização só aparece quando os pais relatam níveis altos de comportamento coercitivo (DeBoard-Lucas et al. 2010). Um funcionamento familiar positivo é, portanto, um fator de proteção importante contra o desenvolvimento de problemas de ajustamento nas crianças.

É importante observar que diferentes membros de uma mesma família podem dar versões diferentes dos mesmos incidentes. Ao examinar a dinâmica complexa das famílias, é preferível considerar as perspectivas de várias fontes, para compreender essa dinâmica de forma mais completa (Cottrell et al. 2003; Pelegrina et al. 2003). Os estudos anteriores sobre violência interparental, porém, se apoiaram em grande parte em relatos colhidos apenas com os pais ou apenas com as crianças. Sabe-se menos sobre as discrepâncias entre as narrativas dos pais e as das crianças no que diz respeito à exposição à violência interparental e ao seu impacto no funcionamento da criança e da família. Encontramos apenas dois estudos sobre violência doméstica que incluíam alguma comparação entre os relatos das mães e os das crianças (Levendosky e Graham-Bermann 2001; McCloskey et al. 1995). Levendosky e Graham-Bermann (2001) encontraram correlações baixas entre os relatos das mães e os das crianças quanto ao ajustamento das crianças no contexto da violência interparental, mas não relataram as diferenças específicas entre essas duas fontes. McCloskey et al. (1995) observaram uma concordância geral baixa (mas significativa) entre os relatos das mães e os das crianças. O estudo encontrou correlações moderadas a altas entre mães e crianças nos relatos sobre agressão dentro da família (do pai contra a mãe, do pai contra a criança, da mãe contra a criança). Houve diferenças quanto ao apoio parental: enquanto nos relatos das mães o apoio parental não estava relacionado à extensão da violência familiar, as crianças de famílias com mais violência percebiam menos apoio parental.

Vários estudos em outras áreas do funcionamento da criança e da família revelaram discrepâncias entre os relatos dos pais e os dos filhos (por exemplo, Ohannessian et al. 2000; Pelegrina et al. 2003; Shapiro 2004; Stice e Barrera 1995). Por exemplo, as correlações entre as percepções de pais e filhos costumam ser moderadas ou baixas em relação aos problemas externalizantes das crianças. As crianças relatam níveis mais altos de problemas externalizantes do que os pais (Stice e Barrera 1995). Além disso, no estudo de Ohannessian e colegas, as crianças avaliaram o funcionamento da família de forma mais negativa do que os pais. As crianças também relatam níveis mais baixos de coesão e de ajustamento familiar do que os pais (Ohannessian et al. 2000).

A literatura propôs várias hipóteses para explicar as diferenças entre as percepções dos pais e as dos filhos. A hipótese do investimento intergeracional (Intergenerational Stake Hypothesis; Bengtson e Kuypers 1971; Giarrusso et al. 1995) procura explicar a variação nas perspectivas de pais e filhos pelas diferenças entre gerações (isto é, o “conflito de gerações”). O pressuposto é que as discrepâncias entre gerações surgem de variações nas motivações e nos níveis de investimento em diferentes períodos do desenvolvimento. Segundo essa hipótese, as gerações mais velhas valorizam a generatividade, o desejo de se engajar em esforços úteis e duradouros, como a procriação e a orientação da geração seguinte (Erikson 1968). Já as gerações mais novas buscam, com o tempo, conquistar a independência. Por exemplo, a necessidade de generatividade dos pais pode levá-los a manter a continuidade entre gerações investindo nos filhos, enquanto o desejo de independência dos filhos pode levá-los a investir menos nos pais. Os pais poderiam, portanto, ver suas condutas parentais ou sua relação com os filhos de forma mais positiva do que os filhos. O modelo socioestrutural (Social Structural Model; Risman e Park 1988) pode oferecer uma explicação adicional para as diferenças entre as narrativas dos pais e as dos filhos (Shapiro 2004). Esse modelo se refere à contribuição do contexto socioestrutural e sugere que pais e filhos ocupam posições estruturais diferentes na sociedade. As discrepâncias de percepções e de narrativas poderiam surgir de variações nas oportunidades e nas expectativas ligadas a essas posições socioestruturais. Por exemplo, crianças que percebem que a sociedade lhes oferece oportunidades suficientes tendem a se sentir mais independentes e a relatar um investimento menor por parte dos pais. Outro modelo centrado nas diferenças de perspectiva é o modelo contextual do viés de atribuição (Attribution Bias Context Model; De Los Reyes 2011; De Los Reyes e Kazdin 2005). Esse modelo foi desenvolvido originalmente para explicar as discrepâncias entre fontes de informação na avaliação clínica de crianças, com base no fenômeno ator-observador (Jones e Nisbett 1972). Embora trate das discrepâncias entre fontes na avaliação clínica de crianças, ele também pode explicar as discrepâncias entre as narrativas dos pais e as das crianças expostas à violência interparental. Como no modelo original, as crianças são atores e os pais observadores nas narrativas sobre o funcionamento da criança. Neste contexto, porém, os pais são atores e as crianças observadoras nas narrativas sobre a violência interparental e as condutas parentais. O modelo supõe que as diferenças entre atores e observadores surgem de discrepâncias de atribuição e de perspectiva. Segundo esse modelo, quem está na posição de ator tende a atribuir as causas de seus problemas ao contexto em que o comportamento se manifesta, desconsiderando ou negligenciando a própria disposição. As perspectivas e os relatos de quem age tendem, portanto, a se concentrar mais no contexto. Já quem observa tende a atribuir as causas dos problemas à disposição de quem age, desconsiderando ou negligenciando o contexto em que o comportamento se manifesta. As perspectivas e os relatos de quem observa tendem, portanto, a se concentrar mais nos comportamentos negativos de quem age (De Los Reyes 2011; De Los Reyes e Kazdin 2005).

Em suma, a hipótese do investimento intergeracional (Bengtson e Kuypers 1971; Giarrusso et al. 1995), o modelo socioestrutural (Risman e Park 1988; Shapiro 2004), o modelo contextual do viés de atribuição (De Los Reyes 2011; De Los Reyes e Kazdin 2005) e a literatura já mencionada indicam que são de esperar discrepâncias entre as narrativas das mães e as das crianças expostas à violência interparental. Por isso é importante investigar essas diferenças para compreender melhor a dinâmica das famílias expostas à violência interparental. Além disso, uma compreensão melhor das possíveis discrepâncias pode oferecer diretrizes para políticas melhores. Até agora, na maioria dos países, as crianças (ainda) não participam dos procedimentos de avaliação e tratamento: as equipes profissionais geralmente só conversam sobre as crianças com o pai ou a mãe (Mak e Steketee 2013). Depender de uma única fonte pode gerar informações incompletas sobre a exposição das crianças à violência interparental e sobre seu impacto no funcionamento das crianças e das famílias. Isso é especialmente preocupante porque políticas baseadas em informações tão incompletas podem resultar em apoio insuficiente tanto para os pais quanto para as crianças (por exemplo, Cottrell et al. 2003; Levendosky e Graham-Bermann 2001; Hill e Jones 1997; Pelegrina et al. 2003). Por exemplo, a subnotificação, pelos pais, da exposição dos filhos à violência interparental pode levar a uma reação insuficiente a essa exposição, bem como a um apoio ineficaz (Hill e Jones 1997). Uma consciência maior das discrepâncias entre as perspectivas das mães e as das crianças também pode ser importante para a prevenção. Se as equipes profissionais e as pessoas que atuam de modo informal forem capacitadas para conversar melhor sobre a violência interparental e suas consequências tanto com as mães quanto com as crianças, uma avaliação de risco poderia ser feita mais cedo para garantir a segurança da criança (Mak e Steketee 2013).

O objetivo deste estudo é comparar as narrativas de mães e de seus filhos que viveram violência interparental no que diz respeito à exposição das crianças a essa violência e ao seu impacto no funcionamento da criança e dos pais. Esperamos que as narrativas sejam diferentes, com base na hipótese do investimento intergeracional, no modelo socioestrutural e no modelo contextual do viés de atribuição. Por exemplo, segundo a hipótese do investimento intergeracional, as mães poderiam falar de sua parentalidade de forma mais positiva do que os filhos, dada sua necessidade de generatividade, as expectativas que percebem e a atribuição de suas dificuldades parentais ao contexto. Além disso, segundo o modelo socioestrutural, as crianças poderiam falar do próprio funcionamento de forma mais positiva do que as mães, dadas suas motivações, as expectativas da sociedade que percebem e a atribuição de seus problemas ao contexto, e não à própria disposição. Exploramos também a associação entre, de um lado, a gravidade da violência e a idade da criança e, de outro, as discrepâncias entre as narrativas das mães e as das crianças. Como observaram McCloskey et al. (1995), o grau de violência pode influenciar de modo diferente os relatos das mães e os das crianças. Da mesma forma, as capacidades cognitivas e socioemocionais ligadas à idade das crianças podem influenciar sua apreciação e avaliação da violência, bem como sua lembrança e revelação da violência (ver Fosco et al. 2007; Hungerford et al. 2012; Jouriles et al. 2000; Thompson et al. 2007).

Método

Participantes

Este estudo faz parte de um projeto de pesquisa mais amplo realizado nos Países Baixos sobre a influência da violência interparental na criança e no funcionamento parental (estudo qualitativo com entrevistas e revisão da literatura). O presente estudo envolveu análises secundárias das transcrições das entrevistas qualitativas de mães e crianças de uma mesma família (ver Pels et al. 2010).

Adotamos vários critérios de inclusão no recrutamento. Primeiro, as mães deveriam ter vivido violência interparental no passado, mas a violência deveria ter cessado no momento do estudo. Segundo, os filhos deveriam ter presenciado a violência e morado com os pais durante o período de violência interparental. Neste estudo, a exposição das crianças à violência interparental se refere ao conhecimento que as crianças tinham da violência interparental no passado. As crianças eram consideradas testemunhas se tivessem visto ou ouvido episódios de violência interparental, ou se tivessem sido expostas à violência de forma indireta, por exemplo quando a mãe lhes contava o ocorrido ou quando viam os ferimentos dela (Kitzmann et al. 2003). Terceiro, para aumentar a confiabilidade das lembranças, o último episódio de violência interparental deveria ter ocorrido entre 6 meses e 3 anos antes do estudo. Por fim, as pessoas participantes deveriam indicar que compreendiam o objetivo do estudo e que estavam dispostas e aptas a participar. Dependência química, deficiência intelectual e problemas graves de saúde mental eram, portanto, critérios de exclusão.

Para recrutar as mães, recorreu-se a pessoas-chave (por exemplo, pessoas que atuam na área de violência entre parceiros íntimos, parentalidade, juventude ou serviços comunitários, e pessoas, profissionais ou leigas, que trabalham com as comunidades visadas ou têm ampla rede de contatos nelas), a folhetos e a diversos meios de comunicação. Além disso, perguntou-se às participantes se conheciam outras mulheres dispostas a colaborar. Várias organizações profissionais também colaboraram no recrutamento das mães (por exemplo, o Steunpunt Huiselijk Geweld, um centro de apoio em violência doméstica, abrigos para mulheres e instituições para jovens). As crianças foram recrutadas pelas mães.

A amostra foi composta por 36 mães e 43 de seus filhos (17 meninos e 26 meninas). As mães tinham entre 27 e 59 anos (M = 41,11, DP = 7,03). Na maioria dos casos, participou um filho ou filha de cada mãe. Em cinco casos, porém, dois filhos da mesma mãe se dispuseram a participar, e em um caso, três filhos da mesma mãe. As crianças tinham entre 9 e 25 anos (M = 15,35, DP = 4,02). Os pares mãe-criança da amostra diferiam quanto à origem étnica das mães: 7 eram neerlandesas nativas, as demais eram imigrantes (N = 29; principalmente da região do Caribe (Suriname, Antilhas), da Turquia e do Marrocos; com base no país de nascimento da mãe e no de seu pai ou mãe). Das mães participantes, 47% (n = 17) tinham baixa escolaridade, 39% (n = 14) escolaridade intermediária e 14% (n = 5) escolaridade alta. Das crianças, 91% (n = 39) ainda estudavam, 7% (n = 3) trabalhavam e uma criança estava em casa por causa de dificuldades na escola. Para 26% das crianças (n = 11), o nível de estudos mais alto concluído era o ensino fundamental, enquanto 47% (n = 20) haviam concluído o ensino médio, 14% (n = 6) a formação profissional e 12% (n = 5) o ensino superior. A Tabela 1 descreve o tipo, a frequência e a duração da exposição das mães à violência do parceiro, conforme relatado pelas mães.

Tabela 1 — Violência interparental descrita pelas mães (n = 36): tipo, frequência e duração

  • Tipo de violência, N (%). Física: 30 (83); psicológica: 36 (100); sexual: 10 (28).
  • Frequência, N (%). Diária ou semanal: 25 (69); mensal: 7 (19); anual: 4 (11).
  • Duração, N (%). Mais de 5 anos: 23 (64); de 1 a 5 anos: 12 (33); menos de 1 ano: 1 (3).

Procedimentos

Os dados foram coletados por meio de entrevistas abertas em profundidade, de acordo com o caráter exploratório do estudo (Bryman 2008). Pessoas com experiência profissional em entrevistas foram selecionadas e capacitadas para o estudo. A capacitação incluiu uma introdução à violência interparental e à sua influência nas crianças, uma discussão das listas de tópicos e uma preparação para entrevistar vítimas de violência interparental e para entrevistar crianças. Além disso, foram feitos acordos com a equipe de entrevista sobre a segurança da situação durante a entrevista, e essa equipe foi informada dos possíveis riscos envolvidos nas entrevistas com as participantes.

A equipe de entrevista entrou em contato por telefone com as pessoas participantes para marcar a entrevista. O consentimento informado foi obtido no recrutamento das mães e novamente no início de cada entrevista, quando os objetivos do estudo eram explicados. Também se pediu às mães que explicassem aos filhos os objetivos da entrevista. No início da entrevista, informava-se explicitamente que as informações seriam usadas de forma confidencial e anônima. Foram tomadas medidas adicionais de acompanhamento: a equipe se oferecia para telefonar alguns dias depois da entrevista para saber como a pessoa estava e como a entrevista a havia afetado. Várias mães pareciam perceber pouco ou nenhum apoio; elas receberam informações sobre o centro de apoio em violência doméstica.

A duração das entrevistas com as mães variou de 60 a 180 minutos (M = 101,97, DP = 29,60). Para as crianças, variou de 16 a 125 minutos (M = 61,18, DP = 23,04). Do total, 58% das entrevistas foram realizadas na casa da pessoa participante e 42% em outros locais (por exemplo, um abrigo para mulheres ou um centro comunitário), escolhidos de acordo com a preferência das participantes. A equipe de entrevista avaliou positivamente todos os locais das entrevistas com as mães e 98% dos locais das entrevistas com as crianças. Antes da entrevista, dedicava-se tempo a criar um clima seguro e de confiança, e a equipe permanecia algum tempo depois da entrevista para encerrar o encontro de forma positiva. Por isso, a visita durava em média 140 minutos (DP = 56,15) para as mães e 109 minutos (DP = 86,10) para as crianças.

As entrevistas com as mães foram feitas em neerlandês em 69% dos casos; a língua materna da mãe foi usada em 22% das entrevistas, e 8% delas foram feitas tanto na língua materna quanto em neerlandês. O neerlandês foi usado em 89% das entrevistas com as crianças; em uma entrevista, foram usados tanto a língua materna quanto o neerlandês. Todas as entrevistas feitas em outras línguas foram traduzidas para o neerlandês pela equipe de entrevista. Com a permissão das participantes, 94% das entrevistas com as mães e 91% das entrevistas com as crianças foram gravadas; as demais pessoas autorizaram a tomada de notas. As entrevistas gravadas foram transcritas literalmente pela equipe de entrevista; as seis entrevistas não gravadas foram transcritas com base em anotações detalhadas.

Instrumentos

Foram elaboradas duas listas de tópicos, uma para as entrevistas com as mães e outra para as entrevistas com as crianças. A escolha dos tópicos se baseou em uma revisão da literatura (Lünnemann et al. 2011) e em entrevistas com profissionais de serviço social com experiência na área. Também foram consideradas listas de tópicos de outros estudos com famílias imigrantes (Dijkstra 2000; Lamers-Winkelman et al. 2007; Pels 2000; Skinner et al. 2005). Os conceitos das listas de tópicos foram verificados por uma pessoa especialista e por um comitê de especialistas. A segunda versão foi avaliada, quanto ao conteúdo e à estrutura, com uma equipe experiente em entrevistas. As listas foram então ajustadas com base em entrevistas-teste com mães e crianças de vários grupos étnicos. Em geral, tanto a equipe quanto as pessoas entrevistadas avaliaram positivamente as entrevistas-teste. Pequenos ajustes foram feitos na estrutura das entrevistas e na formulação das perguntas de exemplo.

Os tópicos abordados nas entrevistas com as mães incluíam o histórico da violência, a parentalidade durante e depois da violência interparental e o apoio percebido. Com base nas narrativas das mães, a violência vivida foi classificada em duas categorias: (1) leve a moderada e (2) grave a muito grave. A violência leve a moderada se refere a violência física esporádica que causa ferimentos nulos a moderados e a violência psicológica moderada, como humilhação e controle. A categoria grave a muito grave se refere a violência física mensal, semanal ou diária que muitas vezes resultou em ferimentos graves, e a violência psicológica grave, como isolamento, humilhações graves e controle total.

Os tópicos das entrevistas com as crianças incluíam a exposição da criança à violência, o impacto da violência na criança, a relação da criança com os pais, a perspectiva de futuro e o apoio percebido. A linguagem e o conteúdo das entrevistas foram adaptados para as crianças mais novas.

Análise dos dados

Usamos uma combinação de codificação dedutiva (top-down) e indutiva (bottom-up) para alcançar a saturação (Bryman 2008), estabelecendo assim um sistema de codificação hierárquico que refletisse os objetivos do estudo. Com base em estudos anteriores e nas listas de tópicos, estabelecemos um sistema central de codificação hierárquica, que ampliamos ou adaptamos quando necessário, por indução a partir do material das entrevistas.

Usamos o programa ATLAS.ti (1999) para codificar os fragmentos e analisar os dados. A codificação foi feita por uma pessoa da equipe de pesquisa. Para aumentar a confiabilidade, vários membros da equipe discutiram a aplicação dos códigos, garantindo uma codificação adequada e a saturação do livro de códigos. Foi um período intenso, em que a equipe discutiu a coerência na aplicação dos códigos a fragmentos específicos das entrevistas. Além disso, outros membros da equipe monitoraram sistematicamente a codificação para verificar se os fragmentos haviam sido codificados de forma coerente e consistente em várias entrevistas.

Para avaliar as diferenças entre as narrativas das mães e as de seus filhos, imprimimos e comparamos os fragmentos codificados. Na análise, dividimos os fragmentos entre os relativos ao período da violência interparental e os relativos ao período posterior. Os códigos principais para a exposição da criança à violência interparental são a exposição das crianças à violência interparental ou, mais especificamente, à violência praticada pelas figuras paternas e pelas mães. Para o funcionamento da criança, os códigos principais são: abuso contra a criança, comportamentos de enfrentamento (coping) das crianças e problemas das crianças (problemas emocionais e comportamentais). Os códigos principais para o funcionamento parental são o clima em casa e as dimensões parentais de apoio e controle. Além disso, para todos os resultados discrepantes, foram feitas análises exploratórias para investigar relações com a gravidade da violência e com a idade das crianças no momento da entrevista. Os padrões de discrepância segundo o tipo de violência e a idade das crianças só são discutidos na seção de resultados quando evidentes; ver a Tabela 2 para uma visão geral de todas as análises. Quando várias crianças da mesma faixa etária participaram, comparamos primeiro as narrativas delas. Não se observaram diferenças, e as narrativas (agregadas) foram comparadas às das mães. Em duas famílias, as duas crianças participantes não pertenciam à mesma faixa etária. Nesses casos, as análises foram feitas separadamente para a mãe e a criança mais nova e para a mãe e a criança mais velha, o que resultou em números ligeiramente diferentes (n = 38 em vez de n = 36; leve a moderada (n = 18), grave a muito grave (n = 20)) e, para a idade das crianças no momento da entrevista, [<16 (n = 23), ≥16 (n = 15)].

Tabela 2 — Discrepâncias entre as narrativas dos pares mãe-criança segundo o tipo de violência [leve a moderada (n = 18), grave a muito grave (n = 20)] e a idade da criança [<16 (n = 23), ≥16 (n = 15)], durante o período de violência interparental

Para cada discrepância: porcentagem (número) de pares envolvidos, segundo o tipo de violência e depois segundo a idade da criança.

  • Exposição — exposição da criança. Violência leve a moderada: 33% (6); grave a muito grave: 45% (9); criança com menos de 16 anos: 39% (9); com 16 anos ou mais: 40% (6).
  • Exposição — papel da mãe. Leve a moderada: 50% (9); grave a muito grave: 20% (4); menos de 16 anos: 44% (10); 16 anos ou mais: 20% (3).
  • Fatores explicativos — problemas do pai. Leve a moderada: 71% (12); grave a muito grave: 85% (17); menos de 16 anos: 73% (17); 16 anos ou mais: 80% (12).
  • Funcionamento da criança — abuso psicológico. Leve a moderada: 50% (9); grave a muito grave: 25% (5); menos de 16 anos: 48% (11); 16 anos ou mais: 20% (3).
  • Funcionamento da criança — abuso físico. Leve a moderada: 17% (3); grave a muito grave: 50% (10); menos de 16 anos: 39% (9); 16 anos ou mais: 27% (4).
  • Funcionamento da criança — enfrentamento por evitação. Leve a moderada: 28% (5); grave a muito grave: 30% (6); menos de 16 anos: 22% (5); 16 anos ou mais: 40% (6).
  • Funcionamento da criança — problemas internalizantes. Leve a moderada: 61% (11); grave a muito grave: 40% (8); menos de 16 anos: 44% (10); 16 anos ou mais: 60% (9).
  • Funcionamento da criança — problemas externalizantes. Leve a moderada: 22% (4); grave a muito grave: 5% (1); menos de 16 anos: 13% (3); 16 anos ou mais: 13% (2).
  • Funcionamento parental — apoio e controle. Leve a moderada: 22% (4); grave a muito grave: 35% (7); menos de 16 anos: 30% (7); 16 anos ou mais: 27% (4).

Nos resultados, alguns termos são usados para indicar quantidades (Sandelowski 2001). Poucas e raramente indicam que algo ocorreu em menos de 20% (n ≤ 7) das pessoas participantes; várias e uma minoria se referem a eventos presentes em 20 a 49% (7 < n < 17) das entrevistas, muitas vezes e a maioria em 50 a 80% (18 < n < 29), e muitas e frequentemente em mais de 80% (n ≥ 29) das entrevistas. Nos resultados, as figuras paternas são descritas como “figuras paternas” ou “pais”. Usamos falas de mães e de crianças para ilustrar os resultados, com informações adicionais sobre a pessoa entrevistada (por exemplo, mãe ou criança, sexo da criança, idade e origem étnica).

Embora a amostra incluísse pessoas de diferentes origens étnicas, não incluímos a etnia como fator nas análises, por causa do tamanho reduzido dos subgrupos. No entanto, o estudo mais amplo do qual nossa subamostra foi extraída mostrou que as discrepâncias entre as narrativas dos grupos étnicos quanto ao funcionamento parental e ao da criança eram desprezíveis (Pels et al. 2010).

Resultados

Narrativas sobre o período de violência interparental

A violência interparental e a exposição das crianças

Avaliamos a exposição da criança e o papel da mãe na violência interparental. Em geral, tanto as mães quanto as crianças relataram frequentemente que as crianças haviam sido expostas à violência interparental. Ainda assim, identificamos diferenças entre as narrativas das mães e as de seus filhos sobre essa exposição na maioria dos pares mãe-criança. Em vários casos, os relatos das crianças eram mais específicos do que os das mães. As mães tendiam a subnotificar as situações que os filhos haviam presenciado. Aparentemente, as crianças tinham testemunhado mais violência do que as mães supunham.

Mãe: As crianças nunca viram [a violência]. (27 anos, neerlandesa)

Criança: Acontecia na cozinha, começava com xingamentos, e aí ele batia nela. (menina, 14 anos, neerlandesa)

Além disso, identificamos diferenças entre as narrativas das mães e as de seus filhos quanto à violência praticada pelas mães. Várias crianças mencionaram violência mútua, enquanto as mães destacavam apenas a violência dos parceiros. Essa discrepância parecia mais presente nas famílias que viveram tipos de violência leve a moderada e nas crianças com menos de 16 anos (Tabela 2).

Mãe: [A violência] era realmente dirigida contra mim. (32 anos, hindustani)

Criança: Meu pai bate, mas minha mãe é bem pior. Quando ela começa a gritar, todo mundo ouve. (…) Quando meu pai pedia dinheiro, eu ouvia minha mãe berrando e xingando meu pai. Aí ela botou meu pai para fora de casa. Minha mãe batia no meu pai, e meu pai batia na minha mãe, mas ele não dava conta dela. Ele tem medo demais. (menino, 11 anos, hindustani)

Fatores explicativos da violência interparental

Avaliamos vários fatores que podem ter desencadeado ou ampliado a violência interparental. Primeiro, muitas mães relataram que os problemas dos parceiros podem ter alimentado seus comportamentos violentos. A maioria das crianças não se referiu aos problemas da figura paterna, mas várias o fizeram: “Acho que a violência em casa se devia em grande parte ao alcoolismo do meu pai, porque toda vez que ele ficava agressivo ele tinha bebido” (menina, 17 anos, outra origem étnica). No grupo de violência leve a moderada, algumas crianças tinham mais consciência dos problemas do pai do que as mães haviam relatado (Tabela 2).

Mãe: Não achamos necessário contar a verdade sobre o vício em jogo do meu parceiro.

Pessoa entrevistadora: A senhora tinha algum motivo específico para não contar a verdade aos seus filhos?

Mãe: Sim, acho que as crianças não precisam saber dos erros do pai (…). Ele é muito importante para nós. (33 anos, turca)

Criança: Não acho normal um homem com dinheiro ir a um café. Isso já é um problema.

Pessoa entrevistadora: O que você acha que um homem faz com esse dinheiro?

Criança: Acho que joga. (menino, 13 anos, turco)

Segundo, muitas mães relataram não ter percebido nenhum apoio dos parentes. Os parentes ignoravam, apoiavam ou até sustentavam a violência do parceiro: “Se ele ia me bater no quarto, a mãe dele entrava e fechava a porta para eu não conseguir fugir, ela simplesmente segurava a porta” (mãe, 41 anos, marroquina). A maioria das crianças não mencionou esses papéis negativos dos parentes. No entanto, algumas crianças tinham consciência das contribuições negativas dos parentes para o contexto de violência interparental: “Eles tinham sido casados por meio da família. Meu pai não queria se casar com minha mãe, e minha mãe achava que não tinha escolha” (menina, 22 anos, hindustani).

Abuso contra a criança e funcionamento da criança durante o período de violência interparental

Avaliamos vários aspectos do funcionamento da criança durante o período de violência interparental: abuso contra a criança, comportamentos de enfrentamento, sentimentos e problemas das crianças. Muitas mães e crianças relataram ocorrências de abuso contra a criança. Identificamos vários relatos discrepantes quanto ao abuso psicológico. Várias mães pareciam subestimar, em comparação com os filhos, o nível de abuso verbal ou físico das crianças pela figura paterna. Além disso, várias crianças não descreviam o comportamento do pai nesses termos, embora as mães relatassem abuso psicológico (por exemplo, negligência da criança por parte do pai).

Mãe: Ele [o pai] não dava nada a eles, absolutamente nada. (56 anos, surinamesa-antilhana)

Pessoa entrevistadora: Você foi vítima da violência ou esteve envolvida nela?

Criança: Hum, não. (menina, 21 anos, surinamesa-antilhana)

Essa discrepância parecia mais frequente nas famílias expostas a violência leve a moderada do que nas expostas a violência grave a muito grave, e nas crianças com menos de 16 anos do que nas mais velhas (Tabela 2). Já as discrepâncias quanto ao abuso físico apareciam mais nas famílias expostas a tipos de violência grave a muito grave (Tabela 2): várias mães relataram níveis de abuso físico das crianças pela figura paterna mais baixos do que os relatados pelos filhos.

Mãe: Durante um tempo, ele não podia mais me bater. Então tentou bater na minha filha. Mas eu disse: “Se você tocar nela, eu te mato a pontapés.”

Pessoa entrevistadora: Então ele nunca bateu nela?

Mãe: Ele nunca teve a chance de bater nela, porque eu avisei. Eu disse: “Se você tocar nos meus filhos, está tocando em mim.” Então ele não se atreveu. (35 anos, marroquina)

Criança: Ele, é… me batia sempre. Quando eu tinha uns seis anos, tinha uma aranha no nosso chuveiro. E, é… eu acordei ele e pedi: “Você pode tirar ela do chuveiro, por favor?”, mas ele não quis. Eu comecei a chorar e, é… aí ele ficou bravo e puxou meu nariz com muita força, e começou a sangrar. (menina, 12 anos, marroquina)

Uma minoria dos pares mãe-criança apresentou narrativas diferentes sobre os comportamentos de enfrentamento da criança. Em geral, as crianças relataram com frequência que evitavam as situações de violência entre os pais, sobretudo fugindo para o quarto, às vezes intervindo ou buscando ajuda externa. Várias mães relataram menos evitação da violência do que os filhos. Essas mães se concentravam principalmente nos comportamentos de enfrentamento externalizantes dos filhos (por exemplo, proteger a mãe atacando a figura paterna). Já os filhos destacavam a evitação da violência, indo para o quarto ou ficando na escola.

Pessoa entrevistadora: Então as crianças viam, sim, que ele estava esmurrando a porta?

Mãe: Sim, quando eles eram maiores, (…) as crianças abriam a porta e diziam: “Pai, sai daqui!” (56 anos, surinamesa-antilhana)

Pessoa entrevistadora: Quando havia problemas, o que você fazia?

Criança: Ah, aí eu ia embora. (menina, 21 anos, surinamesa-antilhana)

Quanto ao impacto da violência interparental nos sentimentos das crianças, tanto as mães quanto as crianças relataram com frequência que as crianças tinham ficado tristes, assustadas ou com raiva. Não encontramos diferenças entre as narrativas das mães e as dos filhos quanto aos sentimentos das crianças.

Quase metade dos pares mãe-criança apresentou discrepâncias entre as narrativas quanto aos problemas das crianças. Várias crianças relataram ter vivido mais problemas internalizantes do que as mães haviam relatado. Primeiro, várias mães subestimavam ou não mencionavam os problemas internalizantes dos filhos. Segundo, algumas mães, sobretudo as expostas a tipos de violência leve a moderada (ver Tabela 2), relataram mais problemas externalizantes do que os filhos.

Funcionamento parental durante o período de violência interparental

Examinamos dois aspectos do funcionamento parental durante o período de violência interparental: o clima em casa e o apoio e o controle parentais. Primeiro, não encontramos discrepâncias claras entre as narrativas das mães e as das crianças quanto ao clima em casa. Todas as mães e crianças relataram ter percebido, durante o período de violência interparental, um clima com altos níveis de tensão, medo ou agitação.

Quanto à parentalidade, as mães relataram com frequência que lhes faltava tempo ou energia para apoiar e/ou supervisionar adequadamente os filhos. Várias crianças não mencionaram questões ligadas à parentalidade. No grupo que o fez, identificamos várias discrepâncias em relação às narrativas das mães. Algumas crianças foram mais negativas em seus relatos do que as mães. Essas crianças, expostas principalmente a violência grave a muito grave (Tabela 2), relataram níveis mais altos de descarga emocional ou de incoerência entre os pais.

Mãe: O que era proibido era proibido. Não era porque as crianças pediam a mim ou ao pai que podiam fazer mais coisas. Sempre foi uma linha reta. (38 anos, neerlandesa)

Pessoa entrevistadora: Que tipo de castigo você recebia?

Criança: Eu tinha que ficar no meu quarto quando não estava na escola. (…)

Pessoa entrevistadora: E o que sua mãe achava disso?

Criança: Ela não gostava; quando meu pai saía, ela me chamava para descer. (menino, 14 anos, neerlandês)

Em contrapartida, várias crianças pareciam mais positivas do que as mães em relação à parentalidade. Essas mães falavam sobretudo de suas dificuldades na parentalidade, enquanto os filhos destacavam a atenção positiva que haviam recebido.

Mãe: A criação não foi bem. (…) Eu nem sabia o que era criar filhos, porque estava lutando com meus próprios problemas. (…) Eu realmente não dei atenção à minha filha em termos de criação ou de educação. (42 anos, turca)

Criança: Eles não falharam na nossa criação; eles nos deram tudo. (menina, 19 anos, turca)

Narrativas sobre o período posterior à violência interparental

A maioria das mães não vivia com um parceiro no momento da entrevista. Elas viviam sozinhas havia entre 2 e 144 meses (M = 47,35, DP = 43,92). Várias mães viviam com um novo parceiro ou com o mesmo. Embora as mães já não vivessem violência interparental, a maioria relatou ainda ter problemas com o ex-parceiro. Por exemplo, alguns parceiros assediavam as mães, contatando-as sem parar ou indo à casa delas. Outros não cumpriam os acordos feitos em relação ao cuidado dos filhos.

Funcionamento da criança depois do período de violência interparental

Investigamos como o funcionamento da criança (comportamento de enfrentamento, sentimentos e problemas) havia sido afetado depois do período de violência interparental. Muitas vezes, as mães não mencionavam o comportamento de enfrentamento dos filhos depois desse período. Os poucos pares mãe-criança em que ambas as partes falaram do enfrentamento da criança diferiam no seguinte: as mães relatavam que os filhos haviam seguido em frente, enquanto os filhos contavam que ainda estavam lidando com o passado.

Várias mães não relataram nada sobre os sentimentos dos filhos. Encontramos várias discrepâncias entre os demais pares mãe-criança (ver Tabela 3). As mães em questão haviam sido expostas muitas vezes a violência grave a muito grave. Primeiro, algumas mães não reconheciam a raiva dos filhos em relação ao pai. Segundo, algumas mães relatavam a raiva ou o medo dos filhos em relação à figura paterna ou a elas próprias, enquanto os filhos, sobretudo os com mais de 16 anos, expressavam o medo de que a mesma coisa voltasse a acontecer com a mãe ou acontecesse com eles mais tarde na vida.

Tabela 3 — Discrepâncias entre as narrativas dos pares mãe-criança segundo o tipo de violência [leve a moderada (n = 18), grave a muito grave (n = 20)] e a idade da criança [<16 (n = 23), ≥16 (n = 15)], depois do período de violência interparental

Para cada discrepância: porcentagem (número) de pares envolvidos, segundo o tipo de violência e depois segundo a idade da criança.

  • Funcionamento da criança — enfrentamento: revelação pela criança. Violência leve a moderada: 11% (2); grave a muito grave: 10% (2); criança com menos de 16 anos: 9% (2); com 16 anos ou mais: 13% (2).
  • Funcionamento da criança — sentimentos: tristeza, raiva, medo. Leve a moderada: 6% (1); grave a muito grave: 15% (3); menos de 16 anos: 13% (3); 16 anos ou mais: 13% (2).
  • Funcionamento da criança — sentimentos: medo do futuro. Leve a moderada: 6% (1); grave a muito grave: 15% (3); menos de 16 anos: 4% (1); 16 anos ou mais: 20% (3).
  • Funcionamento da criança — sentimentos: desconfiança. Leve a moderada: 33% (6); grave a muito grave: 30% (6); menos de 16 anos: 22% (5); 16 anos ou mais: 47% (7).
  • Funcionamento da criança — problemas: parentificação. Leve a moderada: 17% (3); grave a muito grave: 10% (2); menos de 16 anos: 13% (3); 16 anos ou mais: 13% (2).
  • Funcionamento parental — clima. Leve a moderada: 22% (4); grave a muito grave: 10% (2); menos de 16 anos: 22% (5); 16 anos ou mais: 7% (1).
  • Funcionamento parental — apoio e controle. Leve a moderada: 30% (5); grave a muito grave: 45% (9); menos de 16 anos: 43% (10); 16 anos ou mais: 26% (4).

Mãe: Minha filha achava que eu devia ter me defendido. (…) Ela nunca vai aceitar que um homem a trate assim. (49 anos, hindustani)

Criança: A gente acaba ficando com medo disso, porque começa a pensar, mas depende do seu homem.

Pessoa entrevistadora: Então você tem medo de que o mesmo aconteça com você?

Criança: Tenho. (menina, 16 anos, hindustani)

As diferenças entre as narrativas das mães e as dos filhos eram comuns quanto aos problemas ligados ao período passado de violência interparental. Primeiro, várias mães não reconheciam a desconfiança dos filhos em relação às pessoas em geral ou aos homens em particular. Essa diferença parecia mais frequente nos casos em que as crianças tinham mais de 16 anos (Tabela 3). Segundo, várias crianças relataram níveis de parentificação mais altos do que os relatados pelas mães.

Funcionamento parental depois do período de violência interparental

Quanto ao funcionamento parental depois do período de violência interparental, examinamos o clima em casa, o apoio e o controle. Embora várias mães não tenham falado do clima depois do período de violência interparental, outras mães e seus filhos relataram muitas vezes um clima mais tranquilo ou mais calmo em casa: “Quando ele foi embora, senti como se uma luz tivesse entrado na minha casa e na minha vida” (mãe, 37 anos, surinamesa-antilhana). Os pares mãe-criança raramente divergiam na descrição do clima em casa. Algumas crianças, expostas sobretudo a tipos de violência leve a moderada e com menos de 16 anos, destacaram uma intimidade maior entre mãe e filho ou filha, enquanto as mães mencionavam apenas uma tranquilidade maior.

Mãe: Agora está mais calmo. (40 anos, turca)

Criança: A gente tem mais tempo uma para a outra e faz mais coisas juntas; antes, a gente não queria fazer essas coisas. (menina, 18 anos, turca)

Vários pares mãe-criança deram relatos diferentes sobre o apoio e o controle parentais. Várias crianças avaliaram as condutas parentais da mãe de forma menos positiva do que a própria mãe. Essas mães contaram que tinham se tornado mais fortes como mães, enquanto os filhos destacavam a falta de atenção da mãe para com eles. Em contrapartida, algumas crianças, muitas vezes expostas a violência mais grave e com menos de 16 anos (Tabela 3), falaram da parentalidade de forma mais positiva do que as mães.

Discussão

O objetivo deste estudo é investigar semelhanças e diferenças entre as narrativas das mães e as de seus filhos quanto à exposição das crianças à violência interparental e ao seu impacto no funcionamento da criança e dos pais. Este estudo é necessário para ampliar o conhecimento sobre essas discrepâncias e, em última instância, para oferecer apoio suficiente às famílias expostas à violência interparental. Estudos anteriores raramente examinaram essas discrepâncias. Com base na hipótese do investimento intergeracional (Bengtson e Kuypers 1971; Giarrusso et al. 1995), no modelo socioestrutural (Risman e Park 1988; Shapiro 2004) e no modelo contextual do viés de atribuição (De Los Reyes 2011; De Los Reyes e Kazdin 2005), esperávamos que as narrativas de mães e crianças fossem diferentes, por causa de motivações, expectativas percebidas e atribuições discrepantes. Em resumo, os resultados revelaram discrepâncias entre as narrativas das mães e as dos filhos quanto à exposição das crianças à violência interparental e ao seu impacto no funcionamento da criança. As narrativas sobre o funcionamento parental foram mais parecidas. Além disso, a análise exploratória indicou que as discrepâncias muitas vezes estavam relacionadas à gravidade da violência e, em menor grau, à idade das crianças.

Encontramos discrepâncias entre as narrativas das mães e as das crianças quanto à exposição da criança à violência interparental. As crianças relataram mais violência do que as mães supunham, assim como mais violência das mães contra os pais do que as próprias mães relataram. Esses achados são coerentes com estudos anteriores que mostram que os pais tendem a subestimar ou a não perceber a exposição dos filhos à violência interparental (por exemplo, Margolin e Gordis 2004). Por exemplo, os pais podem não perceber a presença dos filhos porque as crianças estavam escondidas ou fingindo dormir (Holden 2003). Ainda assim, com base na hipótese do investimento intergeracional e no modelo socioestrutural, a divergência entre mãe e criança quanto à exposição da criança à violência interparental poderia ser explicada por discrepâncias intergeracionais de motivação e de expectativas. Por exemplo, os pais esperam que os filhos não sejam expostos à violência interparental e querem protegê-los (Peled e Gil 2011). Apesar disso, a impotência que as mães vivem, somada às expectativas da sociedade que elas percebem em relação à parentalidade, pode levá-las a desconsiderar a exposição dos filhos à violência, bem como a própria contribuição para essa violência. Em outras palavras, a subnotificação da exposição das crianças à violência pode se dever em parte às expectativas sociais (Risman e Park 1988; Shapiro 2004). O nível mais alto de violência mútua nos relatos das crianças em comparação com os das mães também poderia ser explicado pelo modelo contextual do viés de atribuição (De Los Reyes e Kazdin 2005; De Los Reyes 2011). As crianças poderiam relatar mais violência mútua do que as mães por atribuírem as causas da violência interparental à disposição da mãe. É notável que essa discrepância parecesse ocorrer com mais frequência quando a violência dos pais era menos grave e quando as crianças eram mais novas. Uma explicação poderia ser que a violência do pai ofusca mais a violência da mãe quando é mais grave. Além disso, supondo que tenham uma história mais longa de exposição à violência entre os pais, as crianças mais velhas talvez tendam a relativizar mais a parcela da mãe na violência do que as mais novas.

Quanto ao funcionamento da criança, mães e crianças relataram de modo diferente o impacto da violência interparental. As crianças relataram mais abuso físico e menos abuso psicológico do que as mães. Isso é coerente com um estudo anterior que também encontrou alto nível de divergência entre os relatos das mães e os dos filhos quanto ao abuso contra a criança: as mães relataram violência física menos grave, mais agressão psicológica e mais negligência do que os filhos (Chan 2012). As discrepâncias entre as narrativas das mães e as das crianças quanto à violência física ou psicológica também podem estar associadas às motivações da mãe e às expectativas sociais que ela percebe sobre boas condutas parentais. Além disso, o nível mais alto de discrepâncias nas famílias expostas a tipos de violência grave a muito grave, em comparação com as famílias expostas a tipos de violência leve a moderada, poderia ser explicado por níveis mais altos de estresse e de conflito familiar nessas famílias (Grills e Ollendick 2003). As diferenças nas narrativas sobre violência psicológica poderiam se dever a discrepâncias na compreensão do comportamento parental entre mães e crianças. Crianças pequenas talvez reconheçam com menos facilidade a violência psicológica como violência, o que poderia explicar por que as narrativas de mães e crianças sobre violência psicológica eram mais discrepantes com as crianças mais novas do que com as mais velhas. O abuso psicológico também pode ser mais sutil nas famílias expostas a violência leve a moderada, o que poderia explicar por que a discrepância entre mãe e criança era mais evidente nessas famílias. Além disso, as crianças relataram mais comportamentos de enfrentamento por evitação, mais problemas internalizantes e menos problemas externalizantes do que o que aparecia nas narrativas das mães. Isso é, de modo geral, coerente com estudos anteriores sobre problemas de comportamento infantil. Os problemas internalizantes são difíceis de reconhecer para os pais, pois muitas vezes não são claramente visíveis (por exemplo, Sourander et al. 1999). Isso também poderia explicar as discrepâncias entre as narrativas quanto aos comportamentos de enfrentamento por evitação. Além disso, as narrativas discrepantes quanto aos problemas externalizantes das crianças poderiam ser explicadas pelo modelo contextual do viés de atribuição: as crianças tenderiam a atribuir as causas de seus problemas ao contexto, enquanto as mães tenderiam a destacar a disposição dos filhos. O fato de essa discrepância ocorrer menos em situações de violência mais grave talvez se explique porque, nesse contexto, as mães esperam mais agressividade, por transmissão intergeracional da violência (por exemplo, Pels et al. 2010).

Ao contrário do que ocorre com a exposição e o funcionamento da criança, identificamos menos diferenças entre as narrativas das mães e as das crianças quanto ao impacto da violência interparental no funcionamento familiar. A concordância maior entre mães e crianças poderia ser explicada por um risco menor de viés de atribuição, já que, nas situações de funcionamento familiar, tanto pais quanto filhos ocupam a posição de ator.

Por fim, é importante enfatizar que as discrepâncias entre as narrativas das mães e as das crianças pareciam mais frequentes em relação ao período da violência interparental do que ao período posterior. O nível de estresse durante o período de violência interparental poderia explicar essa diferença. Um clima estressante pode ter limitado a sensibilidade da mãe aos outros membros da família, aumentando assim as discrepâncias entre as narrativas dos membros da família (Shek 1998). Da mesma forma, as discrepâncias entre os relatos de pais e filhos estão associadas a níveis altos de estresse e de conflito familiar (Grills e Ollendick 2003). Para a maioria das famílias deste estudo, o estresse e o conflito familiar tinham sido mais evidentes durante o período de violência interparental do que depois.

Este estudo amplia a base de evidências, ainda limitada, sobre as diferentes percepções de crianças e pais a respeito de suas experiências com a violência interparental e da influência dessa violência no funcionamento da criança e dos pais. Compreender essas perspectivas discrepantes é extremamente importante para a prevenção, a avaliação e o tratamento da violência interparental e de suas consequências para o desenvolvimento das crianças. Quando profissionais e não profissionais têm mais consciência das narrativas discrepantes, uma avaliação de risco pode ser feita mais cedo e melhor, para garantir a segurança da criança e oferecer apoio suficiente. O uso de entrevistas abertas em profundidade sobre a violência interparental ajudou a obter informações ricas sobre as experiências dos membros da família com a violência interparental e sobre as discrepâncias entre as mães e os filhos expostos a essa violência.

Apesar dessas vantagens, cabe observar que as pessoas participantes variavam quanto ao tempo decorrido desde a violência interparental. É de esperar que narrativas sobre uma violência ocorrida alguns meses antes sejam diferentes das narrativas sobre acontecimentos de vários anos antes. Além disso, embora tenhamos examinado padrões segundo a gravidade da violência e a idade das crianças no momento da entrevista, é preciso mencionar que essas análises exploratórias se basearam em amostras muito pequenas. Também a ênfase das entrevistas com as mães e com as crianças às vezes diferia (mais na violência nas entrevistas com as mães, e mais na influência da violência no funcionamento da criança nas entrevistas com as crianças). Isso se deveu em grande parte à abordagem de entrevista aberta e ao ajuste das entrevistas às histórias das pessoas entrevistadas. Ainda assim, isso pode ter levado a subestimar ou superestimar as discrepâncias entre as narrativas das mães e as das crianças. Além disso, limitou as possibilidades de explorar a dinâmica subjacente que explica as discrepâncias.

Nosso estudo trouxe uma compreensão de aspectos importantes das semelhanças e discrepâncias nas narrativas sobre o funcionamento dos pais e da criança no contexto da violência familiar. Idealmente, estudos futuros deveriam incluir delineamentos quantitativos e amostras representativas da população, para melhorar a confiabilidade quantitativa e a generalização dos resultados. Isso pode ser difícil, sobretudo por causa dos problemas para recrutar pessoas que viveram violência interparental e da sensibilidade do tema. Ainda assim, investir nesse empreendimento é importante, pois pode ajudar a criar uma base melhor para aprimorar os serviços sociais e de assistência às famílias envolvidas.

O conhecimento maior sobre as discrepâncias entre as narrativas das mães e as de seus filhos quanto à exposição à violência interparental amplia a compreensão da dinâmica familiar complexa e da possível influência da idade das crianças e da gravidade da violência. Isso tem implicações para o desenvolvimento de estratégias eficazes de apoio às mães e às crianças que foram vítimas de violência interparental. Nossos resultados sugerem a necessidade de incluir várias fontes de informação na triagem clínica e nos programas de intervenção, para obter informações completas sobre o impacto da violência interparental. Nos Países Baixos, um exemplo de boa prática é um tratamento paralelo para pais e filhos (Berger et al. 2004). Além disso, tanto as mães quanto as crianças relataram que as mães tiveram dificuldades com a parentalidade durante e depois do período de violência interparental. Por isso é importante oferecer-lhes apoio à parentalidade, também para aumentar sua consciência das consequências da violência interparental no funcionamento dos filhos (Pels et al. 2010).

Em resumo, este estudo destaca as semelhanças e as discrepâncias entre as narrativas das mães e as das crianças quanto à exposição à violência interparental e ao seu impacto. O estudo indica que a gravidade da violência interparental e a idade das crianças podem influenciar essas narrativas discrepantes. Estudos futuros e contextos clínicos deveriam dar mais atenção a essas questões, para melhorar a compreensão da dinâmica familiar complexa no contexto da violência familiar e, em última instância, oferecer apoio suficiente.

Complexe Systémique: a reter

O interesse deste estudo está em tratar o desacordo entre uma mãe e seu filho ou filha não como um erro a corrigir, mas como uma informação sobre o sistema familiar. Cada pessoa fala do seu lugar: a mãe, que tentou proteger e esbarra nas expectativas sociais sobre a “boa mãe”, tende a subestimar o que a criança viu e carrega em silêncio; a criança descreve mais exposição, mais abuso físico, mais evitação, desconfiança e parentificação. Para a clínica, a consequência é simples e exigente: nunca avaliar a criança apenas pelo relato de quem cuida dela, receber a criança por si mesma e acolher as discrepâncias sem transformá-las num julgamento da mãe. A menção de uma violência “mútua” por algumas crianças pede uma leitura cuidadosa, que não dilua a questão da responsabilidade nem a da segurança. Os limites são os de uma amostra neerlandesa pequena, em grande parte de famílias imigrantes, de análises exploratórias com números muito reduzidos e da ausência da voz dos pais. Para ler junto com o modelo integrado da relação mãe-criança na violência conjugal e com o artigo sobre como as crianças contam ou calam a violência doméstica.

Referências

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Tradução não oficial em português de Violência interparental: semelhanças e discrepâncias entre as narrativas das mães e de seus filhos, de Floor Barbera van Rooij, Winneke Aalken van der Schuur, Majone Steketee, Jodi Mak e Trees Pels, Journal of Child and Family Studies, vol. 24, no 11 (2015), doi: 10.1007/s10826-015-0137-3, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença (tabelas apresentadas em listas). Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.

Tradução não oficial para o português de “Interparental Violence: Similarities and Discrepancies Between Narratives of Mothers and Their Children”, publicado em Journal of Child and Family Studies (2015) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.

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Como citar este artigo

van Rooij, F. B., van der Schuur, W. A., Steketee, M., Mak, J., et Pels, T. (2015). Violência interparental: semelhanças e discrepâncias entre as narrativas das mães e de seus filhos (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/violencia-interparental-semelhancas-e-discrepancias-entre-as-narrativas-das-maes (Obra original publicada em 2015 em Journal of Child and Family Studies, 24(11), 3350-3362 (2015); republicada em 2015 por Journal of Child and Family Studies, https://link.springer.com/article/10.1007/s10826-015-0137-3)

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