Sistêmica · Família
Acredito que, desde onde minha memória alcança, sempre fui fascinado pela profundidade e pela complexidade do ser humano em geral, e das pessoas que encontro em particular. Essa profundidade feita de paradoxos, de certezas e de dúvidas, de baixeza tanto quanto de altura espiritual, de desilusões e de instantes de epifania.
Onde essa fascinação primeiro me levou a voltar o olhar para os seres em particular, quase de maneira cega ao resto, por focalização atencional, aprendi a ver toda a trama relacional sobre a qual se escreve a história individual, a tela social sobre a qual se tece a personalidade de cada um. E que descoberta fascinante!
O simples fato de abrir minha mente a todo o impacto do ambiente sobre os indivíduos que o compõem abriu-me novos horizontes a explorar e, sobretudo, novas pistas de compreensão e de intervenção. Afinal, quando uma flor não cresce direito no nosso jardim, intervimos na flor ou no ambiente? A exposição ao sol, ao vento ou à geada, a proximidade com outras plantas, flores, árvores, são tantos elementos que — se não forem levados em conta — podem nos levar a passar um tempo infinito tentando cuidar dessa pobre flor, como uma história sem fim, cujo roteiro se repete infinitamente.
A descoberta do campo das terapias familiares, e notadamente da abordagem sistêmica, abriu-me, portanto, novos horizontes de pensamento. Dedico-me a desenhar para você um cartão-postal dela: não para propor uma fotografia exaustiva, mas para dar um gostinho do que espera por você se decidir embarcar rumo a esse destino surpreendente.
O conceito que proponho descobrir hoje, ou reexplorar — o cartão-postal do dia —, é uma teorização que descobri durante a minha formação em Lyon: o ciclo de vida da família. Essa teorização parte do princípio de que todas as famílias passam por certas etapas em sua construção e em sua evolução, e que a passagem de uma etapa a outra exige uma grande energia adaptativa. A partir daí, é possível interpretar uma crise familiar, ou uma crise conjugal, como um acontecimento esperado e “normal”, ligado à passagem de uma etapa do ciclo de vida familiar a outra. Você não imagina o quanto essa teorização pode ter um efeito apaziguador quase imediato sobre as famílias que se reconhecem nessa interpretação, nem seu impacto positivo sobre as soluções construtivas que emergem então. O momento de crise é encarado como uma oportunidade de mudança, na qual todos os recursos criativos de cada membro da família são importantes, válidos e valorizados; um conceito útil tanto na nossa vida profissional quanto, talvez… na esfera privada.
Sem mais demora, deixo você descobrir este cartão-postal sistêmico no vídeo — em francês — abaixo.
Como citar este artigo
Besse, J. (2021, 23 de julho). A família vista pela abordagem sistêmica. Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/articles/a-familia-vista-pela-abordagem-sistemica
Para ir mais longe
Comentários 0
Entre para participar da discussão. Entrar