Esta versão foi traduzida do inglês pelo Complexe Systémique com a ajuda da inteligência artificial. Em caso de dúvida, prevalece a versão original.
Nursing Reports · Conferências de grupo familiar
Nascida na Nova Zelândia, a partir da cultura maori, a conferência de grupo familiar confia a decisão à própria pessoa e à sua rede, e não às equipes profissionais. Uma equipe de enfermagem da Universidade de Kobe revisou 26 estudos publicados entre 2015 e 2020. Encontrou quatro efeitos, entre eles a apropriação e o sentimento de pertencimento recuperado, mas também quatro obstáculos: emergências, famílias fraturadas, o papel exigente da coordenação e uma custo-efetividade discutível.
Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de A eficácia das conferências de grupo familiar e os desafios para sua implementação: uma revisão de escopo, de Naohiro Hohashi e Qinqiuzi Yi, publicado na Nursing Reports (MDPI) (2025), doi: 10.3390/nursrep15040122, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. As quatro tabelas são apresentadas em forma de listas, com todos os seus dados; a figura (fluxograma de seleção dos estudos) permanece em inglês, com legenda traduzida. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.
A interação entre os dois elementos-chave não facilita a tomada de decisão na FGC em si, mas atua sobre as pessoas participantes para ajudá-las a se tornarem elas mesmas capazes de decidir.
Naohiro Hohashi e Qinqiuzi Yi
Resumo
Objetivo. O objetivo deste estudo foi identificar a eficácia da conferência de grupo familiar (Family Group Conferencing, FGC), um modelo de tomada de decisão que não só é centrado na família, mas também é conduzido pela família ou pela rede social, e examinar os desafios para sua implementação. Métodos: foi realizada uma revisão de escopo com base no referencial de Arksey e O’Malley. Fez-se uma busca sistemática em bases de dados eletrônicas como PsycInfo, CINAHL, Google Scholar e Web of Science. Os critérios usaram os termos de busca “family group conferencing” ou “family group conference”, com a busca restrita a estudos publicados entre janeiro de 2015 e julho de 2020. Os dados extraídos pela equipe de revisão foram analisados de forma indutiva, e os achados foram classificados em categorias. Resultados: a revisão incluiu 26 estudos. As categorias que evidenciam a eficácia da FGC foram “senso de apropriação”, “restauração do pertencimento”, “redução da coerção” e “plataforma de aprendizagem”. As categorias que apresentam desafios à implementação da FGC foram “situações graves da pessoa principal”, “situações graves da família”, “o papel complexo da coordenação da FGC” e “a baixa custo-efetividade da FGC”. Conclusões: a eficácia na capacidade de decisão foi determinada pela interação entre a pessoa principal e a rede social da FGC, e os desafios reduziram a probabilidade de concluir o processo de FGC. Será necessário, portanto, identificar as habilidades e as qualificações das pessoas coordenadoras da FGC, que precisam levar em conta a dinâmica de grupo, para permitir que a pessoa principal e sua rede social desenvolvam uma interação recíproca positiva.
Palavras-chave: conferência de grupo familiar (FGC); enfermagem familiar; revisão de escopo; eficácia; desafios
A conferência de grupo familiar (Family Group Conferencing, FGC) é um modelo de tomada de decisão desenvolvido na Nova Zelândia nos anos 1980. Em 1989, foi incorporada à lei do país sobre crianças, jovens e suas famílias (Children, Young Persons, and Their Families Act) [1] como método eficaz para resolver problemas que envolvem crianças. A FGC parte da ideia de que são as próprias famílias, e não as equipes profissionais, que conhecem a fundo sua situação e seus problemas, e postula que a maioria das famílias tem capacidades e recursos suficientes para tomar decisões competentes sobre o próprio bem-estar. Nisso, ela difere da ideia geral de tomada de decisão.
Os princípios e valores da FGC se baseiam na cultura maori da Nova Zelândia. Na cultura maori tradicional, a whānau era o lugar onde se encontravam os membros da família e da família ampliada, e onde ocorriam os primeiros ensinamentos e a socialização. Hoje, whānau passou a designar um ambiente em que certas responsabilidades e obrigações são ensinadas à geração mais jovem [2]. Segundo Barn e Das (2016) [3], embora as raízes do modelo da FGC venham das tradições culturais maoris, e o conceito de família na FGC tenha sido definido de forma ampla, incluindo a família próxima e sistemas de parentesco mais extensos, poucas discussões ou pesquisas sobre a FGC tratam de fato do contexto cultural e étnico do modelo.
A FGC foi apresentada em oficinas locais em toda a Nova Zelândia e depois difundida e desenvolvida na Grã-Bretanha, no Havaí e em outros estados dos Estados Unidos [4]. Estudos sobre a FGC foram realizados na Europa, na América do Norte e na Oceania, sobretudo em proteção à infância e justiça restaurativa [5]. De Jong e Schout (2011) [6] observam que estudos sobre a aplicação da FGC em práticas de saúde mental são raros, mas, a partir de 2015, aproximadamente, o número de estudos com FGC em saúde mental começou a crescer [7,8,9,10,11,12]. Além disso, a FGC tem sido amplamente implementada em muitas outras áreas, como a situação de rua [13], a incapacidade para o trabalho [14] e o cuidado de pessoas idosas com demência e de suas famílias [15], entre outras. A FGC também foi avaliada por estratégias diversas, como entrevistas qualitativas, observação das pessoas atendidas e das famílias, das redes sociais e das equipes profissionais, análise de dados administrativos e análise de impacto dos desfechos.
O processo de FGC tem cinco fases: (1) preparação, (2) informação, (3) tempo privado, (4) apresentação do plano e (5) execução do plano e avaliação [16,17]. Na fase de preparação, a pessoa coordenadora ajuda a pessoa principal (main actor) a explorar sua rede social, e a pessoa principal decide quem convidar para a conferência. Na fase de informação, a reunião começa, e as equipes profissionais podem fornecer as informações necessárias para responder às perguntas da pessoa principal. Na fase de tempo privado, a pessoa principal e sua rede social deliberam juntas, sem a presença das equipes profissionais e da pessoa coordenadora. Na fase de apresentação do plano, as pessoas participantes apresentam seu plano à pessoa coordenadora e às equipes profissionais envolvidas. O envolvimento das equipes profissionais com as famílias nessa etapa difere do método geral de tomada de decisão. Na fase final, todas as pessoas envolvidas executam o plano, avaliam sua eficácia e seus resultados e o ajustam conforme necessário.
Uma FGC pode ter muitas pessoas participantes, incluindo pacientes, crianças, suas famílias, membros da rede social, equipes profissionais (serviço social, enfermagem etc.) e pessoas coordenadoras de FGC. No campo da enfermagem em saúde mental pública, a pessoa que sofre do problema ou o provoca é chamada de pessoa principal, e a família ou as pessoas próximas, de rede social. No campo da FGC para pessoas idosas, quem enfrenta problemas de saúde ou financeiros, como cuidar de um cônjuge que sofreu um acidente vascular cerebral, recebe o nome de “caso”, e sua família (fratria, descendentes etc.), o de rede social. Neste estudo, “pessoa(s) principal(is)” designa a(s) parte(s) principal(is) da FGC, e “rede social”, sua família, seus parentes e suas amizades.
A teoria que fundamenta a FGC é que as pessoas têm o direito de tomar as próprias decisões, e que a pessoa principal e sua rede social têm a responsabilidade primária pelos problemas dessa pessoa e pela busca de soluções para eles [16]. Assim, a FGC não é apenas centrada na família, mas também conduzida pela família (ou pela rede social). Os conceitos-chave da FGC são a resiliência e a autonomia relacional [18], centrais no processo de interação entre a pessoa principal e a rede social. A resiliência é a capacidade de se adaptar a situações difíceis ou ameaçadoras e inclui a capacidade de se adaptar e se desenvolver por meio de interações sociais e ambientais [18,19]. A autonomia relacional é definida como uma abordagem da autonomia que enfatiza a interação e o crescimento por meio das relações [20,21].
Quanto à interação entre a pessoa principal e a rede social na FGC, seu objetivo é otimizar a tomada de decisão familiar, num processo que alterna fases de compartilhamento de conhecimentos e habilidades, de orientação (coaching), de decisão compartilhada (shared decision-making, SDM) e, por fim, de pleno empoderamento das pessoas participantes [22]. Metze et al. (2015) [16] sugerem que a interação da pessoa principal com a rede social durante a FGC ajuda a validar e a fazer respeitar as próprias decisões e ações, o que leva a uma mudança de perspectiva, ao mesmo tempo que constrói o autorrespeito e a autoestima e fortalece o senso de valor próprio.
O modelo de decisão compartilhada (SDM), comum na área médica, também enfatiza a interação entre as pessoas de modo semelhante à FGC. A SDM apoia a autonomia da pessoa atendida e da família por meio do consentimento informado e da comunicação entre equipes clínicas, pacientes e familiares. A SDM é definida como uma abordagem em que equipes clínicas e pacientes se comunicam com base nas melhores evidências disponíveis diante de uma tarefa [23]. Nessa visão, a tomada de decisão é importante para os valores e a identidade das pessoas, assim como pela quantidade de comunicação que proporciona entre equipes clínicas e pacientes. Por isso, as equipes de saúde têm papel-chave quando o consentimento informado está em jogo, promovendo a autonomia das pessoas atendidas por meio de abordagens relacionais. Na prática clínica de enfermagem, especificamente, a FGC oferece à enfermagem um referencial eficaz para estimular o engajamento das pessoas atendidas e das famílias, melhorar a comunicação entre as equipes de cuidado e apoiar um cuidado integral, centrado na pessoa, por meio do empoderamento e da autonomia relacional. Além disso, a enfermagem, que costuma trabalhar muito perto das pessoas atendidas e de suas famílias, está em posição ideal para facilitar a FGC e, assim, melhorar a coordenação do cuidado, a adesão aos planos de tratamento e os desfechos de saúde em geral, aproveitando as forças próprias das famílias e suas redes sociais.
Embora as interações entre as pessoas sejam importantes no apoio à decisão, os efeitos dessas decisões na vida das pessoas atendidas e de suas famílias não foram suficientemente examinados. A FGC resultou em melhoras na qualidade do apoio social, na resiliência e nas condições de vida [7]. No entanto, uma metanálise sobre a eficácia da FGC na atenção a jovens indicou que ela não é mais eficaz do que o atendimento habitual [24]. Os mecanismos da FGC são complexos e difíceis de quantificar. Já se argumentou que os ensaios randomizados não são os métodos de pesquisa mais adequados para examinar a eficácia da FGC, e que seria mais produtivo empregar uma variedade de métodos qualitativos e quantitativos para analisar o processo [25,26]. Considera-se também que, para identificar a eficácia da FGC e os desafios para sua implementação, é importante examinar o processo de várias perspectivas, com pesquisa qualitativa e quantitativa, e que as revisões de escopo são úteis para resumir achados e identificar múltiplas lacunas de pesquisa. À medida que a pesquisa sobre a FGC avança, novos métodos de tomada de decisão familiar podem ser desenvolvidos.
O objetivo deste estudo foi identificar a eficácia da FGC e os desafios para sua implementação, a partir de duas perguntas: (1) De que maneiras a FGC se mostrou eficaz? (2) Quais são os principais desafios que a FGC enfrenta?
As revisões de escopo são úteis para resumir achados de pesquisa e identificar lacunas [27]. Como o objetivo deste estudo era identificar as áreas em que a FGC é eficaz e examinar os desafios para implementá-la, optou-se por uma revisão de escopo.
A revisão de escopo seguiu as etapas metodológicas descritas por Arksey e O’Malley (2005) [27] e foi relatada de acordo com a extensão para revisões de escopo dos Preferred Reporting Items for Systematic Review and Meta-Analysis (PRISMA-ScR) [28]. Como esta é a primeira revisão sistemática sobre o tema, o protocolo não foi registrado.
A FGC é definida como “uma intervenção em que o plano não é feito por profissionais, mas pela própria pessoa que precisa de ajuda e apoio, junto com sua rede social” [18].
Foi feita uma busca sistemática nas bases de dados eletrônicas PsycInfo, CINAHL (Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature), Google Scholar e Web of Science. As palavras-chave de busca foram “family group conferencing” ou “family group conference”. O período de publicação foi de janeiro de 2015 a julho de 2020, porque 2015 marca o momento a partir do qual a FGC começou a ser amplamente implementada em muitas áreas e sob diversas formas.
Foram excluídos artigos não publicados em inglês e artigos sem nenhuma referência ao processo de intervenção, aos desfechos e efeitos ou aos problemas da FGC. Esta revisão não avaliou a qualidade metodológica dos estudos incluídos.
Usou-se um método descritivo-analítico para extrair os dados dos estudos incluídos. Foram extraídas as seguintes informações: características do estudo (autoria, data de publicação, país, objetivos e delineamento); dados demográficos das pessoas participantes; contextos do estudo; descrição da intervenção FGC (por exemplo, papel da coordenação e duração da intervenção); desfechos e medidas de desfecho; e principais achados, incluindo a eficácia e os desafios da intervenção FGC.
Usou-se uma abordagem temática indutiva para identificar e codificar os fatores envolvidos. Essa análise permitiu extrair as áreas em que a FGC é eficaz e os desafios enfrentados em sua implementação.
Os dados descritivos dos estudos foram reunidos, e a eficácia e os desafios da FGC foram identificados para cada contexto. Em seguida, cada descrição foi dividida em códigos, isto é, pequenas unidades de sentido. A classificação dos códigos se baseou em semelhanças e diferenças: códigos considerados conceitualmente semelhantes foram agrupados em conceitos mais abstratos, chamados subcategorias. As subcategorias foram então agrupadas em categorias, cujo nível de abstração foi refinado e verificado pela equipe de revisão. Mais especificamente, a confiabilidade de todas as análises passou por análise independente de duas pessoas pesquisadoras em enfermagem em saúde da família e foi revista até se chegar a um consenso. Na falta de consenso entre essas duas pessoas, o artigo era reavaliado por ambas. Se ainda assim não houvesse consenso, as opiniões eram trocadas repetidamente com 11 pessoas pesquisadoras colaboradoras até uma decisão final.
O fluxo de identificação e seleção dos estudos é apresentado na figura 1. A busca identificou 161 artigos: PsycInfo (n = 35), CINAHL (n = 25), Google Scholar (n = 50) e Web of Science (n = 51). Depois da remoção de 101 duplicatas, 60 resumos foram triados; foram excluídos os artigos com resumo inacessível (n = 6), indisponíveis em inglês (n = 1) e que não tratavam de FGC (n = 17). Trinta artigos completos foram acessados para avaliação mais aprofundada segundo os critérios de exclusão (nenhuma referência ao processo de intervenção, aos desfechos e efeitos ou aos problemas da FGC), o que resultou na revisão final de 26 artigos em texto completo (43,3% das referências identificadas).

As principais características dos estudos incluídos aparecem nas tabelas 1 e 2. Os estudos tinham delineamento qualitativo (n = 13), de métodos mistos (n = 1) ou quantitativo (n = 12). Os estudos quantitativos incluíam estudos randomizados (n = 4), uma metanálise (n = 1), um estudo longitudinal (n = 1), um estudo não randomizado (n = 1) e outros (n = 5). Os estudos foram realizados em três dos sete continentes, a maioria nos Países Baixos (n = 14; 53,8%) e nos Estados Unidos (n = 4; 15,4%).
Tabela 1 — Características das publicações qualitativas incluídas (n = 13)
Para cada estudo: número de referência, sobrenome da primeira autoria, ano e país; participantes; delineamento e pergunta de pesquisa; principais achados; partes estudadas (PP, RS, P, C); análise temporal.
Proteção à infância
Saúde mental
Cuidado de pessoas idosas
Justiça juvenil
Famílias negras e de minorias étnicas (BME)
Situação de rua
Nota: PP = pessoa principal; RS = rede social; P = profissionais; C = coordenação; FGC = conferência de grupo familiar. “Partes” indica os grupos estudados (casas marcadas no original).
Tabela 2 — Características das publicações quantitativas e de métodos mistos incluídas (n = 13)
Para cada estudo: número de referência, sobrenome da primeira autoria, ano e país; participantes; delineamento e medidas de desfecho; principais achados; partes estudadas (PP, RS, P, C); análise temporal.
Proteção à infância
Deficiência e saúde
Saúde mental pública
Jovens em conflito com a lei
Nota: PP = pessoa principal; RS = rede social; P = profissionais; C = coordenação; FGC = conferência de grupo familiar.
Os estudos incluídos tratavam de proteção à infância (n = 10; 38,5%), cuidado em saúde mental (n = 8; 30,8%), justiça juvenil (n = 2; 7,7%), cuidado de pessoas com deficiência (n = 2; 7,7%), saúde de pessoas idosas (n = 2; 7,7%), atendimento a pessoas em situação de rua (n = 1; 3,8%) e questões de origem imigrante negra e de minorias étnicas (BME) (n = 1; 3,8%).
As pessoas participantes incluíam a pessoa principal e a rede social (famílias e membros da comunidade), profissionais e pessoas coordenadoras. Os estudos qualitativos abrangiam a pessoa principal (n = 8; 61,5%), membros da rede social (n = 8; 61,5%), profissionais (n = 10; 76,9%) e pessoas coordenadoras (n = 8; 61,5%). Os estudos quantitativos e de métodos mistos abrangiam a pessoa atendida e familiares (n = 9; 69,2%), membros da rede social (n = 3; 23,1%), profissionais (n = 9; 69,2%) e pessoas coordenadoras (n = 4; 30,8%).
Em cinco artigos, os efeitos da FGC ao longo do tempo foram pesquisados com instrumentos, como mostram as tabelas 1 e 2. Esses estudos avaliaram os efeitos da FGC após três meses (n = 2), seis meses (n = 3), 12 meses (n = 2) e 18 meses (n = 1).
A eficácia da FGC foi extraída de 16 estudos. A frequência de cada categoria de eficácia está resumida na tabela 3. A eficácia da FGC incluiu as categorias “senso de apropriação” (n = 14), “restauração do pertencimento” (n = 10), “redução da coerção” (n = 4) e “plataforma de aprendizagem” (n = 4). A tabela 3 também mostra um exemplo de cada subcategoria.
Tabela 3 — Síntese dos achados sobre a eficácia da conferência de grupo familiar
Para cada categoria: subcategorias, com um exemplo e sua referência; referências da categoria.
Senso de apropriação (referências [7,10,11,13,14,15,16,29,30,32,33,34,38,42])
Restauração do pertencimento (referências [7,10,11,12,13,29,32,33,35,38])
Redução da coerção (referências [11,13,16,29])
Plataforma de aprendizagem (referências [13,15,16,29])
O “senso de apropriação” se refere à ideia de que a pessoa principal e sua família melhoram a situação e assumem o controle dela por meio da autorreflexão nas interações com a rede social durante a FGC. Essa categoria inclui as seguintes subcategorias: “autorreflexão por meio da FGC”, “pessoas que assumem o controle da própria situação” e “melhora da situação das pessoas”.
A “restauração do pertencimento” se refere à ideia de que a pessoa principal se sente segura e apoiada em sua rede social durante o processo de autorrevelação na FGC. Essa categoria inclui as seguintes subcategorias: “autorrevelação durante o processo de FGC”, “sentir segurança e aceitação” e “sentir apoio”. O “senso de apropriação” enfatiza a iniciativa da pessoa principal e da família de refletir ativamente sobre a própria situação e buscar melhorá-la, enquanto a “restauração do pertencimento” se refere ao aspecto emocional de sentir segurança, aceitação e apoio dentro de uma rede social por meio da autorrevelação na FGC, e de recuperar o senso de pertencimento.
A “redução da coerção” se refere ao processo pelo qual o autorrespeito e a autoconfiança da pessoa principal melhoram graças à conexão ou relação com uma rede social, sem que ela se sinta pressionada a aceitar um tratamento. Essa categoria inclui as seguintes subcategorias: “melhora do autorrespeito” e “melhora da autoconfiança”.
A “plataforma de aprendizagem” se refere à parceria entre a pessoa principal e sua rede social, na qual a pessoa principal pode aprender a autonomia relacional ao trabalhar em parceria com essa rede. Essa categoria inclui as seguintes subcategorias: “aprender a autonomia relacional” e “aprender a trabalhar com as equipes profissionais”.
Os desafios para a implementação da FGC foram extraídos de 18 estudos. A frequência de cada categoria de problemas está resumida na tabela 4. Os desafios para a implementação da FGC incluíram as categorias “situações graves da pessoa principal” (n = 4), “situações graves da família” (n = 6), “o papel complexo da coordenação da FGC” (n = 9) e “a baixa custo-efetividade da FGC” (n = 11). A tabela 4 mostra um exemplo de cada subcategoria.
Tabela 4 — Síntese dos achados sobre os desafios para a implementação da conferência de grupo familiar
Para cada categoria: subcategorias, com um exemplo e sua referência; referências da categoria.
Situações graves da pessoa principal (referências [9,15,33,42])
Situações graves da família (referências [8,31,33,34,36,41])
O papel complexo da coordenação da FGC (referências [8,9,10,15,32,33,36,38,40])
A baixa custo-efetividade da FGC (referências [5,9,24,30,31,33,36,37,38,39,41])
As “situações graves da pessoa principal” se referem a situações de emergência em que o tempo é um fator crítico, como quando uma criança precisa de cuidado imediato, e a situações em que a pessoa principal não consegue tomar decisões por causa de uma doença grave. Ambas as situações podem dificultar a organização e a realização da FGC. Essa categoria inclui as seguintes subcategorias: “situações de emergência” e “problemas graves da pessoa principal”.
As “situações graves da família” se referem a situações em que as relações na família ou na comunidade estão rompidas ou tensas, como uma comunicação intrafamiliar pobre ou o esfacelamento das relações da rede. Essas situações podem reduzir a probabilidade de concluir a FGC. Essa categoria inclui as seguintes subcategorias: “família desestruturada” e “relações rompidas na rede”.
“O papel complexo da coordenação da FGC” se refere às dificuldades desse papel. As pessoas coordenadoras precisam organizar e realizar a FGC e levar em conta as dinâmicas e as situações singulares de todas as pessoas participantes. Essa categoria inclui as seguintes subcategorias: “complexidade do papel de coordenação” e “dificuldades enfrentadas pela coordenação”.
“A baixa custo-efetividade da FGC” se refere a situações em que faltam pessoas coordenadoras com experiência ou conhecimento do processo de FGC, ou em que os gastos com a FGC são pouco custo-efetivos em comparação com outros modelos. Essa categoria inclui as seguintes subcategorias: “falta de experiência e de conhecimento sobre a implementação da FGC” e “gastos ineficientes”.
A FGC difere dos modelos gerais de tomada de decisão por dar mais ênfase à interação entre as pessoas participantes e à reconstrução das relações sociais do que à própria decisão. Enquanto os modelos gerais se concentram na análise e na avaliação de opções claras, na FGC o importante é o processo pelo qual as pessoas participantes desenvolvem autoestima e senso de pertencimento e se tornam capazes de decidir por si mesmas. Discutiremos aqui como a interação entre a pessoa principal e sua rede social pode afetar a implementação da FGC, positiva e negativamente.
A FGC foi eficaz em quatro aspectos, mas os trabalhos sobre “senso de apropriação” e “restauração do pertencimento” foram mais numerosos, o que sugere que esses dois aspectos, em particular, podem ser mais efetivos. A interação entre a pessoa principal e a rede social no processo de FGC parece ser um fator-chave de sua eficácia. Segundo Anderson e Parkinson (2018) [43], a interação entre esses dois elementos-chave da FGC tem efeito terapêutico, porque permite discutir problemas, questões e dificuldades. A relação não é um processo de mão única, que considera apenas a perspectiva da pessoa principal, mas um processo de mão dupla, que inclui também as múltiplas perspectivas da rede social, formando uma interação recíproca [16]. Dessa forma, as interações entre as pessoas participantes da FGC criam as condições para as reuniões de planejamento [44], que lhes permitem resolver seus problemas em conjunto e formam, assim, a base terapêutica.
A interação na FGC pode melhorar a capacidade das pessoas participantes de compreender sua situação, construir relações e colaborar com outras pessoas para mudar e melhorar a situação ao longo do tempo. As quatro categorias de efeitos da FGC não podem ser produzidas isoladamente: precisam nascer da interação social entre as pessoas. Portanto, a interação entre os dois elementos-chave não facilita a tomada de decisão na FGC em si, mas atua sobre as pessoas participantes para ajudá-las a se tornarem elas mesmas capazes de decidir.
Os desafios para a implementação da FGC podem comprometer as chances de o processo ser concluído com sucesso. Ao longo da pesquisa, ficou claro que esses desafios incluem tanto os que impedem a conclusão bem-sucedida do próprio processo de FGC quanto os que impedem, de saída, a própria possibilidade de implementar a FGC.
Quanto aos desafios que impedem a possibilidade de implementar a FGC, a equipe de De Jong et al. (2015) [31] analisou os fatores que bloqueiam a preparação da FGC e a capacidade de planejá-la e realizá-la plenamente, como o sentimento de vergonha e o orgulho da pessoa principal, a falta de iniciativa e a paralisia do cuidado. Essa equipe também observou que, se as partes sentem vergonha de seus problemas, isso pode levar ao medo de que a rede social as culpe, o que acaba dificultando sua participação na FGC. Afirmou ainda que, nesses casos, a fase de preparação da FGC emperra. Esses achados trouxeram à tona obstáculos que podem dificultar a implementação da FGC e o estabelecimento de relações equilibradas entre as pessoas participantes.
Por outro lado, segundo Mitchell e Ambrose (2007) [45], muitos estudos sobre relações recíprocas se concentram na reciprocidade positiva, isto é, aquela que promove a estabilidade das relações por meio de trocas atenciosas, valorizadas e equilibradas. No entanto, a reciprocidade negativa também pode afetar as relações. Por exemplo, quando um dos pais pressiona demais uma criança com depressão, a criança pode reagir com hostilidade, o que faz fracassar as reuniões destinadas a resolver esse problema. Assim, relações com reciprocidade negativa podem resultar em comportamentos negativos. É preciso levar em conta a reciprocidade negativa na interação entre a pessoa principal e sua rede social, e as atividades também devem considerar a dinâmica de grupo das pessoas participantes.
Este estudo se concentrou principalmente nos desafios enfrentados durante o processo de FGC. No entanto, os desafios para uma implementação eficaz da FGC envolvem não só a gestão do processo de FGC, mas também o período anterior à introdução da FGC. Também é necessário identificar as habilidades e qualificações das pessoas coordenadoras, que precisam levar em conta a dinâmica de grupo, para possibilitar a construção de uma interação recíproca positiva.
A primeira limitação desta revisão se refere ao número muito pequeno de estudos que informam com clareza a duração do processo de FGC e o método de escolha das pessoas coordenadoras. Por isso, os achados do estudo podem ser prejudicados por algumas lacunas. A segunda limitação se refere ao fato de que mais da metade da autoria estava sediada nos Países Baixos. No entanto, esta revisão incluiu estudos com análise temporal, e os estudos neerlandeses foram realizados em áreas variadas, como maus-tratos infantis, saúde mental comunitária e deficiência. Portanto, apesar dessas limitações, o uso de uma revisão de escopo, que oferece um panorama amplo da FGC em muitas áreas e sob diversas formas e permite assim esclarecer sua eficácia e os desafios para sua implementação, joga a favor deste estudo. Pesquisas futuras devem se concentrar na duração da implementação da FGC e no método de escolha das pessoas coordenadoras. Além disso, neste estudo, a busca bibliográfica se limitou aos anos de 2015 a 2020, mas o ideal seria revisar a literatura num intervalo maior. Por fim, o número de artigos abrangidos foi pequeno (26), dos quais 14 eram dos Países Baixos. Considerando esses fatores, o número de artigos que podem ser discutidos é limitado, e será recomendável ampliar o número de artigos de referência no futuro.
É difícil implementar a FGC em todos os tipos de enfermagem familiar, porque muitas situações de apoio à decisão na área da saúde exigem resposta de emergência. Nesse sentido, pode ser difícil introduzir a FGC em todas as áreas da enfermagem, sobretudo em cuidados agudos ou de emergência. Acredita-se, porém, que a eficácia da interação entre a pessoa principal e a rede social, revelada por este estudo centrado em suas capacidades de decisão, pode ser aproveitada na prática de enfermagem. A enfermagem passou a participar da comunicação entre equipes de saúde, pacientes e famílias na decisão compartilhada (SDM). Inagaki (2020) [46] observou que essa participação se limitava a confirmar a compreensão da família sobre as informações fornecidas pelas equipes de saúde, e notou que profissionais de enfermagem hesitavam em expressar o que pensavam. Em resposta, propõem-se as duas recomendações seguintes:
Em primeiro lugar, na FGC, a interação entre a pessoa principal e a rede social não facilita a tomada de decisão em si, mas atua sobre as pessoas participantes para ajudá-las a se tornarem elas mesmas capazes de decidir. Da mesma forma, é importante examinar os efeitos da comunicação entre equipes de saúde, pacientes e famílias na SDM sobre as capacidades de decisão, como a autonomia relacional, em vez de vê-la apenas como um processo de compreender as informações das equipes de saúde, fazer escolhas e concordar. Além da participação das pessoas atendidas e de suas famílias, também se deve considerar a participação de quem pertence às redes sociais, como uma amizade ou alguém da parentela.
Em segundo lugar, a pessoa coordenadora tem papel importante na construção da interação entre a pessoa principal e a rede social. Em particular, ela precisa planejar e conduzir a FGC e levar em conta a dinâmica de todas as pessoas participantes. Da mesma forma, na SDM, a enfermagem precisa levar em conta a dinâmica das pessoas participantes e exercer o papel de coordenação em favor de relações recíprocas positivas.
A eficácia da FGC se manifesta no “senso de apropriação”, na “restauração do pertencimento”, na “redução da coerção” e na “plataforma de aprendizagem”, que nascem da interação entre a pessoa principal e a rede social; essa interação influi na eficácia da capacidade de decisão. Os desafios para a implementação da FGC são as “situações graves da pessoa principal”, as “situações graves da família”, “o papel complexo da coordenação da FGC” e “a baixa custo-efetividade da FGC”, que dificultam o processo de FGC. No entanto, os desafios para uma implementação eficaz da FGC envolvem o processo de FGC e o período anterior à sua introdução, bem como o desenvolvimento de interações positivas entre as pessoas principais e suas redes sociais. Como ficou claro que as interações entre pessoas principais e redes sociais são eficazes para a tomada de decisão nas FGC, recomendamos que, depois de compreender as características das FGC, elas sejam usadas na enfermagem clínica para apoiar a tomada de decisão de famílias diversas.
Complexe Systémique: a reter
Esta revisão interessa menos pelos números, tirados de 26 estudos heterogêneos e metade neerlandeses, do que pelo modo como relê a conferência de grupo familiar: não como técnica de decisão, mas como dispositivo de interação. O que produz o efeito, dizem os estudos reunidos, é a passagem pela rede: abrir-se diante dos seus, ser reconhecido, reaprender uma autonomia que é relacional e não solitária. Reencontra-se aí uma antiga intuição sistêmica: a mudança nasce das relações mais do que dos conteúdos. A parte sobre reciprocidade negativa é preciosa para a clínica: uma rede sob tensão também pode fazer a reunião fracassar, e a vergonha pode travar a preparação antes mesmo do primeiro encontro. Daí o peso da coordenação, papel de facilitação, mediação e leitura das dinâmicas de grupo. Os ensaios randomizados, porém, continuam decepcionantes, e a revisão não avalia a qualidade dos estudos nem problematiza a origem maori do modelo que menciona. Para ler junto com o artigo sobre o que a conferência de grupo familiar ensina à proteção à infância e com o artigo sobre a conferência familiar e de grupo para adultos.
Notas do original
Financiamento. Esta pesquisa foi apoiada em parte por um auxílio à pesquisa científica (B) da Sociedade Japonesa para a Promoção da Ciência (JSPS), número JP22H03400.
Agradecimentos. A equipe agradece a Yasuko Irie pela ajuda na coleta e na análise dos dados. As discussões dos membros do laboratório durante a análise contribuíram para garantir sua confiabilidade.
Contribuições. N. H.: conceituação, metodologia, investigação, análise formal, redação, aprovação final da versão a ser publicada, obtenção de financiamento e administração do projeto; Q. Y.: metodologia, investigação e redação. As duas pessoas que assinam leram e aprovaram a versão publicada do manuscrito.
Comitê de ética, consentimento e dados. Parecer de comitê de ética não exigido; consentimento informado não se aplica. Os dados apresentados estão disponíveis mediante solicitação à pessoa responsável pela correspondência.
Participação do público e diretrizes. Não houve participação do público em nenhum aspecto desta pesquisa. O manuscrito foi redigido segundo a extensão do PRISMA para revisões de escopo (PRISMA-ScR). Nenhuma ferramenta de inteligência artificial foi usada na redação.
Conflitos de interesse. A equipe de pesquisa declara não haver conflitos de interesse. Os financiadores não tiveram nenhum papel no delineamento do estudo, na coleta, análise ou interpretação dos dados, na redação do manuscrito nem na decisão de publicar os resultados.
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Tradução não oficial em português de A eficácia das conferências de grupo familiar e os desafios para sua implementação: uma revisão de escopo, de Naohiro Hohashi e Qinqiuzi Yi, Nursing Reports, vol. 15, no 4 (2025), doi: 10.3390/nursrep15040122, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença (tabelas apresentadas em listas). Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.
Tradução não oficial para o português de “The Effectiveness of Family Group Conferencing and the Challenges to Its Implementation: A Scoping Review”, publicado em Nursing Reports (2025) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.
Ler o artigo originalComo citar este artigo
Hohashi, N., et Yi, Q. (2025). A eficácia das conferências de grupo familiar e os desafios para sua implementação: uma revisão de escopo (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/a-eficacia-das-conferencias-de-grupo-familiar-e-os-desafios-para-sua-implementacao (Obra original publicada em 2025 em Nursing Reports, 15(4), 122 (2025); republicada em 2025 por Nursing Reports, https://www.mdpi.com/2039-4403/15/4/122)
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