Esta versão foi traduzida do inglês pelo Complexe Systémique com a ajuda da inteligência artificial. Em caso de dúvida, prevalece a versão original.
Mental Health & Prevention · Família
A saúde mental das crianças e a de seus pais se constroem juntas, antes mesmo do nascimento. A equipe de Jennifer A. Somers transforma isso num programa: uma prevenção universal centrada na díade entre pais e criança, com três metas, rastrear riscos e recursos dos pais, fortalecer os vínculos sociais, apoiar as habilidades socioemocionais das crianças, e recomendações de políticas para os Estados Unidos.
Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de Aproveitar o contexto interpessoal do desenvolvimento infantil para promover a resiliência familiar: uma abordagem de prevenção universal da preconcepção à primeira infância, de Jennifer A. Somers, Laura K. Winstone-Weide, Gabrielle R. Rinne, Sarah G. Curci e Margot E. Barclay, publicado na Mental Health & Prevention (Elsevier) (2024), doi: 10.1016/j.mhp.2024.200331, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. A tabela é apresentada em forma de lista e a figura permanece em inglês, com legenda traduzida; as declarações do fim do artigo foram reunidas nas notas. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.
Linhas distintas de pesquisa convergem para a ideia de que o bem-estar dos pais e o da criança estão inextricavelmente ligados.
Jennifer A. Somers, Laura K. Winstone-Weide, Gabrielle R. Rinne, Sarah G. Curci e Margot E. Barclay
Resumo
Problemas significativos de saúde mental afetam um em cada cinco jovens nos Estados Unidos; paralelamente a essa epidemia na saúde mental infantil, pais e mães nos Estados Unidos relatam taxas altas e crescentes de esgotamento e de dificuldades de saúde mental próprias. Várias perspectivas teóricas bem estabelecidas demonstram o alto grau de interdependência entre a saúde mental das crianças e a de seus pais, entre elas as teorias da transmissão intergeracional, da programação pré-natal, do apego e do temperamento e da autorregulação. Com base nessas perspectivas, argumentamos que uma abordagem de prevenção universal que situe o desenvolvimento da psicopatologia no contexto da díade pais-criança pode promover a resiliência e deter problemas de saúde mental emergentes em crianças e em seus pais, durante janelas sensíveis do desenvolvimento (por exemplo, da preconcepção à primeira infância). A partir desse referencial teórico integrado, revisamos o apoio empírico às seguintes metas para promover a resiliência familiar: rastreamento de fatores de risco atuais e passados dos pais e de seus recursos de resiliência; fortalecimento de vínculos sociais saudáveis e recíprocos; e apoio à aquisição de habilidades socioemocionais das crianças. Nossa revisão da literatura mostra como avanços nessas áreas podem ter benefícios em cascata ao longo do desenvolvimento, tanto para os pais quanto para os filhos, e também para as gerações futuras. Concluímos com recomendações práticas e embasadas empiricamente que podem ter impactos profundos nessas metas por meio de mudanças nas políticas federais e estaduais, nos serviços de saúde comunitários e nos programas de educação e cuidado na primeira infância. Para alcançar impactos duradouros e multigeracionais, as políticas, os programas e as práticas no nível da sociedade e das comunidades precisam entrelaçar os esforços de apoio à saúde mental infantil com os esforços de promoção do ajustamento e do bem-estar dos pais.
Palavras-chave: prevenção universal; saúde relacional; resiliência familiar
Grandes pesquisas epidemiológicas fornecem evidências convincentes de que a maioria dos transtornos mentais surge na infância ou na adolescência (Solmi et al., 2022), o que justifica a preocupação com a carga atual e futura associada ao aumento dos problemas de saúde mental infantil nos Estados Unidos (Lebrun-Harris et al., 2022). Paralelamente à crise de saúde mental infantil (Office of the U.S. Surgeon General, 2021), as pessoas adultas responsáveis pelo cuidado (daqui em diante chamadas de “pais”) relatam altas taxas de estresse parental e dificuldades de saúde mental próprias (Lebrun-Harris et al., 2022). É fundamental notar que os problemas de saúde mental de pais e filhos muitas vezes coocorrem (Patrick et al., 2020), de modo que os problemas de um membro da família podem transbordar e aumentar o risco para os demais (por exemplo, Curci et al., 2023; Roubinov et al., 2021). Dado esse alto grau de interdependência, é imperativo prevenir problemas de saúde mental tanto nas crianças quanto em seus pais2, sobretudo porque muitas crianças e muitos pais não conseguem acessar os serviços de saúde mental existentes ou não respondem a eles (Merikangas, Nakamura e Kessler, 2009; Whitney e Peterson, 2019). Os esforços de prevenção que aproveitam o contexto interpessoal da psicopatologia infantil, especialmente durante períodos sensíveis para a incorporação biológica das relações próximas (por exemplo, de 0 a 5 anos; Gee e Cohodes, 2021; Luby, 2022), trazem potenciais benefícios em cascata não só para a longevidade e a produtividade desta geração, mas também para as de seus pais e das gerações futuras (Masten et al., 1999; McLuckie et al., 2019; Roubinov et al., 2021). Neste artigo, sustentamos que uma abordagem de prevenção universal que situe o desenvolvimento da psicopatologia no contexto da díade pais-criança pode promover a resiliência aos problemas de saúde mental, em todas as categorias diagnósticas, em crianças pequenas e em seus pais. Oferecemos um referencial embasado empiricamente, com metas específicas para apoiar a saúde relacional no início do desenvolvimento infantil e prevenir problemas de saúde mental em pais e crianças, seguido de recomendações específicas de políticas públicas para os Estados Unidos.
No cerne do referencial da saúde relacional está o potencial das relações próximas para amortecer o custo fisiológico da exposição à adversidade e para servir de andaime à aquisição de recursos de resiliência, como as habilidades socioemocionais (Garner e Yogman, 2021). Ampliando essa abordagem de cima para baixo, segundo a qual as relações próximas com os pais podem “amortecer” o estresse (Gunnar e Hostinar, 2015; Vila, 2021), os modelos transacionais do desenvolvimento (por exemplo, Sameroff, 1983, 2009) destacam a interconexão entre as crianças e seus pais. Nessa perspectiva transacional, os desfechos do desenvolvimento infantil não resultam apenas de fatores individuais nem apenas de fatores experienciais, mas são produto de transações dentro das relações entre pais e filhos (Sameroff 1983, 2009). Sob esse guarda-chuva da saúde relacional e dos modelos transacionais do desenvolvimento, nossa abordagem integra várias perspectivas teóricas bem estabelecidas, entre elas as teorias da transmissão intergeracional, do apego e do temperamento e da autorregulação, que ressaltam a interdependência entre a saúde mental da criança e a dos pais.
As origens da psicopatologia remontam a muito antes do nascimento (Monk, Lugo-Candelas e Trumpff, 2019) e envolvem processos biocomportamentais em que os pais influenciam os filhos e são influenciados por eles ao longo do desenvolvimento (Roubinov et al., 2021). Está bem estabelecido que os efeitos psicológicos do trauma e dos problemas de saúde mental dos pais aumentam o risco de problemas de humor e de comportamento nos filhos, processo chamado de “transmissão intergeracional” (Bowers e Yehuda, 2016; Goodman et al., 2011; Masten e Cicchetti, 2016). Até o sofrimento parental anterior à concepção pode ter consequências negativas para a fisiologia do estresse e o neurodesenvolvimento do feto e do bebê (Keenan et al., 2018; Moog et al., 2016; Swales et al., 2018; van den Bergh, 2020; Yehuda et al., 2009; Yehuda e Lehrner, 2018; Yehuda e Meaney, 2018). Da mesma forma, as experiências de infância dos pais moldam seus esquemas mentais sobre como as pessoas aprendem, veem as pessoas próximas e interagem com elas (Main et al., 1985; Raby e Dozier, 2019), os quais, por sua vez, predizem sua responsividade, sensibilidade e apoio à autonomia dos próprios filhos (Jones et al., 2015; Koehn e Kerns, 2018). Os pais servem de modelo e de andaime para a aquisição, pelas crianças, de habilidades socioemocionais e estratégias de regulação para uma autorregulação bem-sucedida (Eisenberg et al., 2005), além de recursos potentes de resiliência (Holodynski, 2013), como comportamentos reguladores positivos (por exemplo, um estilo de avaliação positiva) e funções executivas (Fay-Stammbach, Hawes e Meredith, 2014).
Embora a pesquisa tenha adotado muitas vezes um modelo de desenvolvimento infantil conduzido pelos pais, o desenvolvimento dos sistemas regulatórios da criança envolve trocas mutuamente recíprocas e sincrônicas entre pais e filhos. Essa sincronia biocomportamental diádica, em que a figura parental e a criança respondem, cada qual, aos sinais emocionais e fisiológicos cambiantes da outra (Feldman, 2017), e as interações corregulatórias lançam as bases do apego (Feldman, 2012) e moldam o desenvolvimento dos sistemas biocomportamentais de regulação e da autorregulação voluntária da criança (Calkins e Marcovitch, 2010; Feldman, 2007). No entanto, fatores de risco tanto dos pais quanto da criança podem comprometer o funcionamento diádico corregulatório. Mães estressadas (por exemplo, mães deprimidas e as expostas à adversidade no início da vida) podem ser menos responsivas aos sinais da criança e oferecer modelos menos adaptativos de corregulação e autorregulação (Bernard-Bonnin, 2004; Goodman et al., 2011; Roubinov et al., 2021). Da mesma forma, crianças expostas ao estresse podem apresentar volatilidade emocional negativa elevada (Somers e Luecken, 2022) e emocionalidade negativa temperamental, e aprender estratégias desadaptativas de autorregulação (Bernard-Bonnin, 2004), o que pode evocar comportamentos parentais ineficazes, comprometer o funcionamento diádico e colocar tanto quem cuida quanto a criança em maior risco de desenvolver dificuldades de saúde mental posteriores (Belsky, 1984; Bornstein, 2019; Luecken et al., 2019; Troutman et al., 2012; Winstone et al., 2021). Em conjunto, promover a saúde relacional e prevenir problemas de saúde mental em crianças pequenas e em seus pais exige intervir sobre as relações transacionais com a saúde mental dos pais, que começam antes do nascimento e se estendem por todo o desenvolvimento (Roubinov et al., 2021).
A partir do nosso referencial transacional de saúde relacional, apresentamos o apoio empírico às seguintes metas, da preconcepção aos cinco anos de idade, que promovem a resiliência familiar e previnem transtornos mentais: (1) rastreamento de fatores de risco e de resiliência atuais e passados dos pais; (2) fortalecimento de vínculos sociais saudáveis e recíprocos; e (3) apoio à aquisição de habilidades socioemocionais das crianças. A Tabela 1 resume a força das evidências que ligam essas metas recomendadas aos desfechos de saúde mental de pais e filhos e oferece estratégias embasadas empiricamente para produzir mudanças nessas metas. Atentar para o contexto diádico da psicopatologia infantil não só traz o potencial de prevenir transtornos de forma transdiagnóstica, mas também de melhorar a vida de várias gerações.
Tabela 1 — Apoio empírico às metas de prevenção em saúde relacional e estratégias que atuam sobre essas metas
Nota. As recomendações se baseiam em teorias conceituais e em teorias de ação da mediação (MacKinnon et al., 2002). As metas-chave de prevenção derivam de teorias conceituais, com base em suas associações com os desfechos de saúde mental de pais e filhos (conforme documentado nas principais revisões narrativas, sistemáticas ou meta-analíticas da literatura empírica). As estratégias eficazes derivam de teorias de ação, com base na capacidade demonstrada dessas estratégias de produzir mudanças nas metas de prevenção. Até o momento, as revisões dos benefícios do rastreamento para a saúde mental se concentraram no rastreamento de risco parental, e não no de fatores de resiliência parental.
Nos períodos pré-natal, da gestação e do pós-parto (isto é, no período perinatal), as mães passam por uma série de mudanças biológicas, psicológicas e sociais que aumentam sua vulnerabilidade ao estresse e a problemas de saúde mental; a U.S. Preventive Services Task Force recomenda o rastreamento de depressão e ansiedade em gestantes e em mulheres em idade reprodutiva (O’Connor et al., 2023). A depressão pós-parto não só está associada a conflitos conjugais, disfunção familiar, maior uso de substâncias e custos de saúde mais altos, como também representa um risco para o funcionamento diádico e para o desenvolvimento cognitivo, o funcionamento socioemocional e o comportamento das crianças (Earls, 2010; Essex et al., 2002). Direta ou indiretamente, por seus efeitos sobre o sofrimento perinatal, os impactos biológicos e comportamentais das experiências adversas na infância (adverse childhood experiences, ACE) também podem ser particularmente salientes na transição para a parentalidade (Hays-Grudo et al., 2021; Roubinov et al., 2021).
Enquanto uma extensa pesquisa se concentrou em identificar o risco (especialmente sintomas elevados de depressão e ansiedade perinatais) de problemas de saúde para a mãe e o bebê, trabalhos mais recentes destacam a importância de identificar influências benéficas (Davis e Narayan, 2020), que podem incluir experiências benevolentes na infância das próprias mães (benevolent childhood experiences, BCE; Davis e Narayan, 2020) e recursos atuais de resiliência (experiências protetivas e compensatórias, protective and compensatory experiences, PACE; Hays-Grudo et al., 2021), que atenuam o risco e promovem o bem-estar. Níveis mais altos de BCE (por exemplo, relações de apoio, uma autoimagem favorável e uma qualidade de vida previsível) predizem menos problemas de saúde mental e menor exposição ao estresse na vida adulta (Narayan et al., 2018, 2020), mesmo levando em conta as ACE (Merrick e Narayan, 2020). As PACE atuais que podem interromper cascatas desenvolvimentais negativas (Hays-Grudo et al., 2021) consistem em fatores relacionais (por exemplo, amor incondicional de quem cuida, pertencimento a um grupo social, ter uma amizade mais próxima, voluntariado na comunidade, mentoria) e fatores de recursos ambientais (por exemplo, segurança e limpeza da casa, ter um hobby, qualidade da educação, rotinas familiares e atividade física).
Desde o período perinatal, o apoio de parcerias amorosas e coparentais e de membros da família extensa pode ter um papel singular na promoção do bem-estar dos pais e das crianças (Coburn et al., 2016; Smith e Howard, 2008; Sufredini et al., 2022). É importante notar que, embora as experiências dos pais com as próprias figuras parentais e com os adultos de sua infância possam afetar seus esquemas de apego e sua adaptação no pós-parto (Narayan et al., 2017, 2019), experiências posteriores de apego em relações amorosas podem alterar o status de apego estabelecido na primeira infância, oferecendo oportunidades de transformar um apego inseguro num estilo mais seguro (Booth-LaForce et al., 2014; Taylor et al., 2015; Thompson, 2000; Weinfield, Sroufe e Egeland, 2000). O apoio na coparentalidade, inclusive o engajamento nos cuidados com as crianças, pode promover um funcionamento positivo dos pais e das crianças nos primeiros anos de vida (Coburn et al., 2016; Roubinov et al., 2021) e amortecer os efeitos da adversidade precoce vivida pela mãe e dos estressores contextuais atuais sobre a saúde mental materna no pós-parto, a parentalidade, a saúde do bebê e os problemas de comportamento na infância (Atzl et al., 2019; Luecken et al., 2013; Sarkadi et al., 2008; Stapleton et al., 2012). Esses efeitos podem operar por meio de benefícios para a aquisição de habilidades de regulação emocional pela criança; notadamente, essas influências provavelmente são bidirecionais, já que uma coparentalidade bem coordenada aumenta a regulação emocional da criança e também é facilitada quando os pais criam uma criança bem regulada (Paley e Hajal, 2022).
De modo mais geral, há evidências bem replicadas de que receber apoio social de amizades e da família no primeiro ano após o parto está associado a um cuidado materno mais sensível, preditor bem estabelecido das habilidades de regulação emocional da criança (Paley e Hajal, 2022), e a menos estresse, depressão, ansiedade e autolesão maternos (Bedaso et al., 2021; Ni e Siew Lien, 2024; Razurel et al., 2013). Um apoio social frequente e de qualidade aos pais durante o período perinatal pode favorecer interações diádicas adaptativas entre quem cuida e a criança, e o subsequente desenvolvimento do bebê, de forma indireta, pela redução dos sintomas de transtornos de humor e de ansiedade do pós-parto (Feinberg et al., 2022; Luecken et al., 2015; Racine et al., 2020; Takacs et al., 2021; Thomas et al., 2017). Nas populações perinatais, o apoio informal, como o do casal, da família e de membros da comunidade, mostrou-se preferível ao apoio formal, como o de profissionais de saúde e instituições (por exemplo, intervenção e tratamento em saúde mental) (Callister, Beckstrand e Corbett, 2011; Fonseca e Canavarro, 2017; Rice, Ingram, O’Mahen, 2022). Merece consideração empírica futura o papel dos avós no apoio ao bem-estar de pais e filhos, sobretudo no contexto do aumento, nos Estados Unidos, de lares em que os dois pais trabalham e de lares com três gerações, por efeito de múltiplas forças, entre elas o envelhecimento da população, a pandemia de covid-19, o aumento das dificuldades financeiras e a epidemia de opioides (Dolbin-MacNab e O’Connell, 2021). Os trabalhos existentes destacam os efeitos promotores do apoio dos avós sobre a saúde mental perinatal e, depois, sobre a saúde e o desenvolvimento da criança (Riem et al., 2023; Sadruddin et al., 2019).
Desde a primeira infância, intervenções preventivas voltadas a promover interações responsivas entre pais e criança durante atividades compartilhadas (por exemplo, brincadeira paralela, leitura de livros) mostraram efeitos positivos no desenvolvimento inicial das habilidades socioemocionais, incluindo mais atenção durante a brincadeira e menos angústia de separação, hiperatividade e problemas de comportamento externalizantes (Weisleder et al., 2016). Os pais também ajudam a dar suporte às capacidades autorregulatórias emergentes (por exemplo, a modulação das emoções) ao mostrar a expressão de suas próprias experiências emocionais, nomear sentimentos (por exemplo, a conversa sobre emoções) e orientar intencionalmente as questões emocionais (isto é, a socialização emocional; Eisenberg et al. 1998; Silkenbeumer et al., 2016). O uso da conversa sobre emoções (por exemplo, nomear sentimentos, relacionar os sentimentos à sua expressão emocional) e do coaching emocional (por exemplo, escuta empática, validação, habilidades de resolução de problemas) tem importância especial para crianças em idade pré-escolar, e aumentar a conversa sobre emoções pode ajudar a romper os elos entre o risco familiar e a regulação emocional precária da criança (Ellis et al., 2014), que é um fator transdiagnóstico no desenvolvimento da psicopatologia (Aldao et al., 2016; Eisenberg et al., 2010).
A autorregulação, ou os processos intrínsecos que permitem a uma pessoa adaptar-se a novos contextos ajustando seus estados mentais e fisiológicos, é um mecanismo transdiagnóstico subjacente à psicopatologia (Nigg, 2017) e uma meta-chave da prevenção universal (Pandey et al., 2018; Traub e Boynton-Jarett, 2017). As funções executivas e o controle esforçado (effortful control) são construtos que se sobrepõem e respondem pelos aspectos de cima para baixo da autorregulação no nível cognitivo (Nigg, 2017). Para ter competência socioemocional, as crianças precisam aprender a modular respostas emocionais e comportamentais para se engajar em comportamentos intencionais e orientados a metas, o que envolve as funções executivas (por exemplo, controle inibitório, memória de trabalho e flexibilidade) (Eisenberg e Zhou, 2016) e também o controle esforçado, construto oriundo da pesquisa sobre temperamento que representa a capacidade de usar o controle cognitivo para influenciar a emoção ou o comportamento (Zhou, Chen e Main, 2012).
A saúde relacional é um imperativo biológico universal para que as crianças sejam saudáveis e resilientes (Humphreys et al., 2022). Assim, atuar sobre os pilares da saúde relacional, incluindo o rastreamento de fatores de risco e de recursos de resiliência dos pais, a promoção de vínculos sociais recíprocos e o apoio à regulação socioemocional das crianças, justifica uma abordagem de prevenção universal. Além disso, a prevenção universal oferece benefícios singulares no nível populacional em relação às abordagens seletivas ou indicadas (Fusar-Poli et al., 2021), como ilustra o exemplo do rastreamento da depressão pós-parto. Embora os fatores de risco da depressão pós-parto estejam bem documentados (Smorti et al., 2019), limitar o rastreamento às pessoas com perfil de risco elevado segundo esses fatores alcançaria, ainda assim, apenas a minoria dos casos, já que as pessoas de menor risco compõem a maior parte da população (o chamado “paradoxo da prevenção”; Dodge e Goodman, 2019). Em contraste, uma abordagem de prevenção universal poderia ter um impacto maior na população e ser mais custo-efetiva a longo prazo, pois as economias de escala podem reduzir o custo do rastreamento por família, e os custos de não prevenir problemas de saúde mental superam em muito os da prestação de serviços (Dodge e Goodman, 2019; Johnson et al., 2023). Além do potencial de maior impacto e custo-efetividade, quando vistos como produtores de benefícios para toda a sociedade, e não como serviços especializados para um grupo de alto risco, os esforços de prevenção universal podem promover a equidade (sobretudo se, na prevenção seletiva ou indicada, as equipes dependem de julgamento subjetivo ou de instrumentos enviesados; Johnson et al., 2023), reduzir o estigma e conquistar maior adesão e financiamento sustentado (Dodge e Goodman, 2019).
Embora nossa abordagem da prevenção universal se concentre na promoção da resiliência familiar, fazemos coro a Humphreys et al. (2022), para quem é a sociedade, em última instância, a responsável por apoiar o bem-estar das crianças e de suas famílias. Pela lente do modelo bioecológico (Bronfenbrenner, 1979) e da teoria da resiliência familiar (Masten, 2018), o microssistema familiar está inserido numa ecologia social mais ampla (Bronfenbrenner, 1979), de modo que a mudança nos níveis individual e familiar é limitada ou facilitada pelos contextos socioculturais e políticos mais amplos em que esses níveis existem. Como mostra a Figura 1, e como descrevem as seções seguintes, oferecemos recomendações práticas de prevenção universal para os Estados Unidos que podem ter impactos profundos sobre as metas de saúde relacional por meio de mudanças nas políticas federais e estaduais, nos serviços de saúde comunitários e nos programas de educação e cuidado na primeira infância.

Enfrentar as dificuldades econômicas, que podem reduzir a disponibilidade de quem cuida, gerar ambientes domésticos caóticos e estilos parentais duros, é um caminho para apoiar o sistema de interação entre pais e criança e a corregulação por quem cuida (Humphreys et al., 2022; Luby, Rogers e McLaughlin, 2022). Podemos nos animar com o fato de que os apelos do American College of Obstetricians and Gynecologists, da American Medical Association e de mais de 275 outras grandes organizações médicas pela ampliação da cobertura no pós-parto foram bem atendidos, com quase todos os estados tendo adotado ou estando em processo de implementar a ampliação do Medicaid no pós-parto (Health and Human Services, 2022), e podemos continuar a incentivar esforços coletivos para aprovar leis que apoiem a saúde relacional. Outras políticas atualmente avaliadas no contexto dos Estados Unidos incluem a paridade em saúde mental (isto é, cobertura igual de condições de saúde mental e física nos planos de seguro; So et al., 2019) e a assistência financeira direta às famílias, por meio de transferências de renda e de benefícios fiscais ampliados para o cuidado infantil (Luby et al., 2022).
Vale notar que, apesar de evidências meta-analíticas de que uma licença-maternidade de pelo menos 12 semanas está correlacionada a interações mãe-criança mais positivas e a melhores desfechos de saúde mental e física para mãe e criança (Whitney et al., 2023), os Estados Unidos são o único país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sem exigência nacional de licença-maternidade. Propostas legislativas de licença parental remunerada têm potencial para reduzir o sofrimento antecipatório e pós-parto e aumentar a disponibilidade de quem cuida e a qualidade da regulação (Monk et al., 2019; Saxbe, Rossin-Slater e Goldenberg, 2018). Por exemplo, com o novo Family and Medical Insurance Leave (FAMILY) Act em tramitação no Congresso (S.1714), quem trabalha poderia tirar licença remunerada de cuidado para apoiar a formação de vínculo com filhos biológicos ou adotivos e a adaptação no pós-parto (o que apoiaria as mães e outras figuras de cuidado principais), bem como para outros desafios que possam surgir para a unidade familiar em outros momentos do desenvolvimento da criança (por exemplo, licença relacionada a mobilização militar, licença de proteção ligada a violência sexual ou doméstica).
As políticas federais e estaduais poderiam apoiar as famílias da gestação à primeira infância oferecendo visitas domiciliares regulares para tratar das necessidades e das forças das famílias, com uma gama de recursos de avaliação, intervenções breves para promover a aquisição de habilidades e articulação com os serviços sociais (por exemplo, Dodge e Goodman, 2019). As visitas domiciliares se mostraram benéficas tanto para revelar fatores de risco, como a depressão materna e a exposição à violência (Health Resources and Services Administration, 2024), quanto para reduzir os maus-tratos infantis (Avellar e Supplee, 2013). Os benefícios das visitas domiciliares para a saúde são duradouros e se estendem também a nascimentos futuros (Holland et al., 2022). No entanto, pela legislação atual, os recursos do programa de visitas domiciliares a mães, bebês e crianças pequenas (MIECHV) devem ser direcionados a populações de alto risco, como comunidades de baixa renda, gestantes com menos de 21 anos, crianças com atrasos de desenvolvimento e famílias com histórico de abuso, negligência ou uso de substâncias (Condon, 2019). Por isso, defendemos a oferta universal de visitas domiciliares a novos pais, como se faz em vários países europeus (Condon, 2019). Um desses modelos é o programa Family Connect, um programa universal de visitas domiciliares pós-natais por profissionais de enfermagem, concebido para apoiar todas as famílias de uma comunidade, que levou a melhorias na parentalidade positiva e a reduções da depressão pós-parto aos seis meses após o parto, com impactos positivos de mais longo prazo sobre os maus-tratos infantis (Baziyants et al., 2023).
Em resposta ao número crescente de crianças criadas em lares monoparentais (US Census Bureau, 2017), os governos federal e estaduais ampliaram o financiamento de programas de subsídio e de atividades que promovem o envolvimento do genitor que não detém a guarda (muitas vezes chamadas de “iniciativas de paternidade responsável”), por meio de serviços de emprego e formação, campanhas públicas que incentivam esses genitores a se envolver emocionalmente com os filhos e aconselhamento e treinamento de habilidades relacionais. Os programas de paternidade têm benefícios modestos, mas significativos, para a coparentalidade, a parentalidade e o envolvimento paterno (Holmes et al., 2020). Embora os estudos de avaliação destaquem as dificuldades de atender genitores de baixa renda sem a guarda (por exemplo, transporte, apoio financeiro insuficiente, questões de saúde mental), os programas que se concentram na coparentalidade e nos benefícios do envolvimento paterno, que fazem divulgação por meio de fontes de encaminhamento confiáveis e em espaços comunitários frequentados pelos pais, e que convidam explicitamente os pais a participar e os envolvem desde cedo têm mais chances de engajar os pais e os casais coparentais (Lechowicz et al., 2019; Maxwell et al., 2012; Panter-Brick et al., 2014). O apoio legislativo aos subsídios Responsible Fatherhood também incluiu a ampliação do financiamento dos programas de subsídio Healthy Marriage Promotion, que devem incluir atividades para promover ou manter o casamento (por exemplo, educação conjugal baseada em habilidades, difusão de informações sobre as causas da violência doméstica e dos maus-tratos infantis), promover a parentalidade positiva (por exemplo, ensino de habilidades parentais positivas) e favorecer a estabilidade econômica. Evidências meta-analíticas de todos os programas com financiamento federal apoiados por esses subsídios mostraram, igualmente, melhorias pequenas, mas significativas, na coparentalidade, na qualidade do relacionamento conjugal, nas habilidades relacionais e na saúde mental dos pais (Hawkins et al., 2022).
Como as pessoas gestantes comparecem regularmente às consultas de pré-natal, as equipes de obstetrícia estão numa posição ideal para identificar famílias que possam estar em risco, rastreando nas mães ACE e problemas de saúde mental perinatal (Roubinov et al., 2021). Recomenda-se hoje implementar, como prática padrão no pré-natal, o rastreamento, a prevenção e o tratamento precoces de fatores de risco (especialmente sintomas de depressão e ansiedade) (ACOG, 2018; Kilpatrick, Papile e Macones, 2017), o que se mostrou viável e aceitável (Flanagan et al., 2018). A prevenção e a intervenção em múltiplos níveis que atuam diretamente sobre o risco e a resiliência relacionais na coparentalidade, como o rastreamento da violência interpessoal (Chisholm, Bullock e Ferguson, 2017) ou a educação e o tratamento pré-natais centrados no casal ou na pessoa parceira (Suto et al., 2017), também têm potencial para gerar impactos duradouros no bem-estar dos pais e das crianças. Além disso, o modelo de pré-natal em grupo proposto pelo American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG, 2018) mostrou aumentar o apoio social percebido pelas mães e, em consequência, seu bem-estar psicológico (Chae et al., 2017).
A American Academy of Pediatrics defendeu o rastreamento generalizado da depressão pós-parto materna nas consultas de rotina de puericultura (Earls, 2010), como oportunidade de identificar mães que vivem os efeitos de adversidades na primeira infância e/ou de sofrimento perinatal acentuado (Roubinov et al., 2021). Da mesma forma, o California Department of Healthcare Services (2020) lançou recentemente a primeira iniciativa estadual do país para avaliar ACE das crianças nas consultas de rotina da atenção pediátrica primária, e o rastreamento de ACE dos pais pode ser incluído em futuras mudanças de políticas. Vale notar que a pesquisa empírica demonstra a viabilidade de rastrear o histórico de adversidade precoce e a depressão perinatal dos pais nas consultas de rotina da atenção pediátrica primária (Earls, 2010; Earls e Hays, 2006; Gillepsie e Folger, 2017; Olson et al., 2006). A identificação precoce e o fortalecimento das PACE nas consultas pediátricas de rotina podem ser uma estratégia de prevenção eficaz para promover melhor saúde mental e física entre crianças e famílias. Além de rastrear fatores de risco em quem cuida, as equipes de saúde podem usar os instrumentos de avaliação de BCE e/ou de PACE, questionários breves confiáveis e válidos, nas consultas de rotina perinatais e/ou da atenção pediátrica primária (Hays-Grudo e Morris, 2020; Merrick e Narayan, 2020). Essa dupla ênfase na identificação de riscos e na promoção da resiliência ao longo das gerações oferece uma avaliação mais completa da ecologia familiar. Ao contrário de um foco potencialmente estigmatizante nas adversidades, a avaliação complementar das forças da família (fatores de resiliência passados ou atuais) pode identificar e fortalecer a resiliência, mitigar os riscos do rastreamento para o engajamento nos serviços, construir confiança e melhorar as relações de trabalho entre as equipes de saúde e as famílias (Hays-Grudo et al., 2021; Leitch, 2017; Narayan et al., 2021). A avaliação da implementação de iniciativas que combinem o rastreamento de risco e de resiliência, e de seus efeitos de curto e longo prazo sobre as taxas de encaminhamento, as filas de espera em saúde mental e em outras especialidades, o recebimento de serviços, os desfechos de saúde mental e a custo-efetividade, ainda precisa ser feita e deve levar em conta o contexto local, já que os resultados podem variar entre serviços de saúde (Barnett et al., 2021). Para que os programas de rastreamento sejam eficazes na promoção da saúde mental e na prevenção de problemas futuros, eles precisam levar tanto à detecção dos riscos e recursos das famílias quanto à elaboração de planos personalizados que apoiem uma saúde e um desenvolvimento positivos e, quando indicado, à articulação com recursos ou tratamento em saúde mental (Barnett et al., 2021).
Vários instrumentos de política mostraram ampliar o acesso aos cuidados de saúde mental, entre eles instrumentos ligados ao local (por exemplo, atenção primária integrada e, possivelmente, telessaúde ou telemedicina) e instrumentos ligados ao seguro (por exemplo, ampliar o acesso ao seguro público de saúde ou alcançar a paridade em saúde mental) (So et al., 2019). Além de ampliar o acesso aos serviços de saúde mental, é preciso haver orientação adequada sobre como lidar com rastreamentos positivos e sobre o encaminhamento aos serviços apropriados. Embora apenas uma minoria das equipes de pediatria considere que o diagnóstico e o manejo de sintomas de saúde mental maternos façam parte de sua prática, a maioria relata já ter realizado intervenções breves (Olson et al., 2002). O encaminhamento a serviços de saúde mental pode ser facilitado pela implementação de modelos de tratamento colocalizados e integrados, como os que incorporam equipes de serviço social e/ou de saúde mental às clínicas de atenção primária (os medical homes) e às educational homes (que integram equipes multidisciplinares na escola); esses modelos oferecem a oportunidade de fortalecer a díade entre quem cuida e a criança e podem reduzir barreiras adicionais para famílias que já enfrentam estressores contextuais que dificultam o acesso ao cuidado (Earls, 2010; Hostutler et al., 2023; Ma et al., 2023).
Evidências meta-analíticas demonstram de forma convincente a importância da educação e do cuidado de qualidade na primeira infância (0 a 5 anos) para reduzir problemas comportamentais e socioemocionais (von Suchodoletz et al., 2023); os benefícios do cuidado de qualidade são robustos e não diferem segundo a etnia das crianças nem segundo os recursos socioeconômicos do domicílio (von Suchodoletz et al., 2023). As crianças que recebem educação pré-escolar de qualidade pelo Head Start não só colhem benefícios socioemocionais e comportamentais, como também, mais tarde, adotam práticas parentais mais positivas ao criar os próprios filhos (Bauer e Schanzenbach, 2016), o que evidencia os benefícios intergeracionais da educação na primeira infância. Embora programas federais como o Head Start e o Early Head Start possam ajudar famílias de baixa renda a ter acesso a educação e cuidado de qualidade na primeira infância, esses serviços continuam fora do alcance de muitas famílias por causa dos critérios de renda ou por morarem num “deserto de creches” (Malik et al., 2018). Assim como o apoio financeiro limitado no pós-parto compromete a disponibilidade dos pais, os baixos salários de quem trabalha na educação infantil ameaçam tanto a oferta (por exemplo, por causa da alta rotatividade e de vagas não preenchidas) quanto a qualidade do cuidado. Felizmente, há amplo apoio do eleitorado (≥ 90%) (Halpin, Agne e Omero, 2018) a salários dignos para quem trabalha no cuidado infantil, e o Congresso tomou medidas recentes nesse sentido. Ao renovar o programa Child Care and Development Block Grant, por meio do qual os estados podem subsidiar os custos do cuidado infantil e aumentar a remuneração de quem atua na educação infantil, o Congresso ampliou o acesso a um cuidado de qualidade (Malik et al., 2018); no entanto, é necessário mais financiamento para atender às necessidades atuais do país em cuidado infantil sem sacrificar a qualidade, sobretudo no cuidado de bebês e crianças bem pequenas, faixa para a qual as famílias têm mais dificuldade de encontrar opções acessíveis e de qualidade (Schochet, 2018).
Para crianças com menos de 10 anos, as intervenções baseadas em currículo no ambiente escolar (por exemplo, a aprendizagem social e emocional [SEL]) são o tipo de intervenção mais comum e preferido para melhorar a autorregulação (Pandey et al., 2018), embora também existam programas preventivos voltados às habilidades de socialização emocional dos pais (England-Mason e Gonzalez, 2020). Para além do ensino de conteúdos e habilidades acadêmicas, uma ampla pesquisa meta-analítica sustenta a necessidade de que as escolas ofereçam ensino universal de SEL, para que as crianças adquiram competências em autoconsciência, autogestão, consciência social, habilidades de relacionamento e tomada de decisão responsável (CASEL, 2020). Já se demonstrou repetidamente que a SEL promove o sucesso a longo prazo e traz benefícios para desfechos comportamentais, sociais, emocionais e acadêmicos (Blewitt et al., 2018; Corcoran et al., 2018; Mahoney et al., 2018; Murano, Sawyer e Lipnevich, 2020). Embora o conteúdo possa variar para se adequar à etapa do desenvolvimento, a eficácia das intervenções socioemocionais (SEL) é semelhante para crianças em idade pré-escolar e para estudantes do K-12 (da educação infantil ao fim do ensino médio) (Murano et al., 2020). O benefício dos programas de SEL é máximo quando são implementados de forma rotineira e sistemática desde a pré-escola e mantidos até o fim do ensino médio (Berman et al., 2018; Dusenbury e Weissberg, 2018).
Durante os anos pré-escolares, as intervenções de SEL baseadas em evidências devem se concentrar no ensino das habilidades necessárias para preparar a transição para a escolarização formal. Como a capacidade de pensamento metacognitivo das crianças em idade pré-escolar muitas vezes ainda está emergindo (Dimmitt e McCormick, 2012), o currículo nessa idade deve se concentrar em habilidades sociais e de comunicação, o que se mostrou capaz de reduzir problemas de comportamento, sobretudo entre crianças em situação de risco (Murano et al., 2020), que talvez tenham recebido menos apoio precoce nas interações com os pais. Os programas devem buscar incorporar movimento, criatividade e relações sociais ao currículo de SEL para apoiar o rápido desenvolvimento das funções executivas na primeira infância (Bierman e Motamedi, 2015; Diamond e Ling, 2016). Na transição para o jardim de infância (kindergarten), as crianças enfrentam um aumento simultâneo das exigências de controle atencional, emocional e comportamental, à medida que as salas de aula se tornam mais estruturadas e os objetivos de aprendizagem acadêmica ficam mais evidentes.
As crianças em idade pré-escolar continuam muito dependentes de apoios externos (por exemplo, pais, docentes), e o acesso contínuo a uma educação infantil de qualidade apoia a evolução das habilidades interpessoais e de prontidão escolar (Archambault, Côté e Raynault, 2020; Tran, Luchters e Fisher, 2017). Com o envolvimento dos pais e do corpo docente, as oportunidades de inserir instrução direta e prática diária de habilidades específicas nas atividades cotidianas crescem exponencialmente e, por sua vez, contribuem para a eficácia das intervenções (McClelland et al., 2017). Embora o nível de envolvimento dos pais possa variar de programa para programa, há apoio geral à ideia de que esse envolvimento e as atividades em casa aumentam a eficácia das intervenções para melhorar as habilidades socioemocionais (Smith et al., 2020).
Nos ambientes de educação infantil, as equipes de educação da primeira infância têm talvez o papel mais vital na implementação eficaz de currículos baseados em SEL. Por isso, devem receber apoio ao desenvolvimento profissional e formação específica sobre as intervenções de SEL, de sua base empírica à sua aplicação, e essas informações devem ser apresentadas num formato acessível, dada a variedade de formações de quem atua na educação infantil (Gomez, Kagan e Fox, 2019). Uma formação específica em SEL (por exemplo, sessões de vários dias) melhora a eficácia do corpo docente na implementação das intervenções, apoia o desenvolvimento de suas próprias habilidades ligadas à SEL (McClelland et al., 2017) e pode proteger contra o esgotamento profissional, o que, por sua vez, melhora a qualidade das interações entre docentes e crianças (Sandilos, Goble e Schwartz, 2020). Além disso, o corpo docente se beneficiaria de maior acesso a consultas reembolsáveis com especialistas em saúde mental para apoiar as necessidades de saúde mental de uma criança específica (Burak e Rolfes-Haase, 2018).
Para algumas crianças e famílias que enfrentam risco maior por fatores individuais ou estruturais, como o racismo sistêmico e a discriminação, e barreiras adicionais de acesso ao cuidado infantil e aos serviços de saúde por causa da localização geográfica ou da condição socioeconômica, a prevenção universal pode não bastar, o que justifica combiná-la com esforços adicionais de prevenção e intervenção direcionadas (Fusar-Poli et al., 2021). Essa abordagem escalonada, universal e direcionada, é evidente nas recomendações de boas práticas para bebês hospitalizados e para quem cuida deles. A separação entre pais e bebê ao longo da internação, os cuidados médicos intensivos e a complexidade médica do bebê colocam quem cuida de bebês internados em unidades de terapia intensiva neonatal e cardiovascular em risco elevado de transtornos de humor e de ansiedade no pós-parto e de estresse traumático médico (Grunberg et al., 2022), com possíveis impactos na relação diádica em formação entre quem cuida e o bebê (Kasparian et al., 2019; Tesson et al., 2023). Os bebês hospitalizados enfrentam adversidades contextuais adicionais, como a exposição aos ruídos e às luzes de uma unidade de terapia intensiva, o isolamento ou o contato reduzido com quem cuida deles e numerosos procedimentos médicos (Givrad, Hartzell e Scala, 2021). Nessas unidades, o rastreamento universal da saúde mental dos pais e do risco para o desenvolvimento do bebê é a boa prática recomendada (Hynan et al., 2015; Kasparian et al., 2019). Em combinação com o rastreamento universal, recomenda-se acompanhamento psicossocial direcionado e intervenção diádica adicionais para pais e bebês cujo rastreamento indique risco de desfechos psicossociais ou de neurodesenvolvimento desfavoráveis (por exemplo, por sintomas elevados nos instrumentos de rastreamento de saúde mental ou pela complexidade médica do bebê; Hynan et al., 2015; Givrad et al., 2021). Uma abordagem escalonada semelhante, de rastreamento universal com prevenção e intervenção direcionadas adicionais, também pode facilitar a resposta a rastreamentos perinatais positivos para depressão e outros problemas comuns de saúde mental perinatal na atenção primária perinatal e pediátrica (por exemplo, como parte de um cuidado reforçado por sistemas; Gjerdingen e Yawn, 2007). Trabalhos meta-analíticos sugerem que abordagens universais (cuidado pós-natal redesenhado) e direcionadas (por exemplo, terapia interpessoal) podem ser integradas para melhorar a depressão e a ansiedade pós-parto (Fusar-Poli et al., 2021); os benefícios posteriores para os filhos também podem ser ampliados por intervenções de duas gerações, como programas que integram o tratamento da depressão a apoios parentais baseados em evidências (Roubinov et al., 2023).
Em consonância com uma ampla teoria do desenvolvimento sobre a bidirecionalidade da relação entre pais e filhos (Paschall e Mastergeorge, 2016), linhas distintas de pesquisa convergem para a ideia de que o bem-estar dos pais e o da criança estão inextricavelmente ligados. O apego seguro entre pais e criança e a corregulação entre eles fornecem a base da capacidade biocomportamental de regulação emergente da criança; no entanto, fatores de risco parentais, inclusive a psicopatologia, podem comprometer essas origens relacionais precoces do funcionamento psicológico infantil. Ao mesmo tempo, a negatividade temperamental de jovens e os problemas de comportamento na infância podem provocar uma parentalidade inadequada, comprometer os processos diádicos e agravar os problemas de saúde mental dos pais. Atentar para a interdependência entre a saúde mental das crianças e a de seus pais durante janelas sensíveis para a relação em formação e para a saúde mental infantil pode, portanto, ter impactos transformadores para os dois membros da díade. No entanto, reconhecer o contexto relacional do desenvolvimento infantil não significa que as influências sobre esse desenvolvimento se limitem a esse contexto; esperamos, antes, que uma maior consciência das influências recíprocas e interdependentes entre pais e filhos leve as partes interessadas a defender mais financiamento e mudanças nos níveis federal, estadual e comunitário para promover a resiliência familiar. Oferecemos recomendações específicas para políticas governamentais, serviços de saúde comunitários e educação e cuidado na primeira infância que poderiam ser implementadas nos Estados Unidos para ajudar a rastrear fatores de risco e de resiliência dos pais, fortalecer os vínculos sociais e promover a aquisição socioemocional das crianças; em conjunto, mudanças significativas nessas áreas têm o potencial de fortalecer a díade entre pais e criança e de prevenir problemas de saúde mental ao longo da vida e nas gerações futuras.
Complexe Systémique: a reter
O interesse deste texto está em deslocar a prevenção da criança para a relação: não se protege a saúde mental de uma criança sem apoiar a de quem a cria, e a regulação emocional se constrói a dois, na sincronia e na corregulação. O duplo rastreamento de riscos e recursos (experiências benevolentes na infância, experiências protetivas atuais) converge com uma postura sistêmica atenta às competências das famílias. Mas é preciso ler esse argumento pelo que ele é: uma revisão narrativa, muito ancorada no sistema de saúde e nas políticas dos Estados Unidos e centrada na díade, quase sempre a díade mãe-criança, como a própria equipe reconhece. O casal, a coparentalidade e os avós aparecem como apoios à díade, e não como um sistema em si, e a dimensão triádica permanece pouco explorada. Para a clínica, vale reter a ideia de níveis escalonados: uma oferta universal que não estigmatiza, complementada por um acompanhamento direcionado. Para ler junto com o artigo sobre o papel dos membros da família nas intervenções perinatais e com o artigo sobre a aliança familiar no bebê.
Notas do original
Contribuições (CRediT). Jennifer A. Somers: redação (revisão e edição), redação da versão original, supervisão, conceituação. Laura K. Winstone-Weide: redação da versão original, conceituação. Gabrielle R. Rinne: redação da versão original, visualização, conceituação. Sarah G. Curci: redação da versão original, conceituação. Margot E. Barclay: redação da versão original, conceituação.
Conflitos de interesse. A equipe não tem interesses financeiros ou não financeiros relevantes a declarar.
2 Embora nossas recomendações se apliquem aos pais em sentido amplo, reconhecemos que a maior parte das evidências teóricas e empíricas existentes sobre a bidirecionalidade se concentrou em díades mãe-criança (por exemplo, Paschall e Mastergeorge, 2015).
Financiamento. Este trabalho contou com o apoio do financiamento NIMH F32MH132254 concedido à pessoa que assina em primeiro lugar (Somers). A pessoa que assina em terceiro lugar (Rinne) recebeu apoio como pesquisadora de pós-doutorado pelo financiamento NIMH T3215750.
Referências
AldaoA, GeeDG, De Los ReyesA, & SeagerI (2016). Emotion regulation as a transdiagnostic factor in the development of internalizing and externalizing psychopathology: Current and future directions. Development and psychopathology, 28 (4pt1), 927–946. https://doi.org/10.1017/S0954579416000638
American College of Obstetricians and Gynecologists. (2018). ACOG committee opinion no. 736: Optimizing postpartum care. Obstetrics and Gynecology, 131(5), e140–e150. https://doi.org/10.1097/AOG.0000000000002633
ArchambaultJ, CôtéD, & RaynaultMF (2020). Early childhood education and care access for children from disadvantaged backgrounds: Using a framework to guide intervention. Early Childhood Education Journal, 48(3), 345–352. https://doi.org/10.1007/s10643-019-01002-x
AtzlVA, GrandeLA, DavisEP, & NarayanAJ (2019). Perinatal promotive and protective factors for women with histories of childhood abuse and neglect. Child Abuse & Neglect, 91, 63–77. https://doi.org/10.1016/j.chiabu.2019.02.008
AvellarSA, & SuppleeLH (2013). Effectiveness of home visiting in improving child health and reducing child maltreatment. Pediatrics, 132(Supplement_2), S90–S99. https://doi.org/10.1542/peds.2013-1021G
BarnettML, SheldrickRC, LiuSR, Kia-KeatingM, & NegriffS (2021). Implications of adverse childhood experiences screening on behavioral health services: A scoping review and systems modeling analysis. The American psychologist, 76(2), 364–378. https://doi.org/10.1037/amp0000756
BauerL, & SchanzenbachDW (2016). The long-term impact of the Head Start program. The Hamilton Project.
BaziyantsGA, DodgeKA, BaiY, GoodmanWB, O’DonnellK, & MurphyRA (2023). The effects of a universal short-term home visiting program: Two-year impact on parenting behavior and parent mental health. Child abuse & neglect, 140, Article 106140. https://doi.org/10.1016/j.chiabu.2023.106140
Bedaso A, Adams J, Peng W, et al. The relationship between social support and mental health problems during pregnancy: A systematic review and meta-analysis. Reproductive health. 2021;18:162. https://doi.org/10.1186/s12978-021-01209-5.
BelskyJ (1984). The determinants of parenting: A process model. Child development, 83–96. https://doi.org/10.1111/j.1467-8624.1984.tb00275.x
Berman S. The practice base for how we learn: supporting students’ social, emotional, and academic development. consensus statements of practice from the council of distinguished educators. Aspen Institute. 2018.
Bernard-BonninAC, & Canadian Paediatric Society, & Mental Health and Developmental Disabilities Committee. (2004). Maternal depression and child development. Paediatrics & Child Health, 9(8), 575–583. https://doi.org/10.1093/pch/9.8.575
BiermanKL, & MotamediM (2015). Social and emotional learning programs for preschool children. Handbook of social and emotional learning: Research and practice, 135–151.
BlewittC, Fuller-TyszkiewiczM, NolanA, BergmeierH, VicaryD, HuangT, … SkouterisH (2018). Social and emotional learning associated with universal curriculum-based interventions in early childhood education and care centers: A systematic review and meta-analysis. JAMA network open, 1(8). https://doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2018.5727 . e185727–e185727.
Booth-LaForceC, GrohAM, BurchinalMR, RoismanGI, OwenMT, & CoxMJ (2014). Caregiving and contextual sources of continuity and change in attachment security from infancy to late adolescence. Monographs of the Society for Research in Child Development, 79(3), 67–84. https://doi.org/10.1111/mono.12114
BornsteinMH (2019). Parenting Infants. Handbook of parenting (3rd ed., pp. 3–55). Routledge. https://doi.org/10.4324/9780429440847-1
BowersME, & YehudaR (2016). Intergenerational transmission of stress in humans. Neuropsychopharmacology, 41(1), 232–244. https://doi.org/10.1038/npp.2015.247
BriggsRD, HershbergRS, & GermánM (2016). Healthy steps at Montefiore: Our journey from start up to scale. In Integrated Early Childhood Behavioral Health in Primary Care (pp. 105–116).
Bronfenbrenner U. The ecology of human development: Experiments by nature and design /Urie bronfenbrenner. Harvard University Press; 1979.
BurakEW, & Rolfes-HaaseK (2018). Using Medicaid to ensure the healthy social and emotional development of infants and toddlers. https://ccf.georgetown.edu/wp-content/uploads/2018/12/Medicaid-and-IECMH_FINAL.pdf.
CallisterLC, BeckstrandRL, & CorbettC (2011). Postpartum depression and help-seeking behaviors in immigrant Hispanic women. Journal of Obstetric, Gynecologic & Neonatal Nursing, 40(4), 440–449. https://doi.org/10.1111/j.1552-6909.2011.01254.x
CalkinsSD, & MarcovitchS (2010). Emotion regulation and executive functioning in early development: Integrated mechanisms of control supporting adaptive functioning. In CalkinsSD, & BellMA (Eds.), Child development at the intersection of emotion and cognition.
CASEL (2020). CASEL’S SEL framework. What are the core competence areas and where are they promoted. https://casel.org/fundamentals-of-sel/.
ChaeSY, ChaeMH, KandulaS, (2017). Promoting improved social support and quality of life with the CenteringPregnancy® group model of prenatal care. Archives of women’s mental health, 20, 209–220. https://doi.org/10.1007/s00737-016-0698-1
ChisholmCA, BullockL, & FergusonJEJII (2017). Intimate partner violence and pregnancy: Epidemiology and impact. American journal of obstetrics and gynecology, 217(2), 141–144. https://doi.org/10.1016/j.ajog.2017.05.042
CoburnSS, GonzalesNA, LueckenLJ, & CrnicKA (2016). Multiple domains of stress predict postpartum depressive symptoms in low-income Mexican American women: The moderating effect of social support. Archives of women’s mental health, 19, 1009–1018. https://doi.org/10.1007/s00737-016-0649-x
CondonEM (2019). Maternal, infant, and early childhood home visiting: A call for a paradigm shift in states’ approaches to funding. Policy, Politics, & Nursing Practice, 20 (1), 28–40. https://doi.org/10.1177/1527154419829439
CorcoranRP, CheungAC, KimE, & XieC (2018). Effective universal school-based social and emotional learning programs for improving academic achievement: A systematic review and meta-analysis of 50 years of research. Educational Research Review, 25, 56–72. https://doi.org/10.1016/j.edurev.2017.12.001
CurciSG, SomersJA, WinstoneLK, & LueckenLJ (2023). Within-dyad bidirectional relations among maternal depressive symptoms and child behavior problems from infancy through preschool. Development and psychopathology, 35(2), 547–557. https://doi.org/10.1017/S0954579421001656
DavisEP, & NarayanAJ (2020). Pregnancy as a period of risk, adaptation, and resilience for mothers and infants. Development and Psychopathology, 1625–1639. https://doi.org/10.1017/S0954579420001121
DiamondA (2016). Why improving and assessing executive functions early in life is critical. In GriffinJA, McCardleP, & FreundLS (Eds.), Executive function in preschool-age children: Integrating measurement, neurodevelopment, and translational research (pp. 11–43). American Psychological Association. https://doi.org/10.1037/14797-002 .
DiamondA, & LingDS (2016). Developmental cognitive neuroscience conclusions about interventions, programs, and approaches for improving executive functions that appear justified and those that, despite much hype, do not. Developmental Cognitive Neuroscience, 18, 34–48. https://doi.org/10.1016/j.dcn.2015.11.005
DimmittC, & McCormickCB (2012). Metacognition in education. In HarrisKR, GrahamS, UrdanT, McCormickCB, SinatraGM, & SwellerJ (Eds.), APA educational psychology handbook, vol. 1. theories, constructs, and critical issues (pp. 157–187). American Psychological Association. https://doi.org/10.1037/13273-007 .
Dolbin-MacNabML, & O’ConnellLM (2021). Grandfamilies and the opioid epidemic: A systemic perspective and future priorities. Clinical Child and Family Psychology Review, 24, 207–223. https://doi.org/10.1007/s10567-021-00343-7
DodgeKA, & GoodmanWB (2019). Universal reach at birth. The Future of Children, 29(1), 41–60. https://doi.org/10.1353/foc.2019.0003
DusenburyL, & WeissbergRP (2018). Emerging Insights from States’ Efforts to Strengthen Social and Emotional Learning. Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning.
EarlsMF (2010). Incorporating recognition and management of perinatal and postpartum depression into pediatric practice. Pediatrics, 126(5), 1032–1039. https://doi.org/10.1542/peds.2010-2348
EarlsMF, & HaysSS (2006). Setting the stage for success: Implementation of developmental and behavioral screening and surveillance in primary care practice: The North Carolina ABCD project. Pediatrics, 118(1), e183–e188. https://doi.org/10.1542/peds.2006-0475
EisenbergN, CumberlandA, & SpinradTL (1998). Parental socialization of emotion. Psychological inquiry, 9(4), 241. https://doi.org/10.1207/s15327965pli0904_1
EisenbergN, SpinradTL, & EggumND (2010). Emotion-related self-regulation and its relation to children’s maladjustment. Annual Review of Clinical Psychology, 6(1), 495–525.https://doi.org/10.1146/annurev.clinpsy.121208.131208
EisenbergN, & ZhouQ (2016). Conceptions of executive function and regulation: When and to what degree do they overlap? In GriffinJA, McCardleP, & FreundLS (Eds.), Executive function in preschool-age children: Integrating measurement, neurodevelopment, and translational research (pp. 115–136). American Psychological Association. https://doi.org/10.1037/14797-006 .
EisenbergN, ZhouQ, SpinradTL, ValienteC, FabesRA, & LiewJ (2005). Relations among positive parenting, children’s effortful control, and externalizing problems: A three-wave longitudinal study. Child development, 76(5), 1055–1071. https://doi.org/10.1111/j.1467-8624.2005.00897.x
EllisBH, AlisicE, ReissA, DishionT, & FisherPA (2014). Emotion regulation among preschoolers on a continuum of risk: The role of maternal emotion coaching. Journal of child and family studies, 23, 965–974. https://doi.org/10.1007/s10826-013-9752-z
England-MasonG, & GonzalezA (2020). Intervening to shape children’s emotion regulation: A review of emotion socialization parenting programs for young children. Emotion, 20(1), 98–104. https://doi.org/10.1037/emo0000638
EssexMJ, KleinMH, ChoE, & KalinNH (2002). Maternal stress beginning in infancy may sensitize children to later stress exposure: Effects on cortisol and behavior. Biological Psychiatry, 52(8), 776–784. https://doi.org/10.1016/S0006-3223(02)01553-6
Fay-StammbachT, HawesDJ, & MeredithP (2014). Parenting influences on executive function in early childhood: A review. Child development perspectives, 8(4), 258–264. https://doi.org/10.1111/cdep.12095
FlanaganT, AlabasterA, McCawB, StollerN, WatsonC, & Young-WolffKC (2018). Feasibility and acceptability of screening for adverse childhood experiences in prenatal care. Journal of Women’s Health, 27(7), 903–911. https://doi.org/10.1089/jwh.2017.6649
FeinbergME, A MogleJ, LeeJK, TornelloSL, HostetlerML, CifelliJA, … HotezE (2022). Impact of the COVID-19 pandemic on parent, child, and family functioning. Family Process, 61(1), 361–374. https://doi.org/10.1111/famp.12649
FeldmanR (2007). Parent–infant synchrony and the construction of shared timing; physiological precursors, developmental outcomes, and risk conditions. Journal of Child psychology and Psychiatry, 48(3–4), 329–354. https://doi.org/10.1111/j.1469-7610.2006.01701.x
FeldmanR (2017). The neurobiology of human attachments. Trends in cognitive sciences, 21(2), 80–99. https://doi.org/10.1016/j.tics.2016.11.007
FeldmanR (2012). Parent-Infant Synchrony: A biobehavioral model of mutual influences in the formation of affiliative bonds. Monographs of the Society for Research in Child Development, 77(2), 42–51. https://doi.org/10.1111/j.1540-5834.2011.00660.x
FonsecaA, & CanavarroMC (2017). Women’s intentions of informal and formal help-seeking for mental health problems during the perinatal period: The role of perceived encouragement from the partner. Midwifery, 50, 78–85. https://doi.org/10.1016/j.midw.2017.04.001
Fusar-PoliP, CorrellCU, ArangoC, BerkM, PatelV, & IoannidisJP (2021). Preventive psychiatry: A blueprint for improving the mental health of young people. World Psychiatry, 20(2), 200–221. https://doi.org/10.1002/wps.20869
GarnerA, & YogmanM (2021). Preventing childhood toxic stress: partnering with families and communities to promote relational health. Pediatrics, 148(2). https://doi.org/10.1542/peds.2021-052582
GeeDG, & CohodesEM (2021). Influences of caregiving on development: A sensitive period for biological embedding of predictability and safety cues. Current directions in psychological science, 30(5), 376–383. https://doi.org/10.1177/09637214211015673
GillespieRJ, & FolgerAT (2017). Feasibility of assessing parental ACEs in pediatric primary care: Implications for practice-based implementation. Journal of Child & Adolescent Trauma, 10, 249–256. https://doi.org/10.1007/s40653-017-0138-z
GivradS, HartzellG, & ScalaM (2021). Promoting infant mental health in the neonatal intensive care unit (NICU): A review of nurturing factors and interventions for NICU infant-parent relationships. Early Human Development, 154, Article 105281. https://doi.org/10.1016/j.earlhumdev.2020.105281
GjerdingenDK, & YawnBP (2007). Postpartum depression screening: Importance, methods, barriers, and recommendations for practice. Journal of the American Board of Family Medicine, 20(3), 280–288. https://doi.org/10.3122/jabfm.2007.03.060171
GomezRE, KaganSL, & FoxEA (2019). Professional development of the early childhood education teaching workforce in the United States: An overview. The Professional Development of Early Years Educators, 41(2), 169–186. https://doi.org/10.1080/19415257.2014.986820
GoodmanSH, RouseMH, ConnellAM, BrothMR, HallCM, & HeywardD (2011). Maternal depression and child psychopathology: A meta-analytic review. Clinical child and family psychology review, 14, 1–27. https://doi.org/10.1007/s10567-010-0080-1
GrunbergVA, GellerPA, HoffmanC, NjorogeW, AhmedA, & PattersonCA (2022). Parental mental health screening in the NICU: A psychosocial team initiative. Journal of Perinatology, 42(3), 401–409. https://doi.org/10.1038/s41372-021-01217-0
GunnarMR, & HostinarCE (2015). The social buffering of the hypothalamic–pituitary–adrenocortical axis in humans: Developmental and experiential determinants. Social neuroscience, 10(5), 479–488. https://doi.org/10.1080/17470919.2015.1070747
HalpinJ, AgneK, & OmeroM (2018). Affordable Child Care and Early Learning for All Families: A National Public Opinion Study. https://www.americanprogress.org/article/affordable-child-care-early-learning-families/.
HawkinsAJ, HokansonS, LoveridgeE, MiliusE, DuncanM, BoothM, & PollardB (2022). How effective are ACF-funded couple relationship education programs? A meta-analytic study. Family Process, 61, 970–985. https://doi.org/10.1111/famp.12739
Hays-GrudoJ, Sheffield MorrisA, BeasleyL, CiciollaL, ShrefflerK, & CroffJ (2021). Integrating and synthesizing adversity and resilience knowledge and action: The ICARE model. The American Psychologist, 76(2), 203–215. https://doi.org/10.1037/amp0000766
Hays-GrudoJ, & MorrisAS (2020). Adverse and protective childhood experiences: A developmental perspective. American Psychological Association. https://doi.org/10.1037/0000177-000
Health and Human Services (2022). HHS applauds 12-month postpartum expansion in California, Florida, Kentucky, and Oregon. https://www.hhs.gov/about/news/2022/05/25/hhs-applauds-12-month-postpartum-expansion-in-california-florida-kentucky-and-oregon.html.
Health Resources & Services Adminstration (2024). Maternal, infant, and early childhood home visiting (MIECHV) program. https://mchb.hrsa.gov/programs-impact/programs/home-visiting/maternal-infant-early-childhood-home-visiting-miechv-program.
HollandML, CondonEM, RinneGR, GoodMM, BleicherS, LiC, TaylorRM, & SadlerLS (2022). Birth-related outcomes for second children following home visiting program enrollment for new parents of first children. Maternal and Child Health Journal, 26(4), 941–952. https://doi.org/10.1007/s10995-021-03365-3
HolmesEK, EggintonBR, HawkinsAJ, RobbinsNL, & ShaferK (2020). Do responsible fatherhood programs work? A comprehensive meta-analytic study. Family Relations, 69, 967–982. https://doi.org/10.1111/fare.12435
HolodynskiM (2013). The internalization theory of emotions: A cultural historical approach to the development of emotions. Mind, Culture, and Activity, 20(1), 4–38. https://doi.org/10.1080/10749039.2012.745571
HostutlerC, WolfN, SniderT, ButzC, KemperAR, & ButterE (2023). Increasing Access to and Utilization of Behavioral Health Care Through Integrated Primary Care. Pediatrics, 152(6). https://doi.org/10.1542/peds.2023-062514
HynanMT, SteinbergZ, BakerL, CiccoR, GellerPA, LassenS, … StuebeA (2015). Recommendations for mental health professionals in the NICU. Journal of Perinatology, 35(1), S14–S18. https://doi.org/10.1038/jp.2015.144
HumphreysKL, KingLS, Guyon-HarrisKL, & ZeanahCH (2022). Caregiver regulation: A modifiable target promoting resilience to early adverse experiences. Psychological Trauma: Theory, Research, Practice, and Policy, 14(S1), S63–S71. https://doi.org/10.1037/tra0001111
JohnsonJE, LoreeAM, SikorskiiA, MillerTR, CarravallahL, TaylorB, & ZlotnickC (2023). Study protocol for the ROSE scale-up study: informing a decision about ROSE as universal postpartum depression prevention. Contemporary Clinical Trials, 132, Article 107297. https://doi.org/10.1016/j.cct.2023.107297
JonesJD, CassidyJ, & ShaverPR (2015). Parents’ self-reported attachment styles: A review of links with parenting behaviors, emotions, and cognitions. Personality and Social Psychology Review, 19(1), 44–76. https://doi.org/10.1177/1088868314541858
KasparianNA, KanJM, SoodE, WrayJ, PincusHA, & NewburgerJW (2019). Mental health care for parents of babies with congenital heart disease during intensive care unit admission: Systematic review and statement of best practice. Early human development, 139, Article 104837. https://doi.org/10.1016/j.earlhumdev.2019.104837
KeenanK, HipwellAE, ClassQA, & MbayiwaK (2018). Extending the developmental origins of disease model: Impact of preconception stress exposure on offspring neurodevelopment. Developmental psychobiology, 60(7), 753–764. https://doi.org/10.1002/dev.21773
Kia-KeatingM, BarnettML, LiuSR, SimsGM, & RuthAB (2019). Trauma-responsive care in a pediatric setting: feasibility and acceptability of screening for adverse childhood experiences. American journal of community psychology, 64(3–4), 286–297. https://doi.org/10.1002/ajcp.12366
KilpatrickSJ, PapileLA, & MaconesGA (2017). Guidelines for perinatal care. American Academy of Pediatrics. https://doi.org/10.1542/9781610020886
KoehnAJ, & KernsKA (2018). Parent–child attachment: Meta-analysis of associations with parenting behaviors in middle childhood and adolescence. Attachment & human development, 20(4), 378–405. https://doi.org/10.1080/14616734.2017.1408131
Lebrun-HarrisLA, GhandourRM, KoganMD, & WarrenMD (2022). Five-year trends in US children’s health and well-being, 2016–2020. JAMA pediatrics, 176(7). https://doi.org/10.1001/jamapediatrics.2022.0056 . e220056–e220056.
LechowiczME, JiangY, TullyLA, BurnMT, CollinsDAJ, HawesDJ, … DaddsMR (2019). Enhancing father engagement in parenting programs: Translating research into practice recommendations. Australian Psychologist, 54, 83–89. https://doi.org/10.1111/ap.12361
Leitch L. Action steps using ACEs and trauma-informed care: a resilience model. Health Justice. 2017;5:5. https://doi.org/10.1186/s40352-017-0050-5.
LubyJL (2022). Editorial: Environmental conditions for growing healthy children. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 63(9), 961–962. https://doi.org/10.1111/jcpp.13674
LubyJL, RogersC, & McLaughlinKA (2022). Environmental conditions to promote healthy childhood brain/behavioral development: informing early preventive interventions for delivery in routine care. Biological Psychiatry Global Open Science, 2 (3), 233–241. https://doi.org/10.1016/j.bpsgos.2021.10.003
LueckenLJ, CrnicKA, GonzalesNA, WinstoneLK, & SomersJA (2019). Mother-infant dyadic dysregulation and postpartum depressive symptoms in low-income Mexican-origin women. Biological psychology, 147. https://doi.org/10.1016/j.biopsycho.2018.10.016 , 107614–107614.
LueckenLJ, RoubinovDS, & TanakaR (2013). Childhood family environment, social competence, and health across the lifespan. Journal of Social and Personal Relationships, 30(2), 171–178. https://doi.org/10.1177/0265407512454272
LueckenLJ, MacKinnonDP, JewellSL, CrnicKA, & GonzalesNA (2015). Effects of prenatal factors and temperament on infant cortisol regulation in low-income Mexican American families. Developmental Psychobiology, 57(8), 961–973. https://doi.org/10.1002/dev.21328
MaKKY, AndersonJK, & BurnAM (2023). School-based interventions to improve mental health literacy and reduce mental health stigma–a systematic review. Child and Adolescent Mental Health, 28(2), 230–240. https://doi.org/10.1111/camh.12543
MacKinnonDP, TaborgaMP, & Morgan-LopezAA (2002). Mediation designs for tobacco prevention research. Drug and alcohol dependence, 68 Suppl 1(Suppl 1), S69–S83. https://doi.org/10.1016/s0376-8716(02)00216-8
MahoneyJL, DurlakJA, & WeissbergRP (2018). An update on social and emotional learning outcome research. Phi Delta Kappan, 100(4), 18–23. https://doi.org/10.1177/003172171881566
MalikR, HammK, SchochetL, NovoaC, WorkmanS, & Jessen-HowardS (2018). America’s child care deserts in 2018. Center for American Progress, 3–4.
MainM, KaplanN, & CassidyJ (1985). Security in infancy, childhood, and adulthood: A move to the level of representation. Monographs of the society for research in child development, 66–104. https://doi.org/10.2307/3333827
MastenAS (2018). Resilience theory and research on children and families: Past, present, and promise. Journal of Family Theory & Review, 10(1), 12–31. https://doi.org/10.1111/jftr.12255
MastenAS, HubbardJJ, GestSD, TellegenA, GarmezyN, & RamirezM (1999). Competence in the context of adversity: Pathways to resilience and maladaptation from childhood to late adolescence. Development and psychopathology, 11(1), 143–169. https://doi.org/10.1017/S0954579499001996
MastenAS, & CicchettiD (2016). Resilience in development: Progress and transformation. Developmental psychopathology, 4(3), 271–333. https://doi.org/10.1002/9781119125556.devpsy406
MaxwellN, ScourfieldJ, FeatherstoneB, HollandS, & TolmanR (2012). Engaging fathers in child welfare services: a narrative review of recent research evidence. Child & Family Social Work, 17, 160–169. https://doi.org/10.1111/j.1365-2206.2012.00827.x
McClellandMM, TomineySL, SchmittSA, & DuncanR (2017). SEL interventions in early childhood. The Future of Children, 33–47. https://doi.org/10.1353/foc.2017.0002
McLuckieA, LandersAL, CurranJA, CannR, CarreseDH, NolanA, … CarreyNJ (2019). A scoping review of mental health prevention and intervention initiatives for infants and preschoolers at risk for socio-emotional difficulties. Systematic Reviews, 8(1), 1–19. https://doi.org/10.1186/s13643-019-1043-3
MerrickJS, & NarayanAJ (2020). Assessment and screening of positive childhood experiences along with childhood adversity in research, practice, and policy. Journal of Children and Poverty, 26(2), 269–281. https://doi.org/10.1080/10796126.2020.1799338
MerikangasKR, NakamuraEF, & KesslerRC (2009). Epidemiology of mental disorders in children and adolescents. Dialogues in clinical neuroscience, 11(1), 7–20. https://doi.org/10.31887/DCNS.2009.11.1/krmerikangas
MonkC, Lugo-CandelasC, & TrumpffC (2019). Prenatal developmental origins of future psychopathology: Mechanisms and pathways. Annual review of clinical psychology, 15, 317–344. https://doi.org/10.1146/annurev-clinpsy-050718-095539
MoogNK, BussC, EntringerS, ShahbabaB, GillenDL, HobelCJ, & WadhwaPD (2016). Maternal exposure to childhood trauma is associated during pregnancy with placental-fetal stress physiology. Biological psychiatry, 79(10), 831–839. https://doi.org/10.1016/j.biopsych.2015.08.032
MuranoD, SawyerJE, & LipnevichAA (2020). A meta-analytic review of preschool social and emotional learning interventions. Review of Educational Research, 90(2), 227–263. https://doi.org/10.3102/0034654320914743
NarayanAJ, AtzlVM, MerrickJS, HarrisWW, & LiebermanAF (2020). Developmental origins of ghosts and angels in the nursery: Adverse and benevolent childhood experiences. Adversity and Resilience Science, 1, 121–134. https://doi.org/10.1007/s42844-020-00008-4
NarayanAJ, IppenCG, HarrisWW, & LiebermanAF (2019). Protective factors that buffer against the intergenerational transmission of trauma from mothers to young children: A replication study of angels in the nursery. Development and Psychopathology, 31(1), 173–187. https://doi.org/10.1017/S0954579418001530
NarayanAJ, LabellaMH, EnglundMM, CarlsonEA, & EgelandB (2017). The legacy of early childhood violence exposure to adulthood intimate partner violence: Variable- and person-oriented evidence. Journal of Family Psychology, 31(7), 833–843. https://doi.org/10.1037/fam0000327
NarayanAJ, LiebermanAF, & MastenAS (2021). Intergenerational transmission and prevention of adverse childhood experiences (ACEs). Clinical Psychology Review, 85, 101997. https://doi.org/10.1016/j.cpr.2021.101997
NarayanAJ, RiveraLM, BernsteinRE, HarrisWW, & LiebermanAF (2018). Positive childhood experiences predict less psychopathology and stress in pregnant women with childhood adversity: A pilot study of the benevolent childhood experiences (BCEs) scale. Child abuse & neglect, 78, 19–30. https://doi.org/10.1016/j.chiabu.2017.09.022
NiPK, & Siew LinSK (2024). The role of family and friends in providing social support towards enhancing the wellbeing of postpartum women: A comprehensive systematic review. JBI Library of Systematic Reviews, 9(10), 313–370. https://doi.org/10.11124/jbisrir-2011-94
NiggJT (2017). Annual Research Review: On the relations among self-regulation, self-control, executive functioning, effortful control, cognitive control, impulsivity, risk-taking, and inhibition for developmental psychopathology. Journal of child psychology and psychiatry, 58(4), 361–383. https://doi.org/10.1111/jcpp.12675
O’ConnorE, HenningerM, PerdueLA, CoppolaEL, ThomasR, & GaynezBN (2023). Screening for depression, anxiety, and suicide risk in adults: A systematic evidence review for the U.S. Preventive services task force. Agency for Healthcare Research and Quality. Report No: 22–05295-EF-1.
Office of the U.S. Surgeon General. (2021). Protecting youth mental health: The U.S. surgeon general’s advisory. https://www.hhs.gov/sites/default/files/surgeon-general-youth-mental-health-advisory.pdf.
OlsonA, DietrichAJ, PrazarG, & HurleyJ (2006). Brief maternal depression screening at well-child visits. Pediatrics, 118(1), 207–216. https://doi.org/10.1542/peds.2005-2346
OlsonAL, KemperKJ, KelleherKJ, HammondCS, ZuckermanBS, & DietrichAJ (2002). Primary care pediatricians’ roles and perceived responsibilities in the identification and management of maternal depression. Pediatrics, 110(6), 1169–1176. https://doi.org/10.1542/peds.110.6.1169
PaleyB, & HajalNJ (2022). Conceptualizing emotion regulation and coregulation as family-level phenomena. Clinical child and family psychology review, 25, 19–43. https://doi.org/10.1007/s10567-022-00378-4
PandeyA, HaleD, DasS, GoddingsAL, BlakemoreSJ, & VinerRM (2018). Effectiveness of universal self-regulation–based interventions in children and adolescents: A systematic review and meta-analysis. JAMA pediatrics, 172(6), 566–575. https://doi.org/10.1001/jamapediatrics.2018.0232
Panter-BrickC, BurgessA, EggermanM, McAllisterF, PruettK, & LeckmanJF (2014). Practitioner review: engaging fathers–recommendations for a game change in parenting interventions based on a systematic review of the global evidence. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 55(11), 1187–1212. https://doi.org/10.1111/jcpp.12280
PaschallKW, & MastergeorgeAM (2016). A review of 25 years of research in bidirectionality in parent–child relationships: An examination of methodological approaches. International Journal of Behavioral Development, 40(5), 442–451. https://doi.org/10.1177/0165025415607379
PatrickSW, HenkhausLE, ZickafooseJS, LovellK, HalvorsonA, LochS, … DavisMM (2020). Well-being of parents and children during the COVID-19 pandemic: A national survey. Pediatrics, 146(4). https://doi.org/10.1542/peds.2020-0836
RabyKL, & DozierM (2019). Attachment across the lifespan: Insights from adoptive families. Current opinion in psychology, 25, 81–85. https://doi.org/10.1016/j.copsyc.2018.03.011
RacineN, ZumwaltK, McDonaldS, ToughS, & MadiganS (2020). Perinatal depression: The role of maternal adverse childhood experiences and social support. Journal of Affective Disorders, 263, 576–581. https://doi.org/10.1016/j.jad.2019.11.030
RazurelC, KaiserB, SellenetC, & EpineyM (2013). Relation between perceived stress, social support, and coping strategies and maternal well-being: A Review of the literature. Women & Health, 53(1), 74–99. https://doi.org/10.1080/03630242.2012.732681
RiceC, IngramE, & O’MahenH (2022). A qualitative study of the impact of peer support on women’s mental health treatment experiences during the perinatal period. BMC Pregnancy and Childbirth, 22(1), 689. https://doi.org/10.1186/s12884-022-04959-7
RiemMME, Bakermans-KranenburgMJ, CimaM, & van IJzendoornMH (2023). Grandparental support and maternal postpartum mental health: A review and meta-analysis. Human Nature (Hawthorne, N.Y.), 34(1), 25–45. https://doi.org/10.1007/s12110-023-09440-8
RoubinovD, IvinsB, FrameL, SimmsS, & PfiffnerL (2023). Integrating treatment for maternal depression and young children’s behavior problems. Journal of Psychiatry and Brain Science, 8(6), Article e230011. https://doi.org/10.20900/jpbs.20230011
RoubinovDS, LueckenLJ, CurciSG, SomersJA, & WinstoneLK (2021). A prenatal programming perspective on the intergenerational transmission of maternal adverse childhood experiences to offspring health problems. American Psychologist, 76(2), 337–349. https://doi.org/10.1037/amp0000762
SadruddinAF, PongutaLA, ZondermanAL, WileyKS, GrimshawA, & Panter-BrickC (2019). How do grandparents influence child health and development? A systematic review. Social Science & Medicine, 239, Article 112476. https://doi.org/10.1016/j.socscimed.2019.112476
SameroffA (2009). The transactional model. In SameroffA (Ed.), The transactional model of development: How children and contexts shape each other (pp. 3–21). American Psychological Association. https://doi.org/10.1037/11877-001 .
Sameroff AJ. Systems of development: contexts and evolution. Handbook of child psychology. 1983;1.
SandilosL, GobleP, & SchwartzS (2020). Burnout and Teacher–child interactions: The moderating influence of SEL interventions in head start classrooms. Early Education and Development, 31(7), 1169–1185. https://doi.org/10.1080/10409289.2020.1788331
SarkadiA, KristianssonR, OberklaidF, & BrembergS (2008). Fathers’ involvement and children’s developmental outcomes: A systematic review of longitudinal studies. Acta Paediatrica, 97(2), 153–158. https://doi.org/10.1111/j.1651-2227.2007.00572.x
SaxbeD, Rossin-SlaterM, & GoldenbergD (2018). The transition to parenthood as a critical window for adult health. American Psychologist, 73(9), 1190. https://doi.org/10.1037/amp0000376
SchochetL, (2018). Proposed Bill Would Help American Families Afford Child Care (Washington: Center for American Progress, Available at: https://americanprogress.org/issues/early-childhood/reports/2018/09/13/457518/proposed-bill-help-american-families-afford-child-care/.
SelvarajK, RuizMJ, AschkenasyJ, ChangJD, HeardA, MinierM, OstaAD, PavelackM, SamelsonM, SchwartzA, ScotellaroMA, Seo-LeeA, SonuS, StillermanA, & BayldonBW (2019). Screening for toxic stress risk factors at well-child visits: The addressing social key questions for health study. The Journal of pediatrics, 205, 244–249. https://doi.org/10.1016/j.jpeds.2018.09.004 . e4.
SharifipourF, JavadnooriM, Behboodi MoghadamZ, NajafianM, CheraghianB, & AbbaspoorZ (2022). Interventions to improve social support among postpartum mothers: A systematic review. Health promotion perspectives, 12(2), 141–150. https://doi.org/10.34172/hpp.2022.18
SilkenbeumerJ, SchillerEM, HolodynskiM, & KärtnerJ (2016). The role of co-regulation for the development of social-emotional competence. Journal of Self-regulation and Regulation, 2, 17–32. https://doi.org/10.11588/josar.2016.2.34351
SmithLE, & HowardKS (2008). Continuity of paternal social support and depressive symptoms among new mothers. Journal of Family Psychology, 22(5), 763. https://doi.org/10.1037/a0013581
SmithTE, SheridanSM, KimEM, (2020). The effects of family-school partnership interventions on academic and social-emotional functioning: A meta-analysis exploring what works for whom. Educational psychology review, 32, 511–544. https://doi.org/10.1007/s10648-019-09509-w
SmortiM, PontiL, & PancettiF (2019). A comprehensive analysis of post-partum depression risk factors: The role of socio-demographic, individual, relational, and delivery characteristics. Frontiers in public health, 7, 295. https://doi.org/10.3389/fpubh.2019.00295
SoM, McCordRF, & KaminskiJW (2019). Policy levers to promote access to and utilization of children’s mental health services: A systematic review. Administration and policy in mental health, 46(3), 334–351. https://doi.org/10.1007/s10488-018-00916-9
SolmiM, RaduaJ, OlivolaM, CroceE, SoardoL, Salazar de PabloG, … Fusar-PoliP (2022). Age at onset of mental disorders worldwide: Large-scale meta-analysis of 192 epidemiological studies. Molecular psychiatry, 27(1), 281–295. https://doi.org/10.1038/s41380-021-01161-7
SomersJA, & LueckenLJ (2022). Prenatal programming of behavior problems via second-by-second infant emotion dynamics. Psychological Science, 33(12), 2027–2039. https://doi.org/10.1177/09567976221116816
StapletonLRT, SchetterCD, WestlingE, RiniC, GlynnLM, HobelCJ, & SandmanCA (2012). Perceived partner support in pregnancy predicts lower maternal and infant distress. Journal of family psychology, 26(3), 453. https://doi.org/10.1037/a0028332
SufrediniF, CatlingC, ZugaiJ, & ChangS (2022). The effects of social support on depression and anxiety in the perinatal period: A mixed-methods systematic review. Journal of Affective Disorders. https://doi.org/10.1016/j.jad.2022.09.005
SutoM, TakeharaK, YamaneY, & OtaE (2017). Effects of prenatal childbirth education for partners of pregnant women on paternal postnatal mental health and couple relationship: A systematic review. Journal of affective disorders, 210, 115–121. https://doi.org/10.1016/j.jad.2016.12.025
SwalesDA, Stout-OswaldSA, GlynnLM, SandmanC, WingDA, & DavisEP (2018). Exposure to traumatic events in childhood predicts cortisol production among high risk pregnant women. Biological Psychology, 139, 186–192. https://doi.org/10.1016/j.biopsycho.2018.10.006
TakácsL, ŠtiplJ, GartsteinM, PutnamSP, & MonkC (2021). Social support buffers the effects of maternal prenatal stress on infants’ unpredictability. Early human development, 157, Article 105352. https://doi.org/10.1016/j.earlhumdev.2021.105352
TaylorP, RietzschelJ, DanquahA, & BerryK (2015). Changes in attachment representations during psychological therapy. Psychotherapy Research, 25(2), 222–238. https://doi.org/10.1080/10503307.2014.886791
TessonS, SwinsburgD, Nielson-JonesC, CostaDS, WinlawDS, BadawiN, … KasparianNA (2023). Mother–infant dyadic synchrony and interaction patterns after infant cardiac surgery. Journal of Pediatric Psychology, 49(1), 13–26. https://doi.org/10.1093/jpepsy/jsad069
ThomasJC, LetourneauN, BryceCI, CampbellTS, & GiesbrechtGF (2017). Biological embedding of perinatal social relationships in infant stress reactivity. Developmental Psychobiology, 59(4), 425–435. https://doi.org/10.1002/dev.21505
ThompsonRA (2000). The legacy of early attachments. Child development, 71(1), 145–152. https://doi.org/10.1111/1467-8624.00128
TranTD, LuchtersS, & FisherJ (2017). Early childhood development: Impact of national human development, family poverty, parenting practices and access to early childhood education. Child, 43(3), 415–426. https://doi.org/10.1111/cch.12395
TraubF, & Boynton-JarrettR (2017). Modifiable resilience factors to childhood adversity for clinical pediatric practice. Pediatrics, 139(5), Article e20162569. https://doi.org/10.1542/peds.2016-2569
TroutmanB, MoranTE, ArndtS, JohnsonRF, & ChmielewskiM (2012). Development of parenting self-efficacy in mothers of infants with high negative emotionality. Infant Mental Health Journal, 33(1), 45–54. https://doi.org/10.1002/imhj.20332
TullyKP, StuebeAM, & VerbiestSB (2017). The fourth trimester: A critical transition period with unmet maternal health needs. American journal of obstetrics and gynecology, 217(1), 37–41. https://doi.org/10.1016/j.ajog.2017.03.032
U.S. Census Bureau (2017). Current population survey, annual social and economic supplement, america’s families and living arrangements: 2017, table C3. living arrangements of children under 18 years old: 1960 to present. https://www.census.gov/data/tables/2017/demo/families/cps-2017.html.
Van den BerghBR, van den HeuvelMI, LahtiM, BraekenM, de RooijSR, EntringerS, … SchwabM (2020). Prenatal developmental origins of behavior and mental health: The influence of maternal stress in pregnancy. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 117, 26–64. https://doi.org/10.1016/j.neubiorev.2017.07.003
Van NielMS, BhatiaR, RianoNS, de FariaL, Catapano-FriedmanL, RavvenS, WeissmanB, NzodomC, AlexanderA, BuddeK, & MangurianC (2020). The impact of paid maternity leave on the mental and physical health of mothers and children: A review of the literature and policy implications. Harvard review of psychiatry, 28(2), 113–126. https://doi.org/10.1097/HRP.0000000000000246
VilaJ (2021). Social support and longevity: Meta-analysis-based evidence and psychobiological mechanisms. Frontiers in Psychology, 12. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2021.717164 , 717164–717164.
von SuchodoletzA, LeeDS, HenryJ, TamangS, PremachandraB, (2023). Early childhood education and care quality and associations with child outcomes: A meta-analysis. PloS one, 18(10), Article e0293056. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0285985
WeinfieldNS, SroufeLA, & EgelandB (2000). Attachment from infancy to early adulthood in a high-risk sample: Continuity, discontinuity, and their correlates. Child development, 71(3), 695–702. https://doi.org/10.1111/1467-8624.00178
WeislederA, CatesCB, DreyerBP, Berkule JohnsonS, HubermanHS, SeeryAM, … MendelsohnAL (2016). Promotion of positive parenting and prevention of socioemotional disparities. Pediatrics, 137(2). https://doi.org/10.1542/peds.2015-3239
WhitneyMD, HolbrookC, AlvaradoL, & BoydS (2023). Length of Maternity Leave Impact on Mental and Physical Health of Mothers and Infants, a Systematic Review and Meta-analysis. Maternal and Child Health Journal, 27(8), 1308–1323. https://doi.org/10.1007/s10995-022-03524-0
WhitneyDG, & PetersonMD (2019). US national and state-level prevalence of mental health disorders and disparities of mental health care use in children. JAMA pediatrics, 173(4), 389–391. https://doi.org/10.1001/jamapediatrics.2018.5399
WinstoneLK, CurciSG, & CrnicKA (2021). Pathways to maternal and child well-being: Stability and transaction across toddlerhood. Parenting, 21(2), 118–140. https://doi.org/10.1080/15295192.2019.1701933
YehudaR, & BiererLM (2009). The relevance of epigenetics to PTSD: Implications for the DSM-V. Journal of traumatic stress, 22(5), 427–434. https://doi.org/10.1002/jts.20448
YehudaR, & LehrnerA (2018). Intergenerational transmission of trauma effects: Putative role of epigenetic mechanisms. World psychiatry, 17(3), 243–257. https://doi.org/10.1002/wps.20568
YehudaR, & MeaneyMJ (2018). Relevance of psychological symptoms in pregnancy to intergenerational effects of preconception trauma. Biological Psychiatry, 83, 94–96. https://doi.org/10.1016/j.biopsych.2017.10.027
ZhouQ, ChenSH, & MainA (2012). Commonalities and differences in the research on children’s effortful control and executive function: A call for an integrated model of self-regulation. Child development perspectives, 6(2), 112–121. https://doi.org/10.1111/j.1750-8606.2011.00176.x
Tradução não oficial em português de Aproveitar o contexto interpessoal do desenvolvimento infantil para promover a resiliência familiar: uma abordagem de prevenção universal da preconcepção à primeira infância, de Jennifer A. Somers, Laura K. Winstone-Weide, Gabrielle R. Rinne, Sarah G. Curci e Margot E. Barclay, Mental Health & Prevention, vol. 33, article 200331 (2024), doi: 10.1016/j.mhp.2024.200331, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença (tabela em lista, legenda da figura traduzida). Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.
Tradução não oficial para o português de “Leveraging the interpersonal context of child development to promote family resilience: A universal prevention approach from preconception through early childhood”, publicado em Mental Health & Prevention (2024) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.
Ler o artigo originalComo citar este artigo
Somers, J. A., Winstone-Weide, L. K., Rinne, G. R., Curci, S. G., et Barclay, M. E. (2024). Aproveitar o contexto interpessoal do desenvolvimento infantil para promover a resiliência familiar: uma abordagem de prevenção universal da preconcepção à primeira infância (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/aproveitar-o-contexto-interpessoal-do-desenvolvimento-infantil-para-promover-a-resiliencia-familiar (Obra original publicada em 2024 em Mental Health & Prevention, 33, 200331 (2024); republicada em 2024 por Mental Health & Prevention, https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2212657024000138)
Para ir mais longe