Family Relations · Família

Diferenciação do self e mentalização no ajustamento do casal: um modelo de mediação ator-parceiro

Conseguir continuar sendo si mesmo no vínculo ajuda a pensar a mente do outro, e o casal se beneficia disso? Com 158 casais da Turquia, Buket Ünver mostra que a diferenciação do self anda junto com a mentalização, que por sua vez acompanha um melhor ajustamento diádico, inclusive no outro membro do casal.

Autores Buket Ünver (Departamento de Psicologia, Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Sociais, Universidade Işık, Istambul), TurquiaPrimeira publicação Family Relations, 28 de julho de 2026Tradução Complexe Systémique, tradução não oficial

Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de Diferenciação do self e mentalização no ajustamento do casal: um modelo de mediação ator-parceiro, de Buket Ünver, publicado na Family Relations (Wiley) (2026), doi: 10.1111/fare.70273, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. As tabelas são apresentadas em forma de listas; a figura permanece em inglês, com legenda traduzida; os anexos on-line (tabelas S1 e S2) não foram reproduzidos. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.

A diferenciação do self não é a ausência de proximidade, mas a capacidade de manter a conexão emocional sem fusão excessiva.

Buket Ünver

Resumo

Objetivo. Examinar, por meio de um modelo diádico, se a mentalização medeia a associação entre diferenciação do self e ajustamento diádico em casais.

Contexto. A diferenciação do self (o equilíbrio entre intimidade e autonomia) e a mentalização (a compreensão dos próprios estados mentais e dos estados mentais alheios) estão ambas ligadas ao funcionamento relacional, mas sua contribuição conjunta para o ajustamento do casal raramente foi testada no nível diádico.

Método. Cento e cinquenta e oito casais heterossexuais da Turquia responderam a medidas de autorrelato de diferenciação do self, mentalização e ajustamento diádico. Foi estimado um modelo de mediação de interdependência ator-parceiro (APIMeM) para examinar simultaneamente os caminhos de ator e de parceiro.

Resultados. Maior diferenciação do self esteve associada a maior mentalização, tanto nas mulheres quanto nos homens, e maior mentalização esteve associada a melhor ajustamento diádico. Efeitos de parceiro modestos, mas significativos, indicaram que a mentalização de um membro do casal estava positivamente associada ao ajustamento diádico do outro. As associações cruzadas entre a diferenciação do self e a mentalização do outro membro do casal não foram significativas.

Conclusão. A diferenciação do self esteve ligada indiretamente ao ajustamento diádico, sobretudo por meio da mentalização de cada pessoa, com associações modestas, de um membro do casal para o outro, entre mentalização e ajustamento.

Implicações. Intervenções com casais que apoiem tanto os processos de diferenciação quanto a mentalização podem fortalecer o ajustamento diádico ao atuar sobre processos regulatórios individuais e relacionais.

1. Introdução

O casamento é mais vulnerável ao divórcio nos primeiros anos. Nos primeiros 5 anos, cerca de 13% dos primeiros casamentos terminam em divórcio (Mayol-García et al. 2021), e esse número sobe para 35%-55% até o décimo ano (Abdel-Sater 2022; Diler e Diler 2022), com diferenças raciais e étnicas significativas (Bulanda e Brown 2007; Mayol-García et al. 2021). Uma tendência semelhante é observada na Turquia: segundo dados do Instituto Turco de Estatística (TÜİK 2025), 33,7% dos divórcios de 2024 ocorreram nos primeiros 5 anos de casamento e 21,3% entre o sexto e o décimo ano, o que indica que 55% dos divórcios ocorreram nos primeiros 10 anos de casamento. Não surpreende, portanto, que nos últimos anos tenha havido um aumento global acentuado no número de pessoas casadas que buscam psicoterapia. Mais de 30% procurariam apoio profissional por causa de problemas de relacionamento, e a psicoterapia de casal vem crescendo de forma constante (Fischer et al. 2018). Na Turquia também aumentou a consciência sobre a busca de apoio psicológico, e a procura por terapia de casal tornou-se mais visível (Gürmen 2025).

Há, portanto, necessidade de apoio psicológico profissional para casais, sobretudo nos primeiros anos do casamento, que adote abordagens sistêmicas para tratar tanto dos fatores psicológicos individuais quanto dos processos diádicos, a fim de compreender e tratar melhor as dificuldades relacionais (Young e Seedall 2024). Entre essas dificuldades, o conflito conjugal representa uma ameaça significativa à saúde relacional (Frye-Cox et al. 2021). Ele se manifesta por uma série de sintomas, desde pequenas discordâncias cotidianas até discussões verbais e físicas graves, que muitas vezes decorrem de diferenças de valores, motivações, metas e prioridades (Singh et al. 2023). Embora o conflito conjugal seja amplamente reconhecido como um aspecto inevitável dos relacionamentos amorosos duradouros, que muitas vezes surge em paralelo à intimidade e ao amor (Dong et al. 2022), a capacidade de manejá-lo com eficácia é um determinante central tanto da satisfação no relacionamento quanto do sucesso das intervenções de terapia de casal (Wusirige et al. 2025).

Os conflitos conjugais podem levar a múltiplas consequências psicológicas negativas, incluindo a redução do ajustamento do casal (Özgüç e Tanrıverdi 2018). O ajustamento do casal, definido como a condição em que os membros do casal experimentam satisfação, felicidade e contentamento de forma consistente, envolve acomodação mútua às preferências individuais e reconhecimento das características singulares de cada pessoa (Jiménez-Picón et al. 2021). Um ajustamento eficaz, geralmente caracterizado por acordos frequentes, lazer compartilhado, consulta mútua sobre decisões de vida e financeiras e satisfação com a vida sexual, contribui significativamente para a manutenção do casamento (Demirci et al. 2022). Ele é influenciado pelos traços de personalidade dos membros do casal, pelo contexto cultural e por fatores psicológicos (Costa e Mosmann 2021) e está estreitamente associado à capacidade de lidar com diferenças de estilo de vida, manter a proximidade emocional e manejar os conflitos de maneira funcional (Rived-Ocaña et al. 2025; Silverio et al. 2025). No entanto, a importância atribuída ao casamento e à família não se distribui uniformemente entre as culturas. Na Turquia, o casamento e a família ganham sentido num contexto social em que a conexão intergeracional e as redes relacionais próximas são salientes; ao mesmo tempo, esse contexto também se caracteriza por padrões em que autonomia psicológica e vínculo podem se organizar conjuntamente (Kagitcibasi 2005, 2017). O Modelo de Mudança Familiar de Kagitcibasi enfatiza que o aumento da autonomia psicológica que acompanha o desenvolvimento socioeconômico não implica necessariamente o enfraquecimento dos laços familiares próximos; ao contrário, esses processos podem se desenrolar simultaneamente (Kagitcibasi 2002). Em consonância com essa perspectiva, o quadro da Integração-Diferenciação Equilibrada também indica que individuação e vínculo são orientações distintas, mas concomitantes, especialmente em grupos mais urbanos e de nível socioeconômico mais alto (İmamoğlu e Karakitapoğlu-Aygün 2004). Pesquisas comparativas em sociedades mediterrâneas (incluindo a Turquia) sugerem que a autodeterminação e a autoexpressão podem coexistir com o compromisso com relações próximas e laços de pertencimento ao grupo, o que indica padrões culturais em que autonomia e vínculo podem ser vividos juntos na Turquia (Uskul et al. 2004, 2023). Trabalhos recentes sobre os significados da família na Turquia também enfatizam que interdependência e independência podem coexistir num mesmo contexto cultural e que as práticas de interdependência podem variar muito entre grupos sociais (Erdem et al. 2022). Em conjunto, as relações próximas e os laços familiares na Turquia podem ser vividos segundo padrões que, para alguns grupos, estão mais enraizados na conexão intergeracional e nas relações com a família extensa, ao passo que, para outros, a autonomia psicológica e a individuação são mais salientes (İmamoğlu e Karakitapoğlu-Aygün 2004). Essa heterogeneidade pode variar conforme a urbanização, o nível socioeconômico e a geração (Kagitcibasi 2005; İmamoğlu e Karakitapoğlu-Aygün 2004). Levando em conta esses padrões culturais, o ajustamento do casal e o funcionamento relacional podem ser moldados não apenas por processos intradiádicos, mas também pelo contexto mais amplo do sistema familiar, entrelaçado com laços intergeracionais e com a família extensa (Ataca 2009).

Achados empíricos sugerem que o funcionamento relacional na vida adulta é moldado não só por traços psicológicos individuais, mas também por padrões emocionais formados nas interações e experiências familiares precoces (Kim e Woo 2025). Pessoas vindas de ambientes familiares mais funcionais costumam apresentar maior flexibilidade emocional, melhores capacidades de regulação interpessoal e relacionamentos amorosos mais harmoniosos (Rived-Ocaña et al. 2025). Para compreender de forma abrangente o conflito relacional e o processo subjacente ao ajustamento do casal, é necessário, portanto, desenvolver modelos teóricos integrativos que incorporem essas estruturas intrapsíquicas de surgimento precoce.

Um determinante crucial dessas estruturas intrapsíquicas é a diferenciação do self, que se refere à capacidade de manter um senso de si coerente sem perder a conexão emocional nas relações próximas (Bowen 1978). Pessoas muito diferenciadas estabelecem com eficácia limites interpessoais saudáveis e manejam as próprias emoções e pensamentos, enquanto pessoas pouco diferenciadas tendem mais a apresentar reatividade emocional aumentada, ansiedade e desengajamento relacional (Kim e Woo 2025; Skowron e Friedlander 1998). No casal, essas dificuldades em manejar proximidade e distância muitas vezes se manifestam como conflitos intensos e recorrentes, em vez de uma negociação flexível e colaborativa com o outro membro do casal (Mozas-Alonso et al. 2022). Como a diferenciação abrange tanto a consciência intrapsíquica quanto os limites interpessoais, ela oferece uma lente central para compreender como as pessoas regulam intimidade e autonomia nas relações próximas (Rived-Ocaña et al. 2025).

A pesquisa de base boweniana concebe a diferenciação do self como uma tarefa desenvolvimental universal ao longo do ciclo de vida: em todas as culturas, é preciso aprender a equilibrar a necessidade de independência com a necessidade de formar vínculos emocionais com pessoas significativas (Calatrava et al. 2022; Kerr e Bowen 1988; Manzi et al. 2006). A literatura também sugere, porém, que nem todas as dimensões da diferenciação operam independentemente da cultura. Por exemplo, enquanto a dimensão posição do eu, que reflete uma postura interna, mostrou relacionar-se de modo semelhante com o ajustamento psicológico e o funcionamento relacional em diferentes países, a dimensão fusão com os outros mostrou ser vivida, sobretudo em contextos coletivistas, como um indicador desejável de lealdade e harmonia com o grupo de pertencimento (Erdem e Safi 2018; Işık e Bulduk 2015; Kim et al. 2014; Lam e Chan-So 2015; Lampis et al. 2019). Em conjunto, esses achados sugerem que a diferenciação do self é, de um lado, um constructo teoricamente significativo e relevante entre culturas, enquanto, de outro, suas dimensões interpessoais podem ser moldadas por normas sociais relativas à autonomia e ao vínculo.

Na Turquia, as relações próximas muitas vezes estão inseridas na conexão intergeracional e num envolvimento mais amplo da família, enquanto a autonomia pode ser negociada junto com as obrigações relacionais dentro das redes de parentesco (Kagitcibasi 2005; Uskul et al. 2004). Embora a estrutura familiar na Turquia tenha se deslocado para uma forma mais nuclear, ela muitas vezes continua a funcionar como uma unidade global que preserva fortes laços intergeracionais e com a família extensa (Ataca 2009; Bölükbaşı 2024); as identidades sociais costumam ser definidas pela família, pelo parentesco e pelas redes relacionais próximas (Kagitcibasi 2005; Kagitcibasi e Ataca 2005, 2015). Essa ecologia relacional pode acentuar a importância de negociar autonomia e vínculo, o que torna a diferenciação do self e a mentalização particularmente relevantes para compreender o ajustamento do casal na Turquia. Nesses contextos, a diferenciação do self não é a ausência de proximidade, mas a capacidade de manter a conexão emocional sem fusão excessiva, mantendo um senso de si coerente (Bowen 1978). Assim, níveis mais altos de diferenciação do self foram associados a mentalização ou funcionamento reflexivo mais sólidos, o que sugere que a diferenciação pode oferecer uma base para as capacidades de mentalização nas relações próximas (Kim e Woo 2025; Todosijević e Kojić 2022).

A mentalização é outra capacidade psicológica cujo papel no ajustamento do casal vem sendo cada vez mais reconhecido (Borelli et al. 2021; Froidevaux et al. 2025). Ela se refere à capacidade de compreender e interpretar os próprios comportamentos e os de outras pessoas como expressões de estados mentais, como intenções, desejos e crenças (Fonagy e Luyten 2009). Mais do que uma habilidade única, a mentalização é uma capacidade multidimensional, que envolve perceber estados internos, refletir sobre eles e manter com flexibilidade em mente a própria mente e a do outro membro do casal, inclusive em situações de alta ativação emocional ou de ambiguidade (Bateman e Fonagy 2016; Luyten e Fonagy 2015). Essa capacidade facilita a responsividade empática e a regulação emocional no contexto das relações próximas, em que os membros do casal precisam interpretar e reinterpretar repetidamente o comportamento um do outro (Schwarzer et al. 2021). Pessoas com alta capacidade de mentalização apreendem com mais eficácia os fundamentos psicológicos dos comportamentos de quem está com elas, reagem de forma menos defensiva a ofensas ou mal-entendidos percebidos e reparam melhor as rupturas após um conflito, o que resulta em relacionamentos mais satisfatórios e menos conflituosos (Borelli et al. 2020). Além disso, mostrou-se que a mentalização afeta tanto a satisfação da própria pessoa com o relacionamento quanto a do outro membro do casal (Aspiras et al. 2025; Silverio et al. 2025), o que ressalta sua importância como recurso regulatório compartilhado e processo genuinamente diádico nas relações íntimas. No entanto, a maior parte desses trabalhos foi realizada em contextos ocidentais, e não está claro se a mentalização desempenha um papel regulatório semelhante na Turquia, contexto frequentemente caracterizado pela interdependência psicológica (a “relacionalidade autônoma”), em que autonomia e vínculo podem coexistir (İmamoğlu e Karakitapoğlu-Aygün 2004; Kagitcibasi 2005). Tanto a diferenciação do self quanto a mentalização se originam nas interações precoces entre a criança e quem cuida dela e constituem sistemas de regulação intrapsíquica que sustentam o funcionamento dos relacionamentos amorosos adultos (Finzi-Dottan 2023; Wagner-Skacel et al. 2022). Pesquisas recentes demonstraram uma associação significativa entre essas capacidades: a diferenciação do self esteve ligada a maior mentalização, que por sua vez se associou a maior satisfação conjugal (Kim e Woo 2025). Estudos com amostras femininas indicam que a diferenciação do self prediz positivamente a mentalização (Todosijević e Kojić 2022), reforçando essa via desenvolvimental. Contudo, apesar do reconhecimento crescente da mentalização como processo regulatório diádico, as evidências sobre a mentalização como mecanismo mediador entre diferenciação do self e ajustamento do casal continuam limitadas e restritas a análises no nível individual (Kim e Woo 2025). Ficam em aberto, assim, questões importantes sobre se e como a ligação entre diferenciação do self e mentalização opera no nível do casal, sobretudo na Turquia, onde a autonomia pode ser negociada junto com obrigações relacionais dentro de laços intergeracionais e de parentesco salientes (Erdem et al. 2022; Kagitcibasi 2005).

Dada a interdependência inerente aos relacionamentos amorosos, é crucial examinar como as capacidades psicológicas das duas pessoas contribuem simultaneamente para a satisfação no relacionamento (Cook e Kenny 2005; Ledermann et al. 2011). A capacidade de antecipar os estados mentais do outro membro do casal e de responder a eles de acordo torna-se uma via relacional plausível dentro do sistema diádico (Aspiras et al. 2025; Fonagy e Luyten 2009). Dessa perspectiva, a mentalização pode ser concebida não apenas como uma capacidade intrapsíquica de regular os próprios estados afetivos, mas também como um processo regulatório diádico que molda a experiência relacional do outro e pode mediar a associação entre diferenciação do self e ajustamento do casal.

A maioria dos modelos de ajustamento diádico e de conflito desenvolvidos até hoje baseia-se em grande parte em amostras ocidentais, ditas WEIRD, e examinou em geral a diferenciação do self ou a mentalização separadamente, na maioria das vezes no nível individual (Peleg 2008; Williamson et al. 2022). Trabalhos mais recentes começaram a operacionalizar a mentalização em contextos de casal (por exemplo, Borelli et al. 2020), mas sua integração com a diferenciação do self em modelos diádicos continua limitada. Embora esse conjunto de trabalhos indique que ambas as capacidades estão ligadas ao funcionamento relacional, até onde sabemos, modelos diádicos que considerem simultaneamente a diferenciação do self e a mentalização e incorporem as influências recíprocas entre os membros do casal não foram examinados em contextos culturais coletivistas e orientados para a família, como a Turquia. Embora alguns estudos tenham investigado a associação entre diferenciação do self e ajustamento diádico no quadro do APIM (Lampis et al. 2019; Rizkalla e Rahav 2016), a mentalização não foi incluída nesses modelos como processo regulatório distinto. Assim, ao integrar a diferenciação do self e a mentalização num mesmo modelo diádico, o presente estudo busca enriquecer a literatura sobre ajustamento diádico com evidências do contexto cultural turco. Para preencher essas lacunas teóricas, o estudo aplica o modelo de mediação de interdependência ator-parceiro (APIMeM; Ledermann et al. 2011) para investigar como a diferenciação do self e a mentalização contribuem para o ajustamento do casal nos níveis individual e diádico. Esse quadro analítico permite examinar simultaneamente os efeitos de ator (a influência das variáveis de uma pessoa sobre os próprios resultados) e os efeitos de parceiro (a influência das variáveis do outro membro do casal sobre os resultados da pessoa), captando assim mecanismos de transmissão no nível relacional. Dada a natureza diádica da mentalização, explorar tanto os caminhos de ator quanto os de parceiro é essencial para a precisão explicativa.

O ajustamento e a satisfação diádicos nos relacionamentos amorosos são moldados não apenas pelas capacidades psicológicas dos membros do casal, mas também pelo momento do desenvolvimento e pelo contexto estrutural em que a relação se desenrola (por exemplo, idade, duração da relação, parentalidade ou número de filhos e recursos socioeconômicos; Bogdan et al. 2022; Falconier e Jackson 2020). Revisões sistemáticas e evidências meta-analíticas sugerem ainda que as trajetórias de satisfação e ajustamento no relacionamento ao longo da vida podem ser sensíveis tanto à idade quanto à duração da relação (Bühler et al. 2021). As transições do ciclo de vida familiar, sobretudo a transição para a parentalidade, também foram ligadas a mudanças e flutuações sistemáticas no ajustamento e na satisfação diádicos (Bogdan et al. 2022). Por fim, as condições socioeconômicas e o estresse financeiro estão consistentemente associados ao clima emocional das relações de casal e aos processos de conflito (Falconier e Jackson 2020). Recomenda-se, portanto, que a pesquisa sobre ajustamento diádico considere esses indicadores contextuais junto com os processos psicológicos.

Especificamente, este estudo buscou examinar se (a) a diferenciação do self afeta indiretamente o ajustamento do casal por meio da mentalização e se (b) a mentalização contribui para o funcionamento relacional por meio de efeitos de parceiro, em casais heterossexuais. Essa abordagem oferece uma contribuição nova ao elucidar os papéis inter-relacionados da diferenciação do self e da mentalização nos relacionamentos amorosos. Assim, o presente estudo busca oferecer uma descrição mais refinada de como a interação recíproca entre diferenciação do self e mentalização se configura no contexto dos relacionamentos amorosos e de como ela opera no nível diádico numa amostra turca.

2. Método

2.1 Procedimentos

A aprovação ética deste estudo foi obtida por quem assina o artigo junto à Universidade Işık (aprovação n.º 2024/03), e todos os procedimentos foram realizados de acordo com as normas éticas pertinentes. Os critérios de inclusão estabeleciam que as pessoas participantes tivessem pelo menos 18 anos e estivessem atualmente num relacionamento amoroso, coabitando com o outro membro do casal (isto é, morando na mesma casa no momento da coleta de dados). O estudo se concentrou em casais heterossexuais; a maioria dos casais era casada, o que permitiu testar um modelo diádico relativamente homogêneo. Assim, casais do mesmo sexo e casais em relações não monogâmicas consensuais não foram incluídos. Os dados foram coletados por amostragem em bola de neve e por conveniência, e todo o processo de coleta foi realizado com o Google Forms. O questionário foi divulgado em redes sociais, e todas as pessoas participantes deram consentimento informado. Para garantir respostas independentes no nível diádico, foram usados links separados para cada membro do casal. Depois do contato com um primeiro membro do casal, e com sua autorização, obtinham-se os dados de contato do outro, e o link do questionário era enviado diretamente e separadamente a esse segundo membro. As pessoas participantes receberam a instrução explícita de responder ao questionário de forma independente, de não preenchê-lo juntas no mesmo lugar e de não discutir suas respostas com o outro membro do casal enquanto respondiam. Não se exigia resposta simultânea; cada pessoa respondeu individualmente, no momento que lhe fosse conveniente. Ainda assim, como a coleta foi on-line, não foi possível verificar plenamente se os membros do casal responderam em condições totalmente independentes. Cada casal gerou um código de participante anonimizado para permitir o pareamento. O código era composto pela inicial do nome da própria pessoa, pelo nome de uma fruta escolhida em conjunto pelo casal e pela inicial do nome do outro membro do casal. Essa instrução foi dada aos casais oralmente e por escrito antes do preenchimento do questionário. As respostas dos membros de cada casal foram então pareadas manualmente com base nesses códigos; registros sem correspondência ou incompletos foram excluídos, e as análises foram realizadas apenas com díades completas e totalmente pareadas.

2.2 Pessoas participantes

A amostra do estudo foi composta por 158 casais heterossexuais, dos quais 93,7% eram casados e 6,3% estavam noivos ou namorando e coabitando (isto é, morando na mesma casa) no momento da coleta de dados. A idade média das mulheres foi de 38,44 anos (DP = 9,62; amplitude: 20-65), e a dos homens, de 41,35 anos (DP = 10,69; amplitude: 23-67). No total, 64,2% das pessoas participantes relataram ter pelo menos um filho ou filha. Em média, os casais estavam juntos havia 164,1 meses (DP = 125,4; amplitude: 1-516 meses). 59,5% das mulheres e 60,1% dos homens tinham concluído o ensino superior. Quanto ao nível socioeconômico, 49,4% das pessoas participantes situavam-se na faixa média. A tabela 1 detalha as características da amostra separadamente para mulheres e homens.

Tabela 1 — Características sociodemográficas das díades mulheres-homens (N = 158 pares)

  • Idade (anos). Mulheres: 38,44 ± 9,62; homens: 41,35 ± 10,69; p = 0,012.
  • Duração da relação (meses). Mulheres: 164,44 ± 125,12; homens: 163,87 ± 126,21; p = 0,968.
  • Escolaridade (p = 0,983) — Ensino fundamental I. Mulheres: 10 (6,3); homens: 9 (5,7).
  • Escolaridade (p = 0,983) — Ensino fundamental II. Mulheres: 7 (4,4); homens: 9 (5,7).
  • Escolaridade (p = 0,983) — Ensino médio. Mulheres: 20 (12,7); homens: 20 (12,7).
  • Escolaridade (p = 0,983) — Graduação. Mulheres: 94 (59,5); homens: 95 (60,1).
  • Escolaridade (p = 0,983) — Mestrado. Mulheres: 25 (15,8); homens: 22 (13,9).
  • Escolaridade (p = 0,983) — Doutorado. Mulheres: 2 (1,3); homens: 3 (1,9).
  • Nível socioeconômico (p = 0,084) — Muito baixo. Mulheres: 2 (1,3); homens: 1 (0,6).
  • Nível socioeconômico (p = 0,084) — Baixo. Mulheres: 5 (3,2); homens: 7 (4,4).
  • Nível socioeconômico (p = 0,084) — Médio-baixo. Mulheres: 28 (17,7); homens: 12 (7,6).
  • Nível socioeconômico (p = 0,084) — Médio. Mulheres: 77 (48,7); homens: 79 (50,0).
  • Nível socioeconômico (p = 0,084) — Médio-alto. Mulheres: 42 (26,6); homens: 50 (31,6).
  • Nível socioeconômico (p = 0,084) — Alto. Mulheres: 4 (2,5); homens: 9 (5,7).
  • Situação de emprego (p < 0,001) — Com emprego. Mulheres: 98 (62,0); homens: 144 (91,1).
  • Situação de emprego (p < 0,001) — Sem emprego. Mulheres: 60 (38,0); homens: 14 (8,9).
  • Situação conjugal (p = 1,00) — Namoro. Mulheres: 6 (3,8); homens: 6 (3,8).
  • Situação conjugal (p = 1,00) — Noivado. Mulheres: 4 (2,5); homens: 4 (2,5).
  • Situação conjugal (p = 1,00) — Casamento. Mulheres: 148 (93,7); homens: 148 (93,7).
  • Filhos (p = 1,00) — Tem filhos. Mulheres: 102 (64,6); homens: 101 (63,9).
  • Filhos (p = 1,00) — Não tem filhos. Mulheres: 56 (35,4); homens: 57 (36,1).

Nota: as variáveis contínuas são apresentadas como M ± DP e foram comparadas por testes de postos sinalizados de Wilcoxon pareados; as variáveis categóricas são apresentadas como n (%) e foram comparadas por testes de χ2 ou de McNemar, conforme o caso. Valores de p bicaudais.

2.3 Medidas

2.3.1 Formulário de dados sociodemográficos

Este formulário foi criado especificamente para o estudo, a fim de reunir, por autorrelato, informações sobre idade, gênero, escolaridade, nível socioeconômico, situação de relacionamento, duração da relação, existência de filhos e situação de emprego das pessoas participantes.

2.3.2 Inventário de Diferenciação do Self, forma reduzida (DSI-SF)

O Inventário de Diferenciação do Self, forma reduzida (Differentiation of Self Inventory–Short Form, DSI-SF; Drake et al. 2015) é uma medida de autorrelato de 20 itens desenvolvida como versão breve do Inventário de Diferenciação do Self Revisado original, de 46 itens (DSI-R). Usamos a adaptação turca do DSI-SF (Sarıkaya et al. 2018), que mantém os mesmos 20 itens e a estrutura original de quatro subescalas: reatividade emocional, rompimento emocional, posição do eu e fusão com os outros. Cada item é respondido numa escala Likert de 6 pontos, que vai de 1 (nada verdadeiro para mim) a 6 (muito verdadeiro para mim). Um exemplo de item é: “Muitas vezes fico desconfortável quando as pessoas se aproximam demais de mim.” O coeficiente alfa de Cronbach para a escala total no estudo de adaptação foi de 0,82 (Sarıkaya et al. 2018). Na presente amostra, a consistência interna foi α = 0,83.

2.3.3 Escala de Mentalização, forma reduzida (MentS-11)

A MentS-11 é uma forma breve, de 11 itens, da Escala de Mentalização original (Mentalization Scale, MentS; 28 itens; Dimitrijević et al. 2018) e mantém a mesma estrutura de três domínios (mentalização relativa a si, mentalização relativa aos outros e motivação para mentalizar). Em turco, a forma longa tem 25 itens; a MentS-11 foi desenvolvida como forma mais curta para uso no presente estudo (Ünver 2026). Cada item é respondido numa escala do tipo Likert de 5 pontos, que vai de 1 (completamente falso) a 5 (completamente verdadeiro). Um exemplo de item é: “Para entender o comportamento de alguém, precisamos conhecer seus pensamentos, desejos e sentimentos.” A consistência interna da escala total no estudo de adaptação foi ômega total de McDonald = 0,91 (Ünver 2026). Na presente amostra, a consistência interna foi α = 0,74.

2.3.4 Escala de Ajustamento Diádico, forma revisada (RDAS)

A Escala de Ajustamento Diádico Revisada (Revised Dyadic Adjustment Scale, RDAS; Busby et al. 1995) é uma versão revisada, de 14 itens, da Escala de Ajustamento Diádico de 31 itens (DAS; Spanier 1976) e avalia o ajustamento diádico. O estudo psicométrico turco (Bayraktaroğlu e Çakıcı 2017) manteve os mesmos 14 itens e sustentou uma estrutura de três fatores (satisfação, consenso e conflito). Cada item é respondido numa escala do tipo Likert de 5 pontos, que vai de 1 (nunca) a 5 (na maior parte do tempo). Um exemplo de item é: “Com que frequência vocês discutem algo com calma?” No estudo psicométrico turco, o coeficiente alfa de Cronbach para a escala total foi de 0,88 (Bayraktaroğlu e Çakıcı 2017). Na presente amostra, a consistência interna foi α = 0,85.

2.4 Análise estatística

As análises foram realizadas no R, versão 4.5.1 (R Foundation for Statistical Computing). As variáveis do estudo foram resumidas, e as diferenças entre mulheres e homens foram testadas com testes de postos sinalizados de Wilcoxon pareados para as medidas contínuas e testes de McNemar (ou de Bowker, se houvesse mais de 2 níveis) para as medidas categóricas. Correlações de Spearman foram calculadas separadamente para mulheres e homens, e a transformação r para z de Fisher foi usada para avaliar se os dois conjuntos de correlações diferiam. Antes da análise, as variáveis foram examinadas quanto à não normalidade e a possíveis casos influentes, por meio de verificações gráficas e descritivas usuais. Covariáveis sociodemográficas candidatas (idade, duração da relação, escolaridade, renda mensal ou nível socioeconômico e número de filhos) foram examinadas em análises preliminares por meio de correlações de Spearman calculadas separadamente para mulheres e homens; para manter a parcimônia do modelo diante do tamanho da amostra, idade e duração da relação foram mantidas como covariáveis a priori no APIMeM principal.

Um modelo de mediação de interdependência ator-parceiro (APIMeM) foi estimado no lavaan para testar se a mentalização de cada membro do casal transmite o efeito de sua própria diferenciação do self sobre o ajustamento diádico. Homens e mulheres foram tratados como tipos distintos de membro do casal. Assim, foi ajustado um APIMeM para díades distinguíveis (com o gênero como variável de distinção). Os caminhos de ator e de parceiro foram inicialmente estimados livremente para mulheres e homens; em seguida, foram avaliadas restrições de igualdade entre os gêneros. A idade de cada membro do casal (centrada na média geral) foi incluída nas duas etapas da mediação, com uma inclinação comum para a ligação VI → mediador (gA) e outra para a ligação mediador → desfecho (gM). A duração da relação do casal, também centrada, entrou nas duas etapas com as inclinações dA e dM. Os parâmetros do modelo foram estimados por máxima verossimilhança, com 5.000 reamostragens bootstrap não paramétricas para obter intervalos de confiança de 95%. Antes da análise, as respostas foram verificadas quanto à completude e ao pareamento dos casais; apenas díades completas e totalmente pareadas foram mantidas. Como o questionário on-line exigia resposta a todos os itens, não houve dados faltantes nas variáveis incluídas no APIMeM (316 pessoas de 158 díades). O ajuste do modelo foi considerado aceitável quando χ2/gl < 2, CFI e TLI ≥ 0,90, RMSEA ≤ 0,06 e SRMR < 0,08 (Stefana et al. 2025). A significância estatística foi avaliada com valores de p bicaudais no nível de 0,05. Também foram relatados intervalos de confiança bootstrap não paramétricos baseados em 5.000 reamostragens. Não foram realizadas análises de subgrupos nem de moderação, de modo que os resultados se referem ao conjunto das 158 díades homem-mulher completas. Em seguida, foi feita uma verificação de poder por simulação de Monte Carlo. As estimativas padronizadas do modelo ajustado (mais as duas covariâncias residuais entre os membros do casal) foram tratadas como valores populacionais. Geramos 1.000 novos conjuntos de dados de 158 casais com simulateData(), reajustamos o mesmo APIMeM a cada vez e registramos com que frequência cada caminho-chave de ator, de parceiro e indireto atingia p < 0,05; o poder foi definido como a proporção de replicações que atendiam a esse critério.

3. Resultados

3.1 Características das díades

No total, 158 casais heterossexuais foram incluídos na análise. As mulheres tinham idade média de M = 38,44 anos (DP = 9,62; amplitude: 20-65), e os homens, de M = 41,35 anos (DP = 10,69; amplitude: 23-67); a diferença de 2,90 anos foi estatisticamente significativa (p = 0,012). Os casais estavam juntos havia em média 13,6 anos (DP = 10,4; amplitude: 0,08-43 anos). 59,5% das mulheres e 60,1% dos homens tinham concluído o ensino superior. O nível socioeconômico se concentrou na faixa média (49% das mulheres, 50% dos homens). O emprego mostrou a disparidade de gênero mais nítida: 62% das mulheres contra 91% dos homens tinham trabalho remunerado (p < 0,001). A maioria dos casais era casada (93,7%) e, no total, 64,2% das pessoas participantes relataram ter pelo menos um filho ou filha. As tabulações cruzadas no nível da díade não indicaram discrepâncias significativas entre os relatos de mulheres e homens quanto à situação conjugal e à existência de filhos (testes de Bowker e de McNemar, respectivamente, ambos com p = 1,00). A tabela 1 apresenta as informações sociodemográficas detalhadas.

3.1.1 Escores médios, desvios padrão e diferenças entre mulheres e homens

O escore médio no DSI-SF (diferenciação do self) das mulheres foi inferior ao de seus parceiros homens (18,73 ± 3,60 vs. 20,95 ± 3,33, respectivamente; p < 0,001). Em contrapartida, as mulheres pontuaram mais alto na MentS (mentalização) do que os homens (41,71 ± 5,84 vs. 39,56 ± 6,19, respectivamente; p = 0,002). Os membros do casal não diferiram quanto ao ajustamento diádico percebido (mulheres = 52,86 ± 8,22; homens = 53,34 ± 7,72; p = 0,622).

3.1.2 Coeficientes de correlação das variáveis do estudo

Entre as mulheres, maior diferenciação do self esteve associada, de forma fraca a moderada, a melhor mentalização (ρ = 0,30), mas não ao ajustamento; a mentalização também esteve associada, de forma fraca a moderada, ao ajustamento diádico (ρ = 0,33). Entre os homens, a diferenciação do self se correlacionou tanto com a mentalização (ρ = 0,24) quanto com o ajustamento (ρ = 0,20), e a mentalização esteve novamente associada, de forma fraca a moderada, ao ajustamento (ρ = 0,32). Os testes r para z de Fisher indicaram que nenhuma dessas correlações diferiu significativamente entre mulheres e homens (todos os p > 0,50). As correlações de Spearman de ordem zero (não ajustadas) intraindividuais são apresentadas na tabela S1. As correlações de Spearman de ordem zero entre os membros do casal são apresentadas na tabela S2 (por exemplo, ajustamento diádico dos membros do casal: ρ = 0,72, p < 0,01).

3.2 APIMeM diferenciação do self → mentalização → ajustamento diádico em casais

Neste estudo, os índices de ajuste do modelo foram χ2(18) = 27,85, p = 0,064, CFI = 0,94, TLI = 0,90, RMSEA = 0,06, IC 90% [0,00; 0,10] e SRMR = 0,04, o que indica um bom ajuste aos dados.

3.2.1 Efeitos diretos (diferenciação → mentalização)

A diferenciação do self das mulheres predisse a própria mentalização (caminho a de ator, mulheres: b = 0,53, EP = 0,13, p < 0,001), e os homens mostraram um equivalente menor, mas ainda significativo (caminho a de ator, homens: b = 0,42, EP = 0,15, p = 0,006). Os preditores cruzados entre os membros do casal, homens → mulheres (caminho a de parceiro, homens) e mulheres → homens (caminho a de parceiro, mulheres), não foram significativos (p ≥ 0,63).

3.2.2 Efeitos diretos (mentalização → ajustamento diádico)

A mentalização, por sua vez, predisse o ajustamento diádico de ambos os membros do casal (caminho b de ator, mulheres: b = 0,41, p < 0,001; caminho b de ator, homens: b = 0,35, p = 0,001). Os dois caminhos b cruzados entre os membros do casal foram menores, mas significativos (mulheres → homens: b = 0,22, p = 0,037; homens → mulheres: b = 0,25, p = 0,017). Os coeficientes completos aparecem na tabela 2 e no diagrama estrutural (figura 1).

Tabela 2 — Caminhos de regressão padronizados (EP por bootstrap, 5.000 reamostragens)

  • DSI-SF (mulher) → mentalização (mulher). β = 0,324; EP = 0,077; IC 95% [0,16; 0,48]; z = 4,16; p < 0,001.
  • DSI-SF (homem) → mentalização (mulher). β = 0,037; EP = 0,078; IC 95% [−0,12; 0,18]; z = 0,48; p = 0,630.
  • DSI-SF (homem) → mentalização (homem). β = 0,225; EP = 0,082; IC 95% [0,07; 0,39]; z = 2,74; p = 0,006.
  • DSI-SF (mulher) → mentalização (homem). β = −0,024; EP = 0,082; IC 95% [−0,23; 0,18]; z = −0,29; p = 0,769.
  • Mentalização (mulher) → ajustamento (mulher). β = 0,296; EP = 0,081; IC 95% [0,10; 0,45]; z = 3,65; p < 0,001.
  • Mentalização (homem) → ajustamento (mulher). β = 0,189; EP = 0,079; IC 95% [0,03; 0,34]; z = 2,39; p = 0,017.
  • Mentalização (homem) → ajustamento (homem). β = 0,278; EP = 0,081; IC 95% [0,11; 0,44]; z = 3,42; p = 0,001.
  • Mentalização (mulher) → ajustamento (homem). β = 0,168; EP = 0,081; IC 95% [0,01; 0,33]; z = 2,08; p = 0,037.
  • Idade → mentalização (ambos os membros do casal). β = −0,057; EP = 0,063; IC 95% [−0,16; 0,09]; z = −0,52; p = 0,600.
  • Idade → ajustamento (ambos os membros do casal). β = 0,034; EP = 0,081; IC 95% [−0,15; 0,17]; z = 0,33; p = 0,743.
  • Duração da relação → mentalização. β = −0,060; EP = 0,107; IC 95% [−0,13; 0,01]; z = −0,56; p = 0,575.
  • Duração da relação → ajustamento. β = −0,156; EP = 0,119; IC 95% [−0,24; 0,01]; z = −1,31; p = 0,190.

Nota: DSI-SF = diferenciação do self. Os valores β são totalmente padronizados (Std.all).

Diagrama do modelo APIMeM: diferenciação do self de mulheres e homens, mentalização de cada membro do casal e ajustamento diádico, com os caminhos de ator e de parceiro significativos em linhas cheias e não significativos em linhas tracejadas
Figura 1. Resultados do modelo de mediação de interdependência ator-parceiro (APIMeM) para os efeitos da diferenciação do self e da mentalização sobre o ajustamento diádico em díades homem-mulher. As setas tracejadas indicam caminhos não significativos; as setas contínuas, caminhos significativos (*p < 0,05, **p < 0,01, ***p < 0,001) (esquema original em inglês)

3.2.3 Efeitos indiretos (mediados)

O efeito indireto de ator nas mulheres (diferenciação → mentalização → ajustamento) foi significativo, b = 0,22, EP = 0,08, p = 0,005, enquanto o efeito indireto de ator nos homens, menor, foi marginal, b = 0,15, p = 0,053. Todos os efeitos indiretos mediados pelo outro membro do casal foram não significativos (ver tabela 3).

Tabela 3 — Coeficientes (padronizados) dos efeitos indiretos (mediados)

  • Efeito ator, mulher (DSI-SF1 → Ment1 → Ajust1). β = 0,096; EP = 0,034; IC 95% [0,03; 0,19]; z = 2,80; p = 0,005.
  • Homem → Mulher (efeito parceiro). β = 0,011; EP = 0,025; IC 95% [−0,08; 0,16]; z = 0,45; p = 0,652.
  • Mulher → Homem (efeito parceiro). β = 0,043; EP = 0,027; IC 95% [−0,01; 0,11]; z = 1,61; p = 0,107.
  • Efeito cruzado entre parceiros (H DSI-SF → H Ment → M Ajust). β = −0,005; EP = 0,018; IC 95% [−0,09; 0,07]; z = −0,27; p = 0,786.
  • Efeito ator, homem (DSI-SF2 → Ment2 → Ajust2). β = 0,062; EP = 0,032; IC 95% [0,01; 0,12]; z = 1,93; p = 0,053.
  • Mulher → Homem (efeito parceiro). β = −0,007; EP = 0,025; IC 95% [−0,12; 0,09]; z = −0,28; p = 0,777.
  • Homem → Mulher (efeito parceiro). β = 0,054; EP = 0,028; IC 95% [0,00; 0,12]; z = 1,90; p = 0,057.
  • Efeito cruzado entre parceiros (M DSI-SF → M Ment → H Ajust). β = 0,006; EP = 0,015; IC 95% [−0,04; 0,11]; z = 0,40; p = 0,692.

3.2.4 Covariáveis

Nem a idade nem a duração da relação estiveram relacionadas à mentalização ou ao ajustamento diádico (p ≥ 0,19).

3.2.5 Teste de igualdade

Restringir os caminhos de mulheres e homens à igualdade não piorou o ajuste, Δχ2(4) = 1,64, p = 0,80.

3.2.6 Poder por simulação de Monte Carlo

Uma simulação com 1.000 replicações (N = 158 díades cada) mostrou poder excelente (> 0,95) para os dois caminhos a de ator, os dois caminhos b de ator e o efeito indireto de ator nas mulheres; poder moderado (0,59-0,70) para os dois caminhos b de parceiro e o efeito indireto de ator nos homens; mas poder muito baixo (< 0,10) para os caminhos a de parceiro.

4. Discussão

Este estudo faz avançar a literatura ao examinar a mentalização como mediadora entre a diferenciação do self e o ajustamento diádico no nível do casal, esclarecendo assim os processos psicológicos subjacentes ao funcionamento relacional. Nossos resultados indicam que a diferenciação do self e a mentalização estiveram ligadas ao ajustamento diádico principalmente por vias intraindividuais, já que ambos os caminhos de ator, da diferenciação do self para a mentalização e da mentalização para o ajustamento diádico, foram significativos para mulheres e homens. Em outras palavras, pessoas mais diferenciadas são mais capazes de regulação emocional e de estabelecer limites interpessoais, o que, por sua vez, está associado a uma mentalização mais sólida e a melhor qualidade do relacionamento (Priest 2019; Salehi et al. 2021; Todosijević e Kojić 2022; Williamson e Lavner 2020). Notavelmente, o estudo também encontrou efeitos de parceiro modestos, mas significativos, o que sugere que a mentalização de um membro do casal está positivamente associada ao ajustamento diádico do outro. No entanto, não foram observados efeitos cruzados significativos da diferenciação do self sobre a mentalização do outro membro do casal, o que pode refletir o caráter essencialmente intrapessoal da diferenciação do self (isto é, o fato de ser menos diretamente moldada pelas características do outro). Em conjunto, esses resultados sugerem que, embora as vias principais sejam intrapessoais, a mentalização também pode funcionar como um recurso relacional dentro do casal.

Embora o efeito indireto de ator tenha atingido a significância convencional nas mulheres e tenha sido marginal nos homens, nosso estudo não examinou diretamente a moderação por gênero, o que exige cautela na interpretação das diferenças de gênero. Ainda assim, evidências anteriores de mentalização geralmente mais alta entre as mulheres (Greenberg et al. 2023) se alinham a esse padrão. Além das diferenças de média, o padrão atual também pode ser compreendido à luz dos papéis relacionais de gênero: as mulheres costumam ser posicionadas de forma mais consistente como as principais “gestoras do relacionamento” (Reich-Stiebert et al. 2023; Umberson et al. 2020). Assim, as diferenças individuais na mentalização das mulheres podem estar mais estreitamente ligadas ao ajustamento diádico percebido. Essa interpretação também é coerente com as abordagens do trabalho emocional de gênero e da manutenção relacional, que sugerem que as mulheres estão mais centralmente envolvidas em monitorar e sustentar o clima relacional, o que pode acoplar mais estreitamente as diferenças individuais na mentalização das mulheres ao ajustamento diádico percebido (Smoliak et al. 2023; Umberson et al. 2020; Wang e Umberson 2022).

No contexto turco, essa ligação pode ser ainda mais amplificada por expectativas de gênero em torno da expressão emocional e do trabalho relacional; roteiros de papéis tradicionais podem tornar a expressão emocional dos homens menos socialmente aceita, ao mesmo tempo que posicionam as mulheres como mais ativas na expressão das emoções (Kara e Ümmet 2021) e na sustentação do clima relacional por meio do trabalho emocional e da manutenção relacional (Horne e Johnson 2019). Mais especificamente, normas amplamente compartilhadas na Turquia costumam colocar as mulheres como principais guardiãs da vida doméstica e da harmonia relacional, uma expectativa que pode se refletir numa carga maior de responsabilidades para as mulheres e numa postura mais sacrificial na vida familiar (Şendil e Korkut 2008; Yüksel e Dağ 2015). Nesse quadro, a saliência do efeito indireto de ator nas mulheres é coerente com a possibilidade de que as capacidades das mulheres relativas a si (por exemplo, a diferenciação) covariem mais com a forma como elas mentalizam e avaliam o funcionamento do casal, enquanto vias indiretas paralelas nos homens podem depender mais da ideologia de gênero e dos arranjos de papéis dentro do casal (Greenstein 1995; Mickelson et al. 2006). Pesquisas futuras devem explorar essas diferenças com mais rigor. Especificamente, os estudos deveriam modelar as atitudes em relação aos papéis de gênero e a ideologia de gênero de ambos os membros do casal e testar se os processos de trabalho emocional e de manutenção relacional operam como moderadores ou como mediadores paralelos, sobretudo em contextos culturais orientados para a família.

Os efeitos de parceiro pequenos, mas significativos, da mentalização sobre o ajustamento diádico são dignos de nota e sustentam modelos teóricos que concebem a mentalização tanto como capacidade regulatória individual quanto como processo funcional dentro do sistema do casal (Fonagy e Luyten 2009). O nível de mentalização de um membro do casal esteve positivamente associado ao ajustamento diádico do outro, o que é coerente com a natureza mutuamente regulatória e coconstruída dos relacionamentos amorosos. Essas associações entre os membros do casal foram observadas nas duas direções e são coerentes com evidências recentes sobre os benefícios da mentalização tanto no contexto da parentalidade quanto no do casal (Aspiras et al. 2025; Ensink et al. 2023; Silverio et al. 2025). Mais importante ainda, essa interpretação converge com evidências diádicas que indicam que os esforços de regulação emocional interpessoal (extrínseca) dentro do casal estão significativamente ligados ao ajustamento diádico (Kinkead et al. 2023). Na mesma linha, pesquisas sobre o trabalho emocional em díades conjugais indicam que o monitoramento e o manejo contínuos do clima relacional têm consequências psicológicas e relacionais mensuráveis, ressaltando que esses processos regulatórios “entre os membros do casal” são decisivos, e não acessórios (Umberson et al. 2020). Em conjunto, os efeitos de parceiro observados podem ser entendidos como reflexo das transações cotidianas de corregulação dentro dos casais (por exemplo, a responsividade e a manutenção relacional), por meio das quais a mentalização se associa à maneira como os membros do casal vivenciam o ajustamento diádico.

Em contraste, os efeitos de parceiro não significativos da diferenciação do self sobre a mentalização do outro provavelmente refletem as origens estáveis e intrapsíquicas da diferenciação, que nasce nas experiências precoces de apego e é menos suscetível a influências externas (Bowen 1978; Kim e Woo 2025). Trabalhos empíricos também indicam que o funcionamento diádico covaria fortemente com canais interacionais mais proximais, sobretudo a qualidade da comunicação, a expressividade emocional e as trocas ligadas ao enfrentamento do estresse cotidiano, mais do que com a transmissão direta, de um membro do casal para o outro, de capacidades do self semelhantes a traços (Kinkead et al. 2023; Laslo-Roth e George-Levi 2022; Schwenck et al. 2022). Por exemplo, demonstrou-se que os processos diádicos de comunicação e de enfrentamento predizem as trajetórias de satisfação no relacionamento a longo prazo, ao moldar a forma como o casal atravessa conjuntamente o estresse e os conflitos (Roth et al. 2025). Evidências de diários também revelam que as flutuações do estresse diário e da dinâmica interacional covariam significativamente com a satisfação no relacionamento do mesmo dia para ambos os membros do casal (Birthelmer et al. 2025). Além disso, evidências sistemáticas ressaltam que um enfrentamento diádico e uma comunicação eficazes sustentam tanto os desfechos individuais quanto os relacionais nas parcerias íntimas (Landolt et al. 2023). Por fim, abordagens sistêmicas da família e abordagens culturais observam que as dinâmicas entre autonomia e conexão (por exemplo, a fusão com os outros) podem ter significados diferentes em contextos coletivistas como a Turquia, o que sustenta interpretar as ligações cruzadas entre os membros do casal como dependentes da forma como os casais negociam autonomia, expressão emocional e expectativas de papel em sua ecologia relacional (isto é, durante episódios de conflito ou negociações das fronteiras familiares; Kagitcibasi 2005; Lampis et al. 2019).

No geral, nossos resultados são coerentes com a ideia de que a diferenciação do self esteve associada ao ajustamento diádico de forma indireta, por meio das capacidades de mentalização das pessoas, tanto no nível individual quanto no do casal. A demonstração empírica de efeitos de ator e de parceiro da mentalização ressalta a relevância da mentalização como processo relacional dentro do sistema do casal. Esses resultados estão alinhados com modelos desenvolvimentais que destacam a transformação das experiências relacionais precoces em mecanismos regulatórios internos e competências interpessoais na vida adulta (Barthel et al. 2018; Girme et al. 2021).

4.1 Implicações clínicas

Esses resultados têm várias implicações clínicas para a terapia de casal. Primeiro, avaliar os níveis de diferenciação do self pode orientar a formulação de caso, já que uma diferenciação mais baixa está associada a maior reatividade emocional, ansiedade e desengajamento relacional (Kim e Woo 2025). Intervenções voltadas a fortalecer as habilidades de regulação podem ser particularmente benéficas para pessoas com níveis mais baixos de diferenciação. Segundo, o papel identificado da mentalização no ajustamento diádico, por meio de efeitos de ator e de parceiro, destaca o valor de integrar intervenções baseadas na mentalização (por exemplo, a MBT para casais) à terapia de casal e de família. Essas abordagens podem aumentar a consciência que cada pessoa tem dos próprios estados mentais e dos estados mentais do outro membro do casal (Fonagy et al. 2019), favorecendo uma proximidade emocional mais equilibrada e sustentável. Dada a modesta associação entre os membros do casal observada neste estudo, a terapia de casal deve incorporar tanto o insight individual quanto habilidades de mentalização mútua. Terceiro, adaptar as intervenções às capacidades psicológicas de ambos os membros do casal pode otimizar os resultados terapêuticos. A avaliação baseada em evidências da diferenciação e da mentalização pode, portanto, orientar tanto a formulação de caso quanto o planejamento da intervenção. Dado o caráter não clínico e heterossexual da amostra, essas implicações clínicas devem ser aplicadas com cautela a populações clínicas e a configurações de casal mais diversas.

4.2 Limitações

Os resultados deste estudo devem ser interpretados à luz de algumas limitações. Primeiro, o delineamento transversal impede inferências causais; assim, os efeitos observados devem ser interpretados como associações e ligações indiretas, e não como mecanismos direcionais. São necessários estudos longitudinais e experimentais para examinar o desenrolar desses mecanismos ao longo do tempo e testar se as mudanças na mentalização covariam com as mudanças no ajustamento dentro do casal sob estresse que ocorra naturalmente. Segundo, o foco exclusivo em casais heterossexuais, em sua maioria casados, coabitantes e não clínicos, limita a generalização para outras formas de relacionamento, incluindo minorias sexuais e casais com alto nível de conflito. Pesquisas futuras devem estender explicitamente esse modelo a casais do mesmo sexo, a amostras clínicas ou de alto conflito e a casais com outros arranjos de moradia, e testar se os caminhos de mensuração e os caminhos estruturais são invariantes entre tipos de casal e arranjos de papéis de gênero. Terceiro, como os dados foram coletados on-line, os membros do casal receberam a instrução de responder aos questionários de forma independente (isto é, sem discutir os itens nem preenchê-los juntos). No entanto, não foi possível verificar de forma absoluta a independência das respostas; portanto, não se pode descartar um risco residual de contaminação das respostas (e de inflação pela variância de método comum). Estudos futuros devem implementar verificações procedimentais mais rigorosas (por exemplo, links individualizados, registro de data e hora do preenchimento, verificações de atenção ou breves itens de verificação) para garantir melhor a independência. Quarto, as medidas de autorrelato podem introduzir vieses como a desejabilidade social ou tendências de resposta. Além disso, a medida turca breve de mentalização (MentS-11) foi validada apenas recentemente; por isso, é recomendável a replicação com outras amostras e/ou avaliações multimétodo da mentalização. Estudos futuros devem incorporar relatos do outro membro do casal, paradigmas observacionais estruturados (por exemplo, discussões de conflito ou de resolução de problemas codificadas quanto à responsividade, escalada e reparação e a marcadores de funcionamento reflexivo ou de mentalização) ou avaliações clínicas, para triangular os dados e, assim, aumentar a validade. Por fim, fatores individuais e contextuais não medidos, como papéis de gênero, estilos de apego ou valores culturais, também podem influenciar a dinâmica do casal. Dadas as evidências existentes sobre seu papel na configuração das dinâmicas relacionais (Sbarra e Whisman 2022), esses moderadores devem ser considerados em pesquisas futuras. Mais concretamente, estudos futuros poderiam modelar a ideologia de gênero ou as atitudes em relação aos papéis e a manutenção relacional (trabalho emocional) como moderadores ou mediadores paralelos e examinar se as ligações entre os membros do casal aparecem com mais clareza em contextos em que os papéis estão em jogo (por exemplo, episódios de conflito) do que como associações globais no nível do traço. Estudos futuros com amostras maiores também podem testar a robustez do padrão após o controle de fatores sociodemográficos adicionais (por exemplo, escolaridade, nível socioeconômico, número de filhos) e explorar possíveis efeitos não lineares ou ligados à etapa do relacionamento.

5. Conclusão

Ao explorar os mecanismos, no nível do casal, que ligam a diferenciação do self e a mentalização ao ajustamento diádico, este estudo ajuda a esclarecer como os sistemas regulatórios internos se associam às dinâmicas relacionais. Os resultados sugerem que a autoconsciência e o manejo dos limites emocionais estão ligados ao ajustamento diádico por meio da mentalização, que pode ser concebida como operando tanto como processo individual quanto como processo diádico. No geral, esses resultados sustentam as perspectivas sistêmicas na terapia de casal, ao mostrar que os recursos psicológicos dos membros do casal estão associados não apenas à sua própria avaliação do relacionamento, mas também ao ajustamento diádico relatado pelo outro.

Complexe Systémique: a reter

O estudo dá apoio empírico a uma intuição compartilhada por Bowen e pelas abordagens da mentalização: conseguir continuar sendo si mesmo no vínculo sustenta a capacidade de pensar a mente do outro, que por sua vez acompanha um melhor ajustamento do casal. O resultado mais sistêmico é o efeito de parceiro: a mentalização de um membro do casal anda junto com o ajustamento do outro, ao passo que a diferenciação não “passa” diretamente de um para o outro. Para a clínica, isso favorece cultivar na sessão a curiosidade pela experiência do outro, sem abrir mão de apoiar a diferenciação de cada membro do casal. A leitura de gênero proposta (as mulheres como “gestoras do relacionamento”) ilumina a carga do trabalho emocional, com o risco de naturalizá-la. A prudência se impõe: delineamento transversal, medidas de autorrelato, amostra não clínica de casais heterossexuais em sua maioria casados e com ensino superior, efeitos modestos, efeito indireto marginal nos homens e uma escala de mentalização reduzida recém-validada. Para ler junto com o artigo sobre dependência e independência nos casais e com o artigo sobre as análises diádicas da aliança e da satisfação conjugal.

Notas do original

Agradecimentos. Quem assina o artigo agradece à Universidade Işık pelo apoio.

Financiamento. Esta pesquisa foi financiada pela Unidade de Coordenação de Projetos de Pesquisa Científica da Universidade Işık (projeto n.º 23B105).

Declaração. Quem assina o artigo não tem nada a declarar.

Declaração ética. Este estudo foi conduzido de acordo com as normas éticas. Obteve-se o consentimento informado de todas as pessoas participantes, e o protocolo do estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Işık (aprovação n.º 2024/03, 16 de abril de 2024).

Conflitos de interesse. Quem assina o artigo declara não ter conflitos de interesse.

Referências

Abdel-Sater, R. 2022. “Marriage Dissolution in the United States: A Survival Analysis Approach.” Journal of Divorce & Remarriage 63, no. 4: 235–261. https://doi.org/10.1080/10502556.2022.2042788.

Aspiras, O., J. O'Gara, and J. Radunzel. 2025. “Actor–Partner Parenting and Co-Parenting Practices and Youth Resilience During the COVID-19 Pandemic.” Family Process 64, no. 2: e70033. https://doi.org/10.1111/famp.70033.

Ataca, B. 2009. “ Turkish Family Structure and Functioning.” In Perspectives on Human Development, Family, and Culture, edited by S. Bekman and A. Aksu-Koç, 108–125. Cambridge University Press. https://doi.org/10.1017/CBO9780511720437.010.

Barthel, A. L., A. Hay, S. N. Doan, and S. G. Hofmann. 2018. “Interpersonal Emotion Regulation: A Review of Social and Developmental Components.” Behaviour Change 35, no. 4: 203–216. https://doi.org/10.1017/bec.2018.19.

Bateman, A., and P. Fonagy. 2016. Mentalization-Based Treatment for Personality Disorders: A Practical Guide. Oxford University Press. https://doi.org/10.1093/med:psych/9780199680375.001.0001.

Bayraktaroğlu, H. T., and E. T. Çakıcı. 2017. “Psychometric Properties of Revised Form Dyadic Adjustment Scale in a Sample From North Cyprus.” International Journal of Educational Science 19, no. 2–3: 113–119. https://doi.org/10.1080/09751122.2017.1393954.

Birthelmer, S., E. Zambrano Garza, T. Pauly, et al. 2025. “Daily Stress-Influence Dynamics Predict Relationship Satisfaction in Post-Stroke Couples.” Frontiers in Psychology 16: 1659945. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2025.1659945.

Bogdan, I., M. N. Turliuc, and O. S. Candel. 2022. “Transition to Parenthood and Marital Satisfaction: A Meta-Analysis.” Frontiers in Psychology 13: 901362. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2022.901362.

Bölükbaşı, A. 2024. “Social Consequences of Demographic Transformation in Turkey.” Uluslararası Anadolu Sosyal Bilimler Dergisi 8, no. 4: 1041–1058. https://doi.org/10.47525/ulasbid.1572932.

Borelli, J. L., K. Ensink, M. L. Gillespie, et al. 2021. “Mothers' Self-Focused Reflective Functioning Interacts With Childhood Experiences of Rejection to Predict Current Romantic Relationship Quality and Parenting Behavior.” Family Process 60, no. 3: 920–934. https://doi.org/10.1111/famp.12603.

Borelli, J. L., A. Slade, C. Pettit, and D. Shai. 2020. “I “Get” You, Babe: Reflective Functioning in Partners Transitioning to Parenthood.” Journal of Social and Personal Relationships 37, no. 6: 1785–1805. https://doi.org/10.1177/0265407520905641.

Bowen, M. 1978. Family Therapy in Clinical Practice. Jason Aronson.

Bühler, J. L., S. Krauss, and U. Orth. 2021. “Development of Relationship Satisfaction Across the Life Span: A Systematic Review and Meta-Analysis.” Psychological Bulletin 147, no. 10: 1012–1053. https://doi.org/10.1037/bul0000342.

Bulanda, J. R., and S. L. Brown. 2007. “Race-Ethnic Differences in Marital Quality and Divorce.” Social Science Research 36, no. 3: 945–967. https://doi.org/10.1016/j.ssresearch.2006.04.001.

Busby, D. M., C. Christensen, D. R. Crane, and J. H. Larson. 1995. “A Revision of the Dyadic Adjustment Scale for Use With Distressed and Nondistressed Couples: Construct Hierarchy and Multidimensional Scales.” Journal of Marital and Family Therapy 21, no. 3: 289–308. https://doi.org/10.1111/j.1752-0606.1995.tb00163.x.

Calatrava, M., M. V. Martins, M. Schweer-Collins, C. Duch-Ceballos, and M. Rodríguez-González. 2022. “Differentiation of Self: A Scoping Review of Bowen Family Systems Theory's Core Construct.” Clinical Psychology Review 91: 102101. https://doi.org/10.1016/j.cpr.2021.102101.

Cook, W. L., and D. A. Kenny. 2005. “The Actor–Partner Interdependence Model: A Model of Bidirectional Effects in Developmental Studies.” International Journal of Behavioral Development 29, no. 2: 101–109. https://doi.org/10.1080/01650250444000405.

Costa, C. B., and C. P. Mosmann. 2021. “Personality Traits and Marital Adjustment: Interaction Between Intra and Interpersonal Aspects.” Paidéia (Ribeirão Preto) 31: e3107. https://doi.org/10.1590/1982-4327e3107.

Demirci, A. D., R. Aydın, Ö. Korukcu, and K. Kabukcuoğlu. 2022. “Is Marital Adjustment a Way to Increase Women's Identification With the Motherhood Role During Pregnancy?” Health Care for Women International 43, no. 6: 568–582. https://doi.org/10.1080/07399332.2020.1867859.

Diler, Z., and S. Diler. 2022. “Türkiye'de Boşanma Olgusunun Zamansal Değişimi (2001-2021).” International Journal of Social and Humanities Sciences Research 9, no. 89: 2166–2178. https://doi.org/10.26450/jshsr.3305.

Dimitrijević, A., N. Hanak, A. Altaras Dimitrijević, and Z. Jolić Marjanović. 2018. “The Mentalization Scale (MentS): A Self-Report Measure for the Assessment of Mentalizing Capacity.” Journal of Personality Assessment 100, no. 3: 268–280. https://doi.org/10.1080/00223891.2017.1310730.

Dong, S., Q. Dong, H. Chen, and S. Yang. 2022. “Mother's Parenting Stress and Marital Satisfaction During the Parenting Period: Examining the Role of Depression, Solitude, and Time Alone.” Frontiers in Psychology 13: 847419. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2022.847419.

Drake, J. R., N. L. Murdock, J. M. Marszalek, and C. E. Barber. 2015. “Differentiation of Self-Inventory-Short Form: Development and Preliminary Validation.” Contemporary Family Therapy: An International Journal 37, no. 2: 101–112. https://doi.org/10.1007/s10591-015-9329-7.

Ensink, K., M. Bégin, G. Martin-Gagnon, et al. 2023. “Post-Traumatic Stress in the Context of Childhood Maltreatment: Pathways From Attachment Through Mentalizing During the Transition to Parenthood.” Frontiers in Psychology 14: 919736. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2023.919736.

Erdem, G., M. Adli-Isleyen, N. Baltalarlı, and E. Kılıç. 2022. “Low-Income Turkish Mothers' Conceptions and Experiences of Family Life.” Frontiers in Psychology 12: 756278. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2021.756278.

Erdem, G., and O. Safi. 2018. “A Cultural Lens Approach to Bowen Family Systems Theory: Contributions of Family Change Theory.” Journal of Family Theory & Review 10, no. 2: 469–483. https://doi.org/10.1111/jftr.12258.

Falconier, M. K., and J. B. Jackson. 2020. “Economic Strain and Couple Relationship Functioning: A Meta-Analysis.” International Journal of Stress Management 27, no. 4: 311–325. https://doi.org/10.1037/str0000157.

Finzi-Dottan, R. 2023. “The Role of Fear of Intimacy as Mediator Between Self-Differentiation and Marital Relationship Satisfaction: A Dyadic Model.” Family Journal 31, no. 3: 392–398. https://doi.org/10.1177/10664807231163254.

Fischer, M. S., V. Bhatia, J. L. Baddeley, R. Al-Jabari, and J. Libet. 2018. “Couple Therapy With Veterans: Early Improvements and Predictors of Early Dropout.” Family Process 57, no. 2: 525–538. https://doi.org/10.1111/famp.12308.

Fonagy, P., E. Allison, and C. Campbell. 2019. “ Mentalizing, Resilience, and Epistemic Trust.” In Handbook of Mentalizing in Mental Health Practice, edited by A. W. Bateman and P. Fonagy, 2nd ed., 63–77. American Psychiatric Association Publishing.

Fonagy, P., and P. Luyten. 2009. “A Developmental, Mentalization-Based Approach to the Understanding and Treatment of Borderline Personality Disorder.” Development and Psychopathology 21, no. 4: 1355–1381. https://doi.org/10.1017/S0954579409990198.

Froidevaux, N. M., S. Millwood, H. K. Hecht, et al. 2025. “Attachment Insecurity and Partner Reflective Functioning in the Context of Long-Distance Interracial Romantic Relationships.” Personal Relationships 32, no. 1: e70004. https://doi.org/10.1111/pere.70004.

Frye-Cox, N., L. Ganong, T. Jensen, and M. Coleman. 2021. “Marital Conflict and Health: The Moderating Roles of Emotion Regulation and Marriage Order.” Journal of Divorce & Remarriage 62, no. 6: 450–474. https://doi.org/10.1080/10502556.2021.1925853.

Girme, Y. U., R. E. Jones, C. Fleck, J. A. Simpson, and N. C. Overall. 2021. “Infants' Attachment Insecurity Predicts Attachment-Relevant Emotion Regulation Strategies in Adulthood.” Emotion 21, no. 2: 260–272. https://doi.org/10.1037/emo0000721.

Greenberg, D. M., V. Warrier, A. Abu-Akel, et al. 2023. “Sex and Age Differences in “Theory of Mind” Across 57 Countries Using the English Version of the “Reading the Mind in the Eyes” Test.” Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America 120, no. 1: e2022385119. https://doi.org/10.1073/pnas.2022385119.

Greenstein, T. N. 1995. “Gender Ideology, Marital Disruption, and the Employment of Married Women.” Journal of Marriage and Family 57, no. 1: 31–42. https://doi.org/10.2307/353814.

Gürmen, M. S. 2025. “Who Seeks Couple and Family Therapy in Turkey? A Descriptive Analysis From the MFT-PRN.” Contemporary Family Therapy 48: 25–34. https://doi.org/10.1007/s10591-025-09772-w.

Horne, R. M., and M. D. Johnson. 2019. “A Labor of Love? Emotion Work in Intimate Relationships.” Journal of Social and Personal Relationships 36, no. 4: 1190–1209. https://doi.org/10.1177/0265407518756779.

İmamoğlu, E. O., and Z. Karakitapoğlu-Aygün. 2004. “Self-Construals and Values in Different Cultural and Socioeconomic Contexts.” Genetic, Social, and General Psychology Monographs 130, no. 4: 277–306. https://doi.org/10.3200/MONO.130.4.277-306.

Işık, E., and S. Bulduk. 2015. “Psychometric Properties of the Differentiation of Self Inventory-Revised in Turkish Adults.” Journal of Marital and Family Therapy 41, no. 1: 102–112. https://doi.org/10.1111/jmft.12022.

Jiménez-Picón, N., M. Romero-Martín, L. Ramirez-Baena, J. C. Palomo-Lara, and J. Gómez-Salgado. 2021. “Systematic Review of the Relationship Between Couple Dyadic Adjustment and Family Health.” Children 8, no. 6: 491. https://doi.org/10.3390/children8060491.

Kagitcibasi, C. 2002. “A Model of Family Change in Cultural Context.” Online Readings in Psychology and Culture 6, no. 3. https://doi.org/10.9707/2307-0919.1059.

Kagitcibasi, C. 2005. “Autonomy and Relatedness in Cultural Context: Implications for Self and Family.” Journal of Cross-Cultural Psychology 36, no. 4: 403–422. https://doi.org/10.1177/0022022105275959.

Kagitcibasi, C. 2017. Family, Self, and Human Development Across Cultures: Theory and Applications. Routledge.

Kagitcibasi, C., and B. Ataca. 2005. “Value of Children and Family Change: A Three-Decade Portrait From Turkey.” Applied Psychology. An International Review 54, no. 3: 317–337. https://doi.org/10.1111/j.1464-0597.2005.00213.x.

Kagitcibasi, C., and B. Ataca. 2015. “Value of Children, Family Change, and Implications for the Care of the Elderly.” Cross-Cultural Research 49, no. 4: 374–392. https://doi.org/10.1177/1069397115598139.

Kara, A., and D. Ümmet. 2021. “Evli Kadınlarda Evlilik Uyumu Ve Iletişim Becerileri Arasındaki Ilişkinin Incelenmesi.” Academic Platform Journal of Education and Change 4, no. 2: 233–244.

Kerr, M. E., and M. Bowen. 1988. Family Evaluation: An Approach Based on Bowen Theory. Norton & Co.

Kim, H., A. M. Prouty, D. B. Smith, M. Ko, J. L. Wetchler, and J.-E. Oh. 2014. “Differentiation of Self and Its Relationship With Family Functioning in South Koreans.” American Journal of Family Therapy 42, no. 3: 257–265. https://doi.org/10.1080/01926187.2013.838928.

Kim, S., and S. Woo. 2025. “Indirect Effects of Self-Differentiation and Mentalization on Family of Origin Health and Marital Satisfaction Among Korean Adults.” Journal of Marital and Family Therapy 51, no. 1: e12756. https://doi.org/10.1111/jmft.12756.

Kinkead, A., C. Salas, and C. P. Ewert. 2023. “Couples' Extrinsic Emotion Regulation and Dyadic Adjustment: An Actor-Partner Interdependence Model Analysis.” Current Psychology 42: 31619–31633. https://doi.org/10.1007/s12144-022-04188-3.

Lam, C. M., and P. C. Y. Chan-So. 2015. “Validation of the Chinese Version of Differentiation of Self Inventory (C-DSI).” Journal of Marital and Family Therapy 41, no. 1: 86–101. https://doi.org/10.1111/jmft.12031.

Lampis, J., S. Cataudella, M. Agus, A. Busonera, and E. A. Skowron. 2019. “Differentiation of Self and Dyadic Adjustment in Couple Relationships: A Dyadic Analysis Using the Actor-Partner Interdependence Model.” Family Process 58, no. 3: 698–715. https://doi.org/10.1111/famp.12370.

Landolt, S. A., K. Weitkamp, M. Roth, N. M. Sisson, and G. Bodenmann. 2023. “Dyadic Coping and Mental Health in Couples: A Systematic Review.” Clinical Psychology Review 106: 102344. https://doi.org/10.1016/j.cpr.2023.102344.

Laslo-Roth, R., and S. George-Levi. 2022. “Hopeful Woman, Happy Couple: A Dyadic Model of Hope, Partner Support, and Relationship Satisfaction.” Journal of Happiness Studies 23: 2201–2216. https://doi.org/10.1007/s10902-021-00494-y.

Ledermann, T., S. Macho, and D. A. Kenny. 2011. “Assessing Mediation in Dyadic Data Using the Actor–Partner Interdependence Model.” Structural Equation Modeling 18, no. 4: 595–612. https://doi.org/10.1080/10705511.2011.607099.

Luyten, P., and P. Fonagy. 2015. “The Neurobiology of Mentalizing.” Personality Disorders, Theory, Research, and Treatment 6, no. 4: 366–379. https://doi.org/10.1037/per0000117.

Manzi, C., V. L. Vignoles, C. Regalia, and E. Scabini. 2006. “Cohesion and Enmeshment Revisited: Differentiation, Identity, and Well-Being in Two European Cultures.” Journal of Marriage and Family 68, no. 3: 673–689. https://doi.org/10.1111/j.1741-3737.2006.00282.x.

Mayol-García, Y., B. Gurrentz, and R. M. Kreider. 2021. Number, Timing, and Duration of Marriages and Divorces: 2016 (Current Population Reports, P70–167). U.S. Census Bureau. https://www.census.gov/library/publications/2021/demo/p70-167.html.

Mickelson, K. D., S. T. Claffey, and S. L. Williams. 2006. “The Moderating Role of Gender and Gender Role Attitudes on the Link Between Spousal Support and Marital Quality.” Sex Roles 55, no. 1–2: 73–82. https://doi.org/10.1007/s11199-006-9061-8.

Mozas-Alonso, M., J. Oliver, and A. Berastegui. 2022. “Differentiation of Self and Its Relationship With Marital Satisfaction and Parenting Styles in a Spanish Sample of Adolescents' Parents.” PLoS One 17, no. 3: e0265436. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0265436.

Özgüç, S., and D. Tanrıverdi. 2018. “Relations Between Depression Level and Conflict Resolution Styles, Marital Adjustments of Patients With Major Depression and Their Spouses.” Archives of Psychiatric Nursing 32, no. 3: 337–342. https://doi.org/10.1016/j.apnu.2017.11.022.

Peleg, O. 2008. “The Relation Between Differentiation of Self and Marital Satisfaction: What Can Be Learned From Married People Over the Course of Life?” American Journal of Family Therapy 36, no. 5: 388–401. https://doi.org/10.1080/01926180701804634.

Priest, J. B. 2019. “Examining Differentiation of Self as a Mediator in the Biobehavioral Family Model.” Journal of Marital and Family Therapy 45, no. 1: 161–175. https://doi.org/10.1111/jmft.12301.

Reich-Stiebert, N., L. Froehlich, and J. B. Voltmer. 2023. “Gendered Mental Labor: A Systematic Literature Review on the Cognitive Dimension of Unpaid Work Within the Household and Childcare.” Sex Roles 88: 475–494. https://doi.org/10.1007/s11199-023-01362-0.

Rived-Ocaña, M., M. Calatrava, and M. Rodríguez-González. 2025. “Relational Ethics and Differentiation of Self: An Empirical Study of the Key Constructs of Contextual Theory and Bowen Family Systems Theory.” Family Process 64, no. 1: e70005. https://doi.org/10.1111/famp.70005.

Rizkalla, N., and G. Rahav. 2016. “Differentiation of the Self, Couples' Intimacy, and Marital Satisfaction: A Similar Model for Palestinian and Jewish Married Couples in Israel.” International Journal of the Jurisprudence of the Family 7: 1–32.

Roth, M., F. W. Nussbeck, S. A. Landolt, et al. 2025. “Dyadic Coping and Communication as Predictors of 10-Year Relationship Satisfaction Subgroup Trajectories in Stable Romantic Couples.” Behavioral Sciences 15, no. 10: 1361. https://doi.org/10.3390/bs15101361.

Salehi, H., S. Hoseinian, and S. M. Yazdi. 2021. “The Relationship Between Successful Marriage and Self-Differentiation: The Mediating Role of Cognitive Emotion Regulation.” Journal of Woman and Family Studies 9, no. 4: 63–78.

Sarıkaya, Y., M. Boyacı, T. İlhan, and A. Aldemir. 2018. “Adaptation of the Differentiation of Self Inventory-Short Form (DSI-SF) to Turkish: Validity and Reliability Study.” Bartın University Journal of Faculty of Education 7, no. 2: 365–380. https://doi.org/10.14686/buefad.364196.

Sbarra, D. A., and M. A. Whisman. 2022. “Divorce, Health, and Socioeconomic Status: An Agenda for Psychological Science.” Current Opinion in Psychology 43: 75–78. https://doi.org/10.1016/j.copsyc.2021.06.007.

Schwarzer, N. H., T. Nolte, P. Fonagy, and S. Gingelmaier. 2021. “Mentalizing and Emotion Regulation: Evidence From a Nonclinical Sample.” International Forum of Psychoanalysis 30, no. 1: 34–45. https://doi.org/10.1080/0803706X.2021.1873418.

Schwenck, G. C., S. J. Dawson, D. B. Allsop, and N. O. Rosen. 2022. “Daily Dyadic Coping: Associations With Postpartum Sexual Desire and Sexual and Relationship Satisfaction.” Journal of Social and Personal Relationships 39, no. 12: 3706–3727. https://doi.org/10.1177/02654075221107393.

Şendil, G., and Y. Korkut. 2008. “Evli Çiftlerdeki Çift Uyumu Ve Evlilik Çatışmasının Demografik Özellikler Açısından Incelenmesi.” Psikoloji Çalışmaları 28: 15–34.

Silverio, N., R. Gao, A. I. Skeen, et al. 2025. “The Dyadic Influence of Relationship Hope on Family Functioning.” Family Process 64, no. 2: e70036. https://doi.org/10.1111/famp.70036.

Singh, Y., V. Gupta, and A. K. Srivastava. 2023. “Marital Conflict, Health, and Well-Being Among Couples.” International Journal of Indian Psychology 11, no. 1: 1098–1110.

Skowron, E. A., and M. L. Friedlander. 1998. “The Differentiation of Self Inventory: Development and Initial Validation.” Journal of Counseling Psychology 45, no. 3: 235–246. https://doi.org/10.1037/0022-0167.45.3.235.

Smoliak, O., K. Al-Ali, A. LeCouteur, et al. 2023. “The Third Shift: Addressing Emotion Work in Couple Therapy.” Family Process 62, no. 3: 1006–1023. https://doi.org/10.1111/famp.12906.

Spanier, G. B. 1976. “Measuring Dyadic Adjustment: New Scales for Assessing the Quality of Marriage and Similar Dyads.” Journal of Marriage and the Family 38, no. 1: 15–28. https://doi.org/10.2307/350547.

Stefana, A., S. Damiani, U. Granziol, et al. 2025. “Psychological, Psychiatric, and Behavioral Sciences Measurement Scales: Best Practice Guidelines for Their Development and Validation.” Frontiers in Psychology 15: 1494261. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2024.1494261.

Todosijević, M., and D. Kojić. 2022. “Differentiation of Self as a Predictor of Capacity for Mentalization.” ГОДИШЊАК ЗА ПСИХОЛОГИЈУ 19: 65–79. https://doi.org/10.46630/gpsi.19.2022.04.

Türkiye İstatistik Kurumu. 2025, February 24. “Evlenme ve boşanma istatistikleri, 2024”. https://data.tuik.gov.tr/Bulten/Index?p=Evlenme-ve-Bo%C5%9Fanma-%C4%B0statistikleri-2024-54194&dil=1.

Umberson, D., M. B. Thomeer, A. M. Pollitt, and S. E. Mernitz. 2020. “The Psychological Toll of Emotion Work in Same-Sex and Different-Sex Marital Dyads.” Journal of Marriage and Family 82, no. 4: 1141–1158. https://doi.org/10.1111/jomf.12686.

Uskul, A. K., M. Hynie, and R. N. Lalonde. 2004. “Interdependence as a Mediator Between Culture and Interpersonal Closeness for Euro-Canadians and Turks.” Journal of Cross-Cultural Psychology 35, no. 2: 174–191. https://doi.org/10.1177/0022022103262243.

Uskul, A. K., A. Kirchner-Häusler, V. L. Vignoles, et al. 2023. “Neither Eastern Nor Western: Patterns of Independence and Interdependence in Mediterranean Societies.” Journal of Personality and Social Psychology 125, no. 3: 471–495. https://doi.org/10.1037/pspa0000342.

Ünver, B. 2026. “Development and Validation of a Short Form of the Mentalization Scale (MentS-11): An Evidence-based Measure for Turkish adults.” Cognitive Processing Advance online publication. https://doi.org/10.1007/s10339-026-01335-7.

Wagner-Skacel, J., D. Riedl, H. Kampling, and A. Lampe. 2022. “Mentalization and Dissociation After Adverse Childhood Experiences.” Scientific Reports 12, no. 1: 6809. https://doi.org/10.1038/s41598-022-10787-8.

Wang, Y., and D. Umberson. 2022. “Dyadic Coping and Marital Quality in Same-Sex and Different-Sex Marriages.” Journal of Social and Personal Relationships 40, no. 3: 996–1017. https://doi.org/10.1177/02654075221123096.

Williamson, H. C., J. X. Bornstein, V. Cantu, O. Ciftci, K. A. Farnish, and M. T. Schouweiler. 2022. “How Diverse Are the Samples Used to Study Intimate Relationships? A Systematic Review.” Journal of Social and Personal Relationships 39, no. 4: 1087–1109. https://doi.org/10.1177/02654075211053849.

Williamson, H. C., and J. A. Lavner. 2020. “Trajectories of Marital Satisfaction in Diverse Newlywed Couples.” Social Psychological and Personality Science 11, no. 5: 597–604. https://doi.org/10.1177/1948550619865056.

Wusirige, X. Liang, and Z. Wang. 2025. “The Association Between Marital Satisfaction and Perceived Coparenting in Infancy: A Longitudinal Dyadic Approach.” Family Process 64, no. 1: e13082. https://doi.org/10.1111/famp.13082.

Young, B., and R. B. Seedall. 2024. “Power Dynamics in Couple Relationships: A Review and Applications for Systemic Family Therapists.” Family Process 63, no. 4: 1703–1720. https://doi.org/10.1111/famp.13008.

Yüksel, Ö., and İ. Dağ. 2015. “Kadınlarda Evlilik Uyumu Ve Psikolojik Belirtiler Arasındaki Ilişki: Stresle Baş Etme Biçimleri Ve Toplumsal Cinsiyet Rolü Tutumlarının Aracı Rolleri.” Türk Psikiyatri Dergisi 26, no. 3: 181–188.

Tradução não oficial em português de Diferenciação do self e mentalização no ajustamento do casal: um modelo de mediação ator-parceiro, de Buket Ünver, Family Relations, publicação on-line antecipada (2026), doi: 10.1111/fare.70273, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença (tabelas apresentadas em listas, legenda da figura traduzida). Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.

Tradução não oficial para o português de “Self‐Differentiation and Mentalization in Couple Adjustment: An Actor–Partner Mediation Model”, publicado em Family Relations (2026) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.

Ler o artigo original

Como citar este artigo

Ünver, B. (2026). Diferenciação do self e mentalização no ajustamento do casal: um modelo de mediação ator-parceiro (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/diferenciacao-do-self-e-mentalizacao-no-ajustamento-do-casal (Obra original publicada em 2026 em Family Relations, Early View, e70273 (2026); republicada em 2026 por Family Relations, https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/fare.70273)

Carrinho

Seu carrinho está vazio.