Journal of Marital and Family Therapy · Terapia familiar

A aceitabilidade da terapia focada nas emoções em Uganda: a visão de profissionais de saúde mental

Em julho de 2023, Uganda recebeu sua primeira formação em terapia de casal focada nas emoções. Vinte e três profissionais de saúde mental contam o que o modelo mexeu na própria história de apego e por que ele esbarra em regras culturais: emoções “vergonhosas”, homens que não choram, mulheres proibidas de sentir raiva.

Autores Ronald Asiimwe (Departamento de Ciência Social da Família, Universidade de Minnesota, Twin Cities, Saint Paul, Estados Unidos); Elmien Lesch (Departamento de Psicologia, Universidade de Stellenbosch, África do Sul); Pendo Galukande (Departamento de Desenvolvimento Humano e Estudos da Família, Universidade Estadual de Michigan, East Lansing, Estados Unidos); Rosco Kasujja (Departamento de Saúde Mental, Universidade Makerere, Kampala, Uganda)Primeira publicação Journal of Marital and Family Therapy, 23 de outubro de 2025Tradução Complexe Systémique, tradução não oficial

Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de A aceitabilidade da terapia focada nas emoções em Uganda: a visão de profissionais de saúde mental, de Ronald Asiimwe, Elmien Lesch, Pendo Galukande e Rosco Kasujja, publicado na Journal of Marital and Family Therapy (Wiley) (2025), doi: 10.1111/jmft.70084, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.

Em Uganda, como em muitas culturas africanas, as emoções não são rejeitadas de todo, mas reguladas conforme o contexto e expressas de formas socialmente aceitáveis e culturalmente significativas.

Ronald Asiimwe, Elmien Lesch, Pendo Galukande e Rosco Kasujja

Resumo

Apesar do destaque internacional da terapia de casal focada nas emoções (EFCT), há pouca pesquisa sobre sua aceitabilidade entre profissionais de saúde mental, sobretudo em contextos africanos. Este estudo explorou a aceitabilidade da EFCT entre profissionais de saúde mental de Uganda que concluíram a primeira formação de 4 dias em EFCT realizada no país. Fizemos entrevistas semiestruturadas com 23 profissionais para examinar (1) de que forma consideravam a EFCT aceitável em sua vida pessoal e (2) sua visão sobre a adequação do modelo ao contexto cultural ugandense. A análise temática gerou cinco temas que respondem a essas perguntas de pesquisa. De modo geral, as pessoas entrevistadas acharam a EFCT ressonante e aceitável em sua vida pessoal e valorizaram especialmente o foco no acesso às emoções como ferramenta terapêutica. No entanto, também identificaram possíveis desafios na aplicação cultural do modelo. Esta pesquisa oferece indícios preliminares sobre a aceitabilidade potencial da EFCT na prática de saúde mental em Uganda e, assim, contribui para a literatura internacional sobre EFCT e multiculturalismo.

Palavras-chave: aceitabilidade, adequação cultural, terapia de casal focada nas emoções, Uganda

Como em outras partes do mundo, muitos casais em Uganda enfrentam sofrimento relacional significativo e dificuldades de saúde mental (Gubi et al. 2020; Muhwezi et al. 2020). Em consequência, cresce a demanda por formar profissionais de saúde mental (PSM) em intervenções relacionais baseadas em evidências, para lhes dar as habilidades clínicas necessárias ao trabalho eficaz com casais e famílias. A terapia de casal focada nas emoções (emotionally focused couple therapy, EFCT; Johnson 2012) é uma dessas intervenções relacionais baseadas em evidências e vem ganhando espaço aos poucos em muitas partes do mundo, inclusive na África (Lesch et al. 2018).

No entanto, pouquíssimos estudos examinam os processos posteriores à formação e à implementação. Um estudo com 22 terapeutas examinou as barreiras à implementação da EFCT nos Estados Unidos (Wittenborn et al. 2024). Outros estudos exploraram as visões e percepções de terapeutas sobre a aceitabilidade e a adequação cultural da EFCT em contextos culturalmente diversos, incluindo países de língua espanhola (Rodríguez-Gonzalez et al. 2022; Sandberg et al. 2020). Esses dois últimos estudos destacaram a importância da sensibilidade cultural na aplicação dos princípios da EFCT. Até hoje, porém, pouquíssimos estudos publicados examinaram como profissionais de contextos africanos percebem a aceitabilidade do modelo e sua adequação a seus contextos culturais e clínicos singulares. Essa lacuna é ainda mais marcante em países como Uganda, onde a abordagem da EFCT ainda está nos primeiros estágios de implementação. Este estudo é, portanto, uma tentativa de preencher essa lacuna, explorando as visões e experiências de PSM ugandenses depois da formação em EFCT. O estudo é relevante e oportuno, dada a popularidade crescente da EFCT em muitos contextos culturalmente diversos no mundo. Contribui, assim, para a literatura mais ampla sobre a aceitação e a adequação cultural da EFCT em contextos multiculturais (Allan et al. 2023; Tseng et al. 2024; Zeytinoglu-Saydam 2018).

1. O contexto da terapia de casal em Uganda

Em Uganda, o casamento é há muito tempo a instituição central que organiza as relações heterossexuais e está profundamente enraizado nas tradições culturais, na religião e na Constituição do país; os casais muitas vezes transitam entre essas três dimensões para legitimar sua união (Isiko e Isabirye 2023). Tradicionalmente, pessoas mais velhas da família e da comunidade e lideranças religiosas conduziam a preparação para o casamento e o aconselhamento conjugal, ensinando a moças e rapazes os papéis e as responsabilidades culturalmente adequados (Senyonyi et al. 2012). Por isso, a busca de ajuda para questões relacionais costuma ocorrer em contextos comunitários, o que muitas vezes envolve a família extensa (por exemplo, tias, tios e avós), lideranças religiosas e, às vezes, curandeiros tradicionais (Asiimwe et al. 2023). Essas práticas socioculturais se baseiam em valores de proteção dos assuntos familiares, harmonia relacional e responsabilidade comunitária, e moldam a forma como os casais percebem a terapia e se engajam nela.

Apesar da falta de formação especializada de pós-graduação em terapia de casal nas instituições de ensino superior de Uganda, a exposição a valores culturais ocidentais por meio da cultura pop, da educação e das mídias sociais e globais influenciou a visão sobre relacionamentos amorosos de uma parcela jovem, urbana e escolarizada da população ugandense. Na Uganda contemporânea, esse grupo emergente (em sua maioria entre 20 e 40 anos) tende a valorizar parcerias amorosas em que as conexões emocionais e psicológicas têm prioridade (Choudhry et al. 2022). Isso o torna mais propenso a acolher modelos como a EFCT, que concebem as pessoas do casal como figuras de apego que oferecem apoio não só financeiro, mas também emocional. Muitos casais ugandenses, porém, ainda vivem em sistemas patriarcais nos quais o casamento atende mais a finalidades práticas ou de sobrevivência do que à realização emocional (Frye e Urbina 2020). Essas divergências culturais crescentes podem influenciar a aceitação e a aplicabilidade da EFCT no contexto ugandense.

2. Breve panorama da EFCT

A EFCT é um modelo sistêmico e experiencial desenvolvido em contextos norte-americanos que usa a teoria do apego adulto como lente para o sofrimento nas relações amorosas adultas. Segundo a teoria do apego, a disponibilidade emocional constante de cada parceiro ou parceira e sua capacidade de responder adequadamente às necessidades de apego do outro promovem o bem-estar relacional, ao proporcionar uma sensação sentida de segurança (Johnson 2012). O modelo da EFCT aborda o sofrimento relacional como produto de ciclos negativos de interação de demanda/retraimento e das intensas emoções negativas resultantes, típicas do sofrimento relacional. Considera que cada pessoa de uma relação em sofrimento usa estratégias de apego inseguras (por exemplo, criticar, atacar ou se afastar) para lidar com os efeitos negativos provocados pela ameaça de desconexão emocional. Assim, o principal objetivo da EFCT é, primeiro, ajudar cada pessoa do casal a compreender como as próprias emoções, necessidades e medos ligados ao apego, e os do outro, bem como os comportamentos de proteção resultantes, alimentam o ciclo negativo. Segundo, busca promover experiências corretivas nas quais cada pessoa recebe ajuda para expressar de forma vulnerável essas necessidades e esses medos de apego, e para responder a essa partilha vulnerável de maneira acolhedora e reconfortante. A premissa é que essas trocas vulneráveis aumentarão a segurança da relação e, por fim, diminuirão o sofrimento relacional (Wiebe e Johnson 2017). A EFCT usa diversas intervenções para aprofundar e ampliar as emoções ligadas ao apego e para apoiar sua partilha com a outra pessoa.

Apesar da popularidade de longa data e da eficácia comprovada da EFCT nas últimas quatro décadas, não se pode presumir o sucesso de sua transferência nem sua aceitabilidade em contextos culturais diversos, como os da África. Alguns estudos argumentam que a EFCT e a teoria do apego estão profundamente enraizadas em ideias ocidentais sobre relações amorosas e intimidade, que podem não coincidir plenamente com as visões de contextos culturalmente diversos (Lesch et al. 2013; Otto e Keller 2014). Além disso, embora a necessidade humana universal de conexão e pertencimento seja amplamente reconhecida, a pesquisa transcultural sustenta que a cultura tem papel importante na formação não só dos comportamentos de apego, mas também das normas sobre a expressão adequada das emoções em muitas culturas (Keller 2013; Rothbaum et al. 2000; Strand et al. 2019). Um exemplo pertinente são terapeutas de EFCT do estudo de Allan et al. (2023), que destacaram desafios de implementação da EFCT em contextos em que a partilha de emoções vulneráveis não é a norma cultural. Sabemos pouco, porém, se e como terapeutas de contextos africanos se identificam com o modelo da EFCT, e se poderiam aceitá-lo, já que ele concebe as parcerias amorosas comprometidas como vínculos de apego e prioriza a expressão verbal direta das emoções e a responsividade empática à emoção (Greenman e Johnson 2013).

3. O referencial teórico da aceitabilidade

Nossa exploração das experiências de profissionais ugandenses com a abordagem da EFCT foi guiada pelos princípios do Referencial Teórico da Aceitabilidade (Theoretical Framework of Acceptability, TFA) proposto por Sekhon et al. (2017). No TFA, a equipe de Sekhon argumenta que a implementação bem-sucedida de uma intervenção depende de sua aceitabilidade tanto para quem a recebe quanto para quem a oferece. Define aceitabilidade como “um construto multifacetado que reflete o grau em que as pessoas que oferecem ou recebem uma intervenção de saúde a consideram apropriada, com base em respostas cognitivas e emocionais antecipadas ou vivenciadas em relação à intervenção” (p. 1). No TFA, Sekhon et al. (2017) identificam sete construtos-chave da aceitabilidade: atitude afetiva, sobrecarga, eticidade, coerência da intervenção, custo de oportunidade, eficácia percebida e autoeficácia. Juntos, esses componentes moldam a forma como as pessoas (tanto profissionais quanto usuárias dos serviços) avaliam a aceitabilidade de uma intervenção e formam juízos sobre ela.

Além disso, nossa escolha do termo aceitabilidade também se inspirou na literatura da ciência da implementação (por exemplo, Aarons et al. 2011), segundo a qual o sucesso de uma intervenção em um novo contexto depende fortemente do grau em que as equipes que a praticam a aceitam e acreditam nela. Assim, no presente estudo, o TFA ofereceu uma lente estruturada e baseada em evidências para examinar como profissionais de saúde mental ugandenses percebiam a aceitabilidade e a ressonância potencial da EFCT em sua vida pessoal e em seus contextos culturais e profissionais.

4. O presente estudo e as perguntas de pesquisa

O presente estudo coletou dados qualitativos de profissionais de saúde mental ugandenses sobre suas visões e experiências com a abordagem da EFCT após uma formação realizada em julho de 2023. Nossa exploração foi guiada por duas perguntas de pesquisa: (1) Em que medida profissionais de saúde mental ugandenses consideraram os princípios da EFCT aceitáveis e ressonantes no plano pessoal? e (2) Qual é sua visão sobre a adequação cultural da EFCT em Uganda? Esta investigação representa uma contribuição importante para o crescente corpo de pesquisas sobre a aplicação dos princípios e ideias da EFCT em contextos culturalmente diversos (Allan et al. 2023; J. Young et al. 2023).

5. Métodos

Obtivemos aprovação do comitê de ética (IRB) da Universidade Makerere, instituição de pesquisa de Uganda. A equipe de pesquisa usou uma amostragem intencional, selecionando deliberadamente as pessoas a entrevistar a partir de uma lista de 81 profissionais que haviam concluído a formação em EFCT em Uganda. A amostragem intencional ajudou a garantir uma amostra diversa quanto à formação profissional, aos anos de experiência e ao contexto de atuação, e que incluísse as pessoas mais capazes de fornecer dados significativos para os objetivos do estudo (Campbell et al. 2020). Desse grupo de 81, selecionamos 30 e enviamos convite por e-mail para participar do estudo. Das 30, 23 aceitaram. Um link para um questionário no Qualtrics foi enviado por e-mail às pessoas interessadas, que preencheram ali um termo de consentimento e uma lista de características demográficas. Ao receber o formulário demográfico, um membro da equipe de pesquisa escrevia à pessoa para marcar a data da entrevista. Além do consentimento por escrito, cada pessoa deu consentimento verbal antes do início da entrevista.

5.1 Participantes

A amostra deste estudo foi composta por 23 PSM (60,9% mulheres; 39,1% homens), selecionadas entre 81 profissionais que concluíram o externship de EFT em Uganda em julho de 2023. A maioria das pessoas participantes (78,3%) se declarava cristã, 13,0% muçulmana e 4,3% de “outra” religião. Sessenta e dois por cento tinham registro como profissionais de saúde mental, 17,4% cursavam um programa de pós-graduação em saúde mental, 8,7% atuavam como paraprofissionais e 4,3% preferiram não informar sua situação profissional. Quanto à identidade profissional, a maior parte (39,1%) se identificava com a psicologia do aconselhamento, 30,4% com a psicologia clínica, 13,0% com o serviço social, 8,7% com a terapia de casal e família e 4,3% com “outra” área. Setenta e três por cento tinham mestrado, 17,4% graduação, 4,3% doutorado, e os 4,3% restantes não informaram a escolaridade. A maior parte (47,8%) tinha entre 35 e 44 anos, seguida de 34,8% entre 25 e 34 anos, 13% entre 44 e 54 anos e apenas 4,3% com 55 anos ou mais. Quanto ao tempo de prática, 56,5% atuavam havia mais de 5 anos, 26,0% entre 1 e 5 anos e apenas 17,4% havia menos de um ano. A maior parte (39,1%) trabalhava tanto no setor privado quanto em organizações sem fins lucrativos ou humanitárias, 34,8% em organizações sem fins lucrativos, 17,4% em consultório particular e 4,3% em universidades (por exemplo, na docência). Quarenta e sete por cento das pessoas participantes atendiam casais e famílias, 21,7% apenas pais e filhos, 13% crianças e adolescentes, 4,3% apenas casais, e os 13,0% restantes não especificaram o tipo de clientela.

5.2 Coleta de dados

Os dados sociodemográficos foram coletados por meio de um questionário no Qualtrics enviado por e-mail. As entrevistas qualitativas foram feitas via Zoom por três membros da equipe de pesquisa (R.A., E.L. e R.K.). Para garantir a consistência da coleta, a equipe elaborou um roteiro de entrevista semiestruturado com perguntas de aprofundamento, para captar as perspectivas subjetivas das pessoas entrevistadas. Depois de várias iterações e revisões, a equipe chegou a um roteiro final. As entrevistas foram feitas em inglês, gravadas em áudio, e duraram entre 45 e 60 minutos.

5.3 Posicionamento da equipe de pesquisa

Cada membro da equipe de pesquisa fez formação em EFT e teve um papel na organização e na realização da formação em Uganda. Por isso, a equipe conhecia as pessoas participantes, sem ter com elas uma relação próxima. Por exemplo, R.A. liderou a equipe que organizou a formação e tinha uma relação profissional estabelecida com as pessoas participantes por meio de sua associação, a UCA; E.L. foi a formadora principal durante os 4 dias do externship; P.G. e R.K. fizeram parte da equipe local de organização da formação e também participaram dela. Apesar dos possíveis riscos trazidos por nossos diferentes posicionamentos, como a desejabilidade social durante a coleta de dados, avaliamos que as vantagens superavam as possíveis limitações. Por exemplo, E.L. é a única formadora certificada em EFT com ampla experiência em formar profissionais de vários países africanos. Além disso, R.A. e E.L. têm ampla formação e experiência em métodos de pesquisa qualitativa. Por fim, três membros da equipe (R.A., P.G. e R.K.) são naturais de Uganda e conhecem bem a cultura ugandense, o que beneficiou a análise com um olhar de dentro da cultura (Suwankhong e Liamputtong 2015). As possíveis desvantagens desse olhar de dentro (por exemplo, vieses) foram, por sua vez, contrabalançadas pela contribuição de E.L., sul-africana e, portanto, de fora da cultura. Sua participação na análise enriqueceu o processo, trazendo uma perspectiva mais crítica e mais nova, menos influenciada por preconceitos sobre a cultura ugandense que o olhar de dentro às vezes não enxerga.

5.4 Análise dos dados

Todas as transcrições foram feitas por uma pessoa bilíngue, com formação, que atuava como assistente de pesquisa na pós-graduação. A análise dos dados foi realizada pelos quatro membros da equipe, segundo a metodologia de análise temática reflexiva (ATR) de Braun e Clarke (2023), para gerar temas que respondessem a cada uma das duas perguntas de pesquisa: (1) Qual foi a aceitabilidade e a ressonância da EFCT na vida pessoal de profissionais de saúde mental ugandenses? e (2) Qual é a visão dessas pessoas sobre a adequação cultural da EFCT em Uganda? Reconhecendo que a análise de dados qualitativos é intrinsecamente subjetiva, a ATR permitiu à equipe manter transparência sobre as formas como suas posições sociais, incluindo percursos de formação, conhecimentos prévios e vieses sobre o modelo EFT, a cultura ugandense e sua prática de saúde mental, se manifestavam na análise (Braun e Clarke 2023). Cada membro da equipe recebeu transcrições para revisar e se familiarizar com os dados, com a tarefa de registrar de forma reflexiva as primeiras impressões e códigos. Fizemos reuniões semanais para discutir os códigos iniciais, enquanto a codificação cruzada garantia a consistência. Examinamos também as interseções entre códigos para definir temas com mapas mentais e descrições concisas, e acompanhamos respostas recorrentes relevantes para as perguntas de pesquisa. Por fim, tivemos conversas reflexivas sobre nossos códigos e impressões iniciais. Por exemplo, em uma de nossas primeiras conversas sobre comentários de algumas pessoas participantes segundo os quais a população ugandense seria em geral “pouco emotiva” ou pouco “expressiva emocionalmente”, um membro ugandense da equipe alertou contra essas generalizações e argumentou que a população ugandense era emocionalmente expressiva, mas de formas culturalmente matizadas. Isso levou a equipe a uma leitura mais cuidadosa do material das entrevistas e a identificar que, em vez de uma falta geral de emotividade ou de expressão emocional, havia de fato diversas nuances. Algumas delas estão captadas nos temas e subtemas relacionados à segunda pergunta de pesquisa.

Após essas etapas, criamos e refinamos em conjunto um esquema final de codificação para cada pergunta de pesquisa. A etapa final consistiu em compilar uma lista definitiva de temas para cada pergunta, trabalhando de perto com os dados para construir os temas-chave que respondiam a cada uma delas.

6. Resultados

Nossa análise gerou três temas-chave para a primeira pergunta de pesquisa, isto é, a aceitabilidade e a ressonância da EFCT para profissionais no plano pessoal: (a) consciência da própria história de apego e de seu impacto persistente, (b) ferida coletiva e necessidade de trabalho com a pessoa do terapeuta (self-of-the-therapist, SOT) entre profissionais e (c) sensibilização às próprias experiências emocionais e às dos outros. Para a segunda pergunta, centrada na visão das pessoas participantes sobre a adequação da EFCT ao contexto ugandense, construímos os dois temas seguintes: (a) sintonia com as emoções e sua verbalização como algo fora da norma e (b) regras culturais que regem a expressão emocional. Para facilitar a identificação das citações, cada participante recebeu um identificador numerado de 1 a 23.

6.1 Pergunta de pesquisa 1: aceitabilidade e ressonância no plano pessoal

6.1.1 Consciência da própria história de apego e de seu impacto persistente

As pessoas participantes contaram que o que aprenderam na formação em EFCT as levou a refletir sobre a própria história de apego, incluindo feridas de apego não resolvidas e seu impacto persistente: “Para mim, com o externship, consegui identificar minhas próprias coisas negativas que foram determinantes na minha vida, que me fizeram agir de certa maneira. Então, identificá-las é uma das coisas mais importantes. … E me confrontar com elas também; acho que a cura está acontecendo pouco a pouco” (P9). Da mesma forma, P11 contou: “as coisas começaram a transbordar e as pessoas, eu inclusive, sentiram certa tensão, e aí percebi que tinha questões não resolvidas…”, enquanto P17 acrescentou: “Comecei a olhar para a minha infância, para acontecimentos que eu nunca tinha pensado que fossem traumas. E a relacioná-los com a forma como me afetam, especialmente no meu relacionamento” (P17).

O participante 7 falou do impacto persistente de suas questões emocionais não resolvidas sobre as pessoas queridas de hoje: “A EFT realmente tocou essas partes das emoções que talvez eu também esteja transferindo para meus filhos ou para minha esposa. Sabe, às vezes, acho que talvez eu os magoe, e não é a minha intenção, mas me pego magoando essas pessoas. Se você não cuida dessas questões, você vai acabar, sabe, estragando sua família, estragando seu casamento, sabe. Então eu sinto, hum, que foi pouco tempo, mas a EFT chegou ao meu apego pessoal com minha família.”

6.1.2 Sensibilização às próprias experiências emocionais e às dos outros

Muitas das pessoas participantes refletiram sobre como a experiência de aprender a EFCT provocou reflexão e autoconsciência sobre a própria vida emocional, como ilustram as várias vozes abaixo:

Aprendi a reconhecer minhas emoções e a comunicá-las. Cresci com medo de expressar o que sinto, achando que eu não devia sentir nem expressar nada.

(P17)

Além disso, algumas pessoas tomaram consciência da própria vida e das próprias experiências emocionais, mas também das de outras pessoas, como familiares próximos (por exemplo, filhos e cônjuges). Por exemplo, P18 disse: “Isso me fez prestar atenção em como meus filhos me respondem. … Agora presto mais atenção aos sentimentos deles, consigo apoiá-los”, enquanto a participante 10 contou o que passou a compreender sobre a própria relação conjugal: “…desde a formação, entendo agora que talvez eu precise expressar o que preciso dele. Eu me sinto vulnerável e consigo expressar minha vulnerabilidade. Que o que eu preciso é de apego, e talvez eu não saiba explicar melhor para que ele entenda. Então sinto que agora tenho mais recursos para expressar o que quero” (P10). Essa reflexão mostra um objetivo-chave da EFCT, que é ajudar as pessoas a reconhecer e modificar padrões negativos de interação, favorecendo vínculos emocionais seguros por meio de uma comunicação aberta e vulnerável com quem se ama.

Outras pessoas participantes reconheceram que essa nova consciência emocional, nos planos intrapessoal e interpessoal, tornou-se uma ferramenta poderosa de transformação de sua vida e de suas relações próximas, como ilustram as palavras de P12:

Para mim, transformou minha vida… a EFT é simplesmente um jeito de ser: se eu entendo os anseios de apego do meu cônjuge ou do meu filho e a espécie de dança que está acontecendo ali… Se eu desenvolver essa habilidade, consigo dançar junto.

6.1.3 Consciência da ferida coletiva e necessidade de trabalho com a pessoa do terapeuta

Muitas pessoas participantes contaram ter testemunhado e conhecido, durante a formação, a multiplicidade de traumas e vulnerabilidades de colegas. Reconheceram que o trabalho com a pessoa do terapeuta (SOT) talvez seja necessário em escala mais ampla para que profissionais de saúde mental de Uganda desenvolvam competência, conforto e confiança na aplicação do modelo EFCT em seu trabalho clínico. Inspirando-nos no trabalho de Murray Bowen em terapia familiar multigeracional, usamos o conceito de SOT para nos referir às questões e experiências pessoais que terapeutas trazem para o trabalho clínico, e que podem afetar a terapia de forma positiva ou negativa (Laszloffy e Davis 2019). Referindo-se ao que algumas pessoas do estudo descreveram como “ferida coletiva”, decorrente de experiências passadas de terapeutas (na família de origem, nas relações amorosas ou na vida em geral), uma pessoa terapeuta relatou:

Descobri que nós, terapeutas em Uganda, somos curadores feridos. Passamos por muita coisa; isso ficou claro durante a formação, vi terapeutas desmoronarem e chorarem ao falar das experiências do passado, ficou tão emotivo que as pessoas começaram a trazer suas questões reais, que acho que vinham reprimindo havia muito tempo.

(P11)

A percepção da importância das emoções, das lutas e das feridas levou as pessoas participantes a reconhecer a necessidade urgente de um espaço seguro dedicado a priorizar o crescimento pessoal por meio do trabalho com a pessoa do terapeuta, como formulou esta pessoa:

Lembro que algumas perguntas eram dirigidas diretamente a nós (perguntas de SOT)… Eram muito tocantes, não dava para fugir delas, embora eu achasse que precisavam de um ambiente mais seguro, como fazer terapia nós mesmos.

(P18)

Algumas pessoas descreveram uma vivência profundamente significativa e vulnerável do modelo EFCT, sobretudo nas sessões em pequenos grupos, em que podiam partilhar as próprias experiências. Estar nesse espaço seguro com outras pessoas em formação em EFT e outras pessoas da profissão que passavam pela mesma experiência permitiu-lhes mostrar vulnerabilidade e viver uma genuína “cura”, como expressou P14:

Muita gente no nosso grupo falou de coisas que as machucavam lá no fundo. Dizendo que era a primeira vez que faziam isso. Então foi algo curativo para a maioria de nós… Tive a chance de falar de algumas dessas coisas na formação. E a pessoa que facilitava o nosso pequeno grupo me incentivou a buscar terapia, o que vou fazer. Se não fosse a EFT, onde eu teria recebido esse tipo de retorno? Foi por causa da EFT que me senti à vontade para partilhar com colegas de profissão.

6.2 Pergunta de pesquisa 2: adequação da EFCT ao contexto cultural ugandense

Além da ressonância do modelo na vida pessoal das PSM, destacada no tema anterior, as pessoas participantes também consideraram os princípios do modelo relevantes para o contexto ugandense. Enfatizaram em especial a universalidade das emoções, eloquentemente expressa por P14: “somos seres emocionais como humanos. … todos temos emoções. Um ser humano sem emoções é como um galão sem água.” P12 ecoou essa universalidade ao dizer que, mesmo que as emoções não sejam reconhecidas, talvez por causa da cultura, “não acho que dê para fugir delas. A gente continua sentindo raiva, ciúme, felicidade, sabe, comemorando, sentindo alegria…”. Algumas pessoas também estavam convencidas dos benefícios terapêuticos de focar a experiência emocional de quem busca atendimento e disseram: “se houver orientação para fazer isso, especialmente na terapia, usando a EFT, acho que seria muito poderoso. Porque, se alguém está em contato com seu mundo emocional, isso é poderoso no processo de cura” (P9).

Acreditavam, porém, que poderia ser difícil ajudar clientes ugandenses a acessar, vivenciar e expressar sua experiência emocional na terapia de casal. Discernimos dois temas entrelaçados nos relatos desses desafios: (i) sintonizar-se com as experiências emocionais e verbalizá-las não é a norma e (ii) regras culturais para a expressão emocional.

6.2.1 Sintonizar-se com as experiências emocionais e verbalizá-las não é a norma

De modo geral, as pessoas participantes entendiam que a consciência e a expressão emocionais não eram a norma no contexto cultural ugandense. Por exemplo, P6 disse que “o povo africano” não está “muito à vontade com a nossa expressão emocional”, e P18 formulou assim: “Nossa cultura não é muito expressiva emocionalmente”, enquanto P12 pensava que:

Sei que as pessoas sentem seus sentimentos… mas acho que é mais, só, verbalizar isso no momento, sentar com isso de fato em algum momento…, acho que para muitos de nós essa consciência… o vocabulário emocional… não só o vocabulário, mas a autoconsciência das diferentes emoções é o problema…

Para essa pessoa, a questão central não era necessariamente a ausência de emoções ou de profundidade emocional, mas a dificuldade de verbalizar essas emoções de forma construtiva e acessível. Essa distinção é crucial e se alinha a um dos princípios-chave do modelo EFCT, que enfatiza não apenas vivenciar as emoções, mas expressá-las de formas que favoreçam compreensão e conexão.

Além disso, as pessoas participantes também reconheceram as próprias dificuldades para trabalhar com emoções na terapia, como a falta de formação e de autoconsciência das próprias emoções:

P14: Não temos formação para lidar com emoções. Também não nos conhecemos… nossas próprias emoções, então me pergunto como podemos ajudar os outros quando também temos questões. Então a formação me ajudou a refletir sobre minhas próprias emoções, e também sobre as emoções de Uganda como um todo.

P18: … nossos clientes aqui simplesmente têm medo das emoções, e o mesmo vale para nós, terapeutas. Às vezes não queremos colocar nossos clientes naqueles momentos em que estão sentindo a dor.

Algumas pessoas participantes atribuíram a marginalização cultural da experiência emocional à pobreza material de grande parte da população ugandense e, portanto, à priorização das necessidades básicas de sobrevivência:

P2: Penso no nosso país, e as pessoas passaram por muita coisa. Então, quando a vida é dura… sentir os próprios sentimentos é um privilégio. … mas pense em alguém que (estala os dedos) “a vida é dura, preciso seguir em frente, isso precisa acontecer, preciso sobreviver”, “sei que estou com raiva, sei que estou triste, sinto vergonha, não tenho tempo, preciso passar para a próxima coisa”.

6.2.2 Regras culturais para a expressão emocional

Embora muitas pessoas entrevistadas tenham descrito a população ugandense como em geral “pouco emotiva” ou pouco “expressiva emocionalmente”, uma leitura mais cuidadosa das respostas indicou que, em vez de uma falta geral de emotividade ou de expressão emocional, havia regras culturais que orientavam a expressão emocional. Essas regras determinavam que (i) algumas emoções eram mais aceitas do que outras e, além disso, que (ii) as regras estavam entrelaçadas com crenças de gênero, como apresentado a seguir.

Algumas emoções são mais aceitáveis de expressar. P2 disse: “Acho que temos uma hierarquia quando se trata de emoções” e distinguiu “coisas que tudo bem expressar e coisas que é mais difícil expressar”. P14 distinguiu emoções aceitáveis e inaceitáveis usando as descrições “normais” e “anormais”: “Há emoções vistas como normais e outras como anormais, dependendo da pessoa.” Da mesma forma, a participante 10 diferenciou emoções “positivas” e “negativas”: “As emoções negativas, você não deve expressar. Mesmo as positivas, até para dizê-las em voz alta, é preciso ter cuidado.” P9 usou o termo “vergonhoso” e disse: “No contexto ugandense, algumas emoções são vergonhosas, tipo, às vezes você não precisa expressar amor em público. Sabe, homens não se abraçam em público…” As visões dessas pessoas refletem normas culturais predominantes na maior parte de Uganda, que tendem a regular a expressão emocional, sendo tanto as emoções negativas quanto as positivas muitas vezes reprimidas ou expressas com cautela. Isso evidencia um contexto de contenção emocional, possivelmente enraizado em valores culturais que priorizam a harmonia, a modéstia ou o decoro social, e que pode influenciar as relações interpessoais e as dinâmicas terapêuticas. Como em muitos outros contextos no mundo, as pessoas participantes pareciam usar os termos “emoções” ou “emocional” como sinônimos de emoções vulneráveis, e enfatizaram que a expressão dessas emoções é vista como fraqueza e muitas vezes motivo de vergonha no contexto ugandense. Segundo P5, “Aqui as emoções são vistas como fraqueza. Você é fraco. Você chora. Alguém vai te chamar de chorão.” Da mesma forma, P20 disse que, se homens demonstrassem tristeza, ouviriam: “Você é um bebê…? Vão te rebaixar e mandar você ser homem.”

Regras emocionais de gênero.

As regras para a expressão emocional estavam estreitamente ligadas ao gênero: segundo as pessoas participantes, a aceitabilidade da expressão emocional na maior parte de Uganda variava muito entre os sexos, isto é, entre homens e mulheres. Por exemplo, várias pessoas observaram que a tristeza e o choro eram especialmente proibidos para os homens: “para os homens, é sinal de fraqueza, … em geral é sinal de fraqueza. ‘Homem não chora.’ Lembre de quando te criavam: você aprende ‘homem não chora’ desde a infância” (P15). O participante 14, um homem, trouxe isso para o plano pessoal: “Sei que a gente tem dificuldade, principalmente como homens. A gente sofreu tanto. Então existem emoções de gênero… Essas emoções, tudo bem um homem manifestar; essas outras, tudo bem as mulheres manifestarem. … um homem mostrar que está com medo, assustado, chorar… essas emoções suaves são vistas como fraqueza. Se um homem mostra essas emoções, é visto como não sendo homem o bastante.”

Curiosamente, era aceitável que os homens demonstrassem raiva, mas não as mulheres:

P9: dizem que é meio inaceitável, mulheres expressarem raiva… homens podem expressar raiva, frustração, então você vê muitas vezes homens batendo na mesa, jogando coisas, porque a frustração e a raiva são aceitáveis para eles, mas quando uma mulher faz isso, ela é louca. E, no entanto, também é uma expressão emocional…

A participante 10 explicou que as mulheres não podiam expressar raiva porque “isso significa que você quer ser a autoridade. Você [referindo-se a uma mulher] precisa se submeter, precisa ficar por baixo, de modo que, mesmo com raiva, você não demonstra. ‘Eu te bati, você está com raiva, vai cozinhar para mim.’ Você pode estar com raiva, mesmo quando chegam visitas, não deve demonstrar. Porque, de certa forma, é como se você estivesse competindo com a autoridade.” Em linha com essas expectativas de gênero de submissão das mulheres aos homens, P2 se perguntava como uma ênfase terapêutica na valorização e no incentivo à expressão de uma ampla gama de emoções, tanto para homens quanto para mulheres, funcionaria diante do desequilíbrio de poder que caracteriza muitos casais ugandenses:

Porque o pressuposto da EFT é que temos poder compartilhado, que o poder é igual, e não é. Sabe, não é, não é poder igual, especialmente aqui (em Uganda). Por mais instruída que você seja como mulher, seu marido tem todo o poder e você sabe disso. … quando existe esse desequilíbrio de poder, não é fácil levar a mulher a ser vulnerável de certas maneiras, como dizer a ele certas coisas que estão afetando os dois na relação.

Em conjunto, as visões dessas pessoas refletem normas sociais ugandenses mais amplas que tendem a desencorajar a expressão emocional aberta, perpetuar a repressão emocional e reforçar papéis de gênero rígidos. Essas dinâmicas culturais podem criar desafios para a implementação de modelos como a EFCT, que enfatizam a vulnerabilidade e a abertura emocionais como alicerces da mudança terapêutica e do apego seguro nas relações íntimas.

7. Discussão

O principal objetivo deste estudo foi explorar a aceitabilidade dos princípios da EFCT entre profissionais de saúde mental ugandenses após uma formação no modelo. O primeiro achado do estudo mostrou que essas pessoas se conectaram intuitivamente com o modelo da EFCT e foram levadas a refletir de forma significativa sobre vários aspectos de sua vida pessoal, como a própria história de apego e as relações atuais. Esse achado se alinha aos de outros estudos sobre a EFCT em contextos culturais diversos, como o de Allan et al. (2023), em que muitas pessoas terapeutas constataram que aprender a abordagem da EFCT as ajudou a examinar a fundo suas experiências de vida como base de uma prática de EFCT culturalmente responsiva. Segundo a equipe de Allan, esse processo autorreflexivo ajuda terapeutas não só a compreender os próprios padrões emocionais, mas também a se engajar de forma mais autêntica com quem atendem, sobretudo ao adaptar a EFCT a contextos culturalmente diversos. Essa consciência é fundamental para terapeutas ugandenses que estão começando no modelo EFCT, pois ajudará a ampliar sua capacidade de se conectar de forma autêntica consigo e de forma empática com as pessoas atendidas, navegando pelas nuances culturais singulares dos contextos terapêuticos em Uganda.

7.1 Sensibilização às próprias experiências emocionais e às dos outros

Muitas das pessoas participantes também relataram que a experiência de aprender a EFCT aprofundou, de maneira significativa, a consciência tanto das próprias emoções quanto das emoções alheias. Essa abertura para tomar consciência das próprias emoções e refletir sobre elas também foi identificada em estudos como o de Rodríguez-González et al. (2020), em que profissionais relataram que, após a formação, tinham maior abertura aos próprios sentimentos, desenvolveram autocompaixão e melhoraram suas relações pessoais, inclusive com mais expressividade e afeto com familiares. Da mesma forma, em Sandberg e Knestel (2011), 122 terapeutas de língua espanhola que aprendiam a EFCT relataram relações mais fortes em vários domínios, incluindo melhores interações com parceiros amorosos, filhos e pais, além de cura de traumas passados. Outros estudos, como o de Koren et al. (2022), enfatizaram o impacto da EFCT no crescimento relacional e individual de terapeutas, com participantes descrevendo como a formação ampliou sua sintonia emocional, sua autenticidade e suas dinâmicas relacionais na própria vida e na vida de clientes. Em um contexto como Uganda, onde a terapia de casal ainda está no início, o crescimento pessoal e a autoconsciência que a formação em EFCT promove em terapeutas tendem a incentivar a adoção e a implementação do modelo. Esse desenvolvimento profissional promete aumentar a aceitação e a integração da EFCT entre os casais locais, simplesmente porque terapeutas que internalizam intuitivamente os princípios da EFCT e os encarnam têm mais condições de demonstrar sua relevância e eficácia no trabalho com pessoas e casais (Sandberg et al. 2020).

Além disso, a formação em EFCT teve impacto na autoconsciência e na reflexão das PSM sobre sua “ferida” emocional e sobre a necessidade evidente de trabalho com a pessoa do terapeuta. Dinâmicas socioculturais e sistêmicas relevantes podem influenciar esse achado. Primeiro, em muitas sociedades africanas coletivistas, como Uganda, a expressão emocional pessoal e a introspecção costumam ser relegadas a segundo plano em favor da resiliência coletiva, da harmonia comunitária e do cumprimento de papéis socialmente prescritos (Basnight-Brown et al. 2022; Evans et al. 2017). Esses valores culturais priorizam a coesão do grupo e a estabilidade relacional em detrimento da exploração, da vivência e da expressão emocionais individuais, sobretudo em contextos pessoais e interpessoais.

É provável que essa ênfase coletiva deixe dificuldades emocionais pessoais sem tratamento entre as PSM ugandenses, que podem enfrentar a pressão e a expectativa de se manter firmes e inabaláveis diante de quem atendem. Consequentemente, a formação em EFCT, que convidou à autorreflexão sobre as dinâmicas pessoais de apego e a emocionalidade dos profissionais, levou essas pessoas a confrontar questões pessoais não elaboradas, o que por sua vez favoreceu a consciência das próprias feridas emocionais e da importância terapêutica do trabalho com a pessoa do terapeuta. Futuras formações em EFCT e o apoio às PSM ugandenses que implementam a EFCT deveriam, portanto, incentivar e apoiar o trabalho com a pessoa do terapeuta. Essa recomendação se alinha a estudos que demonstraram a importância desse trabalho para terapeutas, sobretudo em contextos coletivistas de baixa renda (Ballo e Tribe 2023). Esses estudos sustentam que a consciência das próprias vulnerabilidades e da história pessoal é essencial para um trabalho terapêutico eficaz. A questão é ainda mais marcante em culturas mais coletivistas e voltadas para a comunidade, em que terapeutas podem internalizar inconscientemente o sofrimento de clientes como parte de sua responsabilidade social.

Mais importante ainda, a EFT se destaca entre os modelos de psicoterapia por colocar a pessoa do terapeuta no centro de sua prática. A EFT enfatiza a capacidade de terapeutas de se sintonizar com seu mundo emocional interno, incluindo feridas de apego passadas e presentes. Diferentemente de outras abordagens, a EFT forma explicitamente terapeutas para um trabalho emocional profundo, com o objetivo de ajudar a reconhecer as próprias vulnerabilidades emocionais, prevenir a contratransferência e ampliar a capacidade de construir vínculos terapêuticos seguros com clientes (Zeytinoglu-Saydam e Niño 2019). Essa ênfase singular no trabalho com a pessoa do terapeuta, somada a um sólido apoio empírico, distingue a EFT como um modelo que prioriza tanto a experiência emocional de terapeutas quanto a de clientes para alcançar uma mudança terapêutica significativa. Ao colocar a consciência emocional de terapeutas no coração de uma prática eficaz, a EFT destaca a importância da introspecção pessoal para criar uma experiência terapêutica verdadeiramente transformadora.

7.2 Ressonância da EFCT com o contexto ugandense

7.2.1 Sintonizar-se com a própria experiência emocional e verbalizá-la não é a norma

As PSM ugandenses reconheceram a importância de trabalhar com as emoções e afirmaram a necessidade desse trabalho para uma terapia eficaz em seu contexto. No entanto, também anteciparam desafios decorrentes tanto das limitações de clientes quanto das suas próprias em relação à sintonia emocional, à linguagem e à expressão. Essa preocupação ecoa os achados de Allan et al. (2023), em que terapeutas formularam obstáculos semelhantes à adoção da EFCT em seus contextos culturais específicos. Além disso, a pesquisa de Sandberg et al. (2020) mostrou experiências contrastantes entre terapeutas: profissionais de EFCT de língua inglesa muitas vezes achavam o foco emocional contraintuitivo, enquanto colegas de língua espanhola o viam em harmonia com as normas culturais latinas. Essas observações ressaltam as diferenças culturais na expressão emocional, sobretudo na comparação entre culturas individualistas e coletivistas. Por exemplo, estudos indicam que em Gana a expressão emocional é menos priorizada na vida cotidiana (Dzokoto 2010), e a pesquisa mostra que culturas ocidentais individualistas em geral associam mais as experiências emocionais positivas à satisfação com a vida do que suas contrapartes coletivistas africanas e orientais. Na maioria das culturas individualistas, tanto as expressões emocionais positivas quanto as negativas são valorizadas, enquanto culturas coletivistas, como muitas na África, costumam enfatizar a contenção emocional e/ou a comunicação emocional indireta (Basnight-Brown et al. 2022).

Para lidar com essas normas culturais, terapeutas de EFCT do estudo de Allan et al. (2023) sugeriram adaptar a linguagem aos costumes locais e defenderam a integração de uma gama mais ampla de teorias da emoção aos programas de formação. Da mesma forma, Hattori (2015) desenvolveu um modelo de EFCT culturalmente sensível para casais japoneses. Esse modelo enfatiza a harmonia social e a importância da psicoeducação sobre emoções e apego para clientes que possam vir de contextos com vocabulário ou expressão emocional limitados. A abordagem de Hattori reduziu de forma eficaz as barreiras culturais à comunicação de emoções negativas entre casais. Outras equipes, como a de Allan et al. (2023), delinearam princípios orientadores para a clínica diante das diferenças culturais na prática da EFCT, enfatizando que a autoconsciência de terapeutas, a competência cultural e a abertura para compreender o contexto cultural de clientes, incluindo os significados associados às normas sociais de expressão emocional, são essenciais para uma prática de EFT culturalmente sensível. Resta explorar se essas estratégias seriam úteis no contexto ugandense.

7.2.2 Regras culturais para as emoções

As experiências partilhadas pelas pessoas participantes do estudo revelam as regras socioculturais implícitas em torno das emoções e de sua expressão, que é crucial considerar ao implementar o modelo EFCT em Uganda e em contextos africanos igualmente diversos. Essas normas definem quais emoções são consideradas aceitáveis e quais são desencorajadas, e o gênero surge como influência-chave. Em consonância com a pesquisa antropológica e psicológica, as pessoas tendem a expressar as emoções culturalmente sancionadas, e as regras sobre o que é culturalmente apropriado ou não expressar diferem e também tendem a ser marcadas pelo gênero nos diversos contextos culturais (Deng 2019; Immordino-Yang et al. 2016). Nossos achados refletiram uma concordância geral de que, embora a raiva fosse considerada aceitável para homens em Uganda, era muitas vezes malvista nas mulheres.

Apesar de uma noção difundida de que as emoções, sobretudo as negativas, seriam amplamente desaprovadas em contextos africanos, essa caracterização simplifica demais uma realidade mais matizada. Em Uganda, como em muitas culturas africanas, as emoções não são rejeitadas de todo, mas reguladas conforme o contexto e expressas de formas socialmente aceitáveis e culturalmente significativas. Por exemplo, emoções como vergonha ou raiva podem ser desencorajadas em público para preservar a harmonia comunitária, marca de muitos contextos coletivistas. Ainda assim, essas emoções muitas vezes são canalizadas por formas culturalmente enraizadas, como provérbios, rituais e narrativas (Lozada 2024).

Importante: a diversidade de Uganda, como a de muitos países africanos, faz com que as normas emocionais estejam longe de ser uniformes. A África abrange mais de 54 países, milhares de grupos étnicos e uma rica variedade linguística e ritual. Um estudo recente sobre a percepção das emoções em 15 línguas africanas confirmou essa diversidade, mostrando diferenças marcantes no tamanho dos textos, na polaridade dos sentimentos, nas combinações de emoções e na intensidade (Ahmad et al. 2025). Por exemplo, os textos emotivos em somali tendiam a ser mais longos, as línguas nigerianas continham mais sentimento negativo e combinações universais de emoções, como raiva–nojo, apareciam em todas as línguas. Enquanto as línguas bantas apresentavam padrões de intensidade semelhantes, as línguas afro-asiáticas e o pidgin nigeriano mostravam maior variação. Esses achados ressaltam a necessidade de abordagens informadas cultural e linguisticamente ao estudar a expressão emocional em contextos africanos ou ao trabalhar com ela.

Podem-se traçar paralelos com o contexto dos Estados Unidos, onde a discriminação racial sistêmica moldou as normas emocionais entre afro-americanos. Nightingale et al. (2019) descrevem o uso de “máscaras de sobrevivência” para ocultar emoções vulneráveis como autoproteção. Na EFCT, recomenda-se a terapeutas que atendem casais negros validar a necessidade dessas estratégias de proteção, ao mesmo tempo que promovem a segurança necessária para a vulnerabilidade emocional dentro da relação.

Além disso, embora grande parte da pesquisa sobre emoções venha do Ocidente e muitas vezes retrate as culturas ocidentais como mais expressivas emocionalmente, esse pressuposto ignora restrições importantes. As normas ocidentais também regulam as emoções, e certas expressões “negativas”, como a tristeza masculina ou a vulnerabilidade em público, costumam ser estigmatizadas. Em suma, vale notar que, tanto em contextos africanos quanto ocidentais, valores culturais e expectativas sociais determinam quando, como e quais emoções são expressas. Isso reforça a necessidade de profissionais com sintonia cultural, se a EFCT pretende ser relevante e aplicável em Uganda e em outros contextos africanos.

Nosso achado de que homens em Uganda associam a expressão de emoções vulneráveis à fraqueza é coerente com a pesquisa mais ampla sobre homens e masculinidade (Holmes 2015). Em muitas sociedades africanas, a masculinidade está fortemente ligada a ser racional, forte, resiliente e menos emotivo (Morrell et al. 2013; Ratele 2021). Por exemplo, um estudo que explorou a ressonância da EFCT em um grupo de casais sul-africanos não brancos constatou que os homens negros, nesse contexto africano, eram muitas vezes percebidos como mais racionais e menos emotivos (Lesch et al. 2018). Essa percepção social se alinha a expectativas tradicionais mais amplas de que os homens africanos cumpram papéis culturalmente prescritos de protetores e provedores (Kiselica et al. 2016). Consequentemente, emoções vulneráveis como tristeza, medo e dor costumam ser consideradas incompatíveis com os ideais masculinos africanos, e sua expressão pode ser vista como algo que mina a autoridade ou a confiabilidade de um homem. Nesse contexto, a contenção emocional provavelmente é vista por muitos homens ugandenses como essencial para preservar o status social e a autoridade familiar. Na mesma linha, nosso achado de que certas emoções, como a raiva, eram consideradas mais aceitáveis para homens ugandenses do que para mulheres, e vice-versa, se alinha à pesquisa transcultural que indica que a raiva costuma ser mais aceita nos homens, enquanto a tristeza é vista como mais apropriada para as mulheres (Chaplin 2015). Nos Estados Unidos, homens afro-americanos muitas vezes são socializados para se desligar emocionalmente em resposta à adversidade sistêmica (Nightingale et al. 2019), o que ressalta normas de gênero culturalmente específicas em torno da expressão emocional.

7.3 Limitações do estudo

Talvez a principal limitação do estudo seja não ter incluído casais em atendimento de EFCT, já que esta foi a primeira formação em EFCT em Uganda. Nossos dados refletem apenas as perspectivas de profissionais ugandenses com formação em EFCT, que oferecem ou oferecerão terapia de casal. Por isso, no momento da redação deste artigo, não conseguimos determinar como o modelo poderia ser recebido pela população mais ampla, além do que essas pessoas relataram, o que limita a generalização dos achados. Segundo, não coletamos as perspectivas das 81 pessoas formadas em EFCT, o que pode ter limitado a gama de experiências representadas. Além disso, dado o foco principal do estudo, não conseguimos captar toda a amplitude da rica diversidade cultural de Uganda, um desafio em um país com mais de 17 grandes etnias e 56 línguas. Embora as pessoas participantes representassem várias subculturas de Uganda, a maioria vivia e trabalhava em áreas urbanas, o que pode ter influenciado suas perspectivas e, assim, limita a aplicabilidade dos achados a comunidades mais rurais ou sub-representadas. Em conjunto, essas limitações restringem ainda mais a generalização do estudo. Os achados devem, portanto, ser usados como exploratórios e provisórios, e como base para estudos de maior escala, que incluam amostras grandes de pessoas usuárias do modelo, como casais ugandenses.

7.3.1 Implicações para a pesquisa

Como nosso estudo questiona o pressuposto comum de que a população ugandense, como muitas populações africanas, evita expressar emoções, pesquisas futuras deveriam explorar os contextos culturais matizados em que a expressão emocional ocorre. Seria possível investigar como regras culturais implícitas moldam a expressão emocional em diferentes contextos, como dinâmicas familiares, relações amorosas ou ambientes profissionais. Além disso, estudos futuros poderiam explorar como essas regras culturais variam entre gerações, entre populações rurais e urbanas e entre os diferentes grupos étnicos de Uganda.

Na mesma linha, estudos futuros deveriam investigar como os casais ugandenses, em suas relações íntimas, expressam de forma singular emoções vulneráveis, como afeto, dor e mágoa. Compreender essas formas culturalmente matizadas de expressar emoção e afeto ofereceria uma compreensão mais abrangente da expressão emocional em Uganda, poderia questionar generalizações sobre a contenção emocional nas culturas africanas e, assim, orientar adaptações culturais específicas dos princípios da EFCT para uma aplicação ampla e contínua em Uganda. Além disso, como as expectativas culturais tradicionais de masculinidade em Uganda (encarnar traços como dureza, estoicismo e menor emotividade), sobretudo nas relações amorosas, podem limitar a expressão emocional dos homens e afetar seus papéis de parceiros e pais, a pesquisa deveria explorar as formas singulares pelas quais os homens ugandenses lidam com suas emoções e as expressam, especialmente nas relações íntimas. Ao examinar essas formas singulares, a pesquisa poderia oferecer subsídios valiosos para práticas de terapia de casal culturalmente aceitáveis em Uganda.

Além disso, a avaliação da aceitabilidade da EFT em Uganda deveria considerar, como ponto-chave, como a EFCT é recebida por casais em um contexto multicultural como o de Uganda, onde perspectivas e normas diversas sobre intimidade, conexão e expressão emocional são influenciadas por outros fatores contextuais, como origem étnica, nível socioeconômico e gênero. Uma pergunta central de pesquisa poderia ser: como os casais ugandenses percebem o modelo EFCT para ajudá-los a compreender e atravessar o sofrimento relacional em meio a essas dinâmicas culturais?

7.3.2 Implicações para a prática e a formação

Passos decisivos precisam ser dados pela prática em Uganda para que a EFT se expanda. Antes de tudo, é preciso que as próprias pessoas terapeutas se sintam à vontade para vivenciar emoções vulneráveis e apoiem clientes a fazer o mesmo. Em segundo lugar, cabe fazer psicoeducação com clientes sobre a função das emoções e, por fim, desenvolver nas línguas locais um vocabulário para emoções específicas. Essas contribuições poderiam melhorar a expressão e a compreensão emocionais de clientes, tornando a EFCT mais acessível e eficaz.

Além disso, terapeutas ugandenses deveriam reconhecer e valorizar a diversidade de perspectivas sobre relações, emoções e expressão emocional moldadas pelas dinâmicas socioculturais, políticas e econômicas existentes (Nightingale et al. 2019). Isso é especialmente relevante para a clínica em Uganda e em outros contextos culturalmente diversos, para quem planeja incorporar a abordagem da EFCT à prática. Em Uganda, onde valores culturais coletivos predominam e influenciam fortemente as relações interpessoais e as regras de expressão emocional, é crucial manter a consciência dos valores eurocêntricos e individualistas ligados ao vínculo e à expressão emocional e evitar impô-los. Para mitigar esse risco, recomendamos a terapeutas ugandenses que usam a EFCT que se engajem em supervisão de EFT contínua e culturalmente responsiva e em trabalho com a pessoa do terapeuta (Allan et al. 2023; Wang 2024).

Além disso, terapeutas ugandenses com interesse pela EFCT deveriam buscar formas de integrá-la a práticas indígenas que há muito se mostram eficazes na resolução de conflitos conjugais. Por exemplo, um estudo recente com casais cristãos em Uganda indicou que a maioria integrava valores cristãos a práticas culturais tradicionais (por exemplo, buscar orientação de pessoas mais velhas de confiança) para resolver conflitos conjugais, e que essa integração aumentava a eficácia da resolução de conflitos entre esses casais em Uganda (Akurut 2022). Assim, sustentamos que compreender e integrar práticas indígenas culturalmente relevantes a abordagens terapêuticas contemporâneas como a EFCT pode aumentar a eficácia e a aceitação mais ampla do modelo em Uganda. Um último ponto diz respeito a futuras formações, supervisão e mentoria. Diferentemente de outros modelos de psicoterapia, a EFT é aprendida de forma mais eficaz em uma comunidade de apoio, em que é possível aprender entre pares, receber supervisão e partilhar a prática. Para que a prática da EFT em Uganda cresça e se expanda, criar essas redes poderia favorecer o desenvolvimento de habilidades, oferecer orientação e promover a colaboração dentro da profissão.

7.3.3 Implicações para as políticas públicas

Uganda é um dos poucos países africanos com uma política de saúde mental sólida, atualizada recentemente em 2019, que ampliou o acesso aos serviços de saúde mental, inclusive em áreas rurais (Kikooma et al. 2024). Embora esse progresso seja animador, agora é crucial que o governo e os formuladores de políticas primeiro reconheçam e depois apoiem novas modalidades de psicoterapia relacional, como a EFCT. Embora várias PSM ugandenses já tenham tido acesso à formação em EFCT, o governo deveria firmar parcerias com associações locais de saúde mental (como a Uganda Counseling Association) para apoiar de forma contínua iniciativas voltadas a novas pesquisas e à adaptação cultural dessa abordagem aos diversos grupos étnicos de Uganda.

7.4 Considerações de implementação

As implicações acima devem ser examinadas junto com considerações práticas-chave de implementação. Primeiro, como Uganda ainda é um país de baixa renda, o custo e a acessibilidade continuam sendo grandes barreiras à frequência regular à terapia. Mais especificamente, embora a EFCT seja descrita como uma modalidade breve de terapia de casal (Johnson 2012), o número de sessões necessário para implementar o modelo de forma eficaz impõe desafios significativos à clínica com pessoas que não podem se comprometer com sessões regulares ou com mais do que algumas sessões. Além disso, terapeutas ugandenses também precisam lidar com preocupações de confidencialidade e determinar formatos de terapia culturalmente preferidos. Isso torna ainda mais necessária a adaptação (por exemplo, de um tratamento de longo prazo para um de curto prazo) para uma implementação eficaz e sustentável do modelo nesse contexto sociocultural singular. Outra consideração importante é o estigma. O estigma em saúde mental ainda é prevalente em Uganda, o que provavelmente complicará ainda mais o engajamento de clientes na EFCT (Asiimwe et al. 2023). No entanto, a EFT é promissora por suas técnicas singulares, como a validação, que poderiam ser usadas para enfrentar o estigma e romper barreiras à busca de ajuda. A terceira e última consideração importante é o contexto multilíngue de Uganda, com mais de 56 línguas reconhecidas faladas no país. A ausência de uma língua nacional unificadora complica ainda mais a comunicação nos contextos terapêuticos, sobretudo nas áreas rurais. Embora o inglês seja reconhecido como língua oficial de Uganda, ele é aprendido sobretudo na educação formal, o que o torna inacessível para muitas pessoas em comunidades com baixa escolaridade (Ssentanda 2014). Essa diversidade linguística, embora mereça ser celebrada, representa um desafio significativo para a implementação da EFCT, sobretudo nas áreas rurais de baixa renda de Uganda. Para que o modelo seja adotado de forma eficaz, terapeutas talvez precisem adaptar o modelo e suas técnicas às línguas locais e levar em conta os diferentes níveis de alfabetização, para garantir engajamento e compreensão reais.

8. Conclusão

Nossa exploração da EFCT no contexto ugandense revelou tanto oportunidades quanto desafios para sua implementação. As visões das PSM ugandenses ressaltam a necessidade de continuar pesquisando a adequação cultural do modelo, incluindo se e como a EFCT pode precisar ser adaptada para integrar valores locais, normas relacionais e comportamentos de busca de ajuda. Estudos futuros poderiam incluir casais ugandenses que vivenciem de fato a EFCT, para compreender melhor sua relevância e eficácia na prática. Embora as pessoas participantes vissem a EFCT como uma abordagem promissora em sua prática pessoal e profissional, sua aplicação bem-sucedida dependerá de sistemas de apoio sustentáveis para quem recebeu a formação e da integração cuidadosa das práticas indígenas. Além disso, também é importante identificar competências essenciais para terapeutas de orientação sistêmica que praticam a EFCT em Uganda e considerar como a formação e a supervisão podem diferir entre contextos. À medida que Uganda continua a desenvolver suas políticas de saúde mental, apoiar a adaptação de abordagens relacionais como a EFCT será crucial para atender às necessidades de saúde mental e relacional, sempre crescentes e complexas, de casais e famílias nesse contexto diverso e em evolução.

Complexe Systémique: a reter

O estudo olha a implantação de um modelo a partir da base: antes de perguntar se a EFCT serve aos casais ugandenses, ouve terapeutas que acabam de receber a formação. Primeira constatação, que qualquer pessoa que forma para a clínica sistêmica reconhecerá: um modelo centrado no apego toca primeiro a história de quem o aprende, a ponto de revelar uma “ferida coletiva” e a necessidade de trabalho com a pessoa do terapeuta. Segunda constatação, mais sutil do que parece: Uganda não é “pouco emotiva”; a emoção ali é regulada por regras hierarquizadas e marcadas pelo gênero, em que a raiva continua sendo um privilégio masculino e a tristeza, uma confissão de fraqueza. Para a terapia de casal, a questão não é apenas aprender a expressar, mas compreender o que a expressão põe em jogo numa relação de poder. Os limites são assumidos: uma amostra urbana, entrevistada em inglês pela própria equipe que organizou a formação, e nenhum casal. Para ler junto com o artigo sobre a adaptação cultural da EFCT e de sua formação para Uganda e com o estudo sobre o acesso às emoções em casais chineses.

Notas do original

Agradecimentos. A equipe expressa sua gratidão às pessoas que trabalham em saúde mental em Uganda e que dedicaram seu tempo a participar e a partilhar reflexões que guiaram esta exploração. Um agradecimento especial à Conexa International, que reuniu uma equipe multicultural de especialistas em EFT da América do Norte, de Uganda e da África do Sul e tornou realidade a primeira formação em EFT em Uganda. A equipe também agradece sinceramente à direção da Ugandan Counseling Association (UCA), cuja parceria com a Conexa foi fundamental para a organização e a realização bem-sucedida da formação. Reconhece ainda o trabalho valioso da pessoa assistente de pesquisa, que se dedicou incansavelmente a organizar e transcrever os dados do estudo. Por fim, a equipe agradece a todas as pessoas que assinam este manuscrito, cujas contribuições acadêmicas o enriqueceram.

Referências

Aarons, G. A., M. Hurlburt, and S. M. Horwitz. 2011. “Advancing a Conceptual Model of Evidence‐Based Practice Implementation in Public Service Sectors.” Administration and Policy in Mental Health and Mental Health Services Research 38: 4–23. 10.1007/s10488-010-0327-7.

Ahmad, I. S., S. Dudy, and T. D. Belay, et al. 2025. “Exploring Cultural Nuances in Emotion Perception Across 15 African Languages.” CoRR, abs/2503.19642. 10.48550/arXiv.2503.19642.

Akurut, B. E. 2022. “A Phenomenological Study of the Role of Christian Values and Culture in Conflict Resolution Among Christian Couples in Mukono, Uganda.” Doctoral dissertation, Regent University. ProQuest Dissertations & Theses Global.

Allan, R., C. Edwards, and N. Lee. 2023. “Cultural Adaptations of Emotionally Focused Therapy.” Journal of Couple & Relationship Therapy 22, no. 1: 43–63. 10.1080/15332691.2022.2052391.

Asiimwe, R., R. D. Nuwagaba‐K, L. Dwanyen, and R. Kasujja. 2023. “Sociocultural Considerations of Mental Health Care and Help‐Seeking in Uganda.” SSM‐Mental Health 15, no. 4: 2666–5603. 10.1016/j.ssmmh.2023.100232.

Ballo, E., and R. Tribe. 2023. “Therapeutic Work With Clients Living in Poverty.” International Journal of Social Psychiatry 69, no. 4: 1043–1050. 10.1177/00207640221139798.

Basnight‐Brown, D. M., A. Ayoob, and J. Altarriba. 2022. “Emotion Processing in a Highly Proficient Multilingual Sub‐Saharan African Population: A Quantitative and Qualitative Investigation.” Languages 7, no. 4: 280. 10.3390/languages7040280.

Braun, V., and V. Clarke. 2023. “Toward Good Practice in Thematic Analysis: Avoiding Common Problems and Be(com)ing a Knowing Researcher.” International Journal of Transgender Health 24, no. 1: 1–6. 10.1080/26895269.2022.2129597.

Campbell, S., M. Greenwood, S. Prior, et al. 2020. “Purposive Sampling: Complex or Simple? Research Case Examples.” Journal of Research in Nursing 25, no. 8: 652–661. 10.1177/1744987120927206.

Castro, F. G., M. Barrera, and C. R. Martinez. 2004. “The Cultural Adaptation of Prevention Interventions: Resolving Tensions Between Fidelity and Fit.” Prevention Science 5: 41–45. 10.1023/B:PREV.0000013980.12412.cd.

Chaplin, T. M. 2015. “Gender and Emotion Expression: A Developmental Contextual Perspective.” Emotion Review 7, no. 1: 14–21. 10.1177/1754073914544408.

Choudhry, V., K. O. Petterson, M. Emmelin, C. Muchunguzi, and A. Agardh. 2022. “‘Relationships on Campus Are Situationships’: A Grounded Theory Study of Sexual Relationships at a Ugandan University.” PLoS One 17, no. 7: e0271495. 10.1371/journal.pone.0271495.

Deng, J. 2019. “Cultural Influences on Emotional Display Rules.” ProQuest Diss., & Theses.

Dzokoto, V. 2010. “Different Ways of Feeling: Emotion and Somatic Awareness in Ghanaians and Euro‐Americans.” Journal of Social, Evolutionary, and Cultural Psychology 4, no. 2: 68–78. 10.1037/h0099299.

Evans, R., J. Ribbens McCarthy, F. Kébé, S. Bowlby, and J. Wouango. 2017. “Interpreting ‘Grief’ in Senegal: Language, Emotions and Cross‐Cultural Translation in a Francophone African Context.” Mortality 22, no. 2: 118–135.

Frye, M., and D. R. Urbina. 2020. “Fearing Such a Lady: University Expansion, Underemployment, and the Hypergamy Ideal in Kampala, Uganda.” Journal of Family Issues 41, no. 8: 1161–1187. 10.1177/0192513X19886895.

Greenman, P. S., and S. M. Johnson. 2013. “Process Research on Emotionally Focused Therapy (EFT) for Couples: Linking Theory to Practice: Couple Therapy.” Family Process 52, no. 1: 46–61.

Gubi, D., E. Nansubuga, and S. O. Wandera. 2020. “Correlates of Intimate Partner Violence Among Married Women in Uganda: A Cross‐Sectional Survey.” BMC Public Health 20, no. 1: 1008. 10.1186/s12889-020-09123-4.

Hattori, K. 2015. Emotionally Focused Therapy for Japanese Couples: Development and Empirical Investigation of a Culturally‐Sensitive EFT Model (Vol. 75, no. 7).

Holmes, M. 2015. “Men's Emotions: Heteromasculinity, Emotional Reflexivity, and Intimate Relationships.” Men and Masculinities 18, no. 2: 176–192. 10.1177/1097184X14557494.

Immordino‐Yang, M. H., X.‐F. Yang, and H. Damasio. 2016. “Cultural Modes of Expressing Emotions Influence How Emotions Are Experienced.” Emotion 16, no. 7: 1033–1039. 10.1037/emo0000201.

Isiko, A. P., and J. M. Isabirye. 2023. “Fluidity and Hybridity of Customary Marriage Traditions in Contemporary Uganda.” E‐Journal of Humanities, Arts and Social Sciences 4, no. 3: 357–378. 10.38159/ehass.20234313.

Johnson, S. M. 2012. The Practice of Emotionally Focused Couple Therapy: Creating Connection. Routledge.

Keller, H. 2013. “Attachment and Culture.” Journal of Cross‐Cultural Psychology 44, no. 2: 175–194. 10.1177/0022022112472253.

Kikooma, J., K. Wamala, J. Namusoke, and J. Mugarura. 2024. “Historical and Contemporary Psychotherapy Practices in Uganda.” SSM ‐ Mental Health 6: 100347. 10.1016/j.ssmmh.2024.100347.

Kiselica, M. S., S. Benton‐Wright, and M. Englar‐Carlson. 2016. “Accentuating Positive Masculinity: A New Foundation for the Psychology of Boys, Men, and Masculinity.” In APA Handbook of Men and Masculinities, edited by Wong Y. J. and S. R. Wester, 123–143. American Psychological Association. 10.1037/14594-00610.1037/14594-006.

Koren, R., S. R. Woolley, I. Danis, and S. Török. 2022. “Training Therapists in Emotionally Focused Therapy: A Longitudinal and Cross‐Sectional Analysis.” Journal of Marital and Family Therapy 48, no. 3: 709–725. 10.1111/jmft.12495.

Laszloffy, T. A., and S. D. Davis. 2019. “Nurturing Nature: Exploring Ecological Self‐of‐the‐Therapist Issues.” Journal of Marital and Family Therapy 45, no. 1: 176–185. 10.1111/jmft.12312.

Lesch, E., K. de Bruin, and C. Anderson. 2018. “A Pilot Implementation of the Emotionally Focused Couple Therapy Group Psychoeducation Program in a South African Setting.” Journal of Couple & Relationship Therapy 17, no. 4: 313–337. 10.1080/15332691.2017.1417940.

Lesch, E., M. Deist, L. Booysen, and E. Edwards. 2013. “South African Social Workers’ Knowledge of Attachment Theory and Their Perceptions of Attachment Relationships in Foster Care Supervision.” Children and Youth Services Review 35, no. 7: 1101–1109. 10.1016/j.childyouth.2013.04.025.

Lozada, F. T. 2024. “The Role of Afrocultural Ethos in African American Youth's Emotion Skill Development.” Child Development Perspectives 18, no. 3: 107–114. 10.1111/cdep.12509.

Morrell, R., R. Jewkes, G. Lindegger, and V. Hamlall. 2013. “Hegemonic Masculinity: Reviewing the Gendered Analysis of Men's Power in South Africa.” South African Review of Sociology 44, no. 1: 3–21. 10.1080/21528586.2013.784445.

Muhwezi, T., M. Kamatenesi‐Mugisha, and H. E. Ainamani. 2020. “Dating Stress, Depression and Anxiety Symptoms: A Study among University Students in Uganda.” International Journal of Public Health and Safety 5, no. 1). 10.37421/ijphs.2020.5.181.

Nightingale, M., C. I. Awosan, and K. Stavrianopoulos. 2019. “Emotionally Focused Therapy: A Culturally Sensitive Approach for African American Heterosexual Couples.” Journal of Family Psychotherapy 30, no. 3: 221–244. 10.1080/08975353.2019.1666497.

Otto, H. and Keller, H., ed. 2014. Different Faces of Attachment: Cultural Variations on a Universal Human Need. Cambridge University Press.

Ratele, K. 2021. “An Invitation to Decoloniality in Work on (African) Men and Masculinities.” Gender, Place & Culture 28, no. 6: 769–785. 10.1080/0966369X.2020.1781794.

Rodríguez‐Gonzalez, M., S. Anderson, A. Osorio, et al. 2022. “Efficacy of Emotionally Focused Therapy Among Spanish‐Speaking Couples: Study Protocol of a Randomized Clinical Trial in Argentina, Costa Rica, Guatemala, Mexico, and Spain.” Current Controlled Trials in Cardiovascular Medicine 23, no. 1: 891. 10.1186/s13063-022-06831-7.

Rodríguez‐González, M., M. Schweer‐Collins, P. S. Greenman, M. Lafontaine, M.‐D. Fatás, and J. G. Sandberg. 2020. “Short‐Term and Long‐Term Effects of Training in EFT: A Multinational Study in Spanish‐Speaking Countries.” Journal of Marital and Family Therapy 46, no. 2: 304–320. 10.1111/jmft.124160.

Rothbaum, F., J. Weisz, M. Pott, K. Miyake, and G. Morelli. 2000. “Attachment and Culture: Security in the United States and Japan.” American Psychologist 55, no. 10: 1093–1104. 10.1037/0003-066X.55.10.1093.

Sandberg, J. G., and A. Knestel. 2011. “The Experience of Learning Emotionally Focused Couples Therapy.” Journal of Marital and Family Therapy 37, no. 4: 393–410. 10.1111/j.1752-0606.2011.00254.x.

Sandberg, J. G., M. Rodríguez‐González, S. Pereyra, R. Lybbert, L. Perez, and K. Willis. 2020. “The Experience of Learning Eft in Spanish‐Speaking Countries: A Multi‐National Replication Study.” Journal of Marital and Family Therapy 46, no. 2: 256–271. 10.1111/jmft.12383.

Sekhon, M., M. Cartwright, and J. J. Francis. 2017. “Acceptability of Healthcare Interventions: An Overview of Reviews and Development of a Theoretical Framework.” BMC Health Services Research 17: 88. 10.1186/s12913-017-2031-8.

Senyonyi, R. M., L. A. Ochieng, and J. Sells. 2012. “The Development of Professional Counseling in Uganda: Current Status and Future Trends.” Journal of Counseling & Development 90, no. 4: 500–504.

Ssentanda, M. E. 2014. “Mother Tongue Education and Transition to English Medium Education in Uganda: Teachers Perspectives and Practices Versus Language Policy and Curriculum.” Doctoral dissertation, Stellenbosch University. SU Repository. https://scholar.sun.ac.za/server/api/core/bitstreams/8987546c-807b-40c5-a716-09c1864581d8/content.

Strand, P. S., J. J. Vossen, and E. Savage. 2019. “Culture and Child Attachment Patterns: A Behavioral Systems Synthesis.” Perspectives on Behavior Science 42, no. 4: 835–850. 10.1007/s40614-019-00220-3.

Suwankhong, D., and P. Liamputtong. 2015. “Cultural Insiders and Research Fieldwork: Case Examples From Cross‐Cultural Research With Thai People.” International Journal of Qualitative Methods 14, no. 5). 10.1177/1609406915621404.

Tseng, C. F., A. K. Wittenborn, P. C. Morgan, and T. Liu. 2024. “Exploring the Effectiveness of Emotionally Focused Therapy for Depressive Symptoms and Relationship Distress Among Couples in Taiwan: A Single‐Arm Pragmatic Trial.” Journal of Marital and Family Therapy 50, no. 1: 202–217. 10.1111/jmft.12681.

Wang, Y. 2024. Effectiveness of Emotionally Focused Therapy (EFT) with Chinese Couple Clients: From the Chinese EFT Therapists' Cultural Lens.

Wiebe, S. A., and S. M. Johnson. 2017. “Creating Relationships That Foster Resilience in Emotionally Focused Therapy.” Current Opinion in Psychology 13: 65–69. 10.1016/j.copsyc.2016.05.001.

Wittenborn, A. K., E. A. Mitchell, C. Edwards, and A. J. Blow. 2024. “Facilitators and Barriers to the Implementation of Emotionally Focused Couple Therapy in a Large Mental Health Agency: A Pre Implementation Study.” Couple and Family Psychology: Research and Practice 14, no. 3: 165–178. 10.1037/cfp0000261.

Young, J., E. Tadros, and A. Gregorash. 2023. “Cultural Considerations for Using Emotionally Focused Therapy With African American Couples.” International Journal of Systemic Therapy 34, no. 2: 63–82. 10.1080/2692398X.2022.2159299.

Young, J. R. 2024. Finding Harmony: The Lived Experiences of African Americans Who Have Participated in Emotionally Focused Therapy.

Zeytinoglu‐Saydam, S. 2018. “Cross‐Culturally Responsive Training of Emotionally Focused Couple Therapy: International Experiences.” In Cross‐Cultural Responsiveness & Systemic Therapy, 53–67. Cham: Springer.

Zeytinoglu‐Saydam, S., and A. Niño. 2019. “A Tool for Connection: Using the Person‐of‐the‐Therapist Training (POTT) Model in Emotionally Focused Couple Therapy Supervision.” Journal of Marital and Family Therapy 45, no. 2: 233–243. 10.1111/jmft.12349.

Tradução não oficial em português de A aceitabilidade da terapia focada nas emoções em Uganda: a visão de profissionais de saúde mental, de Ronald Asiimwe, Elmien Lesch, Pendo Galukande e Rosco Kasujja, Journal of Marital and Family Therapy, vol. 51, no 4 (2025), doi: 10.1111/jmft.70084, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença. Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.

Tradução não oficial para o português de “Acceptability of Emotionally Focused Therapy in Uganda: The Views of Mental Health Workers”, publicado em Journal of Marital and Family Therapy (2025) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.

Ler o artigo original

Como citar este artigo

Asiimwe, R., Lesch, E., Galukande, P., et Kasujja, R. (2025). A aceitabilidade da terapia focada nas emoções em Uganda: a visão de profissionais de saúde mental (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/a-aceitabilidade-da-terapia-focada-nas-emocoes-em-uganda (Obra original publicada em 2025 em Journal of Marital and Family Therapy, 51(4), e70084 (2025); republicada em 2025 por Journal of Marital and Family Therapy, https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/jmft.70084)

Carrinho

Seu carrinho está vazio.