Esta versão foi traduzida do inglês pelo Complexe Systémique com a ajuda da inteligência artificial. Em caso de dúvida, prevalece a versão original.
Journal of Family Violence · Violência
Quando um filho ou uma filha se torna violento com os pais, a hierarquia familiar se inverte e o entorno muitas vezes desvia o olhar. Uma equipe da Universidade de Sevilha revisou 22 estudos publicados entre 1999 e 2018: pais que se sentem ineficazes e cedem, clima familiar degradado, violência minimizada, isolamento reforçado pela vergonha e pela culpabilização vinda das instituições.
Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de Habilidades parentais, funcionamento familiar e apoio social em situações de violência filioparental: uma revisão de escopo da literatura, de Shirley Arias-Rivera, Bárbara Lorence e Victoria Hidalgo, publicado na Journal of Family Violence (Springer) (2022), doi: 10.1007/s10896-021-00316-y, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. As tabelas são apresentadas em forma de listas; na Tabela 2, a linha “estresse familiar”, deslocada na diagramação do original, foi reunida ao funcionamento familiar. A figura permanece em inglês, com legenda traduzida. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.
Os pais têm baixos níveis de autoeficácia percebida e dificuldades para regular as emoções, e adotam um comportamento submisso nas interações entre pais e filhos.
Shirley Arias-Rivera, Bárbara Lorence e Victoria Hidalgo
Resumo
O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão de escopo (scoping review) para analisar as evidências disponíveis sobre habilidades parentais, funcionamento familiar e apoio social em situações de violência filioparental (VFP). Quando ocorre comportamento violento, os papéis, a comunicação e a expressão emocional são afetados, o que repercute tanto nas habilidades parentais quanto no funcionamento familiar. A confluência dessas variáveis poderia explicar a perpetuação do comportamento violento ao longo do tempo. A revisão de escopo abrangeu artigos revisados por pares, publicados em inglês e em espanhol entre 2000 e 2019, localizados por meio de buscas em bases de dados internacionais relevantes (Web of Science, PsycINFO, Scopus, ERIC, Dialnet Plus). Foram identificados 22 estudos relevantes. Os dados coletados mostraram que, em situações de VFP, os pais têm baixos níveis de autoeficácia percebida e dificuldades para regular as emoções, e adotam um comportamento submisso nas interações entre pais e filhos. Os artigos analisados também descreveram a presença de um clima familiar negativo e uma tendência a relativizar os atos violentos cometidos pelos filhos. Por fim, as evidências mostram que as relações sociais são alteradas pela desconfiança em relação aos recursos de apoio formal e por certo grau de isolamento social. A discussão dos resultados destaca a necessidade de intervenções voltadas a fortalecer as habilidades parentais e a melhorar os recursos de apoio formal, para fortalecer o funcionamento familiar em situações de VFP.
Palavras-chave: violência filioparental, habilidades parentais, funcionamento familiar, apoio social, revisão de escopo
Nos últimos anos, cresceu o interesse pelo estudo de uma forma específica de violência intrafamiliar: a violência filioparental (VFP). Embora esse tipo de violência compartilhe algumas características e muitos fatores de risco com outras formas de violência intrafamiliar, a VFP se distingue por representar uma inversão paradoxal dos papéis tradicionais de poder no sistema familiar, já que as vítimas são legalmente responsáveis pelos cuidados de quem as agride (Tew e Nixon, 2010). Como acontece com outros construtos ligados à violência, como os maus-tratos infantis (Miller-Perrin e Perrin, 2012), há dificuldades e ambiguidades na definição da VFP. A Sociedade Espanhola para o Estudo da Violência Filioparental a definiu como:
Atos repetidos de violência física, psicológica (verbal ou não verbal) ou econômica praticados por filhos e filhas contra os pais ou contra figuras parentais. Não são considerados violência filioparental: as agressões pontuais, as praticadas em estado de consciência alterado que não se repetem quando a consciência é recuperada (intoxicação alcoólica, síndromes de abstinência, delírio ou alucinação), as causadas por transtornos psicológicos (transitórios ou estáveis, autismo ou deficiência mental grave) e o parricídio sem histórico prévio de agressão (Pereira et al., 2017, p. 6).
Além de sua continuidade no tempo, a VFP se diferencia de outros tipos de violência porque os atos violentos costumam ser usados para obter e manter poder e controle coercitivo sobre as figuras parentais (Aroca-Montolío et al., 2014; Cottrell, 2003; Coogan, 2011; Cottrell e Monk, 2004; Hong et al., 2012; Tew e Nixon, 2010). Da mesma forma, a avaliação da frequência dos comportamentos abusivos, sobretudo no último ano, permite diferenciá-los de atos agressivos isolados e determinar os níveis de gravidade (Calvete e Orue, 2016).
Muitos estudos relatam casos de VFP em suas diferentes tipologias (física, psicológica e econômica) (Rojas-Solís et al., 2016). No entanto, é difícil estabelecer uma estimativa global das taxas de prevalência da VFP, em razão da variabilidade dos instrumentos utilizados (Arias-Rivera et al., 2020) e dos critérios de identificação, notificação e registro de casos. Além disso, há diferenças nas taxas de prevalência da VFP conforme a idade, o gênero e o contexto (comunitário, judicial ou clínico) de quem informa (Loinaz e De Sousa, 2020; Simmons et al., 2018).
Segundo os dados empíricos disponíveis, a idade mediana de início da VFP varia entre 12 e 17 anos na maioria dos casos (Castañeda et al., 2012; Condry e Miles, 2014; Contreras e Cano, 2016; Cottrell e Monk, 2004; Miles e Condry, 2016; Pagani et al., 2004). Embora recentemente tenham sido relatados comportamentos violentos na primeira e na segunda infância, o que mostra que a VFP não se limita à adolescência (Simmons et al., 2020), os pais podem não identificar esses comportamentos como VFP até que os filhos estejam mais velhos e um padrão de abuso já se tenha instalado (Hong et al., 2012; Kennair e Mellor, 2007; Pérez e Pereira, 2006). Quanto à trajetória da VFP ao longo da adolescência, Simmons et al. (2018) relataram que ela costuma atingir um pico no meio da adolescência e depois diminui com a idade. Da mesma forma, Calvete et al. (2020a, 2020b) identificaram uma diminuição gradual dos comportamentos abusivos, com um pico por volta dos 15 anos. Por outro lado, Kuay e Towl (2021) sugerem a existência de dois grupos distintos: jovens cujo comportamento abusivo começa cedo e persiste, e jovens em quem ele começa mais tarde e se extingue com o tempo. É claro que são necessários mais estudos que analisem a VFP numa perspectiva do desenvolvimento (Holt, 2016b; Kuay e Towl, 2021).
Em relação ao sexo dos pais, estudos recentes constataram que o nível de violência dirigida à mãe é maior do que o dirigido ao pai (Calvete et al., 2020a, 2020b), em linha com estudos anteriores que apontam, de forma consistente e significativa, que a mãe é a pessoa mais agredida física e psicologicamente (Agnew y Huguley, 1989; Calvete et al., 2013, 2017; Calvete, et al., 2014a; Calvete et al., 2014c; Calvete y Orue, 2016; Condry y Miles, 2014; Gallagher, 2004; Hunter et al., 2010; Ibabe y Jaureguizar, 2011; Pagani et al., 2004, 2009).
Na tentativa de compreender a gênese e a perpetuação desse fenômeno, diferentes modelos teóricos foram propostos, como a Teoria da Aprendizagem Social de Bandura e Rivière (1982) (Aroca-Montolío et al., 2012; Izaguirre e Calvete, 2017; Margolin e Baucom, 2014), o Modelo da Coerção Recíproca de Patterson (1983) (Eckstein, 2004; Ibabe et al., 2013; Pagani et al., 2009), o Modelo de Processamento da Informação Social de Dodge e Pettit (2003) (Calvete et al., 2015a; Contreras e Cano, 2016), ou teorias do campo da delinquência juvenil (controle social, associação diferencial e tensão) (Agnew e Huguley, 1989). A violência doméstica também foi proposta como marco conceitual para compreender esse fenômeno, já que as mães têm mais probabilidade do que os pais de sofrer abuso por parte dos filhos homens (Wilcox, 2012). No entanto, essa abordagem não poderia ser aplicada aos casos em que é a filha quem pratica o abuso e o pai quem o sofre, além do conflito gerado por atribuir a quem pratica o abuso a responsabilidade exclusiva pelo delito (Holt, 2016a). Nessa linha, e segundo achados recentes, representar esse fenômeno como uma forma de violência doméstica em que o filho é rotulado ao mesmo tempo como agressor e vítima poderia ter efeitos negativos sobre o sistema familiar e sobre a possibilidade de mudança, se não for feita uma análise especializada de seus contextos e correlatos (Gabriel et al., 2018; Holt e Lewis, 2021).
Por fim, entre os modelos teóricos propostos para explicar a VFP, também foi utilizado o Modelo Ecológico Aninhado de Dutton (1985) (Cottrell e Monk, 2004; Simmons et al., 2018). Esse modelo constitui um marco adequado, que integra postulados de modelos teóricos anteriores e também facilita a análise dos fatores intervenientes em diferentes níveis ecológicos (Arias-Rivera e Hidalgo, 2020). A partir desse marco ecológico, o objetivo deste estudo é analisar as evidências disponíveis relativas a algumas dimensões relevantes envolvidas nas situações de VFP, em particular as habilidades parentais, o funcionamento familiar e o apoio social.
Diferentes habilidades parentais parecem prejudicadas em situações de VFP. Assim, diferentes estudos relataram que os pais sentem uma aguda sensação de desamparo, paralisia e sofrimento emocional uma vez iniciados os comportamentos abusivos (Gabriel et al., 2018; Selwyn e Meakings, 2016; Tew e Nixon, 2010) e, em consequência, se percebem ineficazes e incapazes de lidar com as tarefas educativas e as responsabilidades parentais (Gabriel et al., 2018; Holt, 2011). Também se relatou a existência de sentimentos de culpa que dificultam o estabelecimento de limites e a busca de soluções (Calvete et al., 2017b; Edenborough et al., 2008; Routt e Anderson, 2011; Williams et al., 2017). Nessa linha, a VFP tem sido amplamente relacionada a práticas parentais ineficazes, especialmente no manejo de limites adequados (Gabriel et al., 2018) e de consequências contingentes ao comportamento violento (Calvete et al., 2015c; Del Hoyo et al., 2020). De fato, há evidências empíricas de uma associação entre a VFP e estilos parentais autoritários, inconsistentes e negligentes (Calvete et al., 2014a; Calvete et al., 2014c; Castañeda et al., 2012).
Além dos estilos parentais, outras dimensões do funcionamento familiar também foram associadas à VFP. Especificamente, a coesão familiar (Beckmann, 2019), um clima emocional positivo (Pagani et al., 2003; Zhang et al., 2019) e uma comunicação assertiva (Calvete et al., 2014a; Ibabe e Bentler, 2016; Ibabe et al., 2013) foram identificados em diferentes estudos como fatores de proteção. Quanto à direção das relações, estudos longitudinais confirmaram o papel protetor de um clima emocional positivo (Pagani et al., 2003) e indicaram que a exposição à violência direta ou indireta na família nuclear é um fator de risco significativo (Arias-Rivera e Hidalgo, 2020; Beckmann, 2019; Beckmann et al., 2017; Del Hoyo-Bilbao et al., 2017) e um preditor da VFP (Calvete, et al., 2020a, 2020b, Calvete et al., 2015b). Entre as consequências da VFP sobre o funcionamento familiar, observou-se às vezes um distanciamento nas relações entre pais e filhos (Murphy-Edwards e van Heugten, 2018), bem como consequências físicas e, em alguns casos, econômicas (Murphy-Edwards e van Heugten, 2018; Paterson et al., 2002).
A presença da VFP também parece afetar as relações dos pais com seu ambiente social, especialmente em termos de apoio social. Nesse sentido, há evidências empíricas de que o isolamento (Miles e Condry, 2015; Moulds et al., 2016), a revitimização (Brule e Eckstein, 2016; Condry e Miles, 2014; Holt, 2011; Miles e Condry, 2015; Murphy-Edwards e van Heugten, 2018; Routt e Anderson, 2011; Selwyn e Meakings, 2016; Tew e Nixon, 2010; Williams et al., 2017) e o estigma social (Brule e Eckstein, 2016) gerados pela VFP podem retardar a busca de ajuda; isso, por sua vez, pode resultar na ausência de redes de apoio, vitais para as famílias que vivem esse tipo de violência (Bonnick, 2019; Edenborough et al., 2008).
Embora nos últimos anos um número considerável de estudos empíricos sobre esses aspectos tenha sido realizado e algumas revisões de caráter mais global tenham sido feitas (por exemplo, Simmons et al., 2018), nossa compreensão continua limitada em razão da heterogeneidade das variáveis envolvidas no desenvolvimento da VFP (Del Hoyo et al., 2020). Dada a complexidade desse fenômeno, é importante, a partir de um marco ecológico, identificar, para além dos estilos parentais, diferentes dimensões das habilidades parentais envolvidas na VFP, bem como analisar outras variáveis que não foram abordadas em revisões anteriores, como o apoio social. Como há estudos empíricos suficientes para tirar conclusões sobre esses aspectos, o objetivo deste estudo foi analisar, por meio de uma revisão de escopo, as evidências disponíveis sobre habilidades parentais, funcionamento familiar e apoio social em situações de VFP.
Esta revisão de escopo foi realizada de acordo com as recomendações de especialistas nessa metodologia (Arksey e O’Malley, 2005; Daudt et al., 2013; Levac et al., 2010) e com as diretrizes metodológicas do PRISMA (Moher et al., 2009) e da Cochrane (The Cochrane Collaboration, 2011). O fluxograma do processo seguido durante a busca e a seleção final é apresentado na Figura 1.

Esta revisão incluiu todos os estudos empíricos clínicos, comunitários e judiciais publicados em espanhol ou em inglês entre 2000 e 2019, desde que atendessem aos seguintes critérios: (a) incluir uma amostra de adolescentes (10 a 19 anos), meninas e meninos, que tivessem praticado VFP, ou (b) incluir uma amostra de pais que, independentemente do sexo ou da idade, tivessem sofrido VFP; e (c) incorporar variáveis associadas às habilidades parentais, ao funcionamento familiar ou ao apoio social. É importante observar que a inclusão dos estudos não considerou um limiar de gravidade da VFP. Os critérios de exclusão foram estudos de caso, opiniões de especialistas, análise de outras variáveis, relatos de experiências terapêuticas e abordagens ligadas a políticas públicas e à gestão policial. Como todos os dados foram extraídos de estudos publicados e revisados por pares, não foi necessária aprovação ética.
Foi realizada uma busca sistemática na literatura científica existente, envolvendo cinco metabuscas diferentes nas seguintes bases de dados bibliográficas: Web of Science, Scopus, PsycINFO, ERIC e Dialnet Plus. A estratégia de busca é mostrada na Figura 1 e contemplou um total de 10 termos combinados com os operadores booleanos OR e NOT. A busca foi realizada entre outubro de 2018 e abril de 2019 e retornou um total de 5.449 estudos publicados entre 2000 e 2018.
A pessoa que assina em primeiro lugar (S. A.) realizou a triagem inicial, lendo os resumos e determinando se os estudos atendiam aos critérios de inclusão e exclusão. Registros adicionais foram obtidos pela técnica de bola de neve. O gerenciador Mendeley foi usado para armazenar os registros sequencialmente e remover duplicatas. Em seguida, as outras duas pessoas da equipe (V. H. e B. L.) fizeram a seleção final com base na análise do texto completo, chegando a um consenso em caso de desacordo.
Segundo Manterola e Otzen (2015), para minimizar o risco de viés, é necessário avaliar os três pilares que compõem qualquer estudo de pesquisa: a) o que está sendo medido, b) quem está medindo e c) com o que está sendo medido. De acordo com essa estratégia, a equipe verificou que todos os estudos incluídos na revisão:
Para atingir os objetivos desta revisão de escopo, os dados foram classificados e registrados em uma planilha, que incluía informações sobre as características dos estudos e os resultados relatados (Levac et al., 2010).
Foram realizadas análises separadas para descrever: 1) as características metodológicas dos estudos incluídos na revisão e 2) os resultados relatados sobre habilidades parentais, funcionamento familiar e apoio social em situações de VFP.
De acordo com o sistema de classificação proposto por Ato et al. (2013), os delineamentos dos 22 estudos incluídos na revisão foram analisados segundo sua estratégia de manipulação. Todos os estudos tinham delineamento quase experimental, sendo 19 transversais e 3 longitudinais (Tabela 1). Os estudos revisados foram realizados na Espanha (n = 8), no Reino Unido (n = 5), nos Estados Unidos (n = 3), no Canadá (n = 2), na Nova Zelândia (n = 2), na Austrália (n = 1) e na França (n = 1). Não foram encontrados estudos realizados na América Latina. Por fim, quanto ao ano de publicação, 64% foram publicados nos últimos seis anos (2014-2018).
Tabela 1 — Descrição dos estudos incluídos
Para cada estudo: delineamento quase experimental (T: estudo transversal; L: estudo longitudinal), amostra, origem e país, objetivo do estudo, tipo de análise.
Quanto às características das amostras, 9 estudos se concentraram na população geral, 6 na população clínica, 5 em casos levados ao conhecimento das autoridades judiciais e 2 num contexto combinado clínico e judicial. Do total, 40,9% (n = 9) coletaram e analisaram informações tanto sobre adolescentes quanto sobre os pais, 22,7% (n = 5) se concentraram apenas em adolescentes, 18,2% (n = 4) apenas nos pais (de ambos os sexos), 9,1% (n = 2) apenas nas mães, 4,5% (n = 1) nas mães e em adolescentes e 4,5% (n = 1) em pais adotivos.
Quanto ao tipo de análise de dados realizada, 14 estudos fizeram análises qualitativas, explorando o conteúdo dos discursos das pessoas participantes, 3 usaram análises estatísticas correlacionais, 2 empregaram análises de regressão logística, 1 incluiu uma análise fatorial confirmatória e 2 usaram um modelo de equações estruturais.
Dos artigos analisados, a maioria buscava explorar características cognitivo-emocionais, familiares e sociais em situações de VFP. Os temas centrais dos estudos qualitativos incluíam a percepção dos pais sobre suas habilidades parentais e suas experiências com o apoio social, enquanto os resultados dos estudos quantitativos se concentravam em variáveis de funcionamento familiar.
A Tabela 2 apresenta uma descrição detalhada dos resultados mais importantes relatados por cada um dos estudos incluídos na revisão sobre habilidades parentais, funcionamento familiar e apoio social.
Tabela 2 — Descrição das habilidades parentais, do funcionamento familiar e do apoio social em situações de VFP
Habilidades parentais
Funcionamento familiar
Apoio social
Em relação às habilidades parentais, Calvete et al. (2015b), em seu estudo longitudinal, constataram que o desenvolvimento da VFP está significativamente associado à exposição à violência em casa e à falta de calor parental. As análises evidenciaram que a falta de calor parental produzia alterações nos esquemas cognitivos de adolescentes, resultando em comportamentos de desconexão e rejeição, narcisismo e justificação da violência, que por sua vez prediziam um aumento dos comportamentos abusivos dirigidos a ambas as figuras parentais.
Os estudos transversais relataram que os pais envolvidos em situações de VFP tinham uma baixa estimativa de sua própria eficácia como pais (Eckstein, 2004; Edenborough et al., 2008; Holt, 2011; Laurent e Derry, 1999; Murphy-Edwards e van Heugten, 2018; Selwyn e Meakings, 2016; Tew e Nixon, 2010; Williams et al., 2017) e, por isso, sentiam insatisfação com a maneira como exerciam o papel parental (Holt, 2011; Selwyn e Meakings, 2016).
Além disso, os estudos analisados constataram que os pais envolvidos em situações de VFP muitas vezes viviam emoções negativas associadas ao papel parental, marcadas por ansiedade, ressentimento, ambivalência, desespero, impotência e insegurança (Eckstein, 2004; Edenborough et al., 2008; Holt, 2011; Miles e Condry, 2015; Murphy-Edwards e van Heugten, 2018; Selwyn e Meakings, 2016; Tew e Nixon, 2010; Williams et al., 2017).
No que se refere às práticas parentais, os artigos revisados revelaram baixos níveis de controle e de supervisão do comportamento dos filhos (Cottrell e Monk, 2004; Eckstein, 2004; Laurent e Derry, 1999; Pagani et al., 2003; Selwyn e Meakings, 2016), redução que ocorria gradualmente, até se tornar incontrolável em alguns casos (Eckstein, 2004; Miles e Condry, 2015; Selwyn e Meakings, 2016). Nessa linha, verificou-se com frequência que os pais envolvidos em situações de VFP adotavam um comportamento parental submisso que, em muitos casos, reforçava as ações violentas dos filhos (Laurent e Derry, 1999; Miles e Condry, 2015; Murphy-Edwards e van Heugten, 2018; Selwyn e Meakings, 2016).
Os resultados também identificaram baixos níveis de comunicação e de afeto entre os diferentes membros da família (Calvete et al., 2014a; Contreras e Cano, 2014a), assim como baixos níveis de envolvimento parental e de tempo passado com os filhos (Calvete et al., 2014b; Calvete et al., 2015c; Murphy-Edwards e van Heugten, 2018; Tew e Nixon, 2010).
Por fim, esses estudos também destacaram que os pais que sofriam VFP em casa tinham crenças e atribuições sobre o comportamento dos filhos que tendiam a negar, distorcer ou ocultar os atos violentos praticados pelos filhos contra terceiros (Calvete et al., 2017; Condry e Miles, 2014; Cottrell e Monk, 2004; Holt, 2011; Murphy-Edwards e van Heugten, 2018; Pagani et al., 2003; Tew e Nixon, 2010; Williams et al., 2017).
Os resultados do estudo de Calvete et al. (2015a) indicaram que as relações transacionais parentais são significativas para os problemas externalizantes de adolescentes, como a VFP. Além disso, a VFP predizia mudanças em vários componentes do processamento da informação social em adolescentes, aumentando a probabilidade de atribuir hostilidade ao ambiente social, de acessar roteiros cognitivos violentos e de antecipar consequências positivas dos comportamentos abusivos, o que, em conjunto, modificava a dinâmica familiar.
Os resultados de Pagani et al. (2003) mostram que, em geral, a VFP se encontra num contexto de estresse parental, que leva as figuras parentais a adotar comportamentos permissivos ou incoerentes, que constituem fatores de risco para o desenvolvimento da VFP.
Os estudos revisados constataram que a VFP tendia a coincidir com outros tipos de eventos estressantes, como o conflito conjugal, o que complicava ainda mais a situação familiar (Calvete et al., 2015c; Contreras e Cano, 2014b; Cottrell e Monk, 2004; Laurent e Derry, 1999).
Alguns dos estudos analisados constataram que, em situações de VFP, os pais tendiam a aceitar as interações violentas como normais e como a única forma de resolver conflitos (Eckstein, 2004). Da mesma forma, alguns resultados indicaram que o comportamento violento tendia a ser reproduzido por irmãos e irmãs (Contreras e Cano, 2014b). Observam-se também respostas parentais que envolvem a alteração das rotinas familiares e individuais para evitar o confronto (Condry e Miles, 2014; Miles e Condry, 2015; Murphy-Edwards e van Heugten, 2018; Selwyn e Meakings, 2016; Tew e Nixon, 2010), bem como altos níveis de estresse familiar (Condry e Miles, 2014; Cottrell e Monk, 2004; Edenborough et al., 2008).
Por fim, vale destacar que o grau de ruptura familiar pode ser extremamente grave em situações de VFP, a tal ponto que, no estudo de Selwyn e Meakings (2016), realizado com famílias adotivas expostas a esse tipo de violência, o processo de adoção foi interrompido em 50% dos casos.
Quanto ao apoio social, um achado interessante foi que as mães que buscavam apoio em sua rede social corriam maior risco de abuso verbal e físico por parte dos filhos (Pagani et al., 2003).
Os artigos analisados revelam que, apesar da necessidade de apoio social das famílias, os pais sentiam-se alvo de uma vitimização secundária, pois, ao entrar em contato com as forças de segurança ou com outros serviços profissionais, eram responsabilizados pelo comportamento dos filhos (Cottrell e Monk, 2004; Eckstein, 2004; Edenborough et al., 2008; Holt, 2011; Miles e Condry, 2015; Murphy-Edwards e van Heugten, 2018; Selwyn e Meakings, 2016; Tew e Nixon, 2010; Williams et al., 2017).
De fato, diferentes estudos constataram que denunciar à polícia o comportamento dos filhos era visto pelos pais como um último recurso, e só ocorria depois de uma exposição prolongada à violência (Routt e Anderson, 2011). Alguns estudos também identificaram outras experiências associadas à VFP, como o isolamento social autoimposto (Eckstein, 2004; Edenborough et al., 2008; Selwyn e Meakings, 2016; Tew e Nixon, 2010; Williams et al., 2017), uma percepção negativa dos recursos de apoio social disponíveis (Cottrell e Monk, 2004; Edenborough et al., 2008; Holt, 2011; Tew e Nixon, 2010; Williams et al., 2017) e o estigma social (Brule e Eckstein, 2016; Edenborough et al., 2008; Holt, 2011; Miles e Condry, 2015; Selwyn e Meakings, 2016; Tew e Nixon, 2010).
O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão de escopo para analisar as evidências disponíveis sobre habilidades parentais, funcionamento familiar e apoio social em situações de VFP. Com a estratégia de busca descrita na seção de Métodos, foram identificados 22 estudos centrados nessa questão.
Quanto às características metodológicas dos estudos identificados, todos tinham delineamento quase experimental, e foram empregados mais métodos de análise qualitativos do que quantitativos. Predominaram os estudos transversais, e poucos estudos longitudinais foram identificados. Embora os estudos transversais não permitam identificar fatores causais, eles possibilitam uma descrição detalhada da VFP. Como a VFP é um fenômeno relacional complexo, são necessários delineamentos mistos que permitam a integração dos achados (Tashakkori e Creswell, 2007), a exploração de relações causais e a inclusão de análises estatísticas robustas que facilitem a identificação de efeitos mediadores e moderadores (Ato et al., 2013; Baron e Kenny, 1986; Hair et al., 2014; Hong et al., 2012).
Em geral, os estudos com maior número de participantes se concentravam em populações comunitárias. As amostras eram diversas, com uma grande proporção de estudos usando amostras compostas apenas de pais ou apenas de adolescentes, apesar da clara vantagem dos delineamentos com múltiplos informantes (Achenbach et al., 1987). Além disso, por se tratar de um fenômeno relacional, dispor de informações das duas partes envolvidas facilita muito a compreensão da VFP (Condry e Miles, 2014; Pagani et al., 2004, 2009).
Quanto à origem das amostras, a maioria dos estudos incluídos na revisão foi realizada na Europa e na América do Norte. Para aprofundar a compreensão desse fenômeno, é importante determinar sua prevalência em outras culturas, especialmente nas populações latino-americanas e asiáticas. Estudos transculturais também forneceriam informações valiosas (Beckmann et al., 2017; Ilabaca e Gaete, 2018; Moulds et al., 2018).
Estudar um fenômeno complexo como a VFP implica o risco de reduzir sua análise a um número limitado de variáveis para descrever e compreender os processos relacionais, sociais e afetivos subjacentes a esse comportamento violento, situação que se expressa na variabilidade metodológica dos estudos incluídos neste artigo. De modo geral, as diferenças metodológicas observadas nos estudos sobre VFP dificultaram a análise das informações derivadas dos dados obtidos, o que tornou necessário identificar e relatar os elementos que apareciam sistematicamente, a fim de possibilitar a construção de um corpo coeso de conhecimento científico (Simmons et al., 2018).
Em segundo lugar, os estudos revisados forneceram evidências empíricas nas três áreas analisadas: habilidades parentais, funcionamento familiar e apoio social. No campo das habilidades parentais, a grande maioria dos estudos encontrou evidências de práticas parentais inadequadas, caracterizadas principalmente pela falta de controle e pela negligência (Cottrell e Monk, 2004; Eckstein, 2004; Laurent e Derry, 1999; Pagani et al., 2003; Selwyn e Meakings, 2016), por baixos níveis de afeto e de comunicação (Calvete, et al., 2014a; Contreras e Cano, 2014b) e por um envolvimento emocional pobre com os filhos (Calvete, et al., 2014b; Murphy-Edwards e van Heugten, 2018; Tew e Nixon, 2010). Esse achado é coerente com o de um estudo recente de Del Hoyo et al. (2020), que identificou uma relação significativa entre a aplicação ineficaz da disciplina parental e a VFP.
A estreita associação entre práticas parentais e VFP é amplamente sustentada pelas evidências empíricas; ainda não está claro, porém, se as práticas parentais identificadas são precursoras ou resultado da violência praticada, em razão da falta de estudos longitudinais. Por outro lado, está claro que a falta de envolvimento emocional (carência), as emoções negativas associadas ao papel parental e os problemas de comunicação influenciam o desenvolvimento e a continuidade da VFP (Calvete, et al., 2014a; Edenborough et al., 2008; Ibabe e Bentler, 2016; Williams et al., 2017). Com base no exposto, os programas parentais para famílias com VFP deveriam se concentrar no desenvolvimento de estilos parentais positivos, especialmente na demonstração de afeto, calor e apoio aos filhos (Calvete, et al., 2015b).
Além disso, os resultados relatados sobre a adoção de comportamentos submissos pelos pais sugerem que, para além das consequências físicas, psicológicas e econômicas negativas da VFP, os atos violentos praticados pelos filhos também podem resultar no controle, por parte deles, do comportamento dos pais (Laurent e Derry, 1999; Miles e Condry, 2015; Murphy-Edwards e van Heugten, 2018; Selwyn e Meakings, 2016).
Paralelamente às práticas parentais inadequadas, os estudos revisados também relataram resultados consistentes sobre a percepção de ineficácia parental dos pais (Eckstein, 2004; Edenborough et al., 2008; Holt, 2011; Laurent e Derry, 1999; Murphy-Edwards e van Heugten, 2018; Selwyn e Meakings, 2016; Tew e Nixon, 2010; Williams et al., 2017). Em algumas ocasiões, esse baixo nível de autoeficácia percebida levava os pais a acreditar que tinham perdido completamente o controle e, assim, a ceder para evitar o confronto violento (Eckstein, 2004; Routt e Anderson, 2011; Tew e Nixon, 2010), ou ainda a estabelecer com o filho ou a filha um círculo de interação ainda mais agressivo em resposta ao seu comportamento violento (Omer, 2004). Essas atitudes decorriam da falta de segurança e de confiança no papel de pais; longe de pôr fim à VFP, só serviam para complicar ainda mais a situação. Por isso, adolescentes às vezes concluem que os maus-tratos são a única forma de interagir com os pais (Cottrell e Monk, 2004; Estévez e Góngora, 2009).
Dada a dificuldade dos pais em exercer habilidades parentais adequadas (Edenborough et al., 2008), a intensa culpa e vergonha vividas (Cottrell e Monk, 2004; Tew e Nixon, 2010), a exposição à vitimização secundária e a falta de apoio adequado obtido (Miles e Condry, 2015), não surpreende que os pais tenham atribuições imprecisas sobre o comportamento violento dos filhos e usem estratégias para negar, distorcer ou esconder os atos violentos dos filhos, atitude que, por sua vez, pode contribuir para aumentar o número de casos ocultos (Fernández-González et al., 2021; Kennair e Mellor, 2007).
Quanto ao funcionamento familiar, os resultados da revisão revelaram que a VFP está associada a altos níveis de conflito coparental (Calvete, et al., 2015a, 2015b, 2015c; Contreras e Cano, 2014a; Pagani et al., 2003; Selwyn e Meakings, 2016), a altos níveis de estresse parental (Condry e Miles, 2014; Cottrell e Monk, 2004; Edenborough et al., 2008) e a mudanças nas rotinas cotidianas (Condry e Miles, 2014; Miles e Condry, 2015; Murphy-Edwards e van Heugten, 2018; Selwyn e Meakings, 2016; Tew e Nixon, 2010). Provavelmente, essas situações, somadas ao fato de os pais tenderem a aceitar as interações violentas como algo normal em momentos de conflito (Eckstein, 2004), contribuem muitas vezes para gerar um clima emocional negativo nas famílias que vivem a VFP, o que por sua vez aumenta o risco de que os irmãos e irmãs de quem agride reproduzam padrões de comportamento violento (Condry e Miles, 2014; Contreras e Cano, 2014b).
Por fim, os resultados encontrados em termos de apoio social indicam que o isolamento autoimposto, que parece estar associado às situações de VFP (Eckstein, 2004; Edenborough et al., 2008; Selwyn e Meakings, 2016; Tew e Nixon, 2010; Williams et al., 2017), pode ser explicado pela revitimização vivida pelos pais e pelo estigma social associado a esse tipo de violência (Brule e Eckstein, 2016; Condry e Miles, 2014; Cottrell e Monk, 2004; Eckstein, 2004; Edenborough et al., 2008; Holt, 2011; Miles e Condry, 2015; Murphy-Edwards e van Heugten, 2018; Routt e Anderson, 2011; Selwyn e Meakings, 2016; Tew e Nixon, 2010; Williams et al., 2017).
Seria interessante explorar, em pesquisas futuras, o papel que os serviços profissionais desempenham no isolamento social. A relutância dos pais em contatar as forças de segurança ou em buscar os serviços sociais formais é um problema sério que precisa ser enfrentado, sobretudo tendo em vista o papel dessas instituições na intervenção nesses casos (Coogan, 2014; Gallagher, 2004). Por outro lado, é essencial fortalecer as políticas de cuidado às famílias e facilitar o acesso a profissionais de serviço social e de saúde mental (University of Brighton, 2012; Wilcox e Pooley, 2015), considerando o alto risco psicossocial dessas famílias (Moulds e Day, 2017).
Embora a presente revisão ofereça uma valiosa sistematização da informação, baseada na identificação e na análise exaustiva dos estudos existentes, ela apresenta algumas limitações. Em primeiro lugar, ao incluir apenas estudos publicados em inglês e espanhol, perderam-se as informações relatadas por estudos publicados em outros idiomas. Em segundo lugar, a diversidade metodológica e contextual dos estudos exigiu a identificação das fontes de variabilidade e uma análise por subgrupos.
Esta revisão fornece evidências do caráter ecológico da VFP, já que a investigação se concentrou em variáveis pessoais, interpessoais e sociais de diferentes sistemas ecológicos (Bronfenbrenner e Morris, 2007). Além disso, as conclusões dos estudos longitudinais revisados fornecem evidências concretas da natureza transacional desse fenômeno.
Os resultados revelaram evidências empíricas sólidas sobre as habilidades parentais inadequadas associadas à VFP, bem como sobre as relações familiares conflituosas que surgem com sua presença. Apesar de precisarem de apoio, os dados indicam que as famílias em situação de VFP sentem certa desconfiança em relação aos recursos de apoio formal, e que a revitimização e o estigma social que vivem só aumentam seu isolamento. Afirmações feitas em certos meios e por certas instituições, segundo as quais os pais são sempre responsáveis pelos atos dos filhos e deveriam sempre ser capazes de exercer poder e controle sobre eles, em nada ajudam a tornar visível o problema em todas as suas dimensões, e só servem para ocultar as amplas consequências desse fenômeno para as famílias envolvidas.
Os resultados desta revisão sistemática revelam as necessidades específicas de intervenção das famílias em situação de VFP nos níveis pessoal, familiar e social. Em consonância com as iniciativas atuais de apoio e cuidado às famílias voltadas à formação e ao fortalecimento familiar, a equipe de pesquisa propõe o desenvolvimento de ações preventivas e de promoção que fortaleçam os sistemas familiares em condições adversas (Child Welfare Information Gateway, 2013; Pote et al., 2019), tendo tanto adolescentes que praticam a violência quanto os pais como protagonistas diretos, numa abordagem sistêmica (Pereira, 2011, 2019).
Especificamente quanto a este último ponto, queremos enfatizar a importância de promover programas de parentalidade positiva que favoreçam a aquisição de habilidades parentais que melhorem o exercício da parentalidade por pais que vivem situações de VFP (Rodrigo et al., 2009).
Complexe Systémique: a reter
Esta revisão tem o mérito de reunir num único quadro o que a violência filioparental faz com os três níveis do sistema: as habilidades parentais, o funcionamento familiar e as redes de apoio. Para a clínica, o ponto mais útil é circular: o sentimento de ineficácia leva os pais a ceder ou a escalar, o que confirma à pessoa jovem que a violência funciona, e a vergonha, alimentada por instituições que devolvem aos pais a responsabilidade, os isola ainda mais. Trabalhar a presença parental sem escalada, restaurar uma aliança entre os pais e tirar a família do segredo são, portanto, alvos tão importantes quanto o comportamento da pessoa jovem. Uma leitura crítica, porém, se impõe: o vocabulário do déficit parental (“inadequado”, “submisso”) pode reproduzir a culpabilização que o artigo denuncia, os estudos incluídos são sobretudo transversais, europeus e norte-americanos, e a voz de jovens continua rara. Para ler junto com o artigo que mostra que nem toda violência filioparental é igual e com o artigo sobre uma compreensão ecológica da violência filioparental.
Notas do original
Agradecimentos. A pessoa que assina em primeiro lugar recebeu uma bolsa da Universidade de Guayaquil para sua estadia na Universidade de Sevilha.
Financiamento. Financiamento do acesso aberto viabilizado pelo acordo CRUE-CSIC com a Springer Nature.
Conflito de interesses. A equipe de pesquisa declara que a pesquisa foi realizada na ausência de qualquer relação comercial ou financeira que pudesse ser interpretada como potencial conflito de interesses.
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Tradução não oficial em português de Habilidades parentais, funcionamento familiar e apoio social em situações de violência filioparental: uma revisão de escopo da literatura, de Shirley Arias-Rivera, Bárbara Lorence e Victoria Hidalgo, Journal of Family Violence, vol. 37, no 7 (2022), doi: 10.1007/s10896-021-00316-y, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença (tabelas apresentadas em listas, figura em inglês). Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.
Tradução não oficial para o português de “Parenting Skills, Family Functioning and Social Support in Situations of Child-to-Parent Violence: a Scoping Review of the Literature”, publicado em Journal of Family Violence (2022) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.
Ler o artigo originalComo citar este artigo
Arias-Rivera, S., Lorence, B., et Hidalgo, V. (2022). Habilidades parentais, funcionamento familiar e apoio social em situações de violência filioparental: uma revisão de escopo da literatura (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/habilidades-parentais-funcionamento-familiar-apoio-social-e-violencia-filioparental (Obra original publicada em 2021 em Journal of Family Violence, 37(7), 1147-1160 (2022); republicada em 2022 por Journal of Family Violence, https://link.springer.com/article/10.1007/s10896-021-00316-y)
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