Journal of Marital and Family Therapy · Terapia familiar

“Não estou aqui para ensinar você a ser gay”: experiências de alterização de pessoas LGBTQ+ na terapia de casal focada nas emoções

Falar da identidade queer na terapia de casal é reconhecê-la ou transformá-la em problema? Trinta e cinco pessoas LGBTQ+ atendidas em terapia de casal focada nas emoções assistiram a vídeos de formação e contaram a própria terapia. As respostas divergem, e é justamente esse o interesse do estudo: conforme o caso, a alterização vem da insistência ou do silêncio, de um espanto fora de lugar ou de uma conversa que fica na superfície.

Autores Caitlin Edwards, Lekie Dwanyen, Andrea Wittenborn e Robert Allan (Departamento de Desenvolvimento Humano e Estudos da Família, Universidade Estadual de Michigan, East Lansing, EUA)Primeira publicação Journal of Marital and Family Therapy, 6 de maio de 2026Tradução Complexe Systémique, tradução não oficial

Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de “Não estou aqui para ensinar você a ser gay”: experiências de alterização de pessoas LGBTQ+ na terapia de casal focada nas emoções, de Caitlin Edwards, Lekie Dwanyen, Andrea Wittenborn e Robert Allan, publicado na Journal of Marital and Family Therapy (Wiley) (2026), doi: 10.1111/jmft.70141, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. As falas das pessoas participantes foram traduzidas para o português; as pessoas cujo gênero a fonte não indica são designadas de forma neutra. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.

Não há uma resposta certa para lidar com as nuances das preferências da clientela quanto à conversa sobre identidade.

Caitlin Edwards, Lekie Dwanyen, Andrea Wittenborn e Robert Allan

Resumo

Apesar da ênfase crescente em considerar as interseções entre a identidade da clientela e a de terapeutas para melhorar os resultados terapêuticos, pessoas em terapia que têm identidades marginalizadas continuam a viver a alterização. A alterização é um processo que gera marginalização e desigualdade a partir de uma identidade de grupo preconcebida, envolve a construção hegemônica do pertencimento e do não pertencimento e muitas vezes implica ao mesmo tempo estereotipação e racialização. Este artigo relata a experiência de alterização de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgênero, queer ou em questionamento e mais (LGBTQ+) atendidas em terapia de casal focada nas emoções (EFCT, emotionally focused couple therapy), tanto na própria terapia quanto ao participar de um estudo sobre a adaptação da EFCT à experiência vivida específica de membros das comunidades LGBTQ+. Este estudo recorreu à análise de casos negativos no contexto de uma análise temática (AT) para desenvolver três temas: (1) compreender a identidade versus inflá-la, (2) educar a pessoa terapeuta e (3) aprofundar as conversas sobre identidade.

Palavras-chave: terapia de casal focada nas emoções, LGBTQ+, alterização

A pesquisa existente documenta os resultados positivos da psicoterapia culturalmente responsiva, inclusive da terapia de casal (Ellis et al. 2022; Hall et al. 2019; Soto et al. 2018). Um aspecto inerente à terapia culturalmente responsiva é a integração das identidades da clientela e de terapeutas (Davis et al. 2018; Pettyjohn et al. 2020). Embora a pesquisa apoie uma orientação multicultural do trabalho terapêutico (por exemplo, Jennings e Sprankle 2023; Owen et al. 2014), pessoas com identidades marginalizadas continuam a viver a alterização na terapia. A alterização é um processo multidimensional pelo qual um grupo dominante se concentra, de forma reducionista, nas características “que faltam” a um grupo externo, levando à discriminação e à marginalização (Jensen 2011). Para compreender melhor essa distância persistente entre a promessa de uma prática culturalmente responsiva e as realidades que a clientela enfrenta, este artigo relata as experiências de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transgênero, queer ou em questionamento e mais (LGBTQ+) atendidas em terapia de casal focada nas emoções (EFCT) que se sentiram alterizadas, tanto na própria terapia quanto ao participar de um estudo (Edwards et al. 2025).

1. Identidade de terapeutas e da clientela

Terapeutas e clientes levam para a terapia suas próprias identidades, distintas; essas identidades interagem ao longo da terapia, criando assim uma mistura de perspectivas, culturas e experiências potencialmente concordantes (Pettyjohn et al. 2020). A identidade da clientela e a de terapeutas influenciam, por exemplo, a aliança terapêutica (isto é, uma relação colaborativa com consenso em torno dos objetivos e das tarefas da terapia [Cruwys et al. 2023]). Uma identidade social compartilhada prediz tanto a aliança de trabalho quanto a percepção, pela pessoa atendida, da utilidade da terapia (Cruwys et al. 2023), enquanto a competência de terapeutas para lidar com diferenças raciais e étnicas depende tanto do gênero da pessoa atendida quanto do gênero de quem atende (Kivlighan et al. 2019); terapeutas parecem não perceber as interseções de opressão vividas por mulheres de cor (Kivlighan et al. 2019). A identidade também influencia a percepção que a clientela tem da competência de terapeutas: pessoas atendidas de minorias raciais e étnicas percebem em terapeutas de minorias raciais ou étnicas mais autenticidade e maior competência cultural (Phillip e Maimon 2023).

Além disso, ter uma identidade marginalizada influencia o uso da terapia, já que pessoas com identidades historicamente marginalizadas relutam mais em entrar em terapia (Jones 2024) e a clientela de minorias raciais ou étnicas abandona a terapia mais cedo (Zeber et al. 2017). Por isso, terapeutas que trabalham com pessoas de identidades diferentes das suas (por exemplo, terapeutas cisgênero que atendem pessoas transgênero) podem enfrentar desafios específicos, viver aprendizagens inesperadas e precisar desenvolver conhecimentos e habilidades essenciais que sustentem sua capacidade de realizar um trabalho terapêutico eficaz (McGeorge et al. 2021; Salpietro et al. 2019). Um aspecto dos conhecimentos e habilidades necessários para lidar com a complexidade das identidades de terapeutas e da clientela na terapia é a capacidade de conceituar como as identidades interagem.

1.1 Modelos e referenciais

Vários referenciais podem ajudar terapeutas a conceituar as interações entre as próprias identidades e as da clientela, entre eles a interseccionalidade (Crenshaw 1989), a orientação multicultural (MCO, Multicultural Orientation; Davis et al. 2018; Owen 2013; Owen et al. 2011) e o modelo ADDRESSING de Hays (2024). A interseccionalidade (Crenshaw 1989) enfatiza as experiências vividas como multifacetadas, dinâmicas e subjetivamente influenciadas pelas posições sociais das pessoas, isto é, por sua proximidade com vantagens e desvantagens estruturais ligadas a suas identidades que se cruzam. Esse referencial também reconhece a proximidade com a marginalização sistêmica (por exemplo, pobreza, encarceramento de quem cuida, separação familiar forçada) como central para a posição social e vai além da identidade individual. Uma lente interseccional ilumina como o pertencimento percebido a um grupo expõe indivíduos e relações a formas singulares e complexas de discriminação e viés (Crenshaw 1989). Como a compreensão que cada indivíduo tem das próprias identidades é única, sua experiência de viés e discriminação também será, inerentemente, única (Crenshaw 1989).

O referencial da orientação multicultural (MCO; Davis et al. 2018; Owen 2013) propõe modos de estar com a clientela. Os três pilares da MCO são a humildade cultural, o conforto cultural e as oportunidades culturais. A humildade cultural reflete a capacidade de terapeutas de estabelecer relações igualitárias com a clientela, mantendo a autoconsciência e sem assumir uma postura defensiva quanto à própria capacidade de se orientar para o outro. O conforto cultural é o grau de conforto genuíno de terapeutas para sustentar conversas multiculturais na terapia, e as oportunidades culturais refletem as ações de terapeutas para explorar a identidade cultural (Davis et al. 2018; Owen 2013). A pesquisa mostra que terapeutas com altos níveis de humildade e conforto culturais, e que também aproveitam as oportunidades culturais, têm melhores resultados terapêuticos (Davis et al. 2018; Owen et al. 2016).

O modelo ADDRESSING destaca normas e sistemas culturais que concedem ou negam privilégios e permite compreender a diversidade dentro de um grupo (Hays 2024). O acrônimo pode ajudar terapeutas a avaliar como suas identidades podem influenciar a relação terapêutica e como a clientela pode viver o mundo a partir de suas identidades que se cruzam: idade e geração (Age), deficiência de desenvolvimento ou outra (Developmental/other Disability), religião e espiritualidade (Religion), etnia e identidade racial (Ethnicity), nível socioeconômico (SES), orientação sexual (Sexual orientation), herança indígena (Indigenous heritage), origem nacional (National origin) e gênero (Gender) (Hays 2024). O ADDRESSING incentiva terapeutas a (1) fazer autoavaliações contínuas sobre como a identidade molda o trabalho terapêutico, (2) estar em sintonia com as desigualdades estruturais inscritas no sistema de saúde mental, (3) enfrentar a opressão sistêmica e (4) focar as forças da clientela (Hays 2024). Embora vários modelos e referenciais ajudem terapeutas a conceituar e abordar como as identidades da clientela e de terapeutas interagem ao longo da terapia, é comum terapeutas deixarem passar oportunidades culturais (Davis et al. 2018) ou, sem querer, dizer ou fazer algo que alteriza a pessoa atendida.

2. A alterização

De modo geral, a alterização é um processo que gera marginalização e desigualdade a partir de uma identidade de grupo preconcebida (Powell e Menendian 2016) e envolve a construção hegemônica do pertencimento e do não pertencimento (Akbulut e Razum 2022). A alterização ocorre quando se atribuem a um indivíduo ou grupo, de forma sistemática ou interpessoal, traços vividos como estrangeiros, indesejáveis ou alheios (Milkavcic e LeBlanc 2014), e muitas vezes implica ao mesmo tempo estereotipação e racialização (Powell e Menendian 2016). Para alterizar, um grupo interno precisa entender a identidade como dicotômica, criando assim um grupo externo (Akbulut e Razum 2022). De fato, a alterização pressupõe que a sociedade é formada por grupos reais e distinguíveis e, portanto, supõe que existem diferenças genuínas entre grupos (Akbulut e Razum 2022).

2.1 A alterização na psicoterapia

Infelizmente, a alterização acontece na terapia, pois o modo como o poder e a opressão existem na sala de terapia reflete o modo como essas dinâmicas se desenrolam no contexto sociocultural mais amplo (Moodley 2009). Terapeutas que invalidam e descentram vozes marginalizadas fora da sala de terapia podem reproduzir esses processos com a clientela, enquanto terapeutas que se sintonizam com empatia às experiências de opressão e marginalização da clientela provavelmente fazem o mesmo fora da terapia (Kuo et al. 2022). A alterização praticada por terapeutas afeta negativamente o acesso a um tratamento de qualidade e, assim, agrava as desigualdades de saúde existentes (Bhugra et al. 2023).

A alterização costuma ser um processo complexo, que depende tanto das pessoas envolvidas quanto do contexto (Powell e Menendian 2016). Algumas partes de um indivíduo podem ser alterizadas (por exemplo, a condição de deficiência), enquanto outros aspectos da identidade são acolhidos (por exemplo, a raça). De fato, a alterização ocorre quando um aspecto indesejado da identidade social está visível, mas também desvalorizado naquele contexto (Powell e Menendian 2016). A alterização também pode ser involuntária, ou praticada por ignorância, por terapeutas que não percebem como a identidade influencia o trabalho terapêutico. Assim, o uso dos modelos e referenciais que ajudam a compreender como a identidade da clientela e a de terapeutas interagem é necessário para limitar as experiências de alterização da clientela.

2.2 Microagressões

As microagressões (isto é, experiências interpessoais comuns e breves que transmitem mensagens depreciativas sobre um grupo de pessoas, com base em vieses e crenças inconscientes [Sue et al. 2022]) são uma forma comum de alterização. Elas podem ser verbais ou não verbais, costumam ser indiretas, podem ocorrer em situações em que há explicações alternativas para um traço ou comportamento e são mais prováveis quando se finge não notar as diferenças (Sue et al. 2022). Quem perpetua microagressões muitas vezes adota uma visão individualista dos traços e comportamentos das pessoas, negando assim o impacto sistemático, cognitivo e comportamental da raça, da etnia, do gênero, da orientação sexual, da condição de deficiência e da religião ou espiritualidade (Sue et al. 2022). Há vários tipos de microagressões, entre eles os microinsultos (rebaixamentos sutis), os microataques (ofensas explícitas) e as microinvalidações (isto é, a negação da experiência de alguém, especialmente da marginalização e da opressão [Sue et al. 2022]). Quando ocorrem na terapia, as microagressões estão associadas a piores resultados para a clientela (Davis et al. 2016). Por exemplo, pessoas transgênero em terapia relatam falta de respeito à sua identidade de gênero (por exemplo, erro de gênero), confusão entre identidade sexual e identidade de gênero e ênfase excessiva na disforia de gênero como diagnóstico, o que afeta negativamente os resultados da terapia (Morris et al. 2020).

3. O presente estudo

Este artigo faz parte de um estudo mais amplo, concebido para compreender as experiências de pessoas LGBTQ+ atendidas em EFCT e suas recomendações para adaptar a EFCT. Nesse processo, as pessoas participantes falaram de experiências na terapia que afirmavam sua identidade, mas também de experiências vividas como alterizantes. Este artigo descreve os relatos das pessoas participantes sobre ter se sentido alterizadas tanto na própria terapia quanto ao participar deste estudo.

3.1 A EFCT

A EFCT (Johnson 2019) é uma abordagem de tratamento relacional bem pesquisada e baseada em evidências (Spengler et al. 2022). Ela integra elementos da teoria dos sistemas, métodos experienciais e terapia familiar humanista, e se fundamenta na teoria do apego (Johnson 2019). As intervenções associadas à EFCT buscam favorecer uma maior sintonia emocional entre as pessoas do casal, reduzir padrões destrutivos de interação e fortalecer os vínculos de apego (Johnson 2019).

3.1.1 A EFCT com populações diversas

A literatura empírica que descreve a EFT aplicada a populações diversas é limitada. A EFCT “pura” foi estudada com casais iranianos (por exemplo, Ahmadi et al. 2014; Najafi et al. 2015), casais taiwaneses (Tseng et al. 2024) e casais afro-americanos heterossexuais (Nightingale 2019). No entanto, artigos conceituais (por exemplo, Allan e Johnson 2016; Guillory 2021) e empíricos começaram a surgir para preencher essas lacunas. Por exemplo, adaptações culturais amplas da EFCT foram descritas por Allan et al. (2022), Hattori (2014) ilustra uma EFCT culturalmente adaptada para casais japoneses, e Edwards et al. (2025) documentam recomendações de terapeutas de EFCT para o uso da EFCT com pessoas e relações LGBTQ+.

4. Métodos

4.1 Delineamento do estudo

Este estudo foi concebido originalmente para reunir informações de pessoas atendidas em EFCT que se identificavam como membros das comunidades LGBTQ+ sobre como adaptar a EFCT à sua experiência vivida específica. Esses resultados principais estão descritos em Edwards et al. (2025). Este artigo se concentra especificamente no tema inesperado da alterização, que surgiu tanto quando as pessoas participantes falavam de suas experiências pessoais com a EFCT quanto quando se engajavam no procedimento do estudo, o teste em sala.

4.1.1 Grupos focais com teste em sala

O teste em sala (theater testing) é um método de coleta de dados desenvolvido na pesquisa de mercado para obter o retorno de participantes sobre produtos, serviços e anúncios (National Cancer Institute 2004). Ele envolve um pequeno grupo de pessoas-alvo que interage com materiais audiovisuais e/ou os discute (National Cancer Institute 2004). Na pesquisa de mercado, o teste em sala costuma ser combinado com grupos focais (National Cancer Institute 2004). Os grupos focais com teste em sala permitem reunir uma gama de opiniões e experiências e compreender por que quem participa do grupo pensa e sente o que pensa e sente sobre o material audiovisual (Hodock 1980; Whitehill King et al. 1993). Na pesquisa de mercado, isso dá às equipes de pesquisa a oportunidade de fazer mudanças para vender melhor o produto ou serviço (Atkin e Freimuth 2013).

Quando usado na pesquisa de intervenções, o teste em sala com grupos focais envolve o público-alvo da intervenção observando e discutindo seu impacto, sua viabilidade e o potencial de mudanças culturalmente relevantes (Wingood e DiClemente 2008). Mais especificamente, o teste em sala pode ser usado para reunir as vozes e experiências em primeira pessoa de determinados grupos culturais, a fim de definir como aumentar a relevância cultural de uma intervenção (Wingood e DiClemente 2008). Entre as adaptações culturais surgidas do uso do teste em sala estão uma maior atenção ao autocuidado dos sintomas de HIV na Tailândia (Khumsaen e Stephenson 2017) e o desenvolvimento de um aplicativo de prevenção do HIV para homens que fazem sexo com homens (HSH; Goldenberg et al. 2015).

4.2 Recrutamento e participantes

O estudo foi divulgado entre abril e outubro de 2023 pela lista de e-mails de EFCT queer, pela lista do International Centre for Excellence in Emotionally Focused Therapy (ICEEFT) e em grupos de Facebook de EFCT queer. Lideranças de centros de EFCT e pessoas que organizam comunidades também foram contatadas e convidadas a divulgar o estudo em suas redes locais de EFCT. Cada terapeuta de país de língua inglesa listado no diretório do ICEEFT recebeu um convite por e-mail. Os anúncios traziam detalhes sobre o objetivo do estudo, seus procedimentos, seu caráter voluntário e a compensação.

Para ter elegibilidade, as pessoas precisavam: (1) se identificar como membros das comunidades LGBTQ+, (2) ter concluído no mínimo seis sessões de EFCT com uma pessoa parceira com quem estivessem em relação havia pelo menos um ano e (3) ter 18 anos ou mais. Foram excluídas as pessoas que estivessem vivendo psicose ativa, violência por parceiro íntimo ou ideação suicida. As pessoas que relataram ideação suicida na triagem foram encaminhadas para a linha de crise 988 e para recursos locais de apoio pertinentes.

Participaram, no total, 35 pessoas que se identificavam como LGBTQ+. A maioria se identificou como branca (71%) e vivia nos Estados Unidos (89%). As demais residiam na Bélgica (3,67%), no Canadá (3,76%) e na Austrália (3,76%). Duas pessoas se identificaram como multirraciais, duas como asiáticas, duas como negras e duas preferiram não especificar sua raça. Três se identificaram como hispânicas, latino/a/x ou de origem espanhola: duas como mexicanas, mexicano-americanas ou chicana/o/x, e uma como brasileira. Sete pessoas relataram trabalhar como terapeutas; quatro delas tinham formação específica em EFCT, seis tinham mestrado e uma tinha doutorado. A maioria das pessoas participantes (95%) expressou satisfação com a EFCT. Outras informações demográficas (por exemplo, idade, renda anual) foram relatadas em Edwards et al. (2025).

4.3 Procedimentos de coleta de dados

A coleta de dados começou após a aprovação do comitê de ética (IRB) da Universidade Estadual de Michigan (n.º 8915). Uma semana antes de cada sessão de grupo focal, as pessoas participantes recebiam um e-mail com a pauta e os objetivos, o roteiro de entrevista, um link para a reunião no Microsoft Teams e links para o termo de consentimento e o questionário demográfico. Um e-mail de lembrete era enviado 24 h antes da sessão marcada. Os grupos focais duraram de 105 a 142 min, com duração média de 122 min (ver Edwards et al. (2025) para mais detalhes sobre a metodologia).

De acordo com as recomendações de Krueger e Casey (2015) para a condução de grupos focais, os grupos começavam com uma série de perguntas de abertura sobre como as pessoas participantes tinham encontrado a pessoa terapeuta de EFCT que as atendia e como essa pessoa tinha promovido uma sensação de segurança. Em seguida, as pessoas participantes assistiam a dois trechos dos vídeos de formação em EFCT The EFT Path to Secure Connection: Working Successfully with Same-Sex Couples (Reel Concepts for Susan Johnson Inc. 2011). O primeiro trecho focava a identificação de ciclos negativos de interação com um casal de homens gays, e o segundo mostrava o reengajamento de uma parceira retraída com um casal de lésbicas. As duas sessões eram conduzidas pela mesma terapeuta especialista em EFCT, formadora e supervisora, demonstrando a EFCT com fidelidade ao modelo. Esses vídeos ilustravam práticas padrão de EFCT, mas não incorporavam estratégias socioculturais comumente usadas com populações marginalizadas. Assim, embora os vídeos modelassem uma EFCT eficaz e “pura”, não havia o objetivo explícito de refletir práticas terapêuticas culturalmente responsivas e/ou afirmativas.

4.4 Análise dos dados

As transcrições dos grupos focais foram geradas pelo Microsoft Teams e usadas a partir daí para a análise dos dados. Antes da análise, a pessoa que assina em primeiro lugar revisou cada transcrição ouvindo a gravação de áudio correspondente e corrigindo eventuais erros de transcrição. Foram empregados procedimentos analíticos flexíveis e indutivos para dar conta da riqueza que emergia dentro dos dados. Todos os dados foram analisados com os procedimentos da AT, um método em seis etapas para analisar dados qualitativos. As seis etapas (Braun e Clarke 2006) incluem (1) familiarizar-se com os dados, (2) gerar códigos iniciais, (3) identificar temas potenciais, (4) revisar esses temas, (5) definir e nomear os temas e (6) produzir o relatório final.

Para iniciar a familiarização, a pessoa que assina em primeiro lugar ouviu a gravação de cada grupo focal fazendo anotações e, em seguida, leu cada transcrição quatro vezes, como se recomenda para permitir um envolvimento profundo com os dados (Saldana 2021). As anotações também ajudaram nesse processo, registrando os principais aprendizados de cada grupo e as primeiras impressões sobre os dados. Depois, os códigos iniciais foram gerados pela identificação de palavras-chave, conceitos, frases breves e códigos in vivo (as palavras exatas das pessoas participantes) essenciais para as principais perguntas de pesquisa.

Em seguida, para identificar temas potenciais, a pessoa que assina em primeiro lugar começou identificando padrões, ideias recorrentes e categorias potenciais capazes de organizar os códigos-chave. Seguiu-se a codificação latente, usada para interpretar significados e conceitos mais profundos e subjacentes a partir do contexto dos dados (Saldana 2021). Os códigos latentes foram então indexados por um procedimento padronizado no Microsoft Word. Durante a codificação, surgiram vários temas salientes que não tinham sido explicitamente previstos no delineamento original do estudo. Esses temas foram incorporados nas rodadas seguintes de análise e de geração de temas, por um processo iterativo de refinamento dos códigos e de redação de memorandos. O surgimento desses resultados provocou frequentes considerações reflexivas sobre o objetivo original do estudo, já que resultados inesperados podem ocorrer na pesquisa qualitativa (Creswell e Poth 2018).

Por isso, auditorias internas e externas foram realizadas pelas pessoas que assinam em segundo, terceiro e quarto lugar, para fortalecer a confiabilidade do estudo. A pessoa que assina em terceiro lugar realizou auditorias internas da trilha de dados, garantindo o alinhamento entre os dados existentes (gravações de áudio, transcrições, anotações da pessoa que assina em primeiro lugar) e os temas e subtemas finais. Toda a equipe realizou auditorias externas para verificar se a apresentação final dos resultados estava alinhada com os objetivos do estudo, os métodos e as falas das pessoas participantes. Isso garantiu que os códigos, os temas e o relatório final permanecessem o mais próximo possível das perspectivas das pessoas participantes, sobretudo no tema inesperado e emergente da alterização. Esses processos sustentaram a reflexividade da equipe de pesquisa e ajudaram a lidar com possíveis pressupostos e vieses ao longo de toda a pesquisa.

4.4.1 Confiabilidade

A credibilidade da pesquisa qualitativa é avaliada pela clareza com que os dados e os métodos de pesquisa são apresentados (Hadi e José Closs 2016). Para aumentar a transparência deste estudo, a equipe forneceu uma descrição detalhada dos procedimentos de pesquisa e evidências de triangulação (isto é, o uso de múltiplas fontes de dados para construir uma compreensão abrangente do tema [Hadi e José Closs 2016]), incluindo notas e memorandos redigidos pela pessoa que cofacilitou os grupos focais. Para verificar a exatidão das transcrições, cada participante recebeu por e-mail uma cópia de suas respostas para revisão (isto é, checagem pelos membros, ou member checking). A checagem pelos membros permite às pessoas participantes confirmar se suas perspectivas foram representadas com precisão, ajudando assim a pesquisa a garantir a autenticidade do relato de suas experiências (Creswell e Poth 2018). Três pessoas revisaram suas transcrições e confirmaram que suas visões estavam fielmente refletidas, enquanto outras duas compartilharam anotações que tinham feito durante as sessões dos grupos focais.

No início deste projeto, a equipe não esperava que a discussão sobre identidade levasse pessoas participantes a se sentirem alterizadas; a pesquisa existente apoia fortemente a integração da identidade no processo terapêutico, especialmente para a clientela LGBTQ+ (Neff 2024). Por isso, este artigo se concentra na análise de casos negativos, que envolve a análise e a inclusão deliberadas de dados que não se ajustam às previsões teóricas ou aos padrões esperados (Hanson 2017; Miles et al. 2019). A análise de casos negativos aumenta a confiabilidade e o rigor da pesquisa qualitativa, pois envolve uma investigação completa dos fatores que poderiam explicar os dados inesperados e permite à equipe de pesquisa revisar pressupostos teóricos (Hanson 2017; Miles et al. 2019).

4.4.2 Posicionamento da equipe de pesquisa

A pessoa que assina em primeiro lugar, branca, pansexual, poliamorosa, agênero, de apresentação feminina (femme-presenting) e vinda de um meio de classe média baixa, manteve diários reflexivos ao longo de todo o projeto para examinar como suas identidades sociais moldavam a produção e a interpretação do conhecimento. Como foi ela quem organizou e conduziu todos os grupos focais, seu posicionamento provavelmente influenciou o processo de pesquisa. O alinhamento entre suas identidades e as de muitas pessoas participantes pode ter facilitado a criação de vínculo, incentivando as pessoas participantes a falar mais abertamente e permitindo a coleta de dados mais ricos. Como grupo, as quatro pessoas da equipe representam identidades diversas e compartilham interesses de pesquisa em prática baseada em evidências e em terapias sistêmicas culturalmente sintonizadas.

5. Resultados

As pessoas participantes deram retornos complexos e nuançados sobre suas observações dos vídeos e sobre suas próprias experiências de EFCT, dos quais emergiu o tema inesperado da alterização. Todas relataram ter procurado especificamente uma pessoa terapeuta com experiência de trabalho com as comunidades LGBTQ+. No entanto, o grau em que desejavam que suas identidades LGBTQ+ fossem integradas à EFCT variou, o que levou algumas a se sentirem alterizadas. De fato, as maneiras como a identidade era abordada, ou não abordada, tanto na terapia quanto nos vídeos de formação, foram vividas de formas complexas. Três temas relacionados a essa experiência de alterização emergiram da análise de casos negativos: (1) compreender a identidade versus inflá-la, (2) educar a pessoa terapeuta e (3) aprofundar as conversas sobre identidade.

5.1 Tema 1: compreender a identidade versus inflá-la

Todas as pessoas participantes concordaram que terapeutas precisam ter experiência de trabalho com as comunidades LGBTQ+; era importante para elas que a pessoa terapeuta que as atendia entendesse o que significa uma vida não heterossexual e/ou não cisgênero. Contudo, algumas pessoas participantes cisgênero explicaram que, se a pessoa terapeuta abordasse sua identidade sexual, elas se sentiriam alterizadas: viveriam sua identidade como inflada, o que criaria uma comparação entre relações hétero/cisgênero e relações LGBTQ+, significando que sua relação não estava “no mesmo plano que qualquer outra relação” (P15). Ao criar essa comparação, essas pessoas relataram sentir que terapeutas não conheciam as relações LGBTQ+ e/ou que havia uma diferença inerente e problemática entre suas relações e as relações heterossexuais/cisgênero.

De fato, várias pessoas participantes observaram que, se a pessoa terapeuta abordasse sua identidade sexual, isso significaria que sua relação era anormal. P2 explicou que a terapia não era um espaço para o gênero ou a sexualidade serem “apontados”, porque queria “só ser igual a todo mundo”. Assim, a ausência de conversa sobre sexualidade significava ser “basicamente igual a todo mundo” (P11). Falar de identidade faria as pessoas participantes “se sentirem diferentes” (P11). Isso se ligava diretamente à sensação de segurança na relação terapêutica, como explica P8: “[nossa sexualidade] não era uma questão, e era assim que eu me sentia em segurança, porque não era nada.” P7 resumiu: “Acho que isso realmente [nunca] foi mencionado, o que parece aceitação total.”

Além disso, várias pessoas participantes disseram que a identidade LGBTQ+ era irrelevante para o problema que as levara à terapia. Elas deram várias razões para isso: sentiam-se suficientemente seguras em sua identidade lésbica para que ela não parecesse relevante (por exemplo, P7, P16, P17), sua identidade queer era plenamente aceita pela pessoa parceira (por exemplo, P27, P28), os problemas que apresentavam eram experiências sem relação com a marginalização LGBTQ+ (por exemplo, P7, P8, P11, P12, P14, P24) e os desafios de uma relação inter-racial tinham precedência (por exemplo, P12, P13, P14). Isso tornou difícil para algumas pessoas participantes assistir ao vídeo de formação do estágio um, no qual a terapeuta fala abertamente da identidade de homem gay. Para P4, “[a terapeuta] fez da homossexualidade deles uma questão, e a questão era segurança e vulnerabilidade…. Não façam de ser gay uma questão. Se for uma questão… vocês não deveriam atender um casal gay.”

Por outro lado, duas pessoas participantes não cisgênero perceberam que o foco na identidade de gênero, a ponto de excluir o problema apresentado e ignorar outras partes da identidade de um casal, também era vivido como alterizante. P27 explicou sobre a própria experiência em EFCT: “… partiram do pressuposto de que minha transgeneridade era um problema, especialmente um problema no meu apego aos outros. Na minha sessão individual, [nossa pessoa terapeuta] concentrou toda a atenção na minha identidade trans.” (P27). A pessoa parceira de P27 (P28), que se identificava como não binária, explicou melhor como o foco dessa pessoa terapeuta na identidade trans foi vivido como alterizante: “Foi muito doloroso que [nossa pessoa terapeuta] nem sequer reconhecesse minha identidade [não binária]. E nenhuma das duas pessoas sentiu que [nossas sessões individuais] tinham a ver com nossa relação.” O foco na identidade, em certas identidades, em vez daquilo que a clientela considera relevante, amplificou os sentimentos de alterização e as experiências de marginalização.

5.2 Tema 2: educar terapeutas

As pessoas participantes muitas vezes procuravam terapeutas com experiência LGBTQ+ para não precisar educar essas pessoas sobre identidades e experiências LGBTQ+; como disse P20, ter uma pessoa terapeuta familiarizada com as experiências vividas de pessoas LGBTQ+ significava não precisar “dar todas essas malditas explicações”. Assim, ser responsável por ensinar terapeutas sobre as comunidades LGBTQ+ era percebido como uma tarefa rotineiramente imposta a pessoas marginalizadas e como uma das principais formas de alterização. P35 explicou: “Estou pagando para educar [a pessoa terapeuta] sobre algo que é bem razoável esperar que [ela] saiba. Não acho que isso seja algo que a gente esperaria de pessoas que não são de minorias.” A necessidade de educar a pessoa terapeuta sobre as comunidades LGBTQ+ também levou as pessoas participantes a falar da falta de segurança inerente ao fato de terapeutas aprenderem sobre suas identidades durante a terapia. Por exemplo, P24 afirmou: “Eu não sentiria o mesmo apoio… tendo que explicar como é ser queer.” P3 resumiu de forma sucinta: “Não estou aqui para ensinar você a ser gay.”

Várias pessoas participantes relataram que era importante a pessoa terapeuta aprender, mas também garantir que o foco permanecesse na experiência da pessoa atendida, e não no aprendizado da pessoa terapeuta. Isso ficou especialmente claro para as pessoas participantes que notaram que a terapeuta do vídeo de formação repetiu várias vezes que uma experiência particularmente comum entre homens gays (ser hiperindependente para evitar ser visto como feminino) nunca lhe tinha ocorrido. O foco da terapia passava então da relação do cliente para a experiência da própria terapeuta ao apreender uma informação nova. P31 observou: “Acho que o que é realmente alterizante é alguém reagir a algum aspecto da sua identidade ou experiência com muito espanto.” Isso sublinhava que a sexualidade das pessoas participantes e, portanto, partes inerentes delas mesmas eram outras, alheias, estrangeiras, e que não podiam esperar segurança de terapeutas que as alterizavam. Essa constatação da falta de segurança deixou algumas pessoas participantes com raiva, como explicou P14:

A resposta [da terapeuta] me incomodou muito… [o cliente do vídeo de formação] trouxe que tinha sido um menino gay, o que tinha implicações diferentes, e que qualquer emotividade era atribuída à feminilidade. O que tinha uma conotação muito negativa. E quando a terapeuta disse ‘nunca tinha pensado nisso’… eu pensei… você deveria saber disso. [Eu sei que] isso foi filmado no começo dos anos 2000 e que a formação de terapeutas sobre identidade queer simplesmente não existia. Ainda não existe… mas isso nunca te ocorreu?

Por outro lado, algumas pessoas participantes observaram que era importante a pessoa terapeuta estar aberta a aprender com a clientela. Para P15, P16, P17, P21 e P22, a curiosidade genuína de quem as atendia sobre suas experiências vividas tinha sido significativa e gerado segurança. Essa dualidade, a noção de que é importante terapeutas aprenderem e também é importante não expressarem esse aprendizado à clientela, especialmente quando ligado à identidade sexual e/ou de gênero, sublinha a complexidade de como e quando a clientela LGBTQ+ se sentiu alterizada.

5.3 Tema 3: abordar e aprofundar a identidade

As pessoas participantes também observaram que, em algumas circunstâncias, ajudava que terapeutas falassem abertamente das identidades LGBTQ+. P16 e P17 relataram que sua terapeuta perguntou sobre seus pronomes e abordou a própria identidade no início da terapia, o que gerou uma sensação de conforto e segurança. Além disso, todas as pessoas participantes que se identificavam como não brancas relataram que conversar sobre como a raça e a etnia influenciavam suas dinâmicas relacionais era essencial para garantir a segurança na relação terapêutica. Todas as pessoas que disseram ser importante falar de identidade enfatizaram que a identidade não devia ser abordada superficialmente; era necessária, ao contrário, uma conversa mais profunda sobre a identidade e suas implicações.

Parte do aprofundamento da conversa sobre identidade significava que a pessoa terapeuta precisava ir além dos estereótipos. De fato, ao observar o vídeo de formação, P11 notou como a escolha de palavras de terapeutas é importante ao falar de uma identidade que não compartilham com a clientela: “… [a terapeuta] nem sequer disse é como se [sic] você fosse um estrangeiro em terra estranha. Ela disse: ‘você é um estrangeiro em terra estranha.’ Eu pensei: não dá para falar de verdade da experiência de uma pessoa queer se você não é queer.” A ênfase na linguagem, em como a pessoa terapeuta faz afirmações sobre identidade, reforça a importância de fazer perguntas e de trabalhar a partir de uma posição de não saber, na qual a expertise é da clientela.

A importância de fazer perguntas, de usá-las para mergulhar mais fundo, foi enfatizada quando as pessoas participantes apontaram momentos em que a terapeuta especialista poderia ter aprofundado a conversa sobre identidade nos vídeos de formação: “… eles estavam falando de papéis de gênero, e [a terapeuta] está falando dos homens em geral. Havia tantas oportunidades de refletir e colocar a sexualidade deles e a relação deles no quadro do apego” (P34). P1 observou que a terapeuta especialista não aprofundou a conversa sobre sair do armário, o que a impediu de compreender o cliente mais profundamente e impediu o casal de discutir como criou segurança suficiente na relação para que um de seus membros saísse do armário no trabalho pela primeira vez. Várias pessoas participantes observaram que essa foi uma falha crucial, já que sair do armário pode ser um rito de passagem para pessoas LGBTQ+, carregado ao mesmo tempo de alegria e de medo.

Embora a terapeuta do vídeo de formação tenha falado da dualidade entre a “opressão externa” e a consequente experiência de opressão interna, faltou “alguma profundidade no modo como [a terapeuta] respondeu a esses dois elementos” (P31). P30 desenvolveu:

… no começo, pensei: que coisa poderosa ela ter escolhido trazer o tema das mensagens sobre masculinidade… ela está nomeando essa outra força do mesmo jeito que nomeia as forças internas e as forças de apego em jogo. E aí, assim que chegou o momento em que aquilo estava fora do que ela conseguia compreender… reducionista é a palavra perfeita: como se tentasse trazer aquilo de volta para um lugar onde ela entende, e onde é puramente uma escolha individualista e uma dinâmica individualista.

De fato, um dos homens gays do vídeo de formação do estágio um mencionou que poderia “potencialmente ser destruído” por sair do armário. P11 notou isso e observou: “Era uma coisa tão importante, tão grande emocionalmente para dizer. E [a terapeuta especialista] repetiu, mas não foi a lugar nenhum com isso.” A falta de profundidade, a falta de aprofundamento, resultou em sensação de alterização. Além disso, a incapacidade de sustentar as complexidades da interseccionalidade na relação não foi apenas observada nos vídeos de formação, mas também sentida nas experiências das próprias pessoas participantes em EFCT. P35, que se identificava como gênero-fluido, explicou que não conseguia levar para a terapia o próprio eu por inteiro e todas as nuances de sua relação:

… no carro, voltando para casa, a gente conversou… será que a gente simplesmente desiste de tentar fazer [nossa terapeuta] entender meu gênero? Tipo, eram tantas camadas que a gente simplesmente [deixou para lá]…. A gente vai só deixar ela tratar a gente como um casal cis/hétero e ver se funciona assim…. Acho que a gente aproveitou mais as sessões seguintes depois que deixou [nossas] nuances de lado.

A falta de aprofundamento da identidade, a incapacidade de sustentar a complexidade e a normalização de tratar a clientela “do mesmo jeito que qualquer casal hétero” (P21) deixaram algumas pessoas participantes com a sensação de serem estranhas, anormais e alterizadas, enquanto outras ansiavam por que suas identidades não ofuscassem o propósito da terapia.

6. Discussão

O presente estudo documenta, por meio da análise de casos negativos, o resultado inesperado da alterização vivida por membros das comunidades LGBTQ+ na EFCT. As pessoas participantes relataram que por que, quando e como a identidade LGBTQ+ era abordada, ou não, influenciava sua experiência tanto da terapia quanto da observação dos vídeos de formação. Mais especificamente, descreveram que abordar a identidade podia indicar que a pessoa terapeuta estava confundindo sua identidade sexual com o problema apresentado; que o modo como a identidade era abordada podia indicar que a clientela precisaria gastar tempo educando a pessoa terapeuta sobre experiências comuns nas comunidades LGBTQ+; e que, se a pessoa terapeuta fosse abordar a identidade, a conversa deveria se voltar para aprofundar a compreensão das experiências vividas da pessoa atendida. Esses resultados sugerem que abordar a identidade LGBTQ+ é algo nuançado e interseccional, já que há diversidade de visões sobre o que cada indivíduo (e cada relação) prefere.

As preferências das pessoas participantes quanto à abordagem de sua identidade sexual destacam aspectos essenciais da terapia culturalmente responsiva, entre eles o valor do diálogo aberto para definir as preferências da clientela quanto ao foco das sessões e a importância de alinhar o tratamento à visão de mundo da clientela. Acomodar as preferências da clientela resulta em menos abandono e melhores resultados (Swift et al. 2018), e a clientela prefere terapeutas que usam a conversa aberta para adaptar a terapia a suas necessidades específicas (Di Malta et al. 2025). Além disso, usar modelos, métodos e intervenções terapêuticas alinhados com os valores, crenças e pressupostos da clientela (isto é, sua visão de mundo) é tanto um princípio central da humildade cultural (Mosher et al. 2017) quanto uma forma de promover um cuidado culturalmente seguro (Wright et al. 2021).

A pesquisa apoia o uso da abordagem explícita (broaching) na terapia (Chang e Berk 2009; Sanders Thompson e Alexander 2006; Zhang e Burkhard 2008; Zhang e McCoy 2008). A abordagem explícita se refere a uma abertura e a um compromisso constantes de explorar com a clientela questões de diversidade, cultura, identidade, poder, privilégio e opressão (Day-Vines et al. 2020; Pettyjohn et al. 2020). Ela envolve várias dimensões: intra-aconselhamento (isto é, o reconhecimento das semelhanças e diferenças entre a pessoa que aconselha e a pessoa aconselhada), intraindividual (isto é, o reconhecimento da natureza interseccional da identidade), intracultural (isto é, o reconhecimento de possíveis preocupações que surgem no grupo de pertencimento da pessoa terapeuta) e intercultural (isto é, o reconhecimento, pela pessoa terapeuta, dos aspectos da opressão que afetam o sofrimento da clientela [Day-Vines et al. 2020]). A pesquisa sobre os resultados da abordagem explícita aponta maior credibilidade de quem atende, autorrevelação mais rica da clientela, maior probabilidade de retorno, aliança de trabalho reforçada e resultados terapêuticos superiores (Chang e Berk 2009; Sanders Thompson e Alexander 2006; Zhang e McCoy 2008). Na visão da clientela, terapeutas que fazem a abordagem explícita têm maior competência cultural (Allen 2024), sobretudo na visão da clientela LGBTQ+ (Quiñones et al. 2015).

Não há uma resposta certa para lidar com as nuances das preferências da clientela quanto à conversa sobre identidade e à revelação da identidade da pessoa terapeuta; essa conversa não tem tamanho único. Embora se atribua maior competência cultural a terapeutas que abordam explicitamente a identidade e a pesquisa existente apoie esse comportamento (Chang e Berk 2009; Sanders Thompson e Alexander 2006; Zhang e Burkhard 2008; Zhang e McCoy 2008), há também o risco de prejudicar a relação terapêutica. Por exemplo, a relação terapêutica pode ser danificada quando terapeutas falam de raça com pessoas que aderem a atitudes de “cegueira de cor” (colorblind) (Allen 2024), e terapeutas que abordam a condição de deficiência correm o risco de aumentar o sofrimento da clientela, que pode se sentir julgada (Anderson 2024). Por isso, recomendamos tanto falar a partir da pesquisa ao explicar por que terapeutas acreditam ser importante discutir as identidades da clientela e as próprias quanto avançar devagar, pedindo consentimento, verificando com a clientela o que ela se sente à vontade para discutir e seguindo o ritmo da pessoa atendida.

Modelos baseados em pesquisa, como o referencial da interseccionalidade (Crenshaw 1989), permitem a terapeutas considerar como múltiplas identidades que se cruzam podem influenciar as experiências vividas da clientela, ao mesmo tempo em que convidam a clientela a compartilhar suas próprias perspectivas sobre questões de privilégio e desvantagem que afetam de modo singular seu cotidiano. O modelo ADDRESSING (Hays 2024) e outros semelhantes podem complementar esses referenciais, permitindo a terapeutas avaliar e reconhecer experiências estruturais que perpetuam viés e discriminação, sem se afastar das realidades vividas pelos casais, a quem se deixa a possibilidade de contar se e como sua saúde, como indivíduos e como sistema conjugal, pode ser afetada pela marginalização. Esses referenciais não apenas ampliam a consciência, o conhecimento e a humildade diante de experiências diferentes das nossas, mas também permitem examinar pressupostos e comportamentos comuns que podem, intencionalmente ou não, perpetuar microagressões na terapia e, em última instância, comprometer os resultados da clientela (Davis et al. 2016).

Um ditado da terapia diz que é preciso “encontrar as pessoas onde elas estão”. Esses resultados indicam que é importante terapeutas encontrarem a clientela em seu estágio de desenvolvimento identitário. A identidade se refere ao senso contínuo de si de um indivíduo, definido por suas características físicas, psicológicas e interpessoais, bem como por suas filiações e papéis sociais, e que deriva da sensação de que suas memórias, crenças e valores pertencem ao self (American Psychological Association 2022). Existem vários modelos de desenvolvimento identitário (por exemplo, Bishop et al. 2020) que descrevem como membros das comunidades LGBTQ+ compreendem e integram sua identidade não heterossexual/não cisgênero. Por exemplo, um dos modelos mais detalhados de desenvolvimento da identidade lésbica, gay e bissexual foi descrito por Cass (1979).

Cass (1979) afirma que a identidade é adquirida por meio de processos de desenvolvimento e de mudança de comportamento, e que a estabilidade reside na interação entre o indivíduo e seu ambiente. Um indivíduo pode ter identidades pública e privada e, com o avanço do desenvolvimento, esses aspectos da identidade se integram e se tornam mais congruentes. Esse modelo inclui seis estágios, desde a confusão (isto é, o reconhecimento de que informações não heterossexuais são pessoalmente relevantes e experiências de incongruência na visão de si), passando por um terceiro estágio chamado tolerância (isto é, contato crescente com outras pessoas que se identificam como não heterossexuais), até um sexto estágio chamado síntese (isto é, a capacidade de avaliar de forma flexível e idiográfica tanto pessoas LGBTQ+ quanto pessoas heterossexuais, bem como a aceitação de uma identidade não heterossexual como uma parte entre os inúmeros aspectos do self [Cass 1979]). Pode ocorrer um fechamento identitário (foreclosure) se as reações de si e dos outros ao reconhecimento e/ou à revelação da identidade forem percebidas como negativas.

Apesar da ampla aceitação inicial do modelo de Cass, surgiram críticas importantes que questionam uma abordagem linear, por estágios, do desenvolvimento identitário (por exemplo, Horowitz e Newcomb 2002). Essas críticas incluem os limites de um modelo de desenvolvimento unidirecional, com ponto final, que não permite conceituar as identidades em esquemas mais complexos, com identidades em evolução contínua, iterativas e moldadas por contextos desenvolvimentais, socioculturais, interpessoais e históricos (D'Augelli 1994; Diamond 2006). Outra crítica é que o modelo de Cass e outros modelos iniciais de desenvolvimento foram elaborados sobretudo a partir de pequenas amostras comunitárias, compostas principalmente de homens gays brancos adultos. Bishop et al. (2020), por exemplo, constataram a importância de abordagens interseccionais e de curso de vida para o desenvolvimento da identidade sexual, observando uma variação substancial no momento e no ritmo dos marcos entre pessoas participantes lésbicas, gays e bissexuais. Ao realizar uma revisão sistemática das evidências de pesquisas longitudinais sobre o desenvolvimento da identidade de gênero, Fisher et al. (2025) constataram que padrões de desenvolvimento distintos podem ser observados quando se usam diferentes medidas e construtos de identidade de gênero. Numa perspectiva do apego, as partes do self que dizem respeito à identidade sexual e/ou de gênero podem ser cortadas ou reprimidas em função do contexto sociocultural e da experiência vivida. Pode não ser seguro para a clientela explorar essas partes de si na terapia, e ela pode precisar de uma abordagem explícita constante e sutil por parte da pessoa terapeuta, que sirva de modelo de como falar de suas identidades com segurança. Também é possível que várias das pessoas participantes que disseram não desejar a integração da identidade na terapia tenham fechado o próprio desenvolvimento identitário posterior.

Considerar a identidade como inserida em contextos socioculturais e dimensões sociais (Margi e McQueen 2023) permite pensar como as relações são afetadas pelo fechamento identitário e descrever possíveis razões para trabalhar a identidade como parte do trabalho terapêutico relacional. Por exemplo, embora seja adaptativa, a ocultação da identidade (isto é, a tendência a manter em privado a própria orientação sexual e os relacionamentos amorosos com pessoas do mesmo sexo [Mohr e Kendra 2011]) está associada negativamente à satisfação na relação (Guschlbauer et al. 2019; Pepping et al. 2019) e positivamente ao sofrimento psicológico (McIntyre et al. 2021; Riggle et al. 2017). Portanto, aumentar a satisfação na relação e diminuir o sofrimento envolve, de modo inerente, a integração da identidade para membros das comunidades LGBTQ+, o que reforça que terapeutas de EFCT integrem a conversa sobre identidade.

Além disso, as experiências dessas pessoas participantes sublinham a importância de terapeutas usarem o referencial MCO e, especificamente, a humildade cultural. De fato, terapeutas que incorporam a humildade cultural a seu trabalho têm a motivação de aprender com os outros ao longo da vida, examinam criticamente a própria consciência cultural, enfatizam o respeito interpessoal, dedicam-se a construir parcerias colaborativas com a clientela que enfrentem os desequilíbrios de poder e adotam uma postura orientada para o outro, que lhes permite acolher novas informações culturais (Mosher et al. 2017). As pessoas participantes deste estudo disseram que a terapeuta dos vídeos de formação nem sempre praticou a humildade cultural, o que ficou especialmente evidente no modo como ela examinou a própria consciência cultural e acolheu informações culturais novas. Essas experiências destacam a importância de uma presença plena junto à clientela quando ela compartilha informações culturais novas para nós, terapeutas, e também de como terapeutas elaboram essas informações culturais no momento. Isso exige reflexão no momento sobre como a pessoa terapeuta responde, verbal e não verbalmente, às novas informações culturais.

6.1 Limitações

Embora este estudo ofereça contribuições importantes sobre como a clientela LGBTQ+ vive a alterização, ele não pode descrever todas as formas possíveis pelas quais isso pode ocorrer. Isso pode ser especialmente verdadeiro para participantes que lidam com identidades interseccionais e outras identidades marginalizadas, como raça, etnia, classe e condição de deficiência, entre outras. De fato, a maior parte desta amostra se identificou como branca e com mais de 30 anos, o que limita a generalização para membros mais jovens das comunidades LGBTQ+ e para pessoas de cor. Outra limitação deste estudo foi que os dois primeiros grupos focais não puderam ver os vídeos por problemas técnicos. Embora pudessem ouvir o áudio, é possível que tenham perdido informações que só seriam recebidas vendo a gravação e/ou que sua atenção tenha se dispersado mais. As pessoas participantes também fizeram várias afirmações baseadas em suposições sobre o que seria mais adequado para certos grupos sob o guarda-chuva LGBTQ+ (por exemplo, homens gays, mulheres lésbicas). Por isso, é preciso notar que as pessoas participantes só podem falar de suas próprias experiências vividas, apesar de afirmações mais abrangentes. Por fim, as pessoas participantes falaram a partir de sua própria experiência na terapia. Como não entrevistamos nem avaliamos nenhuma das pessoas terapeutas de EFCT que encaminharam sua clientela para o estudo, não podemos ter certeza de que as pessoas participantes estavam reagindo a uma EFCT “pura” ou a uma versão adaptada.

7. Implicações para a formação e a prática em EFCT

Os resultados deste estudo apoiam uma mudança no modo como terapeutas de EFCT usam algumas micro-habilidades da EFT (por exemplo, reflexos empáticos, validação, resposta evocativa, intensificação, conjectura empática e coreografia de encontros engajados) para evitar a alterização. Por exemplo, as pessoas participantes destacaram a importância de fazer perguntas em vez de recorrer ao reflexo e à síntese. O uso de perguntas permite à pessoa atendida fazer escolhas sobre sua experiência; portanto, uma passagem das reflexões evocativas para as perguntas evocativas no trabalho com uma clientela que tem identidades marginalizadas pode se justificar. De fato, as pessoas participantes observaram a importância e o impacto profundo da curiosidade de terapeutas para aumentar a segurança.

Um aspecto indispensável da implementação tanto da humildade cultural quanto da abordagem explícita é a formação de terapeutas. Uma formação de qualidade pode aumentar o conforto de terapeutas com a abordagem explícita (Askren 2022) e com o uso do referencial MCO (Davis et al. 2018), especialmente no contexto da supervisão (Winkeljohn Black et al. 2025). Por isso, recomendamos enfaticamente que terapeutas de EFCT busquem formações e supervisão centradas tanto na abordagem explícita quanto no referencial MCO (Davis et al. 2018). Além da formação em modelos de humildade cultural, os resultados deste estudo também sugerem que terapeutas de EFCT podem se beneficiar de maior conhecimento de modelos complementares baseados em pesquisa (por exemplo, interseccionalidade, ADDRESSING) para manter em vista as experiências que a clientela pode viver quando tem múltiplas identidades marginalizadas que se cruzam. É essencial que terapeutas de EFCT se sintam à vontade para falar das próprias identidades e das identidades da clientela, pratiquem a humildade cultural, aproveitem as oportunidades culturais e criem segurança suficiente para permitir a reparação quando ocorrerem rupturas ligadas à alterização.

As pessoas participantes deste estudo acreditam que a alterização pode ser evitada quando terapeutas testemunham intencionalmente as experiências de marginalização e opressão da clientela. Ao abordar as experiências da clientela com humildade cultural e evitar impor os valores de quem atende, diminui a probabilidade de a clientela LGBTQ+ se sentir alterizada. Por fim, competências e diretrizes para terapeutas mencionam com frequência a integração do desenvolvimento identitário ao processo terapêutico (por exemplo, Ratts et al. 2016). Dado o vínculo entre apego e desenvolvimento identitário, é importante que terapeutas de EFCT conheçam esses modelos e os integrem a seu trabalho terapêutico com a clientela LGBTQ+.

Os resultados deste estudo apoiam fortemente a importância de terapeutas integrarem intencionalmente a identidade da clientela dentro de um referencial multicultural. Começar a terapia com o mínimo de conversa sobre identidade pode ajudar terapeutas a permanecer em sintonia com a preferência de cada pessoa quanto à incorporação ou não de sua identidade sexual e/ou de gênero ao tratamento. Quando a identidade for abordada, terapeutas devem fazer uma exploração ao mesmo tempo ampla e aprofundada, para garantir que ela seja significativa e relevante para a experiência da pessoa atendida.

Complexe Systémique: a reter

O estudo tem o mérito de publicar o que contraria suas próprias hipóteses: a equipe esperava que falar de identidade ajudasse, e parte das pessoas entrevistadas viveu o contrário. Numa leitura sistêmica, o resultado desenha um impasse conhecido: nomear a identidade pode alterizar (“vocês são diferentes”), e calá-la também (“vocês não existem”). Disso não sai nenhuma regra de conteúdo; o que ajuda é metacomunicar, isto é, perguntar ao casal se, quando e como quer que essas questões entrem na sessão, e seguir a resposta. O tema de educar a pessoa terapeuta é igualmente útil: o espanto exposto recentra a sessão no aprendizado profissional e faz da pessoa atendida um objeto de estudo. A crítica a um vídeo de formação do início dos anos 2000, gravado por uma especialista, lembra por fim que os modelos também se transmitem por seus pontos cegos. Os limites são reais: uma amostra sobretudo branca e com mais de 30 anos, dois grupos privados das imagens e nenhuma voz das pessoas terapeutas envolvidas. Para ler junto com as diretrizes para a EFT com relações do mesmo sexo ou do mesmo gênero e com a entrevista sobre a prática com pessoas queer e neurodivergentes.

Notas do original

Agradecimentos. Este trabalho foi financiado em parte pela bolsa anual de fomento inicial (seed grant) do Sexual and Gender Minority Health Consortium da Universidade Estadual de Michigan.

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Tradução não oficial em português de “Não estou aqui para ensinar você a ser gay”: experiências de alterização de pessoas LGBTQ+ na terapia de casal focada nas emoções, de Caitlin Edwards, Lekie Dwanyen, Andrea Wittenborn e Robert Allan, Journal of Marital and Family Therapy, vol. 52 (2026), doi: 10.1111/jmft.70141, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença. Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.

Tradução não oficial para o português de ““I'm Not Here to Teach You How to Be Gay:” LGBTQ+ Client Experiences of Othering in Emotionally Focused Couple Therapy”, publicado em Journal of Marital and Family Therapy (2026) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.

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Como citar este artigo

Edwards, C., Dwanyen, L., Wittenborn, A., et Allan, R. (2026). “Não estou aqui para ensinar você a ser gay”: experiências de alterização de pessoas LGBTQ+ na terapia de casal focada nas emoções (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/nao-estou-aqui-para-ensinar-voce-a-ser-gay-a-alterizacao-de-pessoas-lgbtq (Obra original publicada em 2026 em Journal of Marital and Family Therapy, 52, e70141 (2026); republicada em 2026 por Journal of Marital and Family Therapy, https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/jmft.70141)

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