Frontiers in Psychology · Casal

O uso estratégico das perguntas de perspectiva de observação na terapia de casal

“A Anna sabe o quanto você está magoado?” Herdeiras das perguntas circulares de Milão e das perguntas reflexivas de Karl Tomm, as perguntas que pedem a um membro do casal o que o outro pensa, sabe ou sente estão por toda parte na terapia de casal. Peter Muntigl e Adam Horvath as examinam com a lupa da análise da conversa, turno a turno, em sessões filmadas com dois casais.

Autores Peter Muntigl (Faculdade de Educação, Universidade Simon Fraser, Burnaby, Canadá; Departamento de Tradução, Interpretação e Comunicação, Universidade de Gante, Bélgica) e Adam O. Horvath (Faculdade de Educação, Universidade Simon Fraser, Burnaby, Canadá)Primeira publicação Frontiers in Psychology, 31 de agosto de 2023Tradução Complexe Systémique, tradução não oficial

Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de O uso estratégico das perguntas de perspectiva de observação na terapia de casal, de Peter Muntigl e Adam O. Horvath, publicado na Frontiers in Psychology (Frontiers Media) (2023), doi: 10.3389/fpsyg.2023.1229991, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. A tabela das convenções de transcrição é apresentada em forma de lista; os cinco trechos de sessões são reproduzidos tal como estão, em inglês e em notação de análise da conversa, e os fragmentos citados na análise vêm seguidos de uma tradução entre parênteses. Alguns lapsos de nomes do original (Leyla por Anna, Marvin por Melvin) foram corrigidos. A declaração sobre a disponibilidade dos dados e a nota do editor não foram reproduzidas. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.

As PPO não eram entregues “prontas”, mas construídas sequencial, interativa e responsivamente, turno a turno.

Peter Muntigl e Adam O. Horvath

Resumo

As perguntas são uma das estratégias mais usadas na terapia. Existe um conjunto de trabalhos teóricos sobre os tipos de pergunta preferidos em abordagens terapêuticas específicas. No entanto, a pesquisa sobre o uso de perguntas em geral, sobre como elas são formuladas e que trabalho terapêutico específico realizam, é relativamente escassa na literatura. Neste estudo, usamos o quadro conceitual e os métodos da análise da conversa (AC) para examinar como perguntas sistêmicas que solicitam a perspectiva de cada membro do casal sobre os pensamentos e as intenções do outro (perguntas de perspectiva de observação, PPO) se realizam interativamente na prática clínica real e que gama de trabalho terapêutico elas realizam na terapia de casal. Identificamos 78 PPO em dados de arquivo de terapias de casal de duração limitada gravadas em vídeo, com uma população clínica atendida por um terapeuta profissional. Desse conjunto de 78 PPO, foram selecionados cinco trechos que representam a diversidade de seus usos. Esses trechos foram transcritos em detalhe, captando não só o conteúdo textual, mas também os aspectos prosódicos, gestuais e não verbais desses episódios. Com a metodologia da AC, identificamos quatro tipos específicos de mudança que essas perguntas podem promover: avanço rumo a um otimismo relacional, apoio aos aspectos positivos da relação do casal, promoção da ideia de que as experiências e emoções do casal estão interligadas e introdução de novas opções relacionais criativas. As análises detalhadas desses trechos clínicos pela AC permitiram identificar como as sequências de PPO eram construídas para realizar esses movimentos terapeuticamente úteis, usando diversos recursos conversacionais de maneira progressiva e interativa. A análise conversacional dessas sequências facilitou a exploração das relações entre as formas como as perguntas são formuladas, situadas no tempo e enunciadas e as funções específicas que cumprem para fazer a terapia avançar. Em conclusão, defendemos, de modo geral, que examinar eventos importantes da terapia pela perspectiva da AC oferece um vetor complementar significativo à pesquisa quantitativa sobre o processo terapêutico.

1. Introdução

As definições de dicionário de “perguntas” costumam privilegiar noções como “frases ou orações interrogativas… concebidas para obter informação, definidas pela sintaxe ou pela estrutura gramatical” (por exemplo, Merriam-Webster, 2019). Na práxis da terapia, a forma gramatical da pergunta é uma das mais usadas (Hill, 2020) e pode ser concebida para cumprir uma enorme variedade de funções; obter informação, porém, é apenas uma parcela muito pequena dos desenhos possíveis.

Embora terapeutas façam perguntas com frequência durante a terapia, a literatura (teórica e empírica) sobre perguntas é relativamente escassa (Williams, 2023). Na maior parte da literatura disponível sobre psicoterapia, as perguntas são simplesmente divididas em duas categorias. De um lado, as “perguntas abertas”, que muitas vezes usam pronomes interrogativos (por exemplo, o que, quem, quando e por que); essas perguntas são concebidas para estimular a exploração ou a elaboração do tema. A segunda categoria é a das “perguntas fechadas”, que solicitam uma informação concreta relativamente sucinta ou uma resposta de sim ou não. Algumas teorias da terapia, como a centrada na pessoa e as humanistas, evitam perguntas fechadas e interrogativas e preferem formulações abertas (se é que usam perguntas), enquanto outras (por exemplo, a TCC) acolhem mais o uso de perguntas e não privilegiam um tipo em detrimento do outro (Elliott et al., 1987; Hill, 2020). Além disso, “aberta” e “fechada” são distinções muito grosseiras. Na psicoterapia, as perguntas cumprem uma gama diversa e rica de funções e são um componente fundamental da prática.1 Embora as perguntas sejam onipresentes em todas as formas de “terapia pela fala”, algumas orientações terapêuticas se concentram em tipos específicos de pergunta para alcançar objetivos específicos, e o uso dessas perguntas é um elemento central do tratamento. Por exemplo, as perguntas socráticas são usadas na terapia racional-emotiva (TRE) e em algumas aplicações da TCC para esclarecer crenças falsas e/ou disfuncionais (Ellis, 2019; Beck, 2021); a terapia breve focada em soluções (TBFS) usa perguntas hipotéticas (também chamadas perguntas “milagre”) para dirigir a atenção das pessoas atendidas para soluções específicas, alcançáveis, mas até então negligenciadas (de Shazer et al., 2007). A “Escola de Milão” de terapia familiar sistêmica (TFS) desenvolveu a noção de perguntas circulares, que solicitam de cada membro da família informações sobre como, a seu ver, os outros membros do sistema pensam ou percebem certas questões relacionais. Para a versão milanesa da TFS, essas perguntas circulares se tornaram uma forma de reformular o problema do paciente identificado como inserido num contexto familiar dinâmico, o que, segundo essa escola, é essencial para chegar a uma solução colaborativa e interativa (Palazzoli Selvini et al., 1986).

O trabalho teórico mais aprofundado e influente sobre o uso de perguntas, com atenção especial à terapia familiar e de casal, foi apresentado num artigo em três partes de Tomm (1987a, b, 1988). Tomm examinou as propriedades formais das perguntas no contexto da terapia e se concentrou num tipo de pergunta particularmente útil: a(s) pergunta(s) reflexiva(s) (PR). Ele definiu as PR como “perguntas feitas com a intenção de facilitar a autocura de um indivíduo ou de uma família, ativando a reflexividade entre significados dentro de sistemas de crenças preexistentes, o que permite aos membros da família gerar ou generalizar, de forma autônoma, padrões construtivos de cognição e comportamento” (Tomm, 1987b, p. 197). Dentro dessa ampla categoria de perguntas reflexivas, ele listou oito tipos específicos: perguntas orientadas para o futuro, perguntas de perspectiva de observação, perguntas de mudança de contexto [inesperada], perguntas de sugestão corporificada, perguntas de comparação normativa, perguntas de esclarecimento de distinções, perguntas que introduzem hipóteses e perguntas de interrupção de processo. As listas originais de tipos de pergunta de Tomm foram depois criticadas: em vez de especificar tipos ou formas distintos de pergunta, havia muitas vezes considerável sobreposição entre as categorias, que identificavam antes o trabalho ou os objetivos terapêuticos que as perguntas visavam alcançar. Ainda assim, esses artigos seminais continuam a enriquecer e a influenciar nossa compreensão da gama de trabalho que as perguntas podem realizar, não só na terapia familiar e de casal, mas também na terapia individual (Collins e Tomm, 2009).

É importante notar, porém, que quase toda a pesquisa atual sobre o tema2 considera a tipologia e o uso das perguntas na terapia de uma perspectiva teórica e centrada na pessoa terapeuta. A literatura disponível se concentra nas razões para usar perguntas, identifica vários objetivos a alcançar e, em muitos casos, oferece exemplos hipotéticos do uso de perguntas na terapia. Além disso, as investigações tenderam a não se concentrar nas seguintes questões importantes: como as perguntas são concebidas e realizadas em contextos clínicos reais? Como se desdobram sequencial e interativamente? Como as perguntas realizam trabalho relacional ao longo do tempo quando usadas com casais ou famílias? Em suma, falta examinar os tipos de impacto imediato e de curto prazo que essas perguntas têm sobre o discurso subsequente. Há estudos sobre o uso interacional de perguntas em conversas cotidianas (Stivers, 2010), mas muito poucos tratam do uso de perguntas no contexto da disciplina formal da psicoterapia, e, como vimos acima, o contexto da terapia oferece oportunidades especiais (e talvez riscos) no uso de perguntas. O estudo que apresentamos aqui pretende ser um passo para preencher essa lacuna.

As bases teóricas e práticas de nosso estudo estão na análise da conversa (AC) (Heritage, 2005; Sidnell, 2013). Embora nos mova o objetivo geral enunciado acima, tivemos, de modo realista, de considerar os limites de nossos recursos: na prática da psicoterapia, as perguntas têm uma ampla gama de usos. Por isso, selecionamos para este estudo uma variedade relativamente restrita (e não representativa) de perguntas: concentramo-nos na categoria que Tomm identificou como “perguntas de perspectiva de observação” (PPO), no contexto de uma modalidade de tratamento narrativa, na qual o uso desse tipo de pergunta está intimamente ligado à teoria e ao método do tratamento (White e Epston, 1990; de Shazer et al., 2007).

Num plano mais geral, nossa pesquisa se situa no esforço de complementar as abordagens de pesquisa para compreender melhor o processo de mudança na psicoterapia. A maior parte da pesquisa sobre o processo psicoterapêutico, teórica e empírica, se concentra em identificar intervenções e sequências específicas que resultem em tratamentos eficazes e eficientes do sofrimento psicológico das pessoas atendidas. O tema comum dessas contribuições importantes é a tentativa de responder à pergunta sobre “o que” [funciona] na terapia. O aspecto importante do “como” [se faz funcionar] no processo de mudança fica, em grande parte, à margem desses desenhos. A pesquisa baseada na AC adota uma perspectiva complementar e se concentra em como eventos importantes da terapia se desdobram na “terapia pela fala”: como essas intervenções são realizadas e tornadas eficazes. Em sua maioria, essas investigações de AC em terapia de casal (TC) e terapia familiar (TF) se concentraram na aliança terapêutica (Muntigl e Horvath, 2016), na colaboração entre terapeuta e pessoa atendida (Sutherland e Strong, 2011), na resistência (Muntigl, 2013), nos chamados “momentos de mudança” (Couture, 2006, 2007), nas agendas terapêuticas (Gale, 1991), em cônjuges que reivindicam independência e controle (Janusz et al., 2021), nas atribuições de culpa (Buttny, 1993; Edwards, 1995), nas queixas das pessoas atendidas (O’Reilly, 2005; Peräkylä et al., 2023) e na ordem moral familiar (Hutchby e O’Reilly, 2010; Wahlström, 2016). Uma “revisão metodológica crítica” defendendo os benefícios de usar a AC para estudar a terapia familiar foi feita por Tseliou (2013). Esperamos que a pesquisa aqui apresentada não só ajude a compreender melhor como as PPO funcionam na terapia de casal, mas também fortaleça o argumento de que a pesquisa em AC sobre o processo psicoterapêutico pode oferecer um complemento importante aos desenhos mais tradicionais de pesquisa de processo.

Já se mostrou que as perguntas são um veículo primordial para realizar o trabalho terapêutico (Ferrara, 1994; Peräkylä, 1995; Vehviläinen et al., 2008). As perguntas são construídas gramaticalmente de várias maneiras, mas a maioria aparece num formato polar (sim/não) ou de palavra interrogativa (Stivers, 2010). Já se mostrou que as sequências pergunta-resposta realizam vários tipos de trabalho discursivo, e o papel importante do questionamento no discurso institucional é uma área de investigação em franca expansão (por exemplo, Freed e Ehrlich, 2010). Nas consultas médicas, por exemplo, mostrou-se que as perguntas definem a agenda, carregam pressupostos, exibem uma posição epistêmica e tornam visíveis preferências de resposta (Heritage, 2010). Ao definir a agenda, as perguntas tornam relevante um certo tema de indagação. Assim, as perguntas podem ser vistas como tematizando determinado problema, questão relacional, evento passado etc.; as perguntas também podem, além de solicitar informação nova, pressupor certas informações ou conhecimentos que uma resposta pode ratificar implicitamente. Por buscarem informação, as perguntas podem implicar que terapeutas sabem menos ou estão numa posição epistêmica rebaixada em relação aos membros do casal. Terapeutas podem sinalizar especificamente esse conhecimento rebaixado ou mesmo elevar seu status de conhecimento por meio de características específicas do desenho do turno; por fim, as perguntas convidam a certas preferências de resposta (Schegloff, 2007), como a confirmação depois de uma pergunta de sim/não ou uma resposta que forneça a informação solicitada depois de uma pergunta com palavra interrogativa. Atender a essas preferências é considerado afiliativo (Stivers et al., 2011). Estudos baseados na AC começaram a identificar algumas funções importantes do questionamento na avaliação em saúde e nas interações terapêuticas, entre elas: atribuir qualidades positivas à pessoa atendida, ou as chamadas perguntas otimistas (MacMartin, 2008); perguntas hipotéticas para testar as opiniões ou os compromissos das pessoas atendidas em relação ao tratamento (Speer, 2012); perguntas reflexivas que “trazem à tona, esclarecem e desdobram o raciocínio das pessoas atendidas, isto é, suas explicações e reflexões sobre a própria experiência” (Gaete et al., 2018, p. 125); e o questionamento circular, para obter a perspectiva de uma pessoa sobre as crenças ou sentimentos de outra pessoa presente (Peräkylä, 1995; Rossen et al., 2020; Lester et al., 2022).

Nosso interesse específico neste estudo foi examinar a organização interativa das PPO na terapia de casal. De uma perspectiva interacional geral, as PPO convidam as pessoas atendidas a refletir sobre a experiência (por exemplo, a perspectiva ou os sentimentos) de alguém que pertence à sua rede social (parceria amorosa, amizades, pais, por exemplo). Segundo Tomm (1987b, p. 5), as PPO “visam ampliar a capacidade dos membros da família de distinguir comportamentos, eventos ou padrões que ainda não foram distinguidos ou de ver o significado de certos comportamentos e eventos ao reconhecer seu papel como elos ou conexões em padrões de interação em curso”. Além disso, embora haja um elemento de “leitura de mentes” associado a esses tipos de pergunta, o foco é interpessoal, e elas podem ser usadas para chamar a atenção para padrões relacionais recursivos (Tomm, 1987b). Interacionalmente, mostrou-se que as PPO suscitam uma fala “relevante para a relação”, chamam a atenção para a natureza sistêmica dos problemas e ajudam a superar a resistência (Peräkylä, 1995). Embora as PPO tenham sido estudadas no aconselhamento em HIV/aids (por exemplo, Peräkylä, 1995), ainda está por explorar como essas perguntas são usadas nas sessões de terapia de casal para promover a conexão entre os membros do casal.

2. Método

2.1. Dados e participantes

Os trechos analisados neste projeto foram selecionados de um estudo anterior concebido para examinar processos de mudança comuns a diversas formas de terapia de casal (Horvath et al., 2010).3 Os casais receberam gratuitamente um tratamento de duração limitada (seis sessões), conduzido por terapeutas de casal com qualificação e experiência, com no mínimo um mestrado em área pertinente. Terapeutas conduziram o tratamento como fariam com sua clientela particular, mediante remuneração.

Neste estudo, buscamos mostrar como a AC pode ser aplicada a episódios clinicamente relevantes de conversa em terapia de casal e como as PPO podem ter um papel singular para pôr esse projeto terapêutico em andamento. Para ilustrar a AC na prática, vamos nos basear em trechos transcritos de gravações em vídeo de casais que passaram por um tratamento combinando técnicas narrativas e focadas em soluções (White e Epston, 1990). Os trechos mostram o mesmo terapeuta trabalhando com dois casais diferentes: o caso 10 identificou por si mesmo a “comunicação” como uma preocupação comum4, e o caso 16 lidava com as consequências de uma relação extraconjugal; nos dois casos, o resultado global após o tratamento ficou na categoria “melhorou”.

2.2. Abordagem analítica

A AC é o principal método usado neste estudo (Heritage, 1984; Sacks, 1995; Schegloff, 2007). Seguindo Sidnell (2013), nosso método de análise teve três etapas: (1) observação; (2) identificação e constituição de um corpus; e (3) descrição de uma prática. Na primeira etapa, ao assistir a vídeos em que o terapeuta narrativo e focado em soluções em questão trabalhava com casais, observamos que ele costumava fazer perguntas que buscavam a perspectiva de quem respondia sobre o outro membro do casal, as que chamamos acima de PPO. Quisemos, então, explorar mais essa ação. Daí a segunda etapa: identificar e reunir, nas transcrições dos 3 casos (18 sessões), as sequências com PPO. Alguns exemplos desse tipo de pergunta foram: “De onde ele tira a ideia de que você já tomou sua decisão?”; “Ela sabe o que se passa com você quando isso acontece?”; “O fato de você ir até lá é um problema para ela?”; “Como ele faz você saber que sua opinião não conta?” Nessa etapa, todas as sessões foram transcritas seguindo as convenções de transcrição da AC (Hepburn e Bolden, 2013). As convenções de transcrição usadas neste estudo aparecem na Tabela 1. Na terceira etapa, apoiamo-nos na distinção de Sidnell (2013, p. 83) entre práticas de fala e as ações que elas implementam. Embora a ação central seja implementada por meio de uma pergunta que busca informação, as “práticas de fala” se referem a características do desenho do turno que têm consequências para realizar a ação de perguntar. Assim, interessava-nos identificar diferentes maneiras pelas quais as PPO são desenhadas gramatical e interacionalmente e como essas características de desenho podem influenciar a forma como os membros do casal se orientam para a pergunta. Para contextualizar adequadamente nossa análise das PPO, examinamos essas ações quanto à forma como se inseriam numa sequência de fala (Schegloff, 2007). A unidade mínima para examinar essas construções tinha três partes: pergunta (terapeuta), resposta (pessoa atendida), resposta de retorno (terapeuta). As respostas dentro da sequência também foram consideradas em relação a dois conceitos distintos. A afiliação: por exemplo, se a resposta à pergunta era direta (ou adiada por meio de um reparo iniciado pelo outro; Schegloff et al., 1977), ou se o terapeuta confirmava ou não a resposta da pessoa interrogada (uma discussão aprofundada sobre afiliação encontra-se em Lindström e Sorjonen, 2013). A epistêmica: como o terapeuta se apresentava como tendo um conhecimento menor ou “rebaixado”, ou como os membros do casal se apresentavam como tendo um conhecimento “elevado” ou como não tendo o conhecimento necessário para responder adequadamente (ver Heritage, 2012). Outros conceitos relevantes serão explicados brevemente à medida que forem introduzidos na análise dos trechos. Por fim, como nosso objetivo era também explicitar como as sequências de PPO podem ser vistas como realizando um trabalho interacional alinhado aos objetivos terapêuticos sistêmicos, consideramos também como essas sequências de perguntas produziam certa qualidade de conexão entre os membros do casal, ou, mais simplesmente, faziam trabalho relacional.

Tabela 1 — Convenções de transcrição

  • [: início de sobreposição de fala.
  • ]: fim de sobreposição de fala.
  • (1.5): silêncio medido em segundos.
  • (.): silêncio de menos de 0,2 s.
  • .: entonação descendente no fim do enunciado.
  • ,: entonação contínua no fim do enunciado.
  • ?: entonação ascendente no fim do enunciado.
  • (word): hipótese de quem transcreve.
  • (): trecho inaudível.
  • wor-: fala truncada, interrompida.
  • wo:rd: prolongamento de som.
  • word=word: encadeamento (sem pausa audível entre as palavras).
  • < word>: trecho de fala mais lento, arrastado.
  • >word <: trecho de fala apressado, comprimido.
  • °word°: trecho falado em voz baixa.
  • word (sublinhado no original): ênfase.
  • WORD: volume nitidamente alto.
  • ↓word: descida marcada do tom de voz.
  • ↑word: subida marcada do tom de voz.
  • .hhh: inspiração audível; o número de h indica a duração.
  • hhh: expiração audível; o número de h indica a duração.
  • heh/huh/hah/hih: partículas de riso.
  • wo(h)rd: partícula de riso ou expiração inserida numa palavra.
  • hx: suspiro.
  • ~word~: voz trêmula, vacilante ao longo do trecho.
  • .snih: fungada.
  • huhh.hhihHuyuh: soluços.
  • >hhuh <: soluços com inspiração ou expiração brusca.
  • ((cough)): sons não verbais audíveis (aqui, tosse).
  • Itálico (em azul): comportamento não verbal (a inicial indica quem o realiza).

3. Resultados: perguntas que buscam outras perspectivas

No total, foram identificados nos dados 78 exemplos de sequências de PPO voltadas para outras perspectivas. Nesse corpus, identificamos quatro práticas distintas pelas quais essas perguntas realizavam trabalho interpessoal: solicitar possíveis cenários otimistas (perguntas hipotéticas; n = 9), chamar a atenção para condutas do outro que favorecem a relação (n = 37), facilitar a consciência do conhecimento do outro (n = 10) e explorar barreiras a formas produtivas de se relacionar (n = 22). No primeiro tipo, as perguntas hipotéticas, o terapeuta solicitava a opinião de um membro do casal sobre como a relação poderia melhorar se algum aspecto da experiência do outro (conhecimento e sentimentos) mudasse. “Se… então” e “E se…” são práticas linguísticas comuns para pôr essa ação em andamento. Na segunda categoria, chamar a atenção para condutas do outro que favorecem a relação, o terapeuta levava um membro do casal a se concentrar nas contribuições positivas do outro para apoiar a relação aqui e agora, e não hipoteticamente. Os desenhos de turno mais comuns identificados foram “Como ele/ela lhe mostra Y?” ou “Você já notou ele/ela fazendo Y?”. A terceira categoria, facilitar a consciência do conhecimento do outro, chama a atenção de modo singular para aquilo de que o outro membro do casal pode não ter consciência (ou mesmo para o fato de a pessoa interrogada não saber o que o outro sabe…) e, além disso, para o fato de que ajudar o outro a obter esse conhecimento pode trazer benefícios para a relação. Os desenhos de turno genéricos comuns para essa categoria foram “O que ele/ela sabe/não sabe?”. Por fim, explorar barreiras a formas produtivas de se relacionar: esse tipo de PPO leva um membro do casal a refletir sobre as razões pelas quais o outro pode estar se contendo em sua conduta ou em suas emoções. Alguns formatos comuns para realizar essa ação foram “Por que ele/ela faz/não faz/para de fazer Y?”. Breves trechos de conversa que ilustram cada uma dessas ações são apresentados nas subseções a seguir.

3.1. “Se X, será que…?”; “E se…?”: solicitar possíveis cenários otimistas (perguntas hipotéticas)

As perguntas hipotéticas foram descritas como tendo comumente um formato de ação “Se… então” ou “E se” (Peräkylä, 1995; Speer, 2012). Uma pergunta hipotética aparece no Trecho 1, cerca de 15 minutos após o início da sessão 2. Antes desse trecho, o casal, Melvin e Leyla, vinha discutindo a importância de suas relações pessoais próprias com membros da família (irmão, irmã, pai ou mãe e primo ou prima). Melvin tinha mencionado o quanto valorizava as conversas com o tio, sobretudo depois da morte do pai, e a importância que dava às viagens anuais em família (sem Leyla) para manter o vínculo com seus familiares. Melvin também se queixou do que percebia como falta de respeito ou de compreensão de Leyla em relação à sua necessidade de estar com a família.

Transcrição do Trecho 1 em notação de análise da conversa
Trecho 1. Caso 10-2/603 (transcrição original em inglês, em notação de análise da conversa).

No início do Trecho 1, o terapeuta faz uma pergunta em forma interrogativa de sim/não (Can you…, “Você pode…”). A pergunta também é construída a partir do que se pode chamar de “posição de não saber” (Anderson et al., 1992), que posiciona claramente o terapeuta como tendo um acesso epistêmico rebaixado à perspectiva de Melvin (Heritage, 2012). Assim, ao pedir que Melvin help me:: to understand (“me ajude a entender”), o terapeuta busca mais do que um “sim” ou um “não”: busca um esclarecimento ou um relato mais extenso de Melvin. Nas linhas 04 a 09, Melvin produz então uma explicação, na qual afirma que Leyla não compartilha as mesmas prioridades e pode nem sempre reconhecer o que seria importante para ele. Notamos que Melvin desenha o início de seu turno como uma opinião (I would say that, “eu diria que”), o que não só indica que o que ele está prestes a dizer pode ser controverso (Leyla pode discordar ou ter outro ponto de vista), mas também parece se orientar para os direitos epistêmicos maiores de Leyla. Afinal, Melvin está relatando o que Leyla pensa. Em resposta, o terapeuta faz uma pergunta hipotética que leva Melvin a considerar como Leyla poderia ter outra perspectiva sobre a situação dele se entendesse o quanto certas questões familiares são importantes para ele. Por um lado, a pergunta propõe ao casal um cenário alternativo, no qual o pensamento de Leyla estaria mais alinhado ao de Melvin. Por outro, a pergunta gera concordância de Melvin em relação a um cenário relacional mais produtivo e positivo: Leyla compreende as necessidades de Melvin. Na linha 17, Melvin inicia uma sequência de reparo iniciado pelo outro com ∧Say that again.∧ (“Repete, por favor”) (Schegloff et al., 1977), mas também se inclina na direção do terapeuta, mostrando mais engajamento corporal com o que está sendo proposto. Depois do reparo do terapeuta, Melvin produz uma confirmação fraca (linha 21), o que leva o terapeuta a refazer a parte final da pergunta hipotética. Isso, por sua vez, obtém forte concordância de Melvin. Para concluir, parece que a pergunta hipotética, ao introduzir um cenário mais produtivo da perspectiva de Melvin (mas também do casal), sugeriu uma saída para o dilema, garantiu a concordância da pessoa atendida e deu ao casal uma possibilidade de seguir adiante. Além disso, esse movimento positivo se desdobrou sequencialmente ao longo de uma série de turnos, com o terapeuta adotando primeiro uma postura de “não saber” sobre as razões de Leyla, o que levou Melvin a elaborar mais. Isso criou, então, um bom contexto para uma pergunta hipotética voltada para um cenário possível em que Leyla apoiaria e compreenderia mais Melvin.

3.2. “Como ele/ela lhe mostra Y?”: chamar a atenção para condutas do outro que favorecem a relação

Algumas perguntas que buscam, junto a um membro do casal, a perspectiva do outro são formuladas de modo a chamar a atenção para o que o outro pode estar pensando, sentindo ou fazendo. Essas perguntas podem aparecer como um convite para que um membro do casal explique ou ilustre as ações, os pensamentos ou os sentimentos do outro e como isso pode trazer benefícios para a relação do casal. Também podem ser desenhadas de maneira mais tentativa, como aquilo que a pessoa notou no outro. Um exemplo desse tipo de pergunta aparece no Trecho 2, de outro casal, Colin e Anna, cerca de 40 minutos após o início da sessão 2. Uma das principais dificuldades desse casal era que Anna tivera um caso alguns anos antes, e Colin só descobrira recentemente, muitos anos depois de ter acontecido. Esse evento causou muita tensão na relação: Colin se sentia magoado e cínico e expressava esses sentimentos com frequência.

Transcrição do Trecho 2 em notação de análise da conversa
Trecho 2. Caso 16-2/1366 (transcrição original em inglês, em notação de análise da conversa).

Colin começa esse trecho relatando a decepção que sentiu quando Anna dormiu com outro homem. Na linha 08, T se afilia ao turno de Colin formulando seu sentimento de mágoa (It hurts.=doesn't it., “Dói, né”)5, o que recebeu confirmação imediata e, em seguida, uma confirmação reforçada, produzida em voz baixa [°(It does/sucks)°, “dói / é horrível”]. Na linha 13, o terapeuta retoma a expressão emocional incipiente de Colin perguntando se ele ainda sente a mágoa, destacando assim a dor de Colin no momento presente da terapia, diante de Anna. Depois, após uma confirmação mínima, ele lança sua PPO (linhas 15 a 18). A pergunta realiza vários tipos de trabalho interacional. Primeiro, desloca o tema de “Anna magoa Colin” para algo emocionalmente mais apoiador: “como Anna lhe mostra agora que se importa, que quer reconstruir a confiança”; segundo, tenta levar Colin a considerar motivações mais pró-sociais por parte de Anna (ela quer reparar o que fez). Embora esse movimento possa ser visto como voltando a atenção de Colin para a força positiva de Anna na relação, em vez de focar em como ela o magoou, pode ser que o terapeuta tenha buscado mudar de tema rápido demais. Há uma pausa de 1 segundo na linha 20, e Colin demonstra dificuldade para responder alegando falta de conhecimento (°Um:° °°I dunno,°°, “hum, sei lá”) e falando ainda mais baixo. Além disso, em vez de se orientar para a emoção demonstrada por Colin, o terapeuta continua a se concentrar nas possíveis motivações pró-sociais de Anna nas linhas 23 a 28 (ela tem escutado, está presente na terapia de casal, quer reparar a relação). Depois de receber uma confirmação mínima de Colin, ele usa outra PPO para levar Colin a nomear outras motivações pró-sociais que Anna poderia ter, independentemente das que o terapeuta já havia proposto. Isso também fala da mágoa de Colin sem confrontar Anna diretamente com ela, permitindo que Anna “veja” a mágoa de Colin sem ser solicitada a tomar posição e talvez ficar na defensiva.

As tentativas repetidas do terapeuta de tematizar as intenções positivas de Anna e levar Colin a contemplar essa perspectiva podem, porém, ter sido feitas rápido demais e podem não ter dado a devida atenção à crescente angústia de Colin por ter de enfrentar esse episódio doloroso; ou seja, talvez ele ainda não esteja pronto para considerar as ações de Anna de uma perspectiva alternativa, que não magoe. Isso se vê na pausa de 2 segundos na linha 34 e no °Take your time,° (“Leve o tempo que precisar”) dito em seguida pelo terapeuta. Essas respostas, conhecidas como take-your-times ou TYT, foram observadas em outros contextos institucionais, como linhas telefônicas de ajuda e depoimentos à polícia (Hepburn e Potter, 2007; Antaki et al., 2015). Mostrou-se que elas servem para gerir perturbações da fala, em vez de se afiliar e suscitar mais “fala emocional”; isto é, as TYT tendem a tratar a emoção como potencialmente perturbadora para a tarefa em curso, que no nosso trecho seria levar Colin a considerar a perspectiva de Anna por um ângulo pró-social. Colin demonstra grande dificuldade de se engajar na tarefa, como se nota pelas numerosas pausas longas e pela fala ininteligível. Ele também se orienta para a expectativa de se engajar no projeto do terapeuta, justificando por que não consegue responder (Can't think of anything right ↑now., “Não consigo pensar em nada agora”), mas também afirmando que deve haver maneiras pelas quais ela demonstra cuidado e confiança.

À medida que o trecho se desenrolava, Colin demonstrou em diversas ocasiões uma angústia crescente e choro. Uma opção para o terapeuta teria sido se afiliar à angústia dele, formulando-a e/ou engajando-se com ela em grau adequado, convidando Colin a continuar explorando sua mágoa (Muntigl, 2020; Muntigl et al., 2023). Em vez disso, o terapeuta concentrou persistentemente (e rapidamente) suas intervenções em levar Colin a considerar a perspectiva de Anna de um ponto de vista de “construção da relação”. Se o terapeuta tivesse investido mais afiliação ou empatia em sua resposta antes de seguir com seu projeto terapêutico de levar Colin a reconhecer as motivações pró-sociais de Anna6, isso talvez tivesse permitido a Colin lidar com sua mágoa naquele momento e lhe dado o apoio e o espaço para colaborar com o terapeuta. Nesse caso, porém, a conversa teria se concentrado sobretudo nas emoções e necessidades de Colin, e não na relação e nas implicações sistêmicas de sua mágoa e, o mais importante, em como Anna (em vez do terapeuta) poderia ajudá-lo com essa mágoa. Na linha 43, o terapeuta mais uma vez se abstém de se engajar com a mágoa, sugerindo em vez disso que Colin está evitando a questão (Are are you saying that because (.) Anna's here?, “Você está dizendo isso porque a Anna está aqui?”). Isso leva Colin a ficar na defensiva, negar a evitação e, em vez disso, reivindicar conhecimento das intenções de Anna, sem conseguir nomeá-las.

Para concluir, ao escolher permanecer no fio otimista e positivo, o terapeuta apoia de forma consistente o movimento para a frente na narrativa, passando da empatia e validação da “mágoa” para a possibilidade de que Anna esteja participando da dinâmica emocional ao tentar ajudar a reparar a relação. Assim, a dor de Colin é redefinida não apenas como um “assunto privado” que cabe a ele resolver, mas como algo interpessoal, em que Anna é uma participante importante. Isso também cria um deslocamento do passado para o presente, permitindo que Anna testemunhe o engajamento de Colin com sua dor.

3.3. “O que ele/ela sabe/não sabe?”: facilitar a consciência do conhecimento do outro

As PPO também podem solicitar o conhecimento de um membro do casal sobre o conhecimento do outro, e essas perguntas costumam aparecer nos seguintes formatos de turno: “O que ele/ela (não) sabe sobre X?” e “Ele/ela sabe sobre X?”, em que X geralmente se refere aos sentimentos do outro ou a questões relacionais importantes.7 A implicação aqui é que o outro pode não ter consciência das necessidades de quem responde e, portanto, pode ser importante dizê-las. Epistemicamente, essas perguntas implicam que quem responde pode assumir certos direitos epistêmicos ao inferir a extensão do conhecimento do outro membro do casal sobre certos eventos relacionais. Um exemplo de PPO voltada para o conhecimento do outro aparece no Trecho 3, que dá continuidade ao Trecho 1 com Melvin e Leyla. Lembremos que a conversa girava em torno da queixa de Melvin de que Leyla não respeita sua necessidade de estar com a família.

Transcrição do Trecho 3 em notação de análise da conversa
Trecho 3. Caso 10-2/603 (transcrição original em inglês, em notação de análise da conversa).

O terapeuta continua a conversa anterior (do Trecho 1) produzindo uma PPO (linhas 1 a 3). Epistemicamente, a primeira parte da pergunta coloca Melvin num papel de conhecimento elevado ([K+]; Heritage, 2012), no qual ele pode inferir aquilo que Leyla não sabe ou ter acesso a isso. A segunda parte da pergunta solicita então o que Melvin acha que “ela talvez precise saber”. A resposta de Melvin, a partir da linha 05, se orienta para as duas partes da pergunta. Melvin primeiro reflete sobre o conhecimento de Leyla de modo rebaixado (I think she thinks that uh::, “eu acho que ela acha que é…”) e depois propõe aquilo de que Leyla não tem consciência (>she doesn't<s::ee the visible importance of uh (.) the interaction,, “ela não vê a importância visível da… da interação”). A partir da linha 16, Melvin entra em detalhes significativos para explicar por que a interação entre ele e os membros de sua família é importante para Leyla compreender. Primeiro menciona um primo ou prima, contando que “tem mais coisa acontecendo” (there's mo::re going on), em termos relacionais, quando ele entra na sala do que talvez os outros percebam. Dá outro exemplo com a prima Sarah (linha 24). Afirma que os dois têm “muita história” (a lotta history) e que, embora talvez não se vejam com frequência nem por longos períodos, “tem intensidade, tem sentimentos” (there's intensity, there's feelings,). Em resumo, a PPO do terapeuta levou Melvin não só a elaborar sua visão da perspectiva de Leyla, quanto ao que ela não sabe sobre a relação dele com a família, mas também ocasionou um relato detalhado de como seus laços com primos e primas são muito importantes. Assim, ao visar o conhecimento de Leyla, a PPO permitiu que Leyla testemunhasse as crenças de Melvin sobre aquilo de que ela não tem consciência, mas também o que é importante para ele e como suas relações familiares são profundamente significativas.

As PPO que visam o conhecimento do outro membro do casal também podem levar uma pessoa a refletir sobre o que acredita saber sobre o conhecimento do outro. Essas perguntas tendem a ser usadas num contexto em que a pessoa ainda não percebe que o outro membro do casal já possui o conhecimento necessário. Um exemplo aparece no Trecho 4, que dá continuidade ao Trecho 3, envolvendo Colin e Anna.

Transcrição do Trecho 4 em notação de análise da conversa
Trecho 4. Caso 16-2/1366 (transcrição original em inglês, em notação de análise da conversa).

Como se pode lembrar do Trecho 2, a conversa girava em torno dos sentimentos de mágoa de Colin e da agenda terapêutica contrastante de levá-lo a considerar as motivações pró-sociais de Anna: reconstruir a confiança e se importar com a mágoa dele. O terapeuta continua com sua agenda pedindo a Colin que considere as formas positivas e cuidadosas com que Anna tem se comportado desde o caso (linhas 01 a 06). A pergunta contém a premissa de que Anna mudou, introduz então, de modo rebaixado, a possibilidade de que ela esteja “tentando superar o caso” e oferece uma avaliação otimista de que ela quer ficar. Na linha 06, o uso de me (“mim”) parece oferecer a Colin uma opção “em primeira pessoa”. Colin, porém, continua audivelmente abalado, como mostra sua fungada ruidosa na linha 03 (Hepburn e Potter, 2007). A resposta de Colin, embora trate de diferentes formas positivas pelas quais Anna mudou, parece mais desafiliativa do que afiliativa. Por exemplo, embora admita que Anna tem muito menos raiva, ele antecede essa afirmação com ↑obviously (“obviamente”), o que pode ter duas implicações. Uma é que o que ele está prestes a dizer não é particularmente novidade; a outra é que ele está contestando a pertinência da pergunta ou mesmo o pressuposto de que ela possa ser feita (Stivers, 2011).8 Colin passa então a contestar ainda mais o comportamento mudado e positivo de Anna, observando que “ela fala da minha raiva” (she talks about my anger), o que sugere que Anna talvez ainda tenha problemas com a raiva, o que ele diz depois explicitamente (an:' Ann had a lot of anger t↑oo., “e a Ann também tinha muita raiva”). Ele admite, porém, que a raiva dela diminuiu.

À resposta de Colin segue-se uma sequência de desacordo. Na linha 13, Anna nega a afirmação anterior de que ficava frequentemente com raiva. Colin, por sua vez, responde com um desacordo que, de um lado, afirma que ela expressava raiva, sim, e, de outro, que ela guardava a raiva para si porque não queria que Colin a testemunhasse. A posição de Colin é formulada de modo mais sucinto na linha 22 (There was anger th↓ere, and there's a lot less of that. so, “Tinha raiva ali, e tem bem menos disso. Então”). Colin também demonstra uma perturbação de baixa intensidade durante seu turno (Muntigl et al., 2023), como mostram sua voz baixa e as pausas frequentes, e essa manifestação pode estar ocasionando o próximo movimento do terapeuta na linha 24, que aborda a mágoa de Colin na forma de uma PPO: does Anna kn:ow how hurt you are? (“a Anna sabe o quanto você está magoado?”). Assim, o tema se desloca do desacordo para os sentimentos de Colin no momento presente; note-se que o terapeuta usa o presente are em vez do passado were. A pergunta também posiciona Anna como alguém capaz de acessar o estado emocional de Colin.

Colin, porém, parece com um nó na garganta e tem dificuldade de responder (linhas 25 a 27), o que leva o terapeuta a afirmar que Anna conhece a raiva e a tristeza dele. Nas linhas 30-31, porém, Colin contesta a afirmação do terapeuta dizendo que ela não tem consciência da raiva dele, e explica isso com I- I (.) keep it to myself (“eu… eu guardo isso pra mim”). Assim, Anna não pode acessar os sentimentos de Colin porque ele não os revela a ela. Em seguida, nas linhas 34 a 37, o terapeuta produz outra PPO que visa de novo o que Colin acha que Anna sabe: >Does she see the hurt, < (“Ela vê a mágoa?”). Com isso, o terapeuta volta a deslocar o tema, desta vez da “raiva” de Colin para sua “mágoa”. Depois de receber de Anna uma confirmação visual de que ela vê (you do ↓eh, (.), “você vê, né”), ele toma isso como um sinal verde para se concentrar nas emoções magoadas de Colin aqui e agora, o que implica que a mágoa de Colin não é um “assunto privado”, mas algo que tem lugar legítimo no momento conversacional presente. Esse foco no momento presente é realizado linguisticamente ao longo do restante do turno do terapeuta com as seguintes expressões: now (“agora”), you started to experience (“você começou a sentir”) e just a few minutes ago (“só alguns minutos atrás”). Colin confirma a pergunta do terapeuta, o que é seguido pela confirmação de retorno do terapeuta, produzindo assim um momento empático (Heritage, 2011; Muntigl, 2020), no qual se alcança uma compreensão mútua em torno do fato de Anna conhecer a mágoa de Colin.

Para concluir, sustentamos que as PPO trabalham para romper um padrão relacional em que Colin sofre “em privado” e Anna se sente culpada pela culpa de Colin, mas também em privado.9 As PPO do terapeuta levaram Colin a ter de encarar o fato de Anna conhecer seu sofrimento, obrigando-o a reconhecê-lo, com o objetivo de conseguir superá-lo mais adiante. Por meio dessas perguntas, o terapeuta tenta gerar uma nova forma de se relacionarem, tematizando a mágoa de Colin no momento presente e trazendo-a à tona para que seja notada, reconhecida e explorada pelos dois membros do casal.

3.4. “Por que ele/ela faz/não faz/para de fazer Y?”: explorar barreiras a formas produtivas de se relacionar

As PPO também podem ser usadas para explorar as razões e os motivos da conduta do outro. Perguntas como “por que você acha que ele faz isso?” ou “por que ele para de fazer isso?” são exemplos típicos. O Trecho 5 traz um exemplo de PPO voltada para os motivos do outro. Esse trecho da sessão 2 envolve Melvin e Leyla e ocorre apenas alguns minutos depois do Trecho 3. Lembremos que Melvin e Leyla consideram a família extremamente importante e que Melvin se queixou de que Leyla trata com desprezo sua necessidade de estar com a família. O terapeuta faz uma pergunta para explicar as razões do desprezo de Leyla e explicar essa contradição, o que leva Melvin a contar uma história sobre como Leyla não respeita sua necessidade de estar com a família.

Transcrição do Trecho 5 em notação de análise da conversa
Trecho 5. Caso 10-2/815 (transcrição original em inglês, em notação de análise da conversa).

No início do trecho, o terapeuta dirige uma pergunta a Melvin, pedindo-lhe que explique como Leyla não respeita suas necessidades (she treats with contempt (0.2) you:r need,, “ela trata com desprezo a sua necessidade”). O terapeuta adota um enquadre epistêmico (what I don't understand, “o que eu não entendo”) que não só explicita seu conhecimento rebaixado sobre a questão, mas também sinaliza o conhecimento maior de Melvin e seu direito de falar sobre as possíveis razões de Leyla para desrespeitar suas necessidades, e que o conhecimento dele sobre os motivos dela é relevante aqui. Melvin aproveita então essa oportunidade na linha 13, começando com um prefácio de história (Sacks, 1995) que anuncia uma história que responderá à pergunta de T (I'll g-give yuh an idea., “Vou te dar uma ideia”) e, depois, lançando-se num episódio narrativo sobre sua viagem de pesca. Durante a história de Melvin, na linha 16, T toma um turno que realiza um trabalho discursivo importante. Ele ressalta que não é a primeira vez que a história é contada (Melvin tinha mencionado na sessão anterior que visitava com frequência os parentes para ir pescar) e torna saliente a natureza afetiva dessa questão (seu caráter controverso).

A partir da linha 35, Melvin começa a contar a narrativa principal. Depois de mencionar que sua relação com Leyla não ia bem, ele enumera as diferentes transgressões morais cometidas por Leyla, todas girando em torno de um telefonema de Leyla para a prima de Melvin, Sarah. Por exemplo, Melvin usa muitas expressões negativas que indicam várias formas de má conduta, como behind my ba:ck. (“pelas minhas costas”), laying on to her pretty heavy (“pressionando bastante a Sarah”); broker the idea (“negociar a ideia”). Depois de um continuador de T na linha 46, que encoraja Melvin a prosseguir com a história (Muntigl e Zabala, 2008), ele primeiro sugere que a má conduta dela pode ter sido proposital (try'en humiliate me, (0.9) try'en hurt., “tentando me humilhar, tentando magoar”) e depois diz como as ações de Leyla o afetaram emocionalmente (°it really pissed me off.°; it really (2.2) really bothered me, “aquilo me deixou muito puto; aquilo realmente, realmente me incomodou”). Vale notar também que, nas linhas 48 a 51, o modo como Melvin fala muda quanto à duração e à frequência das pausas, mas, sobretudo, pela voz suavizada e mais baixa. Na linha 52, o terapeuta parece captar essa mudança produzindo uma observação que chama a atenção para a emoção demonstrada por Melvin aqui e agora (its choking you up °right now eh?°, “isso está te dando um nó na garganta agora, né?”), deslocando o foco para como esse evento do passado está tendo um impacto significativo sobre ele no momento presente da terapia. Com esse movimento, o terapeuta consegue confirmar os sentimentos de angústia de Melvin e transmitir empatia com eles (Muntigl et al., 2014; Ford e Hepburn, 2021).

A pesquisa mostrou que as observações tendem a pedir uma resposta afiliativa subsequente da pessoa atendida, como uma confirmação ou até uma “fala sobre sentimentos” mais elaborada (Muntigl e Horvath, 2014). Vemos na linha 54 que Melvin confirma fortemente a observação (Oh=it bothers me, “Ah, me incomoda”), mas passa então a discutir como o telefonema de Leyla poderia ter criado uma fissura na relação entre ele e a prima Sarah (my relationship with my cousin I don't wanna change it., “a minha relação com a minha prima, eu não quero que ela mude”). Isso porque a prima tinha planejado visitar Melvin e repreendê-lo por suas atitudes (chew all over him, “passar um sermão nele”). Assim, o telefonema de Leyla é apresentado como potencialmente criador de múltiplas linhas de desafiliação, não só entre ele e a esposa, mas também entre ele e a prima. Isso pode explicar a resposta de Leyla na linha 61, em que ela expressa surpresa com a atitude de Sarah (↑Sarah told you this?, “A Sarah te contou isso?”) e, portanto, mostra que não sabia dos planos de Sarah. Ao dar a entender que não era sua intenção levar Sarah a repreender Melvin, Leyla demonstra uma tentativa de reparar (ao menos em parte) a desafiliação crescente entre ela e Melvin. Em resposta, porém, Melvin continua a criticar as ações de Leyla como “mesquinhas” e a afirmar a própria inocência no assunto (alls I wanted to do was go out, (0.8) an on my annual fishing trip. …, “tudo o que eu queria era sair, na minha pescaria anual…”).

Diante dessa história de queixa, em que Melvin relata em detalhe a má conduta de Leyla e sua própria inocência, o terapeuta poderia responder com um movimento afiliativo e empático, como uma formulação que validasse a experiência emocional de Melvin. O risco, porém, seria aprofundar e sustentar a representação que Melvin faz de Leyla como culpada e de si mesmo como vítima. Em vez disso, o terapeuta faz a Melvin uma pergunta que não se afilia à sua queixa, mas oferece uma perspectiva e uma explicação alternativas dos eventos narrados. A pergunta de T, °what do you think stopped Leyla from coming and talking to you directly°. (“o que você acha que impediu a Leyla de vir falar com você diretamente?”), realiza uma ampla gama de trabalho terapêutico importante: pressupõe que Leyla pode ter tentado ou querido falar diretamente com Melvin sobre a viagem (e sobre o que a incomoda), pressupõe que algo a “impediu” de fazê-lo e, por fim, enquadra esses pressupostos como uma pergunta cuja resposta o próprio Melvin pode dar. A PPO marca, portanto, uma mudança abrupta na maneira como os eventos narrados por Melvin vinham sendo construídos e conceituados. Na linha 78, Melvin parece se orientar para essa “mudança radical” expressando falta de compreensão ou incredulidade, com o que, no jargão da AC, se chama de reparo iniciado pelo outro (Schegloff et al., 1977), e inclinando-se na direção de T com os olhos arregalados. Depois de um breve silêncio, Melvin reinicia o reparo (wha- wha- what stops her?, “o q… o q… o que impede ela?”) e T, nas linhas 81 a 83, oferece um reparo repetindo a pergunta, mas desta vez incorporando o presente stops (“impede”) usado por Melvin. Nesse movimento sutil, o foco da atenção passa do que pode ter impedido Leyla naquela situação específica para o que pode, de modo geral, impedi-la de falar com Melvin, no passado e no presente. Segue-se uma longa pausa em que Melvin dá sinais de reflexão (batendo o pé, mexendo a boca com os lábios fechados). Depois de uma observação de Leyla na linha 85, sugerindo em tom de brincadeira que ela deveria tomar o turno e responder, Melvin dá uma resposta precedida de alguma hesitação e talvez de certa angústia (note-se a longa expiração e as longas pausas). Mas agora, em vez de continuar a se queixar de Leyla, ele apresenta o próprio comportamento como um obstáculo à comunicação entre os dois (be' she thinks I'm not gonna be receptive to her., “porque ela acha que eu não vou estar receptivo a ela”). Assim, com esse movimento de questionamento aparentemente sutil, o terapeuta consegue levar a queixa de Melvin, que via Leyla como a principal culpada, para um modo mais reflexivo, em que as ações de ambos são consideradas responsáveis pela coconstrução de certo padrão relacional.

A reserva de Melvin continua sendo tema no restante do trecho. Nas linhas 90 a 97, o terapeuta busca a confirmação de Melvin sobre o impacto negativo da reserva (kindagetsinthatwayofyourrelationship;itmakesLeylathink aboutyouinwaysthatmaynotbe(0.5)fairtoyou., “meio que atrapalha a relação de vocês; faz a Leyla pensar em você de maneiras que talvez não sejam justas com você”). As respostas seguintes de Melvin não só confirmam fortemente, mas também ressaltam a magnitude com que a reserva pode estar agindo como uma força negativa na relação. Primeiro, a relevância de “ser reservado” é tratada como muito significativa (its probably the s::martest thing I've heard in about (0.6) three years., “é provavelmente a coisa mais inteligente que eu ouvi em uns três anos”); segundo, a reserva é caracterizada como uma nova perspectiva sobre a relação, ou um “salto” no modo de pensar (I'v-have never thought of it that way., “eu nunca tinha pensado nisso desse jeito”); e terceiro, essas respostas transmitem forte afiliação com a visão do terapeuta de que a reserva pode ser um problema relacional. As respostas de Melvin parecem, portanto, indicar a construção de uma aliança entre ele e o terapeuta, tanto no sentido de fortalecer a relação terapêutica quanto no de estarem mutuamente alinhados na tarefa conjunta de como a terapia de casal pode agora prosseguir de forma produtiva.

4. Discussão

Nosso objetivo neste estudo foi duplo: explorar algumas das diferentes maneiras pelas quais as PPO podem ser usadas para gerar movimento para a frente na terapia de casal e explicitar algumas funções relacionais importantes das PPO e como elas se realizam em sequência. O foco da AC nas características de desenho do turno dessas perguntas revelou que diferentes práticas linguísticas podem ser empregadas para implementar, de modo singular, a ação de perguntar sobre a perspectiva do outro. Assim, nosso estudo amplia estudos anteriores, por exemplo Peräkylä (1995), ao identificar três outras gamas de práticas, além das perguntas hipotéticas voltadas para a perspectiva do outro, por meio das quais esse tipo de pergunta pode ser implementado. A investigação dos quatro tipos específicos de PPO também nos permitiu explorar como um trabalho “sistêmico” e interpessoal importante era posto em movimento: solicitar otimismo na relação, promover uma relação saudável no casal, favorecer a consciência dos aspectos interligados das experiências e dificuldades do casal e promover formas novas e criativas de contextualizar sua dinâmica relacional.

Nossas análises de AC permitiram destacar como essas PPO são produzidas em sequência, gerando uma conceituação mais positiva dos “outros” incluídos ou implicados na pergunta (por exemplo, Trecho 1, linhas 13 a 15; Trecho 2, linhas 15 a 18 e 31-32). Em outros exemplos, pudemos identificar como, usando formatos de PPO, o terapeuta tematizava a ideia de que cada membro do casal tinha ideias privadas sobre os pensamentos do outro e, ao transformar isso em tema de discussão, criava espaço para renegociar essas crenças privadas e destacava a importante interconexão entre essas crenças e a relação (por exemplo, Trecho 4, linha 24; Trecho 5, linhas 7 a 9). Em outros casos, as PPO eram elaboradas de modo a oferecer ao casal novos recursos conversacionais, com potencial para voltar a se engajar com o outro em termos diferentes, por exemplo, Trecho 5, linhas 90 a 104. Neste último exemplo, vimos indícios de uma “adesão” entusiasmada aos recursos oferecidos (linhas 98-99). Assim, por meio da AC, pudemos mostrar que as PPO não eram entregues “prontas”, mas construídas sequencial, interativa e responsivamente, turno a turno, às vezes repetidas e reforçadas.

As PPO frequentemente incluíam uma oferta que exibia um conhecimento à pessoa atendida e, em consonância com os achados de Peräkylä (1995) sobre o aconselhamento em HIV/aids, rebaixavam o acesso epistêmico do terapeuta. Assim, a pessoa interrogada era colocada numa posição epistêmica elevada para oferecer conhecimento sobre o conhecimento, os sentimentos ou os motivos do outro membro do casal, o que era muitas vezes seguido de uma hipótese positiva sobre suas intenções. Por exemplo, no Trecho 5 (linhas 75-76): °what do you think stopped Leyla from coming and talking to you directly° (“o que você acha que impediu a Leyla de vir falar com você diretamente?”). Construída dessa forma, a resposta preferida a uma pergunta com palavra interrogativa trataria da parte “o que impediu”, mas também convidaria Melvin a tomar posição sobre a proposição relacionalmente positiva e otimista que se segue: “vir falar com você diretamente”.

Como argumentou o estudo de Peräkylä e Vehviläinen (2003) sobre os “estoques profissionais de conhecimento interacional”, a AC é bem adequada para investigar praticamente qualquer abordagem teórica nas profissões de ajuda, no que diz respeito à realização dos modelos teóricos na prática real. Este estudo oferece evidências críveis do possível papel central das PPO para iniciar sequências conversacionais que trabalham para alcançar fins terapêuticos, como enfatizam as terapias sistêmico-narrativas. Embora as funções terapêuticas mais amplas identificadas neste estudo também possam ter sido iniciadas por outros tipos de ações ou sequências conversacionais, sustentamos que as PPO parecem especialmente adequadas para pôr em andamento um trabalho interpessoal entre os membros do casal, um trabalho que os leva a considerar as ações do outro de uma perspectiva alternativa, muitas vezes mais pró-social. Nossos trechos foram extraídos seletivamente de tratamentos com foco sistêmico-narrativo. Essa escolha nos forneceu uma variedade de exemplos claros e interessantes do uso de perguntas na terapia e deu a oportunidade de ilustrar como examinar qualitativamente as perguntas pela lente da AC pode complementar estudos quantitativos. Embora os exemplos em que nos baseamos fossem, portanto, limitados, acreditamos que nossa pesquisa pode ser um “primeiro passo” útil para gerar conhecimento sobre como as perguntas são construídas para desempenhar papéis específicos na terapia. Além disso, prevemos que estudos como o que apresentamos serão úteis para formar terapeutas a compreender como usar perguntas de forma criativa e também para ilustrar desafios e armadilhas possíveis no uso desse formato de pergunta na terapia.

Complexe Systémique: a reter

As perguntas circulares são um clássico da formação sistêmica; sabe-se menos o que elas fazem, concretamente, na troca. O interesse deste estudo é mostrá-lo segundo a segundo. Uma pergunta de perspectiva de observação coloca o terapeuta em posição de “não saber” e dá à pessoa interrogada autoridade sobre o que o outro pensa: pode abrir um cenário otimista, deslocar uma queixa para um padrão a dois (“o que impede a Leyla de vir falar com você?”) ou transformar um sofrimento privado em algo compartilhado diante do outro membro do casal. Mas a dupla tem a honestidade de mostrar também o avesso: com Colin, magoado por uma infidelidade, o terapeuta empurra rápido demais para as “boas intenções” de Anna, e o “leve o tempo que precisar” administra a emoção mais do que a acolhe. A lição clínica é preciosa: a pergunta circular não é uma fórmula, é um gesto cujo momento conta e que ganha em ser precedido de afiliação à angústia. Limites: um único terapeuta, dois casais, trechos escolhidos, e grande parte da análise se apoia em transcrições em inglês, aqui não traduzidas. Para ler junto com o artigo de Karl Tomm sobre as sete formas de dor relacional e com a análise da conversa das repetições do terapeuta no Diálogo Aberto.

Notas do original

1 Para uma discussão teórica ampliada das formas de pergunta na terapia, ver Hill (2020) e McCarthy et al. (2021).

2 Para exceções, ver Williams (2023) sobre a frequência de uso e Hill (2020) e Anvari et al. (2020) sobre a relação com os resultados.

3 As pessoas atendidas assinaram termos de consentimento informado permitindo o uso das transcrições para fins de pesquisa. As transcrições foram anonimizadas para eliminar possíveis ligações com as pessoas reais envolvidas; o protocolo de pesquisa foi aprovado pelo comitê de ética da universidade.

4 Um terceiro casal, o caso 8, também foi analisado quanto às PPO, mas optamos por não incluir trechos desse casal neste estudo, sobretudo por razões de espaço. Preferimos nos concentrar em dois casos em que as PPO foram usadas e negociadas ao longo de trechos mais longos de conversa.

5 Por formular, nesta posição da sequência, entendemos “fornecer a conclusão” do que Colin sentira ao descobrir que a esposa tinha dormido com outro homem (Antaki, 2008).

6 Segundo Peräkylä (2019, p. 267), um projeto terapêutico consiste na “definição global de objetivos e na estruturação da interação destinadas a ajudar essa pessoa específica a superar seus obstáculos particulares no comportamento, nas relações sociais ou na vida interior”. Pensamos que o foco da pergunta nos possíveis “motivos” pró-sociais do outro membro do casal constitui um desses projetos.

7 Também se usam verbos além de saber, como compreender ou reconhecer.

8 O trabalho de Stivers examinou respostas a perguntas contendo “claro” (of course), o que parece semelhante a “obviamente” (obviously).

9 Por padrão relacional, entendemos que cada membro do casal pode estar supondo que seus sentimentos eram “privados”, inacessíveis ao outro e vividos “dentro de si”. As perguntas do terapeuta podem estar favorecendo uma nova concepção sistêmica: as emoções surgem de um contexto relacional em que cada pessoa tem muito em jogo no acesso aos sentimentos próprios da outra, bem como às suposições sobre ela. Tratar as emoções como intersubjetivas (e não intrassubjetivas) pode abrir espaço para reconsiderar “de onde o outro está falando” e, assim, para uma negociação mais flexível na relação.

Ética. Os estudos envolvendo seres humanos foram avaliados e aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Simon Fraser. As pessoas atendidas e participantes deram consentimento informado por escrito para participar deste estudo.

Contribuições. PM concebeu o estudo, realizou e supervisionou a análise dos dados e redigiu o artigo. AH realizou a análise dos dados e redigiu o artigo. As duas pessoas que assinam contribuíram para o artigo e aprovaram a versão submetida.

Conflitos de interesse. A equipe declara que a pesquisa foi realizada na ausência de quaisquer relações comerciais ou financeiras que pudessem ser interpretadas como potencial conflito de interesses.

Referências

AndersonH.GoolishianH.McNameeS.GergenK. J. (1992). “The client is the expert: A not-knowing approach to therapy,” in Therapy as social construction. (Thousand Oaks, CA US: Sage Publications, Inc.) 25–39.

AntakiC. (2008). “Formulations in psychotherapy,” in Conversation Analysis and Psychotherapy, eds. A., Peräkylä, C., Antaki, S., Vehviläinen, and I., Leudar (Cambridge: Cambridge University Press) 26–42. 10.1017/CBO9780511490002.003

AntakiC.RichardsonE.StokoeE.WillottS. (2015). Dealing with the distress of people with intellectual disabilities reporting sexual assault and rape. Disc. Stud. 17, 415–432. 10.1177/146144561557896226458170

AnvariM.HillC. E.KivlighanD. M. (2020). Therapist skills associated with client emotional expression in psychodynamic psychotherapy. Psychother. Res. 30, 900–911. 10.1080/10503307.2019.168090131635543

BeckJ. S. (2021). Cognitive Behavior Therapy: Basics and Beyond, 3rd ed. New York, NY: The Guilford Press.

ButtnyR. (1993). Social Accountability in Communication. London: SAGE.

CollinsD.TommK. (2009). Karl Tomm: His changing views on family therapy over 35 years. Family J. 17, 106–117. 10.1177/1066480709332632

CoutureS. J. (2006). Transcending a differend: studying therapeutic processes conversationally. Contemp. Family Ther. 28, 285–302. 10.1007/s10591-006-9011-1

CoutureS. J. (2007). Multiparty talk in family therapy: complexity breeds opportunity. J. Syst. Ther. 26, 63–80. 10.1521/jsyt.2007.26.1.63

de ShazerS.DolanY.KormanH.McCollumE.TrepperT.BergI. K. (2007). More than Miracles: The State of the Art of Solution-Focused Brief Therapy. New York, NY: Haworth Press.

EdwardsD. (1995). Two to tango: Script formulations, dispositions, and rhetorical symmetry in relationship troubles talk. Res. Lang. Soc. Inter. 28, 319–350. 10.1207/s15327973rlsi2804_1

ElliottR.HillC. E.StilesW. B.FriedlanderM. L.MahrerA. R.MargisonF. R. (1987). Primary therapist response modes: Comparison of six rating systems. J. Consult. Clin. Psychol. 55, 218–223. 10.1037/0022-006X.55.2.2183571676

EllisA. (2019). “Early theories and practices of Rational Emotive Behavior therapy and how they have been augmented and revised during the last three decades,” in Advances in REBT: Theory, practice, research, measurement, prevention and promotion, eds. (Cham: Springer Nature Switzerland AG) 1–21. 10.1007/978-3-319-93118-0_1

FerraraK. W. (1994). Therapeutic Ways With Words. Oxford: Oxford University Press.

FordJ.HepburnA. (2021). “Responding empathically from shifting epistemic terrains,” in How Emotions Are Made in Talk, eds. J. S. Robles and A. Weatherall (Amsterdam, Netherlands: John Benjamins Publishing Company) 189–219. 10.1075/pbns.321.07for

Freed AliceF.EhrlichS. (2010). “Why do you ask?”: The Function of Questions in Institutional Discourse. Oxford: Oxford University Press. 10.1093/acprof:oso/9780195306897.001.0001

GaeteJ.SmoliakO.CoutureS. (2018). “Reflexive questions as constructive interventions: A discursive perspective,” in Therapy as Discourse: Practice and Research, eds. O. Smoliak and T. Strong (Cham: Springer International Publishing) 117–140. 10.1007/978-3-319-93067-1_6

GaleJ. (1991). Conversation Analysis of Therapeutic Discourse: The Pursuit of a Therapeutic Agenda. Norwood, NJ: Ablex.

HepburnA.BoldenG. B. (2013). “The Conversation Analytic Approach to Transcription,” in The Handbook of Conversation Analysis, eds. J. Sidnell and T. Stivers (New York: John Wiley and Sons, Ltd.) 57–76. 10.1002/9781118325001.ch4

HepburnA.PotterJ. (2007). Crying receipts: Time, empathy, and institutional practice. Res. Lang. Soc. Inter. 40, 89–116. 10.1080/08351810701331299

HeritageJ. (1984). Garfinkel and Ethnomethodology. London: Polity Press.

HeritageJ. (2005). “Conversation analysis and institutional talk,” in Handbook of language and social interaction, eds. K. L. Fitch and R. E. Sanders (Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates Publishers) 103–147.

HeritageJ. (2010). “Questioning in medicine,” in Why Do You Ask?”: The Function of Questions in Institutional Discourse, eds A. F. Freed and S. Ehrlich (Oxford University Press), 42–68.

HeritageJ. (2011). “Territories of knowledge, territories of experience: Empathic moments in interaction,” in The Morality of Knowledge in Conversation, eds. T. Stivers, L. Mondada, and J. Steensig (Cambridge: Cambridge University Press) 159–183. 10.1017/CBO9780511921674.008

HeritageJ. (2012). Epistemics in action: action formation and territories of knowledge. Res. Lang. Soc. Inter. 45, 1–29. 10.1080/08351813.2012.64668428078972

HillC. E. (2020). Helping Skills: Facilitating Exploration, Insight, and Action, 5th ed. Washington, DC: American Psychological Association. 10.1037/0000147-000

HorvathA. O.SymondsD.TapiaL. (2010). “Therapeutic alliances in couple therapy: The web of relationships,” in The therapeutic alliance: An evidence-based guide to practice. J. C. Muran and J. P. Barber (New York, NY: Guilford Press) 210–239.

HutchbyI.O'ReillyM. (2010). Children's participation and the familial moral order in family therapy. Disc. Stud. 12, 49–64. 10.1177/1461445609357406

JanuszB.BergmannJ. R.MatusiakF.PeräkyläA. (2021). Practices of claiming control and independence in couple therapy with narcissism. Front. Psychol. 11, 596842. 10.3389/fpsyg.2020.59684233569022PMC7868443

LesterJ. N.O'ReillyM.SmoliakO.MuntiglP.TseliouE. (2022). Soliciting children's views on other-perspectives in child mental health assessments. Clin. Child Psychol. Psychiat. 17, 135910452210928. 10.1177/1359104522109288735616346

LindströmA.SorjonenM.-L. (2013). “Affiliation in conversation,” in The handbook of conversation analysis, eds. J. Sidnell and T. Stivers (New York: Wiley-Blackwell) 350–369. 10.1002/9781118325001.ch17

MacMartinC. (2008). “Resisting optimistic questions in narrative and solution-focused therapies,” in Conversation analysis and psychotherapy, eds. A. Peräkylä, C. Antaki, S. Vehviläinen, and I. Leudar (Cambridge: Cambridge University Press) 80–99. 10.1017/CBO9780511490002.006

McCarthyJ.ShannonE.BrunoM. (2021). Creative question-framing: 12 ideas for counselors-in-training. J. Creat. Mental Health 16, 499–510. 10.1080/15401383.2020.1800543

Merriam-Webster (2019). Merriam-Webste 12th Ed. Springfield, MA: Merriam-Webster Inc.

MuntiglP. (2013). Resistance in couples counselling: Sequences of talk that disrupt progressivity and promote disaffiliation. J. Pragm. 49, 18–37. 10.1016/j.pragma.2013.01.003

MuntiglP. (2020). Managing Distress Over Time in Psychotherapy: Guiding the Client in and Through Intense Emotional Work. Front. Psychol. 10, 3052. 10.3389/fpsyg.2019.0305232140117PMC7042173

MuntiglP.ChubakL.AngusL. (2023). Responding to In-the-Moment Distress in Emotion-Focused Therapy. Res. Lang. Soc. Inter. 56, 1–21. 10.1080/08351813.2023.2170663

MuntiglP.HorvathA. O. (2014). “I can see some sadness in your eyes”: When experiential therapists notice a client's affectual display. Res. Lang. Soc. Inter. 47, 89–108. 10.1080/08351813.2014.900212

MuntiglP.HorvathA. O. (2016). A conversation analytic study of building and repairing the alliance in family therapy. J. Family Ther. 38, 102–119. 10.1111/1467-6427.12109

MuntiglP.KnightN.WatkinsA. (2014). “Empathic practices in client-centred psychotherapies: Displaying understanding and affiliation with clients,” in Pragmatics and Beyond New Series, eds. E.-M. Graf, M. Sator, and T. Spranz-Fogasy (Amsterdam, Netherlands: John Benjamins Publishing Company) 33–57. 10.1075/pbns.252.03mun

MuntiglP.ZabalaL. H. (2008). Expandable responses: how clients get prompted to say more during psychotherapy. Res. Lang. Soc. Inter. 41, 187–226. 10.1080/08351810802028738

O'ReillyM. (2005). The complaining client and the troubled therapist: A discursive investigation of family therapy. J. Family Ther. 27, 370–391. 10.1111/j.1467-6427.2005.0328.x

Palazzoli SelviniM.BoscoloL.CecchinG.PrataG. (1986). Hipotetización-circularidad-neutralidad: Tres directrices para la conducción de la sesión = Hypothesizing-circularity-neutrality: Three directives for conducting the session. Clín. Análisis Grupal 10, 532–546.

PeräkyläA. (1995). AIDS Counselling: Institutional Interaction and Clinical Practice. Cambridge: Cambridge University Press. 10.1017/CBO9780511597879

PeräkyläA. (2019). Conversation analysis and psychotherapy: Identifying transformative sequences. Res. Lang. Soc. Inter. 52, 257–280. 10.1080/08351813.2019.163104435800915

PeräkyläA.TaurogińskiB.Dejko-WańczykK.JózefikB.FurgałM.MatusiakF. (2023). The paradox of disengagement: Bodily displays of inattention in couple therapy. Front. Commun. 8, 1066475. 10.3389/fcomm.2023.1066475

PeräkyläA.VehviläinenS. (2003). Conversation analysis and the professional stocks of interactional knowledge. Disc. Soc. 14, 727–750. 10.1177/0957926503014600327939846

RossenC. B.SchriverK. N.TarberC.NordahlD. V.Thygesen RasmussenG.OngB. (2020). “Y, what do you think about what X just said?” Conversation analysis of stance-eliciting questions in open dialogue network meetings. J. Mar. Family Ther. 46, 719–731. 10.1111/jmft.1243532424864

SacksH. (1995). Lectures on Conversation. New York, NY: Wiley-Blackwell. 10.1002/9781444328301

SchegloffE. A. (2007). Sequence Organization in Interaction: A Primer in Conversation Analysis. Cambridge: Cambridge University Press. 10.1017/CBO9780511791208

SchegloffE. A.JeffersonG.SacksH. (1977). The preference for self-correction in the organization of repair in conversation. Language 53, 361–382. 10.1353/lan.1977.0041

SidnellJ. (2013). “Basic conversation analytic methods,” in The Handbook of Conversation Analysis, eds. J. Sidnell and T. Stivers (London: John Wiley and Sons, Ltd.) 77–99. 10.1002/9781118325001.ch5

SpeerS. A. (2012). Hypothetical Questions: A Comparative Analysis and Implications for “Applied” vs. “Basic” Conversation Analysis. Res. Lang. Soc. Inter. 45, 352–374. 10.1080/08351813.2012.724987

StiversT. (2010). An overview of the question–response system in American English conversation. J. Pragm. 42, 2772–2781. 10.1016/j.pragma.2010.04.011

StiversT. (2011). “Morality and question design: ‘Of course'as contesting a presupposition of askability,” in The morality of knowledge in conversation, eds. T. Stivers, L. Mondada, and J. Steensig (Cambridge: Cambridge University Press) 82–106. 10.1017/CBO9780511921674.005

StiversT.MondadaL.Steensig. (2011). “Knowledge, morality and affliliation in social interaction,” in The morality of knowledge in conversation, eds. T. Stivers, J. Steensig, and L. Mondada, eds. (Cambridge: Cambridge University Press) 3–24. 10.1017/CBO9780511921674.002

SutherlandO.StrongT. (2011). Therapeutic collaboration: A conversation analysis of constructionist therapy. J. Family Ther. 33, 256–278. 10.1111/j.1467-6427.2010.00500.x

TommK. (1987a). Interventive interviewing: part I. Strategizing as a fourth guideline for the therapist. Family Proc. 26, 3–13. 10.1111/j.1545-5300.1987.00003.x3569502

TommK. (1987b). Interventive interviewing: part II. Reflexive questioning as a means to enable self-healing. Family Proc. 26, 167–183. 10.1111/j.1545-5300.1987.00167.x3595824

TommK. (1988). Interventive interviewing: part III. Intending to ask lineal, circular, strategic, or reflexive questions? Family Proc. 27, 1–15. 10.1111/j.1545-5300.1988.00001.x3360095

TseliouE. (2013). A critical methodological review of discourse and conversation analysis studies of family therapy. Family Proc. 52, 653–672. 10.1111/famp.1204324329408

VehviläinenS.PeräkyläA.AntakiC.LeudarI. (2008). “A review of conversational practices in psychotherapy,” in Conversation analysis and psychotherapy, eds. A. Peräkylä, C. Antaki, S. Vehviläinen, and I. Leudar (Cambridge: Cambridge University Press) 188–197. 10.1017/CBO9780511490002.012

WahlströmJ. (2016). “Constructing the moral order of a relationship in couples therapy,” in Research Perspectives in Couple Therapy, eds. M. Borcsa and P. Rober (Cham: Springer International Publishing) 149–165. 10.1007/978-3-319-23306-2_10

WhiteM.EpstonD. (1990). Narrative Means to Therapeutic Ends. New York: W. W. Norton and Company.

WilliamsE. (2023). The Use of Questions in Psychotherapy: A Review of Research on Immediate Outcomes. Chicago, Ill: Psychotherapy. 10.1037/pst000047136848101

Tradução não oficial em português de O uso estratégico das perguntas de perspectiva de observação na terapia de casal, de Peter Muntigl e Adam O. Horvath, Frontiers in Psychology, vol. 14 (2023), doi: 10.3389/fpsyg.2023.1229991, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença (tabela apresentada em lista, trechos de sessões em inglês). Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.

Tradução não oficial para o português de “Strategic use of observer-perspective questions in couples therapy”, publicado em Frontiers in Psychology (2023) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.

Ler o artigo original

Como citar este artigo

Muntigl, P., et Horvath, A. O. (2023). O uso estratégico das perguntas de perspectiva de observação na terapia de casal (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/o-uso-estrategico-das-perguntas-de-perspectiva-de-observacao-na-terapia-de-casal (Obra original publicada em 2023 em Frontiers in Psychology, 14, 1229991 (2023); republicada em 2023 por Frontiers in Psychology, https://www.frontiersin.org/journals/psychology/articles/10.3389/fpsyg.2023.1229991/full)

Carrinho

Seu carrinho está vazio.