Journal of Marital and Family Therapy · Terapia familiar
Como acompanhar famílias enlutadas quando a morte atinge em massa? Durante a pandemia de covid-19, a Universidade de Brasília criou grupos on-line inspirados em Michael White e depois formou 54 profissionais de psicologia do SUS para facilitá-los. Os relatos dessas pessoas mostram como o re-membrar e a dupla escuta transformam a ausência em uma presença que continua agindo.
Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de Uma abordagem narrativa do trabalho em grupo com famílias enlutadas, de Silvia Renata Lordello e Isabela Machado da Silva, publicado na Journal of Marital and Family Therapy (Wiley) (2026), doi: 10.1111/jmft.70094, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. As tabelas são apresentadas em forma de listas. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.
Assim, a morte não é vista como um fim definitivo, mas como um convite a uma interação renovada.
Silvia Renata Lordello e Isabela Machado da Silva
Resumo
As famílias que perderam um de seus membros passam por um processo intenso de reconstrução de sua dinâmica e de suas narrativas familiares. As mortes durante a pandemia de covid-19 evidenciaram a falta de estudos e de modelos de intervenção para trabalhar com essas famílias. Em resposta a isso, desenvolvemos uma abordagem informada pelas práticas da terapia narrativa. Neste estudo, buscamos compreender a experiência vivida de 54 profissionais de psicologia que facilitaram grupos de apoio para familiares enlutados. Depois de cada sessão, os relatos profissionais escritos foram examinados por meio de análise temática reflexiva. Os resultados destacaram a importância de um espaço dialógico para trabalhar com familiares em luto. As conversas de re-membrar e de reautoria foram consideradas abordagens valiosas para trabalhar com famílias que perderam um de seus membros. Essa abordagem pode orientar a intervenção clínica de apoio a famílias enlutadas em diferentes contextos.
As terapias informadas pelo construcionismo social estão entre as referências mais importantes da terapia familiar brasileira (Pratti e Koller 2020). A terapia narrativa é uma dessas abordagens norteadoras, aplicada em contextos clínicos, em comunidades, no trabalho, na escola, no sistema de justiça, na assistência social e na saúde (Grandesso 2017, 2018, 2024a). Diante de emergências de saúde pública como a pandemia de covid-19, a terapia narrativa oferece abordagens relevantes para a prática em saúde mental.
Neste artigo, apresentamos o desenvolvimento de uma abordagem de grupo baseada na terapia narrativa, criada para oferecer apoio on-line a pessoas que perderam familiares para a covid-19. O artigo se baseia na análise temática da experiência vivida de 54 profissionais de psicologia. Todas essas pessoas tinham recebido formação nessa abordagem em um curso oferecido por meio de uma parceria entre a Universidade de Brasília e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal.
Para contextualizar o desenvolvimento dessa abordagem, começamos com um breve panorama da terapia familiar no Brasil, em especial da terapia narrativa e do construcionismo social. Em seguida, discutimos o impacto da pandemia de covid-19 no Brasil e o modelo teórico em que a abordagem se apoia.
A terapia familiar começou a ganhar destaque no Brasil nos anos 1970 (Féres-Carneiro e Ponciano 2005; Hintz e Souza 2009). Nessa época, terapeutas familiares com formação na Argentina e nos Estados Unidos ajudaram a criar grupos de estudo e de apoio, cujas principais referências eram as abordagens sistêmica e psicanalítica.
Com o tempo, a terapia familiar brasileira foi integrando a sua prática pontos de vista epistemológicos, teóricos e metodológicos diversos (Paula-Ravagnani et al. 2017; Pratti e Koller 2020). As abordagens mais usadas no país são os modelos sistêmicos clássicos e as abordagens pós-modernas (Pratti e Koller 2020). Ao falar de abordagens pós-modernas da terapia familiar, referimo-nos às que são informadas pelo construcionismo social (Paula-Ravagnani et al. 2017), tema da próxima seção.
O construcionismo social começou a ser explorado no Brasil nos anos 1990 e ganhou destaque depois da tradução para o português de Therapy as Social Construction, de McNamee e Gergen (Beiras et al. 2023; Focchi et al. 2023). Segundo essas referências, o livro nasceu de debates que problematizavam as ideias tradicionais de verdade, objetividade e conhecimento, propondo que as visões de mundo são construídas socialmente. Esse referencial questiona valores universais e nos convida à consciência crítica, à curiosidade pelo outro e à esperança na criação de futuros possíveis.
Em 2024, foi publicado Practicing Therapy as Social Construction (McNamee et al. 2024), com prefácio de Gergen, que faz um balanço dos 30 anos desde o volume dos anos 1990. Um convite importante foi então apresentado: olhar a prática microssocial em conexão com o discurso macrossocial, ampliando sua capacidade de contribuir para uma mudança social mais ampla, a partir de diálogos sobre justiça, raça, relações de poder e desigualdades sociais.
Segundo Guanaes-Lorenzi et al. (2014), embora o construcionismo social tenha sido inicialmente interpretado como uma nova forma de terapia, essa ideia mudou com o tempo. McNamee e Gergen (2020) queriam que o construcionismo social fosse entendido como uma postura filosófica ou epistemológica, um modo de estar no mundo que convida ao diálogo. Nunca foi intenção do movimento construcionista se afirmar como técnica nem oferecer um conjunto de técnicas de intervenção. Como postura filosófica, premissas como flexibilidade, colaboração, valores e consciência do papel da história e das interações sociais na construção de significados são diferenciais que permitem identificar mudanças bem marcadas entre o pensamento moderno e o pensamento construcionista social, que incentiva práticas definidas por seu compromisso ético-político, como as práticas narrativas.
As abordagens narrativas questionam os discursos hegemônicos em torno dos problemas, trabalhando para abrir novos diálogos e contestar relações de poder, tendo a justiça social como horizonte. Para isso, as pessoas são incentivadas a organizar suas experiências em histórias que, por sua vez, darão forma às experiências vividas (Carrijo e Rasera 2010; Grandesso 2008; White e Epston 1990). As histórias que as pessoas contam sobre si mesmas e sobre suas experiências podem limitá-las ou favorecê-las, moldando o curso de suas relações com os outros e consigo mesmas. Ao longo da terapia, a prática narrativa busca abrir espaço para histórias alternativas, e incentivar seu desenvolvimento, que os relatos dominantes saturados pelo problema muitas vezes encobrem.
A terapia narrativa também vem sendo estudada, ensinada e praticada no Brasil desde os anos 1990 (Grandesso 2024b). Sua forte presença na terapia familiar do país abriu espaço para a criatividade e favoreceu o uso de seus pressupostos em contextos diversos (Grandesso 2017, 2018, 2024a).
Um desses contextos possíveis é o luto (White 2007). Segundo a terapia narrativa, pode ser importante que as pessoas revisitem a história da relação com o ente querido que morreu, refletindo sobre o papel que cada pessoa teve na vida da outra e sobre como será essa relação daqui em diante. Assim, a morte não é vista como um fim definitivo, mas como um convite a uma interação renovada, que permite ao ente querido que morreu estar presente e dar sentido à vida da pessoa. Essa abordagem favorece um processo de luto que fortalece a identidade e integra as relações significativas à vida presente, trazendo a memória do ente querido para um espaço de apreciação e de diálogo interno.
Assim, as pessoas enlutadas estabelecem, em sua vida, um novo lugar significativo para o ente querido que morreu, reconhecendo a importância dessa pessoa para sua própria vida e identidade. Esse trabalho se fundamenta na consideração de como os vínculos relacionais moldam mutuamente as pessoas, influenciando o modo como compreendem a si mesmas e a sua vida, e orientando as decisões e escolhas que fazem.
Como será discutido nas próximas seções, essa é uma abordagem valiosa em emergências de saúde pública marcadas por perdas múltiplas, simultâneas e complexas.
Em 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a disseminação do novo coronavírus como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, caracterizando a covid-19 como pandemia 41 dias depois (World Health Organization s.d.). No Brasil, a Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional foi declarada em 3 de fevereiro de 2020 (Brazilian Health Ministry 2020) e encerrada em 22 de maio de 2022 (Brazilian Health Ministry 2022). Até 1º de maio de 2025, o Brasil acumulava 716.075 mortes relacionadas à covid-19 (Brazilian Health Ministry 2025), o segundo maior número total de mortes no mundo (World Health Organization 2025).
A possibilidade de contágio dificultava o contato com entes queridos hospitalizados. A morte muitas vezes acontecia de repente, sem a oportunidade de despedida. Algumas pessoas perderam vários familiares em pouco tempo. Os funerais foram restringidos, o que tornou mais difícil esse ritual de despedida. Todo esse contexto desafiou os processos de luto e, consequentemente, a elaboração dessas perdas (Schmidt et al. 2022).
Em junho de 2020, mais de 36.000 mortes causadas pela covid-19 já tinham sido registradas no Brasil (Silva et al. 2021). Ficou evidente a necessidade urgente de desenvolver modelos de intervenção para ajudar pessoas que tinham perdido entes queridos e precisavam de apoio psicológico.
Como outras universidades federais e estaduais brasileiras, mantidas pelos impostos pagos pela população, a Universidade de Brasília tem como objetivo desenvolver projetos que beneficiem a comunidade e ampliem o alcance das atividades e dos conhecimentos construídos no meio acadêmico. Vários desses projetos foram propostos durante a pandemia de covid-19, criando espaços de apoio e de assistência à população.
Naquele momento, o corpo docente do Departamento de Psicologia Clínica da Universidade de Brasília foi convidado a desenvolver e oferecer terapia de grupo para pessoas que tinham perdido familiares por causa da covid-19. Com o apoio de profissionais de psicologia em regime voluntário, a dupla que assina este artigo respondeu ao convite e desenvolveu uma abordagem que tinha a terapia narrativa como princípio norteador. Michael White (1998, 2007) observou que, no luto, muitas pessoas vivem não só a dor da perda, mas também uma sensação de ruptura na identidade, já que a identidade se constrói em grande parte por meio dos vínculos estabelecidos ao longo da vida. Com o tempo, ele propôs as conversas de re-membrar como uma forma de aplicar a metáfora do clube da vida. White explicava que, quando perdemos um membro importante desse clube, ficamos vulneráveis a perder aspectos importantes de quem somos. É comum ouvir pessoas enlutadas dizerem que “uma parte de mim também se foi”. Assim, ele propôs uma abordagem inovadora: encontrar maneiras de os vínculos continuarem vivos mesmo depois da morte. O processo de re-membrar convida as pessoas a manter as histórias, as influências e os legados dos entes queridos ativamente integrados à sua narrativa de vida, mesmo depois da morte deles.
O trabalho revolucionário de Hedtke e Winslade (2004) amplia essa ideia ao apresentar uma maneira de pôr a proposta em prática. A dupla desenvolveu um material inspirador para quem facilita grupos de luto, incentivando práticas que integram as histórias, os valores e os legados das pessoas falecidas à vida das pessoas enlutadas. Por meio de narrativas, rituais e ações simbólicas, quem participa recebe incentivo para manter uma relação significativa com seus entes queridos, reconhecendo sua presença metafórica na própria vida.
Em publicações posteriores, a abordagem narrativa do luto foi ampliada e complexificada, reforçando uma posição contrária às teorias psicológicas convencionais do luto, que muitas vezes pressupõem a dissolução da relação. Numa perspectiva narrativa, os laços entre vivos e mortos podem permanecer duradouros, acessíveis e potencialmente transformadores (Hedtke e Winslade 2017). Essa visão do luto foi difundida na América Latina por Campillo (2021), que ofereceu uma articulação das conversas de re-membrar inspirada nesses trabalhos e explicou como práticas narrativas, como a árvore da vida e outras abordagens, podem ser respostas terapêuticas significativas à dor da perda.
A abordagem aqui descrita se baseia em perguntas reflexivas centradas em dois eixos principais: (a) as maneiras pelas quais a pessoa que morreu continua viva na identidade de quem ainda está aqui e (b) as marcas que cada pessoa enlutada acredita ter deixado na vida de quem faleceu. O objetivo, assim, é ampliar as possibilidades de reautoria da identidade da pessoa enlutada, permitindo que os legados da pessoa falecida sejam reconhecidos e honrados e continuem a moldar seu percurso. Propomos então um formato de grupo em seis sessões (ver a Tabela 1), no qual os dois primeiros encontros estabelecem um contexto seguro e acolhedor para que os membros do grupo compartilhem suas histórias; as duas sessões seguintes se concentram nas conversas de re-membrar; e os dois últimos encontros se voltam para o trabalho com os projetos de vida.
Tabela 1 — Temas das sessões
As sessões iniciais buscam estabelecer combinados sobre o funcionamento do grupo e convidar os membros a compartilhar as histórias das perdas que os levaram ao encontro. É importante acolher essas histórias, pois é comum as pessoas sentirem que não deveriam falar disso, seja por acreditarem que isso vai perturbar os outros, seja porque os outros desencorajam essa conversa, na crença de que lembrar intensifica a dor (Silva et al. 2021). Como observa Michael White (2007), antes de abrir espaço para histórias alternativas e fortalecê-las, terapeutas procuram primeiro compreender os relatos que as pessoas trazem, pois é isso que torna possível o trabalho de reautoria. As conversas de reautoria envolvem explorar as histórias alternativas das pessoas, muitas vezes encobertas pelas histórias dominantes saturadas pelo problema, e construir um novo relato de sua vida a partir de acontecimentos negligenciados que revelam intenções, valores e compromissos significativos (White e Epston 1990).
Isso cria um espaço de dupla escuta: quando os membros do grupo falam de suas perdas, falam também das habilidades e dos saberes que os sustentam (Campillo 2009). Como mencionou White (2006), a dupla escuta é a prática de ouvir ao mesmo tempo a dor e os sinais coexistentes de resistência, esperança, valores e intenções, mesmo quando não estão formulados explicitamente. Na terapia narrativa, a dupla escuta é essencial, pois não se quer reduzir a pessoa aos relatos de sofrimento saturados pelo problema. É, portanto, uma forma de receber histórias de trauma, perda ou opressão, escutando também com atenção o que a dor revela sobre os compromissos e as intenções da pessoa: proteger, permanecer em conexão com valores e entes queridos, sustentar as esperanças e os sonhos que lhe são caros.
Nos encontros seguintes, a equipe de facilitação busca incentivar tanto o processo de reautoria quanto o de re-membrar (White 1998, 2007). Faz perguntas que convidam os membros do grupo a pensar no lugar que o ente querido que morreu ocupa em sua vida e em como essa pessoa querida contribuiu para sua identidade. O grupo também é convidado a explorar como cada pessoa contribuiu para a vida e a identidade de quem morreu. Essas perguntas ampliam as possibilidades de reflexão e de ação sobre como os legados deixados por esses entes queridos podem fazer parte do futuro dos membros do grupo.
A Universidade de Brasília ofereceu grupos baseados nessa abordagem em três ocasiões: julho e outubro de 2020 e fevereiro de 2021. As três edições foram realizadas on-line, gratuitamente, e reuniram pessoas de todo o Brasil (Silva et al. 2021).
Depois da terceira edição, a Universidade de Brasília e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal firmaram uma parceria para difundir essa abordagem entre profissionais de psicologia que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de um curso teórico-prático. O objetivo era capacitar essas pessoas para aplicar a abordagem na facilitação de grupos de familiares enlutados pela covid-19, integrando a prática a uma formação teórica e prática.
Este estudo buscou compreender o uso de uma abordagem de intervenção psicossocial baseada na terapia narrativa, no contexto do apoio on-line a pessoas que perderam familiares por causa da covid-19. Para isso, investigamos os relatos da equipe de facilitação sobre (a) o processo grupal e (b) as repercussões do curso em sua trajetória profissional.
Duas psicólogas com doutorado em psicologia e especialização em terapia familiar conduziram este estudo. O construcionismo social é a base epistemológica de ambas e orienta sua prática como terapeutas e pesquisadoras. A primeira autora deste estudo desenvolveu a abordagem apresentada neste artigo para a facilitação de grupos de familiares enlutados pela covid-19 e atuou como facilitadora e supervisora nos três primeiros grupos oferecidos pela universidade. Ela foi docente e supervisora no curso aqui relatado. A segunda autora foi supervisora nos três primeiros grupos oferecidos pela universidade, mas não participou do curso.
Cinquenta e quatro profissionais de psicologia fizeram um curso teórico e prático para atuar na facilitação de uma abordagem de grupo on-line, baseada na terapia narrativa, voltada a pessoas que perderam familiares por causa da covid-19. Trinta e uma dessas pessoas trabalhavam na Secretaria de Saúde do Distrito Federal: 42% na atenção primária, 42% na atenção secundária e 16% na atenção terciária. As demais pessoas que fizeram o curso atuavam em instituições parceiras, como universidades, faculdades e cursos de pós-graduação. A Tabela 2 mostra as características sociodemográficas desse grupo de profissionais.
Tabela 2 — Descrição sociodemográfica das pessoas que fizeram o curso
Foi realizado um estudo de caso (Stake 1994) centrado no curso de formação teórico-prática desenvolvido por meio da parceria entre a Universidade de Brasília e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal.
O curso teve 60 horas e foi dividido em atividades síncronas e assíncronas. As atividades síncronas incluíam exposição teórica, discussão de textos e troca de experiências (2 horas por semana), e as assíncronas incluíam leitura, preparação de materiais e planejamento das intervenções (4 horas por semana). O conteúdo teórico abordou os fatores terapêuticos grupais, o construcionismo social, a terapia narrativa e os cuidados éticos a adotar em grupos de apoio on-line. Um aspecto inovador do curso foi que ele também ofereceu à comunidade grupos de apoio terapêutico, de modo que o acompanhamento sessão a sessão fazia parte da própria formação.
O curso ocorreu entre maio e agosto de 2021. Concluídos os módulos teóricos, os grupos foram formados e conduzidos por trios de facilitação (duas pessoas da área de psicologia e uma pessoa estagiária do curso de Psicologia da Universidade de Brasília), que recebiam apoio contínuo por meio de um fórum virtual. A composição dos grupos seguiu a agenda de cada profissional. As pessoas estagiárias acompanhavam os grupos para apoiar a equipe, observar as sessões e fazer registros. Considerou-se também que essa seria uma oportunidade importante para desenvolverem habilidades relevantes para a futura prática profissional.
Os grupos foram divulgados nas redes sociais, e quem tinha interesse em participar se inscreveu por formulários on-line. No total, 255 pessoas de diferentes regiões do Brasil foram distribuídas em grupos de até 15 membros. A Tabela 3 apresenta os membros dos grupos.
Tabela 3 — Caracterização dos membros dos grupos
A experiência vivida de quem facilitou os grupos foi acessada por meio de seus relatos nos fóruns de um ambiente virtual de aprendizagem (Moodle). Os fóruns são ferramentas importantes nos processos de educação a distância e oferecem um espaço onde se pode fazer perguntas, tirar dúvidas e compartilhar ideias, experiências e reflexões (Pires e Veloso 2023). Cada fórum tratava de um tema específico: (1) fatores terapêuticos grupais, fundamentos do construcionismo social e uso da terapia narrativa no trabalho com grupos; (2) efeitos relacionais e psicológicos da pandemia de covid-191; e (3) planejamento dos grupos. Do quarto ao nono fórum, a equipe de facilitação era convidada a descrever as sessões conduzidas logo depois de cada encontro. Os relatos também foram acessados por meio de um relatório metacognitivo em que cada profissional avaliava o próprio percurso no curso.
Analisamos os relatos de sessão da equipe de facilitação para compreender sua visão do processo grupal. Analisamos também os fóruns em que essas pessoas relatavam seus estudos, o planejamento dos grupos e a experiência no curso.
Realizamos uma análise temática reflexiva com esses dois conjuntos de relatos (Braun e Clarke 2021). Esse método permite maior profundidade na apreensão dos significados e dá espaço à interpretação da equipe de pesquisa na produção dos temas a partir das descrições da equipe de facilitação. As pesquisadoras conduziram as análises de forma independente e depois as discutiram entre si. Vale notar que, na análise temática, quando duas ou mais pessoas analisam o mesmo material, não se pretende chegar a um acordo (Terry et al. 2017): a análise por mais de uma pessoa amplia as possibilidades de interpretação. Com o mesmo propósito, usamos também o software Requalify.ai (versão 0.1; Martins et al. 2024), que auxilia o processo de codificação. O software foi usado depois da codificação feita pela equipe de pesquisa, e seus resultados complementaram as descrições e discussões dos temas.
A análise seguiu oito etapas: (a) leitura repetida e cuidadosa do material por cada pesquisadora, de forma independente, para se familiarizar com os relatos; (b) elaboração dos códigos iniciais; (c) análise do material com o software Requalify.ai; (d) comparação entre os códigos elaborados pela equipe de pesquisa e a análise do software; (e) reuniões da dupla para desenvolver os códigos; (f) elaboração dos temas por cada pesquisadora, de forma independente; (g) reuniões da dupla para revisar e aprimorar os temas; e (h) redação do texto.
Procuramos adotar critérios de qualidade alinhados com nossa base epistemológica e que reconhecessem a importância da subjetividade de todas as pessoas envolvidas (Morrow 2005). As duas pesquisadoras analisaram e discutiram os dados para integrar e ampliar os significados atribuídos. Elas tinham relações diferentes com o curso aqui relatado, o que permitiu a cada uma analisar os dados a partir de seu ponto de vista particular: uma tinha uma relação próxima com o curso, atuando como docente e supervisora; a outra não participou do curso e ofereceu um olhar novo sobre dados que acessava pela primeira vez. A equipe de pesquisa também procurou ser fiel aos relatos de quem fez o curso, usando as próprias palavras dessas pessoas sempre que possível para representar melhor os significados que atribuíam à experiência. Da mesma forma, versões contraditórias foram incluídas para expressar os diferentes pontos de vista da equipe de facilitação.
Este estudo seguiu os princípios éticos estabelecidos na Resolução 510, de 7 de abril de 2016, que rege a pesquisa em ciências humanas e sociais no Brasil (Brazilian National Council of Justice 2016). Esses princípios incluem o respeito à autonomia, à liberdade, à diversidade e aos valores das pessoas participantes. O sigilo e o anonimato foram devidamente preservados. Segundo essa resolução, estudos caracterizados pela análise de dados que surgem espontaneamente do exercício regular da prática profissional, sem procedimentos específicos voltados a responder a uma questão de pesquisa, não precisam ser submetidos a um comitê de ética em pesquisa. Este estudo descreve um curso voltado a capacitar profissionais para facilitar grupos de familiares enlutados pela covid-19. Quando o curso foi planejado, o objetivo não era fazer pesquisa; o foco estava na formação profissional e no atendimento à população. Depois do término do curso, optamos por documentar a experiência analisando o material publicado nos fóruns do curso. Todos os dados usados neste estudo foram apresentados espontaneamente nos fóruns durante o curso. Não foram realizadas entrevistas nem aplicados questionários específicos para fins de pesquisa. Os resultados e a discussão aqui apresentados se referem a análises e reflexões feitas depois da conclusão de uma intervenção profissional. De acordo com a regulamentação brasileira, desde que as pessoas participantes não sejam identificáveis, precaução adotada neste estudo, a submissão a um comitê de ética não era exigida.
O processo grupal foi analisado por meio de dois temas. A Tabela 4 apresenta esses temas, com seus subtemas e exemplos de códigos.
Tabela 4 — O processo grupal: temas, subtemas e códigos
O primeiro tema se refere ao processo vivido tanto pela equipe de facilitação quanto pelos membros do grupo na cocriação de um espaço de apoio mútuo. Nesse tema, está presente a relação dialética entre o particular e o coletivo: os relatos destacaram a importância de um contexto em que particularidades e diferenças sejam acolhidas e respeitadas, bem como o potencial de criação e transformação coletivas.
Ao longo das sessões, as narrativas dos membros do grupo entrelaçaram experiências compartilhadas, que criavam vínculos, com relatos que enfatizavam a singularidade do luto de cada pessoa.
Às vezes, a pluralidade dessas histórias deixa as pessoas reflexivas e bastante emocionadas, porque há quem veja seus entes queridos como grandes heróis. Ao mesmo tempo, há quem sinta muita raiva da pessoa falecida por não ter se cuidado o suficiente em relação ao distanciamento social.
Reconhecer e respeitar a singularidade de cada percurso é central nas abordagens narrativas. Michael White (2009) enfatizou a singularidade de cada enredo e de cada percurso terapêutico, já que eles se desdobram “de maneiras que não poderiam ter sido previstas antes da própria jornada e no sentido de que cada jornada traz consigo opções para entrar em novos territórios de pensamento e de prática” (p. 19).
Outro aspecto que mostrava as particularidades das histórias compartilhadas pelos membros do grupo era a forma como se relacionavam com sua rede de apoio. Algumas pessoas reconheciam a importância de sua rede; outras sentiam que não podiam falar de suas perdas com as pessoas próximas: “Também tivemos relatos de solidão algum tempo depois da morte, por causa da pressão para seguir com a vida. Uma participante relatou que isso contribuiu para afastá-la de uma rede de apoio” (pessoa facilitadora 52). Por outro lado, havia quem sentisse que “não conseguia deixar ninguém se aproximar por causa da dor e porque as pessoas não entendiam o tamanho da dor” (pessoa facilitadora 3), e também quem preferisse viver esse momento em recolhimento:
Uma das integrantes do grupo, cujo marido morreu de covid-19, nos contou que seus amigos e familiares estavam sempre tentando ajudar, mas que, naquele momento, ela preferia ficar “em silêncio”, embora reconhecesse o cuidado por trás desses esforços. Segundo ela, “meu luto é solitário”. Nesse momento, o grupo respondeu com um apoio dedicado; duas pessoas do grupo acolheram sua fala e ressaltaram a singularidade dessa experiência de luto, como algo singular e não comparável entre as pessoas.
Esses encontros evidenciaram a importância de criar um espaço em que as pessoas possam falar de suas perdas o quanto for preciso (Campillo 2009; White 1998, 2007). Os processos de luto dos membros do grupo se mostraram únicos e não lineares, entrelaçando momentos que enfatizavam a perda com momentos que destacavam as habilidades e os saberes que os sustentam. Durante o processo, cada pessoa estava em um ponto diferente de seu percurso. Embora a equipe de facilitação estivesse atenta a essa pluralidade, vale notar que o próprio grupo também demonstrou habilidade para acolhê-la:
À medida que os membros do grupo começam a compartilhar relatos de afetos, sensações e emoções singulares, podemos notar os movimentos do grupo para estabelecer sua própria dinâmica. Isso nos convida, como terapeutas, a redefinir nosso papel durante todo o processo. Para mim, esse é um dos aspectos mais ricos de atuar como terapeuta em um grupo terapêutico.
Dada a singularidade das histórias e dos percursos terapêuticos de cada pessoa, essa abordagem grupal pode não ser adequada para todas as pessoas enlutadas pela morte de um familiar. A equipe de facilitação relatou que alguns membros deixaram de comparecer, dizendo que ainda não se sentiam em condições de falar sobre a perda. Outros fizeram uma pausa de várias sessões e voltaram depois, o que sugere que precisavam de mais tempo antes de se reengajar no grupo.
Os vínculos construídos entre os membros do grupo permitiram revisitar a dor, as alegrias e as histórias de vida a partir de uma posição de apoio e acolhimento. Os sentimentos complexos carregados desde a morte dos familiares, assim como os desafios comuns diante das perdas vividas durante a pandemia, surgiram como elementos de conexão no grupo, favorecendo a identificação, a empatia e a solidariedade, como mencionou a pessoa facilitadora 21:
No grupo, as pessoas se chamavam de colegas ou de companhia de caminhada, identificavam semelhanças em seus sentimentos e se acolhiam mutuamente. Algumas falas do grupo realmente me tocaram, como: “Agradeço à minha colega, porque ela colocou em palavras exatamente o que eu sinto e não conseguia expressar: a sensação de que eu não existo mais”.
A equipe de facilitação também enfatizou a importância tanto de falar quanto de ouvir. Enquanto uma pessoa conta sua história, as outras escutam e oferecem validação, e a pessoa ouve as próprias palavras a partir de uma posição reposicionada. As histórias se entrelaçam; com a contribuição, a troca e o reconhecimento compartilhado de cada pessoa, a narrativa coletiva se adensa. Ao testemunhar a dor de alguém que vivia uma situação tão próxima da sua, os membros do grupo demonstraram e reconheceram parte de sua própria agência pessoal.
As abordagens terapêuticas baseadas no construcionismo social enfatizam a importância de combinar saberes e perspectivas para ampliar as possibilidades de ação (Andersen 2002; Carrijo e Rasera 2010; Grandesso 2008; Paula-Ravagnani et al. 2017). Entendemos que a polifonia do grupo e os vínculos entre seus membros potencializaram esse processo. A prática da dupla escuta (Campillo 2009), isto é, prestar atenção ao mesmo tempo à história do problema e aos relatos alternativos, reconhecendo a ferida e abrindo espaço para que novas histórias surjam, favoreceu a reautoria e foi sustentada não só pela equipe de facilitação, mas, sobretudo, pelas outras pessoas do grupo. Mais do que expressar apoio, os membros do grupo praticaram a dupla escuta, olhando para além da desesperança para reconhecer, nomear e honrar a luta intensa de seus entes queridos e seus esforços para manter a dignidade.
A equipe de facilitação relatou que os membros do grupo foram fazendo cada vez mais parte da vida uns dos outros, e os temas tratados nas sessões começaram a mudar. Houve trocas de sugestões sobre questões práticas do cotidiano, como estratégias para aumentar a renda, o que fortaleceu ainda mais os vínculos e mostrou um sentimento crescente de pertencimento e de confiança. Ao final das sessões, membros de alguns grupos tinham criado formas de continuar em contato, trocando números de telefone e criando grupos de WhatsApp. Esses grupos de luto parecem ter ampliado os “clubes da vida” de seus membros, enriquecendo suas narrativas e ampliando suas possibilidades de ação (White 2009). Nesse sentido, grupos de luto como o aqui descrito podem cumprir funções semelhantes às das cerimônias de definição propostas por White, uma vez que seus membros atuam como testemunhas externas uns para os outros, ampliando os limites dos enredos apresentados inicialmente.
Este tema trata dos relatos da equipe de facilitação sobre o uso de práticas narrativas em processos de reautoria e de ampliação das narrativas pessoais. Os dois subtemas apresentados ilustram as relações intrincadas e inerentes entre passado, presente e futuro. Eles mostram que as experiências vividas se influenciam mutuamente em múltiplas direções na construção contínua de sentido (Carrijo e Rasera 2010; Grandesso 2008; White e Epston 1990). Enquanto o passado contribui para os significados atribuídos ao presente e para o que se considera possível no futuro, o presente, por sua vez, dá novo significado ao passado e abre novas possibilidades de ação.
Este subtema indica que as perguntas feitas pela equipe de facilitação (“Qual foi a contribuição da pessoa falecida para a sua vida?” e “Qual foi a sua contribuição para a vida dessa pessoa?”) foram entendidas como “fundamentais para a construção de narrativas valorizadas”. Os membros do grupo apresentaram seus entes queridos de várias maneiras, por meio de vídeos, fotos, poemas, músicas e histórias, nomeando características e relembrando episódios de vida que ilustravam a relação e os vínculos entre a pessoa enlutada e o familiar falecido. Do ponto de vista da equipe de facilitação, foram momentos de emoção que permitiram ressignificar as experiências e refletir profundamente:
Uma integrante do grupo refletiu que a única forma de seus filhos conhecerem o pai seria pelas histórias que ela contaria. Então decidiu criar um lugar em casa que contasse a história da vida do pai deles, honrando sua vida, e não sua morte. Afirmou também que caberia a eles, a partir de agora, manter seus familiares vivos para quem fica. […] Uma fala bonita: “Agora o coração dele bate no meu”; “A partida dele não desfaz a sua existência”.
Uma jovem participante que tinha perdido a mãe e se mantivera em silêncio por muito tempo se emocionou ao reconhecer que o legado da mãe está dentro dela. “Eu nunca tinha pensado assim. Isso me deu força”, disse ela.
A atividade proposta atingiu seu objetivo de promover conversas de re-membrar. Essa prática narrativa busca fortalecer e reconstituir as relações entre as pessoas e aquelas que foram significativas e contribuíram para moldar sua identidade, estejam essas pessoas vivas ou não (Campillo 2009; White 1998, 2007). O conceito se baseia na compreensão de que as relações significativas não terminam necessariamente com a ausência física, mas podem continuar a influenciar e enriquecer a vida de uma pessoa, simbólica e emocionalmente. Houve também ênfase em ouvir e contar histórias sobre as pessoas falecidas, prática que a terapia narrativa considera importante no processo de luto. A força dos enredos ficou evidente nos relatos que os apresentavam como meios de transformar a dor da perda em significados que sustentam, reafirmando a importância da pessoa em sua vida e identificando como esses laços continuam a contribuir para a identidade e o bem-estar emocional. Nos percursos terapêuticos dos grupos, as conversas de re-membrar abriram uma nova fase, em que as histórias compartilhadas favoreceram processos de ressignificação e a construção de histórias alternativas, como afirmou a pessoa facilitadora 42:
Depois da fase inicial do grupo, baseada essencialmente em versões saturadas pelo problema, foi muito gratificante ver como as conversas de re-membrar permitiram ao grupo passar a uma nova etapa, marcada pela ressignificação das ausências. O re-membrar abriu espaço para conversas de reautoria; cada pessoa conseguiu passar de enredos de luto a enredos preferidos, nomeando como a presença do ente querido perdura no seu dia a dia, e assim reescrever a perda e a experiência do luto.
A equipe de facilitação sustentou esses resultados convidando o grupo a explorar histórias, memórias e experiências compartilhadas com os entes queridos, uma linha de questionamento central para manter as pessoas falecidas como membros do “clube da vida” (White 1998, 2007). Segundo White (1998, 2007), perguntas voltadas para contribuições compartilhadas, valores e habilidades funcionam como andaimes para adensar identidades preferidas e promover a agência pessoal.
Este subtema trata do ponto de vista da equipe de facilitação sobre como os membros do grupo integraram a experiência da perda e as memórias dos familiares falecidos a seus projetos de futuro. Segundo esses relatos, houve liberdade para compartilhar percepções, que iam desde um interesse diminuído e a sensação de ainda não estar em condições de retomar projetos até o reconhecimento de que o reengajamento muitas vezes começa com pequenos passos: “um dia de cada vez”, “aos pouquinhos, estou me mantendo de pé” (pessoa facilitadora 28).
De modo geral, os projetos estavam sendo retomados. Estavam ligados a questões do cotidiano e à retomada de atividades no presente, o que considero movimentos essenciais, que servem de andaime para projetos mais elaborados. Estar com a família, voltar a celebrar momentos importantes, retornar ao trabalho e retomar a vida social foram exemplos de projetos retomados. Ouvi no grupo que não se conseguiria dar conta, mas, com o tempo, veio a sensação de estar voltando aos poucos aos projetos de vida. Algumas pessoas relataram que não conseguiam planejar a vida a longo prazo, mas sentiam satisfação em retomar o dia a dia, um dia de cada vez.
Ficou evidente o papel que esse tipo de grupo pode ter em situações tão adversas quanto as vividas por quem perdeu familiares em uma pandemia: “O grupo relatou sentir conforto com o exercício inédito de dar um novo significado à presença do ente querido, re-membrando a vida e seu legado para si e para o mundo.” (pessoa facilitadora 51).
Do ponto de vista da equipe de facilitação, foram momentos emocionalmente significativos que abriram espaço para reflexão e reautoria. Os membros dos grupos valorizaram práticas narrativas como a reautoria e a dupla escuta e as adotaram intensamente ao longo de todas as sessões. Esses resultados estão de acordo com as contribuições de Michael White (1998) e de Marta Campillo (2009), que nos convidam a redefinir o luto como uma relação contínua e um processo significativo de ressignificação, que desafia as práticas hegemônicas que promovem o desapego. Ao trazer a memória do ente querido para um diálogo relacional e apreciativo, a abordagem fortaleceu as conclusões identitárias preferidas e integrou as relações significativas à vida presente e aos projetos de vida futuros.
Dois temas, apresentados na Tabela 5, permitem compreender o processo vivido por quem facilitou os grupos e os significados atribuídos a essa experiência.
Tabela 5 — O processo da equipe de facilitação: temas, subtemas e códigos
Este tema examina as trajetórias complexas de quem facilitou os grupos ao longo do curso e como a participação apoiou a reautoria de seus relatos profissionais. A equipe de facilitação destacou o impacto do contato com o construcionismo social e a terapia narrativa e a importância de criar um espaço dialógico marcado pela aprendizagem coletiva, como se discute nos subtemas a seguir.
Este subtema reúne as reflexões das pessoas participantes do curso sobre a posição que passaram a ocupar depois de trabalhar os textos e as discussões sobre terapia narrativa e construcionismo social. Revisitaram e reconstruíram suas concepções sobre o que é ser humano, a natureza das conversas terapêuticas e o que significa participar delas, qualquer que seja o papel de cada pessoa. O construcionismo social não é apenas um conjunto de orientações sobre como os problemas trazidos por quem busca apoio profissional devem ser compreendidos e tratados (Guanaes-Lorenzi et al. 2014; McNamee e Gergen 2020). É uma visão de mundo que abrange compromissos ontológicos e epistemológicos que moldam nosso modo de agir no mundo. A equipe de facilitação destacou a importância de compreender o ser humano como ser social, constituído na linguagem e nos significados que atribui às suas interações:
Acredito que as abordagens pós-modernas são muito relevantes quando se pensa em um grupo terapêutico. A meu ver, essas abordagens trazem uma compreensão inovadora e essencial nesse contexto: o olhar social. Desse ponto de vista, as questões levantadas não são produto de indivíduos isolados, mas são construídas socialmente em diferentes contextos e realidades. Na minha opinião, ter essa noção aliada à prática é fundamental na condução de um grupo terapêutico.
A equipe de facilitação destacou também a polifonia e a necessidade de abertura à diversidade:
Para mim, os pressupostos do construcionismo fazem muito sentido quando se trata de viver uma clínica que permite a expressão de múltiplas formas de estar no mundo. A recusa da verdade absoluta, por exemplo, nos abre para verdades produzidas por indivíduos e coletivos, criando oportunidades para uma escuta que não busca um resultado a priori, mas cocria possibilidades coletivamente. Acredito que os pressupostos das terapias pós-modernas nos permitem ampliar nossas práticas no SUS em direção a abordagens mais inclusivas, que fortalecem a autonomia.
Assim, os relatos da equipe de facilitação reconheceram que o construcionismo social e a terapia narrativa estão alinhados a valores específicos da prática terapêutica. Como apontaram Manfrim e Rasera (2016), a prática terapêutica informada pelo construcionismo social tem um compromisso ético com a mudança social, como destacou a pessoa facilitadora 15.
O texto listado nas referências retoma o código de ética profissional do psicólogo e nossos compromissos ético-políticos. Por isso, uma psicologia que questione criticamente as desigualdades, o preconceito e outros problemas que afetam a existência vivida é essencial.
Nesse sentido, os pressupostos da terapia narrativa convocam a equipe de facilitação a olhar de forma ampla as pessoas com quem trabalha, reconhecendo suas complexidades e seu potencial:
Ler textos com conceitos densos e novos… Um ponto importante na minha prática profissional é nunca esquecer de focar no potencial. Muitas vezes, diante das demandas do dia a dia, é possível se deixar levar e estreitar a escuta para danos, falhas e problemas. Conhecer a terapia narrativa e perceber que ela envolve compreender as histórias de vida das pessoas e reescrevê-las me ajudou a olhar com mais atenção para as pessoas que atendo, entendendo que há mais do que apenas o problema.
Para isso, reiterou-se a importância de assumir uma posição de não saber (Anderson e Goolishian 2020), estabelecendo uma relação não hierárquica:
Com base na minha leitura dos materiais fornecidos, vejo o trabalho de grupo informado pelas abordagens pós-modernas como um trabalho reflexivo que pode promover um espaço de troca, em que os membros do grupo podem trazer suas experiências sem julgamentos e em que aspectos singulares, como suas crenças, cultura, linguagem e práticas, são considerados importantes. Um espaço em que a postura profissional é a de uma mediação que abre espaço para a fala do outro, sem impor normas ou saberes codificados.
Os estudos realizados na fase inicial do curso também mostraram a possibilidade de dar novos significados a práticas que a equipe de facilitação já realizava em seu trabalho:
O texto sobre abordagens pós-modernas articulou e reforçou muito do que é desenvolvido no meu serviço. […] o que me leva a concluir que boa parte do que faço, junto com a equipe da qual faço parte, tem um alcance mais amplo e maior coerência do que eu supunha.
Este subtema se baseia nas percepções de quem fez o curso sobre como as relações estabelecidas ao longo dele contribuíram para seus relatos profissionais. Planejar um grupo on-line sobre um tema tão sensível quanto a morte de um familiar despertou emoções complexas; os relatos falam de medo, entusiasmo e gratificação.
Confesso que, desde o início, senti ansiedade, empolgação e preocupação com os desafios que esse trabalho poderia trazer. No entanto, à medida que nossos encontros avançavam, graças à sintonia com minha dupla e com a pessoa estagiária, e graças às leituras, a ansiedade e a preocupação deram lugar à empolgação e à expectativa por uma atividade que provavelmente será transformadora tanto para os membros do grupo quanto para nós, como terapeutas.
Como enfatiza o construcionismo social, a importância de espaços horizontais, marcados pelo respeito às diferenças e pela coconstrução de significados, ficou evidente na criação de um espaço seguro em que a equipe de facilitação pôde aprender e ampliar sua visão de si mesma como profissional:
Acredito que conduzir um grupo em equipe será um fator de proteção e de estabilidade para mim e para o grupo, que poderá contar com uma pluralidade de experiências e de saberes. Uma pessoa com quem fiz contato também mencionou esse valor, dizendo que “se inscreveu justamente para ouvir outras pessoas”.
A pandemia de covid-19 levou as sociedades a rever prioridades, valores e modos de funcionamento, incluindo as relações interpessoais e as dinâmicas entre organizações. Este tema trata da diluição das fronteiras entre o pessoal e o profissional, assim como entre as universidades e outros serviços públicos, o que favorece novas formas de organização diante desses desafios.
Este subtema reúne os relatos profissionais sobre as experiências vividas durante a pandemia. Esses relatos mencionam impactos na própria vida, incluindo a perda de entes queridos, o que ajudou a equipe de facilitação a se sentir mais próxima dos membros do grupo. Se essas experiências individuais ajudaram a desenvolver uma escuta mais humana e empática, os relatos também descrevem a transformação vivida pela oportunidade de testemunhar as narrativas dos membros do grupo.
Por meio dessas memórias e histórias, reconectei-me depois com entes queridos que morreram, mas em outras circunstâncias. Aspectos de seus sentimentos e de suas histórias ressoaram em mim. Essa experiência me mostrou a importância da presença internalizada dos entes queridos, da marca do afeto e do amor. Também evidenciou a importância da memória e da possibilidade de sentir saudade, reconhecendo que eles continuam presentes em nossa vida como membros do nosso “clube da vida”. […] Acredito que minha experiência de vida e a forma como lidei com as perdas, junto com meus compromissos teóricos, contribuíram para refinar minha escuta e meu acolhimento, bem como para formular perguntas mais sensíveis nas sessões.
Este subtema destaca o valor das parcerias institucionais e a importância da articulação interinstitucional. Em seus relatos, a equipe de facilitação ressaltou a parceria entre a universidade e a secretaria de saúde, que possibilitou um curso com uma abordagem inovadora, integrando a teoria à prática supervisionada e introduzindo conteúdos menos conhecidos, como o construcionismo social e a terapia narrativa. Essa colaboração foi vista como essencial para a formação profissional e para a educação continuada de quem participou.
O desenvolvimento e o reconhecimento de habilidades ao longo dessa experiência contribuíram para a ideia de oferecer grupos semelhantes em diversos contextos, como prisões, hospitais, unidades básicas de saúde e serviços voltados a pessoas cujos entes queridos foram vítimas de violência contra a mulher. Também se planejou difundir os aprendizados do curso a outras categorias da saúde, como a medicina e a enfermagem. Mesmo quem se preocupava com a própria capacidade de continuar esse trabalho no futuro formulou relatos mais densos sobre o que agora poderia ser possível.
Esse é um dos meus receios quanto à minha capacidade de difundir esse conhecimento a outros colegas de profissão, já que ainda estou aprendendo essa abordagem tão rica e especial. […] Quanto às habilidades, manter uma postura não prescritiva é algo que vou continuar a desenvolver. Com essa experiência, fortaleci minha postura empática e compartilhei o que ressoava em mim. Senti mais liberdade para sentir e mostrar o que sentia, sem medo de parecer menos profissional ou com menos qualificação para estar ali. Sentir que era permitido errar também foi ótimo!
Como observou Michael White (2009), os relatos de psicoterapeutas muitas vezes são empobrecidos por discursos profissionais e institucionais dominantes que delimitam o que conta como conhecimento legítimo e restringem as possibilidades de ação profissional. Encontros que permitem adensar esses relatos, por meio de trocas que possibilitam a reautoria, tendem a sustentar a saúde mental de quem exerce a profissão.
O número considerável de mortes relacionadas à covid-19 em vários países, a perspectiva de futuras emergências de saúde pública e a frequência crescente de desastres climáticos reforçam a necessidade de preparar as equipes de saúde mental para lidar com perdas múltiplas, simultâneas e complexas. A abordagem narrativa de grupo apresentada neste estudo foi concebida para oferecer às equipes ferramentas para responder a momentos paralisantes, como os vividos durante a pandemia, reafirmando ao mesmo tempo um compromisso ético-político com a transformação de realidades adversas. Sua aplicabilidade, porém, vai além: segundo os relatos da equipe de facilitação, as intervenções clínicas propostas, com potencial terapêutico demonstrado, sugerem que os aprendizados derivados dos processos grupais podem ser aplicados a diversas situações de enfrentamento.
A equipe de facilitação indicou que a abordagem proposta representou uma contribuição singular para sua formação. A educação continuada que integra práticas clínicas supervisionadas, práticas narrativas alinhadas a uma orientação dialógica e a aprendizagem colaborativa foi apontada como pilar do sucesso dos grupos. Quem participou mencionou a qualidade dos materiais de apoio e avaliou positivamente a supervisão em tempo real e os fóruns colaborativos. A abordagem narrativa on-line para o trabalho com grupos também se mostrou muito custo-efetiva, permitindo apoiar várias pessoas ao mesmo tempo e superar barreiras geográficas e limitações de deslocamento, sem prejuízo para a profundidade da experiência grupal.
A parceria entre a universidade pública, que desenvolveu a abordagem narrativa para o trabalho com grupos, e o sistema público de saúde, como política social, foi central para o sucesso do projeto. Essa colaboração mostrou como a produção acadêmica pode nascer de demandas sociais concretas e voltar a elas com efeitos transformadores. A equipe de facilitação relatou a importância de uma abordagem que promove a emancipação, a dignidade e a proteção de direitos, em sintonia com os princípios da terapia narrativa e seu compromisso ético com um mundo mais justo e humano.
Por fim, a principal limitação do estudo foi a ausência de uma análise sistemática dos relatos dos membros dos grupos. Essa análise poderia ter permitido uma representação mais polifônica e complexa da experiência, enriquecendo ainda mais os resultados e as reflexões aqui apresentados.
Complexe Systémique: a reter
O artigo documenta uma resposta clínica a um luto em massa, num país que contou mais de 700 mil mortes por covid-19, muitas vezes sem despedidas nem funerais. Seu interesse para a clínica sistêmica está no deslocamento que propõe: o luto não é um desapego a ser concluído, mas uma relação a ser reorganizada. As duas perguntas do re-membrar, o que a pessoa que morreu trouxe para mim e o que eu trouxe para ela, devolvem ao vínculo uma reciprocidade que a morte parecia ter abolido. O grupo faz o resto: seus membros se tornam testemunhas externas uns para os outros, e a dupla escuta circula entre pares tanto quanto vem da equipe de facilitação. O formato em seis sessões, on-line e gratuito, é fácil de transpor. Mas os resultados devem ser lidos pelo que são: relatos de profissionais de psicologia, escritos nos fóruns de uma formação, e não a fala das famílias, como a própria equipe de pesquisa reconhece. Algumas pessoas também deixaram os grupos por não se sentirem em condições de falar. Para ler junto com o artigo sobre a presença da ausência na terapia com famílias e com a entrevista sobre a arte de tecer narrativas encarnadas diante da morte.
Notas do original
1 As narrativas apresentadas no segundo fórum não foram analisadas neste estudo.
Agradecimentos. A taxa de publicação desta pesquisa foi financiada pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES, Brasil) (identificador ROR: 00x0ma614).
Referências
Andersen, T. 2002. Processos Reflexivos (2nd ed. Instituto Noos).
Anderson, H., and H. Goolishian. 2020. “O cliente é o Especialista: A Abordagem Terapêutica do não Saber.” In A Terapia Como Construção Social, edited by S. McNamee and K. J. Gergen, (2nd ed., 53–72. Instituto Noos.
Beiras, A., S. McNamee, E. F. Rasera, and P. Martins. 2023. “Conhecendo O Livro “Praticando a Terapia Como Construção Social.” Nova Perspectiva Sistêmica 32, no. 75: 117–121.
Braun, V., and V. Clarke. 2021. Thematic Analysis: A Practical Guide. Sage Publications.
Brazilian Health Ministry. 2020. Portaria n° 188, de 3 de Fevereiro de 2020. Declara Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) em Decorrência da Infecção Humana Pelo Novo Coronavírus (2019‐nCoV). Diário Oficial da União. https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-188-de-3-de-fevereiro-de-2020-241408388.
Brazilian Health Ministry. 2022. Após Dois Anos, Chega ao fim Estado de Emergência em Saúde Pública Por Conta da Covid‐19 no Brasil. Ministério da Saúde: Notícias. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/maio/apos-dois-anos-chega-ao-fim-estado-de-emergencia-em-saude-publica-por-conta-da-covid-19-no-brasil.
Brazilian Health Ministry. 2025. Painel Coronavírus. Coronavírus Brasil. https://covid.saude.gov.br/.
Brazilian National Council of Justice. 2016. Resolução n° 510, de 07 de abril de 2016. Brazilian Health Ministry. https://www.gov.br/conselho-nacional-de-saude/pt-br/atos-normativos/resolucoes/2016/resolucao-no-510.pdf/view.
Campillo, M. 2009. Terapia Narrativa: Autoaprendizage y Co‐aprendizage Grupal. Ediciones Ollin.
Campillo, M. 2021. “Terapia Narrativa: Respondiendo Al Duelo Y La Perdida Con El Árbol De La Re‐Asociación.” Revista de Psicoterapia 32, no. 119: 181–195. 10.33898/rdp.v32i119.422.
Carrijo, R. S., and E. F. Rasera. 2010. “Mudança Em Psicoterapia De Grupo: Reflexões a Partir Da Terapia Narrativa.” Psicologia Clínica 22, no. 1: 125–140. https://www.redalyc.org/pdf/2910/291022021008.pdf.
Féres‐Carneiro, T., and E. Ponciano. 2005. “Articulando Diferentes Enfoques Teóricos Na Terapia Familiar.” Revista Interamericana de Psicologia 39, no. 3: 439–448. https://www.redalyc.org/pdf/284/28439314.pdf.
Focchi, L. A., E. F. Rasera, and C. Guanaes‐Lorenzi. 2023. “Aproximações Recentes Entre Construcionismo Social E Terapia No Contexto Acadêmico Brasileiro.” Pensando Famílias 27, no. 1: 3–23. https://pensandofamilias.domusterapia.com.br/index.php/files/article/view/80/32.
Grandesso, M. 2008. Sobre a Reconstrução do Significado: Uma Análise Epistemológica e Hermenêutica da Prática Clínica. Casa do Psicólogo.
Grandesso, M. 2017. Práticas Colaborativas e dialógicas em Distintos Contextos e Populações: Um Diálogo Entre Teoria e Práticas. CRV.
Grandesso, M. 2018. Colaboração e Diálogo: Aportes Teóricos e Possibilidades Práticas. CRV.
Grandesso, M. 2024a. A Construção Social de Práticas Relacionais: Diálogo e Colaboração em ação. Martins Fontes‐Paulista.
Grandesso, M. 2024b. “Terapia Narrative No Brasil.” Journal of Contemporary Narrative Therapy 1: 2–13. https://www.journalcnt.com/uploads/9/4/4/5/94454805/february_2024_grandesso_portuguese.pdf.
Guanaes‐Lorenzi, C. G., M. dos S. Moscheta, C. M. Webster, and L. V. Souza. 2014. Construcionismo Social: Discurso, Prática e Produção do Conhecimento. Instituto Noos.
Hedtke, L., and J. Winslade. 2004. Remembering Lives: Conversations With the Dying and the Bereaved. Routledge.
Hedtke, L., and J. Winslade. 2017. The Crafting of Grief: Constructing Aesthetic Responses to Loss. Routledge/Taylor & Francis Group.
Hintz, H. C., and M. O. Souza. 2009. “A Terapia Familiar no Brasil.” In Manual de Terapia Familiar, edited by L. C. Osorio and M. E. P. do Valle, 91–103. Artmed.
Lordello, S. R., and I. M. Silva. 2021. “The Grief Elaboration Process in the Pandemic Scenario: A Group Intervention.” In Anxiety, Uncertainty, and Resilience During the Pandemic Period ‐ Anthropological and Psychological Perspectives, edited by F. Gabrielli and F. Irtelli, 215–225. IntechOpen. 10.5772/intechopen.98837.
Manfrim, A. F. N., and E. F. Rasera. 2016. “Diálogos Entre O Discurso Construcionista Social E a Terapia Social.” Nova Perspectiva Sistêmica 56: 34–48. https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-78412016000300004.
Martins, L. F., F. R. Souza, and J. M. Freitas. 2024. requalify.ai (Version 0.1) [online software]. https://requalify.ai.
McNamee, S., and H. J. Gergen. 2020. “Introdução à Segunda Edição Brasileira.” In A Terapia Como construção Social, edited by S. McNamee and K. J. Gergen, (2nd ed., 11–17. Instituto Noos.
McNamee, S., E. Rasera, and P. Martins. 2024. Praticando a Terapia Como Construção Social. Noos.
Morrow, S. L. 2005. “Quality and Trustworthiness in Qualitative Research in Counseling Psychology.” Journal of Counseling Psychology 52, no. 2: 250–260. 10.1037/0022-0167.52.2.250.
Paula‐Ravagnani, G. S., C. Guanaes‐Lorenzi, and E. F. Rasera. 2017. “Use of Theoretical Models in Family Therapy: Focus on Social Constructionism.” Paidéia (Ribeirão Preto) 27, no. 67: 84–92. 10.1590/1982-43272767201710.
Pratti, L. E., and S. H. Koller. 2020. “Práticas da Terapia de Família no Brasil.” In Psicologia de Família: Teoria, Avaliação e Intervenção, edited by M. L. M. Teodoro and M. N. Baptista, 256–272. Artmed.
Schmidt, B., I. M. Silva, A. S. Sehn, M. C. Aires, and A. M. N. Paiva. 2022. “Perda, Luto E Resiliência Na Pandemia De COVID‐19: Implicações Para a Prática Com Famílias.” Pensando Famílias 26, no. 1: 3–14. https://pepsic.bvsalud.org/pdf/penf/v26n1/v26n1a02.pdf.
Silva, I. M., S. R. Lordello, and L. Polejack. 2021. Luto na Pandemia Como Intervenção Psicossocial: Uma Proposta Pioneira da UnB. UnB Notícias. https://noticias.unb.br/artigos-main/5083-luto-na-pandemia-como-intervencao-psicossocial-uma-proposta-pioneira-da-unb.
Terry, G., N. Hayfield, V. Clarke, and V. Braun. 2017. “Thematic analysis.” In The Sage Handbook of Qualitative Research in Psychology, edited by C. Willig and W. Stainton‐Rogers, 17–37. Sage.
White, M. 2007. Maps of Narrative Practice. Norton.
White, M. 2009. Narratives of Therapists' Lives. General Books.
White, M. 1998. “Saying Hello Again: The Incorporation of the Loss Relationship in the Resolution of Grief.” In Introducing Narrative Therapy: A Collection of Practice Based Writings, edited by C. White and D. Denborough, 17–32. Dulwich Centre Publications.
White, M., and D. Epston. 1990. Medios Narrativos Para Fines Terapeuticos. Ed. Paidós.
World Health Organization. (n. d.). Coronavirus Disease (COVID‐19) Pandemic. https://www.who.int/europe/emergencies/situations/covid-19.
World Health Organization. 2025. WHO COVID‐19 Dashboard. https://data.who.int/dashboards/covid19/deaths.
Tradução não oficial em português de Uma abordagem narrativa do trabalho em grupo com famílias enlutadas, de Silvia Renata Lordello e Isabela Machado da Silva, Journal of Marital and Family Therapy, vol. 52, no 1 (2026), doi: 10.1111/jmft.70094, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença (tabelas apresentadas em listas). Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.
Tradução não oficial para o português de “A Narrative Approach to Work With Groups of Bereaved Family Members”, publicado em Journal of Marital and Family Therapy (2026) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.
Ler o artigo originalComo citar este artigo
Lordello, S. R., et da Silva, I. M. (2026). Uma abordagem narrativa do trabalho em grupo com famílias enlutadas (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/uma-abordagem-narrativa-do-trabalho-em-grupo-com-familias-enlutadas (Obra original publicada em 2025 em Journal of Marital and Family Therapy, 52(1), e70094 (2026); republicada em 2026 por Journal of Marital and Family Therapy, https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/jmft.70094)
Para ir mais longe