Behavioral Sciences · Luto

Para além da autoculpabilização: um estudo qualitativo sobre a experiência mutável da culpa parental após a morte de um filho

Depois da morte de um filho, a culpa de pais e mães assume sempre a mesma forma? Em Valência, a equipe de Lucia Pelacho-Rios entrevistou 27 mães e pais enlutados. A causa da morte dá cor à culpa, que se desdobra em cinco faces, da proteção à identidade parental; com os anos, ela não desaparece, mas se integra ao luto.

Autores Lucia Pelacho-Rios, Yolanda Ruiz-Ordoñez, Alejandro Sanchis-Sanchis e Gloria Bernabe-Valero (Faculdade de Psicologia, Universidade Católica de Valência San Vicente Mártir, Valência, Espanha)Primeira publicação Behavioral Sciences, 28 de setembro de 2026Tradução Complexe Systémique, tradução não oficial

Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de Para além da autoculpabilização: um estudo qualitativo sobre a experiência mutável da culpa parental após a morte de um filho, de Lucia Pelacho-Rios, Yolanda Ruiz-Ordoñez, Alejandro Sanchis-Sanchis e Gloria Bernabe-Valero, publicado na Behavioral Sciences (MDPI) (2026), doi: 10.3390/bs16101771, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. As figuras permanecem em inglês, com legenda traduzida; as declarações do fim do artigo foram reunidas nas notas; a menção aos materiais suplementares não foi mantida. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.

A adaptação não se caracterizava pela ausência de culpa, mas por uma transformação de seu sentido e de sua influência.

Lucia Pelacho-Rios, Yolanda Ruiz-Ordoñez, Alejandro Sanchis-Sanchis e Gloria Bernabe-Valero

Resumo

A culpa parental é uma das respostas emocionais mais invasivas após a morte de um filho ou de uma filha e tem sido associada de forma consistente a desfechos desfavoráveis do luto. No entanto, pouco se sabe sobre como pais e mães enlutados vivenciam a culpa e a integram ao longo do tempo. Este estudo qualitativo explorou a experiência vivida da culpa parental, sua relação com a causa da morte e os processos que facilitam sua integração. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas em profundidade com 27 mães e pais enlutados, analisadas por meio de análise temática reflexiva. Quatro temas foram identificados. Primeiro, a intensidade e o sentido da culpa diferiam conforme a causa da morte: mortes súbitas ou potencialmente evitáveis estavam associadas a uma autoacusação avassaladora, ao passo que mortes previstas após uma doença suscitavam uma culpa ligada aos cuidados e a uma sensação de insuficiência. Segundo, a culpa era vivida como um processo multidimensional, que incluía culpa de proteção, culpa de cuidado, culpa contrafactual, culpa de sobrevivente e culpa de identidade parental. Terceiro, as pessoas participantes descreveram retrospectivamente mudanças em sua relação com a culpa, de uma autoacusação invasiva para uma maior integração, e não uma resolução completa. Por fim, a reconstrução de sentido, o apoio entre pares, o apoio psicológico profissional e a autocompaixão facilitaram esse processo. Esses resultados mostram a culpa parental como um processo dinâmico, moldado pelas circunstâncias da perda, com implicações para uma avaliação e uma intervenção ajustadas no luto.

Palavras-chave: luto parental, culpa parental, perda de um filho, pesquisa qualitativa, análise temática, adaptação ao luto, reconstrução de sentido, luto prolongado

1. Introdução

O luto é uma experiência universal, inerente à condição humana, que surge após a perda de uma pessoa significativa. Ele é conceituado como um processo dinâmico, contínuo e não linear, caracterizado pela persistência do vínculo com a pessoa falecida (Arnold et al., 2005).

A morte de um filho ou de uma filha pode abalar aspectos centrais da identidade pessoal e do papel parental de cuidado, como apontaram pesquisas anteriores (Price e Jones, 2015). Contribuições recentes sugerem que pais e mães enlutados podem atravessar uma crise tanto da identidade pessoal quanto da identidade parental e precisar reavaliar quem são depois da perda. Y. Kim e Lee (2021) identificaram três padrões identitários: a reintegração, na qual a morte do filho é reconhecida e o papel parental se orienta para novos objetivos; a desintegração, na qual o pai ou a mãe sente que não tem mais o direito de viver após a morte do filho; e a coexistência, caracterizada pela oscilação entre reintegração e desintegração.

Em resposta à perda, alguns estudos descreveram os esforços de pais e mães para reconstruir sua identidade. Por exemplo, pessoas que haviam passado por uma crise identitária relataram valorizar mais a vida, dar menos importância aos bens materiais e atribuir maior valor à espiritualidade (Markelin et al., 2025). Alguns pais e mães também relataram ter desenvolvido novas formas de vínculo com o filho falecido, por exemplo engajando-se em atividades voluntárias em organizações ligadas ao luto, e descreveram experiências de autocompaixão, empatia pelos outros e gratidão pela vida (Mohamed Hussin et al., 2025).

Em relação à identidade, a reconstrução de sentido é também um campo relevante para compreender o luto (Guillem Porta et al., 2013), pois pais e mães podem sentir que seus pressupostos sobre a vida e o mundo foram postos em xeque pela perda. Nessa perspectiva, níveis mais altos de reconstrução de sentido têm sido associados a melhores desfechos do luto nos primeiros anos após a perda (Neimeyer et al., 2006). Construir uma narrativa pessoal pode ajudar a situar a perda na própria história de vida e no próprio quadro de sentido (Neimeyer et al., 2010), apoiando assim a redefinição da identidade, das relações interpessoais e da visão de mundo. A literatura indica que a presença de outros filhos pode apoiar a reconstrução de sentido (Price e Jones, 2015), assim como o apoio espiritual e estilos de enfrentamento positivos (Vig et al., 2021). A reconstrução de sentido também tem sido associada a comportamentos de ajuda dirigidos a outros pais e mães que viveram perdas semelhantes (Stevenson et al., 2017). Quem tem mais dificuldade de encontrar sentido na perda ou de identificar benefícios ligados a ela relatou níveis mais altos de luto, tanto normativo quanto desadaptativo (Lichtenthal et al., 2010).

Várias formas de reconstrução de sentido foram descritas no luto parental. A construção de sentido (meaning-making) parece ser a mais proeminente, envolvendo com frequência explicações biomédicas e, em alguns casos, pensamento contrafactual. Outras formas incluem a reconstrução da identidade, a manutenção de vínculos contínuos com a pessoa falecida, a descoberta de benefícios e o crescimento pessoal (Meert et al., 2015).

As circunstâncias específicas de uma morte têm sido associadas aos significados atribuídos à perda, às percepções de responsabilidade e à evitabilidade percebida. O luto por suicídio representa uma forma de perda particularmente complexa. Nesse contexto, Baños-Chaparro (2022) observou que o luto por suicídio tem características distintas em relação a outras formas de luto, tanto em suas consequências psicológicas e para a saúde mental quanto na necessidade dos familiares enlutados de encontrar uma explicação para a perda. O caráter súbito e violento do suicídio tem sido associado a uma maior necessidade de explicação, bem como a sentimentos de culpa e a um sofrimento prolongado.

A relação entre as circunstâncias da perda e a intensidade ou a persistência do luto, porém, não é uniforme. Alguns estudos sugerem que o tempo decorrido desde o suicídio e o tipo de relação com a pessoa falecida não estão associados ao luto nem à depressão (Levi-Belz, 2023). Outros indicam que o luto pode persistir independentemente do tempo decorrido desde a perda, da idade do filho falecido ou da causa da morte (Arnold e Gemma, 2008). Além disso, dificuldades na reconstrução de sentido e mortes inesperadas ou traumáticas têm sido associadas a maiores dificuldades de adaptação ao luto (Goldstein et al., 2018; Keesee et al., 2008; Lichtenthal et al., 2010; Neimeyer et al., 2010).

A culpa é uma experiência emocional relevante no luto. Ela pode ser particularmente saliente quando as pessoas percebem falhas nos cuidados prestados à pessoa falecida ou vivem conflitos não resolvidos (Albuquerque et al., 2025). Alguns estudos identificaram a dor, a saudade (yearning) e a culpa como dimensões centrais do luto. Nesse sentido, a culpa tem sido estreitamente associada à dor do luto, à saudade da pessoa falecida e à percepção de falta de sentido na vida. A saudade também tem sido associada a sentimentos de culpa, embora a direção dessas associações não seja unívoca (Xiang e Li, 2026). Além disso, o luto prolongado tem sido associado a níveis mais altos de culpa (Hofmann et al., 2026).

Para além de suas associações com outros componentes do luto, a literatura científica descreveu formas de culpa relativamente mais adaptativas ou mais desadaptativas. Essa distinção deve ser entendida como um quadro conceitual útil, e não como uma classificação clínica rígida de categorias mutuamente excludentes. A culpa adaptativa tem sido ligada a comportamentos pró-sociais e reparadores, ao passo que a culpa desadaptativa tem sido associada a uma saúde mental mais frágil e a um senso de identidade enfraquecido (Joa e Newberg, 2021; Tilghman-Osborne et al., 2010). Em sua forma mais adaptativa, a culpa tem sido associada à empatia e à sensibilidade para com os outros; em sua forma mais desadaptativa, a problemas de saúde mental, a pensamentos autocríticos e autodestrutivos e a imagens intrusivas que podem dificultar a adaptação (Albuquerque et al., 2025; Anet et al., 2026). Essa distinção pode ser considerada à luz de características como a flexibilidade, a intensidade, o conteúdo da culpa e o grau em que ela interfere na adaptação. Nesse sentido, alguns estudos distinguem a culpa de responsabilidade, associada ao transtorno de luto prolongado, da autoacusação, associada a níveis mais altos de luto (Joa e Newberg, 2021). A autoacusação consiste em atribuir-se a responsabilidade pela morte e lamentar as próprias decisões ou ações. Em alguns estudos longitudinais, a autoacusação mostrou-se mais acentuada no período inicial após a perda e diminuiu com o tempo (Stroebe et al., 2014). Ela também tem sido associada a maiores dificuldades na reconstrução de sentido após a perda (M. A. Kim et al., 2024).

O modelo cognitivo da culpa propõe que, em contextos traumáticos, as pessoas podem interpretar o acontecimento de modo desadaptativo, o que pode estar associado a uma culpa maior (Pitcho, 2025). Nesse contexto, a culpa pode ser particularmente saliente após perdas violentas ou inesperadas (Wagner et al., 2021). Também foram descritas crenças metacognitivas segundo as quais abrir mão da culpa pode ser percebido como equivalente a esquecer a pessoa falecida, ou a culpa pode ser interpretada como castigo por ter sobrevivido (Murray et al., 2021). Em consonância com isso, níveis mais altos de culpa têm sido associados a sintomas de luto complicado e a dificuldades de adaptação a longo prazo (Li et al., 2019).

Nesse sentido, alguns estudos examinaram o possível papel mediador da culpa, embora os resultados não tenham sido consistentes (Levi-Belz, 2023). No que diz respeito ao luto prolongado, as evidências empíricas são heterogêneas. Alguns estudos sugerem uma associação entre culpa e luto prolongado (Serjouie et al., 2025). Estudos sobre o luto por suicídio relataram associações entre culpa, tempo decorrido desde a perda e sintomas depressivos (Wagner et al., 2021). Da mesma forma, outras pesquisas indicaram que a culpa sentida entre quatro e sete meses após uma perda está associada a níveis mais altos de luto e de depressão, a uma recuperação mais lenta do luto e a cognições de culpa mais persistentes (Stroebe e Schut, 2015). A culpa também tem sido associada positivamente a assuntos inacabados, ao luto, à ruminação e a sintomas de estresse pós-traumático, e a ruminação foi proposta como possível mediadora da associação entre culpa e luto prolongado (Albuquerque et al., 2025).

No contexto específico do luto parental, a culpa tem sido descrita como uma das emoções negativas que podem persistir ao longo do tempo (Arnold e Gemma, 2008). A culpa pode ser mais intensa no luto complicado: mães e pais enlutados podem sentir que não fizeram o suficiente pelo filho falecido, perceber-se como responsáveis por acreditar que poderiam ter evitado a morte ou vivenciar culpa de sobrevivente (Li et al., 2019). Da mesma forma, observou-se uma maior internalização da culpa quando pais e mães enlutados se percebem como responsáveis por não terem protegido o filho ou evitado a morte e relatam dificuldades em construir sentido a partir da perda ou em manter um vínculo simbólico adaptativo com ele. Níveis mais altos de culpa também foram relatados após mortes acidentais (Peiró Ballestín et al., 2007). Em casos de suicídio, a culpa pode ser dirigida à própria pessoa, ao filho falecido ou a terceiros (Back et al., 2026).

Essas manifestações, contudo, não são uniformes e não ocorrem em todos os contextos de perda. As circunstâncias da morte e a responsabilidade percebida podem moldar a forma como a culpa é vivida. A culpa pode assumir diferentes formas, que não são necessariamente excludentes, mas podem se sobrepor dentro de uma mesma experiência de luto. Estudos qualitativos, em especial no contexto do luto por suicídio, descreveram três formas de culpa pessoal: a culpa por omissão, quando a pessoa enlutada acredita que não conseguiu evitar a morte; a culpa por ação (commission), quando atribui às próprias ações alguma influência sobre a morte; e a culpa de sobrevivente, ligada ao fato de ter sobrevivido à morte (Anet et al., 2026). Alguns achados ligaram a culpa a danos intrapessoais (Zeelenberg e Breugelmans, 2008). Além disso, uma culpa religiosa foi relatada por alguns pais e mães enlutados que interpretam a morte do filho como castigo de um poder superior (Vig et al., 2021). Alguns estudos também indicaram que, após uma perda por suicídio, a culpa dirigida a terceiros está associada a menos tempo decorrido desde a perda (Entilli et al., 2021).

Em relação a essas avaliações de responsabilidade, a culpa no luto parental pode surgir principalmente quando pais e mães acreditam que não cuidaram do filho ou não o protegeram como deveriam. Essas experiências têm sido associadas à renegociação de papéis sociais e à busca de sentido dentro de uma identidade parental revista. Nesse sentido, alguns pais e mães descreveram um fortalecimento da espiritualidade e a manutenção do papel parental por meio da relação com os outros filhos (Mohamed Hussin et al., 2025).

Entre essas manifestações, a culpa de sobrevivente também pode estar presente no luto parental. Do ponto de vista cognitivo, essa forma de culpa está ligada à crença de que não se merece continuar vivendo após a morte de uma pessoa próxima. Distinguiu-se a culpa ligada a um conteúdo, quando as pessoas acreditam ter feito ou deixado de fazer algo importante, da culpa existencial, ligada ao fato de seguir com vida sem ter qualquer responsabilidade pela morte (Murray et al., 2021).

Alguns estudos também descreveram uma culpa retrospectiva ligada ao período de cuidado do filho. Níveis mais altos dessa culpa foram relatados por pais e mães que lamentam decisões tomadas ou vivem questões não resolvidas, como não ter falado sobre a morte, não ter se despedido, não ter compartilhado experiências que o filho desejava viver ou não ter expressado afeto por ele. Essas experiências também têm sido associadas a sintomas mais graves de luto prolongado (Lichtenthal et al., 2020). Essa forma de culpa, ligada à percepção de ter falhado em proteger o filho ou em cuidar dele adequadamente, foi identificada como um elemento da identidade relacional, uma das dimensões mais afetadas pela morte de um filho (Y. Kim e Lee, 2021). Em conjunto, esses achados mostram a relevância da culpa no luto; a pesquisa sobre a culpa no contexto específico do luto parental, porém, continua limitada. São necessárias mais pesquisas para compreender como pais e mães dão sentido à culpa após a morte de um filho e como a culpa se relaciona com o transtorno de luto prolongado (Joa e Newberg, 2021).

Ao lado da culpa, a vergonha também pode desempenhar um papel relevante na adaptação ao luto e tem sido associada a níveis mais altos de estresse pós-traumático (Shi et al., 2021; Yu et al., 2026). A literatura também identificou vergonha em alguns pais e mães cujos filhos morreram por suicídio (Duncan e Cacciatore, 2015). Em geral, nas culturas individualistas, a vergonha tende a ser considerada desadaptativa e tem sido associada a uma avaliação negativa de si, a comportamentos de evitação e a sentimentos de incompetência (Shi et al., 2021; Singh e Bhushan, 2025). Ao contrário da culpa, que costuma estar ligada a avaliações negativas de ações ou omissões específicas, a vergonha envolve uma avaliação negativa mais global de si (Yu et al., 2026).

Nesse contexto, a ruminação é um processo cognitivo relevante em relação à culpa (Albuquerque et al., 2025). A morte de um filho tem sido associada a níveis mais altos de ruminação do luto, e a ruminação tem sido ligada ao luto complicado, à ansiedade e à depressão (Eisma et al., 2014). A ruminação do luto pode incluir pensamentos repetitivos sobre as próprias emoções, pensamentos contrafactuais sobre a possibilidade de ter evitado a morte, pensamentos repetitivos sobre a injustiça percebida da morte, ruminação sobre o comportamento dos outros diante da perda e pensamentos recorrentes sobre o sentido pessoal da perda (Eisma et al., 2014). Além disso, a ruminação centrada em perguntas sem resposta, no pensamento contrafactual e em lembranças intrusivas tem sido associada à vergonha e à culpa (Murray et al., 2021). No luto por suicídio, níveis mais altos de culpa foram relatados juntamente com maior ruminação e pensamento contrafactual mais frequente, centrado no que poderia ter sido feito para evitar a morte (Camacho et al., 2018).

Entre os conteúdos ruminativos, o pensamento contrafactual merece atenção especial. Ele se refere à construção de alternativas imaginárias para acontecimentos que já ocorreram e se expressa com frequência por pensamentos do tipo “se ao menos…”. No luto, os pensamentos contrafactuais podem se concentrar no que a pessoa enlutada, a pessoa falecida ou terceiros fizeram ou deixaram de fazer, bem como nas circunstâncias da morte. É possível distinguir quatro áreas relevantes de ruminação contrafactual: pensamentos sobre o que a pessoa falecida fez ou não fez; pensamentos sobre terceiros envolvidos direta ou indiretamente na perda; percepções de injustiça quanto às circunstâncias em que a morte ocorreu; e pensamentos ruminativos centrados em si, sobre o que a pessoa enlutada poderia ter feito, ou deixou de fazer, para evitar a morte. Quando esses pensamentos se tornam persistentes e repetitivos, podem estar associados ao luto complicado, à cronificação do sofrimento e a uma maior dificuldade de reconstrução de sentido (Neimeyer et al., 2019).

De modo geral, as evidências disponíveis indicam que a culpa é uma emoção central do luto parental. Persistem, porém, lacunas importantes sobre como mães e pais vivenciam a culpa, como descrevem retrospectivamente as mudanças em sua relação com a culpa ao longo do luto e quais fatores moldam sua expressão e sua integração. A maioria dos estudos examinou a culpa como preditora ou correlato do luto prolongado, enquanto as evidências qualitativas que captam seu sentido a partir da perspectiva dos próprios pais e mães enlutados continuam limitadas. Assim, o presente estudo tem por objetivo explorar as experiências de culpa de mães e pais após a morte de um filho ou de uma filha, examinando sua relação com as circunstâncias da morte, as diferentes formas que ela pode assumir, as mudanças que pais e mães descrevem retrospectivamente ao longo do luto e os recursos que consideram úteis para sua integração.

2. Materiais e métodos

2.1. Delineamento qualitativo

Dada a complexidade, a subjetividade e o caráter profundamente pessoal da culpa após a morte de um filho ou de uma filha, um delineamento de pesquisa qualitativo foi considerado o mais adequado para atender aos objetivos do estudo. Em vez de buscar quantificar a prevalência ou a intensidade da culpa, o estudo procurou compreender como pais e mães vivenciaram, interpretaram e reconstruíram esses sentimentos ao longo do processo de luto. Uma abordagem qualitativa era, portanto, especialmente adequada para captar a natureza complexa, contextual e evolutiva dessas experiências.

O estudo se apoiou em uma orientação epistemológica pragmática e empregou a análise temática reflexiva (Braun e Clarke, 2022), uma abordagem compatível com a pesquisa qualitativa aplicada e que oferece a flexibilidade interpretativa necessária para explorar em profundidade os relatos das pessoas participantes. Em consonância com as recomendações de Braun e Clarke (2022), a abordagem analítica foi escolhida para garantir a coerência entre a posição epistemológica do estudo, seus objetivos de pesquisa e seus procedimentos analíticos.

Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas em profundidade, que ofereciam um quadro flexível para explorar as experiências vividas por pais e mães enlutados, garantindo ao mesmo tempo que os tópicos centrais para os objetivos da pesquisa fossem abordados de forma consistente com todas as pessoas participantes. Essa abordagem permitiu que as pessoas participantes descrevessem suas emoções, pensamentos e processos de construção de sentido com suas próprias palavras, e que a equipe de pesquisa explorasse aspectos da culpa que talvez não fossem previstos de antemão ou que seriam mal captados por métodos mais estruturados. A entrevista qualitativa é particularmente adequada para investigar temas sensíveis como o luto parental, pois favorece a construção de confiança, incentiva as pessoas participantes a narrar no próprio ritmo experiências emocionalmente significativas e permite que quem conduz a entrevista responda com flexibilidade às questões que surgem durante a conversa (O’Brien et al., 2014; Tong et al., 2007).

2.2. Pessoas participantes

As pessoas participantes foram recrutadas por amostragem intencional, a fim de identificar mães e pais que haviam vivido a morte de um filho ou de uma filha e que estavam dispostos a participar de uma entrevista em profundidade sobre sua experiência de luto. As primeiras pessoas participantes foram recrutadas por três vias principais na província de Valência, na Espanha: o Grupo Renacer, uma associação de apoio ao luto com vínculos estabelecidos com a universidade onde o estudo foi realizado; a Unidade de Luto especializada das clínicas universitárias; e contatos pessoais de integrantes da equipe de pesquisa que preenchiam os critérios do estudo e receberam a informação de que poderiam participar. Em seguida, empregou-se a amostragem em bola de neve, na qual as pessoas participantes compartilhavam informações sobre o estudo com outros pais e mães enlutados que pudessem ter interesse em participar. Essa estratégia de recrutamento facilitou o acesso a pessoas com experiência direta do fenômeno investigado, respeitando o caráter sensível do tema.

Os critérios de elegibilidade incluíam ser mãe ou pai que tivesse vivido a morte de um filho ou de uma filha após o nascimento, independentemente da idade da criança ou do filho adulto no momento da morte e do tempo decorrido desde a perda. Mortes ocorridas no período neonatal, na infância, na adolescência ou na vida adulta eram todas elegíveis. Esse critério amplo de inclusão foi adotado porque o estudo buscava explorar a evolução da culpa e a construção de sentido em torno dela ao longo do processo de luto, e não as reações agudas de luto. Também era preciso aceitar participar de uma entrevista em profundidade, ter condições de fazê-lo e dar consentimento informado por escrito. Foram excluídas as pessoas cuja perda ocorreu durante a gestação, aquelas que a equipe de pesquisa considerava em fase aguda de luto e aquelas que apresentavam condições graves de saúde mental ou dificuldades de comunicação capazes de comprometer sua participação. A elegibilidade foi avaliada no primeiro contato por integrantes da equipe de pesquisa, profissionais de psicologia com formação e experiência em pesquisa sobre luto, para garantir que a participação fosse eticamente apropriada e que as pessoas participantes estivessem emocionalmente preparadas para a entrevista.

A composição da amostra foi guiada pelo princípio do poder informacional (information power), segundo o qual a experiência direta do luto parental deveria fornecer informações ricas e relevantes para os objetivos do estudo (Malterud et al., 2016). Em consonância com esse princípio, o tamanho da amostra foi determinado pela especificidade da pergunta de pesquisa, pela relevância da experiência vivida das pessoas participantes e pela riqueza dos dados das entrevistas, e não pelo alcance da saturação de dados. No total, 27 pais e mães enlutados participaram do estudo, sendo 22 mulheres e 5 homens, com idade média de 58,6 anos (amplitude = 37–83). Os filhos tinham entre 10 meses e 44 anos no momento da morte (M = 21,0 anos). O tempo decorrido desde a morte variou de 6 meses a 60 anos (M = 5,7 anos), o que reflete a intenção do estudo de captar experiências em diferentes etapas do processo de luto. As causas de morte abrangiam um amplo leque de circunstâncias, incluindo doença, acidentes de trânsito, suicídio, afogamento e outras causas acidentais. As características demográficas e relacionadas ao luto das pessoas participantes constam dos materiais suplementares. A estratégia de amostragem intencional buscou incluir pais e mães com experiências de luto variadas, a fim de explorar a amplitude e a complexidade contextual da culpa parental. A amostra, porém, não foi concebida para permitir comparações formais entre causas de morte, faixas etárias dos filhos, perdas súbitas e previstas ou tempo decorrido desde a perda.

2.3. Coleta de dados

Foram realizadas entrevistas semiestruturadas em profundidade com mães e pais enlutados. O roteiro de entrevista foi elaborado pelas duas pessoas responsáveis principais pela pesquisa, ambas com formação em psicologia da saúde e experiência em luto, psicologia existencial e pesquisa qualitativa. A equipe de pesquisa ampliada reunia profissionais de psicologia e docentes de universidade com competências complementares em psicologia da saúde, luto, regulação emocional, psicologia positiva, psicologia social e metodologia qualitativa. Essa combinação de competências clínicas, de pesquisa e metodológicas orientou a elaboração do roteiro e favoreceu uma exploração cuidadosa das experiências das pessoas participantes.

Antes da coleta de dados, as pessoas encarregadas das entrevistas receberam uma formação específica para o estudo sobre o uso do roteiro semiestruturado e sobre os procedimentos estabelecidos para conduzir entrevistas sobre esse tema sensível, incluindo a construção de vínculo, o acolhimento emocional após a entrevista (debriefing) e as considerações éticas. O roteiro foi testado com duas mães enlutadas para avaliar a clareza, a compreensibilidade, a pertinência, a sequência e a fluidez das perguntas. Com base nos retornos dessas participantes e nas observações da equipe de pesquisa, foram feitos pequenos ajustes na redação e na ordem de várias perguntas, preservando a estrutura geral e os objetivos da entrevista.

As entrevistas foram conduzidas por integrantes da equipe de pesquisa com formação e experiência prévia em entrevista qualitativa: três psicólogas e um psicólogo. Após o recrutamento, as entrevistas eram em geral agendadas em cerca de duas semanas a partir do primeiro contato, o que dava tempo para conciliar as agendas das pessoas participantes e de quem entrevistava, evitando atrasos desnecessários entre a inclusão e a participação.

As pessoas participantes podiam escolher entre uma entrevista presencial e uma entrevista on-line. Todas escolheram a entrevista presencial, realizada em uma sala reservada da universidade ou na casa da pessoa participante, conforme sua preferência. Dada a sensibilidade emocional do luto parental, conduzir as entrevistas pessoalmente foi considerado a forma mais adequada de favorecer a confiança, facilitar uma comunicação aberta e criar um ambiente acolhedor, no qual as pessoas participantes se sentissem à vontade para falar de suas experiências.

Cada entrevista começava com uma conversa informal para estabelecer vínculo antes de abordar a experiência do luto. Ao longo da entrevista, as pessoas participantes eram incentivadas a narrar suas experiências com suas próprias palavras, enquanto quem entrevistava usava perguntas abertas, de seguimento e de aprofundamento para esclarecer significados, explorar questões emergentes e favorecer, sempre que apropriado, uma reflexão mais profunda. Ao final da entrevista, as pessoas participantes eram convidadas a compartilhar pensamentos ou preocupações que ainda tivessem, e lhes era oferecido um momento de acolhimento emocional, para que terminassem a entrevista sentindo-se amparadas.

O roteiro semiestruturado oferecia flexibilidade suficiente para explorar questões que surgiam naturalmente durante a conversa, garantindo ao mesmo tempo que todos os tópicos relevantes para os objetivos do estudo fossem abordados de forma consistente em todas as entrevistas. Essa abordagem foi considerada particularmente adequada para explorar experiências muito sensíveis como o luto parental e, em especial, a experiência da culpa, muitas vezes profundamente pessoal, emocionalmente complexa e difícil de revelar. A flexibilidade da entrevista semiestruturada permitia responder com empatia às narrativas das pessoas participantes, mantendo a consistência metodológica (Hollway e Jefferson, 1997; O’Brien et al., 2014; Oplatka, 2018).

As entrevistas duraram entre 25 e 43 min (M = 33,1 min). Todas foram gravadas em áudio com o consentimento informado por escrito das pessoas participantes.

Embora o roteiro incluísse perguntas sobre culpa, esse tema não era introduzido logo de início. Quem entrevistava convidava primeiro as pessoas participantes a descrever como seus pensamentos e emoções haviam mudado ao longo do tempo desde a morte do filho ou da filha (“Como seus pensamentos e suas emoções mudaram ao longo do tempo desde a morte do seu filho?”). As pessoas encarregadas das entrevistas eram formadas para explorar progressivamente as narrativas por meio de perguntas abertas e de aprofundamento, atentas às reações emocionais, às crenças e aos pensamentos autoavaliativos que pudessem refletir experiências de culpa, sem impor essa interpretação. Quando as pessoas participantes identificavam espontaneamente a culpa, seu sentido, suas manifestações e sua evolução ao longo do tempo eram explorados com mais profundidade. Quando descreviam experiências que pareciam compatíveis com a culpa sem usar explicitamente esse termo, o conceito era introduzido com cautela, como hipótese (por exemplo, perguntando se essas experiências poderiam ser entendidas como sentimentos de culpa), o que lhes permitia confirmar, rejeitar ou matizar essa interpretação. Somente se a culpa não tivesse surgido nessas etapas anteriores o tema era abordado diretamente, com uma pergunta normalizadora e sem julgamento (por exemplo, “Alguns pais e mães que viveram a morte de um filho descreveram sentimentos de culpa. Essa também foi a sua experiência?”). Essa estratégia progressiva de entrevista visava reduzir atitudes defensivas, facilitar a revelação de uma emoção muito pessoal e potencialmente difícil e distinguir as experiências de culpa surgidas espontaneamente daquelas reconhecidas após uma exploração mais explícita.

2.4. Procedimento

As pessoas identificadas no processo de recrutamento foram contatadas por alguém da equipe de pesquisa e convidadas a participar do estudo. Algumas eram conhecidas de integrantes da equipe por contatos profissionais ou comunitários anteriores, enquanto outras foram recrutadas por meio de grupos de apoio e não tinham nenhuma relação prévia com quem as entrevistaria.

No primeiro contato, as pessoas participantes foram informadas sobre os objetivos do estudo, os procedimentos envolvidos e as salvaguardas éticas adotadas. Também foram informadas de que as entrevistas eram conduzidas por profissionais de psicologia que realizavam uma pesquisa sobre luto parental. A elegibilidade foi avaliada segundo os critérios de inclusão e exclusão definidos previamente. Quem aceitava participar recebia uma folha de informações, tinha a oportunidade de fazer perguntas e dava seu consentimento informado por escrito antes da coleta de dados.

As entrevistas eram agendadas em horário e local convenientes para ambas as partes, de acordo com as preferências das pessoas participantes. Antes do início formal da entrevista, as informações sobre o estudo eram retomadas, a disposição para continuar era confirmada e lembrava-se que a participação era voluntária e que era possível recusar-se a responder a qualquer pergunta ou desistir do estudo a qualquer momento, sem consequências.

Após cada entrevista, as gravações de áudio eram armazenadas com segurança e transcritas na íntegra por estudantes do grupo de pesquisa com formação para essa tarefa, que prestavam apoio técnico ao estudo. Todas as transcrições foram depois conferidas por integrantes da equipe de pesquisa a partir das gravações originais, anonimizadas pela retirada de informações identificadoras e receberam um código único de estudo, para garantir a confidencialidade. As transcrições anonimizadas constituíram o conjunto de dados usado na análise temática.

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Católica de Valência (número de aprovação: UCV/2022–2023/024) e realizado de acordo com os princípios éticos da Declaração de Helsinque.

2.5. Análise de dados

Os dados foram analisados por análise temática reflexiva (ATR), segundo a abordagem em seis fases proposta por Braun e Clarke (2022). Em consonância com os objetivos exploratórios do estudo, a análise foi principalmente indutiva: a codificação e o desenvolvimento dos temas foram guiados por um contato estreito com os relatos das pessoas participantes, e não por um quadro teórico preexistente. De acordo com os princípios da ATR, os temas não foram entendidos como entidades inerentes aos dados à espera de serem descobertas, mas como construções interpretativas ativamente desenvolvidas pela equipe de pesquisa por meio de um envolvimento contínuo com as narrativas.

A análise se situou em uma orientação epistemológica pragmática. Nessa perspectiva, os relatos das pessoas participantes foram tratados como representações significativas de suas experiências, reconhecendo-se que o acesso a essas experiências é necessariamente mediado pela linguagem, pelo contexto e pelo trabalho interpretativo da equipe de pesquisa. A análise buscou, assim, desenvolver uma compreensão aplicada de como a culpa parental é vivida, muda ao longo do tempo e pode se integrar ao processo de luto, em vez de identificar uma representação objetiva única da culpa. As interpretações resultantes refletem, portanto, uma interação entre os relatos das pessoas participantes, os objetivos do estudo e o trabalho da equipe de pesquisa com os dados, informado pela teoria e pela clínica.

O processo analítico começou com leituras repetidas das transcrições, para promover a familiarização com o conjunto de dados e um envolvimento contínuo com os padrões de sentido relevantes para a pergunta de pesquisa. Códigos iniciais foram gerados em todo o conjunto de dados e organizados no Microsoft Excel. A codificação permaneceu iterativa e flexível ao longo da análise, com códigos revisitados, revisados, combinados ou diferenciados à medida que a compreensão dos dados se desenvolvia. Em vez de funcionar como um esquema de codificação fixo, o arquivo Excel servia como ferramenta organizacional a serviço desse processo interpretativo em evolução. Os códigos e os trechos associados foram então examinados em busca de padrões mais amplos de sentido compartilhado, a partir dos quais temas candidatos foram ativamente desenvolvidos. Os temas foram revistos e refinados de forma iterativa em relação aos trechos codificados, ao conjunto de dados como um todo e aos objetivos do estudo, com atenção especial ao conceito organizador central de cada tema e às relações entre os temas. Durante a análise, prestou-se atenção à variação contextual nos relatos; o objetivo, porém, não era realizar comparações formais entre subgrupos nem atribuir manifestações específicas da culpa a contextos de luto particulares.

Os temas resultantes não foram concebidos como categorias independentes ou equivalentes, mas como dimensões distintas e interligadas dos relatos de culpa. Na fase interpretativa, as relações entre essas dimensões foram examinadas para desenvolver um modelo conceitual de ordem superior que articula as circunstâncias da morte, as manifestações da culpa, as mudanças percebidas na relação com a culpa ao longo do tempo e os recursos e processos associados à sua integração. O modelo conceitual não foi, portanto, tratado como uma entidade que emerge diretamente dos dados nem como produto de um procedimento analítico adicional; ele representa uma síntese interpretativa construída pelo trabalho da equipe de pesquisa com os relatos e com as relações desenvolvidas entre os temas.

Reuniões analíticas regulares foram realizadas ao longo de toda a análise. Elas ofereciam à equipe de pesquisa a oportunidade de discutir as interpretações em desenvolvimento, considerar leituras alternativas dos dados, questionar pressupostos e refinar a estrutura temática e o modelo conceitual. Em consonância com uma abordagem reflexiva, as diferenças de interpretação não foram tratadas como discrepâncias de codificação a resolver ou a decidir por consenso, mas como recursos para um diálogo reflexivo e para um envolvimento mais profundo com os dados.

A reflexividade foi mantida ao longo de todo o processo analítico. A equipe de pesquisa reunia profissionais de psicologia e docentes de universidade com competências complementares em luto, psicologia da saúde, regulação emocional, psicologia positiva, psicologia social e metodologia qualitativa. Essas perspectivas disciplinares e profissionais orientaram o trabalho com os dados e foram entendidas como recursos de interpretação, e não como fontes de viés externas ao processo analítico. Ao mesmo tempo, a equipe permaneceu reflexivamente atenta ao modo como a experiência clínica e de pesquisa anterior poderia moldar as perguntas feitas aos dados e as interpretações desenvolvidas.

Para favorecer a transparência e permitir que quem lê avalie a relação entre os relatos das pessoas participantes e as interpretações propostas, os resultados são ilustrados com citações literais escolhidas para representar a amplitude e a diversidade das experiências. A apresentação deste estudo seguiu os Critérios Consolidados para Relatar Pesquisa Qualitativa (COREQ; Tong et al., 2007), e a lista de verificação preenchida consta do material suplementar S1.

3. Resultados

A análise temática gerou quatro dimensões interligadas da culpa parental. Em vez de representar temas independentes situados no mesmo nível analítico, esses resultados captam aspectos complementares dos relatos de pais e mães: as condições contextuais que moldam a culpa, suas diferentes manifestações, os relatos retrospectivos das mudanças na relação com a culpa e os recursos e processos que as pessoas participantes associavam à sua integração.

3.1. Tema 1. O peso da culpa: a importância da causa da morte

A culpa surgiu como uma das respostas emocionais mais invasivas após a morte de um filho ou de uma filha. As narrativas, no entanto, revelaram que sua intensidade e seu sentido variavam conforme as circunstâncias da morte. Embora a maioria de pais e mães se questionasse em alguma medida, quem havia perdido o filho de forma súbita, em circunstâncias percebidas como potencialmente evitáveis, descrevia uma culpa imediata e avassaladora. Já pais e mães cujos filhos morreram após doenças prolongadas também sentiam culpa, mas essa emoção estava mais associada às decisões de cuidado, à impotência e ao reconhecimento de que a doença havia avançado além de seu controle. Essas observações são apresentadas como variações contextuais dentro de relatos individuais, e não como comparações formais entre grupos de pessoas enlutadas.

Entre pais e mães que viveram perdas súbitas e inesperadas, a culpa se caracterizava por um pensamento contrafactual persistente. As pessoas participantes revisitavam repetidamente os acontecimentos que antecederam a morte, reconstruindo mentalmente ações alternativas que poderiam ter mudado o desfecho. Uma mãe cuja filha morreu de uma doença cardíaca expressou essa busca contínua por explicações alternativas:

“Sempre fica aquela sensação de ‘E se…?’ E se eu tivesse feito algo mais? E se a gente tivesse chamado o médico mais cedo?”

(P12)

Da mesma forma, uma mãe cuja filha morreu em um acidente de trânsito descreveu uma tendência quase obsessiva de reconstruir mentalmente o que havia acontecido, voltando repetidamente a decisões que, a seu ver, poderiam ter evitado a tragédia:

“Se eu não a tivesse deixado ir… se eu a tivesse trazido de volta comigo… mil pensamentos diferentes. Sei que nada disso muda coisa alguma agora, mas o sentimento de culpa continua lá.”

(P26)

Em contraste, pais e mães cujos filhos morreram após doenças prolongadas também sentiam culpa, mas essa emoção se expressava, em geral, de outra forma. Em vez de atribuir a si uma responsabilidade direta pela morte, questionavam se tinham feito o suficiente para proteger, confortar ou cuidar adequadamente do filho ao longo da doença. Suas narrativas refletiam uma busca contínua por possíveis omissões ou oportunidades perdidas, apesar do reconhecimento de que a doença era inevitável. Como disse uma mãe:

“Claro que eu me senti culpada. Como pais, a gente quer proteger os filhos de tudo. Cheguei até a me perguntar se alguma coisa na nossa casa tinha causado a doença dele… Eu questionava tudo.”

(P19)

A culpa, porém, não era universal. Um pequeno número de pais e mães distinguia com clareza a dor associada à perda de um filho e uma responsabilidade pessoal pela morte em si. Essas pessoas reconheciam ter refletido sobre suas ações, mas acabavam rejeitando a autoacusação, ressaltando que as circunstâncias estavam fora de seu controle. Como explicou uma mãe:

“Sinceramente, eu não me sinto culpada. Eu não poderia ter evitado o acidente. Dei a ela tudo o que pude ao longo da vida dela e, nesse sentido, estou em paz.”

(P13)

De modo geral, os resultados sugerem que, embora a culpa fosse um traço comum do luto parental, sua expressão dependia não só de sua intensidade, mas também da forma como pais e mães interpretavam as circunstâncias da morte do filho. Longe de representar uma resposta emocional uniforme, a culpa assumia formas qualitativamente diferentes conforme a causa da morte. Essas manifestações distintas são exploradas no tema seguinte.

3.2. Tema 2. Diferentes manifestações da culpa: uma experiência multidimensional

Embora as pessoas participantes muitas vezes se referissem à culpa como uma resposta emocional única, um exame mais atento de suas narrativas revelou múltiplos focos de autoacusação interligados. Não se tratava de categorias mutuamente excludentes: diferentes manifestações podiam coexistir em um mesmo relato e refletir diferentes aspectos da forma como pais e mães interpretavam a responsabilidade após a morte do filho. Foram identificadas cinco manifestações recorrentes: culpa de proteção, culpa de cuidado, culpa contrafactual, culpa de sobrevivente e culpa de identidade parental.

Essas manifestações não eram mutuamente excludentes; refletiam diferentes focos de culpa nos relatos. A culpa de proteção se concentrava na percepção de ter falhado em manter o filho em segurança; a culpa de cuidado, na percepção de insuficiência ao cuidar do filho ou ao aliviar seu sofrimento; a culpa contrafactual envolvia pensamentos repetitivos sobre ações ou desfechos alternativos; a culpa de sobrevivente dizia respeito a continuar vivendo ou a sentir emoções positivas após a morte do filho; e a culpa de identidade parental envolvia avaliações mais amplas da própria adequação como mãe ou pai. Assim, um único relato podia conter mais de uma manifestação, e uma mesma experiência podia envolver, por exemplo, a percepção de ter falhado em proteger, expressa por pensamentos contrafactuais repetidos e depois interpretada como prova de ter sido uma mãe ou um pai inadequado.

3.2.1. Culpa de proteção

A culpa de proteção se concentrava na percepção de ter falhado em manter o filho em segurança. Ela era particularmente evidente após mortes súbitas e inesperadas, quando pais e mães se fixavam em ações ou omissões específicas que, em retrospecto, acreditavam que poderiam ter evitado a perda. Em vez de questionar o amor pelo filho, questionavam se tinham cumprido sua responsabilidade fundamental de protegê-lo. Um pai cuja filha morreu afogada descreveu essa experiência:

“Senti uma culpa avassaladora. Eu não a vi, não a ouvi, mesmo estando bem ao lado dela… No começo era insuportável… Ainda me sinto culpado. Não consegui me livrar disso por completo.”

(P17)

Entre as pessoas participantes, essa percepção de ter falhado em proteger refletia a ruptura de um dos aspectos mais fundamentais da identidade parental. Pais e mães descreviam com frequência a convicção duradoura de que deveriam, de algum modo, ter sido capazes de manter o filho em segurança, fixando-se em ações ou omissões específicas que, em retrospecto, passavam a ser associadas à responsabilidade pessoal. Como explicou uma mãe:

“Eu me sentia culpada por não ter prestado atenção suficiente nela nem ter cuidado dela com mais cuidado. Na verdade, a intoxicação que ela sofreu foi causada por algo que eu tinha comprado para ela.”

(P14)

3.2.2. Culpa de cuidado

A culpa de cuidado, por sua vez, não se concentrava na morte do filho em si, mas nos cuidados prestados antes da morte, sobretudo entre pais e mães cujos filhos morreram após doenças prolongadas. Em vez de se perguntar se poderiam ter evitado a morte, questionavam se haviam tomado as decisões médicas certas, reconhecido os sintomas a tempo, aliviado o sofrimento do filho ou feito todo o possível para cuidar dele e acompanhá-lo ao longo da doença. Essa forma de culpa se caracterizava por sentimentos de impotência diante do sofrimento do filho, mesmo quando pais e mães reconheciam que a evolução da doença estava fora de seu controle. Como explicou uma mãe:

“Nesse sentido, eu me sinto em paz porque sei que não havia mais nada que a gente pudesse fazer para salvá-la. Mas às vezes eu me senti culpada, porque quando ela tinha dificuldade para respirar e eu a via sofrendo, não podia fazer nada. Eu me sentia impotente, como se não estivesse protegendo a minha filha.”

(P12)

Para alguns pais e mães, a culpa se estendia também à comunicação com o filho nas fases finais da doença, especialmente à preocupação de ter dito ou feito o suficiente para tranquilizá-lo e oferecer apoio emocional. Uma mãe contou ter falado sem parar com o filho em seus últimos momentos, querendo garantir que ele soubesse que a família estava presente:

“Eu continuava falando com ele porque queria que ele soubesse que estávamos todos ali com ele, que não o tínhamos abandonado nem por um minuto. Eu não parava de pensar no remorso terrível que eu teria sentido se tivesse saído e o meu filho tivesse morrido sem mim ali.”

(P10)

3.2.3. Culpa contrafactual

Vários pais e mães descreveram uma preocupação duradoura com o que deveriam ter feito de outra maneira. Neste estudo, a culpa contrafactual se referia à culpa expressa por meio de um pensamento contrafactual repetitivo, especialmente pensamentos sobre ações ou desfechos alternativos que poderiam ter mudado o curso dos acontecimentos. Diferentemente da culpa de proteção, centrada na percepção de ter falhado em proteger o filho, essa manifestação girava em torno de alternativas hipotéticas intermináveis, que só surgiam em retrospecto. As pessoas participantes descreviam repetidamente ficar presas no pensamento do “e se”, repassando mentalmente decisões passadas e momentos comuns, embora reconhecessem que essas reflexões já não podiam alterar o desfecho. Como refletiu uma pessoa participante:

“Eu não parava de pensar: ‘E se eu não tivesse ido embora? E se eu tivesse ficado? Eu devia ter feito isso… Eu devia ter dito aquilo…’ Com a terapia, percebi que não poderia ter feito mais nada, mas no começo esses pensamentos eram constantes.”

(P09)

Da mesma forma, outra mãe contou ter reconstruído repetidamente decisões aparentemente insignificantes, perguntando-se se alguma delas poderia, de algum modo, ter contribuído para a morte do filho:

“Por mais de dois anos, eu fiquei me perguntando se levá-lo ao dermatologista tinha, de algum modo, contribuído para o que aconteceu. Eu não conseguia parar de pensar que, se eu não tivesse insistido naquele tratamento, talvez nada disso tivesse acontecido.”

(P05)

Outras pessoas participantes resumiram esse padrão de pensamento de modo mais geral, descrevendo como a mente ficava tomada por intermináveis cenários alternativos, embora soubessem que nada poderia mudar o passado:

“‘E se a gente tivesse ido para outro lugar? E se a gente tivesse mudado os planos?’ Pensar no passado só destrói você, porque nada vai mudar o que já aconteceu.”

(P02)

3.2.4. Culpa de sobrevivente

Para vários pais e mães, a culpa não estava ligada à responsabilidade pela morte em si, mas ao fato de continuar vivendo enquanto o filho havia morrido. As pessoas participantes descreviam sentir culpa por ter momentos de felicidade, comemorar aniversários, aproveitar refeições ou simplesmente seguir com a vida cotidiana. O próprio ato de viver se tornava emocionalmente conflituoso. Uma mãe explicou:

“A primeira culpa é estar viva quando o seu filho não está. Eu nem queria comemorar o meu aniversário, porque a minha filha não podia mais comemorar o dela. Eu me sentia culpada por viver.”

(P25)

Da mesma forma, outra mãe descreveu sentir culpa depois de fazer atividades comuns que a filha não podia mais aproveitar:

“Como eu podia sair para jantar? Como eu podia cortar o cabelo? Como eu podia comer algo de que a minha filha gostava? Ninguém vê a culpa que você sente depois.”

(P26)

3.2.5. Culpa de identidade parental

A culpa de identidade parental diferia das outras manifestações porque o foco da avaliação ia além das circunstâncias da morte e alcançava o sentimento mais amplo de adequação como mãe ou como pai. Em vez de se concentrar exclusivamente em ter causado a morte ou falhado em evitá-la, alguns pais e mães se perguntavam se tinham sido bons o bastante ao longo de toda a vida do filho. Essa forma de culpa podia, no entanto, se sobrepor à culpa de proteção ou de cuidado quando falhas específicas percebidas eram interpretadas como prova de uma parentalidade inadequada. Como disse uma mãe:

“A minha verdadeira culpa é me perguntar se eu fui uma mãe boa o bastante… Será que eu fiz bem? Essa é a pergunta que fica comigo.”

(P01)

Por outro lado, algumas pessoas participantes rejeitavam explicitamente a culpa por acreditarem ter cumprido seu papel parental da melhor forma possível:

“Sinceramente, eu não sinto culpa nenhuma. Não havia nada que eu pudesse ter feito para evitar o acidente. Ela já era uma mulher de 26 anos, com a própria vida. Trabalhava, viajava e tomava as próprias decisões. Obviamente, eu não podia amarrá-la a uma cadeira para mantê-la em segurança.”

(P13)

“Eu não me sinto culpada, porque dei ao meu filho tudo o que pude desde o começo.”

(P10)

Em conjunto, esses resultados indicam que a culpa parental não pode ser entendida como uma experiência emocional única. A culpa surgiu, antes, como um processo multidimensional, cujas diferentes manifestações refletem as tentativas de pais e mães de dar sentido à morte do filho e de conciliar as responsabilidades, as expectativas e as identidades duradouras associadas à parentalidade.

3.3. Tema 3. Mudanças na experiência da culpa: os relatos retrospectivos das pessoas participantes

As pessoas participantes descreveram retrospectivamente sua relação com a culpa como algo que muda ao longo do luto, e não como algo estático. Embora os relatos variassem quanto ao momento e à intensidade, muitos pais e mães lembravam um período inicial em que a culpa era vivida como particularmente invasiva e emocionalmente avassaladora, seguido de uma passagem gradual para mais questionamento, contextualização e integração. É importante destacar que esses relatos representam percepções retrospectivas de mudança das pessoas participantes, e não uma trajetória de desenvolvimento observada longitudinalmente. Nas fases iniciais do luto, a culpa era descrita como invasiva e avassaladora, dominando os pensamentos e deixando pouco espaço para outras emoções. As pessoas participantes lembravam ter ficado presas em pensamentos repetitivos de autoacusação, reconstruindo mentalmente as circunstâncias da morte e perguntando-se o tempo todo o que poderiam ter feito de outro modo. Como explicou um pai:

“No começo era insuportável… a culpa era avassaladora. Eu não conseguia parar de pensar no que eu devia ter feito de outro jeito.”

(P17)

Em seus relatos retrospectivos, muitos pais e mães descreveram uma redução gradual da intensidade desses pensamentos intrusivos. É importante notar que esses relatos não sugeriam que a culpa necessariamente desaparecesse. As pessoas participantes lembravam, antes, que ela se tornou menos constante e menos absorvente do ponto de vista emocional. Alguns pais e mães explicaram que continuavam a ter momentos de autoacusação, mas que esses episódios se tornavam cada vez mais situacionais, muitas vezes desencadeados por datas comemorativas, eventos familiares ou situações cotidianas que lembravam o filho. O mesmo participante refletiu mais tarde sobre essa transformação gradual:

“Ainda me sinto culpado. Acho que isso nunca vai desaparecer por completo. Mas agora não controla mais o meu dia inteiro como antes.”

(P17)

Vários pais e mães descreveram também uma discrepância crescente entre o que compreendiam racionalmente e o que continuavam a sentir emocionalmente. Embora reconhecessem não ter responsabilidade objetiva pela morte do filho, a culpa emocional muitas vezes persistia independentemente dessa compreensão cognitiva. Uma mãe ilustrou essa tensão:

“Eu sei que não poderia ter evitado o acidente… racionalmente, eu sei disso. Mas emocionalmente a culpa ainda volta.”

(P26)

Para algumas pessoas participantes, esse processo culminava em uma integração gradual da culpa ao vínculo que mantinham com o filho. Em vez de tentar eliminar a culpa, descreviam aceitar sua presença, impedindo-a ao mesmo tempo de definir sua identidade ou seu funcionamento cotidiano. Nesse sentido, a adaptação não se caracterizava pela ausência de culpa, mas por uma transformação de seu sentido e de sua influência. Como expressou uma pessoa participante:

“A gente continua se culpando até perceber que não foi culpa nossa. Não dá para seguir em frente enquanto não se abre mão dessa culpa. Todo mundo sente culpa, mas a culpa não serve para nada. Ela só machuca você. É um jeito de se distrair da dor, de concentrar a atenção em outra coisa.”

(P14)

De modo geral, as narrativas das pessoas participantes sugerem que a culpa parental segue um processo de transformação, e não de simples resolução. Em vez de desaparecer com o tempo, a culpa mudava gradualmente de papel na vida de pais e mães. Vivida de início como uma emoção avassaladora e invasiva, ela era progressivamente questionada por meio da reavaliação cognitiva, embora continuasse emocionalmente presente, até evoluir para uma experiência mais integrada, que já não dominava o funcionamento cotidiano. Em conjunto, esses relatos retrospectivos sugerem uma transformação percebida do papel e da experiência da culpa, embora o momento e a forma dessa mudança variassem entre as pessoas participantes. Essa interpretação está resumida na Figura 1.

Esquema em seis etapas ligadas por setas: autoacusação avassaladora; ruminação intensa, pensamento contrafactual, responsabilidade intensa; culpa persistente, mas questionada; reavaliação cognitiva, ambivalência emocional, reconstrução de sentido; culpa integrada; coexiste com o luto, já não domina, adaptação psicológica
Figura 1. Modelo conceitual emergente que ilustra os relatos retrospectivos das pessoas participantes sobre as mudanças na culpa parental após a morte de um filho ou de uma filha (esquema original em inglês)

3.4. Tema 4. Recursos e processos associados à integração da culpa

As pessoas participantes não descreveram um acontecimento ou uma intervenção única que tivesse resolvido seus sentimentos de culpa. Descreveram retrospectivamente a adaptação como algo que envolvia múltiplos recursos interpessoais, cognitivos e emocionais, vividos como úteis para conviver com a culpa e reinterpretá-la. Em vez de falar da eliminação da culpa, falavam de ter encontrado formas de reinterpretar a autoacusação, reconhecer os limites de sua responsabilidade e se relacionar consigo com mais compaixão. Quatro recursos e processos interligados emergiram das entrevistas: compartilhar o fardo com outras pessoas, reconstruir o sentido, receber apoio profissional e cultivar a autocompaixão e a aceitação.

3.4.1. Compartilhar o fardo com outras pessoas

Para algumas pessoas participantes, compartilhar suas experiências com outras pessoas foi descrito retrospectivamente como uma importante fonte de alívio e compreensão. Os grupos de apoio, em especial o Renacer, uma rede de apoio entre pares para pais e mães enlutados, ofereciam um espaço singular em que se sentiam compreendidos sem precisar justificar ou explicar suas emoções. Compartilhar experiências com quem havia passado por uma perda semelhante foi descrito como algo que ajudava a normalizar os sentimentos de culpa e a reduzir a sensação de isolamento que muitos haviam vivido. Uma pessoa participante explicou:

“Quando eu descobri o Renacer, percebi que era ali que eu precisava estar. Eu não tinha um marido com quem pudesse conversar da mesma forma, e não queria colocar esse peso nos meus filhos. Lá, todo mundo entendia sem que eu precisasse explicar nada.”

(P25)

Sem eliminar a culpa, essas experiências compartilhadas ajudavam pais e mães a situar suas emoções em um contexto mais amplo, permitindo reconhecer que a autoacusação era uma resposta comum após a morte de um filho, e não a prova de um fracasso pessoal.

3.4.2. Reconstruir o sentido

Um segundo processo que as pessoas participantes associavam retrospectivamente à convivência com a culpa envolvia reconstruir o sentido da perda. Com o passar do tempo, muitos pais e mães descreveram ter deixado de perguntar repetidamente “Por que isso aconteceu?” para perguntar “Como posso continuar vivendo e honrar a memória do meu filho?” Essa mudança não apagava a culpa, mas alterava profundamente seu significado, permitindo integrar a perda à história de vida em vez de ficar à mercê de um pensamento contrafactual sem fim.

Para alguns pais e mães, essa reconstrução envolvia desenvolver uma nova compreensão, pessoal ou espiritual, da perda, que permitia interpretar a experiência dentro de um quadro de sentido mais amplo. Como explicou uma mãe:

“Eu dei a isso um sentido espiritual. Acredito que tinha que acontecer assim… Isso me fez ver de outro jeito coisas que eu nunca tinha visto antes.”

(P21)

Para outras pessoas, a reconstrução de sentido surgia da aceitação gradual de que o passado não podia ser mudado. Em vez de continuar procurando explicações impossíveis ou desfechos alternativos, redirecionavam sua energia emocional para preservar a memória do filho, manter um vínculo duradouro e reconstruir a própria vida. Como refletiu uma mãe:

“Não adianta ficar andando em círculos por causa de algo que não se pode mudar. Aquele momento passou, e nada do que a gente diga ou pense vai mudá-lo. Não temos uma máquina do tempo. Temos que aprender a viver com isso. Em vez disso, tentamos manter viva a memória dele e a vida dele, porque acreditamos que ele continua com a gente.”

(P02)

Desse modo, a culpa foi gradualmente se tornando um aspecto do luto, e não seu traço definidor.

3.4.3. Receber apoio profissional

Várias pessoas participantes descreveram retrospectivamente o apoio psicológico profissional como útil para reconsiderar os sentimentos de culpa e desenvolver uma interpretação mais compassiva de suas experiências. Não apresentavam a terapia como um meio de fazer a culpa desaparecer, mas como um ambiente seguro em que emoções difíceis podiam ser expressas abertamente e vividas sem julgamento. Como refletiu uma pessoa participante:

“Eu gostei de poder falar abertamente. Chorar quando precisava, sentir que aquela pessoa me entendia e receber ajuda.”

(P21)

As experiências de terapia, porém, não foram positivas para todo mundo. Alguns pais e mães explicaram que o apoio profissional só foi útil quando quem os atendia reconhecia a singularidade do luto parental e evitava oferecer tranquilização prematura ou explicações simplistas. Esses relatos sugerem que as intervenções deveriam se concentrar não em eliminar a culpa, mas em ajudar pais e mães a compreendê-la, contextualizá-la e integrá-la gradualmente.

3.4.4. Cultivar a autocompaixão e a aceitação

Algumas pessoas participantes descreveram o desenvolvimento de mais autocompaixão e aceitação como uma parte importante do aprendizado de viver com a culpa. Em vez de continuar a se julgar segundo expectativas irrealistas de responsabilidade parental, descreveram ter reconhecido aos poucos que haviam agido com os conhecimentos, os recursos e as circunstâncias de que dispunham naquele momento. Essa passagem da autocrítica para uma maior compreensão de si foi percebida pelas pessoas participantes como um aspecto importante da adaptação à perda. Uma pessoa participante explicou:

“A aceitação é a chave. A gente percebe que se culpar não ajuda o filho, e só prolonga o próprio sofrimento.”

(P20)

Nas entrevistas, a aceitação não era descrita como esquecer o filho ou ficar livre da culpa. Pais e mães a apresentavam, antes, como aprender a conviver com a culpa sem permitir que ela definisse sua identidade ou dominasse a vida cotidiana. Nesse sentido, a adaptação se caracterizava não pelo desaparecimento da culpa, mas por uma transformação da relação que pais e mães mantinham com ela.

De modo geral, as narrativas das pessoas participantes sugerem que adaptar-se à culpa parental tem menos a ver com eliminar a autoacusação do que com transformar a forma como ela é vivida. Os resultados indicam que a causa da morte influencia não apenas o peso emocional da culpa, mas também as formas que ela assume, sua evolução ao longo do tempo e os processos que facilitam sua integração. Em conjunto, esses resultados interligados dão origem a um modelo conceitual emergente da culpa parental após a morte de um filho ou de uma filha, resumido na Figura 2. O modelo oferece uma síntese interpretativa das relações identificadas nos relatos das pessoas participantes. As circunstâncias da morte moldavam a forma como a culpa era vivida e interpretada, enquanto a própria culpa abrangia várias manifestações interligadas e potencialmente sobrepostas. As pessoas participantes também descreveram retrospectivamente mudanças em sua relação com a culpa e identificaram vários processos interpessoais, cognitivos e terapêuticos que associavam a uma maior integração.

Esquema vertical em cinco quadros ligados: circunstâncias da morte do filho; manifestações interligadas da culpa (de proteção, de cuidado, contrafactual, de sobrevivente, de identidade parental), que podem se sobrepor e coexistir; mudanças percebidas retrospectivamente na relação com a culpa (autoacusação avassaladora, questionamento, reinterpretação e maior integração); recursos e processos associados à integração (compartilhar o fardo, reconstruir o sentido, receber apoio profissional, autocompaixão e aceitação); integração da culpa à vida, em que a culpa se torna um aspecto do luto, e não seu traço definidor
Figura 2. Modelo conceitual interpretativo da culpa parental após a morte de um filho ou de uma filha. Nota. Este modelo representa uma síntese interpretativa dos relatos das pessoas participantes. As manifestações da culpa identificadas podem se sobrepor e coexistir. As mudanças na relação com a culpa refletem os relatos retrospectivos das pessoas participantes, e não uma trajetória estabelecida longitudinalmente. Os recursos e processos que as pessoas participantes consideraram úteis não devem ser interpretados como vias causais (esquema original em inglês).

4. Discussão

O presente estudo teve como objetivo explorar qualitativamente as experiências de culpa de pais e mães após a morte de um filho ou de uma filha. Os resultados indicam que a culpa não constitui uma resposta emocional uniforme, mas um fenômeno multidimensional, moldado pelo contexto da perda e percebido retrospectivamente pelas pessoas participantes como algo que muda ao longo do luto. O valor da presente análise não está em propor quatro categorias distintas e equivalentes, mas em mostrar como as diferentes dimensões da culpa parental se interligam nas narrativas de pais e mães. O modelo conceitual emergente deve, portanto, ser entendido como uma síntese interpretativa dos resultados temáticos, e não como um modelo de desenvolvimento, causal ou generalizável a todos os grupos de pessoas enlutadas.

A maioria das pessoas participantes relatou ter sentido culpa, embora sua intensidade e sua expressão variassem conforme a causa da morte. Em contraste, alguns pais e mães descreveram um luto profundo sem sentimentos de culpa. Esses resultados são compatíveis com pesquisas anteriores que mostram que a culpa é um componente proeminente do luto parental, embora sua intensidade varie consideravelmente conforme as circunstâncias da morte do filho (Albuquerque et al., 2025; Camacho et al., 2020).

Pais e mães cujos filhos morreram de forma súbita e inesperada, em circunstâncias percebidas como potencialmente evitáveis, descreveram um sentimento de culpa imediato e avassalador. Esse resultado é compatível com as evidências que apontam a culpa como uma das respostas emocionais mais frequentes e duradouras após uma perda súbita ou violenta (Bell et al., 2012; Tal et al., 2017). Seus relatos se caracterizavam por um pensamento contrafactual persistente, padrão compatível com as pesquisas que identificam a natureza súbita da morte como fator de risco específico para o desenvolvimento de uma culpa intensa (Camacho et al., 2018). Ele também se alinha a estudos que sugerem que a culpa está associada à ruminação, expressa pelo pensamento contrafactual, como estratégia de regulação emocional (Boelen et al., 2006; Van der Houwen et al., 2010). A morte súbita de um filho, por causas acidentais, violentas ou de outro modo inesperadas, tem sido associada a níveis mais altos de culpa do que outros tipos de perda (Duncan e Cacciatore, 2015), bem como a taxas mais elevadas de luto complicado, sendo parte desse risco aumentado aparentemente atribuível à culpa, à autoacusação ou à vergonha (Champion e Kilcullen, 2025).

Outra contribuição importante do presente estudo foi a identificação de cinco manifestações interligadas da culpa (culpa de proteção, culpa de cuidado, culpa contrafactual, culpa de sobrevivente e culpa de identidade parental). Essas manifestações não são mutuamente excludentes e podem se sobrepor e coexistir no relato de uma mesma pessoa, sobretudo as culpas de proteção, contrafactual e de identidade parental; por isso, é melhor entendê-las como focos interligados de culpa do que como categorias diagnósticas distintas. Esse achado apoia pesquisas anteriores que destacaram a ambiguidade conceitual de tratar a culpa como um construto emocional unitário na literatura sobre luto (Li et al., 2014). Para além de confirmar a natureza multidimensional da culpa, os presentes resultados mostram que essas dimensões também estão presentes no contexto específico do luto parental. Essa conceituação multidimensional é reforçada pela taxonomia de subtipos de culpa identificada recentemente em uma análise temática de entrevistas com pessoas adultas enlutadas por suicídio, que distinguiu culpa por omissão, culpa por ação e culpa ligada à sobrevivência (Anet et al., 2026). A convergência de categorias estruturalmente semelhantes, apesar das diferenças de amostras, países e causas de morte, sugere que essas dimensões não são específicas de uma cultura e podem refletir processos psicológicos relativamente generalizáveis subjacentes ao luto traumático. Ainda assim, são necessárias mais pesquisas, com amostras culturalmente diversas e delineamentos comparativos, para estabelecer de forma mais sólida em que medida esses processos podem ser generalizados a diferentes contextos socioculturais e tipos de perda.

A culpa de proteção surgiu como a forma de culpa relatada com mais frequência e era particularmente evidente entre pais e mães cujos filhos morreram de forma súbita e inesperada, em concordância com estudos anteriores (Duncan e Cacciatore, 2015; Lee et al., 2024; Shalev et al., 2023). No luto parental, essa forma de culpa parece estar ligada sobretudo à responsabilidade percebida, a crenças retrospectivas de controle e a padrões morais que moldam a identidade parental, e não a uma responsabilidade causal objetiva (Duncan e Cacciatore, 2015; Lee et al., 2024).

Em contraste, pais e mães cujos filhos morreram após uma doença prolongada descreveram uma forma de culpa menos centrada na evitabilidade do desfecho e mais ligada ao questionamento da adequação dos cuidados e da proteção que haviam oferecido. Esse padrão é compatível com pesquisas anteriores (Lichtenthal et al., 2020; Yi et al., 2023) e tem sido associado a maior sofrimento psicológico, ruminação, arrependimento e, em alguns casos, luto prolongado ou complicado (Lichtenthal et al., 2020; Serjouie et al., 2025; Zetumer et al., 2015).

A culpa de cuidado se caracterizava principalmente por dúvidas persistentes sobre não ter feito o suficiente ou ter falhado no cumprimento do papel parental (Gallego-Alberto et al., 2020; Lichtenthal et al., 2020; Mohamed Hussin e Mohd Sabri, 2023; Zetumer et al., 2015). Essa forma de culpa parece decorrer de padrões parentais de cuidado muito exigentes, de conflitos entre papéis concorrentes e de avaliações negativas do próprio desempenho no cuidado (Gonyea et al., 2008; Mohamed Hussin e Mohd Sabri, 2023).

Em contraste, pais e mães cujos filhos morreram de forma súbita descreveram uma forma de culpa qualitativamente diferente. Suas narrativas revelaram um padrão marcado de pensamento contrafactual, compatível com a conceituação proposta por Eisma et al. (2014), que identificaram o pensamento contrafactual como uma das cinco dimensões centrais da ruminação do luto, juntamente com a ruminação sobre o sentido, as relações, a injustiça e as reações emocionais. Esse padrão cognitivo repetitivo pode contribuir para a manutenção do sofrimento psicológico ao funcionar como uma estratégia de evitação de curto prazo. Em vez de aceitar a realidade da perda, pais e mães enlutados se concentram repetidamente em suas causas, consequências e cenários hipotéticos alternativos, evitando assim a realidade dolorosa da morte e o sofrimento emocional mais profundo que a acompanha. Embora esse padrão possa aliviar temporariamente o sofrimento emocional, os relatos das pessoas participantes sugerem que ele também pode estar associado à persistência do sofrimento ao longo do tempo (Camacho et al., 2018). Esse padrão pode ajudar a entender por que as pessoas participantes descreviam a culpa contrafactual como particularmente intrusiva e difícil de regular nas fases iniciais do luto.

Os presentes resultados também oferecem uma compreensão mais matizada do pensamento contrafactual no luto parental. Neimeyer et al. (2019) conceituaram o pensamento do tipo “se ao menos” como uma forma de cognição contrafactual que pode se tornar repetitiva e interferir na reconstrução de sentido após o luto, identificando como focos possíveis o próprio eu, a pessoa falecida, outras pessoas relevantes e as circunstâncias da morte. No presente estudo, o pensamento contrafactual estava particularmente ligado à responsabilidade parental percebida. Pais e mães imaginavam repetidamente ações alternativas pelas quais poderiam ter evitado a morte, reduzido o sofrimento do filho ou agido de outra forma. Esses resultados sugerem, sobretudo, que o pensamento contrafactual não deveria necessariamente ser entendido como uma forma distinta de culpa, independente das outras manifestações. Ele pode funcionar, antes, como um processo cognitivo por meio do qual a culpa de proteção, de cuidado ou de identidade parental se expressa e se mantém.

Essa distinção também sugere que a ruminação associada à culpa de cuidado difere qualitativamente daquela subjacente à culpa contrafactual. Na culpa de cuidado, os pensamentos repetitivos não se concentravam na construção de cenários alternativos nos quais a morte do filho poderia ter sido evitada, mas na avaliação do próprio desempenho no cuidado, um padrão mais próximo da dimensão “relações” da ruminação do luto descrita por Eisma et al. (2014). Embora ambas as formas de ruminação tenham sido associadas ao luto complicado, o pensamento contrafactual parece ter uma relação substancialmente mais forte com desfechos desfavoráveis do luto.

Outra manifestação da culpa identificada no presente estudo foi a culpa de sobrevivente. Essa forma de culpa se caracteriza por um sofrimento ligado ao fato de continuar vivendo após a morte do filho ou por perceber a própria sobrevivência como injusta ou imerecida (Bistas e Grewal, 2023; Murray et al., 2021), um padrão presente nas narrativas de várias pessoas participantes.

Diferentemente da culpa contrafactual, que costuma estar ligada a uma ação ou omissão específica, a culpa de sobrevivente envolve com frequência uma avaliação mais ampla e difusa do próprio direito de continuar vivendo ou de sentir prazer. Do ponto de vista fenomenológico, esse padrão parece mais próximo da vergonha do que da culpa, segundo a distinção clássica entre essas duas emoções: enquanto a culpa envolve a avaliação de um comportamento específico, a vergonha reflete uma desvalorização global de si (Singh e Bhushan, 2025). Esses achados sugerem que pesquisas futuras sobre a culpa de sobrevivente no luto parental deveriam distinguir seus componentes ligados à culpa e à vergonha, pois essas dimensões podem diferir em seus mecanismos subjacentes e em sua resposta às intervenções terapêuticas.

Por fim, alguns pais e mães descreveram o que foi classificado como culpa de identidade parental. Essa forma de culpa pode representar um componente central do luto parental e tem sido associada a reações de luto mais persistentes (Mohamed Hussin et al., 2025; Plews-Ogan et al., 2022; Zetumer et al., 2015). A culpa de identidade parental envolve questionar se se foi uma mãe ou um pai bom o bastante durante a vida do filho e está estreitamente ligada às pesquisas sobre a reconstrução da identidade após a morte traumática de um filho. Um estudo com pais e mães enlutados identificou a reconciliação da identidade social, a reconciliação das autopercepções pessoais e a busca de sentido dentro de uma nova identidade parental como processos psicológicos-chave após a perda traumática de um filho (Mohamed Hussin et al., 2025). Esses achados reforçam a ideia de que a culpa de identidade parental não deve ser vista como uma consequência da culpa contrafactual, mas como uma dimensão distinta, ligada à reconstrução narrativa de si. Essa interpretação é compatível com os modelos de reconstrução de sentido, que identificam a reconstrução da identidade, a construção de sentido, a descoberta de benefícios e a manutenção de vínculos contínuos com a pessoa falecida como processos centrais da adaptação ao luto (Meert et al., 2015).

Nesse contexto, é importante observar que nem todos os pais e mães sentiram culpa. Para algumas pessoas participantes, a identidade parental não parecia ter sido fundamentalmente abalada, pois acreditavam ter feito todo o possível para cumprir seu papel parental. A ausência de culpa pode ser mais provável quando pais e mães conseguem reintegrar sua identidade, redefinir-se para além do lugar de “pai ou mãe do filho falecido” ou manter a identidade parental por meio das lembranças do filho e de vínculos contínuos com a pessoa falecida (Y. Kim e Lee, 2021; Payne et al., 2025).

A natureza dinâmica da culpa, tal como percebida retrospectivamente pelas pessoas participantes, representa outra contribuição central do presente estudo. Em vez de descrever um desaparecimento linear da culpa, as pessoas participantes descreveram retrospectivamente uma transformação gradual, de uma experiência intensa e invasiva de autoacusação para uma experiência emocional menos frequente, mais contextualizada e progressivamente integrada. Dado o delineamento transversal e retrospectivo do presente estudo, esses relatos devem ser entendidos como percepções retrospectivas das próprias pessoas participantes sobre como sua relação com a culpa mudou desde a morte do filho, e não como prova de uma trajetória de desenvolvimento estabelecida empiricamente. Essa transformação percebida é compatível com os modelos contemporâneos do luto, que concebem o luto como um processo dinâmico e oscilante, e não como uma sequência universal de etapas. O Modelo do Processo Dual propõe que as pessoas enlutadas alternam entre um enfrentamento orientado para a perda e um enfrentamento orientado para a restauração, de modo que a adaptação exige um ir e vir entre o confronto com a dor da perda e a atenção às exigências da vida cotidiana (Stroebe e Schut, 1999). Os resultados do presente estudo sugerem que as pessoas participantes percebiam a culpa como seguindo um padrão oscilante semelhante: embora possa perder gradualmente sua centralidade, ela pode ressurgir em datas comemorativas, lembranças ou grandes acontecimentos da vida. Essa reativação dependente do contexto não deveria necessariamente ser interpretada como sinal de fracasso terapêutico ou de luto crônico. Esses resultados sugerem, antes, que a culpa deveria ser avaliada em termos de rigidez, intensidade e interferência funcional, e não de sua mera presença.

Do ponto de vista clínico, a persistência de uma culpa intensa pode ser particularmente relevante. Estudos quantitativos têm relatado de forma consistente associações entre culpa relacionada ao luto, depressão e luto complicado ou prolongado, tanto em pesquisas transversais quanto longitudinais (Li et al., 2019). Embora esses resultados não sustentem a conclusão de que a culpa, por si só, cause desfechos desfavoráveis do luto, eles sugerem que ela pode funcionar como um processo de manutenção e como um indicador que justifica uma avaliação clínica mais abrangente. Em particular, a coexistência de autoacusação rígida, ruminação contrafactual, evitação, prejuízo funcional e desesperança pode sinalizar uma resposta de luto mais complexa. A avaliação clínica deveria, portanto, distinguir entre uma culpa dolorosa, mas flexível, que pode coexistir com momentos de conexão emocional e com um funcionamento adaptativo, e uma forma de culpa global, absolutista e punitiva, que se torna central na identidade do pai ou da mãe. Essa distinção é proposta como um quadro interpretativo potencialmente útil para orientar a atenção clínica, e não como um limiar diagnóstico validado; o delineamento transversal e qualitativo do presente estudo não permite estabelecer empiricamente limiares entre culpa adaptativa e patológica.

Essa transição percebida de uma culpa avassaladora para uma experiência mais integrada pode, de um ponto de vista interpretativo, ser entendida como reflexo de um processo de reavaliação cognitiva. Segundo o modelo processual de regulação emocional de Gross (Gross, 1998), a reavaliação cognitiva consiste em reinterpretar o significado de uma situação emocionalmente ativadora para modificar seu impacto emocional, sem suprimir a emoção nem evitar seu processamento. Várias pessoas participantes descreveram a culpa como algo que, de início, lhes dava uma sensação de controle sobre acontecimentos que, de outro modo, eram incontroláveis, e como uma forma de manter à distância todo o impacto emocional da perda. De um ponto de vista interpretativo, esses relatos podem ser entendidos como reflexo do que se pode conceituar como uma sensação ilusória de controle e uma forma de evitação experiencial, interpretação que vai além das descrições explícitas das próprias pessoas participantes e deve, portanto, ser lida como a leitura teórica que a equipe de pesquisa faz desses relatos, e não como um mecanismo diretamente demonstrado. Por meio do que pode ser interpretado como reavaliação cognitiva, porém, muitos pais e mães conseguiram, segundo seus próprios relatos, não eliminar a culpa, mas transformar sua função reguladora. Em vez de perpetuar processos ruminativos que mantinham o sofrimento psicológico, a culpa foi gradualmente se integrando como um componente reconhecido, embora não necessariamente bem-vindo, da experiência do luto. Essa interpretação é compatível com os achados de Camacho et al. (2018), segundo os quais níveis crescentes de culpa estão associados a maiores dificuldades de regulação emocional, o que reforça a importância de intervir cedo nos processos ruminativos, antes que se tornem crônicos.

Pais e mães do presente estudo descreveram a resolução da culpa como um processo gradual, apoiado por múltiplos recursos de enfrentamento interligados. Um dos mais importantes foi compartilhar o fardo emocional com outros pais e mães enlutados. Essas trocas parecem particularmente benéficas quando envolvem uma escuta empática e sem julgamento (Schoonover et al., 2022; Tognela et al., 2025). Os grupos de apoio podem oferecer um ambiente seguro, em que pais e mães podem expressar abertamente suas emoções e falar do filho e das circunstâncias da morte sem medo de julgamento (Henning et al., 2021; Stevenson et al., 2017). Eles também ajudam a encontrar compreensão junto a outras pessoas que viveram uma perda semelhante, reduzindo os sentimentos de isolamento e de ser fundamentalmente diferente de quem está ao redor (Berrozpe et al., 2024; Pelacho-Ríos et al., 2025).

Outro recurso associado à integração da culpa, identificado no presente estudo, foi a reconstrução de sentido, em consonância com o modelo de Neimeyer (Neimeyer, 2000a, 2000b), segundo o qual a adaptação ao luto não consiste em “superar” a perda, mas em integrá-la a uma narrativa de vida coerente. A mudança descrita pelas pessoas participantes reflete esse processo de reconstrução de sentido, que tem sido associado de forma consistente, na literatura sobre luto, a níveis mais baixos de luto complicado (Neimeyer, 2019). As pessoas participantes reconstruíam o sentido de diferentes maneiras, inclusive por meio de novas compreensões pessoais ou espirituais da perda. Para muitos pais e mães, a espiritualidade oferecia um quadro para dar sentido à morte, manter um vínculo contínuo com o filho falecido, reavaliar valores pessoais e reconstruir uma vida com sentido. A espiritualidade, porém, não funcionava de maneira uniforme para todas as pessoas participantes e, em alguns casos, intensificava conflitos existenciais quando crenças anteriores já não se alinhavam com a realidade da perda (Mohamed Hussin e Aho, 2025; Neimeyer et al., 2021; Superdock et al., 2024).

As pessoas participantes também descreveram o apoio profissional como um recurso importante no processo de reconstrução de sentido, embora essa experiência não fosse universal e algumas tenham relatado encontros menos satisfatórios. O apoio profissional parecia mais benéfico quando não buscava “resolver” ou encerrar prematuramente o processo de luto, mas oferecia uma relação terapêutica segura, baseada em presença empática e escuta profunda. Nesse contexto, a psicoeducação, a exploração existencial e espiritual e as estratégias de regulação emocional eram percebidas como particularmente úteis para facilitar a reconstrução de sentido, manter vínculos contínuos com o filho falecido e reorganizar a vida após a perda (Neimeyer et al., 2021; Vig et al., 2021).

Por fim, a autocompaixão e a aceitação surgiram como dois dos recursos psicológicos mais importantes para a adaptação, como refletem as narrativas das pessoas participantes e como apoia a literatura existente. A aceitação parece funcionar não como superação da morte do filho, mas como integração da perda à própria identidade, à história de vida e à visão de mundo. Quando esse processo ocorre, ele costuma vir acompanhado de uma transição da desorganização inicial do luto para uma vida reconfigurada, caracterizada por novos valores, um propósito renovado e novas formas de manter um vínculo com o filho falecido (Bogensperger e Lueger-Schuster, 2014; Neimeyer et al., 2010). Da mesma forma, a autocompaixão parece facilitar o ajustamento psicológico ao reduzir a autocrítica e a culpa, promovendo ao mesmo tempo uma regulação emocional mais adaptativa por meio da diminuição da ruminação, o que apoia a reconstrução de sentido (Bogensperger e Lueger-Schuster, 2014; Zhang et al., 2022).

Os resultados do presente estudo têm várias implicações diretas para a prática clínica com pais e mães enlutados. Primeiro, a avaliação da culpa parental deveria ser sensível à causa da morte do filho. Mortes súbitas ou percebidas como evitáveis tendem a suscitar formas de autoacusação mais imediatas e contrafactuais, ao passo que mortes após doenças prolongadas estão mais associadas a uma culpa centrada no cuidado e na impotência. Avaliações clínicas que não distinguem essas trajetórias podem resultar em intervenções genéricas que não respondem adequadamente às experiências vividas por pais e mães.

Segundo, a identificação de cinco manifestações interligadas da culpa (culpa de proteção, culpa de cuidado, culpa contrafactual, culpa de sobrevivente e culpa de identidade parental) oferece às equipes clínicas um quadro útil para a formulação de casos, permitindo que as intervenções visem o conteúdo específico da culpa em vez de tratá-la como um construto unitário. Em particular, a distinção entre culpa de sobrevivente e vergonha sugere que essas experiências deveriam ser avaliadas e trabalhadas separadamente, pois podem envolver mecanismos subjacentes diferentes e exigir abordagens terapêuticas diferentes.

Terceiro, a natureza dinâmica e oscilante da culpa observada no presente estudo sugere que seu ressurgimento em datas comemorativas, lembranças ou acontecimentos significativos da vida não deveria ser interpretado automaticamente como sinal de fracasso terapêutico ou de cronificação do luto. Essa reativação pode representar, antes, um traço esperado do processo de luto. A atenção clínica deveria, portanto, se concentrar na rigidez, na intensidade e na interferência funcional associadas à culpa, e não em sua mera presença, com atenção especial a pais e mães cuja autoacusação se torna global, absolutista e punitiva, dada sua associação com o luto complicado ou prolongado.

Por fim, as pessoas participantes relataram de forma consistente que o apoio profissional era mais útil quando não tentava eliminar a culpa nem oferecer tranquilização prematura, mas facilitava a reavaliação cognitiva, a reconstrução de sentido e o desenvolvimento da autocompaixão. Esses achados sugerem que as intervenções psicológicas no luto parental deveriam priorizar esses processos terapêuticos em vez de abordagens centradas exclusivamente na redução de sintomas. Além disso, os grupos de apoio entre pares podem representar um complemento valioso à psicoterapia individual, ao normalizar os sentimentos de culpa e reduzir o isolamento social percebido.

Um ponto forte deste estudo é a inclusão de pais e mães em etapas muito diferentes do luto, inclusive pessoas cuja perda havia ocorrido décadas antes. Essa amplitude temporal permitiu captar não apenas a experiência imediata da culpa, mas também os modos como seu sentido e sua intensidade podem ser reconstruídos ao longo da vida. Em particular, a inclusão de pessoas participantes mais velhas ofereceu uma oportunidade única de explorar como a culpa parental é compreendida na perspectiva da vida adulta tardia, trazendo elementos raramente representados na literatura sobre luto.

Segundo, o uso da análise temática reflexiva (Braun e Clarke, 2022), apoiado por reuniões analíticas regulares, um esquema de codificação em evolução e uma reflexividade contínua dentro de uma equipe de pesquisa multidisciplinar, reforça o rigor interpretativo dos resultados. A adesão aos critérios de relato COREQ aumenta ainda a transparência metodológica e facilita a avaliação externa do estudo.

Ainda assim, várias limitações devem ser reconhecidas. Primeiro, a amostra foi composta majoritariamente por mães, o que limita a possibilidade de generalizar os resultados para pais enlutados. Segundo, o contexto cultural da amostra deve ser considerado na interpretação dos resultados. As experiências de culpa parental provavelmente são influenciadas por fatores culturais, religiosos e sociais que moldam as expectativas em relação à maternidade e à paternidade. Justifica-se, portanto, replicar o presente modelo conceitual em contextos socioculturais diversos.

Com base na análise aprofundada do luto parental apresentada neste estudo, pesquisas futuras deveriam adotar delineamentos longitudinais que acompanhem os mesmos pais e mães ao longo do tempo, permitindo examinar prospectivamente a trajetória de desenvolvimento da culpa, em vez de inferi-la retrospectivamente. Futuros estudos qualitativos com amostragem intencional comparativa também poderiam examinar com mais precisão como a culpa parental varia e evolui em diferentes contextos de perda. Seria igualmente valioso desenvolver e validar quantitativamente o modelo conceitual e a taxonomia proposta de cinco manifestações da culpa, com instrumentos psicometricamente sólidos capazes de distinguir empiricamente essas dimensões e de examinar suas associações diferenciais com o luto complicado e prolongado. Por fim, replicar este estudo em amostras com maior representação de pais enlutados e em diferentes contextos culturais e religiosos ajudaria a determinar a generalizabilidade desses resultados e a avançar na compreensão do luto parental.

5. Conclusões

O presente estudo mostra que a culpa constitui um dos processos psicológicos centrais do luto parental e, ao mesmo tempo, uma de suas dimensões mais complexas. Longe de ser uma resposta emocional unitária, a culpa surgiu como uma experiência multidimensional, cuja expressão e intensidade estavam relacionadas às circunstâncias da morte do filho e aos modos como pais e mães interpretavam sua responsabilidade e reconstruíam sua identidade após a perda. As pessoas participantes também descreveram retrospectivamente mudanças em sua relação com a culpa, incluindo uma passagem de uma autoacusação intensa para uma maior integração, embora o momento e a natureza dessas mudanças variassem de pessoa para pessoa.

A principal contribuição deste estudo está no desenvolvimento de dois modelos conceituais complementares que pensam a culpa parental a partir de uma perspectiva processual. O primeiro resume os relatos retrospectivos das pessoas participantes sobre as mudanças em sua relação com a culpa, de uma autoacusação inicial intensa para uma maior integração; o segundo ilustra as relações entre a causa da morte, as diferentes manifestações da culpa e os recursos e processos que as pessoas participantes associavam à sua integração. Juntos, esses modelos ampliam o conhecimento atual sobre o luto parental ao mostrar que a adaptação pode envolver não a eliminação da culpa, mas mudanças na forma como pais e mães a compreendem e convivem com ela, inclusive por meio da reconstrução de sentido, do apoio interpessoal, do apoio psicológico profissional e da autocompaixão.

Esses resultados contribuem para deslocar a compreensão da culpa de uma perspectiva predominantemente psicopatológica para uma conceituação mais dinâmica e integrativa, oferecendo um quadro teórico e clínico que pode orientar pesquisas futuras e o desenvolvimento de intervenções psicológicas mais individualizadas. Reconhecer as múltiplas manifestações da culpa e as mudanças que pais e mães descrevem retrospectivamente em sua relação com ela pode ajudar a orientar um cuidado clínico mais ajustado a pais e mães enlutados, apoiando abordagens que não buscam erradicar a culpa, mas integrá-la a uma narrativa de vida coerente, que preserve o vínculo contínuo com o filho falecido e apoie a reconstrução de uma vida com sentido.

Complexe Systémique: a reter

O estudo desfaz uma ideia persistente: a de que a culpa de pais e mães enlutados seria apenas um sintoma a ser silenciado. Suas cinco faces, ter falhado em proteger, em cuidar, reescrever sem fim a história, sobreviver ao filho, duvidar de ter sido bom o bastante como mãe ou pai, oferecem um quadro fino para a formulação clínica, e o modelo lembra que a culpa também pode manter à distância uma dor intensa demais ou preservar um vínculo com o filho. O critério útil não é sua presença, mas sua rigidez e seu peso na vida cotidiana. Numa leitura sistêmica, é de lamentar que o casal, os irmãos e a família ampliada fiquem quase fora de cena: a culpa, porém, circula entre pai e mãe, é cobrada, compartilhada ou silenciada. O grupo de pares aparece como um contexto que transforma uma falta solitária em experiência comum. Os limites são claros: 22 mães para 5 pais, um único contexto regional espanhol, relatos retrospectivos colhidos em cerca de meia hora. Para ler junto com o artigo sobre uma terapia de casal em que a culpa se torna pensável e com a revisão sobre as dinâmicas familiares no luto.

Notas do original

Contribuições. Conceituação, L. P.-R. e G. B.-V.; metodologia, L. P.-R. e G. B.-V.; validação, L. P.-R. e G. B.-V.; análise formal, L. P.-R., G. B.-V., Y. R.-O. e A. S.-S.; investigação, L. P.-R., G. B.-V., Y. R.-O. e A. S.-S.; recursos, L. P.-R. e G. B.-V.; curadoria de dados, L. P.-R. e G. B.-V.; redação do rascunho original, L. P.-R., G. B.-V., Y. R.-O. e A. S.-S.; redação, revisão e edição, L. P.-R., G. B.-V., Y. R.-O. e A. S.-S.; supervisão, L. P.-R. e G. B.-V.; captação de recursos, Y. R.-O. Toda a equipe leu e aprovou a versão publicada do manuscrito.

Financiamento. A equipe agradece à Universidade Católica de Valência San Vicente Mártir (UCV) por ter custeado as taxas de publicação (Article Processing Charge, APC) deste manuscrito.

Comitê de ética. O estudo foi realizado de acordo com a Declaração de Helsinque, e o protocolo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Católica de Valência (UCV/2022–2023/024, 9 de janeiro de 2023).

Consentimento informado. Foi obtido o consentimento informado de todas as pessoas participantes do estudo.

Disponibilidade de dados. Os dados apresentados neste estudo podem ser obtidos mediante solicitação à pessoa responsável pela correspondência, com restrições de ordem ética, de privacidade e jurídica.

Agradecimentos. A equipe expressa sua sincera gratidão a todas as mães e a todos os pais que compartilharam generosamente suas experiências de luto parental. Sua abertura, sua confiança e sua disposição para relatar experiências tão íntimas tornaram esta pesquisa possível; a equipe é profundamente grata por essa contribuição inestimável. Agradece também ao grupo de estudantes da equipe de pesquisa pelo apoio técnico na transcrição das entrevistas; seu empenho e seu trabalho cuidadoso foram muito apreciados. Durante a preparação do manuscrito, a equipe utilizou o ChatGPT (OpenAI, GPT-5.5) para a revisão linguística e estilística do inglês. Todo o conteúdo científico, as interpretações e as conclusões foram desenvolvidos exclusivamente pela equipe, que revisou e editou criticamente o texto gerado por IA e assume total responsabilidade pelo manuscrito final. A equipe agradece à Universidade Católica de Valência San Vicente Mártir por sua contribuição e ajuda no pagamento das taxas de publicação em acesso aberto.

Conflitos de interesse. A equipe de pesquisa declara não haver conflitos de interesse.

Referências

Albuquerque, S., Pereira, B. B., Coelho, A., & Pinto, R. (2025). Guilt and unfinished business in bereavement: Rumination as a pathway to prolonged grief and trauma. Journal of Clinical Medicine, 14(23), 8582. https://doi.org/10.3390/jcm14238582

Anet, A. A., Jones, P., Quayle, K., di Simplicio, M., Kamboj, S. K., & Pitman, A. (2026). The classification of the sub-types of guilt experienced after suicide bereavement: Thematic analysis of qualitative interview data. Current Research in Behavioral Sciences, 10, 100211. https://doi.org/10.1016/j.crbeha.2026.100211

Arnold, J., & Gemma, P. B. (2008). The continuing process of parental grief. Death Studies, 32(7), 658–673. https://doi.org/10.1080/07481180802215718

Arnold, J., Gemma, P. B., & Cushman, L. F. (2005). Exploring parental grief: Combining quantitative and qualitative measures. Archives of Psychiatric Nursing, 19(6), 245–255. https://doi.org/10.1016/j.apnu.2005.07.008

Back, O., Schröder, T., & Frow, A. (2026). Parental bereavement experiences following the loss of a child to suicide: A qualitative systematic review and meta-ethnographic synthesis. Death Studies, 1–19, Advance online publication. https://doi.org/10.1080/07481187.2026.2682812

Baños-Chaparro, J. (2022). Duelo por suicidio: ¿Qué sucede después en la familia? Revista de Investigación en Psicología, 25(1), 159–170. https://doi.org/10.15381/rinvp.v25i1.22287

Bell, J., Stanley, N., Mallon, S., & Manthorpe, J. (2012). Life will never be the same again: Examining grief in survivors bereaved by young suicide. Illness, Crisis & Loss, 20(1), 49–68. https://doi.org/10.2190/IL.20.1.e

Berrozpe, J., Cantero-García, M., & Caro-Cañizares, I. (2024). Parental grief after the unexpected death of a child: A scoping review about the impact on parent’s social networks and the function of self-help groups. Omega–Journal of Death and Dying, 93(4), 2333–2370. https://doi.org/10.1177/00302228241280336

Bistas, K., & Grewal, R. (2023). The intricacies of survivor’s guilt: Exploring its phenomenon across contexts. Cureus, 15(9), E45703. https://doi.org/10.7759/cureus.45703

Boelen, P. A., van den Bout, J., & van den Hout, M. A. (2006). Negative cognitions and avoidance in emotional problems after bereavement: A prospective study. Behaviour Research and Therapy, 44(11), 1657–1672. https://doi.org/10.1016/j.brat.2005.12.006

Bogensperger, J., & Lueger-Schuster, B. (2014). Losing a child: Finding meaning in bereavement. European Journal of Psychotraumatology, 5(1), 22910. https://doi.org/10.3402/ejpt.v5.22910

Braun, V., & Clarke, V. (2022). Conceptual and design thinking for thematic analysis. Qualitative Psychology, 9(1), 3–26. https://doi.org/10.1037/qup0000196

Camacho, D., Pérez-Nieto, M. A., & Gordillo, F. (2018). The role of rumination in the guilt associated with bereavement according to cause of death. Psychiatry Research, 270, 1053–1058. https://doi.org/10.1016/j.psychres.2018.04.065

Camacho, D., Pérez Nieto, M. A., & Gordillo, F. (2020). Guilt and bereavement: Effect of the cause of death, and measuring instruments. Illness, Crisis & Loss, 28(1), 3–17. https://doi.org/10.1177/1054137316686688

Champion, M. J., & Kilcullen, M. (2025). Complicated grief following the traumatic loss of a child: A systematic review. OMEGA–Journal of Death and Dying, 91(4), 2142–2164. https://doi.org/10.1177/00302228231170417

Duncan, C., & Cacciatore, J. (2015). A systematic review of the peer-reviewed literature on self-blame, guilt, and shame. OMEGA–Journal of Death and Dying, 71(4), 312–342. https://doi.org/10.1177/0030222815572604

Eisma, M. C., Stroebe, M. S., Schut, H. A., Van Den Bout, J., Boelen, P. A., & Stroebe, W. (2014). Development and psychometric evaluation of the utrecht grief rumination scale. Journal of Psychopathology and Behavioral Assessment, 36, 165–176. https://doi.org/10.1007/s10862-013-9377-y

Entilli, L., Ross, V., De Leo, D., Cipolletta, S., & Kõlves, K. (2021). Experiences of parental suicide-bereavement: A longitudinal qualitative analysis over two years. International Journal of Environmental Research and Public Health, 18(2), 564. https://doi.org/10.3390/ijerph18020564

Gallego-Alberto, L., Losada, A., Cabrera, I., Romero-Moreno, R., Pérez-Miguel, A., Del Sequeros Pedroso-Chaparro, M., & Márquez-González, M. (2020). “I Feel Guilty”. Exploring guilt-related dynamics in family caregivers of people with dementia. Clinical Gerontologist, 45, 1294–1303. https://doi.org/10.1080/07317115.2020.1769244

Goldstein, R. D., Lederman, R. I., Lichtenthal, W. G., Morris, S. E., Human, M., Elliott, A. J., Tobacco, D., Angal, J., Odendaal, H., Kinney, H. C., Prigerson, H. G., & Network, F. T. P. (2018). The grief of mothers after the sudden unexpected death of their infants. Pediatrics, 141(5), e20173651. https://doi.org/10.1542/peds.2017-3651

Gonyea, J. G., Paris, R., & de Saxe Zerden, L. (2008). Adult daughters and aging mothers: The role of guilt in the experience of caregiver burden. Aging & Mental Health, 12(5), 559–567. https://doi.org/10.1080/13607860802343027

Gross, J. J. (1998). The emerging field of emotion regulation: An integrative review. Review of General Psychology, 2(3), 271–299. https://doi.org/10.1037/1089-2680.2.3.271

Guillem Porta, V., Romero Retes, R., & Oliete Ramírez, E. (2013). Manifestaciones del duelo. Sociedad Española de Oncología Médica (SEOM). Available online: https://seom.org/seomcms/images/stories/recursos/sociosyprofs/documentacion/manuales/duelo/duelo08.pdf (accessed on 9 July 2026).

Henning, E., Germann, J., Holder, N., Nakonezny, P., Loftin, S., Redondo-Doan, B., Jones, L., Petty, L., Pratt, C. D., Garza-Saenz, M., Isaacs, T., Liu, K., & Winick, N. (2021). The impact of family bereavement interventions: Qualitative feedback identifies needs. Clinical Practice in Pediatric Psychology, 9(3), 283–295. https://doi.org/10.1037/cpp0000416

Hofmann, L., Merkl, A., & Wagner, B. (2026). Unfinished business in suicide bereavement: Predicting prolonged grief, PTSD, depression, and guilt. Death Studies, 50(9), 1680–1689. https://doi.org/10.1080/07481187.2025.2525196

Hollway, W., & Jefferson, T. (1997). Eliciting narrative through the in-depth interview. Qualitative Inquiry, 3, 53–70. https://doi.org/10.1177/107780049700300103

Joa, B., & Newberg, A. B. (2021). Neuropsychological comparison of guilt and grief: A review of guilt aspects in prolonged grief disorder. OMEGA–Journal of Death and Dying, 87(2), 591–613. https://doi.org/10.1177/00302228211024111

Keesee, N. J., Currier, J. M., & Neimeyer, R. A. (2008). Predictors of grief following the death of one’s child: The contribution of finding meaning. Journal of Clinical Psychology, 64(10), 1145–1163. https://doi.org/10.1002/jclp.20502

Kim, M. A., Yi, J., Sang, J., & Lee, S. Y. (2024). Coming to terms: Korean mothers’ adaptation to child loss from cancer. Health & Social Care in the Community, 2024(1). https://doi.org/10.1155/2024/8810306

Kim, Y., & Lee, D. H. (2021). Changes over time in parental self-identity after the loss of an adolescent child. OMEGA–Journal of Death and Dying, 87(4), 1127–1158. https://doi.org/10.1177/00302228211033127

Lee, A., Yildiz, E., & Chaudhary, A. U. (2024). Understanding parental guilt in caregivers of children with behavioral disorders. Journal of Assessment and Research in Applied Counseling, 6(2), 201–209. https://doi.org/10.61838/kman.jarac.6.2.25

Levi-Belz, Y. (2023). Interpersonal facilitators of complicated grief and depression in the aftermath of suicide loss: The mediated roles of suicide-related shame and guilt. Suicide and Life-Threatening Behavior, 53(4), 680–691. https://doi.org/10.1111/sltb.12973

Li, J., Stroebe, M. S., Chan, C. L. W., & Chow, A. Y. M. (2014). Guilt in bereavement: A review and conceptual framework. Death Studies, 38(3), 165–171. https://doi.org/10.1080/07481187.2012.738770

Li, J., Tendeiro, J. N., & Stroebe, M. (2019). Guilt in bereavement: Its relationship with complicated grief and depression. International Journal of Psychology, 54(4), 454–461. https://doi.org/10.1002/ijop.12483

Lichtenthal, W. G., Currier, J. M., Neimeyer, R. A., & Keesee, N. J. (2010). Sense and significance: A mixed methods examination of meaning making after the loss of one’s child. Journal of Clinical Psychology, 66(7), 791–812. https://doi.org/10.1002/jclp.20700

Lichtenthal, W. G., Roberts, K. E., Catarozoli, C., Schofield, E., Holland, J. M., Fogarty, J. J., Coats, T. C., Barakat, L. P., Baker, J. N., Brinkman, T. M., Neimeyer, R. A., Prigerson, H. G., Zaider, T., Breitbart, W., & Wiener, L. (2020). Regret and unfinished business in parents bereaved by cancer: A mixed methods study. Palliative Medicine, 34(3), 367–377. https://doi.org/10.1177/0269216319900301

Malterud, K., Siersma, V. D., & Guassora, A. D. (2016). Sample size in qualitative interview studies: Guided by information power. Qualitative Health Research, 26(13), 1753–1760. https://doi.org/10.1177/1049732315617444

Markelin, H., Hussin, N. A. M., & Aho, A. L. (2025). Reconstructing purpose: Parents’ meaning in life after traumatic child loss. OMEGA–Journal of Death and Dying. Advance online publication. https://doi.org/10.1177/00302228251407938

Meert, K. L., Eggly, S., Kavanaugh, K., Berg, R. A., Wessel, D. L., Newth, C. J. L., Shanley, T. P., Harrison, R., Dalton, H., Dean, J. M., Doctor, A., Jenkins, T., & Park, C. L. (2015). Meaning making during parent–physician bereavement meetings after a child’s death. Health Psychology, 34(4), 453–461. https://doi.org/10.1037/hea0000153

Mohamed Hussin, N. A., & Aho, A. (2025). Navigating faith: Religion and spirituality among finnish parents after the traumatic loss of a child. Pastoral Psychology, 74, 635–652. https://doi.org/10.1007/s11089-025-01237-z

Mohamed Hussin, N. A., & Mohd Sabri, N. S. (2023). A qualitative exploration of the dynamics of guilt experience in family cancer caregivers. Supportive Care in Cancer: Official Journal of the Multinational Association of Supportive Care in Cancer, 31(12), 659. https://doi.org/10.1007/s00520-023-08060-3

Mohamed Hussin, N. A., Peltomäki, R., Vesala, S. M., & Aho, A. L. (2025). Parents’ self-identity and meaning-making after the traumatic loss of a child. Social Work in Mental Health, 23(6), 572–592. https://doi.org/10.1080/15332985.2025.2487434

Murray, H., Pethania, Y., & Medin, E. (2021). Survivor guilt: A cognitive approach. The Cognitive Behaviour Therapist, 14, e28. https://doi.org/10.1017/S1754470x21000246

Neimeyer, R. A. (2000a). Narrative disruptions in the construction of the self. In R. A. Neimeyer, & J. D. Raskin (Eds.), Constructions of disorder: Meaning-making frameworks for psychotherapy (pp. 207–242). American Psychological Association. https://doi.org/10.1037/10368-009

Neimeyer, R. A. (2000b). Searching for the meaning of meaning: Grief therapy and the process of reconstruction. Death Studies, 24(6), 541–558. https://doi.org/10.1080/07481180050121480

Neimeyer, R. A. (2019). Meaning reconstruction in the wake of loss: Evolution of a research program. Behaviour Change, 33(2), 65–79. https://doi.org/10.1017/bec.2016.4

Neimeyer, R. A., Baldwin, S. A., & Gillies, J. (2006). Continuing bonds and reconstructing meaning: Mitigating complications in bereavement. Death Studies, 30(8), 715–738. https://doi.org/10.1080/07481180600848322

Neimeyer, R. A., Burke, L. A., Mackay, M. M., & Van Dyke Stringer, J. G. (2010). Grief therapy and the reconstruction of meaning: From principles to practice. Journal of Contemporary Psychotherapy, 40(2), 73–83. https://doi.org/10.1007/s10879-009-9135-3

Neimeyer, R. A., Pitcho-Prelorentzos, S., & Mahat-Shamir, M. (2019). “If only…”: Counterfactual thinking in bereavement. Death Studies, 45(9), 692–701. https://doi.org/10.1080/07481187.2019.1679959

Neimeyer, R. A., Testoni, I., Ronconi, L., Biancalani, G., Antonellini, M., & Corso, L. D. (2021). The integration of stressful life experiences scale and the inventory of complicated spiritual grief: The italian validation of two instruments for meaning-focused assessments of bereavement. Behavioral Sciences, 11(11), 149. https://doi.org/10.3390/bs11110149

O’Brien, B. C., Harris, I. B., Beckman, T. J., Reed, D. A., & Cook, D. A. (2014). Standards for reporting qualitative research: A synthesis of recommendations. Academic Medicine, 89(9), 1245–1251. https://doi.org/10.1097/ACM.0000000000000388

Oplatka, I. (2018). Understanding emotion in educational and service organizations through semi-structured interviews: Some conceptual and practical insights. The Qualitative Report, 23(6), 1347–1363. https://doi.org/10.46743/2160-3715/2018.3259

Payne, E., Silverio, S. A., Fellows, R. E., Heywood, L., Burgess, K., Storey, C., Oza, M., Kent-Nye, F. E., Haddad, L., Sampson, A., & Knighting, K. (2025). From mourning to memorialising—A lasting connection through remembrance: The role of memory making in preserving the identity of parenthood amongst women who have suffered a perinatal bereavement. Women and Birth, 38(3), 101902. https://doi.org/10.1016/j.wombi.2025.101902

Peiró Ballestín, G., Corbellas Solanas, C., & Blasco Cordellat, A. (2007). El duelo en la pérdida de un hijo. Sociedad Española de Oncología Médica (SEOM). Available online: https://seom.org/seomcms/images/stories/recursos/sociosyprofs/documentacion/manuales/duelo/duelo09.pdf (accessed on 10 July 2026).

Pelacho-Ríos, L., Mayoral, S., Jorques-Infante, M. J., & Bernabé-Valero, G. (2025). Healing through support: Beneficial and detrimental practices in parental grief—A qualitative study. Behavioral Sciences, 15(4), 535. https://doi.org/10.3390/bs15040535

Pitcho, S. (2025). Surviving grievers of traumatic loss: A dialectical approach to survivor guilt management. Death Studies, 50(8), 1456–1466. https://doi.org/10.1080/07481187.2025.2513985

Plews-Ogan, E., Keywan, C., Morris, S. E., & Goldstein, R. D. (2022). The parental role before and after SIDS. Death Studies, 46(10), 2316–2326. https://doi.org/10.1080/07481187.2021.1936296

Price, J. E., & Jones, A. M. (2015). Living through the life-altering loss of a child: A narrative review. Issues In Comprehensive Pediatric Nursing, 38(3), 222–240. https://doi.org/10.3109/01460862.2015.1045102

Schoonover, K. L., Prokop, L., & Lapid, M. (2022). Valuable informal bereavement support strategies for bereaved parents of stillborn, young children, and adult children: A scoping review. Journal of Palliative Care, 37(3), 381–400. https://doi.org/10.1177/08258597211062762

Serjouie, F., Lajevardi, S. A., Shahri, S. H. S., Far, E. S., Kianimoghadam, A. S., Abadi, M. K. H., & Ashrafi, M. (2025). A path analysis of the impact of guilt on prolonged grief symptoms: The mediating role of psychological distress and perceived social support in bereaved parents after child loss to cancer. OMEGA–Journal of Death and Dying. Advance online publication. https://doi.org/10.1177/00302228251393895

Shalev, I., Sharon, N., Uzefovsky, F., & Atzaba-Poria, N. (2023). Parental guilt and children’s internalizing and externalizing behavior: The moderating role of parental reflective functioning. Journal of Family Psychology, 37(8), 1241–1252. https://doi.org/10.1037/fam0001156

Shi, C., Ren, Z., Zhao, C., Zhang, T., & Chan, S. H. (2021). Shame, guilt, and posttraumatic stress symptoms: A three-level meta-analysis. Journal of Anxiety Disorders, 82, 102443. https://doi.org/10.1016/j.janxdis.2021.102443

Singh, D., & Bhushan, B. (2025). Understanding shame, guilt, embarrassment and pride: A systematic review of self-conscious emotions. Frontiers in Psychology, 16, 1678930. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2025.1678930

Stevenson, M., Achille, M., Liben, S., Proulx, M.-C., Humbert, N., Petti, A., Macdonald, M., & Cohen, S. R. (2017). Understanding how bereaved parents cope with their grief to inform the services provided to them. Qualitative Health Research, 27(5), 649–664. https://doi.org/10.1177/1049732315622189

Stroebe, M., & Schut, H. (1999). The dual process model of coping with bereavement: Rationale and description. Death Studies, 23(3), 197–224. https://doi.org/10.1080/074811899201046

Stroebe, M., & Schut, H. (2015). Family matters in bereavement. Perspectives on Psychological Science, 10(6), 873–879. https://doi.org/10.1177/1745691615598517

Stroebe, M., Stroebe, W., Van de Schoot, R., Schut, H., Abakoumkin, G., & Li, J. (2014). Guilt in bereavement: The role of self-blame and regret in coping with loss. PLoS ONE, 9(5), e96606. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0096606

Superdock, A. K., Trejo, M., Yang, Y., Torres, C., Blazin, L., Baker, J. N., Spraker-Perlman, H., & Kaye, E. (2024). “Understanding why she had to leave me”: The role of religion and spirituality in narratives of parents grieving the loss of a child to cancer. Death Studies, 49(5), 621–632. https://doi.org/10.1080/07481187.2024.2348059

Tal, I., Mauro, C., Reynolds, C. F., III, Shear, M. K., Simon, N., Lebowitz, B., Skritskaya, N., Wang, Y., Qiu, X., Iglewixcz, A., Glorioso, D., Avanzino, J., Wethherell, J. L., Karp, J. F., Robinaugh, D., & Zisook, S. (2017). Complicated grief after suicide bereavement and other causes of death. Death Studies, 41(5), 267–275. https://doi.org/10.1080/07481187.2016.1265028

Tilghman-Osborne, C., Cole, D. A., & Felton, J. W. (2010). Definition and measurement of guilt: Implications for clinical research and practice. Clinical Psychology Review, 30(5), 536–546. https://doi.org/10.1016/j.cpr.2010.03.007

Tognela, J., Breen, L. J., & Rudaizky, D. (2025). Reciprocal regulation in social support interactions between bereaved parents and their potential supporters: A qualitative study. Frontiers in Public Health, 13, 1659628. https://doi.org/10.3389/fpubh.2025.1659628

Tong, A., Sainsbury, P., & Craig, J. (2007). Consolidated criteria for reporting qualitative research (COREQ): A32-item checklist for interviews and focus groups. International Journal for Quality in Health Care, 19(6), 349–357. https://doi.org/10.1093/intqhc/mzm042

Van der Houwen, K., Stroebe, M., Schut, H., Stroebe, W., & Van den Bout, J. (2010). Mediating processes in bereavement: The role of rumination, threatening grief interpretations, and deliberate grief avoidance. Social Science & Medicine, 71(9), 1669–1676. https://doi.org/10.1016/j.socscimed.2010.06.047

Vig, P. S., Lim, J. Y., Lee, R. W. L., Huang, H., Tan, X. H., Lim, W. Q., Lim, M. B. X. Y., Lee, A. S. I., Chiam, M., Lim, C., Baral, V. R., & Krishna, L. K. R. (2021). Parental bereavement—Impact of death of neonates and children under 12 years on personhood of parents: A systematic scoping review. BMC Palliative Care, 20(1), 136. https://doi.org/10.1186/s12904-021-00831-1

Wagner, B., Hofmann, L., & Grafiadeli, R. (2021). The relationship between guilt, depression, prolonged grief, and posttraumatic stress symptoms after suicide bereavement. Journal of Clinical Psychology, 77(11), 2545–2558. https://doi.org/10.1002/jclp.23192

Xiang, Y., & Li, J. (2026). The interlink between bereavement guilt and prolonged grief disorder: A cross-lagged panel network analysis. Death Studies, 1–14, Advance online publication. https://doi.org/10.1080/07481187.2026.2659117

Yi, J., Younce, B., Chung, E., Kim, M. A., & Bradbury, L. (2023). Mothers’ bereavement and evolving relationships with their dead child in South Korea. Family Relations, 72(5), 2975–2990. https://doi.org/10.1111/fare.12841

Yu, X., Huang, J., Jiang, W., Qian, W., Tang, R., Fu, Z., & Wang, J. (2026). Different effects of guilt and shame on grief among naturally bereaved Chinese adults: A three-wave cross-lagged panel analysis. Journal of Psychiatric Research, 193, 347–353. https://doi.org/10.1016/j.jpsychires.2025.12.005

Zeelenberg, M., & Breugelmans, S. M. (2008). The role of interpersonal harm in distinguishing regret from guilt. Emotion, 8(5), 589–596. https://doi.org/10.1037/a0012894

Zetumer, S., Young, I., Shear, M. K., Skritskaya, N., Lebowitz, B., Simon, N., Reynolds, C., Mauro, C., & Zisook, S. (2015). The impact of losing a child on the clinical presentation of complicated grief. Journal of Affective Disorders, 170, 15–21. https://doi.org/10.1016/j.jad.2014.08.021

Zhang, N., Sandler, I., Tein, J., Wolchik, S., & Donohue, E. (2022). Caregivers’ self-compassion and bereaved children’s adjustment: Testing caregivers’ mental health and parenting as mediators. Mindfulness, 13, 462–473. https://doi.org/10.1007/s12671-021-01807-1

Tradução não oficial em português de Para além da autoculpabilização: um estudo qualitativo sobre a experiência mutável da culpa parental após a morte de um filho, de Lucia Pelacho-Rios, Yolanda Ruiz-Ordoñez, Alejandro Sanchis-Sanchis e Gloria Bernabe-Valero, Behavioral Sciences, vol. 16, no 10, 1771 (2026), doi: 10.3390/bs16101771, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença (legendas das figuras traduzidas). Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.

Tradução não oficial para o português de “Beyond Self-Blame: A Qualitative Study of the Changing Experience of Parental Guilt Following the Death of a Child”, publicado em Behavioral Sciences (2026) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.

Ler o artigo original

Como citar este artigo

Pelacho-Rios, L., Ruiz-Ordoñez, Y., Sanchis-Sanchis, A., et Bernabe-Valero, G. (2026). Para além da autoculpabilização: um estudo qualitativo sobre a experiência mutável da culpa parental após a morte de um filho (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/para-alem-da-autoculpabilizacao-um-estudo-qualitativo-sobre-a-experiencia-mutavel-da-culpa (Obra original publicada em 2026 em Behavioral Sciences, 16(10), 1771 (2026); republicada em 2026 por Behavioral Sciences, https://www.mdpi.com/2076-328X/16/10/1771)

Carrinho

Seu carrinho está vazio.