Tradução assistida por IA

Esta versão foi traduzida do inglês pelo Complexe Systémique com a ajuda da inteligência artificial. Em caso de dúvida, prevalece a versão original.

Clinical Child and Family Psychology Review · Família

A fratria de pessoas com deficiência: uma revisão sistemática integrativa da literatura empírica

O que significa, para uma criança e depois para uma pessoa adulta, crescer com um irmão ou uma irmã com deficiência? A equipe de Annalisa Levante e Flavia Lecciso, da Universidade do Salento, revisou 60 estudos publicados entre 2014 e 2024: a relação fraterna, a parentificação e o ajustamento emocional dominam a pesquisa, o bem-estar segue pouco explorado, e a parentificação aparece como o alvo clínico mais promissor.

Autores Annalisa Levante e Flavia Lecciso (Departamento de Ciências Humanas e Sociais e Laboratório de Psicologia Aplicada, Universidade do Salento, Lecce); Chiara Martis (Departamento de Ciências Humanas e Sociais, Universidade do Salento, Lecce); Cristina Maria Del Prete e Patrizia Primiceri (Distrito de Reabilitação, Serviço Local de Saúde, Lecce); Paola Martino (Escritório para a Inclusão de Pessoas com Deficiência, Universidade do Salento, Lecce), ItáliaPrimeira publicação Clinical Child and Family Psychology Review, 16 de outubro de 2024Tradução Complexe Systémique, tradução não oficial

Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de A fratria de pessoas com deficiência: uma revisão sistemática integrativa da literatura empírica, de Annalisa Levante, Chiara Martis, Cristina Maria Del Prete, Paola Martino, Patrizia Primiceri e Flavia Lecciso, publicado na Clinical Child and Family Psychology Review (Springer) (2025), doi: 10.1007/s10567-024-00502-6, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. As duas figuras permanecem em inglês, com legenda traduzida; as três tabelas são apresentadas em forma de listas, com todos os valores; as declarações de fim de artigo foram reunidas nas notas. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.

A parentificação centrada na fratria pode ser o construto-chave a ser visado pela intervenção.

Annalisa Levante, Chiara Martis, Cristina Maria Del Prete, Paola Martino, Patrizia Primiceri e Flavia Lecciso

Resumo

Esta revisão sistemática buscou organizar a literatura empírica sobre o impacto psicológico da deficiência sobre os irmãos e irmãs de pessoas com deficiência, a fim de orientar a pesquisa e oferecer recomendações clínicas. Duas perguntas de pesquisa guiaram a revisão: (1) Quais são os principais construtos psicológicos investigados na fratria de pessoas com deficiência? (2) Qual é o papel principal de cada construto psicológico na experiência da fratria de pessoas com deficiência? A busca eletrônica foi realizada em 7 bases de dados, e foi utilizado o diagrama PRISMA. Os critérios de inclusão foram: artigos publicados em inglês em periódicos com revisão por pares; artigos publicados entre janeiro de 2014 e junho de 2024; estudos qualitativos, quantitativos e mistos; e artigos sobre o impacto psicológico de deficiências e/ou doenças crônicas na experiência da fratria de pessoas com deficiência. O protocolo padronizado Mixed Method Appraisal Tool foi usado para avaliar a qualidade metodológica dos estudos. Os achados foram sintetizados por meio de uma abordagem narrativa. Ao todo, 60 estudos foram revisados. Segundo a avaliação da qualidade metodológica, a maioria apresentou qualidade alta (n = 45) ou média (n = 15). Os estudos envolveram 10.146 pessoas participantes. Os achados mostraram que as relações fraternas, a parentificação centrada na fratria e o ajustamento emocional e comportamental são os principais construtos psicológicos investigados pela literatura existente. Poucos estudos se dedicaram ao bem-estar da fratria. Os estudos que exploravam mais de um construto psicológico foram incluídos em uma categoria híbrida. Apenas um estudo examinou a experiência psicológica da fratria durante a pandemia de covid-19. A qualidade da relação fraterna variou de boa a ruim; o papel de cuidado é o principal papel desempenhado pelos irmãos e irmãs de pessoas com deficiência; ansiedade, depressão e comportamentos agressivos são os principais sintomas emocionais e comportamentais identificados. A maioria dos estudos (n = 39) recrutou pessoas cujo irmão ou irmã tinha um transtorno mental. Os achados desta revisão sistemática podem ter um papel no campo clínico, pois podem ajudar a planejar programas de intervenção específicos por gênero e idade.

Palavras-chave: fratria; deficiência; revisão sistemática integrativa; parentificação; relação fraterna; ajustamento emocional e comportamental; bem-estar

Introdução

A teoria bioecológica dos sistemas (Bronfenbrenner, 1977; 1979; Tudge et al., 2009) sustenta que o desenvolvimento da criança resulta de um sistema complexo de relações influenciadas pelo ambiente. Segundo a teoria do sistema familiar de Minuchin, os membros da família se influenciam mutuamente; assim, quando uma criança recebe um diagnóstico de deficiência e/ou de doença crônica, toda a família é profundamente afetada (Barnett et al., 2003). Como as mães costumam ser as principais cuidadoras das crianças, a maior parte das pesquisas sobre a reação ao diagnóstico de deficiência na família (Marvin e Pianta, 1992; Sher-Censor et al., 2022) se dedicou a elas. Os resultados evidenciaram níveis elevados de sofrimento (Al-Kandari e Al-Qashan, 2010; Lecciso et al., 2013a, 2013b; Lecciso et al., 2013a, 2013b; Sato et al., 2015) e sintomas depressivos (Dillon-Wallace et al., 2014; Ingersoll e Hambrick, 2011; Rashedi et al., 2013). Quanto aos pais, os estudos relataram que eles dedicam mais tempo e energia ao trabalho (Keller e Honig, 2004; Zanobini et al., 2002) e apresentam menos sintomas depressivos que as mães (McStay et al., 2014; Vasilopoulou e Nisbet, 2016). Nos últimos anos, um número considerável de estudos tem se dedicado aos irmãos e irmãs com desenvolvimento típico (doravante, a fratria), cujo funcionamento pode ser significativamente alterado por crescer com um irmão ou uma irmã com deficiência. Ainda assim, os achados sobre esse tema são divergentes. A maioria dos estudos (Giallo e Gavidia-Payne, 2006; Hastings, 2003; O’Neill e Murray, 2016; Petalas et al., 2009; Ross e Cuskelly, 2009; Rossetti e Hall, 2015; Sharpe e Rossiter, 2002; Stoneman, 2005; Williams et al., 2010) mostrou que a deficiência do irmão ou da irmã afetava negativamente o funcionamento da fratria, causando níveis elevados de ansiedade e depressão, retraimento social, transtornos de conduta e outros problemas de comportamento. Outros estudos (Kaminsky e Dewey, 2001; Moyson e Roeyers, 2012; Opperman e Alant, 2003; Rossetti e Hall, 2015) mostraram que a deficiência de um irmão ou de uma irmã aumenta, na fratria, a empatia e o desenvolvimento psicossocial, a competência autopercebida, a qualidade de vida e a coesão familiar. Por fim, alguns estudos, ainda que poucos (Cuskelly e Gunn, 2003; Hallion et al., 2018), não encontraram diferença entre a fratria de pessoas com deficiência e a fratria de pessoas com desenvolvimento típico.

Considerando que os membros da fratria podem se tornar as principais pessoas cuidadoras do irmão ou da irmã com deficiência, concebemos esta revisão sistemática integrativa para oferecer um panorama dos estudos empíricos existentes sobre o impacto psicológico da deficiência nessa população vulnerável. Revisões sistemáticas anteriores tiveram esse propósito; examinaram, porém, o impacto da deficiência em relação a um construto psicológico específico: o bem-estar (Schamong et al., 2021), a parentificação (Eun Lee e Burke, 2018), o ajustamento psicológico (Rochefort et al., 2023), a empatia e os comportamentos pró-sociais (Long et al., 2018; Orm et al., 2021) e a psicopatologia geral (Ma et al., 2015). Em conjunto, embora crescer com um irmão ou uma irmã com deficiência leve a níveis elevados de empatia e de comportamentos pró-sociais (Orm, 2021), os resultados dessas revisões apontam um efeito psicológico prejudicial da deficiência sobre a experiência da fratria. Os achados mostram que o cuidado é o principal papel exercido pela fratria de pessoas com deficiência (Eun Lee e Burke, 2018) e que há baixo bem-estar e baixa qualidade de vida (Schamong et al., 2021). Além disso, foram identificados sintomas externalizantes (por exemplo, autoagressão) e internalizantes (por exemplo, ansiedade) (Long, 2018; Ma, 2015). Da mesma forma, a fratria relatou relações familiares disfuncionais, marcadas por pouco apoio parental (Rochefort et al., 2023).

Além disso, essas revisões consideraram estudos sobre a fratria de pessoas com uma deficiência específica: por exemplo, transtornos do neurodesenvolvimento (Rochefort et al., 2023; Leedham et al., 2020; Orm et al., 2021; Thomas et al., 2015; Watson et al., 2021; Eun Lee e Burke, 2018) ou problemas de saúde mental (Ma et al., 2015), doenças crônicas (por exemplo, asma e lesão cerebral; Incledon et al., 2015; Knecht et al., 2015), câncer (Long et al., 2018; Yang et al., 2016) e cardiopatias congênitas (Parker et al., 2020; Schamong et al., 2021).

Com base nos propósitos das revisões anteriores e na população-alvo a que se dedicaram, a presente revisão sistemática busca sintetizar a literatura existente sobre os construtos psicológicos explorados na fratria de pessoas com deficiência. Além disso, ela abrange os últimos dez anos, para ajudar a comunidade científica e as equipes de saúde a planejar estudos e também programas de intervenção.

A partir dessa justificativa, e seguindo o formato População, Exposição, Desfecho (PEO, Population Exposure Outcome), foram formuladas duas perguntas de pesquisa (PP):

PP1: Quais são os principais construtos psicológicos investigados na fratria de pessoas com deficiência?

PP2: Qual é o papel principal de cada construto psicológico na experiência da fratria de pessoas com deficiência?

Como os estudos revisados mostraram grande heterogeneidade na forma de medir os construtos psicológicos e de relatar os resultados, uma abordagem narrativa integrativa (Whittemore e Knafl, 2005) foi adequada para sintetizar os achados.

Método da revisão

Estratégia de busca

A presente revisão sistemática se baseia na estrutura proposta por um protocolo publicado (Levante et al., 2019). Na extração dos estudos, aplicou-se o diagrama atualizado PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Review and Meta-Analysis) (Page et al., 2021). A busca eletrônica foi realizada em 7 bases de dados (Scopus, MEDLINE, PsychInfo, Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature, ERIC, PubMed e Web of Sciences) e abrangeu a década de 2014 a 2024.

A tabela 1 apresenta as palavras-chave e seus termos MeSH selecionados segundo o protocolo PEO. Em cada base de dados, todas as palavras-chave foram combinadas com os operadores booleanos “AND” e “OR”.

Tabela 1 — Estratégia de busca com operadores booleanos (OR e AND) segundo o protocolo PEO

  • P — População. Irmãos e irmãs de pessoas com deficiência e/ou doença crônica. Operadores booleanos: “sib” OR “sibling” OR “healthy sibling” OR “sibling without disability*” AND
  • E — Exposição. Presença, na família, de uma criança com deficiência e/ou doença crônica. Operadores booleanos: “disabilit*” OR “disable” OR “chronic illness” OR “people with disability*” AND
  • O — Desfechos. Impacto da deficiência e/ou da doença crônica do irmão ou da irmã sobre o funcionamento psicológico da fratria. Operadores booleanos: “psych* impact” OR “mental health” OR “psych* functioning”

Um conjunto de critérios de inclusão e exclusão definidos previamente foi organizado em tabela (tabela 2).

Tabela 2 — Critérios de inclusão e exclusão

  • Critérios de inclusão. (a) Artigos publicados entre 2014 e 2024; (b) artigos publicados em periódicos indexados e com revisão por pares; (c) artigos escritos em inglês; (d) artigos sobre o impacto psicológico de deficiências e/ou doenças crônicas no funcionamento da fratria de pessoas com deficiência; (e) estudos qualitativos, quantitativos e mistos.
  • Critérios de exclusão. (a) Artigos sobre construtos não psicológicos (isto é, médicos); (b) revisões sistemáticas, de escopo, integrativas e narrativas; (c) estudos de validação de instrumentos que avaliam construtos psicológicos na fratria de pessoas com deficiência; (d) artigos que investigam a experiência da fratria de pessoas com deficiência para examinar a eficácia de programas de intervenção; (e) artigos voltados ao impacto das deficiências e/ou doenças crônicas sobre outros membros da família; (f) artigos baseados na avaliação, feita pelos pais, da experiência da fratria de pessoas com deficiência.

Seleção dos estudos

Quanto ao conteúdo dos estudos, utilizou-se o protocolo PICOS (Population Intervention Comparison Outcome Study; Bowling e Ebrahim, 2005). Participantes: irmãos e irmãs de qualquer idade que tenham um irmão ou uma irmã com deficiência. Intervenção: estudos empíricos que avaliam construtos psicológicos relacionados à deficiência e/ou à doença crônica do irmão ou da irmã. Comparação: diferenças segundo o gênero da fratria avaliadas nos estudos revisados. Desfechos: quaisquer construtos psicológicos. Estudos: quantitativos; qualitativos; mistos. A figura 1 apresenta o diagrama PRISMA (Page et al., 2021).

Diagrama de fluxo PRISMA da seleção dos estudos
Figura 1. Diagrama de fluxo PRISMA (esquema original em inglês)

Na primeira etapa do diagrama PRISMA (identificação), buscamos em cada base de dados os artigos cujo título, resumo, descritores ou lista de palavras-chave continham nossas palavras-chave. Para cada combinação de palavras-chave, todos os registros foram lançados em uma planilha .csv, e um total de 1.002 registros foi ordenado alfabeticamente. Uma busca secundária permitiu incorporar 49 registros a partir das listas de referências dos estudos revisados.

As duplicatas (n = 620) foram removidas por meio de uma ferramenta automática da planilha .csv. Ao todo, 431 artigos foram triados para inclusão por duas pessoas da equipe de autoria (AL e CM). Antes da etapa de triagem, a concordância entre avaliações foi calculada em um conjunto de 50 artigos escolhidos aleatoriamente. Esses artigos foram triados de forma independente pelas mesmas duas pessoas (AL e CM), e as divergências foram arbitradas por uma terceira pessoa da equipe (FL). A concordância foi boa (K de Cohen = 0,93).

Ao todo, 371 artigos foram excluídos segundo os critérios definidos previamente, e o número final de artigos incluídos foi 60 (marcados com * na lista de referências) (Avieli et al., 2019; Beffel e Nuttall, 2020; Bhattashali et al., 2018; Braconnier et al., 2018; Brady et al., 2019; Brolin et al., 2024; Cebula et al., 2019; Chiu, 2022; Correia e Seabra-Santos, 2022; Corsano et al., 2017; Cuskelly, 2016; Dorsman et al., 2023; Floyd et al., 2016; Guidotti et al., 2021; Hallion et al., 2018; Hanvey et al., 2022; Hayden et al., 2023; Hemati Alamdarloo et al., 2021; Jones et al., 2019; Kale e Siğirtmaç, 2021; Kulisch et al., 2024; Koukouriki e Soulis, 2020; Lahaije et al., 2023; Lashewicz, 2018; Le Boudec et al., 2021; Eun Lee et al., 2018, 2023; Eun Lee et al., 2019a, 2019b; Eun Lee et al., 2019a, 2019b; Eun Lee et al., 2020; Levante et al., 2023a, 2023b, 2023c; Milevsky e Singer, 2022; Niedbalski, 2023; Noonan et al., 2018; Nuttall et al., 2018; O’Neill e Murray, 2016; Orm et al., 2022; Paul et al., 2022; Perenc e Pęczkowski, 2018; Redquest et al., 2020, 2021; Rossetti et al., 2018, 2020; Shivers, 2019a, 2019b; Shivers et al., 2019; Shivers e Kozimor, 2017; Shojaee et al., 2020; Siman-Tov e Adi Sharabi, 2023; Stock et al., 2016; Tomeny et al., 2016a, 2016b; Tomeny et al., 2016a, 2016b, 2017a, 2017b; Tomeny et al., 2017a, 2017b; Travers et al., 2020; Tsai et al., 2016; Tyerman et al., 2019; Yacoub et al., 2018; Yaldız et al., 2021; Zaidman-Zait et al., 2020).

Avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos

A qualidade metodológica dos artigos incluídos foi avaliada com a versão atualizada do protocolo padronizado Mixed Method Appraisal Tool (MMAT; Hong et al., 2018). O protocolo avalia os estudos em cinco grandes categorias: pesquisa qualitativa, ensaios clínicos randomizados, estudos não randomizados, estudos quantitativos descritivos e pesquisa de métodos mistos. Para cada categoria foi elaborado um conjunto de cinco perguntas, e as opções de resposta a cada pergunta se distribuem em uma escala Likert de 3 pontos (1 = “sim”, 0 = “não” e 0 = “não é possível dizer”). A equipe que criou o MMAT fornece uma planilha em que quem avalia registra as principais informações do estudo (identificação da referência, primeiro nome da autoria, ano de publicação e referência completa). Em seguida, respondem-se duas perguntas de triagem (“As perguntas de pesquisa estão claramente formuladas?” e “Os dados coletados respondem às perguntas de pesquisa?”). Se a resposta a essas perguntas de triagem for “não” ou “não é possível dizer”, o estudo é excluído. Se as respostas forem “sim”, preenchem-se as cinco perguntas pertinentes para avaliar a qualidade metodológica do estudo. A concordância entre avaliações é calculada em 20% dos artigos incluídos. Na presente revisão sistemática, ela é excelente (κ de Cohen = 0,95). A equipe que desenvolveu o MMAT não fornece um ponto de corte para categorizar os escores, mas sugere uma abordagem conservadora. Como em outra revisão (Levante et al., 2023a, 2023b, 2023c), a qualidade é considerada baixa se o estudo obtém 1 ou 2 respostas “sim”, média se obtém 3, e alta se obtém 4 ou 5.

Resultados

A tabela 3 resume as principais informações fornecidas pelos estudos revisados, agrupados segundo os construtos psicológicos examinados, bem como a avaliação da qualidade metodológica de cada estudo.

Tabela 3 — Panorama das características descritivas de todos os estudos incluídos

Para cada estudo, agrupado por construto: referência; país; delineamento (transversal ou longitudinal; quantitativo, qualitativo ou misto); pessoas participantes (tamanho da amostra, distribuição por gênero, idade média e desvio padrão, faixa etária); tipo de deficiência e/ou doença crônica; instrumentos (entre parênteses, o construto psicológico avaliado); principais achados; avaliação da qualidade. “Fratria” designa aqui os irmãos e irmãs de pessoas com deficiência, “DT” as pessoas com desenvolvimento típico, “n.e.” um dado não especificado.

Relação fraterna

  • 1. Paul et al., 2022. Sul global (El Salvador, Guatemala, Porto Rico, Bangladesh, Índia, Indonésia, Paquistão, Botsuana, Quênia, Maurício, África do Sul, Suazilândia, Tanzânia, Uganda, Zimbábue) e Norte global (Singapura). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 22 membros de fratria (13 do sexo feminino); idade média n.e.; 8 a 25 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais e do desenvolvimento). Instrumentos: três grupos focais semiestruturados. Principais achados: surgiram três grandes temas: (1) benefícios; (2) desafios; (3) apoio necessário. Por um lado, a fratria enfrentava desafios ligados ao manejo do irmão ou da irmã com deficiência, à família e ao estigma social associado à deficiência. Por outro, relatava uma relação fraterna positiva e próxima e um crescimento pessoal graças a essa relação. Outros temas dos grupos focais diziam respeito ao planejamento do futuro e aos serviços de apoio voltados à fratria. Qualidade: alta.
  • 2. Guidotti et al., 2021. Norte global (Itália). Delineamento: transversal, misto. Participantes: n = 44 (25 do sexo feminino); idade média 8,97 anos (3,96); 6 a 17 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo). Instrumentos: SRI (relação fraterna); desenhos sobre a relação fraterna. Principais achados: a relação fraterna era marcada por afeto e proximidade. A análise dos desenhos revelou conflitos no ambiente familiar. Os membros da fratria se representavam vivendo emoções negativas, e o irmão ou a irmã com deficiência vivendo emoções positivas. Qualidade: alta.
  • 3. Rossetti et al., 2020. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 8 (7 do sexo feminino); idade média n.e.; 22 a 47 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais e do desenvolvimento) e doença genética (síndrome de Down). Instrumentos: entrevistas diádicas semiestruturadas elaboradas para o estudo (relação fraterna). Principais achados: a fratria relatava uma relação tranquila. A díade com irmão ou irmã com síndrome de Down se caracterizava, porém, por maior reciprocidade do que a díade com irmão ou irmã autista. Qualidade: média.
  • 4. Travers et al., 2020. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 155 (122 do sexo feminino); idade média 23,2 anos (3,8); 18 a 30 anos; especificamente, n = 77 com irmão ou irmã autista, n = 97 com irmão ou irmã com deficiência intelectual, n = 19 com irmão ou irmã com TEA e DI. Deficiência: transtornos mentais (autismo, deficiências intelectuais). Instrumentos: perguntas elaboradas para o estudo (atividades conjuntas); perguntas extraídas do Positive Affect Index (relação fraterna); perguntas elaboradas para o estudo (expectativas). Principais achados: a fratria passava muito tempo com o irmão ou a irmã com deficiência e descrevia a relação como positiva. A gravidade da deficiência estava negativamente associada à relação fraterna. Qualidade: média.
  • 5. Avieli et al., 2019. Norte global (Israel). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 15 (distribuição por gênero n.e.); idade média n.e.; 25 a 62 anos. Deficiência: doença neurológica (paralisia cerebral). Instrumentos: entrevistas em profundidade semiestruturadas elaboradas para o estudo (papel da fratria na família, relação fraterna, interações familiares). Principais achados: a análise de conteúdo revelou cinco padrões de relação fraterna: (a) a fratria como genitor substituto; (b) a fratria distante; (c) a fratria espectadora; (d) a fratria mediadora; (e) a fratria amiga. Qualidade: alta.
  • 6. Hemati Alamdarloo et al., 2021. Sul global (Irã). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 23 (13 do sexo feminino) com irmão ou irmã com cegueira (grupo experimental), idade média 14,13 anos (2,80), 10 a 18 anos; n = 15 (9 do sexo feminino) com irmão ou irmã com surdez (grupo experimental), idade média 13,80 anos (2,79), 10 a 18 anos; n = 53 (26 do sexo feminino) fratria de pessoas DT (grupo controle), idade média 14,54 anos (2,66), 10 a 18 anos. Deficiência: deficiências sensoriais (cegueira; surdez). Instrumentos: SRQ (relação fraterna). Principais achados: a relação fraterna era mais conflituosa para a fratria de pessoas com deficiência sensorial do que para a fratria de pessoas DT. Qualidade: média.
  • 7. Shivers, 2019a. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 26 (14 do sexo feminino) (grupo experimental), idade média 14,54 anos (1,96), 12 a 18 anos; N = 48 (33 do sexo feminino) fratria de pessoas DT (grupo controle), idade média 14,27 anos (2,01), 12 a 18 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo). Instrumentos: IRI (empatia da fratria); MAACL-R (relação fraterna); três desejos (empatia). Principais achados: a fratria de pessoas autistas mostrou maior capacidade de tomada de perspectiva que a fratria de pessoas DT. Não se encontrou diferença de empatia. A fratria de pessoas autistas relatou níveis elevados de empatia e sentimentos positivos em relação ao irmão ou à irmã com deficiência. A fratria de pessoas DT formulava desejos para si mesma. Qualidade: média.
  • 8. Noonan et al., 2018. Norte global (Irlanda). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 8 (5 do sexo feminino); idade média n.e.; 18 a 37 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo). Instrumentos: entrevistas em profundidade semiestruturadas elaboradas para o estudo (relação fraterna, dinâmica familiar, futuro). Principais achados: a fratria relatou emoções contraditórias: de um lado, preocupação e dificuldades relacionais; de outro, gratidão pelo crescimento pessoal. Qualidade: alta.
  • 9. Yacoub et al., 2018. Norte global (Irlanda). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 11 (distribuição por gênero n.e.); idade média n.e.; faixa etária n.e. Deficiência: transtornos mentais (autismo). Instrumentos: entrevista extraída do Parenting Stress Index (impacto da sintomatologia autista). Principais achados: na presença de autismo, exigiam-se da fratria mais comportamentos adaptativos. A fratria relatou ainda preocupação com o futuro, estresse, ansiedade e culpa. Qualidade: alta.
  • 10. Tyerman et al., 2019. Norte global (Reino Unido). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 5 (1 do sexo feminino); idade média n.e.; 9 a 12 anos. Deficiência: doenças neurológicas (lesão cerebral adquirida). Instrumentos: entrevistas semiestruturadas elaboradas para o estudo (relação fraterna). Principais achados: a fratria relatou níveis elevados de sofrimento e ansiedade devido ao alto risco de morte do irmão ou da irmã. A gravidade da deficiência levava a fratria a viver incerteza quanto ao futuro e à relação fraterna. Qualidade: alta.
  • 11. Bhattashali et al., 2018. Sul global (Índia). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 12 (8 do sexo feminino); idade média 12,2 anos (n.e.); 9 a 16 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiências do desenvolvimento). Instrumentos: entrevista elaborada para o estudo (relação fraterna, conhecimentos e atitudes sobre a deficiência do irmão ou da irmã). Principais achados: a fratria passava muito tempo com o irmão ou a irmã com deficiência e relatava uma relação fraterna de boa qualidade. Qualidade: alta.
  • 12. Braconnier et al., 2018. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 37 (29 do sexo feminino); idade média 9,18 anos (1,90); 6 a 13 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo). Instrumentos: SRQ (relação fraterna). Principais achados: a fratria percebia a relação fraterna como menos conflituosa do que os pais a percebiam. Qualidade: alta.
  • 13. Corsano et al., 2017. Norte global (Itália). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 14 (5 do sexo feminino); idade média 6,07 anos (2,46); 12 a 20 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo). Instrumentos: entrevista semiestruturada elaborada para o estudo (relação fraterna e atitude em relação ao irmão ou à irmã com deficiência). Principais achados: a fratria mostrava sentimentos ambivalentes: de um lado, responsabilidade excessiva, preocupações com o futuro, estresse, constrangimento e dificuldades relacionais; de outro, sentimentos positivos que cresciam com o tempo. Qualidade: alta.
  • 14. Tomeny et al., 2017a, 2017b. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 82 (69 do sexo feminino); especificamente, n = 45 (37 do sexo feminino) com irmão ou irmã autista, idade média 29,42 anos (11,08), 18 a 62 anos; n = 37 (32 do sexo feminino) fratria de pessoas com deficiência intelectual, idade média 36,30 anos (13,07), 19 a 61 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo; deficiências intelectuais). Instrumentos: DASS (sofrimento); LSRS (relação fraterna); SWLS (satisfação com a vida). Principais achados: a fratria de pessoas autistas relatou menos atitudes positivas na relação fraterna do que a fratria de pessoas com deficiência intelectual. Qualidade: alta.
  • 15. Cuskelly, 2016. Norte global (Austrália). Delineamento: transversal (seguimento de um estudo longitudinal; [101; 22]), quantitativo. Participantes: n = 39 (23 do sexo feminino); idade média 28,8 anos (2,83); 22 a 35 anos. Deficiência: doença genética (síndrome de Down). Instrumentos: ASRQ (relação fraterna); Impression Management Scale (influência da desejabilidade social nas respostas da fratria). Principais achados: os problemas de comportamento do irmão ou da irmã com síndrome de Down prediziam o afeto da relação fraterna na vida adulta. A fratria percebia a relação como afetuosa e não conflituosa. Qualidade: alta.
  • 16. Floyd et al., 2016. Norte global (EUA). Delineamento: transversal e longitudinal, quantitativo. Participantes: amostra transversal, n = 106 (69 do sexo feminino), idade média 22,92 anos (5,81), 11 a 38 anos; amostra longitudinal, n = 35 (distribuição por gênero n.e.), idade média na onda 1 de 13,49 anos (3,02), 10 a 22 anos, e na onda 2 de 5,91 anos (3,03), 22 a 34 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais). Instrumentos: SRQ (relação fraterna). Principais achados: a fratria relatou tanto proximidade quanto conflito na relação fraterna. A idade da fratria influenciava ao longo do tempo: da adolescência ao início da vida adulta, a proximidade emocional aumentava e o conflito diminuía. Qualidade: média.
  • 17. Stock et al., 2016. Norte global (Reino Unido). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 5 (2 do sexo feminino); idade média 17 anos (n.e.); 11 a 31 anos. Deficiência: doença genética (fissura labial e/ou palatina). Instrumentos: entrevista aberta e semiestruturada elaborada para o estudo. Principais achados: a fratria relatou uma relação fraterna forte, um alto nível de responsabilidade em relação ao irmão ou à irmã com deficiência e níveis elevados de gentileza e de atitude sem julgamento em relação aos outros. Identificou, porém, rivalidade na relação fraterna, ligada à atenção dos pais ao irmão ou à irmã com deficiência. Qualidade: alta.

Parentificação centrada na fratria

  • 1. Brolin et al., 2024. Norte global (Itália, Países Baixos, Eslovênia, Suécia, Suíça, Reino Unido). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 467 (distribuição por gênero n.e.); idade média n.e.; 15 a 17 anos. Deficiência: condição de saúde (deficiências físicas, doença mental, comprometimentos cognitivos, dependência ou outras condições de saúde). Instrumentos: MACA-YC18 (quantidade de atividades de cuidado); Kidscreen-10 (Ravens-Sieberer et al., 2014; qualidade de vida relacionada à saúde); PANOC-YC20 (consequências do cuidado prestado). Principais achados: a fratria relatou aspectos positivos do cuidado, como maior maturidade, e também negativos, como problemas de saúde mental, impacto na escolaridade e falta de apoio. Qualidade: alta.
  • 2. Eun Lee et al., 2023. Norte global (Coreia do Sul, Japão, Taiwan). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 576 (415 do sexo feminino); idade média 26,41 anos (0,51); 18 a 48 anos; especificamente, n = 170 (108 do sexo feminino) na Coreia, n = 308 (240 do sexo feminino) no Japão e n = 98 (67 do sexo feminino) em Taiwan, idade média n.e. e 18 a 48 anos em cada grupo. Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais e do desenvolvimento). Instrumentos: ADL (nível de independência das pessoas com deficiência); escala de Horowitz (Horowitz, 1985; cuidado prestado); escala de Perkins e Haley (Perkins e Haley, 2010; dificuldades ligadas à responsabilidade do cuidado); três itens da Advocacy Scale de Taylor e equipe (Taylor et al., 2017; defesa de direitos); um item único sobre o número de pessoas que apoiam o cuidado (Penrod et al., 1995); perguntas sobre a competência futura para o cuidado (Pearlin et al., 1990); Future Planning Scale (planejamento do futuro); pergunta sobre barreiras ao planejamento do futuro (Burke et al., 2018). Principais achados: o estudo comparou a parentificação da fratria em três culturas (Coreia do Sul, Japão e Taiwan). A amostra total relatou baixo engajamento em atividades de defesa de direitos e baixo nível de cuidado percebido. A fratria coreana tinha uma percepção mais negativa do cuidado que as fratrias japonesa e taiwanesa; a fratria japonesa não participava do planejamento do futuro, ao contrário das fratrias coreana e taiwanesa; a fratria taiwanesa se engajava mais no cuidado que as fratrias coreana e japonesa. Qualidade: alta.
  • 3. Niedbalski, 2023. Norte global (Polônia). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 20 (10 do sexo feminino); idade média 25,95 anos (7,0); 16 a 37 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais). Instrumentos: perguntas abertas elaboradas para o estudo sobre a experiência de vida de ter um irmão ou uma irmã com deficiência. Principais achados: a maior parte da fratria se dizia disposta a assumir o papel de cuidado do irmão ou da irmã, embora muitas vezes vivesse essa decisão como uma obrigação e expressasse preocupação. A fratria ressaltou ainda a importância de uma comunicação aberta com os pais sobre o manejo da deficiência e o futuro. Qualidade: alta.
  • 4. Chiu, 2022. Sul global (China). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 30 (21 do sexo feminino); idade média n.e.; 20 a 66 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais e do desenvolvimento). Instrumentos: entrevista em profundidade elaborada para o estudo (papéis exercidos pela fratria). Principais achados: a análise temática revelou uma relação fraterna feita ao mesmo tempo de amor e de ódio. A fratria relatou traços ansiosos ligados à falta de comunicação com os pais sobre as tarefas de cuidado, e vivia o cuidado do irmão ou da irmã com deficiência como uma obrigação. Foram identificados diferentes papéis: cuidado mínimo, cuidado antecipado e cuidado principal ou conjunto. Qualidade: alta.
  • 5. Kale e Siğirtmaç, 2021. Norte global (Turquia). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 6 (3 do sexo feminino) com irmão ou irmã com síndrome de Down, deficiência visual congênita ou insuficiência ortopédica; idade média n.e.; faixa etária n.e. Deficiência: doença genética (síndrome de Down; deficiência visual congênita) e transtornos motores (insuficiência ortopédica). Instrumentos: entrevista elaborada para o estudo (papéis exercidos pela fratria). Principais achados: a fratria exercia o papel de cuidado independentemente do gênero. O cuidado aumentava com a idade e afetava as interações sociais com os pares. Qualidade: média.
  • 6. Beffel e Nuttall, 2020. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 108 (75 do sexo feminino); idade média 20,37 anos (1,55); 18 a 24 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo). Instrumentos: PI (parentificação); Benefit Finding (benefícios percebidos da parentificação); PS (comportamentos pró-sociais e de ajuda); BAPQ (traços autistas). Principais achados: a parentificação centrada na fratria predizia negativamente o comportamento pró-social quando os benefícios percebidos da parentificação eram baixos. Qualidade: alta.
  • 7. Eun Lee et al., 2020. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, misto. Participantes: n = 332 (286 do sexo feminino); idade média 35,94 anos (13,57); 18 a 75 anos; especificamente, n = 152 (130 do sexo feminino) sem papel de cuidado, idade média 33,06 anos (11,78); n = 94 (77 do sexo feminino) em cuidado único, idade média 32,27 anos (13,44); n = 86 (81 do sexo feminino) em cuidado múltiplo, idade média 45,38 anos (12,43). Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais e do desenvolvimento). Instrumentos: perguntas abertas elaboradas para o estudo (relação fraterna, papéis da fratria, futuro e apoio); PAI (relação fraterna). Principais achados: as pessoas em cuidado único ou múltiplo relataram mais defesa de direitos do que as sem papel de cuidado, e também mais planejamento do futuro. Qualidade: alta.
  • 8. Redquest et al., 2020. Norte global (Canadá). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 260 (distribuição por gênero n.e.); idade média n.e.; 20 a 29 anos (n = 119), 30 a 49 anos (n = 94), 50 anos ou mais (n = 47). Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais e do desenvolvimento). Instrumentos: questionário elaborado para o estudo (papel de apoio atual e futuro, desafios do apoio, recursos desejados, acesso a recursos). Principais achados: a fratria relatou ter tido um papel marginal no apoio ao irmão ou à irmã com deficiência. A maioria, porém, planejava assumir um papel de cuidado no futuro. Qualidade: alta.
  • 9. Brady et al., 2019. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 10 (7 do sexo feminino); idade média n.e.; 20 a 68 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais e do desenvolvimento). Instrumentos: ADL (nível de independência das pessoas com deficiência); entrevista (papel da fratria no cuidado e na curatela). Principais achados: o estudo permitiu teorizar o efeito de reciprocidade fraterna (Sibling Reciprocal Effect), isto é, o fato de a fratria reconhecer a pertinência de formas complementares de proteção jurídica para outras pessoas adultas com transtornos mentais. As pessoas entrevistadas, porém, preferiam a curatela plena como mecanismo de tomada de decisão. Qualidade: alta.
  • 10. Eun Lee et al., 2019a, 2019b. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 429 (378 do sexo feminino) na amostra total, idade média 37,27 anos (13,94), 18 a 75 anos; n = 218 (199 do sexo feminino) na amostra restrita, idade média 38,87 anos (14,67), 18 a 75 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais e do desenvolvimento). Instrumentos: Scales of Independent Behavior-Revised (comportamentos desadaptativos); Activities of Daily Living scale (nível de independência das pessoas com deficiência); Positive Affect Index (relação fraterna); pergunta aberta elaborada para o estudo (capacidade de cuidado dos pais); três variáveis dependentes (situação de cuidado da fratria, tempo dedicado ao cuidado, natureza do cuidado). Principais achados: o cuidado prestado pela fratria estava associado à qualidade da relação fraterna, à defesa de direitos e ao planejamento do futuro. Um cuidado de boa qualidade se correlacionava ainda com poucos comportamentos desadaptativos do irmão ou da irmã com transtorno mental. Qualidade: alta.
  • 11. Eun Lee et al., 2019a, 2019b. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 141 (126 do sexo feminino); idade média 55,87 anos (8,48); 33 a 78 anos; especificamente, n = 53 com irmão ou irmã com deficiência intelectual, n = 42 com atraso do desenvolvimento, n = 33 com deficiência motora, n = 30 com síndrome de Down, n = 26 com autismo. Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais; atraso do desenvolvimento; autismo), deficiências motoras e doenças genéticas (síndrome de Down). Instrumentos: ADL (capacidades funcionais da pessoa com deficiência); SIB-R (comportamentos desadaptativos); escala de Horowitz (Horowitz, 1985; cuidado prestado); escala de Perkins e Haley (Perkins e Haley, 2010; dificuldades ligadas à responsabilidade do cuidado); escala de Taylor e equipe (Taylor et al., 2017; defesa de direitos); perguntas elaboradas para o estudo (cuidado prestado). Principais achados: os comportamentos desadaptativos do irmão ou da irmã com deficiência estavam associados a altas demandas de ajuda. A fratria de irmãos ou irmãs mais velhos com deficiência se engajava no cuidado, na defesa de direitos e no planejamento do futuro. Qualidade: alta.
  • 12. Eun Lee et al., 2018. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 70 (53 do sexo feminino); idade média 43,13 anos (16,78); 18 a 75 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais). Instrumentos: Adult Sibling Survey (relação fraterna; planejamento do futuro; cuidado prestado); pergunta aberta elaborada para o estudo (papéis da fratria). Principais achados: embora a fratria não se identificasse com o papel de cuidado, 79% realizavam tarefas de cuidado essenciais para o irmão ou a irmã com deficiência. Qualidade: alta.
  • 13. Lashewicz, 2018. Norte global (Canadá). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 5 (4 do sexo feminino); idade média n.e.; 22 a 38 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiências do desenvolvimento). Instrumentos: entrevista em profundidade em grupo focal (papéis de apoio exercidos pela fratria). Principais achados: a análise temática identificou os seguintes papéis: (1) companhia e proteção; (2) acompanhamento; (3) cuidado; (4) proteção da família. Qualidade: alta.
  • 14. Nuttall et al., 2018. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 108 (75 do sexo feminino); idade média 20,37 anos (1,55); 18 a 25 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo). Instrumentos: PI (parentificação); Autism Benefit Finding Scale (benefícios percebidos da parentificação); Intention for Caregiving Involvement in the Future (intenção de se envolver no cuidado no futuro). Principais achados: perceber mais benefícios em ter e crescer com um irmão ou uma irmã autista se associava a uma maior inclinação a planejar o futuro. Qualidade: alta.
  • 15. Rossetti et al., 2018. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, misto. Participantes: n = 171 (140 do sexo feminino); idade média n.e.; 18 a 72 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais e do desenvolvimento). Instrumentos: perguntas abertas elaboradas para o estudo (papéis da fratria). Principais achados: foram identificados sete papéis da fratria: cuidado, amizade, defesa de direitos, representação legal, papel fraterno, organização do lazer, coordenação informal de serviços. Qualidade: alta.
  • 16. Tomeny et al., 2017a, 2017b. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 41 (33 do sexo feminino); idade média 25,83 anos (5,36); 18 a 37 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo). Instrumentos: PI (parentificação); LSRS (relação fraterna); DASS-21 (sofrimento). Principais achados: a parentificação centrada na fratria se correlacionava positivamente tanto com o estresse quanto com uma relação fraterna positiva. Qualidade: alta.
  • 17. Tomeny et al., 2016a, 2016b. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 60 (51 do sexo feminino); idade média 29,65 anos (13,17); 18 a 68 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo). Instrumentos: PI (parentificação); ISEL (disponibilidade percebida de apoio social); DASS-21 (sofrimento); LSRS (relação fraterna). Principais achados: o apoio social percebido pela fratria moderava a relação entre parentificação centrada na fratria e relação fraterna: quanto menores a parentificação e o apoio, menos positiva a relação fraterna. Qualidade: alta.

Ajustamento emocional e comportamental

  • 1. Hayden et al., 2023. Norte global (Reino Unido). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 852 (720 do sexo feminino); idade média 34,75 anos (12,76); 18 a 76 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais e do desenvolvimento). Instrumentos: K6 (sofrimento); SWEMWBS (bem-estar); perguntas sobre qualidade de vida e saúde (Information Centre for Health and Social Care, GfK NOP, 2011); perguntas elaboradas para o estudo (cuidado prestado); pergunta sobre pobreza subjetiva (Australian Institute of Family Studies, 2011); pergunta sobre gestão financeira (MCS, 2017); W-ADL (nível de independência na vida diária do irmão ou da irmã com deficiência). Principais achados: a fratria cujo irmão ou irmã tinha maior nível de independência vivia menos sofrimento, mais bem-estar e melhor qualidade de vida. O estudo mostrou ainda um efeito moderador do nível socioeconômico na relação entre a situação de cuidado da fratria e seus níveis de sofrimento e bem-estar. Qualidade: alta.
  • 2. Siman-Tov e Sharabi, 2023. Norte global (Israel). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 99 (63 do sexo feminino); especificamente, n = 59 fratria de pessoas com deficiência intelectual e n = 40 fratria de pessoas autistas; idade média 29,73 anos (8,38); 18 a 62 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiência intelectual ou autismo). Instrumentos: autoeficácia (Chen et al., 2001; autoeficácia); Sense of Coherence Scale (Antonovsky, 1993; senso de coerência); Loneliness Scale (Davidson et al., 2012; solidão emocional e social); Mental Health Inventory (Veit e Ware, 1983; bem-estar mental e sofrimento). Principais achados: quanto às diferenças de gênero, as irmãs relataram níveis de envolvimento, autoeficácia e bem-estar significativamente mais altos que os irmãos; os irmãos relataram solidão significativamente maior que as irmãs. As irmãs de pessoas com deficiência intelectual relataram ainda mais envolvimento que os irmãos. Quanto às diferenças segundo a deficiência, a fratria de pessoas autistas relatou menos sofrimento que a fratria de pessoas com deficiência intelectual. Qualidade: média.
  • 3. Hanvey et al., 2022. Norte global (Reino Unido, Irlanda, Alemanha). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 16 (14 do sexo feminino); idade média 33,25 anos (14,31); 20 a 68 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo, transtorno de aprendizagem) e doença neurológica (lesão, epilepsia). Instrumentos: entrevista semiestruturada elaborada para o estudo. Principais achados: a análise temática identificou quatro temas: (1) sentimento de invisibilidade nas interações sociais; (2) dificuldades psicológicas; (3) culpa e autoacusação; (4) apoio social. Especificamente, a fratria relatou falta de atenção por parte da família e sentimentos negativos, como ansiedade, preocupação e culpa. Qualidade: alta.
  • 4. Milevsky e Singer, 2022. Norte global (América do Norte). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 20 (17 do sexo feminino); idade média 31,35 anos (10,30); 20 a 57 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiências do desenvolvimento) e doença genética (síndrome de Down). Instrumentos: entrevista semiestruturada elaborada para o estudo. Principais achados: a análise temática destacou o estresse e a qualidade de vida, a influência nas relações amorosas e o planejamento do futuro. A fratria relatou níveis elevados de dificuldades gerais e de ansiedade, desconforto social e preocupação com o futuro, mas também alto nível de empatia, gentileza e aceitação dos outros. Qualidade: alta.
  • 5. Orm et al., 2022. Norte global (Noruega). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 47 (18 do sexo feminino) com irmão ou irmã com transtorno mental (grupo experimental), idade média 11 anos (2,3), 8 a 16 anos; n = 42 (19 do sexo feminino) com irmão ou irmã com deficiência motora (grupo experimental), idade média 11,5 anos (2,0), 8 a 16 anos; n = 44 (27 do sexo feminino) fratria de pessoas DT (grupo controle), idade média 11,4 anos (2,5), 8 a 16 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo) e deficiências motoras. Instrumentos: SDQ (ajustamento emocional e comportamental); NAS (ajustamento negativo à deficiência do irmão ou da irmã); PCCS-C (abertura e apoio emocional na comunicação entre pais e crianças). Principais achados: os dois grupos experimentais mostraram mais comportamento pró-social que o grupo controle. As dificuldades externalizantes e internalizantes da fratria estavam associadas à comunicação entre mãe e criança: quanto mais aberta essa comunicação, maior o comportamento pró-social da fratria. Qualidade: alta.
  • 6. Le Boudec et al., 2021. Norte global (Suíça). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 1.567 (717 do sexo feminino) (grupo experimental), idade média 17,8 anos (0,05) para as moças e 17,6 anos (0,5) para os rapazes, 16 a 25 anos; n = 145 (64 do sexo feminino) fratria de pessoas DT (grupo controle), idade média 17,5 anos (0,1) para as moças e 17,6 anos (0,2) para os rapazes, 16 a 25 anos. Deficiência: não informada. Instrumentos: WHO-5 (bem-estar); Perceived Stress Scale (estresse); SMASH-02 (estado de saúde percebido); questionário SCOFF (transtorno alimentar); questionário elaborado para o estudo (comportamentos externalizantes). Principais achados: em comparação com o grupo controle, as irmãs de pessoas com deficiência relataram mais problemas somáticos e mais dependência de tabaco. Os irmãos de pessoas com deficiência relataram mais comportamentos agressivos que as irmãs. Não houve diferenças significativas entre os grupos quanto ao bem-estar emocional, ao nível de estresse, ao desempenho escolar e ao uso de substâncias (exceto tabaco). Qualidade: média.
  • 7. Yaldız et al., 2021. Sul global (Turquia). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 72 (47 do sexo feminino) (grupo experimental), idade média 18,65 anos (1,44), 16 a 21 anos; n = 109 (94 do sexo feminino) fratria de pessoas DT (grupo controle), idade média 18,92 anos (1,55), 16 a 21 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiências do desenvolvimento). Instrumentos: YSQ-SF3 (comportamentos desadaptativos); GSJS (nível de justificação do sistema); questionário elaborado para o estudo (emoções negativas). Principais achados: não houve diferença significativa de emoções negativas entre os dois grupos. A fratria de pessoas com transtorno mental mostrou mais atenção aos desejos e às necessidades dos outros e um nível de justificação do sistema mais alto que o grupo controle. Qualidade: média.
  • 8. Shojaee et al., 2020. Sul global (Irã). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 49 (24 do sexo feminino) com irmão ou irmã autista (grupo experimental 1), idade média 14,16 anos (2,21), 10 a 18 anos; n = 42 (27 do sexo feminino) com irmão ou irmã com deficiência intelectual (grupo experimental 2), idade média 14,76 anos (2,58), 10 a 18 anos; n = 50 (33 do sexo feminino) fratria de pessoas DT (grupo controle), idade média 14,40 anos (2,33), 10 a 18 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo, deficiência intelectual). Instrumentos: SDQ (ajustamento emocional e comportamental). Principais achados: a fratria de pessoas com transtorno mental obteve escores de desajustamento mais altos que a fratria de pessoas DT; a fratria de pessoas autistas relatou mais problemas emocionais; a fratria de pessoas com transtorno mental mostrou mais comportamentos hiperativos e mais dificuldades nas relações com os pares. Não houve diferença significativa nos problemas de conduta entre os três grupos. Qualidade: média.
  • 9. Shivers, 2019b. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 1.021 (805 do sexo feminino); idade média 36,85 anos (13,71); faixa etária n.e. Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais e do desenvolvimento). Instrumentos: PAI (relação fraterna); ADL (capacidades funcionais do irmão ou da irmã com deficiência); CES-D (cinco perguntas, sintomas depressivos); perguntas elaboradas para o estudo (estado de saúde percebido); perguntas elaboradas para o estudo (sentimento de culpa percebido). Principais achados: mais de 50% da fratria descreveu a experiência de ter um irmão ou uma irmã com deficiência como marcada pela culpa. A culpa se relacionava a uma relação fraterna frágil, a sintomas depressivos e a menor bem-estar, e estava associada à gravidade dos problemas emocionais e comportamentais do irmão ou da irmã. Qualidade: média.
  • 10. Perenc e Pęczkowski, 2018. Norte global (Polônia). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 128 (72 do sexo feminino) (grupo experimental), idade média 15,77 anos (1,61), 13 a 19 anos; n = 164 (90 do sexo feminino) fratria de pessoas DT (grupo controle), idade média 15,82 anos (1,58), 13 a 19 anos. Deficiência: deficiências motoras. Instrumentos: IRI (empatia). Principais achados: a fratria de pessoas com deficiência motora mostrou níveis de empatia cognitiva e emocional mais altos que a fratria de pessoas DT. As irmãs atingiram níveis de empatia mais altos que os irmãos. Qualidade: alta.
  • 11. Shivers e Kozimor, 2017. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 9 (5 do sexo feminino) com irmão ou irmã com transtorno mental e comorbidade (grupo experimental), idade média 15,22 anos (1,79), 12 a 18 anos; n = 40 (20 do sexo feminino) com irmão ou irmã com transtorno mental (grupo controle), idade média 14,25 anos (1,94), 12 a 18 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais e do desenvolvimento, com ou sem comorbidade). Instrumentos: MAACL-R (emoções em relação ao irmão ou à irmã com deficiência). Principais achados: a fratria de pessoas com transtorno mental e comorbidade relatou mais hostilidade, ansiedade e disforia que a fratria de pessoas apenas com transtorno mental. Não houve diferença de afetos positivos entre os grupos. Qualidade: média.
  • 12. O’Neill e Murray, 2016. Norte global (Reino Unido). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 132 (98 do sexo feminino) (grupo experimental), 19 a 71 anos; especificamente, n = 59 fratria de pessoas com síndrome de Down, idade média 33,22 anos (9,01); n = 31 fratria de pessoas autistas, idade média 32,19 anos (11,52); n = 26 fratria de pessoas com síndrome de Prader-Willi, idade média 30,65 anos (9,70); n = 16 fratria de pessoas com deficiência de etiologia desconhecida, idade média 42,50 anos (14,59); n = 132 (98 do sexo feminino) fratria de pessoas DT (grupo controle), idade média 37,03 anos (12,34), 19 a 71 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo), doença genética (síndrome de Down; síndrome de Prader-Willi) e deficiência de etiologia desconhecida. Instrumentos: HADS (ansiedade). Principais achados: a fratria de pessoas autistas ou com síndrome de Prader-Willi relatou mais ansiedade que a fratria de pessoas DT; a fratria de pessoas autistas ou com deficiência de etiologia desconhecida relatou mais depressão que o grupo controle; não houve diferença de ansiedade nem de depressão entre a fratria de pessoas com síndrome de Down e o grupo controle. As irmãs de pessoas com síndrome de Down relataram mais ansiedade que os irmãos. A idade da fratria se correlacionava negativamente com os sintomas depressivos. Qualidade: média.
  • 13. Tomeny et al., 2016a, 2016b. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 56 (todas do sexo feminino); idade média 13,21 anos (1,93); 11 a 17 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo). Instrumentos: SDQ (ajustamento emocional e comportamental). Principais achados: a gravidade da sintomatologia autista se correlacionava com o desajustamento da fratria. Qualidade: alta.
  • 14. Tsai et al., 2016. Norte global (Taiwan, Reino Unido). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: amostra taiwanesa, n = 80 (47 do sexo feminino), idade média 12,7 anos (2,8), 7 a 18 anos; amostra britânica, n = 75 (47 do sexo feminino), idade média 12,7 anos (2,4), 8 a 17 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo). Instrumentos: CASE (impacto de eventos de vida estressantes); SWLS (satisfação com a vida); CASSS (apoio social); Kidcope (estratégias de enfrentamento); SDQ (ajustamento emocional e comportamental). Principais achados: o ajustamento emocional e comportamental da fratria taiwanesa era melhor que o da fratria britânica. Um impacto favorável das experiências de vida, boas estratégias de enfrentamento e alto apoio social estavam associados ao ajustamento emocional e comportamental da fratria. Qualidade: média.

Bem-estar

  • 1. Lahaije et al., 2023. Norte global (Países Baixos). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 18 (12 do sexo feminino); idade média 16,3 anos (2,8) para as moças e 15,2 anos (2,8) para os rapazes; 12 a 20 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais). Instrumentos: Beach Center FQOL Scale (bem-estar; Hoffman et al., 2006). Principais achados: o estudo comparou os níveis de bem-estar relatados pelos pais e pela fratria. A fratria obteve escores significativamente mais altos que os pais em bem-estar emocional, bem-estar material e apoio relacionado à deficiência. Qualidade: alta.
  • 2. Correia e Seabra-Santos, 2022. Norte global (Portugal). Delineamento: transversal, qualitativo. Participantes: n = 6 (5 do sexo feminino); idade média 34,67 anos (19,38); 17 a 56 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo) e doença genética (por exemplo, síndrome de Down, X frágil). Instrumentos: entrevistas em profundidade. Principais achados: a fratria relatou que ter um irmão ou uma irmã com deficiência favoreceu seu crescimento pessoal, em termos de maturidade, tolerância, compreensão e paciência. Mencionou também as limitações impostas pela deficiência, ao mesmo tempo que expressava senso de responsabilidade e de proteção em relação aos membros da família. Qualidade: alta.
  • 3. Koukouriki e Soulis, 2020. Norte global (Grécia). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 118 (59 do sexo feminino) (grupo experimental), idade média n.e., 9 a 13 anos; n = 115 (59 do sexo feminino) fratria de pessoas DT (grupo controle), idade média n.e., 9 a 13 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo). Instrumentos: Kidscreen-27 (Ravens-Siebrer et al., 2007; qualidade de vida); STAIC, A-Trait (ansiedade); GHQ-28 (saúde geral); MSPSS (apoio social). Principais achados: a fratria de pessoas com transtorno mental mostrou menor bem-estar e mais ansiedade que a fratria de pessoas DT. O bem-estar da fratria estava associado ao apoio familiar, e sua ansiedade, à ansiedade parental. Qualidade: alta.
  • 4. Hallion et al., 2018. Norte global (Austrália). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 65 (44 do sexo feminino) (grupo experimental), idade média 22,66 anos (7,97), 17 a 61 anos; n = 79 (40 do sexo feminino) fratria de pessoas DT (grupo controle), idade média 19 anos (1,66), 17 a 26 anos. Deficiência: doença crônica e deficiência não especificadas. Instrumentos: PWB (bem-estar psicológico); DASS-21 (sofrimento). Principais achados: não houve diferenças significativas de bem-estar nem de sofrimento entre a fratria de pessoas com deficiência e a de pessoas DT. Qualidade: alta.

Estudos híbridos

  • 1. Kulisch et al., 2024. Norte global (Alemanha). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 81 (54 do sexo feminino); idade média 10,8 anos (2,2); 6 a 16 anos. Deficiência: não especificada. Instrumentos: SVF-KJ (estratégias de enfrentamento); KIDSCREEN-10 (Ravens-Sieberer et al., 2010; qualidade de vida). Principais achados: a análise de clusters identificou dois padrões de comportamento: enfrentamento alto (37%) e enfrentamento baixo (63%), sem diferença significativa de qualidade de vida entre eles. Estratégias de enfrentamento como minimização, controle da situação, autoinstruções positivas e necessidade de apoio social se associavam positivamente à qualidade de vida. Qualidade: alta.
  • 2. Levante et al., 2023a, 2023b, 2023c. Norte global (Itália). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 605 (570 do sexo feminino); idade média 22,49 anos (2,91); 19 a 26 anos. Deficiência: não especificada; doenças genéticas, deficiências motoras, transtornos mentais (com ou sem comorbidade) e deficiência sensorial. Instrumentos: PI (parentificação); DASS-21 (sofrimento); MSPSS (apoio social percebido); perguntas elaboradas para o estudo (relação fraterna); perguntas elaboradas para o estudo (relação entre a fratria e os pais). Principais achados: sofrimento elevado da fratria e uma relação de má qualidade com os pais afetavam negativamente a relação entre parentificação e relação fraterna. Os benefícios percebidos da parentificação e o apoio social percebido reduziam o sofrimento da fratria. Qualidade: alta.
  • 3. Zaidman-Zait et al., 2020. Norte global (Israel). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 28 (14 do sexo feminino) (grupo experimental), idade média 10,40 anos (1,3), 8 a 13 anos; n = 31 (15 do sexo feminino) fratria de pessoas DT (grupo controle), idade média 9,90 anos (1,3), 8 a 13 anos. Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais). Instrumentos: SDQ (ajustamento emocional e comportamental); SRQ (relação fraterna); desenhos (relação fraterna). Principais achados: a fratria de pessoas com transtorno mental mostrou mais empatia, menos conflito e menos rivalidade que a fratria de pessoas DT. A relação fraterna estava associada ao ajustamento das crianças. Os desenhos mostraram mais apoio e investimento na relação fraterna na fratria de pessoas com deficiência. Qualidade: alta.
  • 4. Cebula et al., 2019. Norte global (Reino Unido; EUA; Austrália; Canadá). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 31 (24 do sexo feminino); idade média 11,69 anos (3,16); 5 a 17 anos. Deficiência: doença genética (síndrome de Williams). Instrumentos: SDQ (ajustamento emocional e comportamental); SCAS (ansiedade); SRQ (relação fraterna); SCSS-SV (percepção de apoio social). Principais achados: o ajustamento emocional e comportamental da fratria era semelhante ao da população geral. O conflito na relação fraterna estava associado às dificuldades comportamentais da fratria; o afeto na relação se associava negativamente à idade do irmão ou da irmã com deficiência e positivamente ao seu comportamento pró-social. Qualidade: alta.
  • 5. Jones et al., 2019. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 52 (16 do sexo feminino); idade média 8,34 anos (n.e.); 3,5 a 18 anos. Deficiência: transtornos mentais (autismo). Instrumentos: Children’s Depression Inventory, 2ª edição (sintomas depressivos); Autism Knowledge Questionnaire (conhecimento sobre TEA); perguntas elaboradas para o estudo (apoio percebido); Children’s Coping Strategies Checklist (estratégias de enfrentamento); Sibling Relationship Questionnaire para a fratria (relação fraterna). Principais achados: os problemas de comportamento do irmão ou da irmã com transtorno mental estavam associados ao desajustamento da fratria e a uma relação fraterna de má qualidade. Uma percepção mais positiva da relação fraterna se associava a mais estratégias de enfrentamento e mais apoio. Qualidade: alta.
  • 6. Shivers et al., 2019. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, quantitativo. Participantes: n = 215 (115 do sexo feminino); idade média 14,94 anos (1,75); faixa etária n.e.; especificamente, n = 116 (64 do sexo feminino) com irmão ou irmã autista, idade média 15 anos (1,76), e n = 99 (51 do sexo feminino) com irmão ou irmã com síndrome de Down, idade média 14,87 anos (1,74). Deficiência: transtornos mentais (autismo) e doenças genéticas (síndrome de Down). Instrumentos: PSS-10 (estresse percebido); perguntas elaboradas para o estudo (estresse); SRI (relação fraterna); DBC-P24 (problemas de comportamento do irmão ou da irmã com deficiência); MSPSS (apoio social percebido). Principais achados: não houve diferenças significativas de apoio percebido entre os grupos. A fratria de pessoas autistas relatou mais estresse que a fratria de pessoas com síndrome de Down. Qualidade: alta.

Impacto psicológico da deficiência de um irmão ou de uma irmã sobre o funcionamento da fratria durante a pandemia de covid-19

  • 1. Redquest et al., 2021. Norte global (EUA). Delineamento: transversal, misto. Participantes: n = 91 (86 do sexo feminino); idade média n.e.; 20 a 29 anos (n = 26), 30 a 39 anos (n = 30), 40 a 49 anos (n = 13), 50 a 59 anos (n = 15), 60 a 69 anos (n = 7). Deficiência: transtornos mentais (deficiências intelectuais e do desenvolvimento). Instrumentos: questionário elaborado para o estudo (experiências da fratria durante a covid-19); pergunta aberta elaborada para o estudo (recursos úteis durante a covid-19). Principais achados: a fratria relatou ter apoiado o irmão ou a irmã com deficiência durante a pandemia. Expressou também preocupações ligadas à ruptura das rotinas dele ou dela e, por vezes, à sua dificuldade em aceitar o distanciamento social. Por fim, o estudo mostrou os benefícios do engajamento da fratria em atividades de autocuidado. Qualidade: média.
  • 2. Dorsman et al., 2023. Norte global (Países Baixos). Delineamento: transversal, misto. Participantes: n = 58 (46 do sexo feminino); idade média 50,1 anos (12,0); faixa etária n.e. Deficiência: transtornos mentais (deficiência intelectual profunda). Instrumentos: questionário e perguntas abertas elaborados para o estudo sobre os papéis da fratria. Principais achados: a fratria relatou assumir múltiplos papéis, sendo os mais comuns o papel fraterno e o papel legal. Embora a maior parte das pessoas participantes estivesse satisfeita com seu papel, relatou também que as responsabilidades as faziam se sentir menos irmão ou irmã. Os resultados indicaram ainda que a redução dos contatos devida à covid-19 prejudicou a relação fraterna. Qualidade: alta.

Nomes dos instrumentos: Activities of daily living (ADLs; Lawton et al., 1982); Activities of Daily Living scale (ADL; Seltzer e Li, 1996); Adult Sibling Relationship Questionnaire (ASRQ; Stocker et al., 1997); Advocacy Scale (Taylor et al., 2017); Autism Benefit Finding Scale (Ekas et al., 2015); Autism Knowledge Questionnaire (Kryzak et al., 2015); Autism Parenting Stress Index (Silva e Schalock, 2012); Beach Center FQOL Scale (Hoffman et al., 2006); Benefit Finding (Carver e Antoni, 2004); Broad Autism Phenotype Questionnaire (BAPQ; Hurley et al., 2007); Center for Epidemiological Studies Depression scale (CES-D; Radloff, 1977); Child and Adolescent Social Support Scale (CASSS; Malecki et al., 2000); Child and Adolescent Survey of Experiences (CASE; Allen e Rapee, 2012); Children’s Coping Strategies Checklist (Ayers et al., 1996); Children’s Depression Inventory, 2ª edição (Kovacs, 2011); Depression, Anxiety, and Stress Scale (DASS-21; Lovibond e Lovibond, 1995); Future Planning Scale (Heller e Caldwell, 2006); General Health Questionnaire (GHQ-28; Garyfallos et al., 1991); General System Justification Scale (GSJS; Kay et al., 2003); questionário alemão de enfrentamento para crianças e adolescentes (SVF-KJ; Hampel e Petermann, 2016); Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS; Zigmond e Snaith, 1983); Impression Management Scale (Paulhus, 1991); Intention for Caregiving Involvement in the Future (Skotko et al., 2011); Interpersonal Reactivity Index (IRI; Davis, 1980); Kessler 6 (K6; Kessler et al., 2003); Kidcope (Spirito et al., 1991); Lifespan Sibling Relationship Scale (LSRS; Riggio, 2000); Multidimensional Assessment of Caring Activities (MACA-YC18; Joseph et al., 2009); Multidimensional Scale of Perceived Social Support (MSPSS; Zimet et al., 1988); Multiple Affect Adjective Checklist-Revised (MAACL-R; Zuckerman et al., 1985); Negative Adjustment Scale (NAS; Lobato e Kao, 2002); Parent–Child Communication Scale, versão infantil (PCCS-C; Conduct Problems Prevention Research Group, 1994); Parentification Inventory (PI; Hooper et al., 2011a, 2011b); Perceived Stress Scale (PSS; Cohen e Williamson, 1988); Positive Affect Index of relationship quality (PAI; Bengston e Black, 1973); Positive and Negative Outcomes of Caring (PANOC-YC20; Joseph et al., 2009); Prosocialness Scale (PS; Caprara et al., 2005); Psychological Well-Being scale (PWB; Ryff, 1989); Questionnaire on resources and stress, forma curta (QRS-F; Friedrich et al., 1983); Satisfaction With Life Scale (SWLS; Diener et al., 1985); Scale of Independent Behavior-Revised (SIB-R; Bruininks et al., 1996); Developmental Behavior Checklist, forma curta (DBC-P24; Taffe et al., 2007); Sibling Inventory of Behavior (SIB; Hetherington, 1999; Schaeffer e Edgerton, 1981); Sibling Relationship Inventory (SRI; Lecce et al., 2005); Sibling Relationship Questionnaire (SRQ; Buhrmester e Furman, 1990); Spence Children’s Anxiety Scale (SCAS; Spence, 1998); State-Trait Anxiety Inventory for Children (STAIC, A-Trait; Spielberger et al., 1973); Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ; Goodman, 2003); Survey of Children’s Social Support, versão curta (SCSS-SV; Dubow et al., 1997); pesquisa suíça multicêntrica sobre a saúde de adolescentes 2002 (SMASH 2002; Narring et al., 2004); Waisman Activities of Daily Living Scale (W-ADL; Maenner et al., 2013); Warwick Edinburgh Well-Being Scale (SWEMWBS; Stewart-Brown et al., 2009); índice de bem-estar da OMS (WHO-5; Topp et al., 2015); Young Schema Questionnaire, forma curta (YSQ-SF3; Young et al., 2003). Outras siglas: “fratria”: irmãos e irmãs de pessoas com deficiência; DT: pessoas com desenvolvimento típico. Avaliação da qualidade metodológica: baixa, o estudo obtém 1 ou 2 respostas “sim”; média, 3 respostas “sim”; alta, 4 ou 5 respostas “sim”.

Primeiro, registraram-se a área geográfica global (Norte global ou Sul global) e o país em que cada estudo foi realizado. Outros detalhes metodológicos sobre o delineamento foram extraídos: delineamento transversal ou longitudinal, dados quantitativos, qualitativos ou mistos. As características das pessoas participantes de cada estudo também foram organizadas em tabela: tamanho total da amostra, distribuição por gênero, tipo de deficiência e/ou doença crônica do irmão ou da irmã, idade média, desvio padrão e faixa etária da fratria. Foram indicados os tipos de deficiência e/ou doença crônica analisados e os instrumentos aplicados. Por fim, os principais achados de cada estudo foram resumidos e a avaliação de sua qualidade metodológica foi relatada.

Características metodológicas dos estudos revisados

Sessenta estudos foram incluídos nesta revisão sistemática. A maioria (n = 54) foi realizada em países do Norte global, cinco envolveram participantes de países do Sul global, e apenas um coletou dados tanto em países do Norte quanto do Sul. Com exceção de um (Floyd et al., 2016), todos os estudos (n = 59) coletaram dados de forma transversal. Trinta e sete eram quantitativos, 18 qualitativos e 4 mistos.

Quanto às amostras, participaram ao todo 10.146 pessoas. O tamanho das amostras variou de 9 a 1.567 pessoas nos estudos quantitativos, de 5 a 30 nos qualitativos e de 44 a 332 nos mistos. Onze estudos (Hallion et al., 2018; Hemati Alamdarloo et al., 2021; Koukouriki e Soulis, 2020; Le Boudec et al., 2021; O’Neill e Murray, 2016; Orm et al., 2021; Perenc e Pęczkowski, 2018; Shivers, 2019a; Shojaee et al., 2020; Yaldız et al., 2021; Zaidman-Zait et al., 2020) compararam o grupo experimental, formado pela fratria de pessoas com deficiência, a um grupo controle formado pela fratria de pessoas com desenvolvimento típico (doravante DT). Quarenta e nove estudos tinham apenas grupo experimental. Quanto ao gênero da fratria recrutada, na maioria dos estudos (n = 40) havia mais irmãs que irmãos. Em oito estudos, a amostra era equilibrada quanto ao gênero, e quatro estudos não davam nenhuma informação sobre o gênero das pessoas participantes.

A idade da fratria nos estudos revisados variou de 3 a 78 anos. Infelizmente, essa ampla variação não permite fazer uma subanálise (por exemplo, abaixo e acima de 18 anos) de cada construto psicológico. A questão, no entanto, é discutida na seção dedicada a cada construto. Com exceção dos estudos (n = 30) que recrutaram fratria adulta (18 anos ou mais) e de quatro estudos que não informaram a idade das pessoas participantes, não foi possível agrupá-las por etapa do desenvolvimento.

Para os fins específicos desta revisão sistemática, os tipos de deficiência mencionados nos estudos revisados foram agrupados em categorias de ordem superior (cujos rótulos seguem Peterson e Keeley, 2015). Foram identificadas cinco categorias: (1) transtornos mentais (por exemplo, transtorno do espectro autista, deficiências intelectuais), (2) deficiências motoras (por exemplo, deficiências de mobilidade), (3) deficiências sensoriais (por exemplo, deficiência visual, surdez), (4) doenças genéticas (por exemplo, síndrome de Down, síndrome CHARGE, síndrome de deleção 22q11.2, síndrome de Williams-Beuren) e (5) doenças neurológicas (por exemplo, lesão cerebral, epilepsia). Como se vê na tabela 3, o tipo específico de deficiência investigado em cada estudo empírico foi indicado entre parênteses. Em resumo, os transtornos mentais foram a condição mais investigada na literatura empírica (n = 39).

Os questionários padronizados foram a estratégia de coleta de dados mais usada nos estudos quantitativos, enquanto os estudos qualitativos recorreram sobretudo a entrevistas semiestruturadas, acompanhadas de perguntas abertas elaboradas para objetivos específicos. As principais estratégias usadas para identificar cada construto psicológico são detalhadas nas subseções a seguir.

Avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos

A maioria dos artigos obteve uma avaliação alta de sua qualidade metodológica (n = 45), enquanto quinze dos 60 estudos obtiveram avaliação média. Os parágrafos seguintes resumem os principais resultados para as três categorias de estudos revisados (qualitativos, quantitativos e mistos).

Estudos quantitativos. O item 1 do MMAT avalia se a estratégia de amostragem é adequada à pergunta ou às perguntas de pesquisa: todos os estudos quantitativos revisados (n = 37) cumpriram esse critério. O item 2 avalia se a amostra é representativa da população-alvo: 9 dos 37 estudos cumpriram o critério. O item 3 examina a adequação dos instrumentos aplicados às perguntas de pesquisa: 33 dos 37 estudos usaram instrumentos validados e adequados. O item 4 avalia o risco de viés de não resposta: 23 dos 37 estudos cumpriram esse critério, seja mantendo uma baixa taxa de não resposta, seja usando ajustes estatísticos como a imputação. Por fim, o item 5 avalia a adequação do plano de análise estatística: todos os estudos descreveram em detalhe as análises estatísticas realizadas de acordo com o delineamento e as perguntas de pesquisa. No conjunto, a qualidade dos estudos quantitativos é média para 12 estudos e alta para 25.

Estudos qualitativos. O item 1 avalia a adequação de uma abordagem qualitativa para responder às perguntas de pesquisa: todos os estudos (n = 18) cumpriram esse critério. O item 2 avalia a adequação do método de coleta de dados: 14 dos 18 estudos cumpriram o critério. O item 3 avalia se os métodos de coleta estão alinhados ao referencial teórico: todos os estudos revisados empregaram métodos coerentes com sua justificativa teórica. O item 4 examina se a interpretação dos achados está suficientemente sustentada pelos dados: a maioria dos artigos (n = 16) cumpriu o critério. Por fim, o item 5 avalia a coerência entre coleta, análise e interpretação dos dados: todos os estudos cumpriram o critério. Em suma, a qualidade global dos estudos qualitativos foi média para dois estudos e alta para 16.

Estudos de métodos mistos. Os itens 1 e 2 verificam se os estudos mistos justificam solidamente o uso desse tipo de delineamento e integram de forma adequada os componentes quantitativo e qualitativo. O item 3 avalia se foi feita uma interpretação de conjunto baseada na integração dos dois tipos de dados: todos os estudos mistos (n = 4) cumpriram esse critério. O item 4 avalia se os componentes quantitativo e qualitativo divergem ou não: todos os estudos mistos cumpriram esse critério. Por fim, o item 5 avalia a qualidade própria de cada componente: 3 dos quatro estudos cumpriram esse critério. Em resumo, 3 dos 4 artigos obtiveram avaliação alta de qualidade metodológica.

Os construtos psicológicos da experiência da fratria

Esta seção resume os achados referentes à PP1: Quais são os principais construtos psicológicos investigados na fratria de pessoas com deficiência?

Os achados revelaram três grandes construtos psicológicos: a relação fraterna (n = 17), a parentificação centrada na fratria (isto é, o papel de cuidado que o membro da fratria assume em relação ao irmão ou à irmã; n = 17) e o ajustamento emocional e comportamental (isto é, as respostas adaptativas emocionais e comportamentais de uma pessoa diante de uma situação estressante; n = 14). Alguns estudos sobre a fratria de pessoas com deficiência (n = 4) analisaram o bem-estar. Vários estudos (n = 6) examinaram mais de um desses construtos e foram, por isso, incluídos em um grupo híbrido. Dois artigos realizados durante a pandemia de covid-19 também fizeram parte dos estudos revisados. Como as condições ambientais estressantes ligadas à pandemia podem ter afetado a forma como a fratria viveu cada construto psicológico, esses artigos foram revisados e tabulados à parte.

Impacto de cada construto psicológico investigado

Esta seção resume os achados referentes à PP2: Qual é o papel principal de cada construto psicológico na experiência da fratria de pessoas com deficiência?

O impacto de cada construto psicológico identificado em resposta à PP1 é resumido segundo uma estratégia em quatro etapas. Primeiro, apresenta-se uma breve descrição do construto psicológico, junto com o delineamento (quantitativo, qualitativo ou misto) usado para analisá-lo em cada estudo. Em seguida, examinam-se as categorias de ordem superior de deficiência identificadas nos estudos revisados. Depois, resumem-se os principais achados sobre cada construto. Por fim, relatam-se os achados relevantes segundo as características sociodemográficas mais examinadas nos estudos. Mais precisamente, sintetizamos os achados sobre (a) as comparações por gênero; (b) a relação entre o construto psicológico e a idade da fratria; e (c) a relação entre o construto psicológico e a gravidade da deficiência e/ou da doença crônica do irmão ou da irmã. A figura 2 apresenta essa estratégia.

Esquema das perguntas de pesquisa e dos principais resultados obtidos
Figura 2. Perguntas de pesquisa e principais resultados obtidos (esquema original em inglês)

Relação fraterna

As relações fraternas talvez sejam as mais evidentes (Noller, 2005) e as mais duradouras (Milevsky, 2011). Costumam ser marcadas por sentimentos contraditórios, como amor e conflito, afeto e rivalidade (Buist e Vermande, 2014). Sua qualidade pode ser influenciada pelo comportamento e/ou pelo funcionamento de outros membros da família (Cox e Paley, 1997), como um irmão ou uma irmã com deficiência e/ou doença crônica.

A busca eletrônica identificou 17 estudos sobre a qualidade das relações fraternas entre pessoas com deficiência e sua fratria (Avieli et al., 2019; Bhattashali et al., 2018; Braconnier et al., 2018; Corsano et al., 2017; Cuskelly, 2016; Floyd et al., 2016; Guidotti et al., 2021; Hemati Alamdarloo et al., 2021; Noonan et al., 2018; Paul et al., 2022; Rossetti et al., 2020; Shivers, 2019a; Stock et al., 2016; Tomeny et al., 2017a, 2017b; Travers et al., 2020; Tyerman et al., 2019; Yacoub et al., 2018).

Os dados foram coletados de forma transversal em todos os estudos, exceto um (Floyd et al., 2016), em que foram coletados de forma transversal e longitudinal. Sete dos 17 estudos revisados eram quantitativos (Braconnier et al., 2018; Cuskelly, 2016; Floyd et al., 2016; Hemati Alamdarloo et al., 2021; Shivers, 2019a; Tomeny et al., 2017a, 2017b; Travers et al., 2020), 9 qualitativos (Avieli et al., 2019; Bhattashali et al., 2018; Corsano et al., 2017; Noonan et al., 2018; Paul et al., 2022; Rossetti et al., 2020; Stock et al., 2016; Tyerman et al., 2019; Yacoub et al., 2018) e um misto (Guidotti et al., 2021).

A maioria dos estudos revisados (n = 11) tratou da fratria de pessoas com transtornos mentais (Bhattashali et al., 2018; Braconnier et al., 2018; Corsano et al., 2017; Floyd et al., 2016; Guidotti et al., 2021; Noonan et al., 2018; Paul et al., 2022; Shivers, 2019a; Tomeny et al., 2017a, 2017b; Travers et al., 2020; Yacoub et al., 2018). Dois estudos recrutaram a fratria de pessoas com doenças neurológicas (Avieli et al., 2019; Tyerman et al., 2019), e outros dois, a fratria de pessoas com doenças genéticas (Cuskelly, 2016; Stock et al., 2016). Um estudo investigou duas categorias de deficiência, transtornos mentais e doenças genéticas (Rossetti et al., 2020). O último explorou a relação fraterna entre pessoas DT e seus irmãos ou irmãs com deficiência sensorial (Hemati Alamdarloo et al., 2021).

Os estudos quantitativos revisados apresentaram achados divergentes (Braconnier et al., 2018; Cuskelly, 2016; Floyd et al., 2016; Hemati Alamdarloo et al., 2021; Shivers, 2019a; Tomeny et al., 2017a, 2017b; Travers et al., 2020). De um lado, vários mostraram boas relações fraternas (Braconnier et al., 2018; Cuskelly, 2016; Floyd et al., 2016; Tomeny et al., 2017a, 2017b; Travers et al., 2020). Em particular, a equipe de Travers (2020) constatou que a fratria passava mais tempo com o irmão ou a irmã com deficiência e participava com ele ou ela de atividades de lazer. Um estudo de Braconnier et al. (2018) revelou que a fratria considerava a relação com o irmão ou a irmã com deficiência mais satisfatória do que a relação com os pais. A equipe de Tomeny (2017) destacou que o papel de apoio dos pais influenciava positivamente as relações fraternas. A pesquisa de Cuskelly (2016) mostrou que o afeto da fratria beneficiava a relação fraterna. De outro lado, os achados da equipe de Hemati Alamdarloo (2021) revelaram relações fraternas conflituosas e pobres. Por fim, mostrou-se que tanto as relações entre pessoas com deficiência e sua fratria quanto as relações entre pessoas DT e sua fratria tinham os mesmos aspectos positivos e negativos (Shivers, 2019a). Os estudos quantitativos revisados não examinaram as diferenças de gênero nem a associação entre a gravidade da deficiência do irmão ou da irmã e a relação fraterna como construto psicológico. Quanto à associação entre a idade da fratria e a relação fraterna, os achados (Floyd et al., 2016) mostraram que quanto mais velho o membro da fratria, melhor a relação fraterna.

Os achados dos estudos qualitativos (Avieli et al., 2019; Bhattashali et al., 2018; Corsano et al., 2017; Noonan et al., 2018; Paul et al., 2022; Rossetti et al., 2020; Stock et al., 2016; Tyerman et al., 2019; Yacoub et al., 2018) revelaram alguns aspectos cruciais das relações fraternas. Um estudo da equipe de Rossetti (2020) mostrou que a qualidade das relações fraternas era influenciada pelo tipo de deficiência do irmão ou da irmã. Mais especificamente, as relações com um irmão ou uma irmã com síndrome de Down se caracterizavam por mais reciprocidade e participação em atividades do que as relações com um irmão ou uma irmã autista. A pesquisa de Avieli et al. (2019) identificou cinco padrões de relação fraterna: (a) relações em que o membro da fratria era um genitor substituto; (b) relações marcadas por sentimentos negativos, conflito e rivalidade; (c) relações moldadas por estados mentais não epistêmicos ambivalentes (isto é, emoções) em relação ao irmão ou à irmã com deficiência; (d) relações em que o membro da fratria fazia mediação na família; e (e) relações marcadas por proximidade e partilha. Também foram identificados vários fatores negativos que podem afetar a qualidade das relações fraternas (Noonan et al., 2018; Paul et al., 2022; Tyerman et al., 2019; Yacoub et al., 2018): preocupação e incerteza quanto ao futuro (Corsano et al., 2017; Noonan et al., 2018; Paul et al., 2022), sentimento de isolamento na relação com os pais (Stock et al., 2016; Tyerman et al., 2019), dificuldade de fazer amizades e de compartilhar a própria situação com outras pessoas (Corsano et al., 2017) e a experiência do estigma social associado à deficiência (Paul et al., 2022). Além disso, a fratria relatou que o caráter invasivo da deficiência do irmão ou da irmã (por exemplo, o autismo) prejudicava a qualidade da relação fraterna, o que vinha acompanhado de ansiedade, preocupação e culpa (Stock et al., 2016; Yacoub et al., 2018).

Além de um senso de responsabilidade aumentado, porém, a fratria também relatou sentimentos de amor, apoio e respeito (Bhattashali et al., 2018; Noonan et al., 2018; Paul et al., 2022; Stock et al., 2016; Tyerman et al., 2019; Yacoub et al., 2018), junto com um forte senso de crescimento pessoal por lidar com a deficiência do irmão ou da irmã (Paul et al., 2022). Quanto à comparação por gênero, um estudo da equipe de Tyerman (2019) não encontrou diferenças significativas de gênero nas relações fraternas. Os achados de Stock et al. (2016) mostraram que relações mais fortes se estabeleciam entre membros da fratria do mesmo gênero. Os demais estudos qualitativos revisados (Avieli et al., 2019; Bhattashali et al., 2018; Corsano et al., 2017; Noonan et al., 2018; Paul et al., 2022; Rossetti et al., 2020; Yacoub et al., 2018) não analisaram diferenças de gênero. Quanto à associação entre a idade da fratria e a relação fraterna, Stock et al. (2016) constataram que a diferença de idade entre um membro da fratria e o irmão ou a irmã com deficiência era diretamente proporcional à rivalidade entre eles. Mais precisamente, quanto à etapa do desenvolvimento, foram recrutadas pessoas na infância e na adolescência (n = 6) e na juventude e na vida adulta (n = 6). Os demais estudos consideraram uma ampla faixa etária (n = 4), e um estudo não informou essa característica demográfica. Entre crianças e adolescentes, os estudos mostraram relações afetuosas e próximas (Bhattashali et al., 2018; Guidotti et al., 2021), além de empatia e sentimentos positivos em relação ao irmão ou à irmã com deficiência (Shivers, 2019a). Esses estudos relataram, porém, conflitos familiares esporádicos. Entre pessoas adultas, as atitudes podem depender da deficiência. Por exemplo, a fratria adulta de pessoas autistas relatou menos atitudes positivas que a de pessoas com deficiência intelectual (Rossetti et al., 2020; Tomeny, Ellis et al., 2019), ao passo que a fratria de pessoas com síndrome de Down relatou relações afetuosas e harmoniosas (Cuskelly, 2016).

Apenas um estudo (Rossetti et al., 2020) investigou a associação entre a relação fraterna e a gravidade da deficiência do irmão ou da irmã: quanto mais invasivo o transtorno (por exemplo, transtornos mentais), mais pobre a relação fraterna.

Por fim, um estudo misto da equipe de Guidotti (2021) encontrou boas relações fraternas. Quanto às diferenças de gênero, os irmãos de pessoas com deficiência tendiam a perceber a relação fraterna como conflituosa, ao passo que as irmãs estavam menos inclinadas a pensar assim. Quanto à associação entre a idade da fratria e a relação fraterna, a fratria de adolescentes com deficiência sentia mais vergonha, irritação e constrangimento que a fratria de crianças com deficiência. A associação entre relação fraterna e gravidade da deficiência do irmão ou da irmã não foi calculada nos estudos mistos.

Parentificação centrada na fratria

Segundo Hooper e equipe (2012), a parentificação é “um tipo de inversão de papéis, distorção de fronteiras e hierarquia invertida entre os pais e outros membros da família, em que adolescentes assumem, na família de origem, níveis de responsabilidade inadequados para sua etapa de desenvolvimento” (Hooper et al., 2012; p. 165). Segundo essa equipe, esse papel de cuidado pode se dirigir aos pais (parentificação centrada nos pais) e/ou a um irmão ou uma irmã (parentificação centrada na fratria). Quando há uma deficiência, esse papel de cuidado pode ser vivido de modo diferente pela fratria. Por isso, a revisão se concentrou apenas no construto de parentificação centrada na fratria.

A busca eletrônica identificou 17 estudos sobre o tema (Beffel e Nuttall, 2020; Brady et al., 2019; Brolin et al., 2024; Chiu, 2022; Kale e Siğirtmaç, 2021; Lashewicz, 2018; Eun Lee et al., 2018, 2023; Eun Lee et al., 2019a, 2019b; Eun Lee et al., 2019a, 2019b; Eun Lee et al., 2020; Niedbalski, 2023; Nuttall et al., 2018; Redquest et al., 2020; Rossetti et al., 2018; Tomeny et al., 2016a, 2016b, 2017a, 2017b). Todos coletaram dados de forma transversal. Em 9 estudos (Beffel e Nuttall, 2020; Brolin et al., 2024; Eun Lee et al., 2023; Eun Lee et al., 2019a, 2019b; Eun Lee et al., 2019a, 2019b; Nuttall et al., 2018; Redquest et al., 2020; Tomeny et al., 2016a, 2016b, 2017a, 2017b) foram coletados dados quantitativos, enquanto 6 estudos (Brady et al., 2019; Chiu, 2022; Kale e Siğirtmaç, 2021; Lashewicz, 2018; Eun Lee et al., 2018; Niedbalski, 2023) analisaram dados qualitativos. Em 2 estudos (Eun Lee et al., 2020; Rossetti et al., 2018), foram coletados dados quantitativos e qualitativos.

A maioria dos estudos revisados examinou a experiência da fratria de pessoas com transtornos mentais. Um estudo de Eun Lee et al. (2019a, 2019b) envolveu a fratria de pessoas com diferentes deficiências: transtornos mentais, deficiências motoras e doenças genéticas. A pesquisa de Kale e Siğirtmaç (2021) se concentrou na fratria de pessoas com doenças genéticas e deficiências motoras. Por fim, o estudo de Brolin et al. (2024) recrutou a fratria de pessoas com deficiências não especificadas.

Os estudos quantitativos revisados ajudaram a identificar os diferentes papéis exercidos pela fratria de pessoas com deficiência: (a) gestão financeira, atual e futura (Eun Lee et al., 2019a, 2019b; Redquest et al., 2020), (b) ponto de apoio (Eun Lee et al., 2019a, 2019b) ou companhia (Eun Lee et al., 2019a, 2019b), (c) cuidado (Eun Lee et al., 2019a, 2019b; Tomeny et al., 2016a, 2016b) e (d) facilitação do acesso aos serviços de saúde (Eun Lee et al., 2019a, 2019b).

Três estudos (Eun Lee et al., 2019a, 2019b; Tomeny et al., 2016a, 2016b, 2017a, 2017b) exploraram a associação entre parentificação centrada na fratria e relação fraterna, com resultados divergentes. Mais especificamente, dois estudos (Eun Lee et al., 2019a, 2019b; Tomeny et al., 2016a, 2016b) encontraram boas relações fraternas apesar do alto nível de responsabilidade vivido pela fratria por causa da parentificação. Ao contrário, um estudo da equipe de Tomeny (Tomeny et al., 2017a, 2017b) mostrou que um alto nível de responsabilidade e pouco apoio social percebido estavam associados a relações fraternas pobres. Uma pesquisa transcultural de Eun Lee et al. (2023) explorou a parentificação centrada na fratria na Coreia do Sul, no Japão e em Taiwan, revelando baixo engajamento da fratria em atividades de defesa de direitos e de cuidado. Os achados de Beffel et al. (2020) e de Nuttall et al. (2018) destacaram o papel protetor dos benefícios percebidos de ter um irmão ou uma irmã com deficiência. Segundo essas equipes, o comportamento pró-social da fratria (Beffel e Nuttall, 2020) e suas intenções de cuidado no futuro (Nuttall et al., 2018) eram previstos quando a deficiência do irmão ou da irmã era percebida como uma contribuição positiva para a própria vida. Por fim, o estudo de Brolin et al. (2024) constatou que o papel de cuidado estava associado a desfechos negativos (por exemplo, problemas de saúde mental, impacto na escolaridade, com pior desempenho escolar devido ao cuidado ou bullying por causa da deficiência do irmão ou da irmã, e falta de apoio) e positivos (por exemplo, maior maturidade).

Com exceção de um estudo de Eun Lee (2023), que não encontrou diferenças de gênero na parentificação centrada na fratria, os demais estudos quantitativos não examinaram diferenças de gênero.

A idade da fratria estava positivamente relacionada à parentificação (Redquest et al., 2020): membros da fratria com mais de 50 anos mostravam maior intensidade de cuidado do que os de 30 a 49 anos e os de 20 a 29 anos. Dos 17 estudos revisados, um recrutou crianças e adolescentes, 11 consideraram a juventude e a vida adulta, e quatro uma ampla faixa etária. Um estudo não informou a faixa etária das pessoas participantes. Em conjunto, esses estudos relataram resultados divergentes para crianças, adolescentes e pessoas adultas. De um lado, maturidade e crescimento pessoal resultam da parentificação. De outro, baixo bem-estar geral, impacto negativo no desempenho escolar e sensação de falta de apoio são experiências ligadas ao cuidado.

Por fim, o baixo funcionamento (Eun Lee et al., 2019a, 2019b), os comportamentos desadaptativos (Eun Lee et al., 2019a, 2019b; Eun Lee et al., 2019a, 2019b) e o baixo nível de independência (Eun Lee et al., 2019a, 2019b) do irmão ou da irmã com deficiência estavam forte e positivamente correlacionados às demandas de cuidado. Quanto mais grave a deficiência, maior o nível de responsabilidade percebido pela fratria.

Os estudos qualitativos revisados mostraram que a fratria de pessoas com deficiência exercia principalmente três papéis. Primeiro, o de cuidado (Chiu, 2022; Eun Lee et al., 2018; Niedbalski, 2023), em três níveis: (1) cuidado nulo ou mínimo, quando a fratria não estava ou estava pouco envolvida em tarefas intensivas de cuidado; (2) cuidado antecipado, quando a fratria ressaltava a importância de conversar com os pais sobre o futuro do irmão ou da irmã com deficiência; e (3) cuidado conjunto ou principal, quando a fratria substituía os pais nas tarefas de cuidado. Em segundo lugar, a fratria também exercia papéis de amizade e ponto de apoio (Eun Lee et al., 2018), de acompanhamento (Lashewicz, 2018) e de proteção jurídica (Brady et al., 2019; Eun Lee et al., 2018) em relação ao irmão ou à irmã com deficiência. Por fim, a fratria assumia a proteção e a defesa dos interesses do irmão ou da irmã dentro da família (Lashewicz, 2018).

Nem as comparações por gênero nem a associação entre parentificação centrada na fratria e gravidade da deficiência do irmão ou da irmã foram calculadas nos estudos qualitativos. Apenas um estudo (Kale e Siğirtmaç, 2021) afirmou que a parentificação ocorria independentemente do gênero do membro da fratria. O mesmo estudo mostrou também que os membros mais velhos da fratria relatavam mais responsabilidades que os mais novos. Por fim, um estudo de Chiu (2022) constatou que a fratria, qualquer que fosse a idade, estava disposta a ajudar o irmão ou a irmã com deficiência e a cuidar dele ou dela.

Foram encontrados dois estudos mistos. Ambos usaram agrupamentos de ordem superior para investigar o papel da fratria. A pesquisa de Eun Lee e equipe (2020) identificou três papéis exercidos pela fratria de pessoas com deficiência: (1) sem papel de cuidado; (2) cuidado único, isto é, o membro da fratria que cuida do irmão ou da irmã com deficiência; e (3) cuidado múltiplo, isto é, o membro da fratria que cuida ao mesmo tempo do irmão ou da irmã com deficiência e de outra pessoa (por exemplo, a própria criança). Um estudo da equipe de Rossetti (2018) chegou a uma solução de 5 clusters, com o membro da fratria em: (1) companhia, isto é, uma relação de amizade próxima com o irmão ou a irmã com deficiência; (2) baixo envolvimento, com pouco engajamento no cuidado; (3) alto envolvimento, com exercício frequente dos diferentes papéis de cuidado, de irmão ou irmã e de defesa de direitos; (4) foco nas necessidades, assumindo a defesa de direitos e a coordenação informal dos serviços do irmão ou da irmã; e (5) papel profissional, isto é, de representação legal e defesa de direitos do irmão ou da irmã. Entre os diferentes papéis exercidos pela fratria, os de cuidado múltiplo (Eun Lee et al., 2020) e de companhia (Rossetti et al., 2018) eram os associados a maior proximidade emocional na relação fraterna.

Não foram calculadas as comparações por gênero, a relação entre parentificação centrada na fratria e idade da fratria, nem a associação entre parentificação centrada na fratria e gravidade da deficiência do irmão ou da irmã.

Ajustamento emocional e comportamental

O ajustamento é a resposta adaptativa, emocional e comportamental, de uma pessoa a um ambiente ou a uma situação estressante e aos desafios a eles associados (Harrison e Murray, 2015). Devido ao esforço considerável que a deficiência exige, crescer com um irmão ou uma irmã com deficiência e/ou doença crônica pode ser comparado a viver em um ambiente estressante. Assim, o ajustamento emocional e comportamental da pessoa pode ficar comprometido.

A busca eletrônica identificou 14 estudos transversais sobre o tema (Hanvey et al., 2022; Hayden et al., 2023; Le Boudec et al., 2021; Milevsky e Singer, 2022; O’Neill e Murray, 2016; Orm et al., 2022; Perenc e Pęczkowski, 2018; Shivers, 2019b; Shivers e Kozimor, 2017; Shojaee et al., 2020; Siman-Tov e Adi Sharabi, 2023; Tomeny et al., 2016a, 2016b; Tsai et al., 2016; Yaldız et al., 2021), sem nenhuma pesquisa longitudinal. Onze dos 13 estudos transversais revisados eram quantitativos, e os outros dois, qualitativos (Hanvey et al., 2022; Milevsky e Singer, 2022). Não foi encontrado nenhum estudo misto sobre o tema.

Nove dos onze estudos quantitativos incluíam dados sobre a fratria de pessoas com transtornos mentais (Hayden et al., 2023; O’Neill e Murray, 2016; Shivers, 2019b; Shivers e Kozimor, 2017; Shojaee et al., 2020; Siman-Tov e Adi Sharabi, 2023; Tomeny et al., 2016a, 2016b; Tsai et al., 2016; Yaldız et al., 2021). Dois estudos quantitativos (Orm et al., 2022; Perenc e Pęczkowski, 2018) analisaram mais de uma categoria de ordem superior de deficiência (por exemplo, transtornos mentais e deficiências motoras). Um estudo (Le Boudec et al., 2021) envolveu a fratria de pessoas com deficiências e/ou doenças crônicas não especificadas.

Os dois estudos qualitativos apresentaram dados sobre a fratria de pessoas com mais de uma deficiência: transtorno mental e doença genética (Milevsky e Singer, 2022), e transtorno mental e doença neurológica (Hanvey et al., 2022).

Na análise do ajustamento emocional e comportamental como construto psicológico, os principais achados dos artigos centrados exclusivamente no ajustamento emocional (n = 8; Hanvey et al., 2022; Hayden et al., 2023; Milevsky e Singer, 2022; O’Neill e Murray, 2016; Perenc e Pęczkowski, 2018; Shivers, 2019b; Siman-Tov e Adi Sharabi, 2023; Yaldız et al., 2021) e os dos estudos centrados tanto no ajustamento emocional quanto no comportamental (n = 6; Boudec et al., 2021; Orm et al., 2022; Shivers e Kozimor, 2017; Shojaee et al., 2020; Tomeny et al., 2016a, 2016b; Tsai et al., 2016) foram examinados separadamente. Não foi identificado nenhum estudo dedicado apenas ao ajustamento comportamental.

Ajustamento emocional

Os estudos centrados exclusivamente no ajustamento emocional mostraram que as principais respostas da fratria à situação estressante causada pela deficiência do irmão ou da irmã eram culpa, sintomas depressivos, ansiedade, estresse e empatia (Hanvey et al., 2022; Hayden et al., 2023; Milevsky e Singer, 2022; O’Neill e Murray, 2016; Perenc e Pęczkowski, 2018; Shivers, 2019b). Em um estudo (Shivers, 2019b), mais de 50% da fratria relatou ter sentido culpa, descreveu a relação fraterna como pobre, apresentou alto nível de sintomas depressivos e baixo bem-estar. A fratria de pessoas com deficiência que haviam desenvolvido algumas habilidades de vida independente vivia, porém, menos sofrimento psíquico, mostrava mais bem-estar e tinha melhor qualidade de vida (Hayden et al., 2023). Os sintomas depressivos e a ansiedade foram avaliados comparando a experiência da fratria de pessoas com diferentes tipos de deficiência (O’Neill e Murray, 2016; Siman-Tov e Adi Sharabi, 2023). Mais precisamente, no estudo de O’Neill e Murray (2016), a fratria de pessoas autistas ou com síndrome de Prader-Willi relatou mais ansiedade que a fratria de pessoas DT. A fratria de pessoas autistas ou com transtornos do desenvolvimento de etiologia desconhecida mostrou mais depressão que a de pessoas DT. Não houve diferenças significativas de sintomas depressivos nem de ansiedade entre a fratria de pessoas com síndrome de Down e a de pessoas DT. O estudo de Siman-Tov e Adi Sharabi (2023) comparou a fratria de pessoas autistas e a de pessoas com deficiência intelectual e mostrou que a primeira vivia menos sofrimento que a segunda.

Embora a maioria dos estudos revisados relatasse um impacto negativo da deficiência, vários também identificaram níveis elevados de empatia (Milevsky e Singer, 2022; Perenc e Pęczkowski, 2018). A fratria de pessoas com deficiência motora relatou níveis de empatia cognitiva e emocional mais altos que a fratria de pessoas DT (Perenc e Pęczkowski, 2018). Gentileza, paciência, aceitação dos outros (Milevsky e Singer, 2022) e mais atenção aos desejos e às necessidades alheias (Yaldız et al., 2021) também estavam entre os aspectos positivos relatados nos estudos revisados.

Quanto às diferenças de gênero, a maioria dos estudos centrados exclusivamente no ajustamento emocional mostrou que as irmãs de pessoas com deficiência apresentavam mais sintomas emocionais, positivos e negativos, que os irmãos. As meninas com irmão ou irmã com deficiência, assim como as meninas com irmão ou irmã DT, relataram mais ansiedade que os meninos (O’Neill e Murray, 2016; Yaldız et al., 2021). Além disso, as meninas sentiam culpa mais intensa que os meninos (Shivers, 2019b). Ao contrário, dois estudos constataram que as irmãs de pessoas com deficiência mostravam níveis mais altos de empatia cognitiva e emocional (Perenc e Pęczkowski, 2018), de envolvimento, autoeficácia e bem-estar (Siman-Tov e Adi Sharabi, 2023) que os irmãos. Apenas um estudo (Siman-Tov e Adi Sharabi, 2023) relatou que os irmãos de pessoas com deficiência sentiam mais solidão que as irmãs.

Quanto à associação entre a idade da fratria e o ajustamento emocional, os achados foram divergentes. De um lado, a idade se correlacionava positivamente com a empatia cognitiva (Perenc e Pęczkowski, 2018): quanto mais velho o membro da fratria, maior a empatia cognitiva. De outro, o estudo de O’Neill e Murray (2016) indicou que os mais novos da fratria de pessoas com doenças genéticas (síndrome de Down ou síndrome de Prader-Willi) mostravam níveis elevados de ansiedade (no caso da síndrome de Down) e de sintomas depressivos (no caso da síndrome de Prader-Willi). O mesmo estudo constatou que os mais velhos da fratria de pessoas com transtornos do desenvolvimento de etiologia desconhecida apresentavam mais ansiedade. Entre crianças e adolescentes com irmão ou irmã com deficiência, relataram-se altos níveis de comportamentos pró-sociais, o que sugere resiliência e engajamento social mais precoces e maiores. Entre pessoas adultas, os resultados mostraram menos sofrimento e alto bem-estar conforme o nível de independência do irmão ou da irmã com deficiência.

Por fim, a associação entre esse construto psicológico e a gravidade da deficiência do irmão ou da irmã trouxe resultados interessantes. O baixo nível de independência e de funcionamento do irmão ou da irmã com deficiência era inversamente proporcional à culpa da fratria com desenvolvimento típico (Shivers, 2019b) e a seus níveis de sintomas emocionais e de sofrimento (Hayden et al., 2023), e diretamente proporcional a seu nível de bem-estar (Hayden et al., 2023).

Ajustamento emocional e comportamental

Nos estudos centrados tanto no ajustamento emocional quanto no comportamental (Le Boudec et al., 2021; Orm et al., 2022; Shivers e Kozimor, 2017; Shojaee et al., 2020; Tomeny et al., 2016a, 2016b; Tsai et al., 2016), os principais sintomas internalizantes e externalizantes identificados foram hiperatividade, hostilidade, ansiedade, problemas somáticos e emocionais. Os níveis de hiperatividade da fratria de pessoas com transtornos mentais (autismo, transtornos intelectuais e do desenvolvimento) eram mais altos que os da fratria de pessoas DT. A fratria de pessoas autistas apresentava ainda mais sintomas emocionais e internalizantes que a de pessoas DT (Shojaee et al., 2020). Além disso, a fratria sem deficiência relatou mais dificuldades de ajustamento comportamental no domínio pró-social (Tsai et al., 2016). A fratria de pessoas com uma única deficiência relatou menos hostilidade e ansiedade que a de pessoas com deficiências concomitantes (por exemplo, deficiência intelectual e depressão ou ansiedade) (Shivers e Kozimor, 2017). Por fim, um estudo de Orm (2022) constatou que a fratria de pessoas com transtornos mentais ou deficiências físicas mostrava mais comportamento pró-social que a fratria de pessoas DT.

Quanto à comparação por gênero, as irmãs de pessoas com deficiência relataram mais problemas somáticos que os irmãos, enquanto os irmãos de pessoas com deficiência mostraram mais comportamentos agressivos que a fratria de pessoas DT (Le Boudec et al., 2021). A análise da associação entre esse construto psicológico e a idade da fratria não trouxe resultados significativos.

Por fim, a gravidade da deficiência do irmão ou da irmã estava negativamente associada ao ajustamento emocional e comportamental da fratria (Tomeny et al., 2016a, 2016b): quanto mais grave a deficiência, maiores os níveis de desajustamento relatados pela fratria.

Bem-estar

O bem-estar é um construto psicológico multidimensional que abrange um amplo espectro de domínios, com componentes físicos, emocionais, mentais, sociais e comportamentais (WHOQoL Group, 1993). Quando a deficiência surge na família, não surpreende que esse construto possa ser afetado.

A busca eletrônica identificou quatro artigos sobre o tema (Correia e Seabra-Santos, 2022; Hallion et al., 2018; Koukouriki e Soulis, 2020; Lahaije et al., 2023). Três analisaram dados quantitativos (Hallion et al., 2018; Koukouriki e Soulis, 2020; Lahaije et al., 2023), e o restante era um estudo qualitativo (Correia e Seabra-Santos, 2022).

Quanto às categorias de ordem superior estabelecidas para esta revisão (ver a seção Características metodológicas dos estudos revisados), um estudo da equipe de Hallion (2018) envolveu a fratria de pessoas com doenças crônicas e deficiências não especificadas. Os outros três estudos (Correia e Seabra-Santos, 2022; Koukouriki e Soulis, 2020; Lahaije et al., 2023) analisaram a experiência da fratria de pessoas com transtornos mentais.

A equipe de Hallion (2018) não encontrou diferenças de bem-estar psicológico entre a fratria de pessoas com deficiência e a de pessoas DT. Um estudo de Koukouriki e Soulis (2020) mostrou que a fratria de pessoas autistas relatava menor bem-estar que a de pessoas DT. Por fim, o estudo da equipe de Lahaije (2023) revelou que a fratria de pessoas com deficiência percebia um bem-estar emocional e material mais alto que os pais. Um estudo qualitativo de Correia e Seabra-Santos (2022) mostrou que o bem-estar da fratria era afetado positiva e negativamente pela deficiência do irmão ou da irmã. De um lado, a fratria afirmava que ter um irmão ou uma irmã com deficiência havia influenciado seu crescimento pessoal, em termos de maturidade, tolerância, compreensão, paciência e força. De outro, reconhecia as dificuldades e as limitações impostas pela deficiência.

Nenhuma comparação por gênero foi analisada no estudo do bem-estar. A associação entre idade e bem-estar foi calculada apenas pela equipe de Lahaije (2023). Essa equipe, porém, incluiu na análise tanto os pais quanto a fratria de pessoas com deficiência; assim, não é possível uma subanálise mais detalhada segundo a faixa etária das pessoas participantes. O impacto da gravidade da deficiência sobre o bem-estar da fratria não foi examinado.

Estudos híbridos

Os estudos que analisaram mais de um dos construtos psicológicos identificados na PP1 foram agrupados como estudos híbridos. Seis artigos atenderam a esse critério (Cebula et al., 2019; Jones et al., 2019; Kulisch et al., 2024; Levante et al., 2023a, 2023b, 2023c; Shivers et al., 2019; Zaidman-Zait et al., 2020). Quatro investigaram tanto a relação fraterna quanto o ajustamento emocional e comportamental, e um deles (Levante et al., 2023a, 2023b, 2023c) se concentrou na parentificação centrada na fratria, no apoio social e na relação entre a fratria e os pais. O último (Kulisch et al., 2024) investigou o ajustamento comportamental e o bem-estar.

Em todos os estudos híbridos revisados, os dados quantitativos foram coletados de forma transversal. Dois estudos (Jones et al., 2019; Zaidman-Zait et al., 2020) envolveram exclusivamente a fratria de pessoas com transtornos mentais. Outros dois analisaram mais de uma deficiência: um investigou transtornos mentais e doenças genéticas (Shivers et al., 2019), e o outro tratou de doenças genéticas, deficiências motoras, deficiências sensoriais e transtornos mentais (como deficiência única ou concomitante) (Levante et al., 2023a, 2023b, 2023c). Um estudo se concentrou na fratria de pessoas com doenças genéticas (Cebula et al., 2019). Por fim, o último (Kulisch et al., 2024) envolveu a fratria de pessoas com deficiências não especificadas.

Um estudo da equipe de Shivers (2019) constatou que a fratria de pessoas autistas relatava mais desajustamento emocional e comportamental e menos afeto na relação fraterna que a fratria de pessoas com síndrome de Down. Além disso, os níveis de ajustamento emocional e comportamental da fratria de pessoas com deficiência eram semelhantes aos da população geral (Cebula et al., 2019). Um estudo de Jones et al. (2019) mostrou que a fratria apresentava baixo ajustamento emocional e comportamental quando o irmão ou a irmã com deficiência tinha problemas desse tipo em nível elevado. Os achados de Zaidman-Zait et al. (2020) mostraram mais proximidade e menos conflito nas relações entre pessoas com deficiência e sua fratria do que nas relações entre membros de uma fratria DT. Zaidman-Zait et al. (2020) constataram ainda que boas relações fraternas estavam associadas aos melhores níveis de ajustamento emocional e comportamental. Um estudo da equipe de Levante (Levante et al., 2023a, 2023b, 2023c) mostrou que o sofrimento elevado da fratria e uma relação negativa com os pais prejudicavam a relação entre parentificação centrada na fratria e relação fraterna. O mesmo estudo revelou que os benefícios da parentificação e o apoio social percebido pela fratria contribuíam para reduzir seu sofrimento. Por fim, o estudo de Kulisch et al. (2024) revelou que as estratégias de enfrentamento (minimização, controle da situação, autoinstruções positivas e necessidade de apoio social) se associavam positivamente à qualidade de vida.

Nenhum dos estudos revisados analisou diferenças de gênero nem a associação entre os construtos psicológicos e a gravidade da deficiência. Apenas um estudo (Levante et al., 2023a, 2023b, 2023c) incluiu o gênero como covariável no modelo de mediação, sem encontrar diferenças de gênero. Quanto à associação entre a idade da fratria e os construtos investigados, entre crianças e adolescentes, Cebula et al. (2019) constataram que quanto mais velho o membro da fratria, menos afetuosa a relação.

Entre os estudos híbridos, três exploraram a experiência de crianças e adolescentes. O estudo de Zaidman-Zait et al. (2020) constatou que a fratria de crianças com deficiência mostrava mais empatia, menos conflito e rivalidade, e mais apoio e investimento na relação fraterna que a fratria de pessoas com desenvolvimento típico (DT).

A experiência da fratria de pessoas com deficiência durante a covid-19

Embora a pandemia de covid-19 tenha afetado fortemente o funcionamento das pessoas e vários estudos tenham investigado o impacto das medidas restritivas sobre populações vulneráveis (Asquini et al., 2021; Corbett et al., 2021; Levante et al., 2019, 2022; Rosencrans et al., 2021), a busca eletrônica identificou apenas dois estudos (Dorsman et al., 2023; Redquest et al., 2021) dedicados à fratria. Eram estudos transversais e mistos que buscavam explorar a experiência da fratria de pessoas com transtornos mentais durante os confinamentos. Em particular, o estudo de Redquest et al. (2021) investigou o apoio dado ao irmão ou à irmã com deficiência, o ajustamento emocional e a qualidade das relações familiares. Os dados vieram de dois grupos: membros da fratria que moravam na mesma casa que o irmão ou a irmã com transtorno mental e membros da fratria que não moravam com ele ou ela. Em suma, toda a fratria participante apoiava constantemente o irmão ou a irmã com deficiência, independentemente do lugar onde morava. Da mesma forma, todas as pessoas recrutadas relataram preocupação com a saúde e o bem-estar do irmão ou da irmã com deficiência. Os membros da fratria que moravam com o irmão ou a irmã com deficiência afirmaram que o tempo maior passado juntos teve efeito positivo na relação fraterna.

O segundo estudo (Dorsman et al., 2023) realizado durante a pandemia explorou os papéis exercidos pela fratria de pessoas com deficiência e o impacto das medidas restritivas sobre a relação fraterna. Os papéis mais assumidos pela fratria eram o de irmão ou irmã e o de representação legal, administração ou mentoria. Além disso, a fratria relatou que o distanciamento social imposto pela pandemia prejudicou a relação fraterna.

Nos dois estudos, as comparações por gênero não foram calculadas, e a associação entre os construtos psicológicos e a gravidade da deficiência do irmão ou da irmã não foi analisada. Por fim, entre jovens e pessoas adultas, não se encontrou associação entre os construtos psicológicos e a idade da fratria.

Discussão

Esta revisão sistemática integrativa buscou contribuir para sintetizar a literatura empírica desse campo de pesquisa em desenvolvimento que é o impacto psicológico da deficiência de um irmão ou de uma irmã sobre o funcionamento da fratria com desenvolvimento típico. Para isso, seguindo o formato PEO, foram formuladas duas perguntas de pesquisa: “Quais são os principais construtos psicológicos investigados na fratria de pessoas com deficiência?” (PP1) e “Qual é o papel principal de cada construto psicológico na experiência da fratria de pessoas com deficiência?” (PP2). Sessenta estudos atenderam aos critérios de inclusão baseados no protocolo PICOS e foram incluídos na revisão sistemática. A avaliação de sua qualidade metodológica mostrou que a maioria apresentava qualidade alta (n = 45) e 15 qualidade média. As principais características e os achados foram tabulados e sintetizados de forma narrativa.

Para identificar as forças e as limitações dos estudos revisados, apresentou-se um panorama de suas características metodológicas. Os achados suscitam algumas considerações.

Como a maioria dos estudos revisados foi realizada em países do Norte global, estudos futuros deveriam incluir a fratria de países do Sul global: estudos transculturais podem ajudar a compreender como ter um irmão ou uma irmã com deficiência afeta a experiência da fratria. Além disso, explorar populações WEIRD e não WEIRD pode ser um campo de pesquisa interessante e novo. Isso permitiria não apenas identificar melhor os construtos psicológicos centrais em cada cultura, mas também obter subsídios para planejar programas de intervenção específicos para cada cultura.

Outra questão diz respeito ao delineamento dos estudos revisados, já que a maioria coletou dados de forma transversal. Embora seja desafiador, coletar dados longitudinalmente ajudaria a compreender como os construtos psicológicos mudam ao longo do tempo. Da mesma forma, uma metanálise que combinasse dados relevantes poderia oferecer evidências do impacto da deficiência sobre cada construto psicológico.

Além disso, pouco menos de um quinto dos estudos revisados (n = 11) comparou a fratria de pessoas com deficiência à de pessoas DT. Uma análise mais abrangente permitiria identificar os construtos psicológicos mais fortemente afetados pela deficiência.

Quanto às amostras dos estudos revisados, dois pontos principais merecem destaque. O primeiro é a distribuição por gênero: uma análise descritiva mostrou que a maioria dos estudos recrutou amostras desequilibradas quanto ao gênero da fratria. Essa falha metodológica impede uma interpretação e uma generalização adequadas dos dados. O segundo é a ampla faixa etária da fratria participante, falha que pode decorrer da dificuldade de recrutar membros da fratria em uma etapa específica do desenvolvimento. Mais uma vez, os achados devem ser interpretados com cautela. Cada etapa do desenvolvimento envolve tarefas próprias da idade (Erikson, 1994), em função das quais os construtos psicológicos deveriam ser investigados. Assim, estudos futuros deveriam resolver essas questões para oferecer orientação clínica ao planejamento de programas de intervenção específicos por gênero e por etapa do desenvolvimento.

Por fim, a revisão dos estudos selecionados mostrou que a categoria de deficiência mais investigada foi a dos transtornos mentais. Embora o caráter invasivo dos transtornos mentais (Hastings e Petalas, 2014; Mayes et al., 2012) possa ter um impacto significativo sobre os construtos psicológicos do bem-estar da fratria (Shojaee et al., 2020; Tomeny et al., 2016a, 2016b), seria útil investigar também outras categorias de deficiência, considerando seus diferentes graus de gravidade.

A primeira pergunta de pesquisa desta revisão sistemática buscou identificar os principais construtos psicológicos da experiência da fratria investigados nos estudos selecionados. Os principais construtos analisados foram a relação fraterna (n = 17), a parentificação centrada na fratria (n = 17) e o ajustamento emocional e comportamental (n = 14). Apenas quatro dos estudos revisados se dedicaram ao bem-estar da fratria de pessoas com deficiência. Os estudos que investigaram mais de um construto foram incluídos em um grupo híbrido (n = 6). Por fim, foram identificados dois estudos que exploraram o papel da fratria de pessoas com deficiência, seu ajustamento emocional e a qualidade das relações familiares durante os confinamentos da covid-19. Os achados sugerem que estudos futuros deveriam ampliar o conhecimento sobre os construtos psicológicos mais investigados e orientar programas de intervenção. Outras pesquisas deveriam explorar temas muitas vezes negligenciados e seu possível impacto sobre o funcionamento da fratria de pessoas com deficiência.

A análise dos achados relativos à segunda pergunta de pesquisa, que buscava resumir o papel principal de cada construto psicológico identificado, levou a várias sugestões.

O principal construto psicológico investigado na população de fratrias foi a relação fraterna. Nos estudos revisados, dados quantitativos, qualitativos e mistos foram coletados de forma transversal. Estudos longitudinais, porém, permitiriam examinar a magnitude das mudanças que ocorrem nas relações fraternas ao longo do tempo. Como a principal categoria de deficiência investigada foi a dos transtornos mentais, outras categorias deveriam ser consideradas para ampliar o conhecimento sobre o tema. Os estudos revisados trouxeram resultados inconsistentes. De um lado, mostraram relações fraternas boas, afetuosas e satisfatórias, em que a fratria passa tempo com o irmão ou a irmã com deficiência e participa de diversas atividades. De outro, mostraram relações fraternas conflituosas e negativas, marcadas por sentimentos ambivalentes e rivalidade.

O segundo construto mais examinado foi a parentificação centrada na fratria, investigada a partir de dados quantitativos, qualitativos e mistos coletados com a fratria de pessoas com transtornos mentais. Assim, também deveriam ser planejados estudos longitudinais, e outras categorias de deficiência deveriam ser consideradas. Os estudos revisados mostraram que a fratria de pessoas com deficiência exercia sobretudo o papel de cuidado, com sentimentos de afeto e proximidade e um senso de dever em relação a outros membros da família, como os pais. A associação entre relação fraterna e parentificação centrada na fratria foi a mais examinada na literatura. Os achados, porém, foram inconsistentes, o que sugere que essa interação deveria ser mais bem analisada em futuras pesquisas longitudinais.

O ajustamento emocional e comportamental da fratria de pessoas com deficiência foi o terceiro construto mais investigado. Como os estudos revisados analisaram dados quantitativos e qualitativos sobre a fratria de pessoas com transtornos mentais, seria recomendável realizar no futuro estudos longitudinais e mistos. Ansiedade e depressão, culpa, empatia, comportamentos agressivos e problemas de conduta foram os sintomas emocionais e internalizantes, comportamentais e externalizantes mais relatados pela fratria de pessoas com deficiência.

Quanto aos estudos sobre o bem-estar da fratria de pessoas com deficiência, a revisão mostrou que dados quantitativos e qualitativos foram coletados de forma transversal. Assim, estudos mistos e longitudinais também deveriam ser realizados no futuro. A necessidade de investigações mais aprofundadas sobre o bem-estar da fratria é confirmada tanto pelos achados inconsistentes das pesquisas revisadas quanto pelo pequeno número de estudos sobre o tema. Esse construto psicológico pode ter um papel crucial na elaboração de programas de intervenção. De fato, segundo o modelo de saúde mental completa proposto por Keyes (2002), o fortalecimento do bem-estar individual é essencial para promover o florescimento humano, entendido como alto bem-estar e ausência de doença mental. Esse construto deveria, portanto, ser investigado com mais detalhe.

Por fim, todos os estudos do grupo híbrido eram transversais e quantitativos. Por isso, estudos longitudinais qualitativos e/ou mistos também deveriam ser planejados no futuro. Quanto aos construtos analisados, os estudos revisados se concentraram na relação fraterna e no ajustamento emocional e comportamental da fratria de pessoas com transtornos mentais.

Embora esta revisão sistemática tenha incluído artigos publicados durante a pandemia de covid-19, apenas dois dos estudos selecionados trataram das dificuldades enfrentadas pela fratria nesse período. Devido aos efeitos de curto e longo prazo que uma pandemia pode ter sobre populações vulneráveis e sobre a saúde mental de qualquer pessoa (Alonso-Esteban et al., 2021; Bianco et al., 2021; Colizzi et al., 2020; Levante et al., 2019, 2022, 2024, 2023a, 2023b, 2023c; Panchal et al., 2021; Petrocchi et al., 2020; Quarta et al., 2022, 2023), mais pesquisas deveriam ser feitas sobre o assunto. Entre as questões a explorar estão as mudanças nas relações da fratria de pessoas com deficiência devidas aos confinamentos e à convivência forçada, a possível mudança no papel da fratria e/ou na percepção de suas responsabilidades, o desenvolvimento e o uso de estratégias para enfrentar os problemas que surgem ao lidar com um irmão ou uma irmã com deficiência, e o cuidado em um período em que não era possível acessar os serviços de saúde.

A análise de cada construto psicológico levou à identificação de três questões transversais, relevantes para cada um deles. Quanto ao gênero da fratria, as irmãs relataram culpa mais intensa e níveis mais altos de ansiedade e de depressão que os irmãos. Além disso, as irmãs sentiam um senso de responsabilidade mais forte que os irmãos. As irmãs também mostraram mais empatia e melhores relações fraternas que os irmãos. Não foram feitas comparações por gênero para o bem-estar da fratria. É importante ressaltar que esses resultados devem ser interpretados com cautela. Quanto à associação entre a idade da fratria e os construtos investigados, cabe lembrar que a faixa etária da fratria participante era muitas vezes ampla, o que impediu uma interpretação precisa dos achados. Essa questão será mais bem discutida na seção de recomendações. Por fim, a revisão mostrou que a gravidade da deficiência do irmão ou da irmã afetava significativamente o funcionamento psicológico da fratria. Em outras palavras, uma deficiência mais grave resultava em relação fraterna mais pobre, mais responsabilidades de cuidado e níveis elevados de desajustamento emocional e comportamental. Esses resultados, porém, devem ser interpretados com cautela, já que a principal categoria de deficiência considerada foi a dos transtornos mentais.

Implicações para a prática

Os achados desta revisão sistemática integrativa podem ter um papel nos contextos clínicos, pois as equipes de saúde poderiam levá-los em conta ao planejar programas de intervenção voltados à fratria de pessoas com deficiência. Essas intervenções podem contribuir de várias maneiras para melhorar o funcionamento psicológico da fratria. Mais especificamente, nossos resultados podem fundamentar a proposta de um modelo que articule os principais construtos psicológicos extraídos desta revisão. Entre eles (relação fraterna, parentificação centrada na fratria, ajustamento emocional e comportamental e bem-estar), a parentificação centrada na fratria pode ser o construto-chave a ser visado pela intervenção. Ela pode funcionar como fator preditivo direto da qualidade das relações fraternas, que, por sua vez, podem ter um efeito em cascata sobre o bem-estar psicológico e o ajustamento emocional e comportamental da fratria. Nessa perspectiva, a relação fraterna seria ao mesmo tempo desfecho e mediadora. Em outras palavras, os programas de intervenção podem apoiar a fratria em seu papel de cuidado, aliviando a carga emocional ligada às responsabilidades e aos deveres que o cuidado do irmão ou da irmã com deficiência impõe. Assim, níveis baixos de parentificação centrada na fratria podem favorecer uma atitude positiva em relação ao irmão ou à irmã com deficiência, uma perspectiva otimista do futuro e o bem-estar global e o ajustamento emocional e comportamental da fratria. A relação fraterna pode, portanto, se beneficiar diretamente de níveis baixos de parentificação centrada na fratria. A relação fraterna também pode mediar o caminho entre parentificação centrada na fratria, bem-estar e ajustamento emocional e comportamental: quanto menores as responsabilidades e os deveres decorrentes da deficiência do irmão ou da irmã (parentificação centrada na fratria), maiores o bem-estar e o ajustamento emocional e comportamental, por meio de uma relação fraterna de alta qualidade.

Embora o modelo proposto reúna os principais construtos psicológicos investigados na população de fratrias, um construto novo poderia ainda moderar a relação sugerida entre parentificação centrada na fratria e relações fraternas. Considerando a escassa literatura sobre a aceitação da deficiência como recurso nas fratrias, em comparação com outras populações (como os pais; Lecciso et al., 2013a, 2013b), o modelo proposto pode abrir caminho para incluir esse construto em investigações futuras. Por exemplo, a aceitação da deficiência pode ser concebida como um recurso pessoal que prepara a fratria para enfrentar as demandas do cuidado, com efeito positivo sobre a relação fraterna. Por último, mas não menos importante, trata-se de explorar no modelo o papel das características sociodemográficas, isto é, o gênero e a idade da fratria, e o do tipo de deficiência. Também pode ser fundamental testar o modelo considerando a origem cultural da população de fratrias em questão. Vale destacar que, embora cada relação sugerida no modelo se apoie em um referencial teórico sólido, o modelo precisa ser testado em diferentes culturas e em uma amostra equilibrada quanto ao gênero.

Recomendações para pesquisas e intervenções futuras

A revisão sistemática integrativa realizada permitiu formular uma série de recomendações para pesquisas e intervenções futuras com a população vulnerável analisada nos estudos selecionados.

No campo da pesquisa, seria interessante compreender se a cultura de uma fratria pode influenciar a forma como ela é psicologicamente afetada por ter um irmão ou uma irmã com deficiência. Como mostrou a revisão sistemática, a maioria dos estudos foi realizada em países do Norte global, e apenas alguns investigaram a fratria em países do Sul global. Em particular, um dos construtos psicológicos identificados nesta revisão foi o papel exercido pela fratria de pessoas com deficiência, que também poderia ser analisado sob o ângulo cultural (Rossetti e Hall, 2015). Investigações mais aprofundadas podem ajudar a responder a diferentes perguntas, como “Há diferenças, entre culturas, nos papéis de cuidado exercidos pela fratria de pessoas com deficiência?” e/ou “Como a educação parental influencia a percepção que a fratria tem de suas responsabilidades de cuidado em relação ao irmão ou à irmã com deficiência?”.

Uma segunda questão diz respeito às características das amostras, quanto (1) aos grupos de participantes, (2) ao gênero e (3) à idade da fratria. Quanto aos grupos, os resultados descritivos mostraram que a maioria das análises explorou os construtos psicológicos apenas no grupo experimental, formado pela fratria de pessoas com deficiência. Isso não ajudou a compreender qual ou quais construtos psicológicos eram mais afetados pela deficiência do irmão ou da irmã. Investigações futuras poderiam, portanto, comparar o funcionamento da fratria de pessoas com deficiência com o da fratria de pessoas DT. Além disso, como nossa revisão mostrou que os estudos se concentraram sobretudo na fratria de pessoas com transtornos mentais, são necessárias mais pesquisas sobre outras categorias de deficiência (por exemplo, deficiência motora ou sensorial). Isso permitirá uma compreensão mais abrangente das experiências da fratria em diferentes contextos de deficiência.

Quanto ao gênero da fratria, a revisão sistemática mostrou que cerca de 82% dos estudos envolveram mais participantes do sexo feminino que do sexo masculino. A teoria dos papéis sociais (Eagly, 2009; Pinho e Gaunt, 2024) ajuda a ler esse resultado. Segundo essa teoria, as expectativas e as normas sociais moldam os comportamentos femininos: as mulheres aprendem que são as principais provedoras de cuidado da família, que administram as tarefas domésticas e cuidam de cada membro da família, sobretudo quando a deficiência surge muito cedo. Embora viciosa, essa tendência é reforçada pela alta prevalência de mulheres entre as pessoas que participam dos estudos. São necessários mais estudos com irmãos do sexo masculino para aprofundar seu ponto de vista e sua experiência da deficiência do irmão ou da irmã.

Além disso, seria interessante investigar as diferenças de gênero em relação à cultura da fratria. Estudar as diferenças de gênero nos papéis fraternos entre culturas permitiria compreender melhor como esses papéis são construídos culturalmente e que impacto têm sobre a dinâmica familiar e o bem-estar individual.

Por fim, quanto às características das amostras recrutadas nos estudos selecionados, a faixa etária da fratria era ampla, o que levou a interpretar os achados com cautela. Segundo a teoria do desenvolvimento psicossocial de Erikson (1994), cada faixa etária se caracteriza por tarefas e metas próprias, que deveriam ser consideradas na exploração das dimensões psicológicas. Por exemplo, os papéis exercidos pela fratria de pessoas com deficiência poderiam mudar conforme se trate de crianças (cujas tarefas do desenvolvimento são brincar e descobrir o mundo social), de adolescentes (que trabalham o pertencimento a um grupo de pares e a construção da identidade) ou de pessoas adultas (que tomam decisões sobre o próprio futuro, como sair de casa e seguir uma carreira, e sobre o futuro do irmão ou da irmã com deficiência). A forma de viver o impacto da deficiência também tem um efeito em cascata sobre a qualidade da relação fraterna, o ajustamento emocional e comportamental e o bem-estar. Assim, estudos futuros deveriam se concentrar em faixas etárias específicas, e/ou as amostras deveriam ser agrupadas segundo as tarefas do ciclo de vida (Arnett, 2000).

Outro aspecto a considerar em investigações futuras diz respeito ao delineamento (longitudinal ou transversal) e aos tipos de dados coletados (quantitativos, qualitativos ou mistos). Como a revisão mostrou, nenhum estudo longitudinal foi realizado, de modo que não foi possível identificar relações de causalidade entre os construtos. Embora os resultados transversais forneçam informações gerais sobre o impacto psicológico das deficiências sobre o funcionamento da fratria, não foi possível determinar a direção da relação entre as variáveis.

Uma última questão diz respeito às estratégias a serem usadas em estudos futuros. Em vários dos estudos revisados, as estratégias foram desenvolvidas especificamente para cada estudo, e/ou nenhuma estratégia qualitativa padronizada foi aplicada. Por isso, os resultados tiveram de ser interpretados com cautela. Estudos futuros deveriam buscar ampliar o leque de ferramentas usadas nesse campo de pesquisa para interpretar os achados com mais precisão.

Os achados resumem os construtos psicológicos mais investigados pela pesquisa, que podem ser considerados em programas de intervenção tanto individuais quanto sistêmicos. Esses programas poderiam, por exemplo, se concentrar na carga de cuidado vivida pela fratria, para desenvolver e/ou promover estratégias de enfrentamento adaptativas. Por sua vez, a fratria poderia ser treinada para usar essas estratégias e dar conta de suas responsabilidades de cuidado sem descuidar das próprias necessidades e interesses, pessoais e profissionais. O bem-estar individual poderia se beneficiar disso. A dinâmica familiar também poderia ganhar com intervenções centradas na fratria. Por exemplo, já foi demonstrado o papel central da confiança na promoção das relações interpessoais (Petrocchi et al., 2021) e da teoria da mente (Rotenberg et al., 2015). O papel essencial dessas competências é indiscutível. Assim, uma intervenção que promova esse traço (a confiança interpessoal) poderia melhorar não só a qualidade da relação entre a fratria e os pais, mas também a relação fraterna. Além disso, a qualidade da relação fraterna e o bem-estar individual poderiam se beneficiar de intervenções que favoreçam a aceitação, pela fratria, do diagnóstico do irmão ou da irmã. Até onde sabemos, a confiança na relação fraterna foi pouco investigada (Persram et al., 2022), e nenhum estudo tratou da reação da fratria ao diagnóstico de deficiência; são necessárias, portanto, muito mais investigações.

Forças e limitações

A principal força desta revisão sistemática está em sua atenção à forma como a fratria é psicologicamente afetada pela deficiência do irmão ou da irmã, independentemente das categorias de deficiência identificadas nos estudos selecionados. Essa abordagem permitiu explorar todos os construtos psicológicos investigados na literatura empírica.

As limitações desta revisão sistemática estão ligadas aos estudos selecionados. Vários estudos envolveram mais participantes do sexo feminino que do sexo masculino. Em vários estudos, a faixa etária das pessoas participantes era ampla demais. Em outros casos, o tamanho da amostra não era adequado. Todas essas limitações restringem a transferibilidade e a generalização dos achados desta revisão.

Complexe Systémique: a reter

Esta revisão tem o mérito de olhar para quem a clínica da deficiência muitas vezes esquece: os irmãos e as irmãs. Ela confirma que essa experiência não é nem uniformemente sombria nem uniformemente enriquecedora, e que a ambivalência, feita de amor, rivalidade, culpa e orgulho, é o seu pano de fundo comum. Para a prática, a principal contribuição é a hipótese de um modelo em que a parentificação centrada na fratria pesa sobre a relação fraterna, que por sua vez pesa sobre o bem-estar: aliviar a carga de cuidado é proteger o vínculo. Uma leitura sistêmica convida, porém, a ampliar o olhar: a parentificação é mais um efeito da organização familiar e dos recursos da rede do que um traço da fratria, a quase ausência de irmãos do sexo masculino nas amostras reflete uma atribuição de gênero do cuidado, e quase todos os estudos se apoiam em dados transversais e no autismo ou na deficiência intelectual. Para ler junto com o artigo sobre a experiência emocional da parentificação na infância e com o artigo sobre irmãos e irmãs que vivem na Espanha com uma pessoa autista.

Notas do original

Agradecimentos. A equipe agradece a Addolorata Disco pela ajuda nas duas primeiras etapas da busca eletrônica da revisão sistemática, e a Ferruccio Pascali e Massimo Vergari pela ajuda na etapa de implementação do estudo.

Contribuições. Conceituação do tema: FL. Conceituação da metodologia: AL e FL. Busca da literatura científica e triagem dos registros: AL e CM. Redação da primeira versão: AL. Tabulação das informações dos artigos: CM. Arbitragem das divergências metodológicas: FL. Toda a equipe signatária revisou criticamente o manuscrito e concordou com sua submissão na forma atual.

Financiamento. Financiamento do acesso aberto pela Università del Salento no âmbito do acordo CRUI-CARE. A equipe de pesquisa declara não ter recebido apoio de nenhuma organização para o trabalho submetido.

Conflitos de interesse. A equipe de pesquisa declara não ter conflitos de interesse relevantes para o conteúdo deste artigo.

Nota do editor. A Springer Nature permanece neutra em relação a reivindicações jurisdicionais em mapas publicados e afiliações institucionais.

Histórico de alterações. 28/11/2024: a citação de referência foi atualizada. 29/11/2024: foi publicada uma correção deste artigo (10.1007/s10567-024-00510-6).

Referências

Al-Kandari, H. Y., & Al-Qashan, H. (2010). Maternal self-efficacy of mothers of children with intellectual developmental disabilities, Down syndrome, and autism in Kuwait. Child and Adolescent Social Work Journal,27(1), 21–39. 10.1007/s10560-009-0189-6.

Allen, J., & Rapee, R. M. (2012). Child and Adolescent Survey of Experiences--Child and Parent Versions (CASE, CASE-C/P, CASE-C, CASE-P). APA PsycTests. 10.1037/t37480-000.

Alonso-Esteban, Y., López-Ramón, M. F., Moreno-Campos, V., Navarro-Pardo, E., & Alcantud-Marín, F. (2021). A systematic review on the impact of the social confinement on people with autism spectrum disorder and their caregivers during the COVID-19 pandemic. Brain Sciences,11(11), 1389. 10.3390/brainsci11111389.

Antonovsky, A. (1993). The structure and properties of the sense of coherence scale. Social Science & Medicine,36(6), 725–733. 10.1016/0277-9536(93)90033-Z.

Arnett, J. J. (2000). Emerging adulthood: A theory of development from the late teens through the twenties. American Psychologist,55(5), 469–480. 10.1037/0003-066X.55.5.469.

Asquini, G., Bianchi, A. E., Borromeo, G., Locatelli, M., & Falla, D. (2021). The impact of Covid-19-related distress on general health, oral behaviour, psychosocial features, disability and pain intensity in a cohort of Italian patients with temporomandibular disorders. PLoS ONE,16(2), e0245999. 10.1371/journal.pone.0245999.

Australian Institute of Family Studies (2011). The longitudinal study of Australian children annual statistical report 2010. Retrieved October 29, 2020.

Avieli, H., Band-Winterstein, T., & Araten Bergman, T. (2019). Sibling relationships over the life course: Growing up with a disability. Qualitative Health Research,29(12), 1739–1750. 10.1177/1049732319837228.

Ayers, T. S., Sandler, I. N., West, S. G., & Roosa, M. W. (1996). A dispositional and situational assessment of children’s coping: Testing alternative models of coping. Journal of Personality,64(4), 923–958. 10.1111/j.1467-6494.1996.tb00949.x.

Barnett, D., Clements, M., Kaplan-Estrin, M., & Fialka, J. (2003). Building new dreams: Supporting parents’ adaptation to their child with special needs. Infants & Young Children,16(3), 184–200.

Beffel, J. H., & Nuttall, A. K. (2020). Influences of parentification and benefit finding on prosocial behavior among typically developing siblings of individuals with autism spectrum disorder. Research in Developmental Disabilities,104, 103694. 10.1016/j.ridd.2020.103694.

Bengtson, V. L., & Black, K. D. (1973). Intergenerational relations and continuities in socialization. Life-Span Developmental Psychology (pp. 207–234). Academic Press. 10.1016/B978-0-12-077150-9.50015-0.

Bhattashali, A., Ostrosky, M. M., & Monda-Amaya, L. (2018). Perceptions of typically developing children in India about their siblings with disabilities. International Journal of Inclusive Education,22(12), 1257–1271. 10.1080/13603116.2017.1420253.

Bianco, F., Levante, A., Petrocchi, S., Lecciso, F., & Castelli, I. (2021). Maternal psychological distress and children’s internalizing/externalizing problems during the COVID-19 pandemic: The moderating role played by hypermentalization. International Journal of Environmental Research and Public Health,18(19), 10450.

Bowling, A., & Ebrahim, S. (2005). Handbook of health research methods: investigation, measurement and analysis. McGraw-Hill Education (UK).

Braconnier, M. L., Coffman, M. C., Kelso, N., & Wolf, J. M. (2018). Sibling relationships: Parent–child agreement and contributions of siblings with and without ASD. Journal of Autism and Developmental Disorders,48(5), 1612–1622. 10.1007/s10803-017-3393-9.

Brady, A. M., Burke, M. M., Landon, T., & Oertle, K. (2019). Siblings of adults with intellectual and developmental disabilities: Their knowledge and perspectives on guardianship and its alternatives. Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities,32(5), 1078–1087. 10.1111/jar.12597.

Brolin, R., Hanson, E., Magnusson, L., Lewis, F., Parkhouse, T., Hlebec, V., & Becker, S. (2024). Adolescent young carers who provide care to siblings. Healthcare,12(3), 316. 10.3390/healthcare12030316.

Bronfenbrenner, U. (1979). The ecology of human development: Experiments by nature and design. Harvard University press.

Bronfenbrenner, U. (1977). Toward an experimental ecology of human development. American Psychologist,32(7), 513–531. 10.1037/0003-066X.32.7.513.

Bruininks, R. H., Woodcock, R. W., Weatherman, R. F., & Hill, B. K. (1996). Scales of Independent Behavior-Revised. SIB-R. Itasca: Riverside Publishing.

Buhrmester, D., & Furman, W. (1990). Perceptions of sibling relationships during middle childhood and adolescence. Child Development,61(5), 1387–1398. 10.2307/1130750.

Buist, K. L., & Vermande, M. (2014). Sibling relationship patterns and their associations with child competence and problem behavior. Journal of Family Psychology,28(4), 529. 10.1037/a0036990.

Burke, M., Arnold, C., & Owen, A. (2018). Identifying the correlates and barriers of future planning among parents of individuals with intellectual and developmental disabilities. Intellectual and Developmental Disabilities,56(2), 90–100. 10.1352/1934-9556-56.2.90.

Caprara, G. V., Steca, P., Zelli, A., & Capanna, C. (2005). A new scale for measuring adults’ prosocialness. European Journal of Psychological Assessment,21(2), 77–89. 10.1027/1015-5759.21.2.77.

Carver, C. S., & Antoni, M. H. (2004). Finding benefit in breast cancer during the year after diagnosis predicts better adjustment 5 to 8 years after diagnosis. Health Psychology,23(6), 595–598. 10.1037/0278-6133.23.6.595.

Cebula, K., Gillooly, A., Coulthard, L. K., Riby, D. M., & Hastings, R. P. (2019). Siblings of children with Williams syndrome: Correlates of psychosocial adjustment and sibling relationship quality. Research in Developmental Disabilities,94, 103496. 10.1016/j.ridd.2019.103496.

Chen, G., Gully, S. M., & Eden, D. (2001). Validation of a new general self-efficacy scale. Organizational Research Methods,4(1), 62–83. 10.1177/109442810141004.

Chiu, C. Y. (2022). Bamboo Sibs: Experiences of Taiwanese non-disabled siblings of adults with intellectual and developmental disabilities across caregiver lifestages. Journal of Developmental and Physical Disabilities,34(2), 233–253. 10.1007/s10882-021-09797-7.

Cohen, S., & Williamson, G. (1988). Perceived Stress in a Probability Sample of the United States. In S. Spacapan & S. Oskamp (Eds.), The Social Psychology of Health: Claremont Symposium on Applied Social Psychology (pp. 31–67). Sage.

Colizzi, M., Bortoletto, R., Silvestri, M., Mondini, F., Puttini, E., Cainelli, C., Gaudino, R., Ruggeri, M., & Zoccante, L. (2020). Medically unexplained symptoms in the times of COVID-19 pandemic: A case-report. Brain, Behavior, & Immunity—Health,5, 100073. 10.1016/j.bbih.2020.100073.

Conduct Problems Prevention Research Group. (1994).Parent-Child Communication, Child Report..

Corbett, B. A., Muscatello, R. A., Klemencic, M. E., & Schwartzman, J. M. (2021). The impact of COVID-19 on stress, anxiety, and coping in youth with and without autism and their parents. Autism Research,14(7), 1496–1511. 10.1002/aur.2521.

Correia, R. A., & Seabra-Santos, M. J. (2022). “I would like to have a normal brother but I’m happy with the brother that I have”: A pilot study about intellectual disabilities and family quality of life from the perspective of siblings. Journal of Family Issues,43(12), 3148–3167. 10.1177/0192513X21104284.

Corsano, P., Musetti, A., Guidotti, L., & Capelli, F. (2017). Typically developing adolescents’ experience of growing up with a brother with an autism spectrum disorder. Journal of Intellectual & Developmental Disability,42(2), 151–161. 10.3109/13668250.2016.1226277.

Cox, M. J., & Paley, B. (1997). Families as systems. Annual Review of Psychology,48, 243–267. 10.1146/annurev.psych.48.1.243.

Cuskelly, M. (2016). Contributors to adult sibling relationships and intention to care of siblings of individuals with Down syndrome. American Journal on Intellectual and Developmental Disabilities,121(3), 204–218. 10.1352/1944-7558-121.3.204.

Cuskelly, M., & Gunn, P. (2003). Sibling relationships of children with Down syndrome: Perspectives of mothers, fathers, and siblings. American Journal on Mental Retardation,108(4), 234–244.

Davidson, O. B., Feldman, D. B., & Margalit, M. (2012). A focused intervention for 1st-year college students: Promoting hope, sense of coherence, and self-efficacy. The Journal of Psychology,146(3), 333–352. 10.1080/00223980.2011.634862.

Davis, M. H. (1980). Interpersonal reactivity index (IRI). The Sourcebook of listening research: Methodology and measures. 10.1002/9781119102991.ch34.

Diener, E. D., Emmons, R. A., Larsen, R. J., & Griffin, S. (1985). The satisfaction with life scale. Journal of Personality Assessment,49(1), 71–75. 10.1207/s15327752jpa4901_13.

Dillon-Wallace, J. A., McDonagh, S. H., & Fordham, L. A. (2014). How stable is the well-being of Australian mothers who care for young children with special health care needs? Journal of Child and Family Studies,23(7), 1215–1226. 10.1007/s10826-013-9782-6.

Dorsman, N. I., Waninge, A., van der Schans, C. P., Luijkx, J., & Van der Putten, A. A. (2023). The roles of adult siblings of individuals with a profound intellectual disability. Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities. 10.1111/jar.13149.

Dubow, E. F., Edwards, S., & Ippolito, M. F. (1997). Life stressors, neighborhood disadvantage, and resources: A focus on inner-city children’s adjustment. Journal of Clinical Child Psychology,26(2), 130–144. 10.1207/s15374424jccp2602_2.

Eagly, A. H. (2009). The his and hers of prosocial behavior: An examination of the social psychology of gender. American Psychologist,64(8), 644–658.

Ekas, N. V., Timmons, L., Pruitt, M., Ghilain, C., & Alessandri, M. (2015). The power of positivity: Predictors of relationship satisfaction for parents of children with autism spectrum disorder. Journal of Autism and Developmental Disorders,45(7), 1997–2007. 10.1007/s10803-015-2362-4.

Erikson, E. H. (1994). Identity and the life cycle. WW Norton & company.

Floyd, F. J., Costigan, C. L., & Richardson, S. S. (2016). Sibling relationships in adolescence and early adulthood with people who have intellectual disability. American Journal on Intellectual and Developmental Disabilities,121(5), 383–397. 10.1352/1944-7558-121.5.383.

Friedrich, W. N., Greenberg, M. T., & Crnic, K. (1983). A short-form of the questionnaire on resources and stress. American Journal of Mental Deficiency,88(1), 41–48.

Garyfallos, G., Karastergiou, A., Adamopoulou, A., Moutzoukis, C., Alagiozidou, E., Mala, D., & Garyfallos, A. (1991). Greek version of the general health questionnaire: Accuracy of translation and validity. Acta Psychiatrica Scandinavica,84(4), 371–378. 10.1111/j.1600-0447.1991.tb03162.x.

Giallo, R., & Gavidia-Payne, S. (2006). Child, parent and family factors as predictors of adjustment for siblings of children with a disability. Journal of Intellectual Disability Research,50(12), 937–948. 10.1111/j.1365-2788.2006.00928.x.

Goodman, R. (2003). The Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ). In L. VandeCreek T. L.L. Jackson (Eds.), Innovations in clinical practice: Focus on children & adolescents (pp. 109 – 111). Professional Resource Press/Professional Resource Exchange.

Guidotti, L., Musetti, A., Barbieri, G. L., Ballocchi, I., & Corsano, P. (2021). Conflicting and harmonious sibling relationships of children and adolescent siblings of children with autism spectrum disorder. Child: Care, Health and Development,47(2), 163–173. 10.1111/cch.12823.

Hallion, M., Taylor, A., & Roberts, R. (2018). Complete mental health in adult siblings of those with a chronic illness or disability. Disability and Rehabilitation,40(3), 296–301. 10.1080/09638288.2016.1251500.

Hampel, P., & Petermann, F. (2016). Stressverarbeitungsfragebogen von Janke und Erdmann angepasst für Kinder und Jugendliche (SVF-KJ) unter Mitwirkung von Boris Dickow in der Erstauflage (2., vollst. überarb. und neu normierte Aufl.). Göttingen: Hogrefe.

Hanvey, I., Malovic, A., & Ntontis, E. (2022). Glass children: The lived experiences of siblings of people with a disability or chronic illness. Journal of Community & Applied Social Psychology,32(5), 936–948. 10.1002/casp.2602.

Harrison, L. J., & Murray, E. (2015). Stress, coping and wellbeing in kindergarten: Children’s perspectives on personal, interpersonal and institutional challenges of school. International Journal of Early Childhood,47(1), 79–103. 10.1007/s13158-014-0127-4.

Hastings, R. P. (2003). Brief report: Behavioral adjustment of SIBS-A. Journal of Autism and Developmental Disorders,33, 99–104. 10.1023/a:1022290723442.

Hastings, R. P., & Petalas, M. A. (2014). Self-reported behaviour problems and sibling relationship quality by siblings of children with autism spectrum disorder. Child: Care, Health and Development,40(6), 833–839. 10.1111/cch.12131.

Hayden, N. K., Hastings, R. P., Kassa, C., & Danylec, F. (2023). Subjective poverty moderates the association between carer status and psychological outcomes of adult siblings of people with intellectual and developmental disabilities. Journal of Autism and Developmental Disorders,53(3), 987–999. 10.1007/s10803-022-05520-3.

Heller, T., & Caldwell, J. (2006). Supporting aging caregivers and adults with developmental disabilities in future planning. Mental Retardation,44(3), 189–202. 10.1352/0047-6765(2006)44[189:SACAAW]2.0.CO;2.

Hemati Alamdarloo, G., Shojaee, S., Khaghaninejad, M. S., & Teymori Asfichi, M. M. (2021). Relationships of Iranian siblings of children with sensory disabilities and typically developing children. International Journal of Inclusive Education,25(4), 531–544. 10.1080/13603116.2018.1563644.

Hetherington, E. M. (1999). Family functioning and the adjustment of adolescent siblings in diverse types of families. Monographs of the Society for Research in Child Development,64(4), 1–25. 10.1111/1540-5834.00045.

Hoffman, L., Marquis, J., Poston, D., Summers, J. A., & Turnbull, A. (2006). Assessing family outcomes: Psychometric evaluation of the beach center family quality of life scale. Journal of Marriage and Family,68(4), 1069–1083. 10.1111/j.1741-3737.2006.00314.x.

Hong, Q. N., Gonzalez-Reyes, A., & Pluye, P. (2018). Improving the usefulness of a tool for appraising the quality of qualitative, quantitative and mixed methods studies, the Mixed Methods Appraisal Tool (MMAT). Journal of Evaluation in Clinical Practice,24(3), 459–467. 10.1111/jep.12884.

Hooper, L. M., Decoster, J., White, N., & Voltz, M. L. (2011a). Characterizing the magnitude of the relation between self-reported childhood parentification and adult psychopathology: A meta-analysis. Journal of Clinical Psychology,67(10), 1028–1043. 10.1002/jclp.20807.

Hooper, L. M., Doehler, K., Jankowski, P., & Tomek, S. (2012). Patterns of self-reported alcohol use, body mass index, and depressive symptoms in a rural family sample: The buffering effects of parentification. The Family Journal: Counseling and Therapy for Couples and Families,20(2), 164–178. 10.1177/1066480711435320.

Hooper, L. M., Doehler, K., Wallace, S. A., & Hannah, N. J. (2011b). The parentification inventory: Development, validation, and cross-validation. American Journal of Family Therapy,39(3), 226–241. 10.1080/01926187.2010.531652.

Horowitz, A. (1985). Sons and daughters as caregivers to older parents: Differences in role performance and consequences. The Gerontologist,25(6), 612–617. 10.1093/geront/25.6.612.

Hurley, R. S. E., Losh, M., Parlier, M., Reznick, J. S., & Piven, J. (2007). The broad autism phenotype questionnaire. Journal of Autism and Developmental Disorders,37(9), 1679–1690. 10.1007/s10803-006-0299-3.

Incledon, E., Williams, L., Hazell, T., Heard, T. R., Flowers, A., & Hiscock, H. (2015). A review of factors associated with mental health in siblings of children with chronic illness. Journal of Child Health Care,19(2), 182–194. 10.1177/1367493513503584.

Ingersoll, B., & Hambrick, D. Z. (2011). The relationship between the broader autism phenotype, child severity, and stress and depression in parents of children with autism spectrum disorders. Research in Autism Spectrum Disorders,5(1), 337–344. 10.1016/j.rasd.2010.04.017.

Jones, E. A., Fiani, T., Stewart, J. L., Sheikh, R., Neil, N., & Fienup, D. M. (2019). When one sibling has autism: Adjustment and sibling relationship. Journal of Child and Family Studies,28(5), 1272–1282. 10.1007/s10826-019-01374-z.

Joseph, S., Becker, S., Becker, F., & Regel, S. (2009). Assessment of caring and its effects in young people: Development of the multidimensional assessment of caring activities checklist (MACA-YC18) and the positive and negative outcomes of caring questionnaire (PANOC-YC20) for young carers. Child: Care, Health and Development,35(4), 510–520.

Kale, M., & Siğirtmaç, A. D. (2021). The participation of children in caregiving of their siblings with special needs and peer relationship in rural Turkey. Early Child Development and Care,191(9), 1392–1400. 10.1080/03004430.2020.1759573.

Kaminsky, L., & Dewey, D. (2001). Siblings relationships of children with autism. Journal of Autism and Developmental Disorders,31, 399–410. 10.1023/a:1010664603039.

Kay, A. C., & Jost, J. T. (2003). Complementary justice: Effects of “poor but happy” and “poor but honest” stereotype exemplars on system justification and implicit activation of the justice motive. Journal of Personality and Social Psychology,85(5), 823. 10.1037/0022-3514.85.5.823.

Keller, D., & Honig, A. S. (2004). Maternal and paternal stress in families with school-aged children with disabilities. American Journal of Orthopsychiatry,74(3), 337–348. 10.1037/0002-9432.74.3.337.

Kessler, R. C., Barker, P. R., Colpe, L. J., Epstein, J. F., Gfroerer, J. C., Hiripi, E., Howes, M. J., Normand, S. L. T., Manderscheid, R. W., Walters, E. E., & Zaslavsky, A. M. (2003). Screening for serious mental illness in the general population. Archives of General Psychiatry,60(2), 184–189. 10.1001/archpsyc.60.2.184.

Keyes, C. L. M. (2002). The mental health continuum: From languishing to flourishing in life. Journal of Health and Social Behavior,43(2), 207–222. 10.2307/3090197.

Knecht, C., Hellmers, C., & Metzing, S. (2015). The perspective of siblings of children with chronic illness: A literature review. Journal of Pediatric Nursing,30(1), 102–116. 10.1016/j.pedn.2014.10.010.

Koukouriki, E., & Soulis, S. G. (2020). Self-reported Health-Related Quality of Life (HRQOL) and anxiety among Greek school-age siblings of individuals with Autism Spectrum Disorders (ASD) in relation to parental mental health and social support. Journal of Autism and Developmental Disorders,50(8), 2913–2930. 10.1007/s10803-020-04395-6.

Kovacs, M. (2011). The Children’s Depression Inventory (2nd ed.). Western Psychological Services.

Kryzak, L. A., Cengher, M., Feeley, K. M., Fienup, D. M., & Jones, E. A. (2015). A community support program for children with autism and their typically developing siblings: Initial investigation. Journal of Intellectual Disabilities,19(2), 159–177. 10.1177/1744629514564450.

Kulisch, L. K., Engelhardt-Lohrke, C., & Jagla-Franke, M. (2024). Coping behaviours among siblings of children with chronic health conditions. Advances in Mental Health. 10.1080/18387357.2024.2329092.

Lahaije, S. T., Luijkx, J., Waninge, A., & van der Putten, A. A. (2023). Well-being of families with a child with profound intellectual and multiple disabilities. Research and Practice for Persons with Severe Disabilities,48(2), 63–78. 10.1177/15407969231173916.

Lashewicz, B. (2018). Our ultimate fellow travelers: A pilot exploration of sibling support for adults with developmental disabilities. Issues in Mental Health Nursing,39(8), 667–674. 10.1080/01612840.2018.1434843.

Lawton, M. P., Moss, M., Fulcomer, M., & Kleban, M. H. (1982). A research and service oriented multilevel assessment instrument. Journal of Gerontology,37(1), 91–99. 10.1093/geronj/37.1.91.

Le Boudec, A., Akre, C., Barrense-DIas, Y., Berchtold, A., & Suris, J. C. (2021). Siblings of youths with chronic conditions: A school-based survey. International Journal of Adolescent Medicine and Health,33(3), 173–180. 10.1515/ijamh-2018-0247.

Lecce, S., Primi, C., Pinto, G., & Bernart, D. D. (2005). Adattamento e validazione della versione italiana del Sibling Relationship Inventory di Stocker e McHale (1992). Giornale Italiano Di Psicologia,32(1), 181–198. 10.1421/19697.

Lecciso, F., Petrocchi, S., & Marchetti, A. (2013a). Hearing mothers and oral deaf children: An atypical relational context for theory of mind. European Journal of Psychology of Education,28, 903–922.

Lecciso, F., Petrocchi, S., Savazzi, F., Marchetti, A., Nobile, M., & Molteni, M. (2013b). The association between maternal resolution of the diagnosis of autism, maternal mental representations of the relationship with the child, and children’s attachment. Life Span and Disability,16(1), 21–38.

Lee, C. E., & Burke, M. M. (2018). Caregiving roles of siblings of adults with intellectual and developmental disabilities: A systematic review. Journal of Policy and Practice in Intellectual Disabilities,15(3), 237–246. 10.1111/jppi.12246.

Lee, C. E., Burke, M. M., & Arnold, C. K. (2019b). Examining the relation between disability severity among older adults with disabilities and sibling caregiving. Research and Practice for Persons with Severe Disabilities,44(4), 224–236. 10.1177/1540796919879102.

Lee, C. E., Burke, M. M., Arnold, C. K., & Owen, A. (2018). Perceptions of non-caregiving roles among siblings of adults with intellectual and developmental disabilities. Research and Practice in Intellectual and Developmental Disabilities,5(2), 118–127. 10.1080/23297018.2018.1493393.

Lee, C. E., Burke, M., Arnold, C. K., & Owen, A. (2019a). Correlates of current caregiving among siblings of adults with intellectual and developmental disabilities. Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities,32(6), 1490–1500. 10.1111/jar.12644.

Lee, C. E., Burke, M. M., Arnold, C. K., & Owen, A. (2020). Compound sibling caregivers of individuals with intellectual and developmental disabilities. Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities,33(5), 1069–1079. 10.1111/jar.12729.

Lee, C. E., Hagiwara, M., Chiu, C. Y., & Takishima, M. (2023). Caregiving and future planning perspectives of siblings of individuals with intellectual and developmental disabilities: Insights from South Korea, Japan and Taiwan. Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities,36(1), 50–57. 10.1111/jar.13033.

Leedham, A. T., Thompson, A. R., & Freeth, M. (2020). A thematic synthesis of siblings’ lived experiences of autism: Distress, responsibilities, compassion and connection. Research in Developmental Disabilities,97, 103547. 10.1016/j.ridd.2019.103547.

Levante, A., Martis, C., Bianco, F., Castelli, I., Petrocchi, S., & Lecciso, F. (2023a). Internalizing and externalizing symptoms in children during the COVID-19 pandemic: A systematic mixed studies review. Frontiers in Psychology,14, 1182309. 10.3389/fpsyg.2023.1182309.

Levante, A., Martis, C., Del Prete, C. M., Martino, P., Pascali, F., Primiceri, P., & Lecciso, F. (2023). Parentification, distress, and relationship with parents as factors shaping the relationship between adult siblings and their brother/sister with disabilities. Frontiers in Psychiatry,13, 1079608.

Levante, A., Petrocchi, S., & Lecciso, F. (2019). Systematic review protocol of measures for early detection of risk for Autism Spectrum Disorders in toddlers. Life Span and Disability,22, 55–75.

Levante, A., Petrocchi, S., Bianco, F., Castelli, I., & Lecciso, F. (2023c). Teachers during the COVID-19 era: The mediation role played by mentalizing ability on the relationship between depressive symptoms, anxious trait, and job burnout. International Journal of Environmental Research and Public Health,20(1), 859.

Levante, A., Petrocchi, S., Colombi, C., Keller, R., Narzisi, A., Masi, G., & Lecciso, F. (2022). The effect of sleep-wake routines on the negative emotional states and aggressive behaviors in adults with Autism Spectrum Disorders (ASD) during the COVID-19 outbreak. International Journal of Environmental Research and Public Health,19(9), 4957.

Levante, A., Quarta, S., Massaro, M., Calabriso, N., Carluccio, M. A., Damiano, F., & Lecciso, F. (2024). Physical activity habits prevent psychological distress in female academic students: The multiple mediating role of physical and psychosocial parameters. Heliyon,10(4), E26626.

Lobato, D. J., & Kao, B. T. (2002). Integrated sibling-parent group intervention to improve sibling knowledge and adjustment to chronic illness and disability. Journal of Pediatric Psychology,27(8), 711–716. 10.1093/jpepsy/27.8.711.

Long, K. A., Lehmann, V., Gerhardt, C. A., Carpenter, A. L., Marsland, A. L., & Alderfer, M. A. (2018). Psychosocial functioning and risk factors among siblings of children with cancer: An updated systematic review. Psycho-Oncology,27(6), 1467–1479. 10.1002/pon.4669.

Lovibond, P. F., & Lovibond, S. H. (1995). The structure of negative emotional states: Comparison of the Depression Anxiety Stress Scales (DASS) with the beck depression and anxiety inventories. Behaviour Research and Therapy,33(3), 335–343. 10.1016/0005-7967(94)00075-u.

Ma, N., Roberts, R., Winefield, H., & Furber, G. (2015). The prevalence of psychopathology in siblings of children with mental health problems: A 20-year systematic Review. Child Psychiatry and Human Development,46(1), 130–149. 10.1007/s10578-014-0459-1.

Maenner, M. J., Smith, L. E., Hong, J., Makuch, R., Greenberg, J. S., & Mailick, M. R. (2013). Evaluation of an activities of daily living scale for adolescents and adults with developmental disabilities. Disability and Health Journal,6(1), 8–17. 10.1016/j.dhjo.2012.08.005.

Malecki, C. K., Demaray, M. K., Elliott, S. N., & Nolten, P. W. (2000). The child and adolescent social support scale. Northern Illinois University.

Marvin, R. S., & Pianta, R. C. (1992). A relationship-based approach to self-reliance in young children with motor impairments. Infants & Young Children,4(4), 33–45.

Mayes, S. D., Calhoun, S. L., Mayes, R. D., & Molitoris, S. (2012). Autism and ADHD: Overlapping and discriminating symptoms. Research in Autism Spectrum Disorders,6(1), 277–285. 10.1016/j.rasd.2011.05.009.

MCS (2017). Welcome to the Millennium Cohort Study. Retrieved January 23, 2019.

McStay, R. L., Trembath, D., & Dissanayake, C. (2014). Stress and family quality of life in parents of children with autism spectrum disorder: Parent gender and the double ABCX model. Journal of Autism and Developmental Disorders,44(12), 3101–3118. 10.1007/s10803-014-2178-7.

Milevsky, A. (2011). Sibling relationships in childhood and adolescence: Predictors and outcomes. Columbia University Press.

Milevsky, A., & Singer, O. (2022). Growing up alongside a sibling with a disability: A phenomenological examination of growth and deficiency in adulthood. Research in Developmental Disabilities,130, 104336. 10.1016/j.ridd.2022.104336.

Moyson, T., & Roeyers, H. (2012). ‘The overall quality of my life as a sibling is all right, but of course, it could always be better’. Quality of life of siblings of children with intellectual disability: The siblings’ perspectives. Journal of Intellectual Disability Research,56(1), 87–101. 10.1111/j.1365-2788.2011.01393.x.

Narring, F., Tschumper, A., Inderwildi Bonivento, L., Jeannin, A., Addor, V., Bütikofer, A., Suris, J. C., Diserens, C., Alsaker, F., Michaud, P. A. (2004). Santé et styles de vie des adolescents âgés de 16 à 20 ans en Suisse (2002). SMASH 2002: Swiss multicenter adolescent survey on health 2002. Lausanne: Institut universitaire de médecine sociale et préventive (IUMSP); Bern: Institut für Psychologie; Bellinzona: Ufficio di promozione e di valutazione sanitaria.

Niedbalski, J. (2023). Siblings’ and parents’ outlook for the prospective care for a family member with PIMD. Family Relations. 10.1111/fare.12895.

Noller, P. (2005). Sibling relationships in adolescence: Learning and growing together. Personal Relationships,12(1), 1–22. 10.1111/j.1350-4126.2005.00099.x.

Noonan, H., O’Donoghue, I., & Wilson, C. (2018). Engaging with and navigating limbo: Lived experiences of siblings of adults with autism spectrum disorders. Journal of Applied Research in Intellectual Disabilities,31(6), 1144–1153. 10.1111/jar.12474.

Nuttall, A. K., Coberly, B., & Diesel, S. J. (2018). Childhood caregiving roles, perceptions of benefits, and future caregiving intentions among typically developing adult siblings of individuals with autism spectrum disorder. Journal of Autism and Developmental Disorders,48(4), 1199–1209. 10.1007/s10803-018-3464-6.

O’Neill, L. P., & Murray, L. E. (2016). Anxiety and depression symptomatology in adult siblings of individuals with different developmental disability diagnoses. Research in Developmental Disabilities,51–52, 116–125. 10.1016/j.ridd.2015.12.017.

Opperman, S., & Alant, E. (2003). The coping responses of the adolescent siblings of children with severe disabilities. Disability and Rehabilitation,25(9), 441–454. 10.1080/0963828031000069735.

Orm, S., Haukeland, Y., Vatne, T., Silverman, W. K., & Fjermestad, K. (2022). Prosocial behavior is a relative strength in siblings of children with physical disabilities or autism spectrum disorder. Journal of Developmental and Physical Disabilities,34(4), 591–608. 10.1007/s10882-021-09816-7.

Orm, S., Vatne, T., Tomeny, T. S., & Fjermestad, K. (2021). Empathy and prosocial behavior in siblings of children with autism spectrum disorder: A systematic review. Review Journal of Autism and Developmental Disorders,9(2), 235–248. 10.1007/s40489-021-00251-0.

Page, M. J., McKenzie, J. E., Bossuyt, P. M., Boutron, I., Hoffmann, T. C., Mulrow, C. D., et al. (2021). The PRISMA 2020 statement: An updated guideline for reporting systematic reviews. International Journal of Surgery,88, 105906. 10.1016/j.ijsu.2021.105906.

Panchal, U., Salazar de Pablo, G., Franco, M., Moreno, C., Parellada, M., Arango, C., & Fusar-Poli, P. (2021). The impact of COVID-19 lockdown on child and adolescent mental health: Systematic review. European Child and Adolescent Psychiatry,1, 1–27. 10.1007/s00787-021-01856-w.

Parker, R., Houghton, S., Bichard, E., & McKeever, S. (2020). Impact of congenital heart disease on siblings: A review. Journal of Child Health Care,24(2), 297–316. 10.1177/1367493520914738.

Paul, A. M., Hussey, M. M., Woodman, A. C., Smith, A. L., & Shriver, T. P. (2022). Experiences of siblings of people with intellectual disabilities: Multiregional perspectives. Family Relations,71(2), 671–685. 10.1111/fare.12608.

Paulhus, D. H. (1991). Measurement and control of response bias. In J. P. Robinson & P. R. Shaver (Eds.), Measures of Personality and Social Psychological Attitudes (pp.17–59). New York, NY: Academic Press.10.1016/B978-0-12-590241-0.50006-X..

Pearlin, L. I., Mullan, J. T., Semple, S. J., & Skaff, M. M. (1990). Caregiving and the stress process: An overview of concepts and their measures. The Gerontologist,30(5), 583–594. 10.1093/geront/30.5.583.

Penrod, J. D., Kane, R. A., Kane, R. L., & Finch, M. D. (1995). Who cares? the size, scope, and composition of the caregiver support system. The Gerontologist,35(4), 489–497. 10.1093/geront/35.4.489.

Perenc, L., & Pęczkowski, R. (2018). Cognitive and affective empathy among adolescent siblings of children with a physical disability. Disability and Health Journal,11(1), 43–48. 10.1016/j.dhjo.2017.08.008.

Perkins, E. A., & Haley, W. E. (2010). Compound caregiving: When lifelong caregivers undertake additional caregiving roles. Rehabilitation Psychology,55(4), 409–417. 10.1037/a0021521.

Persram, R. J., Howe, N., & Bukowski, W. M. (2022). Constructing and validating a measure of adolescents’ perceptions of sibling trust. Canadian Journal of Behavioural Science,54(1), 73.

Petalas, M. A., Hastings, R. P., Nash, S., Lloyd, T., & Dowey, A. (2009). Emotional and behavioural adjustment in siblings of children with intellectual disability with and without autism. Autism,13(5), 471–483. 10.1177/1362361309335721.

Peterson, D., & Keeley, J. W. (2015). Syndrome, disorder, and disease. The Encyclopedia of Clinical Psychology. 10.1002/9781118625392.wbecp154.

Petrocchi, S., Filipponi, C., Antonietti, C., Levante, A., & Lecciso, F. (2021). Theory of mind as a mediator between emotional trust beliefs and interpersonal communication competence in a group of young adults. Psychological Reports,124(2), 555–576. 10.1177/0033294120913489.

Petrocchi, S., Levante, A., Bianco, F., Castelli, I., & Lecciso, F. (2020). Maternal distress/coping and children’s adaptive behaviors during the COVID-19 lockdown: Mediation through children’s emotional experience. Frontiers in Public Health,8, 587833.

Pinho, M., & Gaunt, R. (2024). Biological essentialism, gender ideologies, and the division of housework and childcare: Comparing male carer/female breadwinner and traditional families. The Journal of Social Psychology,164(1), 59–75.

Quarta, S., Levante, A., García-Conesa, M. T., Lecciso, F., Scoditti, E., Carluccio, M. A., & Massaro, M. (2022). Assessment of subjective well-being in a cohort of university students and Staff members: Association with physical activity and outdoor leisure time during the COVID-19 pandemic. International Journal of Environmental Research and Public Health,19(8), 4787.

Quarta, S., Siculella, L., Levante, A., Carluccio, M. A., Calabriso, N., Scoditti, E., & Massaro, M. (2023). Association between Mediterranean lifestyle and perception of well-being and distress in a sample population of university Italian students. International Journal of Food Sciences and Nutrition,74(4), 556–567.

Radloff, L. S. (1977). The CES-D scale: A self-report depression scale for research in the general population. Applied Psychological Measurement,1(3), 385–401. 10.1177/014662167700100306.

Rashedi, V., Rezaei, M., Morasae, E. K., & Weisi, F. (2013). Types of disability in children and maternal depressive symptoms: Is there any relationship? International Journal of Therapy and Rehabilitation,20(10), 495–500. 10.12968/ijtr.2013.20.10.495.

Ravens-Sieberer, U., Auquier, P., Erhart, M., Gosch, A., Rajmil, J., Bruil, J., European KIDSCREEN Group. (2007). The KID- SCREEN-27 quality of life measure for children and adolescents: Psychometric results from a cross-cultural survey in 13 European countries. Quality of Life Research,16(8), 1347–1356. 10.1007/s11136-007-9240-2.

Ravens-Sieberer, U., Erhart, M., Rajmil, L., Herdman, M., Auquier, P., Bruil, J., European KIDSCREEN Group. (2010). Reliability, construct and criterion validity of the KIDSCREEN-10 score: A short measure for children and adolescents’ well-being and health-related quality of life. Quality of Life Research,19, 1487–1500. 10.1007/s11136-010-9706-5.

Ravens-Sieberer, U., Herdman, M., Devine, J., Otto, C., Bullinger, M., Rose, M., & Klasen, F. (2014). The European KIDSCREEN approach to measure quality of life and well-being in children: Development, current application, and future advances. Quality of Life Research,23, 791–803. 10.1007/s11136-013-0428-3.

Redquest, B. K., Tint, A., Ries, H., Goll, E., Rossi, B., & Lunsky, Y. (2020). Support needs of Canadian adult siblings of brothers and sisters with intellectual/developmental disabilities. Journal of Policy and Practice in Intellectual Disabilities,17(3), 239–246. 10.1111/jppi.12339.

Redquest, B. K., Tint, A., Ries, H., & Lunsky, Y. (2021). Exploring the experiences of siblings of adults with intellectual/developmental disabilities during the COVID-19 pandemic. Journal of Intellectual Disability Research,65(1), 1–10. 10.1111/jir.12793.

Riggio, H. R. (2000). Measuring attitudes toward adult sibling relationships: The lifespan sibling relationship scale. Journal of Social and Personal Relationships,17(6), 707–728. 10.1177/0265407500176001.

Rochefort, C., Paradis, A., Rivard, M., & Dewar, M. (2023). Siblings of individuals with intellectual disabilities or autism: A scoping review using Trauma Theory. Journal of Child and Family Studies. 10.1007/s10826-023-02589-x.

Rosencrans, M., Arango, P., Sabat, C., Buck, A., Brown, C., Tenorio, M., & Witwer, A. (2021). The impact of the COVID-19 pandemic on the health, wellbeing, and access to services of people with intellectual and developmental disabilities. Research in Developmental Disabilities,114, 103985. 10.1016/j.ridd.2021.103985.

Ross, P., & Cuskelly, M. (2009). Adjustment, sibling problems and coping strategies of brothers and sisters of children with autistic spectrum disorder. Journal of Intellectual and Developmental Disability,31(2), 77–86. 10.1080/13668250600710864.

Rossetti, Z., & Hall, S. (2015). Adult sibling relationships with brothers and sisters with severe disabilities. Research and Practice for Persons with Severe Disabilities,40(2), 120–137. 10.1177/1540796915592829.

Rossetti, Z., Harbaugh, A. G., & Hall, S. A. (2018). Patterns of adult sibling role involvement with brothers and sisters with intellectual and developmental disabilities. Journal of Developmental and Physical Disabilities,30(4), 527–543. 10.1007/s10882-018-9600-6.

Rossetti, Z., Lee, C. E., Burke, M., & Hall, S. (2020). Perspectives about adult sibling relationships: A dyadic analysis of siblings with and without intellectual and developmental disabilities. Research in Developmental Disabilities,96, 103538. 10.1016/j.ridd.2019.103538.

Rotenberg, K. J., Petrocchi, S., Lecciso, F., & Marchetti, A. (2015). The relation between children’s trust beliefs and theory of mind abilities. Infant and Child Development,24(2), 206–214. 10.1002/icd.1891.

Ryff, C. D. (1989). Happiness is everything, or is it? explorations on the meaning of psychological well-being. Journal of Personality and Social Psychology,57(6), 1069–1081. 10.1037/0022-3514.57.6.1069.

Sato, N., Araki, A., Ito, R., & Ishigaki, K. (2015). exploring the beliefs of Japanese mothers caring for a child with disabilities. Journal of Family Nursing,21(2), 232–260. 10.1177/1074840715586551.

Schaefer, E. S., & Edgerton, M. (1981). Description of the Sibling Inventory of Behavior. Unpublished manuscript, Child Development Research Institute. Chapel Hill, NC: University of North Carolina..

Schamong, A. S., Liebermann-Jordanidis, H., Brockmeier, K., Sticker, E., & Kalbe, E. (2021). Psychosocial well-being and quality of life in siblings of children with congenital heart disease: A systematic review. Journal of Child Health Care,26(2), 319–337. 10.1177/13674935211012933.

Seltzer, M. M., & Li, L. W. (1996). The transitions of caregiving: Subjective and objective definitions. The Gerontologist,36(5), 614–626. 10.1093/geront/36.5.614.

Sharpe, D., & Rossiter, L. (2002). Siblings of children with a chronic illness: A meta-analysis. Journal of Pediatric Psychology,27(8), 699–710. 10.1093/jpepsy/27.8.699.

Sher-Censor, E., & Shahar-Lahav, R. (2022). Parents’ resolution of their child’s diagnosis: A scoping review. Attachment & Human Development,24(5), 580–604.

Shivers, C. M. (2019a). Empathy and perceptions of their brother or sister among adolescent siblings of individuals with and without autism spectrum disorder. Research in Developmental Disabilities,92, 103451. 10.1016/j.ridd.2019.103451.

Shivers, C. M. (2019b). Self-Reported guilt among adult siblings of people with intellectual and developmental disabilities. American Journal on Intellectual and Developmental Disabilities,124(5), 470–477. 10.1352/1944-7558-124.5.470.

Shivers, C. M., & Kozimor, L. M. (2017). Adolescent siblings of individuals with intellectual disabilities with and without comorbid mental health problems: A preliminary comparison of sibling perceptions. Journal of Mental Health Research in Intellectual Disabilities,10(1), 1–16. 10.1080/19315864.2016.1271484.

Shivers, C. M., McGregor, C., & Hough, A. (2019). Self-reported stress among adolescent siblings of individuals with autism spectrum disorder and Down syndrome. Autism,23(1), 112–122. 10.1177/1362361317722432.

Shojaee, S., Hemati Alamdarloo, G., & Nikoobin Borujeni, F. (2020). Adjustment difficulties of siblings of children with disabilities and typically developing children. International Journal of Inclusive Education,24(4), 414–426. 10.1080/13603116.2018.1464606.

Silva, L. M. T., & Schalock, M. (2012). Autism Parenting Stress Index: Initial psychometric evidence. Journal of Autism and Developmental Disorders,42(4), 566–574. 10.1007/s10803-011-1274-1.

Siman-Tov, A., & Sharabi, A. (2023). Differences between typically-developing brothers & sisters of individuals with developmental disabilities. Journal of Child and Family Studies,32(5), 1559–1570. 10.1007/s10826-023-02574-4.

Skotko, B. G., Levine, S. P., & Goldstein, R. (2011). Having a son or daughter with Down syndrome: Perspectives from mothers and fathers. American Journal of Medical Genetics Part A,155(10), 2335–2347. 10.1002/ajmg.a.34293.

Spence, S. H. (1998). A measure of anxiety symptoms among children. Behaviour Research and Therapy,36(5), 545–566. 10.1016/s0005-7967(98)00034-5.

Spielberger, C. D., Edwards, C. D., Lushene, R. E., Montuori, J., & Platzek, D. (1973). Preliminary manual for the state-trait anxiety inventory for children. Consulting Psychologists Press.

Spirito, A., Stark, L. J., Grace, N., & Stamoulis, D. (1991). Common problems and coping strategies reported in childhood and early adolescence. Journal of Youth and Adolescence,20(5), 531–544. 10.1007/BF01540636.

Stewart-Brown, S., Tennant, A., Tennant, R., Platt, S., Parkinson, J., & Weich, S. (2009). Internal construct validity of the Warwick-Edinburgh Mental Well-Being Scale (WEMWBS): A rasch analysis using data from the scottish health education population survey. Health and Quality of Life Outcomes,7(1), 1–8. 10.1186/1477-7525-7-15.

Stock, N. M., Stoneman, K., Cunniffe, C., & Rumsey, N. (2016). The psychosocial impact of cleft lip and/or palate on unaffected siblings. Cleft Palate-Craniofacial Journal,53(6), 670–682. 10.1597/15-148.

Stocker, C. M., Lanthier, R. P., & Furman, W. (1997). Sibling relationships in early adulthood. Journal of Family Psychology,11(2), 210–221. 10.1037/0893-3200.11.2.210.

Stoneman, Z. (2005). Siblings of children with disabilities: Research themes. Mental Retardation,43(5), 339–350. 10.1352/0047-6765(2005)43[339:SOCWDR]2.0.CO;2.

Taffe, R., Gray, K. M., Einfeld, S. L., Dekker, M. C., Koot, H. M., Emerson, E., Koskentausta, T., Tonge, B. J., & MacLean, W. (2007). Short form of the developmental behaviour checklist. American Journal on Mental Retardation,112(1), 31–39. 10.1352/0895-8017(2007)112[31:SFOTDB]2.0.CO;2.

Taylor, J. L., Hodapp, R. M., Burke, M. M., Waitz-Kudla, S. N., & Rabideau, C. (2017). Training parents of youth with autism spectrum disorder to advocate for adult disability services: Results from a pilot randomized controlled trial. Journal of Autism and Developmental Disorders,47(3), 846–857. 10.1007/s10803-016-2994-z.

Thomas, S., Reddy, K., & Sagar, J. V. (2015). Psychosocial issues of siblings of children with autism spectrum disorder. International Journal of Advanced Research,3(4), 119–124.

Tomeny, T. S., Baker, L. K., Barry, T. D., Eldred, S. W., & Rankin, J. A. (2016a). Emotional and behavioral functioning of typically-developing sisters of children with autism spectrum disorder: The roles of ASD severity, parental stress, and marital status. Research in Autism Spectrum Disorders,32, 130–142. 10.1016/j.rasd.2016.09.008.

Tomeny, T. S., Barry, T. D., & Fair, E. C. (2016b). Parentification of adult siblings of individuals with autism spectrum disorder: Distress, sibling relationship attitudes, and the role of social support. Journal of Intellectual & Developmental Disability,42(4), 320–331. 10.3109/13668250.2016.1248376.

Tomeny, T. S., Barry, T. D., Fair, E. C., & Riley, R. (2017a). Parentification of adult siblings of individuals with autism spectrum disorder. Journal of Child and Family Studies,26(4), 1056–1067. 10.1007/s10826-016-0627-y.

Tomeny, T. S., Ellis, B. M., Rankin, J. A., & Barry, T. D. (2017b). Sibling relationship quality and psychosocial outcomes among adult siblings of individuals with autism spectrum disorder and individuals with intellectual disability without autism. Research in Developmental Disabilities,62, 104–114. 10.1016/j.ridd.2017.01.008.

Topp, C. W., Østergaard, S. D., Søndergaard, S., & Bech, P. (2015). The WHO-5 Well-Being Index: A systematic review of the literature. Psychotherapy and Psychosomatics,84(3), 167–176. 10.1159/000376585.

Travers, H. E., Carlton, M. E., & Carter, E. W. (2020). Social connections among siblings with and without intellectual disability or autism. Intellectual and Developmental Disabilities,58(1), 19–33. 10.1352/1934-9556-58.1.19.

Tsai, H. W. J., Cebula, K., & Fletcher-Watson, S. (2016). Influences on the psychosocial adjustment of siblings of children with autism spectrum disorder in Taiwan and the United Kingdom. Research in Autism Spectrum Disorders,32, 115–129. 10.1016/j.rasd.2016.09.007.

Tudge, J. R., Mokrova, I., Hatfield, B. E., & Karnik, R. B. (2009). Uses and misuses of Bronfenbrenner’s bioecological theory of human development. Journal of Family Theory & Review,1(4), 198–210.

Tyerman, E., Eccles, F. J., Gray, V., & Murray, C. D. (2019). Siblings’ experiences of their relationship with a brother or sister with a pediatric acquired brain injury. Disability and Rehabilitation,41(24), 2940–2948. 10.1080/09638288.2018.1482506.

Vasilopoulou, E., & Nisbet, J. (2016). The quality of life of parents of children with autism spectrum disorder: A systematic review. Research in Autism Spectrum Disorders,23, 36–49. 10.1016/j.rasd.2015.11.008.

Veit, C. T., & Ware, J. E. (1983). The structure of psychological distress and well-being in general populations. Journal of Consulting and Clinical Psychology,51(5), 730. 10.1037/0022-006X.51.5.730.

Watson, L., Hanna, P., & Jones, C. J. (2021). A systematic review of the experience of being a sibling of a child with an autism spectrum disorder. Clinical Child Psychology and Psychiatry,26(3), 734–749. 10.1177/13591045211007921.

Whittemore, R., & Knafl, K. (2005). The integrative review: Updated methodology. Journal of Advanced Nursing,52, 546–553. 10.1111/j.1365-2648.2005.03621.x.

WHOQoL Group. (1993). Study protocol for the World Health Organization project to develop a Quality of Life assessment instrument (WHOQOL). Quality of Life Research,2, 153–159.

Williams, P., Piamjariyakul, U., Carolyn Graff, J., Stanton, A., Guthrie, A. C., Hafeman, C., & Williams, A. R. (2010). Developmental Disabilities: Effects on well siblings. Issues in Comprehensive Pediatric Nursing,33(1), 39–55. 10.3109/01460860903486515.

Yacoub, E., Dowd, M., McCann, L., & Burke, L. (2018). Impact of challenging behaviour on siblings of people with Autism. Advances in Mental Health and Intellectual Disabilities,12(5–6), 145–152. 10.1108/AMHID-01-2018-0001.

Yaldız, A. H., Solak, N., & Ikizer, G. (2021). Negative emotions in siblings of individuals with developmental disabilities: The roles of early maladaptive schemas and system justification. Research in Developmental Disabilities,117, 104046. 10.1016/j.ridd.2021.104046.

Yang, H. C., Mu, P. F., Sheng, C. C., Chen, Y. W., & Hung, G. Y. (2016). A systematic review of the experiences of siblings of children with cancer. Cancer Nursing,39(3), E12–E21. 10.1097/NCC.0000000000000258.

Young, J. E., Klosko, J. S., & Weishaar, M. E. (2003). Schema therapy (p. 254). Guilford.

Zaidman-Zait, A., Yechezkiely, M., & Regev, D. (2020). The quality of the relationship between typically developing children and their siblings with and without intellectual disability: Insights from children’s drawings. Research in Developmental Disabilities,96, 103537. 10.1016/j.ridd.2019.103537.

Zanobini, M., Manetti, M., & Usai, M. C. (2002). La famiglia di fronte alla disabilità. Stress, risorse e sostegni (Vol. 60). Edizioni Erickson.

Zigmond, A. S., & Snaith, R. P. (1983). The hospital anxiety and depression scale. Acta Psychiatrica Scandinavica,67(6), 361–370. 10.1111/j.1600-0447.1983.tb09716.x.

Zimet, G. D., Dahlem, N. W., Zimet, S. G., & Farley, G. K. (1988). The multidimensional scale of perceived social support. Journal of Personality Assessment,52(1), 30–41. 10.1207/s15327752jpa5201_2.

Zuckerman, M., Lubin, B., & Rinck, C. M. (1985). Multiple affect adjective check list-revised. Journal of Behavioral Assessment. 10.1007/978-3-319-24612-3_49.

Tradução não oficial em português de A fratria de pessoas com deficiência: uma revisão sistemática integrativa da literatura empírica, de Annalisa Levante, Chiara Martis, Cristina Maria Del Prete, Paola Martino, Patrizia Primiceri e Flavia Lecciso, Clinical Child and Family Psychology Review, vol. 28, no 1, p. 209-253 (2025), doi: 10.1007/s10567-024-00502-6, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença (tabelas apresentadas em listas, legendas das figuras traduzidas). Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.

Tradução não oficial para o português de “Siblings of Persons with Disabilities: A Systematic Integrative Review of the Empirical Literature”, publicado em Clinical Child and Family Psychology Review (2025) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.

Ler o artigo original

Como citar este artigo

Levante, A., Martis, C., Del Prete, C. M., Martino, P., Primiceri, P., et Lecciso, F. (2025). A fratria de pessoas com deficiência: uma revisão sistemática integrativa da literatura empírica (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/a-fratria-de-pessoas-com-deficiencia-uma-revisao-sistematica-integrativa-da-literatura (Obra original publicada em 2024 em Clinical Child and Family Psychology Review, 28(1), 209-253 (2025); republicada em 2025 por Clinical Child and Family Psychology Review, https://link.springer.com/article/10.1007/s10567-024-00502-6)

Carrinho

Seu carrinho está vazio.