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Frontiers in Psychology · Proteção à infância

“Achávamos que éramos mais fortes do que éramos”: narrativas de pessoas adotantes sobre o percurso da adoção e a ruptura

Na Romênia, desde 2016, uma lista pública de crianças “de difícil adoção” abriu a adoção a crianças mais velhas, com problemas de saúde ou em grupos de irmãos. Mas uma em cada oito adoções dessa lista se rompe durante os três meses do estágio de convivência. Sete pessoas adotantes contam essa virada rápida, do entusiasmo à angústia, e a falta de apoio que a acompanhou.

Autores Anca Bejenaru e Sorina Corman (Departamento de Serviço Social, Jornalismo, Relações Públicas e Sociologia, Universidade Lucian Blaga de Sibiu, Romênia); Sergiu Raiu (Universidade Lucian Blaga de Sibiu e Departamento de Ciências Humanas e Sociopolíticas, Universidade Ștefan cel Mare de Suceava); Mihai Iovu (Universidade Lucian Blaga de Sibiu e Departamento de Serviço Social, Universidade Babeș-Bolyai de Cluj-Napoca); Alina Negoescu (Departamento de Ciências Sociais Aplicadas e Humanidades, Academia das Forças Terrestres Nicolae Bălcescu, Sibiu)Primeira publicação Frontiers in Psychology, 8 de abril de 2024Tradução Complexe Systémique, tradução não oficial

Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de “Achávamos que éramos mais fortes do que éramos”: narrativas de pessoas adotantes sobre o percurso da adoção e a ruptura, de Anca Bejenaru, Sergiu Raiu, Mihai Iovu, Alina Negoescu e Sorina Corman, publicado na Frontiers in Psychology (Frontiers Media) (2024), doi: 10.3389/fpsyg.2024.1381050, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. A Tabela 1 é apresentada em forma de lista; as declarações do fim do artigo foram reunidas nas notas. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.

Não são as características das crianças per se que predispõem às rupturas, mas sim as falsas expectativas das pessoas adotantes e a falta de preparação.

Anca Bejenaru, Sergiu Raiu, Mihai Iovu, Alina Negoescu e Sorina Corman

Resumo

Introdução. Embora a maioria das famílias adotivas permaneça estável, algumas se desfazem prematuramente.

Métodos. Com uma abordagem qualitativa, este estudo deu voz a sete pessoas candidatas à adoção que iniciaram o percurso de adoção com uma ou mais crianças, mas não concluíram o processo legal. Nosso objetivo foi compreender suas experiências ao longo do processo de adoção e da ruptura.

Resultados. Os resultados mostram como essas pessoas passaram, em pouco tempo, do entusiasmo de encontrar uma criança ou um grupo de irmãos à desilusão e ao trauma. Os principais fatores de risco que dificultam a estabilidade da adoção incluem expectativas irrealistas, escolha intuitiva da criança na ausência de informações precisas, desafios trazidos pelas características particulares da criança e falta de apoio profissional.

Discussão. Nosso estudo destaca a necessidade de que as pessoas adotantes sejam acompanhadas por especialistas durante todo o processo, estejam mais bem preparadas para lidar com as necessidades complexas das crianças do sistema de proteção e tenham acesso facilitado a um conjunto de serviços especializados que atendam às diferentes necessidades de cada família.

Palavras-chave: ruptura da adoção, experiências de pessoas adotantes, adoção de crianças com necessidades especiais, apoio à adoção, serviços psicológicos e sociais

Introdução

Ruptura (disruption) é um dos termos mais usados na literatura para designar o fracasso do processo de adoção de crianças cuja família de origem não pode cuidar delas. Seu uso nos estudos, porém, é inconsistente (Palacios et al., 2019; Lyttle et al., 2021). Na Inglaterra, por exemplo, o conceito descreve a separação entre a criança e as pessoas candidatas à adoção antes e depois da conclusão legal (Selwyn et al., 2014; Lyttle et al., 2021). Nos Estados Unidos, o termo é usado em sentido estrito para designar o término da adoção antes da finalização legal (Rosenthal, 1993), enquanto o termo dissolução é preferido para designar a separação após a adoção legal.

Na Romênia, as adoções só podem ser rompidas durante o estágio de convivência, um período de três meses antes da conclusão legal da adoção.1 Esse período pode ser prorrogado, em condições excepcionais, por até seis meses. Durante esse tempo, a criança vive com os futuros pais adotivos, e especialistas em adoção acompanham sua adaptação. Após a conclusão legal, a adoção só pode ser desfeita depois que a criança completa 18 anos, em circunstâncias excepcionais.2

O contexto legal e social romeno da adoção e da ruptura

Na Romênia, até 2016, a adoção era praticada exclusivamente com base em procedimentos de pareamento, estabelecidos recentemente por um sistema eletrônico nacional que reúne as pessoas habilitadas para adoção e as crianças adotáveis. No processo de pareamento, o sistema considera as características das crianças e os critérios de adoção definidos pelas pessoas habilitadas. Como a maior parte das pessoas candidatas na Romênia define como critérios a menor idade possível, boa saúde e ausência de deficiência (Buzducea e Lazăr, 2011), as crianças que não se encaixavam nessas características não tinham nenhuma chance real de ser adotadas no país. A adoção internacional também não é uma opção. Por meio de uma moratória instituída em 2001 e, depois, da Lei de Adoção de 2004, a adoção de crianças por pessoas de nacionalidade estrangeira foi proibida. Essa proibição foi motivada pelo grande número de adoções internacionais registradas após a queda do regime comunista em 1989, favorecidas por procedimentos pouco regulamentados, e pelas preocupações com a capacidade limitada dos órgãos romenos de acompanhar as crianças adotadas no exterior (Popescu et al., 2020). No período seguinte, de 2001 a 2016, a Romênia não fez nenhum esforço para estimular as adoções nacionais (Bejenaru, 2017).

Desde 2016, foi tomada uma série de medidas, tanto para simplificar os procedimentos e reduzir o tempo para declarar crianças adotáveis quanto para estimular a adoção de crianças de difícil adoção (HtAC, hard-to-adopt children). Uma dessas medidas foi a criação de uma lista de crianças com perfil público, inicialmente chamada de lista de crianças de difícil adoção. Nela são registradas as crianças para as quais não se encontra uma família em seis meses ou para as quais o pareamento fracassa. A lista pode ser consultada por todas as pessoas habilitadas, independentemente do número e do perfil das crianças para as quais foram inicialmente habilitadas, e elas podem escolher iniciar o processo de adoção com qualquer criança ou grupo de irmãos da lista, sem receber formação adicional. Dessa forma, crianças com problemas de saúde ou deficiência, crianças mais velhas e grupos de irmãos têm uma chance a mais de ser adotados.3 A literatura acadêmica inclui essas categorias de crianças sob o termo genérico de crianças com necessidades especiais (children with special needs; Rosenthal, 1993; Child Welfare Information Gateway, 2010; Pecora, 2010; O’Dell et al., 2015), ou sob o termo mais contestado de crianças de difícil colocação. A partir daqui, usaremos os termos crianças com necessidades especiais e crianças HtAC, conforme o caso. Desde 2016, as adoções de crianças HtAC aumentaram a cada ano na Romênia. Assim, enquanto em 2016 houve duas adoções HtAC, em 2021 o número chegou a 260. No mesmo período, também se registrou um aumento entre as crianças adotadas por pareamento, de 1.053 em 2016 para 1.393 em 2021 (NAPRCA, 2022). Além dessas adoções concluídas com sucesso, várias adoções foram rompidas durante o estágio de convivência, tanto entre as crianças adotadas por pareamento quanto entre as crianças HtAC. Estatisticamente, as adoções HtAC têm uma taxa de ruptura maior que as adoções por pareamento. A partir dos dados fornecidos em 2022 por 40 das 47 instituições públicas responsáveis pela adoção na Romênia, constatamos que, no período de 2016 a 2021, a taxa média de ruptura foi de 1,9% nas adoções por pareamento, enquanto nas adoções de crianças escolhidas na lista HtAC foi de 13%.

Na próxima seção, revisaremos a literatura para destacar os principais fatores que concorrem para a ruptura e como as pessoas adotantes vivem esse processo.

Fatores que afetam a estabilidade da adoção de crianças com necessidades especiais

O perfil das pessoas adotantes e a motivação para adotar uma criança com necessidades especiais

Enquanto na Romênia a adoção de crianças com necessidades especiais só recentemente passou a ser incentivada por políticas e práticas, em outros países, como os Estados Unidos e o Reino Unido, ela é promovida há mais de cinco décadas (Carp, 2002). Os primeiros estudos que buscaram captar o perfil e as motivações das pessoas adotantes datam dos anos 1970. Esses estudos mostraram que as características de quem adota crianças mais velhas, com problemas de saúde e deficiências, ou grupos de irmãos, distinguem essas pessoas da maioria. Segundo os achados de Deiner et al. (1988), muitas dessas crianças eram adotadas por famílias acolhedoras com renda acima da média e fortes convicções religiosas. As famílias eram coesas, adaptáveis e flexíveis. Sua motivação era sobretudo oferecer estabilidade e segurança à criança, e menos melhorar seus problemas de saúde. Do mesmo modo, McRoy (1999) mostrou em seus estudos que, nas adoções estáveis, as pessoas adotantes têm um casamento sólido e são flexíveis e maduras. Demonstram compromisso com a adoção, têm experiência na criação de filhos, contam com uma ampla rede de apoio, e suas expectativas em relação à criança são realistas. Em alguns casos, já cuidaram de crianças como família acolhedora. A motivação das pessoas adotantes é mais altruísta do que centrada na realização pessoal (McRoy, 1999). Estudos mais recentes confirmam a importância dessa motivação e do compromisso com as crianças para garantir a estabilidade da adoção (Denby et al., 2011; Paniagua et al., 2022). Segundo Paniagua et al. (2022), motivações centradas nos desejos adultos de parentalidade e de companhia apresentam maior risco de ruptura. Nem todas as pessoas adotantes entram no processo com a intenção de adotar crianças com necessidades especiais. Lindstrom et al. (2013) propõem uma classificação interessante, que divide os pais em três categorias: pais que desde o início desejam adotar uma criança com necessidades especiais; pais que inicialmente desejam adotar uma criança saudável e depois decidem que podem aceitar uma criança com necessidades especiais; e pais que adotam uma criança aparentemente saudável, mas depois descobrem que ela tem necessidades especiais.

Preparar as pessoas adotantes para os desafios trazidos pelas características da criança

A literatura é em grande parte convergente quanto aos riscos maiores de instabilidade e ruptura para crianças com necessidades especiais (McDonald et al., 2001). No entanto, “necessidades especiais” é um termo guarda-chuva que abrange crianças com características muito diferentes. Entre elas, os transtornos comportamentais e emocionais e as dificuldades de formar vínculos de apego com as futuras pessoas adotantes parecem ser os fatores que mais predispõem ao fracasso da adoção (Selwyn et al., 2014; Palacios et al., 2019).

O risco de ruptura também aumenta com a idade da criança. Quanto mais tempo a criança passa no sistema de acolhimento, mais se acumulam traumas e atrasos de desenvolvimento que afetam sua percepção de si e dos outros, sua capacidade de autocontrole e seus comportamentos (Palacios et al., 2019; Lanham, 2022). Quanto à presença de deficiências e problemas médicos, desde que sejam conhecidos e assumidos pelos pais antes da adoção, eles parecem pôr menos em risco a estabilidade da adoção. Além disso, Mozzi e Nuernberg (2016) mostraram que uma deficiência pode contribuir para intensificar os vínculos afetivos entre a criança adotada e os pais adotivos, por causa da dependência da criança em relação a eles e da maior demanda de cuidados.

As pessoas adotantes parecem em geral menos preparadas não só diante dos transtornos de comportamento, mas também das dificuldades de relacionamento e de apego apresentadas pelas crianças (Valentine et al., 1988; Wind et al., 2005; Tonheim e Iversen, 2019). Algumas só entendem a dimensão desses problemas depois de receber as crianças em sua própria família (McRoy, 1999). Estudos anteriores mostram que as pessoas adotantes precisam de formação mais prática e de uma compreensão concreta dos desafios que enfrentarão após a colocação (Bergsund et al., 2018; Rosenthal et al., 1996; Rushton e Monck, 2009). Segundo outros estudos, os pais adotivos muitas vezes afirmam receber informações incompletas sobre seus filhos (Reilly e Platz, 2003; Coakley e Berrick, 2007; Lee et al., 2018), ou que especialistas apresentam a situação das crianças de modo bastante favorável para aumentar suas chances de adoção (Selwyn et al., 2014), gerando nas pessoas adotantes expectativas irrealistas que podem predispor à ruptura (Coakley e Berrick, 2007). Outros estudos consideram que a formação pré-adotiva não ajudou essas pessoas a desenvolver as habilidades para enfrentar os desafios encontrados após a colocação (Rosenthal et al., 1996; Rushton e Monck, 2009).

A experiência com especialistas em adoção e serviços de apoio

Há consenso na literatura quanto à prevenção das rupturas, sobretudo na adoção de crianças com necessidades especiais: ela envolve identificar os problemas o mais cedo possível e oferecer apoio adequado (Haugaard et al., 2000). A ausência ou a oferta fragmentada de serviços de apoio predispõe à ruptura (Barth e Miller, 2000). Durante esse curto período de “experiência”, o contato com especialistas dos serviços de adoção parece extremamente importante para as pessoas adotantes. Schmidt et al. (1988) mostraram que os pais adotivos valorizavam a honestidade, a abertura e a empatia de especialistas. O apoio recebido ajudava os pais a manter a autoestima e a confiança em sua capacidade de enfrentar situações difíceis e de se reajustar. O mesmo estudo mostrou a frustração de pessoas adotantes que não recebiam crédito de especialistas quando relatavam a gravidade dos transtornos de comportamento de seus filhos. Do mesmo modo, no estudo de Lyttle et al. (2021), muitos pais disseram ter se sentido sob julgamento, sem escuta ou sem crédito. Outro estudo realizado nos EUA mostrou que 88% das pessoas adotantes que viveram uma ruptura consideravam que a falta de apoio emocional das equipes profissionais de adoção e a falta de resposta ou comunicação adequada dos serviços de adoção foram barreiras significativas para o sucesso da adoção (USDHHS, 2020).

Experiências ao longo do processo de adoção e de ruptura

Em estudos anteriores, os pais relataram isolamento e alienação durante o estágio de convivência (Valentine et al., 1988). Parte dos pais afirmou não ter encontrado compreensão e apoio externos, e que seus sentimentos não foram validados (O’Neill, 1993; Bergeron e Pennington, 2013). Para muitas famílias, o processo de ruptura foi vivido como traumático (McKirdy et al., 2019). Segundo Schmidt et al. (1988), as pessoas adotantes viveram a perda da criança após a ruptura como a perda de alguém por morte. Esses resultados são corroborados por um estudo recente de Goldberg e Allen (2022) com pessoas adotantes LGBTQ. No estudo conduzido por O’Neill (1993), parte dos pais relatou raiva e arrependimento, e outra parte, vergonha ou culpa. Esses e outros sentimentos, como estresse, luto, desespero, exaustão e alívio, também foram identificados na pesquisa de Lyttle et al. (2021).

Embora os estudos anteriores tenham produzido dados importantes sobre os fatores que afetam a estabilidade da adoção, poucos se concentraram no estágio de convivência, ainda que a maioria das adoções fracasse antes da conclusão legal (Selwyn et al., 2014). Além disso, pouquíssimos estudos abordaram a forma como as pessoas adotantes vivem o percurso de adoção e sua ruptura durante o estágio de convivência. Nosso estudo busca, portanto, preencher essa lacuna.

Objetivos da pesquisa

O objetivo deste estudo foi compreender as experiências das pessoas participantes ao longo do processo de adoção e de ruptura e os desafios que encontraram em seu percurso com a criança ou o grupo de irmãos que lhes foi confiado para adoção.

Especificamente, nossos objetivos buscaram:

(1) explorar as motivações para adotar uma criança da lista HtAC; (2) analisar como essas pessoas avaliavam sua preparação para o processo; (3) identificar os desafios trazidos pelas características das crianças e a capacidade de enfrentá-los; (4) descrever a experiência com especialistas em adoção e serviços de apoio; e (5) captar como se sentiram em relação ao percurso de adoção e ao processo de ruptura.

Materiais e métodos

O presente estudo faz parte de um projeto de pesquisa mais amplo sobre a resiliência da família adotiva na Romênia. Para captar a resiliência, o projeto triangulou a perspectiva ecossistêmica e a do desenvolvimento familiar, como proposto por Walsh (2007). A perspectiva ecossistêmica permitiu estudar a resiliência como um processo de interação em vários níveis entre a família adotiva e outros sistemas complexos ou desafiadores (Ungar, 2015), enquanto a perspectiva desenvolvimental facilitou a compreensão dos fatores adversos ao longo do tempo e deu coerência ao estudo.

O projeto de pesquisa incluiu tanto pessoas adotantes que concluíram o processo e hoje vivem uma adoção estável quanto participantes que interromperam esse processo. No presente estudo, foram incluídas apenas as últimas.

O perfil das pessoas participantes

Das 41 pessoas que participaram do estudo, sete preenchiam os seguintes critérios de inclusão: haviam iniciado entre 2018 e 2021 o procedimento de adoção de uma criança ou grupo de irmãos da lista HtAC e haviam pedido a revogação da adoção antes de sua conclusão legal. Seis das pessoas selecionadas eram mulheres, e uma era homem. Entre elas, uma não era casada, e seis eram casadas. As pessoas participantes foram contatadas individualmente, mas, no caso de um casal, os dois cônjuges quiseram participar do estudo e a participação foi aceita; suas respostas foram tratadas e relatadas separadamente. A idade dos pais variava de 37 a 51 anos, com média de 41 anos. Todas as pessoas participantes tinham ensino superior completo e carreiras bem estabelecidas em diferentes áreas: duas trabalham em serviços educacionais, duas na administração pública, duas prestam serviços profissionais e técnicos, e uma atua em serviços financeiros. O estudo se refere a nove crianças. Quatro foram colocadas sozinhas, e as demais em grupos de dois e três irmãos. As crianças passaram entre quatro e vinte semanas com a família adotiva. A Tabela 1 traz mais detalhes sobre as crianças e as pessoas participantes.

Tabela 1 — Dados sociodemográficos das pessoas adotantes e das crianças confiadas

Para cada família: dados das pessoas adotantes (gênero, idade, escolaridade, estado civil), depois de cada criança confiada (idade, gênero, adotada sozinha ou com irmãos, estado de saúde ou deficiência) e duração do estágio de convivência.

  • Tania. Mulher, 40 anos, ensino superior, casada. Criança: 8 anos, menina, sozinha, transtorno hipercinético e dislexia. Estágio de convivência: 4 semanas.
  • Marta. Mulher, 41 anos, ensino superior, casada. Grupo de irmãos: 5 anos, menina, atrasos de linguagem; 3 anos, menina, saudável; 4 anos, menino, déficit auditivo. Estágio de convivência: 4 semanas.
  • Adriana. Mulher, 51 anos, ensino superior, casada. Criança: 10 anos, menina, sozinha, saudável. Estágio de convivência: 20 semanas.
  • Dan e Bianca. Homem, 40 anos, e mulher, 42 anos, ensino superior, casados. Grupo de irmãs: 6 anos, menina, saudável; 10 anos, menina, saudável. Estágio de convivência: 20 semanas.
  • Oana. Mulher, 36 anos, ensino superior, solteira. Criança: 6 anos, menina, sozinha, saudável. Estágio de convivência: 8 semanas.
  • Carmen. Mulher, 37 anos, ensino superior, casada. Criança: 8 anos, menina, sozinha, saudável. Estágio de convivência: 4 semanas.

* Os nomes das pessoas participantes foram alterados para garantir a confidencialidade.

Coleta e tratamento dos dados

Para este estudo, adotou-se uma metodologia qualitativa baseada em entrevista semiestruturada. O roteiro de entrevista foi elaborado a partir das perspectivas teóricas que fundamentaram a pesquisa. Entre os temas estavam: motivação para a adoção, escolha da criança na lista de crianças HtA, problemas no processo de adoção, serviços sociais necessários e disponíveis, a decisão de ruptura e os pensamentos e sentimentos das pessoas adotantes ao longo do processo. A coleta de dados ocorreu entre agosto de 2022 e março de 2023.

As entrevistas foram conduzidas por dois membros da equipe de pesquisa: a pessoa responsável pela investigação, especializada em psicologia e com experiência em adoção, e uma pessoa pesquisadora especializada em sociologia, com experiência na investigação de diferentes categorias de pessoas vulneráveis.

Por causa da grande dispersão geográfica das pessoas participantes, as entrevistas foram feitas por telefone e gravadas em áudio. Embora essa técnica dê menos acesso a dados não verbais, estudos anteriores mostraram que a entrevista por telefone pode fornecer dados narrativos ricos sobre temas sensíveis (Padilla et al., 2022), é menos intrusiva e dá a quem participa mais poder para controlar a situação de entrevista (Drabble et al., 2016). Depois de manifestarem interesse em participar do estudo, essas pessoas foram contatadas e informadas sobre o objetivo da pesquisa, a duração estimada da entrevista, a forma de tratamento e armazenamento dos dados coletados e a ausência de qualquer vantagem econômica decorrente da participação. Essas informações foram enviadas por mensagem, junto com o termo de consentimento. As pessoas participantes definiram o horário da entrevista de acordo com sua agenda, para minimizar o risco de desistência. As entrevistas duraram entre 42 e 68 minutos, com média de 56 minutos. Todas foram transcritas literalmente pela dupla de entrevista. A estratégia de entrevista seguiu de perto as recomendações de Glogowska et al. (2011) e de Drabble et al. (2016) e foi considerada adequada também para nosso estudo. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Científica com Seres Humanos da Universidade Lucian Blaga, parecer n.º 7, de 29 de julho de 2022.

Análise dos dados

Os dados foram processados com o software de análise qualitativa NVivo 12. Foram analisados tematicamente por dois membros da equipe de pesquisa, seguindo de perto as seis fases do processo de análise proposto por Braun e Clarke (2006, 2019).

A primeira fase envolveu a familiarização com os dados, lendo-os e relendo-os repetidamente. Na segunda fase, a dupla de pesquisa codificou os dados de forma independente, adotando um procedimento de codificação aberta. Desde o início, porém, houve consenso para acompanhar os fatores que desencadeavam a passagem para as diferentes etapas do processo de adoção (por exemplo, iniciar o processo, desistir do pareamento, escolher a criança na lista e romper o processo), mas também os desafios que as pessoas participantes enfrentaram nas diferentes etapas. Desse modo, garantiu-se a codificação das informações relevantes para responder às perguntas de pesquisa. Uma técnica semelhante foi usada por Byrne (2022). Na terceira fase, a dupla de codificação revisou e discutiu os códigos gerados individualmente. Nessa fase, uma série de códigos foi fundida, e os considerados irrelevantes para as perguntas de pesquisa foram eliminados. Agrupando os códigos restantes e analisando as ligações entre eles, foram desenvolvidos nove temas na quarta fase, depois definidos na quinta. Concluída essa etapa, para facilitar a compreensão do percurso de adoção seguido da ruptura, optamos por agrupar os temas e apresentá-los segundo as fases do processo de adoção, da seguinte forma:

O percurso da adoção até o estágio de convivência, com os temas:

  • o processo de decisão de adotar,
  • a desistência do processo de pareamento,
  • a escolha intuitiva na ausência de informações precisas,
  • a não identificação dos potenciais fatores de risco para o sucesso da adoção.

O estágio de convivência e a ruptura, com os temas:

  • desafios causados pelas características da criança,
  • os sentimentos das pessoas adotantes durante o estágio de convivência,
  • as experiências dos pais adotivos com equipes profissionais e serviços de apoio.

Após a ruptura, com os temas:

  • pensamentos e sentimentos dos pais,
  • pensar em uma nova adoção.

Na sexta fase, toda a equipe contribuiu para redigir e revisar os resultados da pesquisa, para garantir que oferecessem um retrato significativo das narrativas das pessoas participantes.

Resultados

O percurso da adoção até o estágio de convivência

O processo de decisão de adotar

Dois subtemas surgiram nas narrativas sobre a decisão de adotar: as razões por trás da decisão e o modo como se chegou a ela, que discutiremos a seguir.

Razões para a adoção

Para todas as pessoas participantes, a decisão de adotar se baseou principalmente em desejos pessoais não realizados. O desejo mais mencionado era o de ter um filho, que até então não tinha podido ser satisfeito por diversos motivos. Assim, quatro casais falaram de infertilidade ou de problemas de saúde que impediam as mulheres de levar uma gravidez a termo. Por exemplo, Marta (F, 41) afirmou: “Temos problemas de infertilidade e, depois de alguns anos, como queremos filhos, decidimos recorrer à adoção.” Outra pessoa que queria um filho não era casada, enquanto um casal cujos cônjuges tinham 40 e 44 anos no momento da decisão de ter um filho achou que era tarde demais para tentar naturalmente.

Outros desejos mencionados por uma candidata à adoção que já tinha um filho biológico foram aumentar a família e também ter um filho saudável. Ela explicou: “Queríamos aumentar nossa família. Temos outro filho com deficiência e queríamos mais um, saudável.” (Carmen, F, 37).

As razões centradas nos desejos das pessoas adotantes vinham acompanhadas de razões filantrópicas, centradas nas necessidades das crianças, no caso da pessoa não casada e das que se consideravam velhas demais para procriar. O desejo de ajudar uma criança ficava evidente em suas narrativas. Por exemplo, Oana (F, 36), não casada, afirmou: “O desejo de dar a uma criança desfavorecida algumas chances a mais de um desenvolvimento harmonioso e contínuo.” E Tania (F, 40), casada, disse: “Pensamos que, se ainda havia 60 mil crianças ou mais no sistema de acolhimento, com certeza podíamos fazer algo melhor por uma delas.”

Como se chegou à decisão de adotar

As pessoas entrevistadas também contaram em suas narrativas como chegaram à decisão de adotar. Para a pessoa não casada, mas também para o casal que considerava a própria idade avançada demais para ter um filho naturalmente, a adoção representava a única opção para realizar o desejo de ter um filho. Por exemplo, Tania (F, 40), casada há 24 anos, período em que se dedicou à carreira profissional, afirmou:

“Passamos a juventude trabalhando, e depois percebemos que já tínhamos uma certa idade e havíamos acumulado muitos recursos. Depois de excluir a possibilidade de ter um filho biológico (…), decidimos adotar.”

Para outras pessoas, a adoção era a segunda opção, ou até a última. Um casal decidiu adotar depois de um período de “tentativas fracassadas de ter um filho biológico” (Marta, F, 41). Já outros casais tentaram vários métodos de reprodução assistida, recorrendo à adoção como último recurso. Por exemplo, Bianca (F, 42) mencionou: “Tentamos ter um bebê e, depois de três fertilizações in vitro sem sucesso, essa foi a solução final.”

A desistência do processo de pareamento

Uma vez tomada a decisão de adotar, a maioria das pessoas adotantes queria uma criança pequena e sem problemas de saúde significativos. Nenhuma família tinha a motivação explícita de adotar uma criança mais velha, com deficiência, problemas de saúde ou transtornos de comportamento. A maioria das crianças da lista não corresponde às expectativas dessas pessoas e, ainda assim, a maioria escolhe consultar essas listas e iniciar o processo de adoção de uma criança ou grupo de irmãos que nelas figura. As pessoas adotantes relatam ter desanimado com a longa espera por um pareamento com uma criança que atendesse aos critérios iniciais e, incentivadas pelo serviço social, ter escolhido consultar a lista para encurtar o processo. Outras sentem ter chegado a uma idade em que não podem mais esperar. Por exemplo, Adriana (F, 51) disse:

“Obtive aquela habilitação e, depois que me disseram que eu teria de esperar muito pelo pareamento, e como minha idade não me permitia esperar muitos anos, decidi ir para a lista de crianças de difícil colocação.”

Em alguns casos, as pessoas adotantes chegaram à lista HtAC com expectativas irrealistas, induzidas por especialistas que as prepararam para a adoção. Para levar o maior número possível de potenciais adotantes a consultar a lista e aumentar as chances de adoção das crianças, há especialistas que descrevem a lista de forma irrealista. Nesse sentido, Marta (F, 41) afirmou:

“Optamos pela lista de crianças de difícil adoção porque foi assim que nos ensinaram na formação. Dizem para a gente focar nas crianças mais velhas; as crianças da lista, que é maravilhoso (…), que é ideal optar por uma criança mais velha porque ela já entende a adoção.”

A escolha intuitiva na ausência de informações precisas

A escolha das pessoas adotantes na lista HtAC costuma ser intuitiva, sem plena compreensão dos diagnósticos e sem informações muito precisas sobre as crianças. Por exemplo, Bianca (F, 42) afirmou: “Vimos fotos e lemos os dados. Tentamos entender as descrições dos perfis, embora não entendêssemos muitos diagnósticos.” A mesma pessoa relatou ter escolhido na lista duas irmãs de idades diferentes, mas cujas descrições eram iguais. Ela continuou: “A ficha-síntese estava errada porque tinha sido copiada e colada da primeira para a segunda, ou seja, as duas irmãs tinham as mesmas informações, até a data de nascimento, embora não fosse assim. (…) As duas tinham as mesmas características apresentadas ali.” Outras pessoas adotantes relataram que as fotos das crianças não estavam atualizadas. As informações sobre os diagnósticos das crianças também não são precisas, e a maioria dos pais afirma “não poder confiar no que está escrito ali” (Adriana, F, 51). Para algumas crianças, os diagnósticos eram mais graves; para outras, não se confirmaram. Por exemplo, Oana (F, 36) afirmou: “A criança era sociável, brincalhona, inteligente (…). Havia vários diagnósticos, que não se confirmaram nos exames posteriores.”

Como as crianças da lista HtAC podem ser de qualquer distrito da Romênia, especialistas responsáveis pelas pessoas adotantes não conhecem nenhum dado adicional sobre as crianças além dos registrados no sistema. Pelas narrativas de algumas pessoas participantes, as equipes responsáveis pelas crianças também não as conheciam muito bem. Por exemplo, Tania (F, 40) disse: “[Especialistas] não viam a criança havia cerca de dois anos. Foi um choque ver quanto ela tinha crescido.”

A não identificação dos potenciais fatores de risco para o sucesso da adoção

Refletindo sobre o período anterior ao estágio de convivência, a maioria das pessoas adotantes considerou que, naquele momento, a felicidade de encontrar a criança ou as crianças e o entusiasmo da colocação imediata as deixaram menos receptivas a certos indícios que poderiam ter sido sinais de alarme para a estabilidade da adoção, e menos objetivas na análise da situação. Por isso, a maioria declarou não ter tido, no início, nenhuma dúvida sobre o sucesso da adoção. Tania (F, 40) disse:

“Mas já tínhamos passado pelas etapas e estávamos muito felizes… Então, eu me recusei a escutar e a entender o que ouvi naquela época.”

Do mesmo modo, Marta (F, 41) contou:

“Quando você quer filhos há muito tempo, e você os conhece, e assim, não sei, a objetividade desaparece, estou dizendo com sinceridade. Olhando para trás, julgo as coisas de outro jeito, mas estávamos com muita empolgação na época; queríamos que acontecesse e.”

Uma única pessoa entrevistada, que optou por adotar uma menina de 10 anos, declarou ter tido dúvidas sobre o sucesso da adoção. Essas dúvidas diziam respeito ao seu desejo de “moldar” a criança adotada e à herança genética de alguns problemas de saúde mental presentes na mãe biológica. Ela disse:

“Um pouco, sim, por causa da idade; quando percebi que ela era tão grande, não pensei que… Quer dizer, era um risco de qualquer forma, não conseguir transformá-la muito. Mas depois eu disse: vamos começar essa pequena aventura assim mesmo. Quer dizer, não se deve ter preconceitos. Parti da ideia de que não devíamos ter preconceitos, que mesmo que a mãe biológica dela tivesse esquizofrenia, ela não necessariamente desenvolveria esquizofrenia; consultei especialistas, e me disseram para tentar assim mesmo…” (Adriana, F, 51)

O estágio de convivência e a ruptura

Desafios causados pelas características da criança

A maioria das crianças confiadas estava registrada como fisicamente saudável, e as demais com problemas de saúde menores. Duas tinham atrasos de linguagem, e uma tinha deficiência auditiva. Essas deficiências constavam dos prontuários das crianças, e as pessoas adotantes não as consideravam impedimentos para o sucesso da adoção. Em vez disso, o comportamento e o estado psicológico das crianças trouxeram desafios consideráveis, para os quais as pessoas adotantes não estavam preparadas. Elas falaram dos transtornos psicológicos manifestados por algumas crianças, na forma de agressividade contra membros da família adotiva, autoagressão e até tendências suicidas. Em alguns casos, esses comportamentos surgiam diante de frustrações pequenas, como relatou Adriana (F, 51): “Então, ela tinha muitas crises nervosas. Gritava, chutava e batia a cabeça nas paredes, por qualquer motivo (…), tipo se alguém dissesse a ela, por exemplo, que estava agindo como um bebê, ela reagia mal.” Do mesmo modo, Carmen (F, 37) contou: “Atitudes de oposição, agressivas: ela rasgava folhas de papel, objetos pessoais, danificava os móveis quando se impunham limites a ela. Os limites eram respeitar a rotina diária: trocar o pijama pela roupa do dia e fazer a lição de casa.” Em outros casos, era pelo desejo de interromper uma atividade ou de conseguir o que queria. Tania (F, 40) falou dos comportamentos de risco da menina que lhe foi confiada, motivados pelo desejo da criança de ser levada de volta à família acolhedora: “Houve momentos em que ela queria se jogar da varanda se não a levassem de volta. Se eu andava com ela na rua, ela puxava a minha mão e dizia que ia se jogar na frente do carro se eu não a levasse de volta.” A mesma pessoa contou que a menina agarrou seu pescoço e pôs a jaqueta sobre os olhos dela enquanto ela dirigia, para não ser levada ao dentista.

Outras crianças não tinham comportamentos agressivos, mas apresentavam hiperatividade e outros comportamentos que as pessoas adotantes administravam com dificuldade. Marta (F, 41) contou que uma das três crianças confiadas era levada todas as manhãs, às 5 horas, para passear de carro, para que as outras crianças pudessem dormir. Nesse caso, especialistas que a família consultou após a colocação suspeitaram de vários transtornos mentais associados: TDAH, transtorno do espectro autista e síndrome alcoólica fetal, que as pessoas adotantes desconheciam antes da colocação.

A maioria das pessoas adotantes declarou ter criado vínculos de apego fracos com as crianças durante o tempo em que estiveram na família. Em três casos, as crianças tinham um vínculo muito forte com a família acolhedora que as criou desde muito pequenas. Oana (F, 36) declarou que “tirar a criança da família onde cresceu é brutal demais. A criança tinha um vínculo forte com as pessoas que cuidavam dela antes, o que tornava difícil a adaptação a uma família totalmente diferente.” Do mesmo modo, Adriana (F, 51) afirmou, sobre a menina de 10 anos que lhe foi confiada: “Aquela menina tinha sido criada por uma cuidadora de acolhimento desde os sete meses. Você percebe que ela era como uma mãe para ela? Quando meu marido e eu aparecemos, a menina já era muito apegada a essa cuidadora.” Em outro caso, a menina confiada mantinha contato com a família de origem por meio da família acolhedora, sem permissão legal, depois de ter sido declarada adotável. Assim, na situação dela, houve uma ruptura das relações tanto com a família acolhedora quanto com a família de origem. Nesses casos, as pessoas adotantes falam da falta de preparação ou da preparação deficiente das crianças para a adoção.

Outra questão levantada foi a ausência de qualquer progresso no desenvolvimento das crianças durante o estágio de convivência. Apesar dos esforços das pessoas adotantes e de especialistas acionados, várias crianças apresentavam déficits no desenvolvimento cognitivo e da linguagem e não tiveram nenhuma melhora. Dan (M, 40) lembrou:

“Depois que elas chegaram em casa, fomos percebendo aos poucos que a mais velha não falava nada, nem um ‘sim’ ou um ‘não’. Foi difícil. Vá lá, um dia, dois, três, uma semana, mas ela não falou durante três meses. E para nós era uma coisa atípica. Então, não, a gente não conseguia imaginar… era como trabalhar com uma criança com Alzheimer. Todo dia a gente recomeçava de novo e de novo, e nada mudava. Pelo contrário, ficava pior.”

Os sentimentos das pessoas adotantes durante o estágio de convivência

O estágio de convivência, embora esperado pelas pessoas adotantes, foi vivido pela maioria como extremamente estressante, cheio de incertezas e de busca por serviços especializados e soluções para os problemas das crianças. Algumas pessoas adotantes se sentiram muito abaladas emocionalmente nesse período. Dan (M, 40) declarou ter “tido um colapso nervoso” depois de três meses de estágio de convivência, e Bianca (F, 42) disse que começou a ter “ataques de pânico”. Outra pessoa sentiu que esse período criou muitos desequilíbrios no casal. Ela afirmou: “Eu estava com medo, em pânico, e percebi que não podia viver com uma pessoa psicologicamente desequilibrada em casa, porque isso também desequilibraria meu marido e a mim, e estávamos prestes a nos divorciar” (Adriana, F, 51).

As experiências das pessoas adotantes com equipes profissionais e serviços de apoio

Pelas declarações das pessoas adotantes, algumas receberam o apoio necessário dos serviços públicos que intermediaram o estágio de convivência. No entanto, disseram que nada poderia ter sido feito pela estabilidade da adoção. Nesse sentido, Marta (F, 41) argumentou: “A psicóloga e a pessoa do serviço social vinham mais ou menos uma vez por semana. (…) Então, a psicóloga era muito boa. Ela vinha e conversava com a gente.” Do mesmo modo, Oana (F, 36) relatou: “Houve apoio durante todo o processo, tanto quanto necessário.” Outras pessoas adotantes não pediram apoio, por acharem que não precisavam, já que “era tarde demais” (Carmen, F, 37). Acreditavam que as crianças deveriam ter sido mais bem preparadas para a adoção, o que teria evitado a ruptura.

No entanto, a maioria das pessoas adotantes pediu apoio e não o recebeu. Algumas foram orientadas a buscar por conta própria serviços profissionais privados. Houve especialistas que transferiram a responsabilidade pela intervenção de uma instituição pública para outra. Tania (F, 40) apresentou sua situação assim:

“Tentamos falar com as Direções, e a cada três dias falávamos de novo com todo mundo. O que devemos fazer? Socorro! Ajudem a gente! A criança está chorando, quer voltar para a família acolhedora. Socorro! Socorro! Mandavam a gente de um para outro. Todo mundo dizia que as meninas já não eram responsabilidade sua. Então, não tive apoio…”

A maioria das pessoas adotantes afirmou não ter encontrado apoio nem mesmo durante o processo de ruptura. Sentiram-se incompreendidas, culpabilizadas e, em algumas circunstâncias, pressionadas a ficar com a criança ou o grupo de irmãos. Por exemplo, Carmen (F, 37), referindo-se a especialistas da direção pública, afirmou:

“A revogação da adoção foi acompanhada de abusos e de tentativas de nos convencer a ficar com a criança, mesmo que tivéssemos percebido que éramos incompatíveis.”

As pessoas adotantes afirmaram que especialistas se preocupavam sobretudo com as crianças e não demonstravam interesse pela saúde mental dos outros membros da família adotiva. Bianca (F, 42) afirmou:

“Discuti ao telefone com a senhora da Direção. Disse a ela que não estávamos bem psicologicamente. E ela me respondeu: ‘Não me interessa como vocês estão; me interessa como as crianças estão.’ Eu me senti tão mal, e aquela senhora me disse que estávamos zombando das crianças, e assim por diante. Aquilo me magoou muito.”

Após a ruptura

Pensamentos e sentimentos das pessoas adotantes

Algumas pessoas adotantes descreveram toda a experiência do estágio de convivência e, depois, da revogação como dolorosa e até traumática. Uma situação particular foi apresentada por Marta (F, 41), a quem três crianças tinham sido confiadas. A família gostaria de ter ficado com duas delas, com as quais conseguiu criar um vínculo afetivo durante o estágio de convivência, mas sentiu que não conseguiria lidar com as necessidades especiais da terceira. Embora a revogação tenha ocorrido dois anos antes, Marta (F, 41) afirmou que a família ainda não se recuperou totalmente:

“Sofri muito depois daquele período; ainda não posso dizer que superei completamente. O impacto emocional é forte. Foi um período que tentei superar, mas não dá para superar. Continuo pensando neles, continuo pensando em como estão, se estão bem, se… Não dá para esquecer. Já faz dois anos e…”

Pensar em uma nova adoção

Após a revogação, uma das famílias conseguiu adotar com sucesso duas meninas. Outras duas famílias abriram mão da habilitação e, portanto, do direito de adotar. As demais famílias mantiveram a habilitação e estão considerando adotar. A maioria reluta em consultar de novo a lista de crianças com perfil público e espera um pareamento com uma criança de acordo com seus critérios. Marta (F, 41) consultou a lista depois da revogação da primeira adoção, mas não escolheu nenhuma criança, mostrando mais cautela. Nenhuma das famílias recebeu acompanhamento psicológico após a revogação, mas especialistas aconselharam todas a fazer uma pausa antes de tentar uma nova adoção.

Discussão

Nosso estudo dá voz a sete pessoas candidatas à adoção que iniciaram o percurso de adoção com uma ou mais crianças sem que o processo fosse legalmente concluído. Nosso objetivo foi compreender suas experiências ao longo do processo de adoção e da ruptura. Elas contaram como passaram, em pouco tempo, da esperança de adotar ao entusiasmo e à felicidade de encontrar uma criança ou um grupo de irmãos, e depois à desilusão, ao desespero e ao trauma. Dessas histórias é possível extrair vários fatores de risco capazes de comprometer o sucesso da adoção. Compreendê-los pode orientar políticas e práticas sociais para prevenir situações semelhantes.

A desistência do pareamento teórico e as falsas expectativas

O pareamento na adoção de crianças é um procedimento antigo, e evidências empíricas mostram que alguns de seus componentes predizem de forma significativa a estabilidade da adoção (Lanham, 2022). Segundo Farmer e Dance (2016), o pareamento pode ser definido como a adequação entre as forças ou recursos das pessoas adotantes e as necessidades da criança ou do grupo de irmãos. Na Romênia, como na maioria dos sistemas legais, o processo de pareamento envolve duas fases: o pareamento teórico, baseado nos dados registrados sobre a criança ou o grupo de irmãos e sobre as pessoas candidatas à adoção, e o pareamento prático, quando as duas partes se encontram. Todas as pessoas entrevistadas iniciaram o percurso de adoção com o desejo de adotar crianças o mais novas possível (a maioria com menos de três anos) e sem problemas de saúde significativos ou deficiências. São pessoas adotantes que queriam antes de tudo exercer a parentalidade com uma criança, sendo a motivação de ajudar uma criança secundária e expressa diretamente em apenas dois casos. A maioria escolheu a adoção como segunda ou até última opção para ter filhos. Desistir do pareamento teórico e escolher uma criança na lista HtAC implicou várias concessões, principalmente em relação à idade e, em alguns casos, ao número de crianças. Há vários motivos pelos quais as pessoas adotantes desistem do pareamento teórico. As equipes de adoção avisam desde o início que esse procedimento demora muito porque não há crianças disponíveis de acordo com os critérios iniciais. Essa prática também é apontada por outros estudos (Burge e Jamieson, 2009). Um segundo motivo para abandonar o pareamento é que especialistas incentivam as pessoas adotantes a considerar a lista HtAC e a focar em crianças mais velhas. As pessoas participantes relatam que a lista lhes foi apresentada de forma favorável demais. Especialistas buscam aumentar as chances de adoção do maior número possível de crianças, sobretudo quando há uma política de incentivo à adoção de crianças com necessidades especiais. Essas práticas criam expectativas irrealistas nas pessoas adotantes e, segundo estudos anteriores, são altamente propensas a levar à ruptura (Barth e Miller, 2000; Coakley e Berrick, 2007). Além disso, pesquisas anteriores indicam que adotar crianças mais velhas ou com necessidades especiais não convém a qualquer pai ou mãe (Brind, 2008). No entanto, segundo o procedimento romeno de adoção, qualquer pessoa ou casal habilitado pode escolher uma criança da lista HtAC, independentemente do seu perfil, sem precisar de formação adicional.

A escolha intuitiva e a falta de informações precisas

A escolha da criança ou do grupo de irmãos na lista HtAC baseou-se sobretudo na intuição das pessoas adotantes. Elas falam da falta de assistência para consultar a lista HtAC, da incompreensão dos diagnósticos das crianças e das informações incompletas ou imprecisas registradas sobre a criança ou as crianças. Relatam que nem mesmo especialistas responsáveis pelas crianças adotáveis conhecem de perto a situação delas. Em muitos estudos, a falta de informação adequada e de preparação das pessoas adotantes para atender às exigências de crianças mais velhas, com transtornos de comportamento e às vezes com deficiências, está associada à instabilidade ou à ruptura da adoção (Rosenthal, 1993; Reilly e Platz, 2003; Santos-Nunes et al., 2018).

A dificuldade das pessoas adotantes em compreender e atender às necessidades das crianças

As falhas na informação e na preparação das pessoas adotantes levam à dificuldade de identificar com precisão o perfil e as necessidades das crianças. Não são as características das crianças per se que predispõem às rupturas, mas sim as falsas expectativas das pessoas adotantes e a falta de preparação e de recursos adequados para lidar com as necessidades das crianças. Com exceção de uma pessoa, todas declararam não ter tido nenhuma dúvida sobre o sucesso da adoção antes de lhes ser confiada a criança ou o grupo de irmãos.

Algumas não compreenderam as possíveis dificuldades de apego das crianças. Esperavam dar e receber amor da criança ou do grupo de irmãos. Sabe-se bem, por estudos anteriores (Howe, 2001; van den Dries et al., 2009; White, 2016), que crianças com histórico de trauma apresentam estratégias adaptativas de sobrevivência que não lhes permitem, de início, perceber as pessoas adotantes como fontes de cuidado e proteção (Howe, 2001); por isso, leva muito tempo para criar vínculo e oferecer afeto. Para algumas pessoas adotantes, a aparente indiferença da criança ou das crianças e as dificuldades de apego logo se tornaram inaceitáveis e geraram insatisfação. Esses resultados são coerentes com os relatados por Wydra e O’Brien (2018), que demonstraram que a coesão familiar e a satisfação com a adoção são preditas pela avaliação que os pais fazem da responsividade afetiva. Segundo estudos anteriores, crianças adotadas em idades mais avançadas podem mostrar indiferença ou rejeição diante dos primeiros esforços das pessoas adotantes para criar um vínculo afetivo com elas (Quinton et al., 1998). Esses estudos sustentam, porém, que os pais precisam de preparação adequada para esperar essas rejeições e não desistir, pois com o tempo o afeto se tornará mútuo. Outros estudos também mostraram que pais que adotaram recentemente acreditam que as crianças adotadas estão dispostas a formar novos vínculos de apego e que um ambiente seguro e protetor basta para garantir sua adaptação (Ward, 1997; Santos-Nunes et al., 2018). Segundo algumas das pessoas entrevistadas, as crianças que lhes foram confiadas eram muito apegadas à família acolhedora que cuidava delas havia muito tempo.

Outras pessoas adotantes esperavam ver os atrasos cognitivos e de linguagem da criança rapidamente recuperados com apoio especializado e um ambiente estável, e desanimaram ao constatar que a recuperação era muito lenta ou até imperceptível. Em seu estudo, Moyer e Goldberg (2017) mostraram que, quando as pessoas adotantes percebem que têm pouco poder para moldar as crianças, podem sentir grande frustração. Entre as pessoas participantes que adotaram grupos de irmãos, algumas perceberam que os custos cumulativos das necessidades de tratamento e reabilitação das crianças ultrapassavam os recursos da família.

Para metade das pessoas participantes, os problemas mais graves foram os comportamentos das crianças e a própria falta de habilidades para lidar com eles. Esses resultados concordam com pesquisas anteriores, que mostram que os transtornos de comportamento manifestados pelas crianças parecem ter a influência mais significativa sobre a estabilidade da adoção (Rosenthal e Groze, 1990; Smith e Howard, 1991; McGlone et al., 2002; Nalavany et al., 2009).

Diante de todos esses desafios trazidos pelas crianças, algumas pessoas adotantes se sentiram emocionalmente abaladas, exaustas e sobrecarregadas; outras afirmaram que a relação conjugal tinha sido desestabilizada; e outras temeram por si mesmas ou por outros membros da família. Experiências semelhantes também foram relatadas por Lyttle et al. (2021) em sua pesquisa.

A falta de apoio

Uma pessoa participante tentou encerrar a adoção sem buscar ajuda especializada, acreditando que seria melhor para a criança voltar à família acolhedora à qual estava apegada. Em outros dois casos, as pessoas adotantes sentiram ter recebido toda a ajuda necessária, mas sem resultados positivos. As demais pessoas entrevistadas pediram apoio, mas não o receberam nem durante o estágio de convivência nem durante o procedimento de ruptura. Algumas perceberam que especialistas estavam exclusivamente focados no bem-estar das crianças, negligenciando o bem-estar das pessoas adotantes. Por isso, essas pessoas sentiram que não eram ouvidas, que não eram compreendidas e até que eram ignoradas. Quando chegaram ao ponto de pedir a ruptura, algumas se sentiram pressionadas a ficar com a criança ou o grupo de irmãos, mesmo sendo acusadas e culpabilizadas. Pessoas adotantes de outras pesquisas expressaram sentimentos semelhantes (Lyttle et al., 2021). Nenhuma das pessoas participantes recebeu acompanhamento psicológico após a ruptura. Especialistas em adoção recomendaram apenas fazer uma pausa antes de considerar outra adoção. Muitas pessoas falam do trauma que persiste muito tempo depois da ruptura, mesmo que as crianças tenham passado períodos relativamente curtos com a família. Esses achados são coerentes com os de Goldberg e Allen (2022), que estudaram 80 pessoas LGBTQ que passaram por diferentes experiências de perda relacionadas à adoção.

Implicações

Os resultados deste estudo podem ser usados para orientar políticas e práticas sociais, reduzindo a instabilidade e a ruptura das adoções. A abertura da lista HtAC é um procedimento que oferece uma chance adicional de adoção a muitas crianças para as quais não foi possível encontrar uma família adequada em pouco tempo. Embora a maioria das adoções dessa lista seja estável, algumas se rompem logo após o início do estágio de convivência. O acesso irrestrito de todas as pessoas habilitadas à adoção a partir dessa lista pode ser problemático, porque pode levar a adoções instáveis por pelo menos dois motivos. Primeiro, a maioria das futuras pessoas adotantes precisa abrir mão das preferências iniciais, o que pode deixá-las com uma sensação de frustração. Segundo, podem não ter recursos e preparação suficientes para adotar um grupo de irmãos ou uma criança com problemas de comportamento, de saúde ou deficiência. Por isso, é essencial garantir que a renúncia às preferências iniciais e a escolha de uma criança da lista sejam acompanhadas de sessões adicionais de formação e de acompanhamento psicológico. Isso permitirá que as pessoas adotantes entrem no processo com convicção, compreendendo plenamente as necessidades dessas crianças e comprometidas com seu bem-estar e sua criação.

A escolha de uma criança da lista HtAC deve ser orientada por especialistas capazes de esclarecer os diagnósticos da criança e explicar os possíveis desafios ligados à idade, à história social, ao estado de saúde e a eventuais deficiências. Especialistas em adoção devem garantir que conhecem de perto as crianças e que as informações fornecidas sobre elas são atualizadas e precisas. Antes do acolhimento, especialistas devem garantir que as futuras pessoas adotantes passem tempo suficiente com a criança em diferentes ambientes para conhecê-la o melhor possível, e que a criança esteja suficientemente preparada para a separação da família acolhedora.

Para que a adoção seja estável, todas as partes envolvidas precisam se sentir bem. Por isso, é imprescindível que, no processo de acompanhamento, não só as crianças, mas também os pais, recebam avaliação e apoio. Serviços de aconselhamento e de desenvolvimento de habilidades parentais que atendam às necessidades específicas das crianças adotadas, intervenção em crise e até centros de descanso (respite) devem estar sempre acessíveis às futuras pessoas adotantes.

Limitações

O problema da ruptura ainda não foi estudado no contexto romeno e não é uma questão visível no discurso público sobre adoção. Além disso, poucas pessoas adotantes se dispõem a compartilhar suas histórias de adoção malsucedida, o que indica um possível trauma e o medo de serem incompreendidas ou culpabilizadas pelo fracasso (O’Neill, 1993). Em consequência, conseguimos identificar para nosso estudo um total de sete pessoas adotantes, de seis famílias, que tentaram adotar nove crianças no total. Três participantes nos foram encaminhadas por equipes de adoção, e as demais foram identificadas pelas redes sociais, o que reduz o possível viés que poderia ter ocorrido se todas as pessoas adotantes tivessem sido identificadas por uma única estratégia. No entanto, os resultados não podem ser generalizados por causa do pequeno número de participantes. Outra limitação do estudo é refletir apenas a visão das pessoas candidatas à adoção, sem considerar a perspectiva das equipes de adoção e das crianças confiadas. São necessários estudos mais abrangentes para compreender melhor as experiências de todas as partes e os fatores de risco que levam à ruptura, de modo a prevenir o maior número possível dessas situações.

Complexe Systémique: a reter

O artigo mostra uma ruptura de adoção que se prepara muito antes do estágio de convivência. Uma política pública empurra para a lista de crianças “de difícil adoção”, especialistas a apresentam de forma favorável demais, fichas são copiadas e coladas, e pessoas cujo projeto inicial era uma criança pequena e saudável se veem, em poucas semanas, diante de uma criança que grita, recusa o vínculo ou pede para voltar à família acolhedora. Para um olhar sistêmico, a ruptura não é, portanto, o fracasso de um pai, de uma mãe ou de uma criança, mas de um sistema de adoção que separa uma criança de vínculos de apego reais sem preparar nem a criança, nem o casal, nem a transição. Os relatos lembram também que o casal adotivo merece cuidado em si: ataques de pânico, ameaça de divórcio, luto que persiste dois anos depois, sem nenhum acompanhamento. Os limites são claros: sete pessoas, quase todas mulheres, e nenhuma voz de criança ou de profissional. Para ler junto com o artigo sobre os fatores que protegem contra rupturas no acolhimento familiar e com o artigo sobre o bem-estar de mães adotivas.

Notas do original

1 Diante desse aspecto, no presente estudo usaremos o termo ruptura em seu sentido restrito, para designar a separação entre a criança e as pessoas candidatas à adoção durante o estágio de convivência.

2 Ver o Código Civil romeno de 17 de julho de 2009, Seção 4, “Término da adoção”, artigo 477 (3).

3 O procedimento de adoção das crianças da lista de crianças com perfil público está previsto na Decisão n.º 798, de 28 de julho de 2021, do Governo da Romênia.

Disponibilidade de dados. Os dados brutos que sustentam as conclusões deste artigo serão disponibilizados pela equipe de pesquisa, sem reservas indevidas.

Ética. Os estudos envolvendo seres humanos foram aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa Científica com Seres Humanos da Universidade Lucian Blaga (parecer n.º 7, de 29 de julho de 2022). Os estudos foram conduzidos de acordo com a legislação local e as exigências institucionais. As pessoas participantes deram consentimento informado por escrito para participar do estudo.

Contribuições. A. B., S. R., M. I., A. N. e S. C.: redação do rascunho original, redação, revisão e edição.

Financiamento. A equipe declara ter recebido apoio financeiro para a pesquisa, a autoria e/ou a publicação deste artigo. Este trabalho foi apoiado por um financiamento do Ministério da Pesquisa, Inovação e Digitalização da Romênia, CNCS-UEFISCDI, projeto n.º PN-III-P1-1.1-TE-2021-0186, no âmbito do PNCDI III.

Conflitos de interesse. A equipe de pesquisa declara que a pesquisa foi conduzida na ausência de quaisquer relações comerciais ou financeiras que pudessem ser interpretadas como potencial conflito de interesse.

Nota do editor. Todas as afirmações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva de quem as assina e não representam necessariamente as de suas organizações de afiliação, nem as do editor, da editoria ou de quem avaliou o artigo. Nenhum produto avaliado neste artigo, nem qualquer afirmação feita por seu fabricante, é garantido ou endossado pelo editor.

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Tradução não oficial em português de “Achávamos que éramos mais fortes do que éramos”: narrativas de pessoas adotantes sobre o percurso da adoção e a ruptura, de Anca Bejenaru, Sergiu Raiu, Mihai Iovu, Alina Negoescu e Sorina Corman, Frontiers in Psychology, vol. 15, art. 1381050 (2024), doi: 10.3389/fpsyg.2024.1381050, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença (tabela apresentada em lista). Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.

Tradução não oficial para o português de ““We thought we were stronger than we were”: adopters’ narratives about the adoption journey and disruption”, publicado em Frontiers in Psychology (2024) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.

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Como citar este artigo

Bejenaru, A., Raiu, S., Iovu, M., Negoescu, A., et Corman, S. (2024). “Achávamos que éramos mais fortes do que éramos”: narrativas de pessoas adotantes sobre o percurso da adoção e a ruptura (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/achavamos-que-eramos-mais-fortes-do-que-eramos-narrativas-de-pessoas-adotantes (Obra original publicada em 2024 em Frontiers in Psychology, 15, 1381050 (2024); republicada em 2024 por Frontiers in Psychology, https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fpsyg.2024.1381050/full)

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