Journal of Child & Adolescent Trauma · Terapia familiar
Na Holanda, um tratamento do trauma condensado em poucas semanas, com rodízio de terapeutas, foi oferecido a jovens que viveram violência familiar, com ou sem treinamento parental e sessões familiares. Nove dessas pessoas contam o que mudou: menos intrusões, mais coragem no dia a dia e, quando a família participava, pais mais atentos e uma casa que “parece muito mais um lar”. Suas reticências em envolver os pais contam tanto quanto isso.
Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de Tratamento intensivo do trauma baseado na família para jovens com sintomas de estresse pós-traumático após violência familiar: um estudo qualitativo das perspectivas de jovens sobre resultados, componentes-chave, barreiras e facilitadores, de Valerie Fictorie, Caroline Jonkman, Margreet Visser, Majone Steketee e Carlo Schuengel, publicado na Journal of Child & Adolescent Trauma (Springer) (2026), doi: 10.1007/s40653-026-00904-4, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. As duas tabelas são apresentadas em forma de lista; as declarações do fim do artigo estão reunidas nas notas do original. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.
Os achados questionam o pressuposto dominante de que o tratamento do trauma só pode começar quando a violência familiar tiver cessado totalmente.
Valerie Fictorie, Caroline Jonkman, Margreet Visser, Majone Steketee e Carlo Schuengel
Resumo
A violência familiar afeta a vida de jovens e de suas famílias. O tratamento oferece uma oportunidade de reduzir suas possíveis consequências negativas de longo prazo. Os esforços para aprimorar os tratamentos, incluindo as relações familiares e condensando o tratamento em um formato de alta intensidade, exigem uma reflexão a partir da perspectiva das próprias pessoas jovens. Neste estudo, jovens que participaram de um ensaio de tratamento intensivo do trauma, com ou sem componente familiar, foram entrevistadas depois. Essas pessoas relataram melhoras para si mesmas. As que receberam o tratamento com o componente familiar também relataram melhoras no plano parental e familiar. As pessoas jovens identificaram como elementos-chave a combinação e a variedade dos componentes focados no trauma e o rodízio de terapeutas. Na percepção delas, o componente familiar criava um contexto de apoio, ao tratar da segurança familiar e da saúde mental dos pais. As que não receberam o componente familiar tinham suposições divididas quanto à participação de membros da família. Vários facilitadores e barreiras ao sucesso do tratamento foram identificados. Os achados destacam a importância de incluir a voz de jovens quando se busca compreender as mudanças no processo terapêutico. Além disso, é preciso dar atenção às preferências de jovens quanto ao tratamento e às suas considerações sobre a inclusão de membros da família.
A violência familiar afeta a vida de muitas famílias. No mundo, cerca de uma em cada seis pessoas relata ter vivido violência familiar física na infância, como vítima ou testemunha (Whitten et al., 2024). Uma metanálise de 95 estudos, com 19.389 pessoas no total, revelou que, após um trauma interpessoal como a violência familiar, cerca de um terço das pessoas jovens (Visser et al., 2025) relata sintomas de estresse pós-traumático (EPT). Um estudo britânico mostrou que mais de três quartos das mulheres que buscavam ajuda após violência familiar relatavam sintomas de EPT (Ferrari et al., 2016). Além disso, os pais relatam níveis elevados de estresse parental (Sypher et al., 2022) e apresentam mais práticas parentais negativas, o que aumenta o risco de interações negativas entre pais e filhos (Kopystynska et al., 2022). Dado esse impacto significativo da violência familiar em uma fase crítica do desenvolvimento, intervenções eficazes são cruciais não só para que jovens se recuperem do impacto psicológico, que de outro modo pode ter consequências de longo prazo (Felitti et al., 2019), mas também para restaurar as relações entre pais e filhos. Ao avaliar intervenções que envolvem os pais e têm foco intensivo, é importante incluir a perspectiva das próprias pessoas jovens. O envolvimento de jovens pode melhorar a qualidade dos estudos (Head, 2011), por exemplo com achados mais sinceros (Racine et al., 2023), e ampliar a compreensão dos resultados das intervenções que importam para essas pessoas (Cuijpers, 2019). Por isso, o presente estudo explora a perspectiva de jovens sobre um tratamento do trauma intensivo e baseado na família, concebido para jovens que viveram violência familiar.
Os tratamentos atuais para jovens que viveram violência familiar podem ser insuficientes. Primeiro, apesar do impacto da violência familiar tanto no plano individual quanto no familiar, as intervenções para violência familiar (Rizo et al., 2011) e as terapias focadas no trauma, eficazes para reduzir os sintomas de EPT (Hoogsteder et al., 2022), nem sempre se voltam ao mesmo tempo para jovens e pais. Segundo, é pequeno o número de ensaios clínicos randomizados que avaliam a eficácia da terapia cognitivo-comportamental focada no trauma (TF-CBT) com foco específico na violência familiar, e as taxas de abandono nesse grupo são mais altas do que as encontradas em estudos sobre TF-CBT após outras formas de trauma (Cox et al., 2025; Simmons et al., 2021). Terceiro, em um estudo qualitativo na Suécia, jovens que participaram de tratamento focado no trauma após violência familiar relataram que a segurança familiar raramente era abordada pela pessoa terapeuta, embora a violência em casa continuasse durante o período de tratamento (Onsjö et al., 2022). Esses estudos mostram as limitações dos tratamentos atuais e ressaltam que os tratamentos podem ser aprimorados tornando-os mais toleráveis e levando em conta a perspectiva das próprias pessoas jovens sobre os resultados que importam para elas, para além do foco exclusivo na redução de sintomas (Cuijpers, 2019). Suas perspectivas podem oferecer compreensões valiosas sobre como percebem e explicam a mudança na psicoterapia (Wampold, 2015).
Com base em seu estudo qualitativo com jovens que viveram violência familiar, Pernebo e Almqvist (2016) recomendaram que o tratamento se concentre tanto na elaboração do trauma pela criança quanto em um tratamento para o genitor, com foco no sofrimento parental, nas habilidades parentais e na disponibilidade parental. Além disso, uma revisão de intervenções para famílias expostas à violência familiar sugeriu que as intervenções que incluem sessões conjuntas, além de um componente separado para a criança e para o genitor, produziram os efeitos mais positivos para pais e filhos (Anderson et al., 2018). Duas revisões sistemáticas de intervenções que incluíam um componente parental mostraram efeitos na redução do estresse parental (Rizo et al., 2011) e das práticas parentais negativas, mas apenas um pequeno número de estudos incluiu essas variáveis como medida de desfecho (Lindstrom Johnson et al., 2018). Outra revisão sistemática, voltada a programas parentais para mães expostas à violência familiar (Austin et al., 2019), buscou identificar componentes eficazes das intervenções. No entanto, não foi possível tirar conclusões, devido à grande heterogeneidade das intervenções e à falta de descrições claras delas. Além disso, a segurança familiar raramente aparecia como medida de desfecho. Uma metanálise que incluiu a segurança familiar como medida de desfecho (Hackett et al., 2016) mostrou que as intervenções após violência familiar voltadas tanto às mães quanto às crianças tiveram efeitos de médios a grandes sobre as relações familiares e os incidentes de violência. Embora esses achados ofereçam evidências promissoras do valor agregado das intervenções parentais, ainda não está claro quais componentes específicos são mais eficazes. Mesmo assim, os resultados lançam luz sobre os fatores parentais mais abordados nas intervenções para violência familiar. Rizo et al. (2011) delinearam um conjunto de objetivos gerais de tratamento que se alinham estreitamente aos elementos identificados nas outras revisões. Esses objetivos ou componentes incluem trabalhar o estresse parental, fortalecer as habilidades de enfrentamento, elaborar um plano de segurança, fortalecer a relação entre pais e filhos e ampliar o conhecimento sobre violência familiar.
Além de possivelmente melhorar os resultados ao acrescentar componentes parentais ao tratamento do trauma, também é necessário melhorar a adesão e visar a uma recuperação oportuna. Para favorecer a adesão e acelerar a recuperação, há uma tendência recente de intensificar o tratamento do trauma (Oprel et al., 2021; Van Woudenberg et al., 2018). Alguns ensaios não controlados com jovens sugerem que o tratamento intensivo do trauma pode ser eficaz (Rentinck et al., 2025) e aumentar o sentimento de realização na adolescência (van Ee et al., 2024). No tratamento intensivo do trauma, os componentes focados no trauma são oferecidos por um grupo de terapeutas, o que se descreve como “rodízio de terapeutas”. Isso significa, por exemplo, que as sessões de EMDR são conduzidas por várias pessoas terapeutas que se sucedem ao longo do tratamento. Van Minnen et al. (2018), ao entrevistar pessoas que passaram por um tratamento intensivo do trauma, relataram que 62% delas tinham uma opinião positiva sobre os contatos com as diferentes pessoas terapeutas da equipe que se revezavam. Terapeutas que atuam no tratamento intensivo do trauma relataram menos hesitação em iniciar o trabalho com o trauma, mesmo em casos de sintomas graves, e esperavam que o formato intensivo tornasse o tratamento do trauma mais viável para populações com necessidades complexas (Vaage-Kowalzik et al., 2025). Esse é um achado importante, pois em estudos anteriores grupos complexos às vezes eram excluídos, como jovens em situação doméstica insegura (Tijsseling et al., 2024) ou cujos pais também apresentavam sintomas de EPT (Hendriks et al., 2017; Ooms-Evers et al., 2021). Como jovens com EPT após violência familiar também podem ter necessidades complexas, suas percepções e experiências ao longo do tratamento intensivo do trauma podem orientar novas avaliações desse formato para essa população.
Para melhorar a adesão ao tratamento, acelerar a recuperação e tratar as consequências da violência familiar nos planos individual e familiar, o Centro de Trauma da Criança e do Adolescente, na Holanda, desenvolveu um tratamento intensivo do trauma com componentes parentais e familiares. A eficácia dessa intervenção, o Tratamento Intensivo do Trauma Baseado na Família (FITT, Family-based Intensive Trauma Treatment), foi testada em um ensaio clínico randomizado que comparou o tratamento intensivo do trauma com componentes parentais e familiares ao tratamento intensivo do trauma sem esses componentes (ITT) e ao tratamento do trauma habitual, não intensivo, com componentes parentais e familiares. Embora os resultados desse estudo nos ajudem a entender se o FITT é um tratamento eficaz para jovens que viveram violência familiar, também é importante saber o que funcionou e o que não funcionou na perspectiva de jovens que participaram de um tratamento intensivo do trauma com componentes parentais e familiares (FITT) e de jovens que participaram de um tratamento intensivo do trauma sem esses componentes (ITT). Por isso, exploramos as perspectivas de jovens sobre os resultados obtidos e os componentes-chave de um tratamento intensivo do trauma com e sem componentes familiares e parentais, e buscamos compreender o que percebiam como facilitadores e barreiras ao sucesso do tratamento. Este estudo qualitativo buscou responder às seguintes perguntas:
Este estudo incluiu jovens com histórico de violência familiar que participaram do nosso ensaio clínico randomizado (ECR) que avaliou a eficácia do FITT. O objetivo do ECR era testar a eficácia de componentes parentais e sistêmicos que complementam o tratamento intensivo do trauma e testar o valor agregado da intensificação do tratamento do trauma. Por isso, o FITT foi comparado a outros dois tratamentos do trauma: o tratamento intensivo do trauma sem componentes parentais e sistêmicos (ITT) e o tratamento do trauma habitual, não intensivo e semanal (TAU). O ECR é um estudo multicêntrico realizado em quatro serviços ambulatoriais de saúde para jovens na Holanda. Para informações detalhadas, remetemos ao protocolo de pesquisa publicado (Fictorie et al., 2022). O presente estudo foi aprovado como emenda ao protocolo do ensaio pelo Comitê de Ética Médica do Amsterdam UMC em 8 de junho de 2023 (referência: 2020.505). Eram elegíveis para o ECR inicial jovens que (a) tivessem vivido exposição à violência familiar, incluindo violência entre os pais, maus-tratos e/ou abuso sexual; (b) não enfrentassem mais riscos imediatos à segurança; (c) tivessem entre 12 e 20 anos; (d) morassem em casa com uma ou mais figuras parentais; (e) tivessem pais ou figuras parentais, morando com elas, em condições de participar dos componentes sistêmicos; (f) apresentassem sintomas de estresse pós-traumático, no mínimo intrusões e evitação, com base na avaliação inicial; e (g) tivessem fluência em neerlandês. Não podiam participar jovens que apresentassem, elas próprias ou suas figuras parentais, sintomas psicóticos agudos ou dependência grave de álcool e/ou drogas, nem jovens que tivessem tentado suicídio nos três meses anteriores. Apenas jovens que participaram do FITT ou do ITT no ECR podiam participar do estudo qualitativo. Nove jovens participaram do estudo qualitativo: cinco receberam o ITT e quatro o FITT. O tratamento ocorreu em um dos quatro centros de tratamento participantes. As pessoas que participaram do estudo qualitativo tinham entre 14 e 20 anos no momento do tratamento. Participaram um menino e oito meninas. Para proteger a privacidade, todas as pessoas participantes são referidas no feminino, e todos os nomes usados neste artigo são pseudônimos. As citações apresentadas na seção de resultados são literais.
Membros da família que haviam praticado violência familiar no passado não eram excluídos do programa de tratamento se a segurança familiar tivesse sido avaliada pelo Serviço de Proteção à Criança, se houvesse um plano de segurança e se não houvesse riscos imediatos à segurança. Quando terapeutas observavam ou suspeitavam de violência familiar e/ou negligência, tinham a obrigação de aplicar o Código de Notificação (“Meldcode”), um protocolo obrigatório para profissionais de saúde na Holanda. Parte desse protocolo é a notificação ao Serviço de Proteção à Criança em casos de riscos imediatos à segurança ou de violência familiar e/ou negligência contínuas. Ambos os protocolos de tratamento incluíam informações sobre a avaliação da segurança familiar e a elaboração de um plano de segurança em casos de violência contínua.
Para o ECR, avaliou-se a elegibilidade de jovens entre 12 e 20 anos com encaminhamento a um dos centros de trauma participantes após exposição à violência familiar. No estudo qualitativo, após a última medição do ensaio, as participantes foram contatadas por telefone caso tivessem consentido, no estudo inicial, em ser contatadas para estudos futuros. As pessoas interessadas receberam uma carta informativa explicando que o estudo tratava da experiência de jovens com o tratamento de que participaram, incluindo o que percebiam como seus pontos fortes e fracos. As que aceitaram participar assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido. Quando a pessoa tinha menos de 16 anos, os pais ou representantes legais também foram convidados a assinar um termo de consentimento. Após a participação, cada jovem recebeu um vale-cinema no valor de 50 euros. A equipe contatou 22 jovens; doze não quiseram participar e uma pessoa não pôde ser localizada. As transcrições das entrevistas foram anonimizadas. As pessoas que assinam em primeiro e em segundo lugar foram responsáveis pela codificação das entrevistas, e a primeira realizou a análise dos dados.
As informações sobre as intervenções FITT e ITT estão na Tabela 1. Nos dois tratamentos, aplicou-se o rodízio de terapeutas. Uma pessoa terapeuta coordenava o tratamento e também servia como pessoa de referência para a participante. O FITT é um programa ambulatorial de quatro semanas, e o ITT, de três semanas. A primeira semana do FITT e do ITT consiste em duas sessões, distribuídas em dois dias. As semanas dois e três incluem três dias de tratamento por semana, cada um composto de três sessões focadas no trauma para jovens. Como no FITT membros da família também participam, o FITT inclui uma quarta semana com três sessões de terapia familiar. No FITT, a rede familiar também participa da sessão de psicoeducação da primeira semana. Além disso, no FITT, nas semanas dois e três, os pais recebem treinamento parental em todos os dias de tratamento, e cada dia de tratamento termina com uma breve sessão de interação entre pais e filhos. No total, o ITT consiste em 29 sessões, distribuídas em 11 dias de tratamento. O FITT compreende 41 sessões, distribuídas em 14 dias de tratamento.
Tabela 1 — Visão geral do tratamento
As entrevistas foram conduzidas por duas pessoas psicólogas clínicas (que assinam em primeiro e em terceiro lugar) e por uma pessoa em pesquisa de pós-doutorado (que assina em segundo lugar). As duas pessoas psicólogas haviam desenvolvido o protocolo de tratamento do (F)ITT, mas não participaram do tratamento das pessoas que entrevistaram. Todas as entrevistas foram gravadas em áudio e transcritas por duas pessoas da equipe, estudantes assistentes. As entrevistas duraram cerca de uma hora e, conforme as possibilidades e preferências, foram realizadas presencialmente em um dos centros de tratamento (n = 7) ou on-line, em um ambiente digital seguro (n = 2). Todas as participantes foram informadas de que, se não quisessem responder a perguntas ou concluir a entrevista, poderiam fazê-lo sem precisar dar explicações nem sofrer consequências. Foram feitas perguntas abertas e exploratórias sobre a experiência geral com o (F)ITT, os resultados percebidos, os elementos-chave propostos e os facilitadores e barreiras percebidos ao sucesso do tratamento. As perguntas orais eram apoiadas por materiais visuais. Todos os componentes do (F)ITT foram ilustrados visualmente. Por exemplo, a terapia psicomotora foi ilustrada com um pictograma mostrando um exercício de alongamento. Em uma das perguntas, pedia-se às participantes que classificassem os componentes segundo o grau de utilidade, do mais útil ao menos útil. Também se pedia que os classificassem segundo o quanto eram agradáveis. Exemplos de perguntas da entrevista: “Qual componente mais te ajudou?” e “Em que medida você conversou com seus pais sobre o tratamento?”. Em uma das perguntas, as participantes deviam avaliar sua relação geral com as diferentes pessoas terapeutas em uma escala de 0 (muito negativa) a 10 (muito positiva). O protocolo de entrevista consta do material suplementar do artigo original.
Os códigos iniciais foram definidos a priori (Braun & Clarke, 2006), com base nos objetivos ou componentes de tratamento extraídos de uma revisão de literatura voltada a revisões de intervenções parentais após violência familiar, bem como de uma reunião de especialistas. Nessa reunião, esses objetivos ou componentes de tratamento foram apresentados. Especialistas do campo científico e clínico da violência familiar, entre terapeutas e profissionais do serviço social e da pesquisa, discutiram esses objetivos ou componentes e acrescentaram outros. Esses objetivos ou componentes foram formulados como códigos na análise dos dados, para explorar as perspectivas de jovens sobre eles ao refletir sobre os resultados do tratamento, os componentes-chave e os facilitadores e barreiras ao sucesso do tratamento. Os códigos definidos foram: (1) terapia focada no trauma, (2) rodízio de terapeutas, (3) psicoeducação/conhecimento sobre trauma e violência familiar, (4) relação entre pais e filhos, (5) parentalidade, (6) apoio social/recursos e (7) segurança dentro da família. A primeira etapa da análise das entrevistas consistiu na leitura das transcrições pelas duas pessoas responsáveis pela codificação. A etapa seguinte foi reler as transcrições e anotar ideias de codificação. Depois, usando o software ATLAS.ti 25 (ATLAS.ti Scientific Software Development GmbH, 2025), essas duas pessoas realizaram, de forma independente, uma codificação geral, selecionando trechos do texto e atribuindo-os ao código correspondente. Na fase seguinte, as duas pessoas responsáveis pela codificação revisaram os dados codificados para verificar se os códigos preliminares eram adequados e se, segundo a codificação indutiva, era preciso acrescentar códigos. As entrevistas foram codificadas de forma independente, mas em consulta conjunta. As escolhas de codificação foram discutidas até se chegar a um consenso. À medida que a análise avançava, as participantes introduziram conceitos adicionais, o que levou à identificação indutiva de mais três códigos. Foram acrescentados os seguintes códigos: (1) eventos adversos, (2) terapia com foco corporal, (3) cuidado após o tratamento.
Determinamos a saturação das entrevistas com o método de Guest et al. (2020), um método sistemático desenvolvido para a saturação temática em estudos qualitativos. Esse método calcula a razão de saturação contando o número de temas novos a cada duas entrevistas adicionais e dividindo-o pelo número de temas únicos na base inicial. Escolhemos uma base de 4, porque a maioria dos temas únicos é coletada nas primeiras entrevistas (Guest et al., 2020). Depois da base inicial (n = 4), foram identificados três novos códigos além dos sete iniciais, totalizando dez códigos. Na rodada seguinte de duas entrevistas, nenhum código novo foi identificado. Assim, essas duas entrevistas produziram 0% de informação nova, abaixo do nosso limiar de informação nova de 5%. Isso significa que a saturação foi alcançada após seis entrevistas. No entanto, decidimos usar na análise os dados das nove entrevistas, para fortalecer a robustez dos resultados e aprofundar as respostas. Os dez códigos foram reunidos em cinco temas gerais: (1) relações familiares e parentalidade; (2) tratamento do trauma; (3) formato do tratamento; (4) segurança e revitimização; e (5) apoio fora da família e recursos durante e após o tratamento. Os temas e códigos são apresentados na Tabela 2 e descritos em mais detalhe na seção de resultados.
Tabela 2 — Temas e códigos
Os achados são apresentados por pergunta de pesquisa. Em cada pergunta, os resultados são apresentados segundo os temas identificados.
Depois do tratamento, as jovens relataram resultados tanto negativos quanto positivos, e suas perspectivas diferiam conforme tivessem recebido o FITT ou o ITT. Três participantes do ITT se sentiam mais sozinhas, mais deprimidas ou mais retraídas do que antes do tratamento. Uma delas sentia que estava melhor e mais aberta às outras pessoas depois do ITT, mas os conflitos entre membros da família haviam escalado de novo e prejudicado suas relações por muito tempo. Outra participante do ITT sentia que a relação com os pais já havia melhorado antes do início do tratamento, porque os pais sabiam o que tinha acontecido com ela, o que lhes oferecia uma nova perspectiva sobre o comportamento da filha. Uma participante do FITT, assim como uma participante do ITT, sentia que o genitor também precisava de alguma forma de terapia do trauma. Uma delas explicou que o genitor era reativado em situações ligadas a eventos traumáticos vividos em família. Diferentemente do genitor do ITT, o genitor do FITT também foi encaminhado para uma terapia própria, para alívio da participante. Todas as participantes do FITT perceberam melhora no grau de apoio dos pais. Mencionaram que os pais tinham mais consciência dos efeitos do trauma e mais compreensão do que antes do tratamento. Com isso, elas se sentiam mais à vontade para compartilhar seus sentimentos com os pais. Uma participante do FITT sentia que o genitor estava mais capaz de ouvi-la e de aceitar seus limites quando ela não queria conversar. Elena, participante do FITT, expressou essa maior compreensão da seguinte forma:
“Porque a minha mãe, tipo, normalmente ela não tinha muito… hum, o vínculo era só muito diferente do que é agora, sabe? Ela se irritava rápido, tipo… com as coisas que eu fazia, e não tinha muita compreensão com isso. Ela não entendia por que eu fazia certas coisas. Ela simplesmente não entendia. Mas agora, sim, ela entende melhor agora.”
Além disso, Lisa, que participou do FITT, descreveu:
“Agora isso parece muito mais um lar.”
Todas as participantes, tanto do FITT quanto do ITT, tinham uma visão positiva dos resultados dos componentes focados no trauma sobre seus sintomas de EPT. Relataram menos ou nenhuma intrusão e pesadelo e uma diminuição do comportamento de evitação. Tinham menos medo em situações do dia a dia e diante de objetos, pessoas ou situações que antes funcionavam como gatilhos. Contavam com mais ferramentas para regular o estresse, o sono melhorou e estavam mais atentas às sensações corporais. Lisa disse:
“Bom, eu estou indo bem, no sentido de que tenho coragem de fazer coisas e de sair de casa, sabe. E de que tenho coragem de viver uma vida normal de novo.”
Sofia descreveu:
“Bom, perfeito, na verdade. Não tive mais nenhum problema desde então.”
As participantes do FITT e do ITT relataram que, durante o tratamento, aumentou seu conhecimento sobre as consequências do trauma e da violência familiar, bem como sobre o que esperar do tratamento.
As participantes do ITT e do FITT diferiam em sua perspectiva sobre a segurança familiar durante e após o tratamento. Participantes dos dois grupos relataram diminuição dos incidentes de violência familiar. No entanto, três participantes do ITT relataram a continuação de conflitos durante e após o tratamento, embora não houvesse riscos imediatos à segurança, enquanto apenas uma participante do FITT relatou um incidente de violência após o tratamento. Duas participantes do ITT e duas do FITT relataram experiências adversas fora da família no período após o tratamento.
As participantes, tanto do ITT quanto do FITT, mencionaram que se sentiam mais motivadas a fazer coisas depois de terminar o tratamento, como praticar exercícios ou começar um novo curso. Tinham menos medo de participar das coisas comuns da vida. Também relataram que conseguiam fazer pausas e falar de si com outras pessoas com mais facilidade. Algumas se sentiam mais confiantes, e outras sentiam mais estabilidade na vida, em parte porque conseguiam regular melhor as emoções.
As participantes do ITT e do FITT tinham opiniões diferentes sobre a necessidade de componentes parentais e familiares, embora a maioria tenha indicado que gostaria que o genitor recebesse apoio para o próprio bem-estar. Quando perguntadas sobre o componente mais útil, nenhuma participante do FITT citou o componente parental e familiar. Duas das cinco participantes do ITT expressaram preferência por um tratamento baseado na família, enquanto as outras ficaram satisfeitas por os pais não participarem. De modo geral, as participantes do ITT supunham não precisar da participação dos pais no tratamento, porque estavam acostumadas a fazer as coisas sozinhas e a contar consigo mesmas. Duas participantes não tinham certeza de que envolver os pais levaria a uma mudança positiva, às vezes por causa dos problemas psicológicos dos próprios pais. Tinham medo de que o genitor reagisse com raiva, decepção ou falta de autorreflexão. Uma participante do ITT tinha medo de não se abrir na presença dos pais, supondo que trabalhar as relações familiares exigiria a participação dos pais nas sessões de trauma. Duas participantes do ITT ficaram inicialmente satisfeitas por terem sido designadas para o ITT, mas depois sentiram que teriam preferido o FITT. Antes do tratamento, uma temia a raiva dos pais diante da revelação, enquanto a outra preferia resolver as coisas sozinha. Depois, ambas sentiram que um apoio aos pais poderia ter melhorado a compreensão e o apoio parentais e teria beneficiado os próprios pais.
Uma participante do FITT supunha que os resultados teriam sido semelhantes mesmo sem a participação dos pais, embora valorizasse o apoio recebido nas sessões de interação entre pais e filhos. As outras três participantes do FITT ficaram satisfeitas por terem recebido o tratamento baseado na família, ao qual atribuíam melhores resultados no plano familiar. As jovens que participaram do FITT relataram que era importante para elas ver o genitor receber ajuda e apoio. Outra participante do FITT observou que o FITT criou um contexto em que o genitor podia falar sobre a violência familiar, o que foi considerado importante porque o genitor também tinha vivido violência familiar na infância. Outra participante do FITT sentia que, depois do FITT, o genitor estava mais sensível, o que tornava mais fácil para ela conversar com o genitor. Lina, que participou do FITT, valorizava a sessão de interação no fim de cada dia de tratamento:
“Eu ainda conseguia encontrar meu apoio no fim do dia. Porque tudo tinha sido tão intenso, e aí no fim do dia você ainda tinha esse apoio. Que você ainda podia conversar com ela.”
Perguntou-se às participantes qual componente mais valorizavam, entre a exposição imaginária, a terapia psicomotora (TPM) e o EMDR. Não houve diferenças entre as participantes do ITT e do FITT. Três participantes tiveram a opinião mais positiva sobre a terapia de exposição imaginária. Sofia disse:
“Eu simplesmente não conseguia pôr as palavras para fora. Só dizer as palavras. Em algum momento, consegui, e sinto mesmo que foi isso o que mais ajudou.”
Embora cinco participantes tenham apontado a exposição imaginária como a terapia de que menos gostaram, elas a vivenciaram como muito bem-sucedida na redução dos sintomas de EPT. Elena descreveu:
“Achei horrível fazer, mas, é, de certo modo eu também meio que valorizei… tipo… voltar para o momento e perceber: sim, foi isso que aconteceu. E aí, no fim, eu consigo simplesmente deixar ir.”
Quatro participantes vivenciaram o EMDR como a parte mais útil do programa, mas houve também uma participante que não gostou do EMDR e sentiu que não era eficaz. A TPM foi mencionada três vezes como a parte mais eficaz, e quase todas as participantes a valorizaram, relatando que ela aumentou a consciência corporal e ofereceu ferramentas de regulação do estresse. Uma relatou que a TPM era desconfortável. Uma participante que se descrevia como sempre tensa ficou surpresa por conseguir sentir um momento de relaxamento durante a TPM. Além disso, uma participante mencionou que a TPM era a parte divertida do dia e valorizou as informações recebidas sobre os efeitos do trauma no corpo. Em geral, as participantes valorizaram a psicoeducação durante a TPM e a oportunidade de liberar o estresse.
Não houve diferenças aparentes entre as perspectivas das participantes do FITT e do ITT quanto aos componentes-chave. As participantes descreveram a combinação e a coerência das várias terapias do trauma como componentes-chave. Layla disse:
“Então tem a parte em que você entra mesmo na sua cabeça, tem a parte em que você está fazendo alguma coisa ativamente, mas ainda pensando nisso e meio que processando, e aí tem a fisioterapia, que funcionou muito bem para mim. Porque eu funciono melhor na prática, livros são muito difíceis para mim. E foi assim que a gente descobriu que essa abordagem funcionava muito bem.”
As participantes valorizaram a variedade de terapias focadas no trauma incluídas no tratamento, pois isso garantia que sempre houvesse uma terapia adequada às suas necessidades individuais. Explicações claras sobre a lógica das terapias do trauma reforçavam ainda mais suas expectativas positivas em relação à terapia. As participantes relataram que a sessão de psicoeducação trazia informações completas sobre o programa de tratamento e valorizaram que as mesmas informações fossem repetidas durante o tratamento. Sofia disse:
“Eu sabia o que podia esperar, e o que eu esperava também aconteceu.”
Todas as participantes guardaram uma lembrança positiva do apoio recebido da equipe de terapeutas durante o tratamento. Em média, as participantes deram à equipe nota 8,3, em uma escala de 0 a 10, para a relação terapêutica. As notas variaram de 6 a 10. De modo geral, elas se sentiram apoiadas, e a diversidade na forma de aplicar as técnicas terapêuticas foi útil. Uma participante mencionou que se sentiria mais à vontade com uma única pessoa terapeuta. Outras sentiram que receber tratamento de várias pessoas terapeutas evitava que se apegassem a alguém em particular, poupando-as da tristeza de ver essa relação terminar no fim do tratamento. Em geral, as participantes sentiam que podiam falar de tudo com a equipe terapêutica e que a equipe sabia o que estava fazendo. As participantes valorizaram ter uma pessoa que coordenava todo o processo de tratamento.
As participantes do ITT atribuíam a diminuição dos incidentes de violência familiar a habilidades recém-adquiridas no plano individual. Por exemplo, uma participante do ITT passou a ter menos brigas em casa porque agora tendia mais a perguntar o que estava acontecendo antes de reagir por impulso. Outra participante sentia que, depois do ITT, conseguia lidar melhor com certos comportamentos dos pais que antes geravam muita tensão. Uma terceira participante do ITT contou que antes tinha conflitos com os pais por causa de seu comportamento opositor, mas que, desde que se abriu com eles sobre suas experiências traumáticas, encontrava compreensão da parte deles e o número de conflitos diminuiu. Uma participante do ITT que descreveu conflitos em casa mencionou que, depois do tratamento, ela e o genitor não sabiam como interagir para evitar conflitos. Ela também sentiu falta de um acompanhamento posterior sobre esse tema. Layla, outra participante do ITT, descreveu:
“Eu podia voltar para casa tranquila, mas, quando você está em casa, cai num certo ritmo automático. Você colocou uma certa máscara.”
Uma participante do FITT disse que a família não tinha mais brigas físicas, que aconteciam antes do tratamento, e atribuiu isso a uma mudança no comportamento de todos os membros da família. Uma participante do FITT, Lisa, que valorizava acima de tudo as sessões de interação de cada dia de tratamento nas semanas dois e três, descreveu:
“As conversas no fim do dia, junto com a minha mãe, eu gostei muito. Percebi na hora o quanto eu gostava daquilo. Porque eu podia, num ambiente seguro, conversar com a minha mãe sem a gente, tipo, gritar uma com a outra. Eu me sentia realmente segura para me abrir sobre isso. Eu via que aquilo fazia bem para a minha mãe.”
De modo geral, as participantes sentiam que os componentes de trauma as ajudaram a sentir menos tensão e medo, o que permitiu retomar a vida normal. Por exemplo, esses componentes as ajudaram a conversar e a passar mais tempo com as amizades, a ser mais ativas na escola e a praticar esportes.
No tratamento das participantes do ITT, os pais não participaram. As participantes do ITT tinham, porém, medos e suposições sobre a participação dos pais que poderiam funcionar como barreiras ao sucesso do tratamento. Uma participante do ITT pensava que teria medo de se abrir na presença dos pais, porque eles não conheciam os detalhes das experiências traumáticas, enquanto outra participante do ITT sentia que seria incapaz de compartilhar eventos traumáticos porque o genitor fazia parte dessas experiências. Quatro participantes do ITT mencionaram que os pais foram um apoio durante o tratamento e que isso as ajudou a continuar. Por exemplo, os pais as levavam ao tratamento ou as acompanhavam nas pausas de um dia de tratamento, interessavam-se pelo que sentiam depois de um dia de tratamento ou lhes ofereciam bebidas e abraços. Uma participante do FITT explicou que gatilhos traumáticos impediam o genitor de falar sobre a história traumática dela.
As participantes mencionaram que era importante “simplesmente se entregar”. Além disso, mencionou-se que certa estabilidade e certo apoio na vida aumentavam a disposição de se engajar na terapia do trauma. Layla disse:
“Eu estava extremamente tensa, eu realmente pensava: ‘isso vai ser intenso, isso dá medo.’ Mas, na verdade, hum, recebi tanto apoio naquele momento que ficou muito mais fácil encarar aquilo com calma.”
Algumas participantes estavam nervosas quanto a como reagiriam à intensidade do programa. Uma participante mencionou ter sentido medo ao antecipar uma sessão em que teria de processar uma memória na qual não queria mais pensar. Outra participante disse que foi útil que todas as pessoas terapeutas conhecessem sua história de vida, pois isso eliminava a necessidade de repetir a história a cada terapeuta. Duas participantes descreveram a transição do tratamento intensivo para uma pausa no tratamento como um grande passo e disseram ter sentido falta de um acompanhamento imediato. Sugeriram implementar uma transição mais gradual do tratamento de alta intensidade para um tratamento de baixa frequência.
Uma participante do ITT mencionou que a situação em casa estava mais estável, e isso a ajudou a iniciar o tratamento. Uma participante do FITT relatou que não teria sido possível processar as memórias traumáticas se um dos genitores, que já não morava com a família, ainda representasse tamanha ameaça. Uma participante notou que, durante o ITT, o genitor estabeleceu algumas regras e limites claros em casa para criar um ambiente mais seguro e estável. Em contrapartida, outra participante viveu muito estresse em casa durante o ITT. Layla descreveu:
“Porque, antes de começar o dia, você tinha de preencher um formulário sobre como estava se sentindo, como as coisas tinham ido, e sempre havia meio que um padrão fixo por causa do que estava acontecendo em casa. E aí eu tinha de dizer de novo que tinha havido uma briga. E acho que isso provavelmente estava naquela lista todos os dias.”
Três participantes do ITT e duas do FITT mencionaram diferentes eventos adversos, dentro e fora da família, após o tratamento, que prejudicaram sua recuperação, incluindo separação familiar, bullying, tentativa de suicídio de uma pessoa querida, abuso sexual, violência na rua e conflitos familiares recorrentes.
As participantes diferiam quanto a falar ou não do tratamento na escola ou no trabalho e, quando falavam, quanto ao apoio que recebiam. Para algumas, informar a escola e o trabalho sobre o programa de tratamento ajudou durante e após o tratamento. Sentiam-se apoiadas quando a escola ou o trabalho era flexível quanto aos horários e às expectativas e quando colegas e o corpo docente estavam emocionalmente disponíveis. Uma participante relatou que não falou do tratamento no trabalho e preferiu continuar trabalhando durante o tratamento. Algumas participantes também preferiram continuar indo à escola nos dias sem tratamento, enquanto outras, que continuaram as atividades escolares, acharam que era demais, sobretudo porque sentiam pressão da escola. Outra participante sentia que colegas faziam fofoca sobre seu trauma e não se sentia apoiada. Outras participantes que falaram abertamente sobre o tratamento no trabalho ou na escola foram dispensadas da escola ou do trabalho, o que vivenciaram como apoio. Uma participante contou que isso lhe permitiu chegar ao tratamento em um estado de calma.
O apoio das amizades era importante para as participantes, embora algumas também se sentissem cansadas demais para encontrar as amizades depois de um dia de tratamento, ou se sentissem muito sozinhas durante o tratamento e sentissem falta de amizades que as apoiassem. As participantes que recebiam apoio das amizades contaram que mantinham contato com elas depois de um dia de tratamento, mas também que pessoas amigas as acompanhavam nas pausas dos dias de tratamento. Sobretudo as amizades que também tinham vivido eventos traumáticos foram descritas como mais compreensivas. Quanto aos recursos, as participantes foram muito claras sobre a atitude positiva necessária para começar um tratamento intensivo. Era importante abrir-se para o tratamento e sentir-se motivada, porque o tratamento exige muito trabalho.
O objetivo deste estudo foi explorar as perspectivas de jovens sobre os resultados e os componentes-chave de um tratamento intensivo do trauma com e sem componente familiar e sobre os facilitadores e barreiras que percebiam ao sucesso do tratamento. Suas respostas puderam ser agrupadas nos cinco temas seguintes: (1) relações familiares e parentalidade; (2) tratamento do trauma; (3) formato do tratamento; (4) segurança e revitimização; e (5) apoio fora da família e recursos durante e após o tratamento. Na perspectiva dessas pessoas jovens, o tratamento reduziu os sintomas de EPT, melhorou as habilidades de regulação, aumentou a motivação e a confiança para participar das atividades cotidianas e melhorou a compreensão do trauma e das consequências da violência familiar; o componente familiar, em especial, melhorou o apoio e a compreensão dos pais, reduziu os incidentes de violência familiar e levou a um apoio profissional para os próprios pais. As jovens que não receberam o componente familiar também relataram resultados negativos, como sentir-se sozinhas, deprimidas e retraídas.
Os componentes-chave percebidos pelas pessoas jovens foram as terapias focadas no trauma, incluindo a exposição imaginária, o EMDR e a terapia psicomotora, e a variedade dessas terapias, a psicoeducação sobre o trauma (e seu tratamento) e sobre a violência familiar, e a diversidade na abordagem das pessoas terapeutas e o apoio da equipe terapêutica, com o componente familiar criando um contexto seguro no qual recebiam apoio do genitor e podiam conversar sobre temas importantes. A maioria sentia que o apoio e o tratamento para os próprios pais eram, ou, no caso de quem não recebeu o componente familiar, poderiam ser, componentes-chave. Parte das jovens que receberam o tratamento intensivo do trauma sem componente familiar supunha que esse componente não teria valor agregado. Expressaram que estavam acostumadas a contar consigo mesmas e duvidavam que os pais se beneficiassem de tal componente, ou tinham receio das reações dos pais.
Os facilitadores percebidos do sucesso do tratamento foram certa estabilidade na vida cotidiana, uma atitude aberta e motivação em relação ao tratamento e o apoio dos pais, da escola, do trabalho e de pares, sobretudo de pares que tinham vivido experiências traumáticas. As barreiras ao sucesso do tratamento foram a ameaça e a violência familiar contínuas, o medo dos componentes focados no trauma e a transição abrupta do tratamento intensivo para um tratamento de baixa frequência ou uma pausa no tratamento. Para as jovens que participaram do tratamento intensivo do trauma sem componente familiar, a suposição de que seria preciso compartilhar detalhes das memórias traumáticas também era uma barreira, assim como o medo de incluir pais associados às memórias traumáticas.
Os achados não só trouxeram compreensões sobre a visão das pessoas jovens a respeito dos resultados do tratamento, dos componentes-chave e dos fatores que facilitam ou barram o sucesso do tratamento, mas também oferecem hipóteses sobre como essas pessoas explicam a mudança ao longo do processo terapêutico. Na percepção delas, expectativas claras em relação ao tratamento ajudaram a se empenhar nos componentes focados no trauma e a levá-los adiante. Também perceberam que a psicoeducação aumentou seu conhecimento sobre o trauma e a violência familiar e que isso oferecia uma explicação para seus problemas e uma lógica para o plano de tratamento. Isso está em consonância com um estudo anterior que mostrou a importância da psicoeducação na diminuição dos sintomas de EPT em pessoas adultas expostas à violência familiar (Laun, 2015). Para que um tratamento seja eficaz, é importante ter confiança na explicação dos problemas psicológicos e na lógica e nas ações do tratamento (Wampold, 2015). Isso também apareceu nos comentários das participantes sobre a terapia de exposição imaginária. Não gostavam dessa forma de terapia, mas entendiam por que era importante se engajar nela e, depois, a perceberam como muito eficaz. A compreensão da lógica da terapia implica que concordavam com os objetivos e as tarefas da terapia, elementos da aliança terapêutica, e essa aliança leva tanto a expectativas mais positivas em relação ao tratamento quanto a uma melhor relação terapêutica (Crits-Christoph et al., 2006). As pessoas jovens foram muito positivas quanto à relação terapêutica com a equipe de terapeutas. Sentiam apoio da equipe e descreveram como a diversidade das abordagens terapêuticas ajudou a aproveitar a combinação dos componentes focados no trauma. Algumas sentiram que o rodízio de terapeutas as poupou da tristeza de se separar de uma pessoa terapeuta com quem poderiam ter criado vínculo. Esse foi um achado notável, que lança nova luz sobre a noção de relação terapêutica. Ele se assemelha aos resultados de um estudo qualitativo sobre tratamento intensivo do trauma com pessoas adultas (Thoresen et al., 2022), no qual as pessoas participantes descreveram que o rodízio de terapeutas evitava que se apegassem a uma única pessoa durante a terapia e oferecia espaço para se concentrar no próprio processo nos fatores específicos do tratamento.
Os achados do estudo, baseados na perspectiva de jovens, sugerem que o acréscimo de um componente familiar possivelmente aprimora o tratamento de jovens que viveram violência familiar. As jovens que receberam o componente familiar perceberam que os componentes familiares melhoraram o apoio e a compreensão dos pais e criaram um contexto seguro para conversar com eles sobre assuntos difíceis. As que não receberam o componente familiar também sentiram que a presença do apoio parental as ajudou durante o tratamento. Isso está em consonância com uma revisão sistemática em que a disponibilidade emocional se mostrou um moderador entre a violência familiar e os sintomas internalizantes das crianças (Carter et al., 2022). Pode ser que um contexto de apoio e compreensão ajude jovens a seguir no tratamento e a se beneficiar de seus componentes específicos. No entanto, as jovens que não receberam o componente familiar também descreveram como mudanças no plano individual, como mais habilidades de enfrentamento e redução do EPT, reduziram indiretamente o risco de conflitos familiares. Além disso, apesar de conflitos familiares em várias famílias, todas as participantes relataram resultados positivos quanto aos sintomas de EPT. Talvez jovens possam se beneficiar do tratamento apesar de conflitos contínuos. Isso está em consonância com um estudo de Lünnemann et al. (2022), que constatou que os níveis de sintomas de EPT diminuíam quando o número de conflitos familiares caía, ainda que esses conflitos não cessassem totalmente. No entanto, as participantes também relataram que a continuidade da ameaça podia constituir uma barreira, sendo certa estabilidade na vida vista como um facilitador do sucesso do tratamento. Algumas participantes que não receberam o componente familiar também relataram sentimentos negativos após o tratamento, como solidão. Também se deve notar que novos eventos adversos após o tratamento podem levar à recorrência dos sintomas.
Os achados também mostraram que o formato do tratamento pode contribuir para aprimorá-lo. As pessoas jovens valorizaram o formato do tratamento, incluindo a psicoeducação sobre trauma e violência familiar, uma lógica clara do plano de tratamento, a variedade e a combinação dos componentes focados no trauma e o uso do rodízio de terapeutas. De modo comparável aos achados da metanálise de Hoppen et al. (2023), pode ser que esse formato as tenha ajudado a concluir o tratamento. Na percepção dessas pessoas, a combinação e a variedade dos componentes focados no trauma, incluindo a exposição imaginária, o EMDR e a terapia psicomotora, suscitam ações que reduziram os sintomas de EPT e melhoraram a regulação do estresse e as habilidades de enfrentamento. Isso corresponde à visão de terapeutas que identificaram os múltiplos componentes focados no trauma como elemento-chave do tratamento intensivo do trauma (Vaage-Kowalzik et al., 2025).
Uma limitação importante deste estudo é que, devido ao pequeno número de participantes, a variação dentro dos dois grupos foi limitada. Além disso, o risco de viés de amostragem significa que este estudo descreve as experiências de um grupo específico de jovens. Uma segunda limitação é que o intervalo entre o fim do tratamento e a entrevista variou, e as reflexões retrospectivas podem variar conforme esse intervalo. Um ponto forte importante deste estudo é que conseguimos coletar informações detalhadas sobre as perspectivas de jovens que muitas vezes ficam de fora da pesquisa por questões de segurança. Além disso, os achados questionam o pressuposto dominante de que o tratamento do trauma só pode começar quando a violência familiar tiver cessado totalmente.
Embora as participantes do FITT tenham valorizado o componente familiar, as suposições das participantes do ITT em relação a esse componente eram divididas; por isso, é importante abordar com cuidado suas preocupações e as possíveis crenças negativas que tenham sobre incluir a família no tratamento. Informações claras sobre o conteúdo de um componente familiar são necessárias, e a tomada de decisão compartilhada (Langer & Jensen-Doss, 2018) pode ajudar a incluir tanto a perspectiva de jovens quanto a dos pais. Uma segunda recomendação é incluir o tratamento intensivo do trauma como uma das opções de tratamento, já que essa forma de tratamento é valorizada por jovens. Ao oferecer tratamento intensivo do trauma, é aconselhável planejar como a transição do tratamento intensivo para um tratamento ou acompanhamento não intensivo pode atender às necessidades de jovens e pais. Outra recomendação é garantir que jovens que vivem conflitos familiares contínuos não fiquem automaticamente de fora do tratamento, já que várias participantes deste estudo se beneficiaram do tratamento apesar de conflitos contínuos em casa. Uma última recomendação é considerar como o apoio fora da família pode ser integrado ao tratamento, por exemplo envolvendo um par da própria rede da pessoa jovem, outras pessoas jovens que participam do mesmo programa de tratamento ou uma pessoa com experiência vivida que atue como par. Embora o efeito do apoio de pares com experiência vivida no tratamento de jovens ainda não tenha sido estabelecido (Simmons et al., 2023), as jovens do presente estudo valorizaram o apoio de pares com histórico de trauma, e no estudo de van Ee et al. (2024) jovens explicaram que o apoio social, na forma de sentimentos reconhecidos, distração e possibilidade de compartilhar sentimentos, foi importante para iniciar a terapia e aderir a ela.
Jovens que viveram violência familiar relataram resultados valiosos após um tratamento intensivo do trauma com e sem componente familiar. É promissor que esse grupo, às vezes privado de tratamento do trauma por causa de situações domésticas inseguras ou de EPT parental, tenha relatado melhoras, mesmo nos casos em que os conflitos familiares continuaram. Tanto o formato do tratamento quanto o componente familiar foram mencionados como componentes-chave. É importante abordar com cuidado as crenças de jovens sobre a participação das famílias no tratamento do trauma e seguir um processo de tomada de decisão compartilhada. O apoio, de modo geral, pode ajudar jovens a tirar proveito de um tratamento intensivo do trauma. Para aprimorar o tratamento do trauma de jovens, são necessárias avaliações sistemáticas de ensaios em grupo para determinar se componentes familiares podem ser recomendados.
Complexe Systémique: a reter
Este estudo dá voz a jovens que a pesquisa muitas vezes deixa de fora porque a segurança em casa não está garantida. Ele lembra uma realidade conhecida por quem pratica a terapia familiar: envolver os pais no trabalho com o trauma não é algo óbvio para jovens. Lealdade, medo da raiva parental, cuidado em proteger um genitor também traumatizado ou a ligação direta entre esse genitor e as memórias traumáticas podem levar a preferir um tratamento solitário. Quando a família participa, porém, essas pessoas jovens descrevem um genitor que compreende melhor, conversas enfim possíveis e um genitor que, por sua vez, recebe ajuda. Daí o interesse de uma decisão compartilhada sobre o lugar da família, em vez de uma inclusão imposta. O rodízio de terapeutas, vivido como proteção contra a tristeza da separação, também convida a repensar a relação terapêutica. A leitura crítica se impõe: nove pessoas, apenas quatro no FITT, entrevistas conduzidas em parte por quem concebeu o protocolo e intervalos variáveis após o tratamento. Para ler junto com o estudo sueco sobre as experiências de crianças com o tratamento focado no trauma após violência familiar e com a revisão das psicoterapias diádicas no trauma do desenvolvimento.
Notas do original
Agradecimentos. A equipe agradece sinceramente às jovens participantes, aos centros de tratamento, às pessoas terapeutas e à instituição financiadora por sua valiosa contribuição.
Financiamento. O estudo foi financiado por uma bolsa de pesquisa da ZonMw. A instituição financiadora aprovou o projeto de pesquisa e não teve nenhum papel na análise dos dados nem na redação do manuscrito.
Conflitos de interesse. A equipe de pesquisa declara não haver conflitos de interesse.
Aprovação ética. O ensaio foi aprovado pelo Comitê de Ética Médica do Amsterdam UMC em 17 de fevereiro de 2021 (referência: 2020.505). O estudo qualitativo foi aprovado em 8 de junho de 2023 como emenda ao ensaio.
Consentimento para publicação. Todas as pessoas participantes consentiram com a publicação dos dados coletados de forma anonimizada.
Ética e consentimento para participar. Este estudo foi realizado de acordo com os princípios da Declaração de Helsinque. Todas as pessoas participantes deram seu consentimento livre e esclarecido antes de participar do estudo.
Registro do ensaio clínico. O ensaio original foi registrado no Registro Holandês de Ensaios (TrialNL8592) em 4 de maio de 2020. O protocolo foi publicado em 2022.
Referências
Anderson, K., Van Ee, E., Nederland, P. Z., Van, R., & Groep, A. (2018). Mothers and Children Exposed to Intimate Partner Violence: A Review of Treatment Interventions.International Journal of Environmental Research and Public Health, 15(9), 1955. https://doi.org/10.3390/IJERPH15091955
ATLAS.tiScientific Software Development GmbH. (2025). ATLAS.ti (version 24) [Qualitative data analysis software]. https://atlasti.com
Austin,A. E., Shanahan, M. E., Barrios, Y. V., & Macy, R. J. (2019). A systematic review of interventions for women parenting in the context of intimate partner violence. Trauma Violence & Abuse, 20(4), 498–519. https://doi.org/10.1177/1524838017719233
Braun, V., & Clarke, V. (2006). Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research in Psychology, 3(2), 77–101. https://doi.org/10.1191/1478088706QP063OA
Carter, B., Paranjothy, S., Davies, A., & Kemp, A. (2022). Mediators and Effect Modifiers of the Causal Pathway Between Child Exposure to Domestic Violence and Internalizing Behaviors Among Children and Adolescents: A Systematic Literature Review. Trauma Violence and Abuse, 23(2), 594–604. https://doi.org/10.1177/1524838020965964
Cox, S., Parkinson, S., Herbert, J., Tucker, E., Octoman, O., & Bromfield, L. (2025). Trauma-focused cognitive behavioral therapy for children and young people who have experienced forms of child maltreatment other than child sexual abuse: A review of the evidence. Children and Youth Services Review, 108159. https://doi.org/10.1016/J.CHILDYOUTH.2025.108159
Crits-Christoph, P., Gibbons, M. B. C., Crits-Christoph, K., Narducci, J., Schamberger, M., & Gallop, R. (2006). Can therapists be trained to improve their alliances? A preliminary study of alliance-fostering psychotherapy. Psychotherapy Research, 16(3), 268–281. https://doi.org/10.1080/10503300500268557
Cuijpers, P. (2019). Targets and outcomes of psychotherapies for mental disorders: an overview. World Psychiatry, 18(3), 276–285. https://doi.org/10.1002/WPS.20661
Felitti, V. J., Anda, R. F., Nordenberg, D., Williamson, D. F., Spitz, A. M., Edwards, V., Koss, M. P., & Marks, J. S. (2019). Relationship of Childhood Abuse and Household Dysfunction to Many of the Leading Causes of Death in Adults: The Adverse Childhood Experiences (ACE)Study. American Journal of Preventive Medicine, 56(6), 774–786. https://doi.org/10.1016/j.amepre.2019.04.001
Ferrari, G., Agnew-Davies, R., Bailey, J., Howard, L., Howarth, E., Peters, T. J., Sardinha, L., & Feder, G. S. (2016). Domestic violence and mental health: a cross-sectional survey of women seeking help from domestic violence support services. Global Health Action, 9(1). https://doi.org/10.3402/GHA.V9.29890
Fictorie, V., Jonkman, C., Visser, M., Vandenbosch, M., Steketee, M., & Schuengel, C. (2022). Effectiveness of a high-intensive trauma-focused, family-based therapy for youth exposed to family violence: Study protocol for a randomized controlled trial. Trials, 23(1), 46. https://doi.org/10.1186/s13063-021-05981-4
Guest, G., Namey, E., & Chen, M. (2020). A simple method to assess and report thematic saturation in qualitative research. PLOS ONE, 15(5), e0232076. https://doi.org/10.1371/JOURNAL.PONE.0232076
Hackett, S., McWhirter, P. T., & Lesher, S. (2016). The Therapeutic Efficacy of Domestic Violence Victim Interventions. Trauma Violence & Abuse, 17(2), 123–132. https://doi.org/10.1177/1524838014566720
Head, B. W. (2011). Why not ask them? Mapping and promoting youth participation. Children and Youth Services Review, 33(4), 541–547. https://doi.org/10.1016/j.childyouth.2010.05.015
Hendriks, L., de Kleine, R. A., Heyvaert, M., Becker, E. S., Hendriks, G. J., & van Minnen, A. (2017). Intensive prolonged exposure treatment for adolescent complex posttraumatic stress disorder: a single-trial design. Journal of Child Psychology and Psychiatry and Allied Disciplines, 58(11), 1229–1238. https://doi.org/10.1111/jcpp.12756
Hoogsteder, L. M., ten Thije, L., Schippers, E. E., & Stams, G. J. J. M. (2022). A Meta-Analysis of the Effectiveness of EMDR and TF-CBT in Reducing Trauma Symptoms and Externalizing Behavior Problems in Adolescents. International Journal of Offender Therapy and Comparative Criminology, 66(6–7), 735–757. https://doi.org/10.1177/0306624X211010290
Hoppen, T. H., Kip, A., & Morina, N. (2023). Are psychological interventions for adult PTSD more efficacious and acceptable when treatment is delivered in higher frequency? A meta-analysis of randomized controlled trials. Journal of Anxiety Disorders, 95, 102684. https://doi.org/10.1016/J.JANXDIS.2023.102684
Kopystynska, O., Mueller, J., Bradford, K., Chandler, A. B., Foran, H. M., & Higginbotham, B. J. (2022). The Influence of Interparental Conflict and Violence on Parenting and Parent–Child Relationships. Personal Relationships, 29(3), 488–523. https://doi.org/10.1111/PERE.12441
Langer, D. A., & Jensen-Doss, A. (2018). Shared Decision-Making in Youth Mental Health Care: Using the Evidence to Plan Treatments Collaboratively. Journal of Clinical Child & Adolescent Psychology, 47(5), 821–831. https://doi.org/10.1080/15374416.2016.1247358
Laun, S. (2015). Effectiveness of Psychoeducation for Adult Survivors of Sexual and Domestic Violence. PCOM Psychology Dissertations. https://digitalcommons.pcom.edu/psychology_dissertations/340
Lindstrom Johnson, S., Elam, K., Rogers, A. A., & Hilley, C. (2018). A Meta-Analysis of Parenting Practices and Child Psychosocial Outcomes in Trauma-Informed Parenting Interventions after Violence Exposure. In Prevention Science, 19(7), 927–938. https://doi.org/10.1007/s11121-018-0943-0
Lünnemann, M. K. M., Luijk, M. P. C. M., Van der Horst, F. C. P., Jongerling, J., & Steketee, M. (2022). The impact of cessation or continuation of family violence on children. Children and youth services review, 140, 106565. https://doi.org/10.1016/j.childyouth.2022.106565
Onsjö, M., Strand, J., & Axberg, U. (2022). No child is an island – The life situation before and during treatment for children exposed to family violence. Human Systems, 2(2), 64–81. https://doi.org/10.1177/26344041221078221
Ooms-Evers, M., van der Graaf-Loman, S., van Duijvenbode, N., Mevissen, L., & Didden, R. (2021). Intensive clinical trauma treatment for children and adolescents with mild intellectual disability or borderline intellectual functioning: A pilot study. Research in Developmental Disabilities, 117. https://doi.org/10.1016/J.RIDD.2021.104030
Oprel, D. A., Hoeboer, C. M., Schoorl, M., Kleine, R. A. D., Cloitre, M., Wigard, I. G., & van der Does, W. (2021). Effect of prolonged exposure, intensified prolonged exposure and STAIR+ Prolonged+ prolonged exposure in patients with PTSD related to childhood abuse: A randomized controlled trial. European Journal of Psychotraumatology, 12(1). https://doi.org/10.1080/20008198.2020.1851511
Pernebo, K., & Almqvist, K. (2016). Young Children Exposed to Intimate Partner Violence Describe their Abused Parent: A Qualitative Study. https://doi.org/10.1007/s10896-016-9856-5
Racine, N., Greer, K., Dimitropoulos, G., Collin-Vézina, D., Henderson, J. L., & Madigan, S. (2023). Youth engagement in child maltreatment research: Gaps, barriers, and approaches. Child Abuse & Neglect, 139, 106127. https://doi.org/10.1016/J.CHIABU.2023.106127
Rentinck, E. M., van Mourik, R., de Jongh, A., & Matthijssen, S. J. M. A. (2025). Effectiveness of an intensive outpatient treatment programme combining prolonged exposure and EMDR therapy for adolescents and young adults with PTSD in a naturalistic setting. European Journal of Psychotraumatology, 16(1). https://doi.org/10.1080/20008066.2025.2451478
Rizo, C. F., Macy, R. J., Ermentrout, D. M., & Johns, N. B. (2011). A review of family interventions for intimate partner violence with a child focus or child component. Aggression and Violent Behavior, 16(2), 144–166. https://doi.org/10.1016/j.avb.2011.02.004
Simmons, C., Meiser-Stedman, R., Baily, H., & Beazley, P. (2021). A meta-analysis of dropout from evidence-based psychological treatment for post-traumatic stress disorder (PTSD) in children and young people. European Journal of Psychotraumatology, 12(1). https://doi.org/10.1080/20008198.2021.1947570
Simmons, M. B., Cartner, S., MacDonald, R., Whitson, S., Bailey, A., & Brown, E. (2023). The effectiveness of peer support from a person with lived experience of mental health challenges for young people with anxiety and depression: A systematic review. Bmc Psychiatry, 23(1), 1–20. https://doi.org/10.1186/s12888-023-04578-2
Sypher, I., Gershoff, E. T., & Hyde, L. W. (2022). Intimate Partner Violence and Parenting: Examining the Roles of Parenting Stress, Timing, and Maternal Abuse History. Journal of Family Violence, 37(2), 261–273. https://doi.org/10.1007/S10896-021-00265-6/TABLES/4
Thoresen, I. H., Auren, T. J. B., Langvik, E. O., Engesæth, C., Jensen, A. G., & Klæth, J. R. (2022). Intensive outpatient treatment for post-traumatic stress disorder: a thematic analysis of patient experience. European Journal of Psychotraumatology, 13(1). https://doi.org/10.1080/20008198.2022.2043639
Tijsseling, I., van ’t Noordende, A. T., Zijlstra, B. J. H., Merbis, M., & van Veen, S. C. (2024). The Effectiveness and Tolerability of an Intensive Outpatient Trauma Treatment Program for Adolescents With PTSD. Journal of EMDR Practice and Research, 18(2), 68–81. https://doi.org/10.1891/EMDR-2023-0051
Vaage-Kowalzik, V., Engeset, J., Jakobsen, M., & Evensen, J. H. (2025). Educational, but demanding: the experience of therapists in an intensive inpatient trauma treatment program. Frontiers in Psychology, 16, 1581055. https://doi.org/10.3389/FPSYG.2025.1581055
van Ee, E., de Beijer, D., Florisson, D., & Geuskens, F. (2024). Making sense of change after Intensive Trauma Treatment: a mixed-methods study into adolescents’ experience of efficacy. Child and Adolescent Psychiatry and Mental Health, 18(1), 1–7. https://doi.org/10.1186/S13034-024-00781-5
Van Woudenberg, C., Voorendonk, E. M., Bongaerts, H., Zoet, H. A., Verhagen, M., Lee, C. W., & De Jongh, A. (2018). Effectiveness of an intensive treatment programme combining prolonged exposure and eye movement desensitization and reprocessing for severe post-traumatic stress disorder. European Journal of Psychotraumatology, 9(1). https://doi.org/10.1080/20008198.2018.1487225
Visser, I., Van Der Mheen, M., Dorsman, H., Knipschild, R., Staaks, J., Hein, I., Van Dongen, N., Staal, W., Assink, M., Ram´, R., & Lindauer, R. J. L. (2025). Post-traumatic stress disorder rates in trauma-exposed children and adolescents: updated three-level meta-analysis. The British Journal of Psychiatry, 1–9. https://doi.org/10.1192/BJP.2025.30
Wampold, B. E. (2015). How important are the common factors in psychotherapy? An update. World Psychiatry, 14(3), 270–277. https://doi.org/10.1002/WPS.20238
Whitten, T., Tzoumakis, S., Green, M. J., & Dean, K. (2024). Global Prevalence of Childhood Exposure to Physical Violence within Domestic and Family Relationships in the General Population: A Systematic Review and Proportional Meta-Analysis. Trauma Violence & Abuse, 25(2), 1411–1430. https://doi.org/10.1177/15248380231179133
Tradução não oficial em português de Tratamento intensivo do trauma baseado na família para jovens com sintomas de estresse pós-traumático após violência familiar: um estudo qualitativo das perspectivas de jovens sobre resultados, componentes-chave, barreiras e facilitadores, de Valerie Fictorie, Caroline Jonkman, Margreet Visser, Majone Steketee e Carlo Schuengel, Journal of Child & Adolescent Trauma, publicação on-line antecipada (2026), doi: 10.1007/s40653-026-00904-4, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença (tabelas apresentadas em lista). Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.
Tradução não oficial para o português de “Family-Based Intensive Trauma Treatment for Youth with PTS Symptoms After Family Violence: A Qualitative Study of Youths’ Perspectives on Treatment Outcomes, Key Components, and Barriers and Facilitators for Treatment Success”, publicado em Journal of Child & Adolescent Trauma (2026) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.
Ler o artigo originalComo citar este artigo
Fictorie, V., Jonkman, C., Visser, M., Steketee, M., et Schuengel, C. (2026). Tratamento intensivo do trauma baseado na família para jovens com sintomas de estresse pós-traumático após violência familiar: um estudo qualitativo das perspectivas de jovens sobre resultados, componentes-chave, barreiras e facilitadores (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/tratamento-intensivo-do-trauma-baseado-na-familia-apos-violencia-familiar (Obra original publicada em 2026 em Journal of Child & Adolescent Trauma, publication en ligne anticipée (2026); republicada em 2026 por Journal of Child & Adolescent Trauma, https://link.springer.com/article/10.1007/s40653-026-00904-4)
Para ir mais longe