Esta versão foi traduzida do inglês pelo Complexe Systémique com a ajuda da inteligência artificial. Em caso de dúvida, prevalece a versão original.
The British Journal of Social Work · Proteção à infância
O dia em que uma criança é retirada da família costuma ser planejado às pressas, sob a ótica do risco e da logística. Em Lewisham, no sul de Londres, reuniões “Child Coming into Our Care” levam a rede profissional a parar para pensar no que a criança vai viver, hora a hora. Vinte e uma entrevistas mostram o que isso muda: uma narrativa comum, objetos e pessoas que fazem a ponte e uma mudança de perspectiva, de um trauma a “reduzir” para um trauma ao qual é preciso saber responder.
Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de “Turbinou nossa capacidade de empatia”: a experiência de profissionais da proteção à infância com uma abordagem informada pelo trauma da separação entre criança e pais, de Dan Timariu, Tom Hatton, Keisha McCook, Anna Rohmann e Cynthia Tobierre, publicado na The British Journal of Social Work (Oxford University Press) (2026), doi: 10.1093/bjsw/bcag002, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. As citações de entrevistas aparecem recuadas; as declarações de fim de artigo estão reunidas nas notas. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.
Vemos o valor dessa abordagem em seu ethos: o chamado a “permanecer com” o potencial de trauma em vez de evitá-lo, criando tempo e espaço para os sentimentos difíceis.
Dan Timariu, Tom Hatton, Keisha McCook, Anna Rohmann e Cynthia Tobierre
Resumo
Este artigo examina a experiência de profissionais que participaram do processo “Child Coming into Our Care” (CCIOC, “Uma criança entra em nossos cuidados”), uma abordagem informada pelo trauma que apoia crianças acolhidas na Inglaterra. Com base em vinte e uma entrevistas semiestruturadas, o estudo explora o impacto da aplicação de princípios informados pelo trauma. Os resultados destacam quatro áreas-chave: (1) o compartilhamento aberto de informações ofereceu um retrato mais completo da criança; (2) a construção de uma narrativa compartilhada ajudou as crianças a compreender sua situação; (3) tornar-se participante da transição e ter em mente a importância de objetos e rotinas familiares ajudou a dar às crianças um sentimento de continuidade; (4) o foco na experiência vivida da criança tornou o planejamento de emergência mais centrado na criança. A abordagem CCIOC criou espaço para o envolvimento emocional, ajudando as equipes a considerar como cada criança poderia ser afetada em cada etapa da separação. Embora reconhecendo que o trauma da separação familiar não pode ser inteiramente evitado, as pessoas entrevistadas consideraram a abordagem significativa, por ampliar a empatia e a preparação. Fundado na colaboração entre pesquisa e prática, este estudo contribui para os debates sobre a prática informada pelo trauma, destacando o valor de um planejamento interinstitucional centrado na criança. Propõe ressignificar a abordagem CCIOC, passando de “redutora do trauma” para “responsiva ao trauma” (trauma responsive), e defende mais pesquisas sobre a integração de referenciais responsivos ao trauma na prática da proteção à infância.
Desde 2008, o número de crianças sob a tutela (children looked after, CLA) das autoridades locais na Inglaterra aumentou fortemente, atingindo o recorde de 83.760 em 2023 (Department for Education 2024). Ao mesmo tempo, as desigualdades se ampliaram entre as autoridades locais mais e menos desfavorecidas, e as áreas mais pobres registraram um aumento desproporcional de crianças acolhidas (Bennett et al. 2020). Fatores socioeconômicos, incluindo o aumento da pobreza infantil e políticas de austeridade que deixam os serviços para crianças sem recursos suficientes, podem estar intensificando essas desigualdades. Como também apontam Bywaters et al. (2016), a interação entre estruturas raciais e econômicas é crucial para compreender e enfrentar as disparidades.
Para a maioria das crianças sob tutela, a entrada no acolhimento pode ser um evento traumático e estressante (Broadhurst e Mason 2020; Humphreys 2019; Lamponen, Pösö e Burns 2019), que causa sofrimento emocional, culpa, perturbação do apego e ansiedade, muitas vezes agravados pelas circunstâncias da separação (Baugerud e Melinder 2012). Isso significa que as equipes que apoiam as crianças no momento da entrada no sistema de acolhimento enfrentam um duplo desafio. Além de proteger as crianças do risco de dano ou abuso, precisam tomar medidas para atenuar o potencial de um novo trauma causado pela separação.
As orientações legais atuais sobre a proteção à infância (HM Government 2023) explicam os poderes dos órgãos para a retirada da criança e determinam uma abordagem interinstitucional centrada na criança. No entanto, não oferecem orientação prática sobre como realizar as separações, lidar com o trauma, planejar a segurança ou oferecer apoio após a separação. As orientações dão pouco apoio às equipes envolvidas naquela que é, provavelmente, a intervenção obrigatória de proteção à criança mais complexa do ponto de vista emocional e de maiores consequências. Essas lacunas evidenciam a necessidade de orientações específicas sobre como apoiar tanto as equipes quanto as crianças durante a transição.
O projeto “Child Coming into Our Care” (CCIOC) busca preencher essas lacunas colocando no centro a experiência vivida da separação pela criança e elaborando orientações práticas informadas pelo trauma para as equipes. Um financiamento de um programa de Teaching Partnership (parceria de formação) apoiou este projeto de pesquisa, que explora a integração das orientações CCIOC em reuniões interinstitucionais de planejamento. A abordagem CCIOC foi concebida especificamente para atenuar o trauma imediato vivido pelas crianças no momento da separação de suas famílias. O objetivo principal de uma reunião CCIOC é apoiar e planejar essa transição de modo ao mesmo tempo eficaz e informado pelo trauma, reconhecendo que a separação inicial costuma ser a fase emocionalmente mais intensa e menos apoiada do percurso de acolhimento. Embora se reconheça que o trauma pode persistir muito além dessa fase inicial, o referencial busca reduzir o sofrimento desde o início por meio de um planejamento cuidadoso e compassivo. Embora os desfechos de longo prazo não sejam o foco direto deste estudo, espera-se que intervenções precoces informadas pelo trauma, como o CCIOC, possam contribuir positivamente para as experiências de acolhimento e de separação das crianças a longo prazo.
Neste artigo, buscamos oferecer um panorama da perspectiva das equipes sobre como as orientações CCIOC funcionaram na prática, com foco em seu potencial para melhorar os desfechos para as crianças.
O projeto CCIOC nasceu da preocupação compartilhada de duas pessoas do serviço social de que as medidas tomadas pelas equipes para proteger as crianças do sofrimento emocional durante a transição para os cuidados da autoridade local tendiam a se basear no julgamento pessoal, e não em protocolos estabelecidos. Nossa pesquisa bibliográfica confirmou em seguida a falta de orientações nacionais sobre a experiência vivida das crianças durante a separação de suas famílias. Como mostram pesquisas anteriores, lacunas de formação, de orientação e de supervisão podem levar profissionais do serviço social a uma sensação de desqualificação, sobrecarga e despreparo diante da complexidade das situações que costumam encontrar no trabalho (Hunt et al. 2016; Kwhali et al. 2016; Ravalier et al. 2021).
Para enfrentar esse problema, a pessoa que gerencia a equipe formou um grupo de trabalho multidisciplinar que incluía uma pessoa psicóloga clínica, uma pessoa que atua como Children’s Guardian (representante dos interesses da criança no tribunal), profissionais da equipe de plantão de emergência (Emergency Duty Team) e uma pessoa acadêmica do serviço social de uma universidade local. Em uma série de reuniões, o grupo elaborou orientações práticas sobre como planejar o processo de entrada das crianças no acolhimento de modo a colocar no centro as necessidades específicas de cada criança e o provável impacto da separação de sua família e de seu lar. O referencial CCIOC buscava garantir que a criança ou as crianças permanecessem no centro de todo processo de planejamento, para que os adultos e as equipes importantes na vida da criança tivessem preparação para minimizar a ruptura e realizar as separações de forma compassiva e informada pelo trauma. O referencial CCIOC incentiva todas as equipes a considerar a possibilidade de as crianças sofrerem danos psicológicos como resultado direto da separação de suas famílias. Ele se baseia em oito princípios-chave voltados a melhorar o apoio que as crianças recebem durante a separação: planejamento interinstitucional, garantia da segurança das crianças, trabalho em parceria com as famílias, manutenção das relações familiares, compartilhamento eficaz de informações, práticas informadas pelo trauma, apoio às equipes e disponibilização dos recursos necessários.
A separação da família é um evento potencialmente traumático, que se soma ao dano inicial que motivou a intervenção dos serviços de proteção (Baugerud e Melinder 2012; English, Thompson e White 2015; Melinder et al. 2013). A perturbação do apego da criança às principais figuras de cuidado mina seu sentimento de segurança e estabilidade (Bowlby 2010; Humphreys 2019). Separações não planejadas em situações agudas aumentam o estresse e as reações emocionais (Baugerud e Melinder 2012). A idade da criança também é um fator crucial: separações que ocorrem entre os três e os cinco anos têm maior probabilidade de gerar insegurança duradoura (Crittenden e Spieker 2023).
Experiências precoces de abuso podem dificultar a capacidade da criança de recordar e elaborar eventos traumáticos, comprometendo a tarefa psicológica de “elaboração” (working through) dessas experiências. Essas dificuldades de integração emocional e cognitiva estão frequentemente associadas a uma vulnerabilidade maior a dificuldades psicológicas de longo prazo, que podem persistir na idade adulta (Melinder et al. 2013; Van der Kolk 2014).
A pesquisa sobre como enfrentar os impactos traumáticos da separação familiar é limitada, sobretudo no Reino Unido. Alguns estudos, porém, identificam fatores que podem atenuar esse impacto.
Baugerud e Melinder (2012) destacam a importância de planejar e de oferecer explicações para reduzir o estresse e ajudar as crianças a lidar com a situação. A recomendação é que “as diretrizes práticas, o momento da intervenção, o grau de envolvimento das figuras de cuidado e o tratamento terapêutico sejam padronizados para facilitar as decisões” (p. 268). Como a separação representa uma ruptura na continuidade entre o passado e o presente, as crianças que entram no acolhimento precisam conseguir compreender suas razões para integrar as experiências passadas a um autoconceito coeso (Children’s Commissioner 2015). Garantir que as crianças tenham o máximo de informações possível para elaborar, narrar, revisar e recontar suas histórias pessoais em cada etapa pode oferecer a base da autocompreensão necessária para construir um senso de si ao mesmo tempo estável e adaptativo (Welbourne 2012), podendo reduzir sintomas de trauma e de TEPT (Peltonen e Kangaslampi 2019). A presença de pessoas que escutam com empatia pode apoiar esse processo, pois a validação e a compreensão compartilhada contribuem para a recordação e a internalização das narrativas de vida (McAdams e McLean 2013). Além disso, viver uma relação de sustentação (holding) confiável e emocionalmente sintonizada pode ter benefícios terapêuticos (Ferguson et al. 2022), ajudando a atenuar o trauma da separação por meio de um sentimento de segurança e de continência emocional. Nesse contexto, quem faz o acompanhamento social atua como “participante transicional” (Kanter 2004, citado em Ferguson 2011), cujo papel no processo de separação é participar oferecendo à criança um sentimento de continuidade e estabilidade emocional em meio à incerteza e à ruptura que a separação provoca.
Há um interesse crescente pelas abordagens informadas pelo trauma no serviço social com crianças e famílias (Cooper, Sadowski e Townsend 2023). Esse interesse é impulsionado sobretudo pela evolução da prática e da pesquisa nos Estados Unidos, onde iniciativas de cuidado informado pelo trauma (Trauma Informed Care, TIC) foram desenvolvidas em resposta aos resultados de estudos seminais. Esses estudos ressaltam a importância de abordar o trauma das crianças precocemente, como medida preventiva para atenuar os efeitos psicológicos das experiências adversas na infância (Kerr-Davis et al. 2023; Spratt, Devaney e Frederick 2019). No contexto do Reino Unido, o Office for Health Improvement & Disparities (OfHID 2022) publicou um conjunto de princípios baseados em uma definição operacional de prática informada pelo trauma (Trauma Informed Practice, TIP):
A prática informada pelo trauma é uma abordagem das intervenções de saúde e de cuidado fundamentada na compreensão de que a exposição ao trauma pode afetar o desenvolvimento neurológico, biológico, psicológico e social de uma pessoa (OfHID 2022).
Poucos estudos examinam o impacto da TIP no Reino Unido (Hickle 2020; Sweeney et al. 2016), mas estudos internacionais mostram resultados positivos, como melhora da saúde mental e emocional das crianças, menor estresse de quem cuida delas, maior estabilidade dos acolhimentos (Bunting et al. 2019) e crescimento pós-traumático (Levenson 2017). Outros estudos relatam aumento do conhecimento, da confiança e das habilidades das equipes (Lang et al. 2016).
Hanson e Lang (2016) enfatizam a importância de uma implementação consistente entre os órgãos, observando que um TIC eficaz depende de formação contínua e de compromisso organizacional. A pesquisa tem destacado a necessidade de apoio sistêmico, de desenvolvimento da força de trabalho e de abordagens rigorosas baseadas em evidências, além de um referencial de avaliação robusto, para aproveitar esse potencial e garantir que as intervenções de TIC sejam adaptadas a diferentes contextos de serviço (Mersky, Topitzes e Britz 2019; Wathen, Schmitt e MacGregor 2023). Por trás desse desafio metodológico há uma questão mais profunda: a falta de consenso sobre o que constitui o próprio trauma.
O trauma é considerado um “tema quente” no serviço social (Beddoe et al. 2019), mas há muito tempo é um conceito central e unificador, presente em muitas áreas da prática do serviço social (Joseph e Murphy 2014). Ainda assim, o conceito continua mal definido. A pesquisa debate seu significado preciso, com diferentes disciplinas oferecendo uma variedade de interpretações e de referenciais conceituais. Isso levou a uma confusão persistente e a várias explicações conflitantes, potencialmente contraproducentes, sobre seu significado (Chatterjee e Park 2024; Krupnik 2019). Parte do problema é que o alcance das definições e as fronteiras entre estressores comuns e trauma são objeto de debate (Bulathwatta, Witruk e Reschke 2016; Winders et al. 2020). Na mesma linha, argumenta-se que a falta de clareza na definição do trauma põe em questão a especificidade das intervenções focadas no trauma, seus objetivos e seus efeitos (Chatterjee e Park 2024; Krupnik 2019). As dificuldades para estabelecer uma definição universalmente aceita de trauma psicológico para contextos específicos do serviço social têm tido consequências para a pesquisa, a prática e a formulação de políticas. Isobel, Goodyear e Foster (2019) apontam a tensão entre a necessidade de uma definição abrangente, que dê conta de uma variedade de experiências, e o risco de tornar o conceito tão amplo que ele perca o sentido.
No contexto do Reino Unido, o governo define o trauma como
um evento, uma série de eventos ou um conjunto de circunstâncias vivenciados por uma pessoa como danosos ou ameaçadores à vida. Embora seja única para cada pessoa, a experiência do trauma em geral pode causar efeitos adversos duradouros, limitando a capacidade de funcionar e de alcançar bem-estar mental, físico, social, emocional ou espiritual. (OfHID 2022)
Essa concepção ampla destaca o impacto generalizado e duradouro que o trauma pode ter sobre o desenvolvimento e o bem-estar de uma pessoa. Refletindo essa compreensão, as orientações legais de proteção à infância enfatizam a necessidade de considerar os efeitos duradouros do trauma ao tomar decisões que promovam o melhor interesse da criança (HM Government 2023). As orientações práticas CCIOC partem desse referencial nacional e adotam uma perspectiva relacional e desenvolvimental. Com base na perspectiva da Beacon House (Lyons et al. 2020), o trauma é compreendido como o impacto cumulativo de experiências precoces e repetidas de dano e perda nas relações centrais da criança, que costumam ocorrer no início da vida. Essas experiências, como o abuso, a negligência e a separação das principais figuras de cuidado, são particularmente relevantes para as crianças que entram no sistema de acolhimento.
Para explorar como essa abordagem contribui para lidar com o trauma no processo de acolhimento, foi realizado um estudo qualitativo com pessoas que participaram de reuniões CCIOC.
As principais perguntas de pesquisa foram:
Foi utilizada uma amostragem intencional para recrutar profissionais que participavam do processo CCIOC. As pessoas que presidiam as reuniões CCIOC identificaram quem era elegível, e a equipe de pesquisa enviou em seguida um e-mail de recrutamento a quem manifestou interesse.
Foram realizadas vinte e uma entrevistas semiestruturadas com uma variedade de perfis profissionais: profissionais do serviço social, pessoas da gestão, famílias acolhedoras, Independent Reviewing Officers (responsáveis pela revisão independente dos casos), Children’s Guardians (representantes dos interesses da criança no tribunal), profissionais de saúde e docentes.
Um roteiro temático foi usado para reunir a perspectiva das pessoas participantes sobre o possível impacto dessa abordagem e se ela contribuiu para melhores desfechos para as crianças. O objetivo era compreender sua visão sobre o que funcionou, o que poderia ser mudado e os benefícios, ou não, dessa abordagem. As pessoas participantes foram incentivadas a refletir sobre o impacto da abordagem CCIOC e a compará-la com experiências anteriores de separações de crianças determinadas por lei.
O estudo recebeu aprovação ética do subcomitê de ética em pesquisa da Goldsmiths, University of London (ref. 1721).
Os materiais enviados às pessoas que poderiam participar incluíam um convite acompanhado de uma ficha informativa que explicava a justificativa da pesquisa e o processo de entrevista. O documento esclarecia que a participação era voluntária; que as informações sobre a participação no estudo não seriam compartilhadas com os empregadores; que era possível se recusar a responder a qualquer pergunta; e que havia o direito de desistir a qualquer momento, sem nenhuma consequência. O material informativo oferecia garantias de confidencialidade, anonimato e tratamento seguro dos dados.
As pessoas que poderiam participar foram convidadas a entrar em contato com a equipe de pesquisa para tirar dúvidas antes de concordar em participar. O consentimento foi obtido por meio de um formulário on-line e confirmado verbalmente no início das entrevistas. As entrevistas foram gravadas pelo MS Teams e as gravações armazenadas em uma pasta criptografada do OneDrive da universidade. As transcrições foram verificadas e atualizadas para garantir a exatidão.
Nossa abordagem da análise temática (Braun et al. 2019) foi altamente colaborativa (Cornish, Gillespie e Zittoun 2014). Cada transcrição de entrevista foi compartilhada e revisada por um membro designado da equipe de pesquisa. Os dados relevantes foram extraídos e transferidos para uma tabela compartilhada e interativa no MS Word, com linhas correspondentes às pessoas participantes e colunas correspondentes a códigos preliminares e a áreas temáticas definidas previamente. O referencial inicial de codificação baseou-se no roteiro, mas foi refinado de forma iterativa por meio de um envolvimento mais aprofundado com os dados e de discussões colaborativas entre a equipe de pesquisa e um grupo central de profissionais da prática. Os temas foram revistos, refinados e avaliados regularmente em reuniões para garantir a coerência da abordagem. A equipe de pesquisa definiu coletivamente o referencial temático final, garantindo que cada tema estivesse claramente delineado e ancorado nos dados. Com a tabela totalmente preenchida, a equipe se reuniu para sintetizar os resultados e chegar a um acordo sobre os temas centrais que melhor expressavam os padrões do conjunto de dados, base da análise final e do relato.
A colaboração entre pesquisa e prática permaneceu central em todas as etapas do processo, e este artigo foi escrito em estreita consulta com as mesmas pessoas da prática que tiveram a ideia de usar princípios informados pelo trauma para orientar essa área de atuação.
As entrevistas revelaram dimensões numerosas e interligadas das reuniões CCIOC, incluindo o efeito sobre a criança ou as crianças, as famílias e as figuras de cuidado; sobre o trabalho interinstitucional; e sobre as próprias equipes.
Todas as pessoas entrevistadas tinham plena consciência de que separar crianças de suas famílias ou figuras de cuidado provavelmente seria traumático. Também relataram frustração diante dos obstáculos que dificultavam conduzir as separações de forma mais centrada na criança. Os principais obstáculos eram a pressão do planejamento em situações de emergência, a falta de orientação profissional e as restrições de tempo impostas por demandas concorrentes. Apesar disso, as reuniões CCIOC foram amplamente vistas como uma oportunidade de “parar e refletir”, de considerar coletivamente o impacto da intervenção na vida da criança ou das crianças e de coproduzir um plano sobre a melhor forma de apoiá-las no momento da separação.
Nas subseções a seguir, exploramos quatro temas-chave gerados pela análise dos dados, que tratam de como as equipes procuraram responder aos efeitos traumáticos da separação sobre a criança em questão.
As pessoas entrevistadas relataram que os documentos compartilhados antes de uma separação planejada muitas vezes não traziam informações suficientes para um relato coerente das necessidades e da situação da criança. Um dos benefícios percebidos mais claros das reuniões CCIOC foi reunir pessoas-chave que conheciam as diversas necessidades, capacidades e circunstâncias da criança (na escola, em casa etc.). Ter acesso a essas informações revelou-se extremamente útil para o processo de planejamento como um todo.
Acho que, trabalhando de forma isolada, você tem uma visão única, de uma só pessoa. É como se faltassem peças do quebra-cabeça. […] Então é esse trabalho coletivo que construiu um retrato completo de quem o jovem realmente é e permite que todas as partes compartilhem, de certa forma, suas preocupações, seus comentários, […] e nos permite trabalhar em conjunto e nos apoiar mutuamente. (Ava)
Ter acesso a mais peças do quebra-cabeça foi considerado essencial para proteger a criança e preparar-se para suas reações emocionais ao processo de acolhimento. Isso permitiu que todas as partes abordassem a separação e o acolhimento com uma resposta mais empática do que teriam sido capazes de ter de outra forma. Uma pessoa de família acolhedora destacou isso ao descrever as vantagens de poder conversar sobre como uma criança provavelmente reagiria à nova família acolhedora com alguém que a conhecia bem o bastante para prever suas reações emocionais.
Uma coisa é ler num relatório que uma criança pode se tornar agressiva física e verbalmente. Outra coisa, muito diferente, é conversar com alguém que diz para você: “Só para deixar isso bem claro […] Vocês conseguem lidar com isso? […]” Nossa capacidade de ter empatia por esse jovem e pelas emoções dele, acho que foi, foi turbinada, basicamente, por aquela reunião. (Nathan)
A reunião ofereceu uma oportunidade de comunicação direta para esclarecer detalhes sobre o comportamento da criança e as circunstâncias da separação, o que melhorou a capacidade das equipes de tranquilizar a criança, responder às suas perguntas e planejar de forma centrada nela. Uma pessoa entrevistada viu nisso um fator decisivo para o sucesso de um acolhimento.
Aquela reunião […] foi realmente incrível, porque todas as perguntas que a nossa família acolhedora tinha para fazer, não houve vai e vem […] aconteceu ali mesmo e todas as perguntas foram respondidas. E até hoje esse acolhimento continua tranquilo. (Serena)
Coordenar essas respostas nas várias etapas do processo de acolhimento foi entendido como crucial para que a separação ocorresse da forma mais tranquila possível, minimizando a interrupção na vida da criança. As reuniões CCIOC foram vistas como uma contribuição importante para isso. Como disse uma pessoa do serviço social, a reunião garantia que “todo mundo soubesse o que estava acontecendo, quais eram os nossos próximos passos e o que cada profissional deveria fazer”. (Sienna)
Reunir-se em torno de um objetivo comum fez com que as equipes sentissem fazer parte de um time com um “plano conjunto”, com bom apoio em seus esforços para conter a ansiedade da criança ou das crianças durante o processo de separação. As pessoas entrevistadas relataram benefícios como uma compreensão mais clara de todos os aspectos do processo e a construção de confiança nas parcerias com outras equipes. Uma assistente social formulou isso em termos de inclusão:
As pessoas pensam: “Estão me incluindo.” Sentem que são consultadas. Sentem que a autoridade local está compartilhando informações com elas no momento certo. […] aí é mais provável que trabalhem com a gente e apoiem nosso plano de acolhimento, se avisarmos o que vamos fazer antes de fazer de fato. (Lucia)
A importância de uma abordagem conjunta foi destacada não só em relação ao processo, mas também a uma narrativa compartilhada, como descrito na revisão de literatura. A reunião CCIOC oferecia a oportunidade de coconstruir uma narrativa adequada à idade sobre por que uma criança estava sendo separada da família. As pessoas entrevistadas entendiam que o sentimento de incerteza da criança se ampliava quando ela recebia versões diferentes dos acontecimentos de fontes diferentes, o que reforçava seu sentimento de impotência. De acordo com as orientações CCIOC, os familiares eram incluídos no processo sempre que possível.
Quando você prepara uma criança e ela meio que entende as razões pelas quais você está tomando uma decisão sobre a vida dela, isso pode realmente diminuir o trauma. Então fizemos isso, também conversamos com a mãe e a incentivamos o máximo possível a ajudar a criança a entender o que nos preocupa e por que estamos pensando no acolhimento. (Zara)
Várias pessoas entrevistadas falaram da necessidade de as crianças mais novas conseguirem dar sentido à experiência de acolhimento à medida que crescessem. Cuidar do que era comunicado e registrado nos relatórios no momento da separação foi considerado uma ajuda valiosa para as crianças. Poder registrar uma narrativa compartilhada desse período também foi visto como uma forma de apoiar e conter jovens que, de outro modo, poderiam ter lacunas ou incoerências na memória, o que favoreceria a autoculpabilização por acontecimentos que estavam fora de seu controle. Como detalhou uma pessoa da gestão do serviço social:
Então havia uma linguagem comum entre as equipes e/ou com os familiares […] Para que ficasse realmente claro para as crianças por que aquela medida estava sendo tomada, de novo para minimizar, de certa forma, a culpa que as crianças poderiam atribuir a si mesmas. (Hazel)
A reunião foi considerada útil para organizar o contato após a separação de forma menos traumática, isto é, dando à criança a certeza de quando veria o pai, a mãe ou ambos depois do acolhimento e planejando o contato levando em conta as emoções complexas que uma criança pode sentir em relação aos pais depois de uma separação. Uma profissional contou como a reunião a levou a pensar em formas de dar à criança mais protagonismo e controle sobre o processo, permitindo que ela moldasse a própria narrativa:
Eu simplesmente percorri com ela a história dela. […] O que você acha disso? Qual seria a sua, sabe, escolha se você tivesse, sabe, uma varinha mágica que te deixasse escolher? E isso ajudou muito essa menina. (Lucia)
As orientações CCIOC reconhecem a importância das relações para apoiar as crianças no processo de separação, como refletem seus princípios centrais. As reuniões CCIOC exploravam como pessoas de confiança, como pais, irmãos, membros da família extensa ou profissionais conhecidos da criança, podiam contribuir para facilitar a transição, oferecendo continuidade relacional e apoio emocional.
Refletindo sobre experiências anteriores, uma pessoa do serviço social contou que:
muitas vezes, quando fiz uma retirada, tive de passar horas e horas ali, tentando conter a criança, porque ela está chorando, dizendo que quer ir embora, ou que não quer que eu vá embora. (Zara)
Isso reflete o papel de quem está na prática ao oferecer continência e continuidade num momento de sofrimento agudo. Sugere que essa pessoa atuou como uma figura estabilizadora, uma participante transicional (Kanter 2004, citado em Ferguson 2011), sustentando emocionalmente a criança. A citação mostra que as separações são eventos carregados de emoção, que exigem o apoio de adultos capazes de demonstrar empatia, paciência e resiliência.
Em outro exemplo, a pessoa responsável pela proteção à infância (Safeguarding Lead) da escola foi identificada como uma figura familiar e de confiança, por conhecer a criança havia mais tempo. Essa pessoa acompanhou o jovem e a pessoa responsável pelo acompanhamento social para oferecer tranquilidade e apoio emocional.
Como explicou essa pessoa:
meu papel acabou sendo o de um dos […] membros da equipe da escola que de fato foram com o jovem e [a pessoa responsável pelo acompanhamento social] até o local de acolhimento para fazê-lo se sentir em casa, para que ele se sentisse tranquilo por ter alguém da escola indo junto. (Asim)
Outros exemplos surgidos nas reuniões CCIOC de como as pessoas entrevistadas procuraram envolver pessoas de confiança para atravessar a distância criada pela separação incluíram gravar mensagens de voz da mãe de uma criança para lhe oferecer alguma continuidade de cuidado e compartilhar com antecedência fotos da família acolhedora, para minimizar o estranhamento que as crianças podem sentir ao se verem aos cuidados de pessoas completamente desconhecidas.
Outra forma pela qual as pessoas entrevistadas conseguiram apoiar a criança e garantir a continuidade, como parte do planejamento CCIOC, foi a discussão de como objetos transicionais, como fotos, brinquedos e outros pertences pessoais, poderiam ser usados. Embora isso não tenha sido discutido especificamente em todas as reuniões CCIOC, as orientações incentivam as equipes a considerar o uso de objetos transicionais, e as pessoas participantes deram vários exemplos de como eles foram empregados para ajudar as crianças a lidar com o impacto emocional da separação de suas famílias. Como mostram as citações abaixo, esses objetos eram vistos como portadores de significado simbólico, representando a ligação da criança com pessoas queridas. As equipes consideravam que eles tinham um papel considerável em oferecer conforto, segurança e continuidade às crianças durante uma transição difícil, tranquilizando-as e contendo suas emoções, como descreve uma pessoa do serviço social no exemplo a seguir:
Então, a criança estava chorando, chutando, gritando, batendo a cabeça, dizendo que não vinha com a gente. E a irmã subiu e pegou um crucifixo de ouro… e acho que eram uns AirPods, […] e na hora ele se acalmou, […] e no caminho até o local de acolhimento, ele ia segurando os objetos, era como se aquilo estivesse meio que contendo as emoções dele. (Zara)
A família acolhedora também observou como os AirPods passaram a simbolizar um “não me esqueças”, algo a que a criança podia se agarrar para se consolar.
Aqueles AirPods Pro foram dados a ele pela irmã, […] num momento de emoção intensa, quando ele estava saindo pela porta, e era quase como um “não me esqueças” […] E ele literalmente dormia com aqueles AirPods Pro. (Nathan)
Compartilhar na reunião diferentes estratégias e ideias sobre possíveis fontes de familiaridade e conforto foi visto como útil para oferecer um sentimento de continuidade, fazendo a ponte entre o antes e o depois da entrada da criança no acolhimento. Objetos ou experiências entrelaçados no cotidiano da criança eram usados para lhe abrir espaço, tornando menos estranho o ambiente desconhecido de um novo lar. Podiam ser roupas queridas, brinquedos, jogos e livros que a criança levasse consigo para o acolhimento, ou comidas afetivas, como neste exemplo:
Ele adora bacon, por exemplo, então a gente pensou: “Bom, quando ele passar pela porta, que cheiro melhor pode estar espalhado pela casa do que bacon fresquinho?” (Nathan)
As famílias acolhedoras também eram incentivadas a personalizar o quarto da criança com objetos favoritos que refletissem seus interesses. Como disse essa pessoa do serviço social:
Se as crianças veem que, por exemplo, eu adoro o Homem-Aranha, e a família acolhedora foi lá e fez um quarto do Homem-Aranha ou comprou roupa de cama do Homem-Aranha, acho que isso automaticamente faz com que elas se sintam acolhidas e à vontade naquele ambiente. (Zara)
Essa atenção à experiência vivida da criança nas primeiras horas e nos primeiros dias após a entrada no acolhimento foi considerada valiosa para gerar ideias sobre como aliviar o estresse das primeiras interações com crianças sobrecarregadas pelo que estava acontecendo com elas.
As reuniões CCIOC amplificavam a voz das crianças ao envolvê-las no processo, pessoalmente ou por meio de cartas escritas. Isso trazia as preocupações da criança para o primeiro plano, priorizando seus desejos em relação à ansiedade das equipes de trabalhar sob pressão. Como resumiu uma pessoa responsável pela proteção à infância:
Elas com certeza tiveram muitas oportunidades de falar e de fazer perguntas do tipo, sabe, e se isso acontecer, um monte de “e se”. E isso foi muito bom para elas, porque acho que também as ajudou a ficar à vontade. (Asim)
Outra pessoa do serviço social observou que, embora o potencial de a experiência ser traumática não pudesse ser totalmente eliminado, as reuniões permitiam que as pessoas envolvidas trabalhassem mais próximas em seus esforços coordenados para reduzir a dor da separação.
Continuou sendo traumático, mas compartilhar a informação ajuda, acho, e depois todo mundo trabalhar junto. (Lucia)
Em suma, manter a criança no centro do processo de planejamento foi um benefício-chave das reuniões CCIOC. Essa abordagem compartilhada permitiu que as equipes se coordenassem com eficácia, não só entre si, mas também com o jovem, garantindo que a voz da criança fosse ouvida e suas necessidades priorizadas. Embora este estudo tenha se concentrado na separação e no período imediato de transição, as pessoas entrevistadas sugeriram que essa abordagem informada pelo trauma pode contribuir para benefícios de longo prazo para as crianças e as famílias.
Como sugerem os resultados, um processo de planejamento detalhado, centrado na experiência vivida da criança, foi visto como importante de três maneiras: (1) minimizando os efeitos traumatizantes da separação, (2) oferecendo maior continuidade na transição para um acolhimento familiar e (3) dando às equipes um senso de capacidade de agir diante de uma separação. Os acolhimentos familiares foram considerados mais propensos a durar, pois a reunião CCIOC facilitava uma troca de informações sobre as necessidades de cada criança que ajudava as famílias acolhedoras a antecipar a melhor forma de apoiá-la. As pessoas entrevistadas também contaram como as reuniões CCIOC permitiram que a rede profissional em torno da criança reconhecesse a dor, a confusão e a ruptura causadas por tal separação e avaliasse de forma realista os desafios que cada criança provavelmente enfrentaria. Várias pessoas relataram que a reunião ajudou tanto a criança quanto as equipes envolvidas a encontrar mais “continência” nas diferentes etapas do processo. Nesta seção, examinamos mais de perto o significado desses resultados e consideramos em que medida se pode dizer que as reuniões CCIOC contribuíram para “reduzir” o trauma das crianças que entram no acolhimento.
Algumas pessoas da prática esperavam que as práticas informadas pelo trauma reduzissem o trauma e melhorassem os desfechos de longo prazo. No entanto, para outras, a compreensão, baseada na prática, de como o trauma opera nesse contexto as levou a questionar o termo “redutora do trauma”, porque ele dava a falsa impressão de que seria possível controlar todo o dano psicológico causado pela separação de uma família ou de uma figura de cuidado. Em outras palavras, partiam do pressuposto, com base na própria experiência, de que algum trauma era inevitável, porque um evento tão sísmico na vida da criança provavelmente seria avassalador e desestabilizador, independentemente das medidas processuais ou de outro tipo adotadas para atenuar seu impacto. Isso não impedia a maioria das pessoas entrevistadas de acreditar que havia medidas possíveis para tornar tanto o evento da separação quanto o período de transição seguinte menos traumáticos no conjunto. Todas concordaram que a abordagem CCIOC poderia ser decisiva para que essas medidas fossem tomadas.
As equipes se preocupavam com os danos psicológicos e emocionais que o acolhimento de uma criança poderia causar. Como as questões práticas de logística de uma intervenção tendem a ter prioridade, muitas vezes se sentiam sozinhas com suas preocupações. Ao se concentrarem em nomear o trauma potencial, as reuniões CCIOC permitiram examinar em detalhe o impacto sobre a criança em cada etapa da transição. Para algumas pessoas, isso era visto como uma condição prévia necessária para poder refletir sobre as medidas que poderiam tomar para “manejar” as respostas da criança ao trauma, em vez de reduzi-lo ou impedir totalmente que ocorresse:
Como colocamos em prática estratégias para ajudar esse jovem a lidar com o comportamento, as emoções e os comportamentos que vão aparecer com esse trauma? (Ava).
Nesse sentido, os resultados reforçaram a necessidade, já apontada por outros trabalhos (Chatterjee e Park 2024; Krupnik 2019), de uma compreensão compartilhada mais clara do trauma no contexto do serviço social, que leve em conta para que o conceito de trauma está sendo usado. Por isso, propomos usar o termo “responsiva ao trauma” (trauma responsive) em vez de “redutora do trauma” (trauma reducing). Parafraseando uma formulação de uma entrevista: “não é necessariamente o fato de essa coisa estar acontecendo que é o trauma, é como alguém vive a coisa que está acontecendo” (Clara). Isso marca uma mudança na linguagem da proteção à infância: passa-se de um foco no que pode ser controlado e reduzido para um foco nas medidas concretas que podem ser tomadas para ajudar a criança a atravessar uma experiência dolorosa. Também alinha o conceito de abordagem informada pelo trauma no serviço social com as compreensões existentes de como o trauma opera quando crianças são separadas de suas famílias (Bowlby 2010; English, Thompson e White 2015; Melinder et al. 2013). Esses resultados são coerentes com as orientações atuais sobre a necessidade de apoiar a continuidade para a criança durante a transição para o acolhimento, tanto em suas rotinas quanto em suas concepções passadas e futuras de si e de sua identidade (Baugerud e Melinder 2012; Children’s Commissioner 2015; McAdams e McLean 2013; Welbourne 2012). As reuniões CCIOC foram usadas para fortalecer a continuidade, o que incluiu pensar em como objetos transicionais poderiam oferecer às crianças sentimentos de segurança, continuidade e pertencimento (Watson, Hahn e Staines 2020).
Considerando que este estudo foi realizado em uma das regiões mais diversas do Reino Unido, um resultado das entrevistas que nos causou particular surpresa foi a ausência de qualquer referência explícita a como as experiências das crianças que entram no acolhimento eram moldadas pela racialização ou por outras formas de diferença, como a deficiência. Compreender as razões disso vai além do escopo do estudo, mas aponta para o risco de que, ao se concentrar excessivamente em práticas informadas pelo trauma, os obstáculos estruturais e institucionais mais amplos à proteção de crianças de minorias racializadas ou de crianças com deficiência sejam ignorados ou minimizados. Isso é particularmente preocupante dado o contexto sociopolítico do Reino Unido como potência colonial (Atwool 2019) e levando em conta como décadas de política social neoliberal minimizaram as desigualdades e as injustiças sociais ligadas à pobreza e à raça (Kirton 2018).
Outro dos resultados mais surpreendentes das entrevistas foi a forte mensagem de que uma abordagem responsiva ao trauma precisa considerar os efeitos emocionais e psicológicos do trabalho de separação sobre as próprias equipes e, de modo mais amplo, sobre a cultura da proteção à infância. A ansiedade diante das consequências não intencionais de uma separação podia ser intensa e persistente. Algumas pessoas entrevistadas descreveram sofrer formas de “traumatização vicária”, por se verem impotentes para proteger as pessoas sob seus cuidados das falhas de uma infraestrutura de assistência social sobrecarregada (Anne Dombo e Whiting Blome 2016; Méndez-Fernández et al. 2022). Uma das principais formas pelas quais a reunião CCIOC se mostrou útil nesse sentido foi proteger o tempo necessário para que a rede profissional pudesse “desacelerar e refletir”, como disse uma pessoa entrevistada. A importância de resistir a uma cultura acelerada de proteção reativa, para permitir abordagens responsivas ao trauma, recebeu pouca atenção nos últimos anos, mas foi vista como necessária para permitir um modo de envolvimento mais cuidadoso e reflexivo, no qual compreensões compartilhadas pudessem emergir. Isso ajudou a diminuir a ansiedade das equipes e, além disso, permitiu estabelecer uma narrativa coerente para compartilhar com as crianças e as famílias. As pessoas envolvidas nesse processo descreveram tê-lo feito com uma atenção aos detalhes que não teriam conseguido dar à situação se tivessem trabalhado sozinhas.
Em suma, ao dedicar tempo a uma discussão sobre a experiência vivida da separação pela criança, as equipes se sentiram mais envolvidas e mais capazes de responder aos estressores mais previsíveis. Isso incluiu a troca de detalhes específicos sobre o que cada criança provavelmente acharia mais doloroso ou avassalador na transição, com base no conhecimento parcial sobre ela compartilhado durante a reunião. Nesse sentido, essas reuniões permitiram um modo diferente de cuidado, inserido no mundo de cada criança e, portanto, mais capaz de responder ao impacto das mudanças em curso. Para tomar emprestado um dos neologismos de Donna Haraway em Staying with the Trouble, elas ajudaram a criar as condições para cultivar uma certa “response-ability” (capacidade de resposta, 2016: 12) diante das possíveis consequências de longo prazo do acolhimento de uma criança.
Este estudo ajuda a preencher a lacuna de conhecimento sobre as abordagens usadas para apoiar crianças e adolescentes durante as separações. Também amplia a base de evidências sobre abordagens informadas pelo trauma no serviço social. Oferece uma exploração aprofundada das perspectivas das pessoas participantes sobre a prática informada pelo trauma, contribuindo com conhecimentos valiosos para uma área pouco pesquisada. A amostra incluiu pessoas de diferentes disciplinas. O uso de entrevistas permitiu relatos ricos e detalhados, que oferecem uma compreensão matizada de como esse processo funcionou na prática. O delineamento do estudo e a análise dos dados basearam-se em uma estreita colaboração entre a academia e a prática.
O estudo, porém, tem várias limitações. A amostra é relativamente pequena. O recurso a pessoas que se apresentaram voluntariamente introduziu um risco de viés. O estudo foi realizado em Londres, e resultados diferentes podem surgir em outras regiões e contextos organizacionais. Além disso, os resultados se baseiam em benefícios relatados, e o estudo não traz evidências sobre os desfechos para as pessoas atendidas pelo serviço. As vozes das crianças e das famílias estão notadamente ausentes.
Estudos futuros poderiam enfrentar essas limitações explorando as perspectivas e a experiência de um número maior de profissionais, atuando em diferentes contextos geográficos e culturais, e incluindo as vozes das crianças e das famílias. Além disso, pesquisas futuras poderiam usar outros métodos. Por exemplo, a observação poderia gerar mais evidências sobre a prática efetiva, e não apenas relatada. Por fim, pesquisas futuras poderiam explorar como as práticas informadas pelo trauma nessa fase inicial influenciam os desfechos de longo prazo das crianças acolhidas.
Este projeto colaborativo busca desenvolver uma abordagem compassiva para um dos aspectos mais desafiadores do serviço social, garantindo que as crianças recebam o melhor cuidado durante a transição para o sistema de acolhimento. Este artigo explorou as experiências e as práticas de vinte e uma pessoas, profissionais e famílias acolhedoras, após sua participação no processo CCIOC. Os resultados são promissores e indicam benefícios significativos. Esta pesquisa defende que considerar a experiência vivida de uma criança durante sua entrada no acolhimento é necessário em todo processo de planejamento que se pretenda informado pelo trauma ou responsivo ao trauma. Ao longo das entrevistas, o trauma surgiu como algo que as equipes precisavam aceitar e com o qual precisavam trabalhar, o que levou a uma mudança na linguagem que usamos para descrever o objetivo das orientações, de “redutora do trauma” para “responsiva ao trauma”. A abordagem CCIOC sustentou essa responsividade ao trauma por meio de quatro estratégias: (1) compartilhar e discutir informações que permitissem um retrato mais completo da criança, (2) criar narrativas coesas e coproduzidas para compartilhar com a criança, (3) usar estratégias que combinassem objetos transicionais com a presença de adultos familiares e de confiança, para oferecer conforto e apoiar a continuidade em momentos de ruptura, e (4) envolver a criança no processo.
Muitas das pessoas entrevistadas relataram barreiras psicológicas e logísticas para equilibrar o trabalho de planejamento (muitas vezes com pouco tempo e escassos recursos) com o estado de espírito receptivo necessário para lidar com as realidades dolorosas da separação de uma criança de sua família. Incorporar os princípios CCIOC provavelmente exige um nível maior de compromisso de todas as pessoas envolvidas, num momento em que a pressão sobre os serviços para crianças é alta. Paradoxalmente, constatamos que, ao priorizar a experiência vivida da criança, as equipes conseguiam aliviar parte dessa pressão, ajudando-se mutuamente a se concentrar nos pequenos passos e nas contribuições que podiam dar, o que sugere que as reuniões CCIOC eram vistas como um investimento e poderiam se mostrar benéficas tanto para as crianças quanto para as equipes. Algumas pessoas observaram que a reunião CCIOC tinha um tom diferente das outras reuniões interinstitucionais, e que o foco na vida interior da criança ou das crianças envolvidas a tornava diferente. Isso levou uma pessoa a comentar que “pensando bem […] é exatamente assim que todas as outras reuniões deveriam ser” (Asim).
Vemos o valor dessa abordagem em seu ethos: o chamado a “permanecer com” o potencial de trauma em vez de evitá-lo, criando tempo e espaço para os sentimentos difíceis. Para reduzir práticas evitativas e guiadas por procedimentos e apoiar, em vez disso, práticas mais relacionais e responsivas, recomendamos que outras organizações considerem adotar essa abordagem, pois ela pode ajudar a manter uma prática centrada na criança e responsiva ao trauma. Sem a intenção de prescrever, sugerimos que outras organizações talvez queiram testar a abordagem ou pensar em como criar espaços para que as equipes reflitam sobre a experiência vivida da separação pela criança, incluindo as partes que, compreensivelmente, podem preferir evitar discutir por causa de sua falta, real ou percebida, de controle sobre a situação. Reconhecemos que a implementação desse referencial dependerá muito do contexto, já que a cultura de trabalho, o momento da separação, a disponibilidade das equipes etc. têm, todos, um papel.
A implementação de uma nova abordagem precisa ser apoiada por recursos, como a formação da rede interinstitucional. Pesquisas futuras poderiam explorar as perspectivas de crianças e adolescentes, bem como de quem cuida dessas crianças e adolescentes, para trazer uma compreensão matizada das circunstâncias e de seu impacto, considerando a criança ou as crianças como um grupo heterogêneo.
Enfrentar o trauma só é possível com a colaboração de múltiplas partes interessadas, em vez de convidar apenas as vozes de “especialistas acadêmicos”: reunir pesquisa, prática e famílias acolhedoras revelou-se inestimável para o sucesso deste projeto. O referencial CCIOC está incorporado à prática dessa autoridade local, e o trabalho continua para que mais profissionais do serviço social o utilizem quando uma ou mais crianças precisam ser separadas de suas famílias.
Complexe Systémique: a reter
Um acolhimento de emergência é uma crise para todo um sistema: a criança, os pais, os irmãos, a família acolhedora, a escola e os serviços. Este artigo mostra que um dispositivo simples, uma reunião de planejamento centrada na experiência vivida da criança, muda a qualidade dessa crise. Encontram-se ali intuições familiares a quem trabalha de forma sistêmica: a informação circula melhor quando cada parte traz sua peça do quebra-cabeça, uma narrativa compartilhada protege a criança da autoculpabilização e os vínculos se mantêm por meio de “pontes”, uma irmã, fones de ouvido, o cheiro de bacon, alguém da escola. A passagem de uma abordagem “redutora” para uma abordagem “responsiva” ao trauma é uma verdadeira lição de humildade clínica: não se elimina a dor da separação, acompanha-se essa dor. Os limites são claros: vinte e uma pessoas da prática que se apresentaram voluntariamente, nenhuma criança ou família entrevistada, nenhuma medida de resultados e o ponto cego das discriminações, que a própria equipe aponta. Para ler junto com a análise dos fatores contextuais de uma inovação na proteção à criança na Inglaterra e com o artigo sobre o trabalho sistêmico com pais cujos filhos estão em acolhimento.
Notas do original
Conflito de interesses. Nenhum declarado.
Financiamento. Este projeto foi financiado em parte pela South East London Teaching Partnership (SELTP).
Agradecimentos. A equipe agradece à autoridade local onde a pesquisa foi realizada e à Teaching Partnership pelo apoio. Esta pesquisa não teria sido possível sem as pessoas da prática que dedicaram seu tempo a ela; a equipe lhes agradece calorosamente pelas valiosas contribuições. Agradece também a Claudia Bernard e a Panagiotis Pentaris por terem revisado uma versão anterior do artigo e oferecido comentários e sugestões valiosos. Um agradecimento especial a Stephanie Davies, da equipe, pelo apoio durante a coleta de dados e pela ajuda para concluir o artigo.
Referências
Anne Dombo E. and Whiting Blome W. (2016) ‘Vicarious Trauma in Child Welfare Workers: A Study of Organizational Responses’, Journal of Public Child Welfare, 10: 505–23. 10.1080/15548732.2016.1206506
Atwool N. (2019) ‘Challenges of Operationalizing Trauma-Informed Practice in Child Protection Services in New Zealand’, Child & Family Social Work, 24: 25–32. https://doi.org/10.1111/cfs.v24.1
Baugerud G. A., Melinder A. (2012) ‘Maltreated Children’s Memory of Stressful Removals from Their Biological Parents’, Applied Cognitive Psychology, 26: 261–70. https://doi.org/10.1002/acp.v26.2
Beddoe L., et al. (2019) ‘Troubling Trauma-Informed Policy in Social Work Education: Reflections of Educators and Students in Aotearoa New Zealand’, The British Journal of Social Work, 49: 1563–81.
Bennett D. L., et al. (2020) ‘Trends in Inequalities in Children Looked After in England between 2004 and 2019: A Local Area Ecological Analysis’, BMJ Open, 10: e041774. https://doi.org/10.1136/bmjopen-2020-041774
Bowlby E. J. M. (2010) Separation: Anxiety and Anger: Attachment and Loss, Vol. 2. London: Random House.
Braun V., et al. (2019) ‘Thematic Analysis’, in Liamputtong P. (ed.) Handbook of Research Methods in Health Social Sciences, pp. 843–60. Singapore: Springer. https://doi.org/10.1007/978-981-10-5251-4
Broadhurst K., Mason C. (2020) ‘Child Removal as the Gateway to Further Adversity: Birth Mother Accounts of the Immediate and Enduring Collateral Consequences of Child Removal’, Qualitative Social Work, 19: 15–37. https://doi.org/10.1177/1473325019893412
Bulathwatta A. D. N., Witruk E., Reschke K. (2016) ‘Effect of Emotional Intelligence and Resilience on Trauma Coping among University Students’, Health Psychology Report, 5: 12–9. https://doi.org/10.5114/hpr.2017.61786
Bunting L., et al. (2019) ‘Trauma Informed Child Welfare Systems—A Rapid Evidence Review’, International Journal of Environmental Research and Public Health, 16: 2365. https://doi.org/10.3390/ijerph16132365
Bywaters P., et al. (2016) ‘Inequalities in Child Welfare Intervention Rates: The Intersection of Deprivation and Identity’, Child & Family Social Work, 21: 452–63. https://doi.org/10.1111/cfs.v21.4
Chatterjee A., Park Y. (2024) ‘Trauma as the “Belief That the World is a Dangerous Place”: The Obfuscation of Systemic Violence in Social Work’s Discourses of Trauma’, The British Journal of Social Work, 54: 1988–2005. https://doi.org/10.1093/bjsw/bcae016
Children’s Commissioner. (2015) State of the Nation: Report 1 Children in Care and Care Leavers Survey 2015. London: Office of the Children’s Commissioner.
Cooper K., Sadowski C., Townsend R. (2023) ‘You Say One Thing Wrong, and Your Children Are Gone: Exploring Trauma-Informed Practices in Foster and Kinship Care’, The British Journal of Social Work, 53: 3055–72. https://doi.org/10.1093/bjsw/bcad087
Cornish F., Gillespie A., Zittoun T. (2014) ‘Collaborative Analysis of Qualitative Data’, in Flick U. (ed.) The SAGE Handbook of Qualitative Data Analysis. London: SAGE Publications Ltd.
Crittenden P., Spieker S. (2023) ‘The Effects of Separation from Parents on Children’, in Understanding Child Abuse and Neglect—Research and Implications. IntechOpen. Available at: 10.5772/intechopen.1002940 https://doi.org/10.5772/intechopen.1000447
Department for Education. (2024) ‘Children Looked After in England Including Adoptions, Reporting year 2024’. https://explore-education-statistics.service.gov.uk/find-statistics/children-looked-after-in-england-including-adoptions/2024. Date accessed 12 May 2025.
English D. J., Thompson R., White C. R. (2015) ‘Predicting Risk of Entry Into Foster Care from Early Childhood Experiences: A Survival Analysis using LONGSCAN data’, Child Abuse & Neglect, 45: 57–67. https://doi.org/10.1016/j.chiabu.2015.04.017
Ferguson H. (2011) Child Protection Practice, 1st edn. London: Palgrave Macmillan. https://doi.org/10.1007/978-0-230-34587-4
Ferguson H., et al. (2022) ‘Relationship-Based Practice and the Creation of Therapeutic Change in Long-Term Work: Social Work as a Holding Relationship’, Social Work Education, 41: 209–27. https://doi.org/10.1080/02615479.2020.1837105
Hanson R. F., Lang J. (2016) ‘A Critical Look At Trauma-Informed Care Among Agencies and Systems Serving Maltreated Youth and Their Families’, Child Maltreatment, 21: 95–100. https://doi.org/10.1177/1077559516635274
Hickle K. (2020) ‘Introducing a Trauma-Informed Capability Approach in Youth Services’, Children & Society, 34: 537–51. https://doi.org/10.1111/chso.v34.6
HM Government. (2023) Working Together to Safeguard Children. London: Department for Education
Humphreys K. L. (2019) ‘Future Directions in the Study and Treatment of Parent–Child Separation’, Journal of Clinical Child and Adolescent Psychology, 48: 166–78. https://doi.org/10.1080/15374416.2018.1534209
Hunt S., et al. (2016) ‘If I Feel Like This, How Does the Child Feel? Child Protection Workers, Supervision, Management and Organisational Responses to Parental Violence’, Journal of Social Work Practice, 30: 5–24. https://doi.org/10.1080/02650533.2015.1073145
Isobel S., Goodyear M., Foster K. (2019) ‘Psychological Trauma in the Context of Familial Relationships: A Concept Analysis’, Trauma, Violence & Abuse, 20: 549–59. https://doi.org/10.1177/1524838017726424
Joseph S., Murphy D. (2014) ‘Trauma: A Unifying Concept for Social Work’, British Journal of Social Work, 44: 1094–109. https://doi.org/10.1093/bjsw/bcs207
Kanter J. (2004) Face-TO-Facewith Children: The Life and Work of Clare Winnicott. London: Karnac.
Kerr-Davis A., et al. (2023) ‘Introducing Routine Assessment of Adverse Childhood Experiences For Looked-After Children: The Use and Properties of the Trauma and Adverse Life Events (TALE) Screening Tool’, Journal of Child & Adolescent Trauma, 16: 981–94. https://doi.org/10.1007/s40653-023-00559-5
Kirton D. (2018) ‘Neoliberalism, “Race” and Child Welfare’, Critical and Radical Social Work, 6: 311–27. https://doi.org/10.1332/204986018X15388225078517
Krupnik V. (2019) ‘Trauma or Adversity?’, Traumatology, 25: 256–61. https://doi.org/10.1037/trm0000169
Kwhali J., et al. (2016) ‘Child Sexual Abuse and Exploitation: Knowledge, Confidence and Training within a Contemporary UK Social Work Practice and Policy Context’, British Journal of Social Work, 46: 2208–26. https://doi.org/10.1093/bjsw/bcw154
Lamponen T., Pösö T., Burns K. (2019) ‘Children in Immediate Danger: Emergency Removals in Finnish and Irish Child Protection’, Child & Family Social Work, 24: 486–93. https://doi.org/10.1111/cfs.v24.4
Lang J. M., et al. (2016) ‘Building Capacity for Trauma-Informed Care in the Child Welfare System: Initial Results of a Statewide Implementation’, Child Maltreatment, 21: 113–24. https://doi.org/10.1177/1077559516635273
Levenson J. (2017) ‘Trauma-Informed Social Work Practice’, Social Work, 62: 105–13.
Lyons S., et al. (2020) Developmental Trauma Close Up, pp. 1–29. Beacon House Therapeutic Services & Trauma Team. Available online: https://beaconhouse.org.uk/wp-content/uploads/2020/02/Developmental-Trauma-Close-Up-Revised-Jan-2020.pdf
McAdams D. P., McLean K. C. (2013) ‘Narrative Identity’, Current Directions in Psychological Science, 22: 233–8. https://doi.org/10.1177/0963721413475622
Melinder A., et al. (2013) ‘Children’s Memories of Removal: A Test of Attachment Theory’, Journal of Traumatic Stress, 26: 125–33.
Méndez-Fernández, A.B., et al. (2022) ‘Vicariously Resilient or Traumatised Socialworkers: Exploring Some Risk and Protective Factors’, The British Journal of Social Work, 52: 1089–109. 10.1093/bjsw/bcab085
Mersky J. P., Topitzes J., Britz L. (2019) ‘Promoting Evidence-Based, Trauma-Informed Social Work Practice’, Journal of Social Work Education, 55: 645–57. https://doi.org/10.1080/10437797.2019.1627261
Office for Health Improvement & Disparities (OfHID). (2022) ‘Working Definition of Trauma-Informed Practice’. NHS. https://www.gov.uk/government/publications/working-definition-of-trauma-informed-practice. Date accessed 28 January 2025.
Peltonen K., Kangaslampi S. (2019) ‘Treating Children and Adolescents with Multiple Traumas: A Randomized Clinical Trial of Narrative Exposure Therapy’, European Journal of Psychotraumatology, 10: 1558708. https://doi.org/10.1080/20008198.2018.1558708
Ravalier J., et al. (2021) ‘Working Conditions and Wellbeing in UK Social Workers’, Journal of Social Work, 21: 1105–23. https://doi.org/10.1177/1468017320949361
Spratt T., Devaney J., Frederick J. (2019) ‘Adverse Childhood Experiences: Beyond Signs of Safety; Reimagining the Organisation and Practice of Social Work with Children and Families’, The British Journal of Social Work, 49: 2042–58. https://doi.org/10.1093/bjsw/bcz023
Sweeney A., et al. (2016) ‘Trauma-Informed Mental Healthcare in the UK: What Is It and How Can We Further Its Development?’ Mental Health Review Journal, 21: 174–92. https://doi.org/10.1108/MHRJ-01-2015-0006
Van der Kolk B. (2014) The Body Keeps the Score: Brain, Mind, and Body in the Healing of Trauma. New York: Penguin Books.
Wathen C. N., Schmitt B., MacGregor J. C. D. (2023) ‘Measuring Trauma- (and Violence-) Informed Care: A Scoping Review’, Trauma, Violence & Abuse, 24: 261–77. https://doi.org/10.1177/15248380211029399
Watson D., Hahn R., Staines J. (2020) ‘Storying Special Objects: Material Culture, Narrative Identity and Life Story Work for Children in Care’, Qualitative Social Work, 19: 701–18. https://doi.org/10.1177/1473325019850616
Welbourne P. (2012) Social Work with Children and Families: Developing Advanced Practice. London: Routledge.
Winders S.-J., et al. (2020) ‘Self-Compassion, Trauma, and Posttraumatic Stress Disorder: A Systematic Review’, Clinical Psychology & Psychotherapy, 27: 300–29. https://doi.org/10.1002/cpp.v27.3
Tradução não oficial em português de “Turbinou nossa capacidade de empatia”: a experiência de profissionais da proteção à infância com uma abordagem informada pelo trauma da separação entre criança e pais, de Dan Timariu, Tom Hatton, Keisha McCook, Anna Rohmann e Cynthia Tobierre, The British Journal of Social Work, vol. 56, no 4 (2026), doi: 10.1093/bjsw/bcag002, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença. Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.
Tradução não oficial para o português de “It ‘supercharged our ability to empathise’: Safeguarding practitioners’ experiences of a trauma-informed approach to child–parent separation”, publicado em The British Journal of Social Work (2026) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.
Ler o artigo originalComo citar este artigo
Timariu, D., Hatton, T., McCook, K., Rohmann, A., et Tobierre, C. (2026). “Turbinou nossa capacidade de empatia”: a experiência de profissionais da proteção à infância com uma abordagem informada pelo trauma da separação entre criança e pais (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/turbinou-nossa-capacidade-de-empatia-a-experiencia-de-profissionais-da-protecao-a-infancia (Obra original publicada em 2026 em The British Journal of Social Work, 56(4), 1503-1523 (2026); republicada em 2026 por The British Journal of Social Work, https://academic.oup.com/bjsw/article/56/4/1503/8442389)
Para ir mais longe