International Journal of Environmental Research and Public Health · Migração
A terapia familiar com famílias refugiadas ainda é pouco estudada: recrutar, traduzir e acompanhar famílias de vida instável, tudo freia a pesquisa. Charity Mokgaetji Somo, da Universidade da África do Sul, propõe tomar como dados filmes documentários que mostram terapias já realizadas e detalha critérios de seleção, uma análise em doze etapas e salvaguardas de confiabilidade.
Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de Considerações de pesquisa sobre o uso de filmes documentários de acesso público para estudar a terapia familiar com famílias refugiadas, de Charity Mokgaetji Somo, publicado na International Journal of Environmental Research and Public Health (MDPI) (2026), doi: 10.3390/ijerph23020265, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. A tabela 1 é apresentada em forma de lista; a legenda da figura 1 retoma em português o conteúdo do esquema; as declarações do fim do artigo foram reunidas nas notas. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.
Essas limitações não invalidam o filme documentário como método de pesquisa, mas reforçam a necessidade de reflexividade crítica, rigor metodológico e relato explícito dos processos analíticos.
Charity Mokgaetji Somo
Resumo
Especialistas em terapia familiar pedem cada vez mais intervenções centradas na família para pessoas refugiadas afetadas por trauma, já que muitas terapias informadas pelo trauma privilegiam modelos de tratamento individuais. A pesquisa contribui para o estudo e a implementação de modelos de cuidado centrados na família. Por razões metodológicas, porém, a pesquisa sobre terapia familiar com populações deslocadas é limitada. Em resposta a esse chamado, este artigo defende o uso do filme documentário como dado de pesquisa qualitativa na pesquisa sobre terapia familiar com pessoas refugiadas. Os filmes documentários são usados há muito tempo nas ciências sociais para examinar a experiência vivida das pessoas e suprir lacunas de dados sobre populações de difícil acesso. O artigo apresenta as principais considerações metodológicas próprias da pesquisa com populações refugiadas, entre elas as dificuldades de recrutamento e de permanência, as barreiras linguísticas e culturais, as condições de vida precárias e instáveis de quem participa, as limitações do desenho de pesquisa e as complexidades éticas. Em seguida, discute como o uso do filme documentário pode ajudar a atenuar essas dificuldades por meio de um posicionamento epistemológico cuidadoso, do desenho de pesquisa, de estratégias de seleção e análise dos dados e da atenção às questões de ética e de confiabilidade da pesquisa. Com isso, o artigo contribui para o desenvolvimento das competências de pesquisa qualitativa necessárias para estudar o bem-estar das famílias refugiadas e apoiar o crescimento das abordagens terapêuticas centradas na família.
Palavras-chave: terapia familiar, filmes documentários, análise qualitativa convencional de conteúdo (AQCC), pesquisa qualitativa, trauma familiar de pessoas refugiadas, material em vídeo
A atual crise global de refugiados não dá sinais de arrefecer: o número de pessoas deslocadas dobrou em apenas uma década [1]. No fim de 2024, cerca de 123,2 milhões de pessoas no mundo tinham sido obrigadas a fugir de suas casas e comunidades por causa de guerras, violações de direitos humanos e perseguições [1]. Eventos catastróficos como a guerra provocam trauma físico e psicológico em quem é deslocado. A pesquisa mostra que as pessoas refugiadas apresentam taxas elevadas de transtornos mentais, entre eles depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e comportamentos suicidas [2,3,4]. As famílias refugiadas muitas vezes vivem coletivamente os eventos traumáticos da migração. Antes da migração, as famílias podem enfrentar atrocidades de guerra como a destruição da casa da família, ferimentos incapacitantes e a morte de familiares [5]. O percurso migratório rumo à segurança envolve várias vulnerabilidades, entre elas abusos de coiotes e traficantes de pessoas que visam mulheres e crianças e separam famílias por meio de sequestros [6]. Segurança muitas vezes significa viver em campos de refugiados, ambientes de vida frequentemente inadequados, marcados por condições que ferem a dignidade, a segurança e o bem-estar [5]. As famílias que obtêm asilo em um terceiro país precisam lidar com o estresse do reassentamento. Por exemplo, aprender a língua local, encontrar trabalho e se adaptar à cultura local podem aumentar as chances de adaptação, mas no início isso pode cobrar um preço alto do sistema familiar [7]. Esses estressores migratórios e eventos traumáticos podem ter várias consequências traumáticas no nível da família [8].
Apesar dos desafios da migração forçada, as famílias refugiadas podem encontrar formas significativas de reconstruir a vida. Entre os recursos para um reassentamento positivo estão a coesão familiar, os vínculos comunitários e a participação intercultural [9]. A aceitação pela comunidade e o apoio da população local e das redes de pessoas refugiadas predizem de forma significativa a saúde familiar e a saúde mental positiva [9]. A terapia familiar também tem papel importante para favorecer a resiliência das famílias refugiadas [10]. Especialistas em terapia familiar pedem cada vez mais intervenções centradas na família para pessoas refugiadas afetadas por trauma, já que muitas terapias informadas pelo trauma privilegiam modelos de tratamento individuais. A pesquisa contribui para o estudo e a implementação de modelos de cuidado centrados na família. Ainda assim, a pesquisa sobre terapia familiar com populações deslocadas é limitada [11]. Em resposta a esse chamado, este artigo defende o uso de filmes documentários de acesso público como fonte de dados viável na pesquisa sobre terapia familiar com pessoas refugiadas. Os filmes documentários são usados há muito tempo nas ciências sociais para examinar a experiência vivida das pessoas e suprir lacunas de pesquisa sobre populações de difícil acesso. Este artigo se propõe a refletir sobre o uso de dados de filmes documentários de acesso público no estudo da terapia sistêmica com pessoas refugiadas. A reflexão se baseia nas metodologias de pesquisa desenvolvidas e aplicadas inicialmente na tese de doutorado de quem assina o artigo [12]. A metodologia é retomada aqui de forma seletiva para avançar a discussão metodológica sobre o uso do filme documentário no estudo do bem-estar de pessoas refugiadas. A tese de doutorado tinha orientação empírica e examinava como terapeutas conduziam a terapia familiar com famílias refugiadas. Já este artigo coloca em primeiro plano as principais considerações metodológicas do uso de filmes documentários disponíveis na pesquisa sobre terapia familiar com pessoas refugiadas, e reflete criticamente sobre elas. Apresenta uma reanálise metodológica que contribui para a pesquisa sobre o bem-estar das famílias refugiadas e apoia o desenvolvimento de abordagens terapêuticas centradas na família.
A discussão a seguir apresenta os desafios da pesquisa sobre terapia sistêmica com pessoas refugiadas e explora o potencial dos documentários de acesso público para suprir lacunas na pesquisa sobre terapia familiar com essas pessoas.
As revisões sistemáticas relatam apenas um pequeno número de estudos de intervenções baseadas na família, e menos ainda que avaliem a eficácia de tratamentos sistêmicos [11]. A literatura aponta que os seguintes fatores metodológicos podem complicar e atrasar os estudos nessa área [11,13,14]:
A literatura sustenta que essas restrições tornaram necessária uma mudança para marcos mais práticos e adaptáveis na pesquisa em psicoterapia com populações deslocadas [14]. Defende-se a inclusão de abordagens qualitativas, como os métodos etnográficos, em estudos futuros [11]. A integração desses métodos é considerada essencial para fortalecer a pesquisa sobre intervenções baseadas na família com populações deslocadas. Este artigo defende o uso de filmes documentários como fonte de dados qualitativos em estudos sobre terapia familiar com pessoas refugiadas. Busca também justificar o uso do filme documentário na produção acadêmica sobre terapia com pessoas refugiadas. Embora os fatores metodológicos identificados na literatura compliquem e atrasem significativamente a pesquisa sobre terapia familiar com pessoas refugiadas, eles também evidenciam a necessidade de abordagens de pesquisa mais flexíveis e sensíveis ao contexto. O uso do filme documentário como fonte de dados qualitativos não elimina os desafios associados à coleta de dados nos estudos sobre refúgio. Oferece um marco metodológico que pode atenuar seu impacto, reduzindo a dependência do recrutamento direto, minimizando as exigências da coleta de dados intercultural, levando em conta condições de vida instáveis e permitindo um desenho de pesquisa eticamente responsivo. Ao deslocar a unidade de análise da coleta presencial de dados para encontros terapêuticos já filmados, a investigação baseada em documentários oferece uma alternativa prática e eticamente viável para estudar a terapia familiar sistêmica com populações deslocadas.
Este artigo contribuirá para a pesquisa sobre terapia familiar com populações refugiadas. Até onde sabe quem o assina, nenhuma pesquisa examinou ainda o uso de filmes documentários para estudar a terapia familiar com populações refugiadas. Uma publicação observa que, já em meados da década de 1950, pesquisadores prolíficos como Gregory Bateson, Jürgen Reusch e Weldon Keys usavam a nova tecnologia da época para filmar e estudar a terapia familiar [16]. Graças à disponibilidade de material em vídeo e à maior eficiência na coleta, análise, compartilhamento e arquivamento desse material, muitas disciplinas científicas incorporam hoje o vídeo ao processo de aprendizagem [17]. Assim, o material em vídeo (inclusive em formato de arquivo) pode ser uma alternativa viável à coleta de dados em estudos de psicoterapia com pessoas refugiadas.
Nas ciências sociais, documentários em vídeo são filmes que mostram a experiência vivida de pessoas diante de questões sociais e fenômenos políticos [18]. Os métodos visuais são uma abordagem emergente e inovadora da pesquisa qualitativa, ancorada nos métodos etnográficos tradicionais [19]. Nos estudos etnográficos, os métodos visuais têm sido usados para estudar interações humanas em seu contexto natural [20]. A etnografia examina essas interações enquanto acontecem e detalha as nuances das relações humanas em seu ambiente orgânico [20]. Nas ciências sociais, documentaristas se interessam por mostrar a experiência vivida de pessoas em circunstâncias singulares ou difíceis, como a crise de refugiados (ver, por exemplo, Hiltunen [21]). Conteúdos em filme e vídeo sempre foram importantes para mostrar a experiência vivida das famílias refugiadas. Jornalistas e pessoas comuns usam a fotografia e o vídeo para mostrar a devastação causada pela guerra e suas consequências para as pessoas deslocadas. A tecnologia permitiu que essas experiências fossem amplamente divulgadas. Por exemplo, quando a guerra na Ucrânia começou, milhares de pessoas no mundo inteiro assistiram diariamente, durante várias semanas, a combates reais, bombardeios e à migração de pessoas refugiadas em várias redes sociais e serviços de streaming de vídeo. As experiências filmadas e exibidas nesses serviços constituem dados e podem ser usadas de forma eficaz em estudos sobre famílias refugiadas.
Os benefícios dos dados visuais também se aplicam aos dados de filmes documentários. Em primeiro lugar, os filmes documentários são uma forma inovadora de estudar pessoas difíceis de incluir em pesquisas, como as famílias refugiadas [19]. O cinema etnográfico sempre recorreu ao filme para estudar culturas e a experiência vivida de populações. Os estudos sobre migração forçada podem aprender com as metodologias etnográficas para atender às suas necessidades de pesquisa. Este estudo compartilha o interesse crescente pelo uso de métodos visuais na análise de dados qualitativos, pois a pesquisa observou que esses métodos podem gerar dados densos e fortalecer os esforços de pesquisa em terapia familiar com pessoas refugiadas. Em segundo lugar, os filmes documentários acrescentam uma dimensão própria à pesquisa [19], ao integrar em um único meio a observação participante, as narrativas das pessoas e informações de contexto. Por exemplo, ao analisar um filme documentário sobre terapia familiar com pessoas refugiadas, é possível observar ao mesmo tempo as interações verbais (narrativas) e não verbais (reações emocionais e comportamentais) de vários membros da família. Em terceiro lugar, os filmes documentários que retratam a crise de refugiados são muitas vezes filmados no contexto das experiências reais dessas pessoas, por exemplo em campos de refugiados. Embora as experiências registradas em vídeo possam parecer carregadas de emoção e tender ao desespero, pode-se argumentar que a guerra produz devastação e desespero. Portanto, não há outra coisa a mostrar além da miséria e do desespero. Por meio desses filmes, a pesquisa se torna sensível ao contexto e à cultura [19]. Por fim, os filmes documentários podem ser usados para mobilizar a opinião pública e o ativismo [20,22]. Hoje também são usados para pesquisar e difundir conhecimento sobre a experiência de pessoas refugiadas (ver, por exemplo, Hiltunen; Nisbet e Aufderheide; Zhang, 2018 [21,22,23]). Hiltunen analisou filmes documentários que retratam a crise migratória no Oriente Médio e na África subsaariana [21]. Nesses filmes, documentaristas fazem questão de respeitar as pessoas filmadas como indivíduos e de lhes dar a oportunidade de contar a própria história [21]. Essa perspectiva é fundamental na pesquisa qualitativa, que busca explorar a experiência vivida de quem participa por meio de suas percepções subjetivas.
Esses benefícios mostram o potencial dos métodos visuais, como os filmes documentários, para suprir as lacunas da pesquisa sobre o bem-estar das famílias refugiadas. A próxima seção apresenta um exemplo que mostra como filmes documentários de acesso público podem ser usados para estudar a terapia familiar com pessoas refugiadas. A discussão destaca as principais considerações de pesquisa para estudar essa terapia: posicionamento epistemológico, abordagem metodológica, coleta de dados, análise de dados, ética e confiabilidade da pesquisa.
Como dito anteriormente, este artigo é uma análise secundária da tese de doutorado de quem o assina [12], que utilizou filmes documentários para explorar como terapeutas de orientação relacional oferecem terapia familiar a famílias refugiadas. A exploração foi guiada por duas perguntas de pesquisa: (1) Como a literatura formula e conceitua o trauma psicológico relacional de pessoas refugiadas? (2) Quais são as considerações importantes ao oferecer terapia sistêmica a famílias refugiadas? Os resultados da tese são apresentados no estudo original [12]. A próxima seção apresenta um exemplo que mostra como filmes documentários de acesso público podem ser usados para estudar a terapia familiar com pessoas refugiadas. O exemplo oferece um marco metodológico que pode atenuar o impacto dos desafios metodológicos desse campo de pesquisa. Nele, a unidade de análise passou de dados coletados por métodos presenciais convencionais para documentários de acesso público como fonte principal de dados. A discussão destaca os principais fatores de pesquisa para estudar a terapia familiar com pessoas refugiadas a partir de dados filmados: posicionamento epistemológico, abordagem metodológica, coleta de dados, análise de dados, ética e confiabilidade da pesquisa.
Nos estudos baseados em documentários, a terapia familiar é vista pela lente de quem faz o filme. Surge então a pergunta sobre como a realização do filme molda a produção de conhecimento. Com base na observação de Hiltunen de que documentaristas muitas vezes buscam tratar as pessoas filmadas como sujeitos competentes, que falam por si [21], o conhecimento pode ser considerado coconstruído pelas pessoas filmadas, por quem faz o filme e por quem pesquisa. O conhecimento se constrói a partir do que é mostrado pela lente da câmera, do que é comunicado pelas pessoas filmadas e da análise da pesquisa. A literatura afirma que, nos filmes documentários, o conhecimento é coproduzido, e não descoberto [24]. Estudar a terapia pela lente de quem filma implica, portanto, reconhecer que o conhecimento emerge das experiências narradas pelas pessoas filmadas e é coconstruído com cineastas por meio de escolhas cinematográficas. Nesse sentido, a investigação baseada em documentários se alinha estreitamente às abordagens qualitativas construtivistas, que concebem a realidade como múltipla, situada e produzida na interação social.
Uma abordagem qualitativa busca explorar a experiência vivida de quem participa por meio de representações sonoras, visuais e textuais [25]. Essa abordagem é adequada à pesquisa com filmes documentários e pode ser usada para examinar a experiência de terapeutas que conduzem terapia familiar sistêmica com populações deslocadas. Uma parte importante da pesquisa qualitativa é explorar as experiências por meio das narrativas e das percepções subjetivas de quem participa [26]. Nos documentários, as pessoas filmadas compartilham suas experiências pessoais de deslocamento com as próprias palavras e de seu próprio ponto de vista, explicando os sentidos que extraíram delas. Outro ponto forte dos filmes documentários é sua capacidade de mostrar as pessoas vivendo ativamente os eventos ou experiências estudados. Nos documentários, é possível observar tanto a pessoa terapeuta quanto a família durante a terapia familiar e analisar a situação terapêutica de várias perspectivas. A pesquisa qualitativa também enfatiza o contexto em que as experiências ocorreram [26]. O contexto tem papel fundamental na interpretação da experiência vivida de quem participa. Os filmes documentários são eficazes na pesquisa qualitativa porque buscam descrever com riqueza o perfil demográfico e contextual das pessoas filmadas e suas histórias pessoais [21]. A descrição densa do contexto, dos dados demográficos e da experiência vivida de quem participa é uma característica central da pesquisa qualitativa. A característica singular dos filmes documentários é oferecer evidência visual das histórias que as pessoas contam, o que permite a triangulação metodológica em um único contexto. Em suma, o uso qualitativo dos filmes documentários oferece uma metodologia rigorosa e ancorada no contexto para examinar a terapia familiar sistêmica com populações deslocadas. Ao integrar as narrativas das pessoas, as interações observadas e um rico detalhamento contextual, os filmes documentários permitem uma compreensão densa e multiperspectiva da experiência vivida, ao mesmo tempo que apoiam a triangulação metodológica. Essa abordagem não só se alinha estreitamente aos objetivos epistemológicos da pesquisa qualitativa, como também aumenta a profundidade, a credibilidade e o potencial interpretativo de estudos voltados para contextos terapêuticos e de deslocamento complexos.
Definir os dados. Os filmes documentários são um gênero que busca representar aspectos da realidade levando para a tela pessoas, lugares e eventos reais por meio de um tratamento criativo da realidade [27]. Ao selecionar dados de filmes documentários em plataformas públicas, é preciso escolher os que são ricos em informação e pertinentes à pergunta de pesquisa. A amostragem intencional pode ser usada para identificar dados filmados alinhados à pergunta de pesquisa. Essa abordagem consiste em selecionar vídeos que respondam diretamente aos objetivos do estudo e envolve uma busca exaustiva para identificar o material disponível em todas as plataformas e formatos [12]. Fazer essa busca inicial é importante para estabelecer toda a gama de dados potenciais antes de aplicar critérios de inclusão predefinidos.
Critérios de inclusão. Critérios de inclusão e exclusão são especialmente valiosos em áreas com conteúdo abundante, mas de pertinência desigual, como o material em vídeo sobre a migração de pessoas refugiadas. Os critérios de inclusão podem orientar a seleção de uma amostra confiável. Para incluir filmes que forneçam dados ricos e pertinentes, podem ser considerados os seguintes critérios de inclusão e exclusão:
Exemplo de aplicação dos critérios de inclusão, extraído de Somo [12]. Materiais em vídeo que mostravam pessoas refugiadas em terapia familiar foram identificados nas seguintes fontes:
Critérios de exclusão. Um critério de exclusão delimita ainda mais a seleção dos materiais que trazem informações pertinentes para a pergunta de pesquisa. Por exemplo, Somo [12] usou os seguintes critérios para excluir do estudo filmes não pertinentes:
No fim, cinco vídeos atenderam aos critérios de inclusão e foram incluídos na análise. Os cinco vídeos se dividem em dois tipos: três documentários de terapia familiar e dois vídeos educativos sobre serviços de saúde mental para famílias refugiadas afetadas pelo trauma de guerra. Os vídeos sobre psicoterapia estavam dentro dos limites éticos; por isso, nenhum vídeo foi excluído por razões éticas. A Tabela 1 apresenta um panorama dos materiais em vídeo finais e a justificativa para sua inclusão.
Tabela 1 — Filmes documentários sobre terapia familiar com pessoas refugiadas
Colunas do original: referência do vídeo (número na bibliografia) e resumo do vídeo.
Segundo Fouché et al. [33], a principal crítica ao uso de dados não textuais está nas dificuldades de sua análise. Os filmes documentários podem ser analisados com um protocolo de pesquisa sistemático, alinhado à abordagem de pesquisa qualitativa. A equipe de Borish [34] desenvolveu um protocolo qualitativo baseado em vídeo para analisar filmes documentários. Ela relata que a abordagem se fundamenta na compreensão de que as entrevistas em vídeo produzidas pela realização documentária constituem dados qualitativos e podem ser analisadas com métodos qualitativos reconhecidos. A análise qualitativa convencional de conteúdo (AQCC) é uma abordagem de pesquisa que codifica sistematicamente dados textuais e identifica temas ou padrões para permitir a interpretação subjetiva do conteúdo [25]. A AQCC é especialmente pertinente para analisar filmes documentários, pois oferece procedimentos metodológicos para analisar vídeos e transcrições [25]. No estudo que serve de contexto a este artigo, a AQCC foi empregada como estratégia de análise dos dados de filmes documentários. A Figura 1 mostra um exemplo de como a AQCC pode ser usada como procedimento de análise de filmes documentários em estudos sobre refúgio. Enquanto Hsieh e Shannon [25] propõem um processo em sete etapas, o procedimento deste exemplo foi ampliado para 12 etapas, a fim de incorporar a triangulação metodológica e o método comparativo constante. Fouché et al. [33] sugerem o uso de métodos adicionais para triangular o material visual e enriquecer os dados; por isso, consultas a especialistas foram acrescentadas como meio de triangulação dos dados. O método comparativo constante de Charmaz [35] foi usado para comparar os códigos à medida que emergiam da análise. A seção abaixo detalha o procedimento de análise.

Estudos que usam dados de acesso público podem ser dispensados de aprovação ética institucional, já que envolvem o uso de dados secundários. Ainda assim, a pesquisa com dados de acesso público deve ser realizada em benefício das pessoas retratadas, para usar os dados para o bem e oferecer uma representação justa e equitativa de sua experiência vivida [14].
Os critérios de rigor já consagrados, a saber, credibilidade, dependabilidade, transferibilidade e confirmabilidade [36,37], oferecem um marco útil para reforçar o rigor metodológico em estudos que incorporam filmes documentários [24]. A credibilidade diz respeito ao grau em que os resultados da pesquisa representam de forma precisa e confiável os dados tal como interpretados por quem pesquisa [38]. Na pesquisa com filmes documentários, a credibilidade pode ser reforçada pelo uso de várias estratégias complementares. É possível aumentar o rigor analítico estabelecendo uma trilha de auditoria clara, que demonstre o alinhamento entre perguntas de pesquisa, fontes de dados e decisões analíticas. Contar com um grupo consultivo de pesquisa para revisar os processos analíticos pode reforçar ainda mais a credibilidade, garantindo transparência e coerência metodológica. A triangulação pode ser obtida por meio da consulta a especialistas pertinentes ao contexto do estudo, como profissionais da clínica ou da prática que trabalham com famílias refugiadas. Essas pessoas especialistas podem ser convidadas a revisar os códigos e as interpretações emergentes em etapas sucessivas da análise, oferecendo um retorno crítico sobre a plausibilidade, a coerência e a validade das afirmações analíticas.
A dependabilidade se refere à consistência do processo de pesquisa e ao grau em que ele pode ser repetido em contextos e grupos de participantes semelhantes [38]. Uma trilha de auditoria detalhada também pode garantir a dependabilidade [24,38]. Uma documentação metodológica detalhada permite que outras equipes de pesquisa acompanhem, avaliem e eventualmente repliquem o estudo em condições comparáveis. A revisão periódica do processo de pesquisa por pares pode apoiar ainda mais a corroboração estrutural e a consistência metodológica. Trabalhar em equipe de pesquisa e manter discussões regulares entre seus membros pode garantir que os dados de pesquisa estejam ancorados no cumprimento dos protocolos [24], o que reforça tanto a dependabilidade quanto a confirmabilidade.
A confirmabilidade trata do grau em que os resultados se apoiam nos dados, e não em vieses ou pressupostos de quem pesquisa [38]. É possível reforçar a confirmabilidade praticando uma reflexividade constante ao longo de todo o processo de pesquisa. O diário reflexivo e a redação de memorandos analíticos podem ser usados para documentar pressupostos, reações emocionais e decisões interpretativas, tornando visível e passível de exame a influência de quem pesquisa sobre a análise.
A transferibilidade diz respeito ao grau em que os resultados podem se aplicar a outros contextos ou populações [38]. Para facilitar a avaliação da transferibilidade, é preciso oferecer descrições ricas e contextualizadas dos materiais documentários analisados, com detalhes sobre o cenário, as pessoas filmadas e o foco temático. Esse detalhamento permite que quem lê determine a pertinência dos resultados para seus próprios contextos de pesquisa ou de prática. Um ponto forte central dos filmes documentários de acesso público é sua acessibilidade, que permite assistir diretamente ao material e avaliar de forma independente a transferibilidade dos resultados para o próprio contexto.
A literatura destaca desafios metodológicos persistentes na pesquisa sobre terapia familiar com pessoas refugiadas (dificuldades de recrutamento e permanência, barreiras linguísticas e culturais, condições de vida precárias e instáveis, limitações do desenho de pesquisa e complexidades éticas), que continuam a limitar a viabilidade e o rigor das abordagens empíricas convencionais. Este artigo responde a esses desafios ao propor o filme documentário como fonte de dados qualitativos ancorada em uma epistemologia construtivista, mostrando como um desenho de pesquisa cuidadoso, a seleção intencional dos dados, a análise qualitativa sistemática e a atenção à ética e à confiabilidade podem oferecer um marco metodológico sensível ao contexto para estudar a terapia familiar sistêmica com populações deslocadas.
Como qualquer outra metodologia de pesquisa, o uso de documentários na pesquisa acadêmica recebeu tanto elogios quanto críticas [27]. Usar o filme documentário para estudar a terapia familiar com pessoas refugiadas tem seus próprios pontos fortes e limitações, discutidos a seguir.
Os pontos fortes do uso de filmes documentários sobre terapia com pessoas refugiadas incluem:
O uso do filme documentário na pesquisa acadêmica tem sido amplamente endossado e criticado, o que reflete debates em curso sobre seu estatuto epistemológico e metodológico [27].
Embora este artigo afirme que os filmes documentários podem suprir lacunas na produção acadêmica sobre terapia familiar com pessoas refugiadas, ele reconhece suas limitações. Em primeiro lugar, os filmes documentários não são objetivos. A pesquisa qualitativa não pretende ser objetiva. Ela é a interpretação de relatos subjetivos da vida das pessoas participantes ou do sentido que construíram a partir de suas histórias de vida. Os filmes documentários são considerados representações autênticas de eventos da vida das pessoas observadas [20]. Em geral, não há roteiro escrito nem encenação nas gravações, e as pessoas são filmadas realizando atividades como elas normalmente acontecem. Apesar disso, a crítica ao cinema documentário argumenta que essas representações podem simplificar demais realidades sociais complexas e envolver graus variados de seleção e ênfase [27]. Como quem faz o filme mantém o controle sobre o que é gravado, editado e por fim apresentado, os documentários correm o risco de oferecer representações parciais ou injustas das realidades vividas, o que levanta questões sobre a exatidão e o equilíbrio das mensagens transmitidas. Em alguns casos, o ponto de vista interpretativo de quem realiza o filme pode exagerar certos temas em busca de impacto narrativo ou afetivo [27]. Por essas razões, convém considerar a participação de especialistas no tema para examinar os temas emergentes na análise dos dados. Convém também comparar os resultados com a literatura atual e com as perspectivas teóricas.
Em segundo lugar, os filmes documentários estão sujeitos a um efeito câmera. Quando são filmadas, as pessoas podem, consciente ou inconscientemente, apresentar aspectos de si mesmas ou de suas experiências que consideram significativos do ponto de vista pessoal, social ou político. Em documentários sobre pessoas refugiadas, essa autoapresentação pode ser moldada por agendas políticas, objetivos de mobilização social ou prioridades de financiamento. Embora seja preciso avaliar criticamente as implicações do efeito câmera, é importante notar que dinâmicas semelhantes podem surgir em pesquisas com gravação de áudio ou baseadas em entrevistas, quando as pessoas participantes sabem que estão sendo gravadas.
Em terceiro lugar, outra limitação diz respeito à dificuldade de documentar um processo de pesquisa claramente definido e metódico [40]. É possível enfrentar essa limitação explicitando como os materiais em vídeo foram coletados, analisados e interpretados [40]. Também é preciso reconhecer as questões metodológicas ao relatar os resultados e expor com clareza as limitações dos dados de filmes documentários.
Os filmes documentários oferecem importantes pontos fortes metodológicos e conceituais para a pesquisa sobre o bem-estar das famílias, ao permitir relatos da experiência vivida ricos, contextualizados e encarnados. Sua capacidade de captar as dimensões afetivas, relacionais e ambientais da vida de pessoas refugiadas oferece percepções particularmente convincentes. Ao mesmo tempo, o uso do filme documentário como dado de pesquisa introduz limitações importantes, entre elas a subjetividade da representação, a influência da câmera sobre o comportamento das pessoas filmadas, a autoridade interpretativa de quem realiza o filme e as dificuldades de transparência e documentação metodológica. Essas limitações não invalidam o filme documentário como método de pesquisa, mas reforçam a necessidade de reflexividade crítica, rigor metodológico e relato explícito dos processos analíticos.
Os desafios metodológicos que complicam a pesquisa sobre terapia familiar com pessoas refugiadas reforçam a necessidade de abordagens de pesquisa flexíveis e sensíveis ao contexto. Usar material em vídeo para estudar a terapia familiar com famílias refugiadas pode suprir lacunas metodológicas da literatura. A pesquisa coleta dados sistematicamente para investigar um fenômeno e relatar seus resultados. O uso de filmes documentários na pesquisa exige coleta, análise e relato sistemáticos dos dados, para que os resultados atendam aos critérios de confiabilidade da pesquisa. Este artigo acrescenta à pesquisa sobre terapia familiar com pessoas refugiadas ao oferecer uma justificativa metodológica para o uso de filmes documentários e ao descrever etapas práticas de coleta e análise de material em vídeo. Espera-se que este artigo fortaleça as competências de pesquisa necessárias para estudar o bem-estar das famílias refugiadas.
Complexe Systémique: a reter
O artigo abre um caminho útil para um campo em que a pesquisa esbarra no recrutamento, na língua e na precariedade: observar terapias familiares já filmadas, em que se veem ao mesmo tempo as narrativas, os gestos e o contexto. Para uma leitura sistêmica, porém, é preciso lembrar que a câmera não é uma observadora neutra: a montagem, o enquadramento e o propósito militante de quem faz documentários constroem aquilo que se acredita observar, e as famílias não consentiram em se tornar dados de pesquisa. O corpus do exemplo é pequeno (cinco vídeos, dois deles educativos), produzido sobretudo por plataformas profissionais ocidentais e pagas, embora a gratuidade figure entre os critérios de inclusão; as legendas em inglês deslocam a questão da língua sem resolvê-la. O procedimento de análise em doze etapas, com consultas a especialistas, continua sendo uma boa ferramenta de rigor. Para a clínica e a formação, esses filmes servem sobretudo para trabalhar a postura terapêutica; não substituem a voz das próprias famílias. Para ler junto com a revisão de escopo sobre o trauma intergeracional em famílias refugiadas e com o argumento a favor de filmar a própria prática.
Notas do original
Agradecimentos. Este manuscrito surgiu da pesquisa de doutorado de quem o assina, que agradece o apoio do comitê de tese, formado por Jerry Gale, Jennifer Gonyea e Elizabeth Wieling.
Comitê de ética. A revisão e a aprovação éticas foram dispensadas para este estudo, por utilizar dados secundários.
Consentimento informado. Não se aplica, por se tratar de dados secundários.
Disponibilidade dos dados. Os dados usados neste artigo são materiais em vídeo de acesso público, disponíveis pelos links da lista de referências. O acesso a esses materiais é pago e, em alguns casos, é preciso criar credenciais de acesso antes da compra.
Conflitos de interesse. Quem assina o artigo declara não haver conflitos de interesse.
Financiamento. Esta pesquisa não recebeu financiamento externo.
Nota da editora. As declarações, opiniões e dados contidos em todas as publicações são de responsabilidade exclusiva de quem as assina ou delas participa, e não da MDPI nem da equipe editorial. A MDPI e a equipe editorial se eximem de responsabilidade por qualquer dano a pessoas ou bens resultante de ideias, métodos, instruções ou produtos mencionados no conteúdo.
Referências
United Nations High Commissioner for Refugees (UNHCR) Global Trends: Forced Displacement in 2024. [(accessed on 31 July 2025)]. Available online: https://www.unhcr.org/global-trends-report-2024.
Blackmore R., Boyle J.A., Fazel M., Ranasinha S., Gray K.M., Fitzgerald G., Misso M., Gibson Helm M. The prevalence of mental illness in refugees and asylum seekers: A systematic review and meta analysis. PLoS Med. 2020;17:e1003337. doi: 10.1371/journal.pmed.1003337.
Dangmann C., Dybdahl R., Solberg Ø. Mental health in refugee children. Curr. Opin. Psychol. 2022;48:101460. doi: 10.1016/j.copsyc.2022.101460.
Patanè M., Ghane S., Karyotaki E., Cuijpers P., Schoonmade L., Tarsitani L., Sijbrandij M. Prevalence of mental disorders in refugees and asylum seekers: A systematic review and meta-analysis. Glob. Ment. Health. 2022;9:250–263. doi: 10.1017/gmh.2022.29.
Mansour R., Almulla D. The living reality of Palestinians in refugee camps in Lebanon. Migr. Lett. 2025;22:60–75.
Garcia M.F., Birman D. Understanding the migration experience of unaccompanied youth: A review of the literature. Am. J. Orthopsychiatry. 2022;92:79. doi: 10.1037/ort0000588.
Betancourt T.S., Abdi S., Ito B.S., Lilienthal G.M., Agalab N., Ellis H. We left one war and came to another: Resource loss, acculturative stress, and caregiver-child relationships in Somali refugee families. Cult. Divers. Ethn. Minor. Psychol. 2015;21:114–125. doi: 10.1037/a0037538.
Utržan D.S., Wieling E.A. A Phenomenological study on the experience of Syrian asylum-seekers and refugees in the United States. Fam. Process. 2020;59:209–228. doi: 10.1111/famp.12408.
Beiser M., Hou F. Predictors of positive mental health among refugees: Results from Canada’s General Social Survey. Transcult. Psychiatry. 2017;54:675–695. doi: 10.1177/1363461517724985.
Patterson J.E., Abu-Hassan H.H., Vakili S., King A. Family focused care for refugees and displaced populations: Global opportunities for family therapists. J. Marital Fam. Ther. 2018;44:193–205. doi: 10.1111/jmft.12295.
Mak C., Wieling E. A systematic review of evidence-based family interventions for trauma-affected refugees. Int. J. Environ. Res. Public Health. 2022;19:9361. doi: 10.3390/ijerph19159361.
Somo C.M. Ph.D. Thesis. University of Georgia; Athens, GA, USA: 2020. Trauma-Informed Family Therapy: Considerations for the Systemic Treatment of Trauma in Refugee Communities.
Manik A.A.A., Djelantik J., van Es C.M., Lahuis A.M., Mooren N. The challenges of conducting mental health research among resettled refugee populations: An ecological framework from a researchers’ perspective. Int. J. Ment. Health. 2024;53:64–82.
Silove D., Tay A., Rees S. Global Mental Health and Psychotherapy. Elsevier; Amsterdam, The Netherlands: 2019. Psychotherapy for Refugees and Other Populations Exposed to Conflict; pp. 342–356. Chapter 16.
Williams S.G. The ethics of internet research. Online J. Nurs. Inform. 2012;16:1277–1288.
Erickson F. Uses of video in social research: A brief history. Int. J. Soc. Res. Methodol. 2011;14:179–189. doi: 10.1080/13645579.2011.563615.
Derry S., Pea R.D., Barron B., Engle R.A., Erickson F., Goldman R., Hall R., Koschmann T., Lemke J.L., Sherin M.G., et al. Conducting video research in the learning sciences: Guidance on selection, analysis, technology, and ethics. J. Learn. Sci. 2010;19:3–53. doi: 10.1080/10508400903452884.
Slutskaya N., Game A.M., Simpson R.C. Better together: Examining the role of collaborative ethnographic documentary in organizational research. Organ. Res. Methods. 2018;21:341–365. doi: 10.1177/1094428116676343.
Glaw X., Inder K., Kable A., Hazelton M. Visual methodologies in qualitative research: Autophotography and photo elicitation applied to mental health research. Int. J. Qual. Methods. 2017;16:1609406917748215. doi: 10.1177/1609406917748215.
Franceschelli M., Galipo A. The use of film documentary in social science research: Audio-visual accounts of the ‘migration crisis’ from the Italian Island of Lampedusa. Vis. Stud. 2021;36:38–50. doi: 10.1080/1472586X.2020.1769497.
Hiltunen K. Recent documentary films about migration: In search of common humanity. Stud. Doc. Film. 2019;13:141–155. doi: 10.1080/17503280.2019.1595919.
Nisbet M.C., Aufderheide P. Documentary film: Towards a research agenda on forms, functions, and impacts. Mass Commun. Soc. 2009;12:450–456. doi: 10.1080/15205430903276863.
Zhang G. Documentary films on migrations in Italy: Characteristics and ethics. J. Ital. Cine. Media Stud. 2018;6:3–18. doi: 10.1386/jicms.6.1.3_2.
Fitzgerald A., Lowe M. Acknowledging documentary filmmaking as not only an output but a research process: A case for quality research practice. Int. J. Qual. Methods. 2020;19:1609406920957462. doi: 10.1177/1609406920957462.
Hsieh H.F., Shannon S.E. Three approaches to qualitative content analysis. Qual. Health Res. 2005;15:1277–1288. doi: 10.1177/1049732305276687.
Crowe M., Inder M., Porter R. Conducting qualitative research in mental health: Thematic and content analyses. Aust. N. Z. J. Psychiatry. 2015;49:616–623. doi: 10.1177/0004867415582053.
Morgan R., Game A.M., Slutskaya N. Qualitative Research through Documentary Filmmaking: Questions and Possibilities. In: Cassell C., Cunliffe A.L., Grandy G., editors. The SAGE Handbook of Qualitative Business and Management Research Methods: Methods and Challenges. Sage Publications; London, UK: 2018. pp. 329–344.
Ampersand Film. Video Tape Productions. Films Media Group After the Outrage: Violence, Trauma, and Recovery. 2005. [(accessed on 13 July 2019)]. Available online: https://fod.infobase.com/pViewVideo.aspx?xtid=48989.
Multimedia Group of Canada Post-Traumatic Stress Disorder: When the Memories Will Not Go Away. 2000. [(accessed on 13 July 2019)]. Available online: http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=edsfod&AN=edsfod.29358&site=eds-live.
Ochberg F., Panos A. Living with PTSD: Lessons for Partners, Friends, and Supporters. 2012. [(accessed on 13 July 2019)]. Available online: https://www.psychotherapy.net/video/ptsd-partners.
American Psychological Association Series V-Multicultural Counseling: Working with Immigrants. 2009. [(accessed on 13 July 2019)]. Available online: https://search.alexanderstreet.com/view/work/bibliographic_entity%7Cvideo_work%7C3244323/series-v-multicultural-counseling-working-immigrants.
VoicesAcademy Interpreting for Refugees in Social Service Encounters. 2014. [(accessed on 13 July 2019)]. Available online: https://voicesacademy.com/interpreting-for-refugees-in-social-service-encounters/
Fouché C.B., Strydom H.C., Roestenburg V., editors. Research at Grass Roots: For the Social Sciences and Human Services Professions. Van Schaik; Pretoria, South Africa: 2021.
Borish D., Cunsolo A., Mauro I., Dewey C., Harper S.L. Moving images, moving methods: Advancing documentary film for qualitative research. Int. J. Qual. Methods. 2021;20:16094069211013646. doi: 10.1177/16094069211013646.
Charmaz K. Constructing Grounded Theory. 2nd ed. SAGE Publications; Thousand Oaks, CA, USA: 2014.
Guba E.G., Lincoln Y.S. Competing Paradigms in Qualitative Research. In: Denzin N.K., Lincoln Y.S., editors. Handbook of Qualitative Research. 1st ed. SAGE Publications; Thousand Oaks, CA, USA: 1994. pp. 105–117.
Roller M.R. A quality approach to qualitative content analysis: Similarities and differences compared to other qualitative methods. Forum Qual. Soc. Res. 2019;20:21.
Thomas E., Magilvy J.K. Qualitative rigor or research validity in qualitative research. J. Spec. Pediatr. Nurs. 2011;16:151–155. doi: 10.1111/j.1744-6155.2011.00283.x.
Aufderheide P. Documentary Film: A Very Short Introduction. Oxford University Press; Oxford, UK: 2007.
Iwasaki P.Y. The Asian Conference on Media, Communication & Film 2020: Official Conference Proceedings. The International Academic Forum (IAFOR); Osaka, Japan: 2021. Gathering the tory: Documentary Film Research and Data Collection; pp. 21–37.
Tradução não oficial em português de Considerações de pesquisa sobre o uso de filmes documentários de acesso público para estudar a terapia familiar com famílias refugiadas, de Charity Mokgaetji Somo, International Journal of Environmental Research and Public Health, vol. 23, nº 2, artigo 265 (2026), doi: 10.3390/ijerph23020265, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença (tabela apresentada em lista). Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.
Tradução não oficial para o português de “Research Considerations for the Use of Publicly Available Documentary Films to Study Refugee Family Therapy”, publicado em International Journal of Environmental Research and Public Health (2026) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.
Ler o artigo originalComo citar este artigo
Somo, C. M. (2026). Considerações de pesquisa sobre o uso de filmes documentários de acesso público para estudar a terapia familiar com famílias refugiadas (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/consideracoes-de-pesquisa-sobre-o-uso-de-filmes-documentarios-de-acesso-publico (Obra original publicada em 2026 em International Journal of Environmental Research and Public Health, 23(2), 265 (2026); republicada em 2026 por International Journal of Environmental Research and Public Health, https://www.mdpi.com/1660-4601/23/2/265)
Para ir mais longe