Journal of Family Therapy · Terapia familiar
O que acontece quando uma terapia multissistêmica entra numa família vinda de outro lugar? A equipe de Simone Fox, em Londres, entrevistou sete figuras parentais de minorias étnicas depois do acompanhamento. Além da aliança, destacam-se dois motores: encontrar compreensão para a própria cultura a fim de aceitar se engajar e, depois, encontrar na pessoa terapeuta uma ponte entre a cultura de origem e aquela em que a criança está crescendo.
Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de O papel dos fatores culturais no engajamento e na mudança na terapia multissistêmica (MST), de Simone Fox, Fatima Bibi, Hayleigh Millar e Amaryllis Holland, publicado na Journal of Family Therapy (Wiley) (2017), doi: 10.1111/1467-6427.12134, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. As três tabelas são apresentadas em forma de listas; a Figura 1 é reproduzida em inglês, com legenda traduzida. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.
O que é vital, porém, é uma postura continuamente aberta e curiosa diante da perspectiva e da narrativa da família.
Simone Fox, Fatima Bibi, Hayleigh Millar e Amaryllis Holland
Resumo
As evidências mostram que a terapia multissistêmica (MST) tem se mostrado particularmente eficaz no tratamento de jovens com comportamento antissocial vindos de contextos etnicamente diversos. Embora o processo de mudança na MST já tenha sido explorado, há uma grande escassez de pesquisas sobre esse ponto no caso de famílias de minorias étnicas. Este estudo qualitativo buscou explorar a experiência da MST vivida por figuras parentais de minorias étnicas e compreender como ela poderia influenciar o engajamento, os problemas apresentados e o processo de mudança. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com sete figuras parentais de minorias étnicas que haviam concluído o tratamento. Os dados foram analisados com uma versão construtivista da teoria fundamentada. Os códigos teóricos especificamente culturais que emergiram giravam em torno da consideração da diferença cultural no processo de engajamento, da conceituação das dificuldades e da pessoa terapeuta atuando como ponte cultural no processo de mudança. Esta pesquisa integra ideias culturalmente específicas ao processo analítico já existente da MST.
Pontos-chave para a prática
A terapia multissistêmica (MST) é uma intervenção intensiva, baseada na família e na comunidade, destinada a adolescentes com comportamento antissocial (Henggeler e Borduin, 1990). A MST procura trabalhar com os sistemas em torno da pessoa jovem para contextualizar as dificuldades e produzir mudança, identificando e visando especificamente os ciclos de manutenção dentro do sistema (Ashmore e Fox, 2011). A teoria da mudança da MST identifica a figura parental como a principal facilitadora da mudança (Henggeler et al., 2009). Fortalecer as figuras parentais e ampliar suas habilidades parentais (por exemplo, aumentando o monitoramento e a supervisão da pessoa jovem e as relações afetivas) para melhorar o funcionamento familiar é considerado decisivo para facilitar mudanças-chave na rede social da pessoa jovem, incluindo o grupo de pares e a escola. O objetivo final é cercar a pessoa jovem de um contexto que apoie melhor o comportamento pró-social.
A MST foi amplamente pesquisada, passando de pequenos estudos de eficácia a ensaios multicêntricos, que produziram uma sólida base de evidências de sua efetividade na redução do comportamento antissocial de jovens, no aumento da participação na escola ou em cursos de formação e na diminuição das taxas de acolhimento fora de casa (Henggeler e Sheidow, 2012). Curtis et al. (2004) realizaram uma metanálise sobre a efetividade da MST. A revisão encontrou o maior tamanho de efeito nas medidas de relações familiares, o que condiz com a importância que a MST atribui ao funcionamento familiar (Henggeler e Bourduin, 1990). Cinquenta e quatro por cento da amostra de todos os estudos revisados eram de origem afro-americana, embora a etnia não tenha sido explorada especificamente.
Há menos estudos que avaliem os processos e mecanismos que levam à mudança em jovens e em suas famílias com a MST. Alguns estudos começaram a identificar moderadores importantes, como a fidelidade ao tratamento (Henggeler et al., 1998), e mediadores dos resultados da MST, como a melhora nas relações com os pares (Huey et al., 2000) e o engajamento da família (Schaeffer e Bourduin, 2003). Ao identificar processos que facilitam a mudança com a MST, Huey et al. (2000) e Henggeler et al. (2009) constataram que a redução do envolvimento com pares negativos é mediada pela melhora nas relações familiares e pelo aumento da coerência e da disciplina por parte da figura parental.
Vários estudos recentes do Reino Unido procuraram preencher essa lacuna na literatura sobre a MST, examinando os processos de mudança para figuras parentais e jovens. Tighe et al. (2012) realizaram uma análise temática com figuras parentais e jovens que haviam passado pela MST. Esse estudo destacou a importância central da aliança terapêutica nas experiências positivas das famílias com a intervenção. Os dados gerados indicaram um aumento da confiança das figuras parentais e uma melhora do funcionamento familiar como resultado da participação na MST. Tighe et al. (2012) concluíram que um mecanismo-chave de mudança na MST é intervir nos múltiplos sistemas da vida da pessoa jovem. Paradisopoulos et al. (2015) e Kaur et al. (2015) destacaram ainda os fatores sistêmicos, de desenvolvimento e individuais que permitem sustentar a mudança por até vinte e um meses após a MST. Esses dois últimos estudos usaram a teoria fundamentada para gerar um modelo de mudança sustentada.
Vale notar que, embora houvesse pessoas participantes de minorias étnicas nesses estudos (de 10 a 48 por cento da amostra total), não se discutiu se surgiram questões específicas de cultura ou de etnia nem, em caso afirmativo, como foram negociadas dentro da MST. Há o risco de interpretar a ausência de discussão dessas questões como sinal de que elas não estão presentes ou não são relevantes, o que, na realidade, pode não ser o caso. À luz dos resultados desses estudos, que destacam a aliança terapêutica como mecanismo-chave de mudança, torna-se ainda mais importante considerar os possíveis desafios à formação de uma aliança terapêutica na MST no trabalho com famílias de outras origens culturais, e o impacto que isso pode ter sobre o engajamento e a mudança.
Já se argumentou que a MST é uma intervenção culturalmente competente (Brondino et al., 1997). De fato, a efetividade da MST para grupos étnicos minoritários foi demonstrada por vários ensaios clínicos nos Estados Unidos que incluíam proporções relativamente altas de famílias de minorias étnicas (Brondino et al., 1997). Em sua revisão da literatura, Painter e Scannapieco (2009) questionaram se famílias e crianças de populações diversas com problemas de saúde mental têm resultados semelhantes independentemente de raça e etnia. Nos dez estudos controlados randomizados revisados, os meninos afro-americanos estavam sobrerrepresentados, variando de 15,5 por cento a 80,6 por cento da amostra. A maioria dos estudos relatou a efetividade da MST em melhorar as relações familiares, reduzir os problemas de comportamento e/ou melhorar os sintomas psiquiátricos. A revisão concluiu que a MST era uma intervenção promissora para reduzir as desigualdades no cuidado em saúde mental para crianças afro-americanas no sistema de proteção à infância.
Cabe notar, porém, que a sobrerrepresentação de pessoas afro-americanas nos estudos revisados coloca problemas para a generalização a todos os grupos étnicos minoritários. É provável que diferentes grupos culturais apresentem diferenças estruturais significativas em dimensões importantes da família e em sistemas de valores próprios de cada cultura, como a aceitabilidade de um envolvimento externo (Hines et al., 1992). Outro estudo constatou que jovens de origem hispânica que passaram pela MST tiveram resultados significativamente mais positivos em várias medidas da justiça juvenil do que jovens de origem hispânica de um grupo de comparação (Fain et al., 2014). A razão dessa diferença não está clara. Todos os estudos revisados acima foram realizados nos Estados Unidos, o que mais uma vez levanta dúvidas sobre a generalização dos resultados para grupos étnicos minoritários fora dos Estados Unidos, já que provavelmente existem grandes diferenças sociais e culturais entre as diversas populações minoritárias de diferentes países.
Butler et al. (2011) publicaram os resultados do primeiro ensaio controlado randomizado realizado de forma independente no Reino Unido, com uma grande amostra urbana etnicamente diversa, avaliando a efetividade da MST em comparação com os protocolos existentes para jovens em conflito com a lei. Sessenta e seis por cento da amostra pertenciam a uma minoria étnica (principalmente africana negra, afro-caribenha ou de origem mista). Jovens dos dois braços do estudo apresentaram redução da reincidência e dos acolhimentos fora de casa. Embora não houvesse diferença entre os grupos nos primeiros momentos de avaliação, houve uma diferença significativa no número de infrações não violentas no seguimento de dezoito meses. No entanto, a etnia não foi explorada explicitamente como fator de impacto nos resultados desse estudo.
Todos os estudos que exploraram a MST com grupos étnicos minoritários foram quantitativos. Já se argumentou que a abordagem socioecológica adotada pela MST enfrenta, por si só, algumas das principais barreiras de acesso dos grupos étnicos minoritários aos serviços de saúde mental (Henggeler et al., 2009), mas nenhuma pesquisa qualitativa veio corroborar essa ideia.
Diante da visão comum de que os grupos étnicos minoritários costumam ser descritos como grupos “difíceis de alcançar” (Begum, 2006), parece pertinente não só examinar os mecanismos de mudança específicos dos grupos minoritários, mas também considerar os fatores que influenciam o engajamento, já que este é, possivelmente, a condição prévia de qualquer mudança efetiva. Compreender quais aspectos de uma intervenção complexa como a MST estão associados a melhores resultados para grupos étnicos minoritários pode aprimorar a prática clínica. Como o modelo atribui a terapeutas a responsabilidade pelo engajamento da família, parece imprescindível compreender as necessidades de um grupo que faz parte das famosas “famílias difíceis de engajar” com as quais a MST costuma trabalhar. É importante levar em conta que, até hoje, não há pesquisa publicada sobre a perspectiva de pessoas usuárias da MST de minorias étnicas, nem sobre o que elas percebem como as vantagens e os desafios desse tratamento.
O objetivo do estudo foi compreender, da perspectiva de figuras parentais de minorias étnicas, o que contribuiu para o engajamento e a mudança com a MST ou o que os dificultou. Buscou-se ainda elaborar uma compreensão teórica dos processos de engajamento e de mudança com a MST para esse grupo e relacioná-la às estruturas da MST que orientam a avaliação, o planejamento do tratamento e a intervenção.
A amostra foi composta por sete figuras parentais atendidas em dois serviços de MST de Londres. Todas as pessoas participantes pertenciam a minorias étnicas e haviam concluído a MST nos doze meses anteriores à participação no estudo. O estudo recrutou figuras parentais que não nasceram no Reino Unido, a fim de abranger famílias biculturais. Os dados demográficos das pessoas participantes aparecem na Tabela 1.
Tabela 1 — Resumo demográfico da amostra
Número de pessoas participantes (n = 7).
As entrevistas com as figuras parentais foram realizadas na casa das pessoas participantes. Duraram de uma hora a uma hora e meia.
Os dados foram analisados com a versão construtivista social da teoria fundamentada proposta por Charmaz (Charmaz, 2006). Essa abordagem situa os processos sociais e psicológicos em seu contexto material e cultural e questiona a ideia de uma realidade única e universal. Ela sustenta que a realidade pode ser diferente para cada pessoa, conforme sua compreensão e sua experiência singulares do mundo (Berger e Luckman, 1966), e busca uma compreensão interpretativa dos significados atribuídos pelas pessoas participantes. É provável que haja diferenças culturais na forma como figuras parentais de minorias étnicas entendem conceitos fundamentais dos modelos ocidentais de terapia, como as emoções e o self em relação aos outros (Fernando, 1991).
As entrevistas foram transcritas e analisadas, e os roteiros das entrevistas seguintes foram modificados à luz do que as entrevistas anteriores haviam revelado. Dados adicionais foram assim coletados em função das categorias que emergiram nas etapas iniciais da análise, até que nenhuma categoria nova surgisse.
A análise dos dados começou com a codificação inicial: dividir os dados em segmentos frase por frase, examinar atentamente cada segmento e usar gerúndios para definir e resumir o que, na avaliação da equipe de pesquisa, está acontecendo no texto. A codificação focalizada, a etapa principal seguinte, consistiu em sintetizar os códigos conceituais de baixo nível gerados durante a codificação aberta para desenvolver códigos mais abstratos, capazes de descrever segmentos maiores de dados (Charmaz, 2006). Os códigos focalizados foram gerados a partir dos códigos mais frequentes ou significativos identificados na etapa de codificação inicial. A etapa final do processo de codificação consistiu em elevar seletivamente códigos focalizados a categorias e subcategorias analíticas provisórias, que depois foram elevadas a conceitos provisórios. Por meio do processo iterativo de comparação constante, redação de memorandos e amostragem teórica, a equipe de pesquisa pôde realizar níveis sucessivos de análise para construir compreensões teóricas abstratas dos dados (Charmaz, 2006). Assim, vários códigos teóricos foram gerados para explicar a teoria emergente. Diretrizes publicadas para a condução de pesquisas qualitativas foram incorporadas ao desenho do estudo e seguidas de perto para aumentar a qualidade da pesquisa (Elliott et al., 1999).
Sete códigos teóricos emergiram dos dados. Três deles estavam relacionados ao processo de engajamento, intitulado “ambiente de alinhamento e engajamento”, e quatro ao processo de mudança, chamado de “encontrar um novo caminho”. Cada código teórico era composto de códigos focalizados específicos e interligados, que captam suas dimensões-chave. As Tabelas 2 e 3 apresentam as propriedades dos códigos focalizados (ou códigos iniciais) e os códigos teóricos que emergiram deles, respectivamente para o processo de engajamento e para o processo de mudança.
Tabela 2 — Ambiente de alinhamento e engajamento da família
Para cada código teórico: códigos focalizados e, em seguida, propriedades dos códigos (códigos iniciais).
Tabela 3 — Encontrar um novo caminho: o processo de mudança
Para cada código teórico: códigos focalizados e, em seguida, propriedades dos códigos (códigos iniciais).
Os códigos teóricos que se relacionam especificamente com a cultura são discutidos mais detalhadamente a seguir. Quanto ao processo de engajamento, os códigos teóricos não relacionados à cultura, que não serão discutidos em detalhe neste artigo, foram: decidir engajar-se na MST, criar uma posição compartilhada e desenvolver uma aliança terapêutica. Embora esses fatores não sejam explorados em detalhe aqui, essa escolha não diminui o valor de dar atenção a eles, qualquer que seja o grupo cultural. Trechos dos dados são apresentados para fundamentar os códigos. Foram usados pseudônimos para proteger o anonimato das pessoas participantes.
A diferença cultural apareceu em graus variados para as figuras parentais entrevistadas no estudo. As narrativas de algumas estavam fortemente marcadas por referências à cultura e à religião, enquanto para outras ela apenas formava o pano de fundo de sua história. Para a maioria, porém, considerar as diferenças culturais facilitou a “escolha de se engajar” e contribuiu para construir uma posição compartilhada.
Para algumas figuras parentais, ser compreendidas culturalmente pela pessoa terapeuta desfez a ambivalência inicial em relação ao engajamento e pareceu facilitar um alinhamento terapêutico. Essas figuras parentais contaram que acharam útil que a pessoa terapeuta tivesse curiosidade por suas origens culturais e as explorasse, sugerindo que sua identidade se sentia valorizada e validada no processo terapêutico. Descreveram a importância de a pessoa terapeuta não fazer suposições e verificar o significado por trás das palavras, já que elas podem ter significados múltiplos, e qualitativamente diferentes, em diferentes contextos culturais.
Miriam: Acho que é importante descobrir o significado por trás das palavras. Por exemplo, quando as pessoas falam de família aqui, acho que estão falando de outra coisa.
A maioria das figuras parentais comunicou a importância de a pessoa terapeuta adotar uma abordagem culturalmente sensível. Algumas expressaram a necessidade de a pessoa terapeuta considerar as diferenças intraculturais e interculturais em que a família está inserida e apontaram o risco de isso não ser levado em conta.
Joy: Ela respeitou a minha cultura, ela respeitou as minhas opiniões. Isso foi importante. Se ela não tivesse seguido essa linha, eu não teria trabalhado com ela. Então foi uma parte muito importante.
As figuras parentais disseram que a cultura e a etnia da pessoa terapeuta lhes eram indiferentes, desde que sua abordagem fosse profissional e respeitosa.
Leila: Não acho que isso tenha feito realmente diferença. Ela era muito boa. Mas mesmo que viesse outra pessoa, inglesa, desde que levasse em conta a minha história, a minha cultura, os meus sentimentos, funcionaria; mas, se não visse as coisas desse jeito, provavelmente não funcionaria.
Apesar disso, algumas figuras parentais mencionaram ter tido uma pessoa terapeuta de uma minoria étnica no Reino Unido (isto é, alguém de etnia ou cultura diferente da majoritária, mas não necessariamente a mesma que a sua), e a maioria percebeu isso como uma ajuda para se sentir compreendida.
Joy: Então é bom, porque, se a pessoa é de uma cultura diferente, ela vai entender melhor como pode ser para você.
Algumas figuras parentais contextualizavam as dificuldades que viviam num quadro cultural, vendo na existência de duas culturas dentro da família a fonte de seus conflitos.
Jin: Veja, aqui é diferente, uma cultura diferente daquela em que eu cresci. E isso está causando o problema principal entre mim e as meninas.
“Encontrar um novo caminho” refere-se ao processo de mudança com a MST para as pessoas participantes do estudo. Quatro categorias distintas emergiram de seus relatos de mudança, captando os mecanismos concebidos como subjacentes a esse processo. Mais uma vez, apenas o código teórico relevante para a cultura será explorado em mais detalhe. Os códigos teóricos não especificamente culturais diziam respeito a trabalhar numa relação segura e de confiança, fortalecer a figura parental e ampliar a comunicação dentro e fora da família.
Para algumas figuras parentais, as tensões entre a cultura em que cresceram e o contexto cultural das crianças eram percebidas como centrais em suas dificuldades. Elas recorriam a discursos sobre cultura, adolescência, identidade e parentalidade. Para essas figuras parentais, o fato de a pessoa terapeuta atuar como mediação ou ponte cultural entre a figura parental, a pessoa jovem e o contexto cultural mais amplo surgiu como um facilitador-chave da mudança, ao abrir espaço para uma conversa construtiva sobre cultura.
Algumas figuras parentais descreveram o modo como a pessoa terapeuta abria, na família, uma tomada de perspectiva cultural como decisivo para lidar com a diferença cultural dentro da família, produzindo uma virada poderosa, da paralisia ao movimento. Algumas contaram ter recebido ajuda para encontrar o limite do que podiam ceder nas práticas culturais e religiosas e para ver o lado positivo de ceder apesar do desconforto. Isso pode ter contribuído para o processo de mudança ao permitir que a figura parental e a pessoa jovem encontrassem um jeito de chegar a um meio-termo.
Leila: Foi útil para a minha filha saber que eu tenho uma história e que ela é tão importante para mim quanto a dela é para ela, sabe, ela provavelmente precisa começar a pensar no que eu sinto pela minha própria história, assim como eu sinto pela dela.
As figuras parentais que atribuíam o comportamento das crianças a fatores culturais expressaram o impacto poderoso da ajuda da pessoa terapeuta para distinguir comportamentos que podiam ser concebidos como culturalmente aceitáveis ou inaceitáveis no contexto da cultura britânica, e estratégias para lidar com os comportamentos inaceitáveis.
Leila: A terapeuta tentou me fazer entender que essa é a cultura daqui, e que talvez eu devesse olhar para isso, e me deu orientações sobre os passos que eu precisava dar antes de concordar.
Joy: Então, depois disso, mesmo quando falei com a Mary [a terapeuta], ela disse, sabe, é a idade dele. Sabe, ele precisa sair com os amigos. Não é tão anormal.
O fato de a pessoa terapeuta normalizar parte do comportamento da pessoa adolescente pode ter permitido às figuras parentais reavaliar a narrativa sobre a criança, tornando-a menos saturada pelo problema e abrindo caminho para, aos poucos, aceitar as diferenças.
Algumas figuras parentais destacaram o valor de poder consultar ativamente a pessoa terapeuta sobre cultura e sobre comportamentos adequados à idade, no contexto de uma relação segura e de confiança com ela. Algumas refletiram sobre o impacto positivo da ajuda da pessoa terapeuta para negociar a diferença cultural na família, reconhecendo, validando e sugerindo maneiras de acomodar as duas culturas dentro da família.
Joy: Ela entende como as coisas são aqui, a cultura e tudo, sabe, então ela me ajuda a entender que certas coisas são o que as crianças fazem aqui. Ela explica quando eu pergunto, assim eu não me preocupo tanto com ele… Ela diz que eu também preciso mudar algumas coisas, porque não é igual ao meu país.
Vale notar que muitos dos códigos teóricos que emergiram neste estudo se sobrepõem aos resultados de estudos anteriores que examinaram o processo de mudança na MST (Tighe et al., 2012; Paradisopoulos et al., 2015; Kaur et al., 2015), o que evidencia as semelhanças comuns e universais que as famílias provavelmente compartilham em todas as culturas. Entre elas estavam a importância de uma boa aliança terapêutica e de uma abordagem respeitosa e sensível no trabalho com as famílias. Esses elementos são constantemente apontados como essenciais para um engajamento e uma mudança positivos. Houve, no entanto, vários resultados inéditos relacionados especificamente às figuras parentais de minorias étnicas.
O processo analítico da MST, também chamado de “ciclo de ação” (do-loop) da MST, é usado como guia para o planejamento do tratamento e a intervenção (Henggeler et al., 2009). Os códigos teóricos que emergiram destas entrevistas, especialmente os relacionados à cultura, foram integrados ao processo analítico da MST e podem ser vistos na Figura 1. Os fatores culturais surgiram como importantes para o alinhamento e o engajamento, para a conceituação de “ajuste” (fit) própria da MST e para o desenvolvimento e a implementação da intervenção.

O processo analítico da MST propõe que deve haver um ambiente de alinhamento e engajamento da família e das principais partes envolvidas. Cultivar e manter o engajamento ao longo de todo o tratamento é fundamental na MST (Henggeler et al., 2009). Considerar a diferença cultural apareceu como parte importante do processo de engajamento para muitas das figuras parentais entrevistadas. Isso confirma resultados de estudos anteriores segundo os quais falar de conteúdos culturalmente salientes e significativos favorece um engajamento e uma participação mais ativos na terapia (Jackson-Gilfort et al., 2001). Os resultados indicaram que, quando a pessoa terapeuta avaliava a diferença cultural e respondia a ela com sensibilidade nas etapas iniciais do engajamento, isso gerava a sensação de compreensão por parte dela e contribuía para o alinhamento terapêutico. É importante destacar que a ausência de julgamento, a curiosidade da pessoa terapeuta, a validação da diferença e a formulação cuidadosa de recomendações foram identificadas como fatores que favorecem a confiança na pessoa terapeuta. Isso confirma pesquisas anteriores que mostram que as pessoas atendidas reconhecem a competência cultural de terapeutas numa combinação de habilidades gerais, adaptáveis às necessidades de cada pessoa, e de conhecimento de questões específicas como opressão, discriminação e racismo (Chang e Berk, 2009).
Falender e Shafranske (2008) argumentam que, “independentemente da raça, um obstáculo comum, do lado de quem faz a terapia, ao estabelecimento da aliança terapêutica é a falta de compreensão e de apreço pelas diferenças culturais ou baseadas em valores” (p. 274). Isso estava muito em sintonia com os relatos de algumas figuras parentais do estudo. Cunningham e Henggeler (1999) propõem que “terapeutas com dificuldade de sentir empatia por uma figura parental, muitas vezes por falta de compreensão cultural, levarão a uma relação terapêutica sem confiança nem colaboração e, em última instância, com resultados ruins: o impacto da desconexão cultural sobre o sucesso do tratamento” (p. 311).
Brown (2009) destaca que muitas das habilidades necessárias para trabalhar com a diversidade étnica são semelhantes às usadas na terapia em geral. Lo e Fung (2003) sugerem um conjunto de habilidades adicionais para sustentar o engajamento e facilitar uma aliança terapêutica que leve a bons resultados com pessoas atendidas etnicamente diversas. Por exemplo, a pessoa terapeuta precisa saber de fato abordar a etnia com a pessoa atendida, em conversas sobre raça, crenças espirituais, práticas religiosas ou origem cultural (Chang e Berk, 2009). Yarhouse e VanOrman (1999) argumentam que não se pode esperar formular de modo abrangente a importância da origem étnica de uma pessoa atendida sem obter informações sobre ela, o que ecoava nos relatos das figuras parentais sobre a curiosidade da pessoa terapeuta. As pessoas participantes que puderam conversar com a pessoa terapeuta sobre a própria formação cultural sentiram que isso favoreceu o alinhamento terapêutico e as ajudou a se sentirem ouvidas e compreendidas.
A compreensão e o respeito da pessoa terapeuta pela diferença cultural foram identificados como traço-chave de uma abordagem culturalmente sensível. Esse ponto é bem reconhecido na literatura sobre a MST (Tuerk et al., 2012). A adoção de uma abordagem respeitosa no trabalho com a diversidade cultural na MST foi identificada como facilitadora do engajamento (Cunnigham e Henggeler, 1999). Algumas figuras parentais disseram que a etnia da pessoa terapeuta lhes era indiferente, desde que sua abordagem fosse profissional e respeitosa. Isso é confirmado por Cunningham e colegas (2010), que, num estudo com terapeutas e figuras parentais de origem afro-americana e branca, encontraram uma variedade de comportamentos terapêuticos capazes de fortalecer o engajamento familiar independentemente da raça, da correspondência racial entre terapeuta e figura parental e do nível socioeconômico da figura parental. Entre eles estavam focar as forças e apoiar mudanças positivas específicas.
A conceituação de “ajuste” na MST é o processo de compreender o problema identificado, ou o comportamento que motivou o encaminhamento, em seu contexto sistêmico mais amplo. Considerar o papel da cultura nessas dificuldades foi importante para algumas figuras parentais. Elas destacaram o papel da pessoa terapeuta em dar sentido às dificuldades à luz das duas culturas.
O fato de a pessoa terapeuta atuar como mediação ou ponte cultural entre a figura parental, a pessoa jovem e o contexto cultural mais amplo surgiu como facilitador da mudança em muitas famílias. Para as famílias que viam relevância nisso, os códigos focalizados relativos à “ponte cultural” foram percebidos como úteis para desenvolver objetivos intermediários, planejar e implementar a intervenção e identificar os avanços e as barreiras à sua efetividade.
A ideia de terapeutas de família atuando como pontes culturais já foi identificada como útil no trabalho com famílias migrantes (McGoldrick e Hardy, 2004). Rasheed (2003) afirma que a pessoa terapeuta culturalmente sintonizada deve ter as habilidades clínicas que lhe permitam entrar no mundo narrativo da família para descobrir, junto com ela, o jogo entre esses temas étnicos e as narrativas socioculturais mais amplas. De fato, a sensibilidade da pessoa terapeuta a essas questões, o reconhecimento que lhes dava e sua capacidade de ajustar as intervenções de forma colaborativa, em sintonia com o meio cultural da família, tiveram um papel importante para ajudar a negociar a diferença cultural na família.
A capacidade da pessoa terapeuta de facilitar a tomada de perspectiva cultural na família, permitindo à figura parental ver as coisas da perspectiva da criança que tenta transitar entre duas culturas, e à criança reconhecer que a figura parental faz o mesmo, foi descrita como produtora de uma virada poderosa. Ampliar a perspectiva para facilitar a mudança é algo bem documentado na terapia familiar (Barker e Chang, 2013). Os resultados deste estudo vão nessa direção e destacam a função facilitadora da abertura de perspectivas interculturais em famílias biculturais. As figuras parentais mencionaram o efeito disso na validação da diferença cultural dentro da família. Além disso, isso foi descrito como facilitador da mudança de comportamento, já que a figura parental e a pessoa jovem conseguiam encontrar acordos e chegar a um meio-termo.
Um traço importante da atuação da pessoa terapeuta como ponte cultural era ajudar a figura parental a contextualizar parte do comportamento da pessoa jovem no meio cultural mais amplo. A função normalizadora disso foi descrita como poderosa para ampliar a compreensão e tornar a narrativa sobre a criança menos saturada pelo problema. Walsh (2011) argumenta que, ao normalizar sua experiência, as famílias podem torná-la manejável e significativa, além de usá-la para fortalecer a coesão familiar, o que ressoava nos relatos das figuras parentais. McGoldrick e Hardy (2004) destacam que um componente-chave da atuação da pessoa terapeuta como ponte cultural, e da legitimação das experiências de dissonância, exige manter uma postura empática, contextualizadora e normalizadora, presumindo competência e boas intenções nos comportamentos das pessoas envolvidas. Isso estava muito em sintonia com os resultados deste estudo. Segundo os relatos, a capacidade da pessoa terapeuta de cumprir essa função consolidava a relação terapêutica, permitindo que as figuras parentais recorressem a ela como ponto de referência cultural.
Uma característica definidora da MST, que a distingue da maioria das abordagens de terapia familiar, é que o trabalho clínico aborda fatores de risco e de proteção em todo o indivíduo e em toda a ecologia social (Cunningham e Henggeler, 1999). As figuras parentais deste estudo falaram do papel da pessoa terapeuta em ajudá-las a contextualizar o comportamento das crianças em diferentes sistemas. Embora alguns pontos possam ser generalizados a outras abordagens de terapia familiar, os resultados deste estudo levantam questões específicas do processo de engajamento e de mudança para figuras parentais que concluíram a MST.
Este estudo evidenciou várias implicações clínicas importantes. Embora haja temas comuns com estudos anteriores quanto ao que facilitou o engajamento, é importante, para esse grupo específico, que terapeutas considerem fatores culturais adicionais como possíveis motores de falta de engajamento e de alinhamento. Terapeutas precisam reconhecer e respeitar a diferença dentro da própria família e entre a família e as expectativas da sociedade mais ampla. Convém explorar abertamente a diferença, com curiosidade. Embora a competência cultural seja muito valorizada no campo da terapia familiar (Rober e De Haene, 2014), não é preciso necessariamente conhecer a cultura ou a etnia específica da família (consciência cultural) nem ter a mesma origem. O que é vital, porém, é uma postura continuamente aberta e curiosa diante da perspectiva e da narrativa da família (sensibilidade cultural).
É importante que terapeutas examinem os fatores culturais ao conceituar os comportamentos que motivaram o encaminhamento. Fazer perguntas específicas sobre a cultura de origem, sobretudo na presença da pessoa jovem, abrirá conversas sobre a diferença e sobre possíveis fontes de conflito entre figura parental e criança. A pessoa terapeuta pode então servir como ponto de referência cultural, normalizando comportamentos no contexto da cultura britânica.
Além disso, terapeutas precisam evitar presumir que as palavras usadas ao longo do tratamento têm significados compartilhados. A pessoa terapeuta tem o papel de informar respeitosamente a família sobre as normas e as expectativas da sociedade mais ampla, para ajudar as figuras parentais a apoiar a criança na negociação entre sua família e a cultura em que vive. Abrir a comunicação pode ajudar as figuras parentais a aceitar a diferença entre elas e a pessoa jovem.
A supervisão pode ser útil para ajudar a pessoa terapeuta a desenvolver a autoconsciência (Abu Baker, 1999) e a autorreflexividade (Krause, 2012). Na MST, ela é feita em grupo, e as reflexões podem ser compartilhadas e discutidas com colegas terapeutas. A supervisão oferece uma oportunidade ideal para identificar possíveis barreiras culturais ao engajamento e apoiar a pessoa terapeuta a abordá-las nas sessões seguintes.
Este estudo excluiu figuras parentais de minorias étnicas nascidas no Reino Unido. Assim, as experiências e as opiniões aqui representadas correspondem a um grupo muito específico de figuras parentais de minorias étnicas. Além disso, o estudo não incluiu os relatos de quem recusou ou não concluiu a intervenção e, por isso, pode estar deixando de lado informações valiosas sobre fatores que dificultam o engajamento de famílias de minorias étnicas. Por causa das restrições financeiras desta pesquisa, não foi possível pagar interpretação para entrevistar figuras parentais que não falavam inglês. Várias pessoas que poderiam participar foram excluídas do estudo por esse motivo. É, portanto, lamentável que pessoas que não falam inglês não tenham podido participar. Consequentemente, a amostra é enviesada a favor de pessoas anglófonas, que talvez representem um grupo mais integrado e aculturado de figuras parentais de minorias étnicas.
Os resultados deste estudo apresentam apenas uma parte do quadro do processo de engajamento e de mudança com famílias de minorias étnicas. Com o foco nas figuras parentais, falta a voz da pessoa jovem encaminhada. Esta poderia ser uma área para pesquisas futuras.
Este estudo procura contribuir para o conhecimento e a compreensão dos processos de engajamento e de mudança ao examinar a perspectiva de figuras parentais de minorias étnicas sobre a MST. Os resultados destacam a importância de considerar a diferença cultural, sobretudo nas etapas iniciais das intervenções de MST. O estudo aponta a complexidade do processo de engajamento para figuras parentais de minorias étnicas que participam da MST. O papel da pessoa terapeuta em ajudar a abrir uma conversa significativa e construtiva sobre cultura foi identificado como um mecanismo de mudança importante, ao ajudar a negociar a diferença cultural em famílias cujas dificuldades eram contextualizadas nesse quadro. Os resultados do estudo serviram para sugerir maneiras pelas quais o processo analítico existente da MST poderia considerar fatores que figuras parentais de minorias étnicas identificaram como facilitadores do engajamento e da mudança com a MST. Embora este estudo tenha se concentrado em figuras parentais que passaram pela MST, muitos de seus resultados podem ser generalizados a outras abordagens de terapia familiar.
Complexe Systémique: a reter
O estudo é pequeno, mas toca num ponto cego. A MST costuma ser apresentada como culturalmente competente porque funciona com famílias de minorias étnicas; resta saber como. Os relatos coletados deslocam a questão da correspondência de origem para a postura: pouco importa a origem da pessoa terapeuta, desde que ela demonstre curiosidade, verifique o sentido das palavras e não julgue. Sobretudo, o conflito entre figura parental e pessoa adolescente é relido aqui como uma tensão entre duas culturas, e a pessoa terapeuta se torna um terceiro que ajuda cada parte a ver o lugar da outra, sem tomar partido por nenhuma das culturas. Para a clínica sistêmica, é um convite a incluir a migração na hipótese sobre a função do sintoma. Os limites são claros: sete pessoas, todas anglófonas e nascidas fora do Reino Unido, nenhuma voz jovem e nenhuma família que tenha abandonado o acompanhamento. Para ler junto com o artigo sobre a aliança no tratamento familiar domiciliar e com o artigo sobre mobilidades e migrações.
Notas do original
Agradecimentos. A equipe agradece a Molly Brunk e a Annemarie Fox pelas contribuições às versões preliminares do artigo.
Referências
Abu Baker, K. (1999) The importance of cultural sensitivity and therapist self-awareness when working with mandatory clients. Family Process, 38: 55–67.
Ashmore, Z. and Fox, S. (2011) How does the delivery of multisystemic therapy to adolescents and their families challenge practice in traditional services in the criminal justice system. British Journal of Forensic Practice, 13(1): 25–31.
Barker, P. and Chang, J. (2013) Basic family therapy. Chichester: John Wiley & Sons.
Begum, N. (2006) Doing it for themselves: participation and black and minority ethnic service users. Social Care Institute for Excellence and the Race Equality Unit. Available at: http://www.scie.org.uk/publications/reports/report14.pdf.
Berger, P. L. and Luckman, T. T. (1966) The social construction of reality – a treatise in the sociology of knowledge. Garden City, NY: Anchor Books.
Brondino, M. J., Henggeler, S. W., Rowland, M. D., Pickrel, S. G., Cunningham, P. B. and Schoenwald, S. K. (1997) Multisystematic therapy and the ethnic minority client: culturally responsive and clinically effective. In Health-promoting and health-compromising behaviors among minority adolescents. Application and practice in health psychology (pp. 229–250). Washington, DC: American Psychological Association.
Brown, L. S. (2009) Cultural competence: a new way of thinking about integration in therapy. Journal of Psychotherapy Integration, 19(4): 340.
Butler, S., Baruch, G., Hickey, N. and Fonagy, P. (2011) A randomized controlled trial of multisystemic therapy and a statutory therapeutic intervention for young offenders. Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, 50(12): 1220–1235.
Chang, D. F. and Berk, A. (2009) Making cross-racial therapy work: a phenomenological study of clients’ experiences of cross-racial therapy. Journal of Counselling Psychology, 56(4): 521.
Charmaz, K. (2006) Constructing Grounded Theory: a practical guide though qualitative analysis. London: Sage Publications.
Cunningham, P. B. and Henggeler, S. W. (1999) Engaging multiproblem families in treatment: lessons learned throughout the development of multisystemic therapy. Family Process, 38(3): 265–281.
Cunningham, P. B., Foster, S. L. and Warner, S. E. (2010) Culturally relevant family-based treatment for adolescent delinquency and substance abuse: understanding within-session process. Journal of Clinical Psychology, 66(8): 830–846.
Curtis, N. M., Ronan, K. R. and Borduin, C. M. (2004) Multisystemic treatment: a meta-analysis of outcome studies. Journal of Family Psychology, 18(3): 411–419.
Elliott, R., Fischer, C. T. and Rennie, D. L. (1999) Evolving guidelines for publication of qualitative research studies in psychology and related fields. British Journal of Clinical Psychology, 38 (7): 215–229.
Fain, T., Greathouse, S. M., Turner, S. F. and Weinberg, H. D. (2014) Effectiveness of multisystemic therapy in minority youth. Outcomes over 8 years in Los Angeles Country. Journal of Juvenile Justice, 3: 24–37.
C. A. Falender and E. P. Shafranske (eds.) Casebook for clinical supervision: a competency-based approach. Washington, DC: American Psychological Association.
Fernando, S. (1991) Mental health, race and culture. London: Macmillan.
Henggeler, S. W. and Borduin, C. M. (1990) Family therapy and beyond: a multisystemic approach to treating the behavior problems of children and adolescents. CA: Brooks/Cole.
Henggeler, S. W. and Sheidow, A. J. (2012) Empirically supported family-based treatments for conduct disorder and delinquency in adolescents. Journal of Marital and Family Therapy, 38(1): 30–58.
Henggeler, S. W., Letourneau, E. J., Chapman, J. E., Borduin, C. M., Schewe, P. A. and McCart, M. R. (2009) Mediators of change for multisystemic therapy with juvenile sexual offenders. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 77(3): 451.
Henggeler, S. W., Schoenwald, S. K., Borduin, C. M., Rowland, M. D. and Cunningham, P. B. (1998) Multisystemic treatment of antisocial behavior in children and adolescents. Treatment Manuals for Practitioners. New York: Guilford Press.
Hines, P. A., Garcia-Preto, N. and McGoldrick, A. R. and Weltman, S. (1992) Intergenerational relationships across cultures. Families in Society: The Journal of Contemporary Human Services, 80: 323–338.
Huey, S. J., Henggeler, S. W., Brondino, M. J. and Pickrel, S. G. (2000) Mechanisms of change in multisystemic therapy: reducing delinquent behavior through therapist adherence and improved family and peer functioning. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 68(3): 451–467.
Jackson-Gilfort, A., Liddle, H. A., Tejeda, M. J. and Dakof, G. A. (2001) Facilitating engagement of African American male adolescents in family therapy: a cultural theme process study. Journal of Black Psychology, 27(3): 321–340.
Kaur, P., Pote, H., Fox, S. and Paradisopolous, D. (2015) Sustaining change following multisystemic therapy; caregivers’ perspectives. Journal of Family Therapy. DOI: 10.1111/1467-6427.12093.
I.-B. Krause (ed.) (2012) Culture and reflexivity in systemic psychotherapy: mutual perspectives. London: Karnac.
Lo, H. T. and Fung, K. (2003) Culturally competent psychotherapy. Canadian Journal of Psychiatry, 48: 161–170.
M. McGoldrick and K. V. Hardy (eds.) (2004) Re-visioning family therapy: race, culture, and gender in clinical practice. New York: Guilford Press.
Painter, K. and Scannapieco, M. (2009) A review of the literature on multisystemic treatment within an evidence-based framework: implications for working with culturally diverse families and children (part 1). Journal of Family Social Work, 12(1): 73–92.
Paradisopoulos, D., Pote, H., Fox, S. and Kaur, P. (2015) Developing a model of sustained change following Multisystemic Therapy: young people's perspectives. Journal of Family Therapy. DOI: 10.1111/1467-6427.12070.
Rasheed, J. M. and Rasheed, M. N. (2003) Family therapy with ethnic minorities. London: Sage.
Rober, P. and De Haene, L. (2014) Intercultural therapy and the limitations of a cultural competency framework: about cultural differences, universalities and unresolvable tensions between them. Journal of Family Therapy, 36(1): 3–20.
Schaeffer, C. M. and Borduin, C. M. (2003) Long-term follow-up to a randomized clinical trial of multisystemic therapy with serious and violent juvenile offenders. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 73(3): 445.
Tighe, A., Pistrung, N., Casdagli, L., Baruch, G. and Butler, S. (2012) Multisystemic therapy for young offenders: families' experiences of therapeutic processes and outcomes. Journal of Family Psychology, 6(2): 187–197.
Tuerk, E. H., McCart, M. R. and Henggeler, S. W. (2012) Collaboration in family therapy. Journal of Clinical Psychology, 68(2): 168–178.
Walsh, F. (2011) Strengthening family resilience ( 2nd edn). New York: Guilford Press.
Yarhouse, M. A. and VanOrman, B. T. (1999) When psychologists work with religious clients: applications of the general principles of ethical conduct. Professional Psychology: Research and Practice, 30(6): 557.
Tradução não oficial em português de O papel dos fatores culturais no engajamento e na mudança na terapia multissistêmica (MST), de Simone Fox, Fatima Bibi, Hayleigh Millar e Amaryllis Holland, Journal of Family Therapy, vol. 39, no 2 (2017), doi: 10.1111/1467-6427.12134, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença (tabelas apresentadas em listas, legenda da figura traduzida). Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.
Tradução não oficial para o português de “The role of cultural factors in engagement and change in Multisystemic Therapy (MST)”, publicado em Journal of Family Therapy (2017) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.
Ler o artigo originalComo citar este artigo
Fox, S., Bibi, F., Millar, H., et Holland, A. (2017). O papel dos fatores culturais no engajamento e na mudança na terapia multissistêmica (MST) (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/o-papel-dos-fatores-culturais-no-engajamento-e-na-mudanca-na-terapia-multissistemica (Obra original publicada em 2017 em Journal of Family Therapy, 39(2), 243-263 (2017); republicada em 2017 por Journal of Family Therapy, https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/1467-6427.12134)
Para ir mais longe