PLOS ONE · Terapia familiar
É preciso falar de comida para tratar a anorexia em família? No Institut Mutualiste Montsouris, em Paris, sessenta adolescentes que saíram da internação receberam o acompanhamento habitual, com ou sem terapia familiar centrada nas relações, e não no prato. Aos dezoito meses, a terapia familiar faz o peso e a menstruação voltarem com mais frequência, sem efeito sobre as recaídas.
Tradução não oficial em português. Este artigo é a tradução de Um ensaio clínico randomizado de terapia familiar adjuvante ao tratamento habitual após a internação de adolescentes com anorexia nervosa, de Nathalie Godart, Sylvie Berthoz, Florence Curt, Fabienne Perdereau, Zoé Rein, Jenny Wallier, Anne-Sophie Horreard, Irène Kaganski, Réjane Lucet, Frédéric Atger, Maurice Corcos, Jacques Fermanian, Bruno Falissard, Martine Flament, Ivan Eisler e Philippe Jeammet, publicado na PLOS ONE (Public Library of Science) (2012), doi: 10.1371/journal.pone.0028249, sob licença CC BY 4.0. Tradução realizada pelo Complexe Systémique em setembro de 2026: o texto original foi traduzido para português e reformatado, o que constitui uma modificação da obra nos termos da licença. As tabelas são apresentadas em forma de listas e as figuras são reproduzidas com a legenda traduzida; as declarações do fim do artigo foram reunidas nas notas; as informações suplementares (protocolo, lista de verificação CONSORT) não foram reproduzidas. Esta tradução não foi feita nem pelos autores nem pelo editor, que não respondem pelo seu conteúdo nem por eventuais erros. A versão original prevalece.
Esse resultado sugere que um tratamento voltado para as dinâmicas intrafamiliares tem um efeito específico.
Nathalie Godart, Sylvie Berthoz, Florence Curt, Fabienne Perdereau, Zoé Rein, Jenny Wallier, Anne-Sophie Horreard, Irène Kaganski, Réjane Lucet, Frédéric Atger, Maurice Corcos, Jacques Fermanian, Bruno Falissard, Martine Flament, Ivan Eisler e Philippe Jeammet
Resumo
A pesquisa sobre tratamentos da anorexia nervosa (AN) é escassa. Embora a maioria dos programas terapêuticos usados na “prática do mundo real” no tratamento da AN recorra a abordagens multidisciplinares, eles raramente foram avaliados.
Objetivo. Comparar dois programas multidimensionais de tratamento ambulatorial pós-internação para adolescentes com AN grave: o tratamento habitual (TH) e esse mesmo tratamento acrescido de terapia familiar (TH+TF).
Método. Sessenta adolescentes do sexo feminino com AN, de 13 a 19 anos, foram incluídas num ensaio controlado randomizado de grupos paralelos, conduzido de 1999 a 2002 para o recrutamento e até 2004 para o seguimento de 18 meses. A alocação a um dos dois grupos de tratamento (30 em cada braço) foi randomizada. O programa TH incluía sessões apenas com a paciente, bem como consultas psiquiátricas com a paciente e os pais. O programa TH+TF era idêntico ao habitual, mas incluía também sessões de terapia familiar voltadas para as dinâmicas intrafamiliares, e não para os sintomas do transtorno alimentar. O desfecho principal foi a categoria de evolução de Morgan e Russell (evolução boa ou intermediária versus evolução ruim). Os indicadores secundários incluíram os sintomas da AN ou suas consequências (sintomas alimentares, índice de massa corporal, amenorreia, número de internações durante o seguimento, ajustamento social). A avaliação foi cega quanto à randomização, mas a participação não.
Resultados. No seguimento de 18 meses, encontramos um efeito de grupo significativo na categoria de evolução de Morgan e Russell a favor do programa com terapia familiar (intenção de tratar: TH+TF 12/30 [40%]; TH 5/29 [17,2%], p = 0,05; análise por protocolo: respectivamente 12/26 [46,2%] e 4/27 [14,8%], p = 0,01). Efeitos de grupo semelhantes foram observados quanto à obtenção de um peso saudável (isto é, IMC ≥ percentil 10) e ao estado menstrual.
Conclusões. Acrescentar a um programa multidimensional sessões de terapia familiar centradas nas dinâmicas intrafamiliares, e não na sintomatologia alimentar, melhora a efetividade do tratamento em meninas com AN grave.
Registro do ensaio. Controlled-trials.com ISRCTN71142875
A anorexia nervosa (AN) é uma doença grave que atinge de 0,5% a 1% das adolescentes do sexo feminino [1]–[3]. A AN tem sido associada a incapacidade social [4], [5], comorbidade psicológica [6], [7], complicações físicas [8], [9] e a uma taxa de mortalidade de 10% [10]. Há evidências de que o prognóstico pode ser pior nas pessoas cujo estado exige internação [11], [12].
A pesquisa sobre tratamentos da AN é escassa. Embora a maioria dos programas terapêuticos usados na “prática do mundo real” no tratamento da AN recorra a abordagens multidisciplinares, eles raramente foram avaliados [13]. A terapia familiar (TF) tem sido apontada como o tratamento mais eficaz para adolescentes com AN [13]–[15]. Mais especificamente, estudos com jovens com AN documentaram o impacto de intervenções familiares que mobilizam diretamente os recursos da família para enfrentar os comportamentos anoréxicos [16]–[25].
No entanto, esses estudos anteriores deixaram sem resposta várias questões importantes sobre o impacto da TF na AN. Em especial, como observou Fairburn [26], não está claro se a efetividade do “tratamento baseado na família” (por exemplo, o programa manualizado do Maudsley, em Londres [16], [27]) decorre do envolvimento parental em fazer jovens comerem bem e manterem um peso saudável, ou se se deve antes a grandes mudanças nas relações intrafamiliares. Além disso, embora haja cada vez mais evidências do valor da TF no tratamento agudo de jovens com AN em regime ambulatorial, pouco se sabe sobre seu efeito em jovens em internação. Uma exceção é o ensaio controlado randomizado (ECR) de Russell et al. [16], que confirma a efetividade da TF nessa população gravemente afetada, mas com um efetivo pequeno (11 em terapia individual; 10 em TF). Além disso, nenhum estudo comparou um programa que envolve apenas a paciente e os pais com um que envolve a família inteira. Portanto, são necessários outros estudos para compreender melhor os fatores que explicam a efetividade da TF nos casos graves de AN (por exemplo, jovens com AN que precisam de internação).
Este estudo [28] buscou aprofundar essas questões, determinando se o acréscimo de uma intervenção de TF, centrada na melhora das dinâmicas intrafamiliares, estaria associado a uma evolução melhor do que a do programa multidimensional habitual isolado (que trata da sintomatologia do transtorno alimentar [ver Método] e do qual os pais são rotineiramente convidados a participar [29]).
Para isso, planejamos um ECR pragmático para avaliar uma modificação de nossa abordagem terapêutica multidisciplinar habitual, isto é, o acréscimo ao tratamento habitual de uma TF centrada nas relações. Como já se mostrou que protocolos rígidos de ensaios terapêuticos estão associados a baixas taxas de aceitação [30], [31], os dois braços do ECR mantiveram a flexibilidade de nosso programa terapêutico ambulatorial atual, que é sistematicamente adaptado a cada situação individual. Esse procedimento buscava maximizar a adesão ao tratamento e minimizar os abandonos.
Este estudo [28] buscou determinar se o acréscimo de uma intervenção de TF, centrada na melhora das dinâmicas intrafamiliares, estaria associado a uma evolução melhor do que a do programa multidimensional habitual isolado (que trata da sintomatologia do transtorno alimentar) e do qual os pais são rotineiramente convidados a participar [29].
O protocolo deste ensaio e a lista de verificação CONSORT correspondente estão disponíveis como informação suplementar (ver Checklist S1 e Protocol S1).
Jovens do sexo feminino de 13 a 21 anos, com diagnóstico de AN segundo o DSM-IV, com menos de 19 anos no início da doença e com duração da AN de até 3 anos na admissão hospitalar, internadas por AN em nossa unidade, residentes na região metropolitana de Paris e que nunca tivessem recebido TF. A paciente podia receber a medicação apropriada.
Critérios de exclusão: incapacidade de falar ou ler francês e/ou de compreender as perguntas da entrevista, qualquer patologia metabólica que interferisse na alimentação ou na digestão (por exemplo, diabetes) ou transtorno psicótico. Esse critério também se aplicava aos pais das pacientes.
A Figura 1 ilustra a seleção das participantes e sua alocação aos dois grupos de tratamento.

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética Île-de-France III e está de acordo com os termos da Declaração de Helsinque. As participantes foram convidadas a dar seu consentimento informado após um prazo de reflexão. O consentimento por escrito foi assinado pelas pacientes e pelos pais. Antes da inclusão no estudo, todas as participantes tinham sido internadas em nossa unidade por estados físicos e/ou mentais com risco de morte (incluindo IMC abaixo de 14 e/ou perda rápida de peso e/ou comprometimento das funções vitais, depressão grave, alto risco de suicídio, desnutrição crônica com baixo peso e fracasso do tratamento ambulatorial). Uma vez admitida a paciente, os objetivos da internação eram definidos por meio de um contrato de peso que estabelecia um peso-alvo para a alta [29], [32], [33]. Para cada paciente internada entre janeiro de 1999 e julho de 2002, uma ficha de triagem era preenchida por uma pessoa psiquiatra não envolvida no tratamento dela (NG ou FP), mas em colaboração com a equipe clínica da paciente. Embora o estudo fosse apresentado a cada paciente e a seus pais já na admissão, a inclusão e a randomização ocorriam na segunda metade da internação (isto é, na metade do caminho até o peso-alvo), no momento em que se define o programa pós-internação. Quanto à demora na divulgação destes resultados, ela se deveu principalmente à falta de financiamento.
Das 116 pessoas jovens cuja elegibilidade foi avaliada durante o período de recrutamento, 40 não atendiam a nossos critérios de seleção (10 do sexo masculino; 14 cuja doença começou aos 19 anos ou mais, ou com duração da doença superior a 3 anos; 3 tinham um dos pais com esquizofrenia; 5 moravam fora da região de Paris; 8 já tinham feito TF). Das 76 participantes elegíveis, 16 (21%) recusaram participar. Entre elas, 8 recusaram a randomização, 2 recusaram qualquer forma de avaliação e 6 recusaram o seguimento. As pacientes e os pais que recusaram participar não diferiam das pessoas incluídas quanto às variáveis sociodemográficas nem ao estado clínico na entrada e na alta (dados não apresentados).
A alocação a um dos dois grupos paralelos de tratamento (30 em cada) foi feita com o programa de randomização do SPSS (FC). Os dois grupos foram randomizados em blocos de trinta. O resultado era entregue às participantes em envelope lacrado, na inclusão, pela pessoa psiquiatra responsável por colher a assinatura do termo de consentimento (FP ou NG). Eram essas pessoas que inscreviam as pacientes e as alocavam ao grupo de intervenção. A primeira consulta de TF era marcada imediatamente após a randomização.
Consistia em cuidados ambulatoriais iniciados antes da alta hospitalar e adaptados ao estado mental e físico da paciente [29], [32], [33]. Incluía consultas individuais, entrevistas regulares com a participação dos pais e, se necessário, psicoterapia individual com outra pessoa terapeuta.
Em cada consulta, o atendimento psiquiátrico incluía um exame clínico do estado mental da paciente, de seus hábitos alimentares, de sua condição médica e de seu ambiente psicossocial. Além disso, o acompanhamento psiquiátrico oferecia apoio, coordenava os serviços (por exemplo, clínica geral, psicoterapia, dietética ou nutrição, serviço social e escola), prescrevia medicação quando necessário e oferecia aos pais apoio e orientação diante dos conflitos com a filha. Os pais eram orientados a dar apoio, mas a deixar para a adolescente as decisões sobre a comida, e a discutir as dificuldades observadas não diretamente com a filha durante ou depois da refeição, mas no momento das consultas com a pessoa psiquiatra e a filha. Além disso, orientação nutricional e dietética era oferecida às pacientes que não ganhavam peso ou não ganhavam peso suficiente.
Foi concebida por nossa equipe como um dos componentes de um programa multidimensional de cuidados ambulatoriais [28], [34]–[36]. Consideramos a AN como um transtorno resultante de trajetórias multidimensionais [37], [38]. Em interação com a personalidade ou as predisposições pré-mórbidas, a dinâmica intrafamiliar foi concebida como capaz de influenciar o surgimento e a manutenção dos problemas alimentares da paciente [39].
Os principais objetivos da TF eram:
Assim, a TF se concentrava não apenas em questões do aqui e agora, mas também em questões não resolvidas do passado, bem como nas expectativas sobre como elas poderiam repercutir no futuro. As sessões se concentravam na dinâmica familiar como um todo e não abordavam diretamente os comportamentos alimentares (tratados no acompanhamento psiquiátrico de referência). Participavam das sessões a paciente, os pais e as irmãs e os irmãos com mais de 6 anos que moravam na casa. Elas duravam cerca de 1h30 e aconteciam a cada três ou quatro semanas. Para otimizar a evolução, a frequência das sessões era flexível [20]. A TF era proposta por um período de 18 meses.
Duas pessoas coterapeutas (IK, RL) conduziram juntas toda a TF, de modo que a abordagem fosse consistente. A equipe de psiquiatria e psicologia envolvida no estudo tinha mais de quatro anos de experiência no atendimento ambulatorial de jovens com AN. Além disso, as pessoas terapeutas de família participavam de reuniões semanais com a equipe psiquiátrica de referência e outros membros da equipe de cuidado, nas quais se discutiam as situações que se anunciavam nas famílias. Para garantir o bom andamento das terapias, outras reuniões eram programadas a cada dois ou três meses entre os membros da equipe de pesquisa e as pessoas terapeutas de família. Desse modo, a consistência do acompanhamento era verificada.
As seguintes avaliações foram realizadas no momento da randomização e 18 meses depois (ver [28] para mais detalhes) no departamento de psiquiatria do Institut Mutualiste Montsouris (Paris, França):
Além disso, foram registrados o IMC (kg/m2), o estado menstrual, o uso de contraceptivos e o número de internações durante o seguimento.
Quanto à avaliação do estado ponderal, dada a idade das pacientes, consideramos o peso corporal ideal (PCI), classicamente definido como o peso corporal médio da população geral acima de 15 anos, um índice menos pertinente do que os percentis de IMC. Assim, para levar em conta a idade das pacientes, usamos as curvas de peso do INSERM (Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França) para a população feminina francesa [47], nas quais um IMC < percentil 10 indica AN [48]. Definimos as categorias de evolução da seguinte forma [16], [49]: 1) evolução boa: peso > percentil 10 de IMC e menstruação regular; 2) evolução intermediária: > percentil 10 de IMC, mas com amenorreia (isto é, ausência de menstruação há pelo menos três meses); 3) evolução ruim: peso < percentil 10 de IMC e/ou presença de sintomas bulímicos.
Aos 18 meses, em caso de uso de contraceptivos, as participantes com IMC < percentil 10 foram classificadas, por cautela, como apresentando amenorreia (8 participantes).
Para garantir a comparabilidade, usamos a metodologia recomendada por Russell et al. [16] e agrupamos as categorias de evolução boa e intermediária.
A avaliação foi cega quanto à randomização, ao contrário da participação e da terapia. As entrevistas foram conduzidas por três pessoas, uma da psicologia e duas da psiquiatria, previamente treinadas na aplicação dos instrumentos mencionados. Cada paciente, seus pais e sua fratria passaram por avaliação individual na inclusão e aos 6, 12 e 18 meses após a inclusão. A avaliação das pacientes e a dos pais ficavam a cargo de duas pessoas diferentes (ver [28]).
O número de abandonos foi limitado por contatos sistemáticos por correio ou telefone feitos pela equipe de pesquisa, pelo acompanhamento psiquiátrico ou pelas pessoas terapeutas de família. Uma paciente recusou o seguimento (Figura 1).
Imediatamente após cada avaliação, um procedimento de dupla checagem era aplicado aos registros obtidos, o que permitia verificar se os questionários tinham sido preenchidos por completo. Em seguida, a equipe de avaliação fazia verificações qualitativas com a equipe clínica da família e, quando necessário, nos prontuários das pacientes. A pontuação da categoria de evolução era feita pela pessoa que tinha entrevistado a paciente e, depois, discutida com a pessoa psiquiatra responsável pela coordenação (NG) e validada por ela.
O tamanho da amostra foi estimado segundo o método de Casagrande e Pike [50], com base nos dados de ECR sobre a internação de jovens com AN disponíveis na época em que o estudo foi planejado (isto é, em 1997) [16]. A proporção esperada de evoluções boas ou intermediárias foi fixada em 90% no grupo TH+TF e em 40% no grupo TH. Com erro do tipo I (bilateral) e erro do tipo II iguais a 0,05, o tamanho de amostra estimado foi de 50. Em consonância com o estudo de Russell et al., que relatou 17% de perda de seguimento [16], foram acrescentadas 10 participantes. Assim, foi prevista uma amostra de 60 participantes (30 em cada braço; Figura 1). O recrutamento foi encerrado quando esse número foi atingido.
O critério de desfecho principal foi a categoria de evolução de Morgan e Russell (evolução boa ou intermediária versus evolução ruim) aos 18 meses.
Os indicadores de desfecho secundários foram o escore total da GOAS, os sintomas da AN ou suas consequências (IMC, amenorreia, escores do EDI), o ajustamento social e o número de internações durante o seguimento. O tamanho de efeito foi avaliado, para as variáveis qualitativas, pela razão de chances (odds ratio) e seu intervalo de confiança, como recomendado por Fleiss et al. [51], e, para as variáveis quantitativas, pelo d de Cohen.
Os grupos de tratamento foram comparados quanto às características sociodemográficas e clínicas na linha de base e aos 18 meses de seguimento.
Cinquenta e seis participantes foram vistas aos 6 meses, 49 aos 12 meses e 55 aos 18 meses.
Cinco não foram vistas aos 18 meses: 2 no grupo TH e 3 no grupo TH+TF. Dessas 5 participantes, apenas uma teve perda total de seguimento, 2 foram vistas apenas aos 6 meses e 2 foram vistas pela última vez aos 12 meses. Os dados ausentes foram modelados pelo procedimento de última observação levada adiante (Last Observation Carried Forward, LOCF), o que permitiu incluir 59 participantes (29 TH; 30 TH+TF).
Primeiro, realizamos análises por intenção de tratar (AIT) e, depois, análise por protocolo (APP). Na AIT, as pacientes randomizadas que não receberam nenhum tratamento foram incluídas nas análises e acompanhadas no ensaio. Na APP, em consonância com o ensaio de Russell et al. [16], só foram consideradas nas análises as participantes que compareceram a mais de três sessões de TF. Assim, 53 receberam o tratamento previsto no protocolo (Figura 1). Entre as participantes TH+TF, 4/30 (13,3%) não receberam TF (≤ 3 sessões de TF). Inversamente, 2/30 das participantes TH (6,7%) receberam de fato TF prescrita no acompanhamento psiquiátrico (fora do ensaio) devido a um contexto de crise familiar; 1 teve perda de seguimento (Figura 1). Portanto, a APP comparou 27 TH com 26 TH+TF.
Os dois grupos de tratamento foram comparados aos 18 meses de seguimento com risco alfa de 0,05 para testes bilaterais. Os testes do qui2 ou o teste exato de Fisher foram usados para as variáveis categóricas. Testes t de Student ou testes de Mann-Whitney foram usados (conforme o caso) para as variáveis contínuas. Por fim, usamos testes de Student para amostras pareadas nas comparações intragrupo que exploravam a evolução dos critérios quantitativos, e testes de McNemar para as variáveis qualitativas entre a inclusão e os 18 meses de seguimento. Todos os testes foram bilaterais. As análises foram realizadas com o SPSS 11.
As estatísticas descritivas das 60 participantes com AN são apresentadas na Tabela 1. Havia 5 casos de AN do subtipo purgativo no grupo TH+TF e 3 no grupo TH (sem efeito de grupo, p = 0,71). No início do estudo, todas as participantes estavam em amenorreia, e os grupos TH e TH+TF eram comparáveis. O IMC médio na admissão indica claramente a gravidade do quadro (isto é, muito abaixo do terceiro percentil: 16,23 kg/m2 para 16 a 16,4 anos [47]). Os dois grupos tinham IMC médio na alta acima do percentil 10 (isto é, 17 kg/m2 para 16,5 a 16,9 anos [47]). Um quarto das participantes já tinha sido internado por AN: 11 participantes uma vez, 1 duas vezes e 3 três vezes. Os dois grupos eram comparáveis quanto aos transtornos comórbidos de humor e de ansiedade (isto é, transtorno depressivo maior, fobia social, transtorno de pânico, agorafobia, transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno de estresse pós-traumático; detalhes disponíveis mediante solicitação à equipe de pesquisa). É importante notar que, em média, as participantes tiveram 18,9 (±7,3) consultas psiquiátricas, das quais 6,5 (±4,6) com os pais, em 18 meses, sem diferença entre os grupos (p = 0,20). Além disso, 14 participantes fizeram terapia individual (7 em cada grupo) e tiveram, em média, 23,4 (±23,03) sessões; não houve diferença significativa (p = 0,22). As participantes TH+TF compareceram em média a 11,8 (±5,7) sessões de TF. O número total de sessões de tratamento (consultas, TF, terapia individual) não diferiu entre os dois grupos (TH: 27,2 ± 12,7; TH+TF: 33,7 ± 24,6; p = 0,55).
Tabela 1 — Características das pacientes na inclusão
Valores: total (n = 60); TH+TF (n = 30); TH (n = 30); teste t ou χ2, gl; p.
PCM: peso corporal médio [59]; AN: anorexia nervosa; IMC: índice de massa corporal; EDI: Eating Disorder Inventory; GOAS: Global Outcome Assessment Scale; SAS: Social Adjustment Scale; DP: desvio padrão; TH: tratamento habitual; TH+TF: tratamento habitual e terapia familiar; gl: graus de liberdade.
Entre a inclusão e os 18 meses de seguimento, a amostra geral apresentou melhora significativa em todos os parâmetros considerados: escore de evolução MR, escore da GOAS, escores totais do EDI e da SAS, IMC e estado menstrual (resultados detalhados disponíveis mediante solicitação à equipe de pesquisa).
A proporção de pacientes na categoria de evolução boa ou intermediária foi maior no grupo tratado com terapia familiar adjuvante (Tabela 2). Em termos de razão de chances, as participantes TH+TF alcançaram evolução boa ou intermediária 3,2 vezes mais do que as do grupo TH no grupo como um todo (AIT: p = 0,054) e 4,9 vezes mais no grupo restrito (APP: p = 0,013) (Tabela 2). Entre as participantes com evolução boa ou intermediária (17/59), mais da metade (10/17) atendia aos critérios de evolução boa.
Tabela 2 — Evolução global aos 18 meses
Valores: TH+TF; TH; χ2, gl; p; tamanho de efeito absoluto (IC 95%); tamanho de efeito relativo, OR (IC 95%).
IC 95%: intervalo de confiança de 95%; MR: Morgan e Russell; AIT: análise por intenção de tratar; APP: análise por protocolo; OR: odds ratio (razão de chances); TH: tratamento habitual; TH+TF: tratamento habitual e terapia familiar.
Tabela 3 — Desfechos secundários (AIT)
Valores: TH+TF (n = 30); TH (n = 29); t ou χ2, gl; p; tamanho de efeito absoluto (IC 95%); tamanho de efeito* (IC 95%).
Abreviaturas: MR: Morgan e Russell; GOAS: Global Outcome Assessment Scale; AIT: análise por intenção de tratar; TH: tratamento habitual; TH+TF: tratamento habitual e terapia familiar; SAS: Social Adjustment Scale; DP: desvio padrão; IC 95%: intervalo de confiança de 95%. *Tamanho de efeito relativo: odds ratio para as variáveis qualitativas; d de Cohen para as variáveis quantitativas.
A Figura 2 ilustra a proporção de pacientes com IMC acima do percentil 10 ao fim do período de seguimento. De modo geral, o IMC aumentou significativamente (n = 59: de 16,9 ± 1,09 para 17,6 ± 2,3; t = −2,36, gl = 58, p = 0,021). No entanto, a diferença entre os dois grupos de tratamento começou a aumentar significativamente aos 12 meses de tratamento e se manteve aos 18 meses.

Quando cada grupo foi considerado separadamente, só o grupo TH+TF mostrou evolução significativa do IMC médio (30 TH+TF: de 17,0 ± 2,0 para 17,8 ± 2,1, t = −2,11, gl = 29, p = 0,044; 29 TH: de 16,9 ± 1,0 para 17,4 ± 2,4, t = 1,27, gl = 28, p = 0,22).
O presente ECR avaliou a efetividade terapêutica do acréscimo de terapia familiar (TF), centrada nas dinâmicas familiares, ao tratamento ambulatorial habitual (TH) de adolescentes com AN grave. Nossa hipótese era que, em relação ao TH isolado, o TH+TF melhoraria a evolução global, os sintomas da AN e o ajustamento social, e reduziria a frequência de reinternações aos 18 meses de seguimento.
Mostramos que a proporção de pacientes na categoria de evolução boa ou intermediária foi maior no grupo tratado com terapia familiar adjuvante (entre 22,8% e 31,3% a mais, conforme a AIT ou a APP). Em outras palavras, as pacientes tratadas com terapia familiar adjuvante tiveram de 3 a 4,9 vezes mais chances de pertencer à categoria de evolução boa ou intermediária [49]. Mais especificamente, a proporção de pacientes que alcançaram um peso saudável e voltaram a menstruar foi maior no grupo tratado com terapia familiar adjuvante (respectivamente 25,8% e 28,9% a mais). Em outras palavras, mais de 3 vezes mais adolescentes com AN alcançaram um peso saudável e voltaram a menstruar. No entanto, não encontramos diferenças nas avaliações subjetivas dos comportamentos e atitudes alimentares, no ajustamento social nem nas recaídas.
Obtivemos dois resultados principais. Primeiro, em adolescentes com AN, o acréscimo de terapia familiar (incluindo pais e fratria), com foco específico nas dinâmicas intrafamiliares (e não nos comportamentos alimentares), a um tratamento ambulatorial multidisciplinar integrativo já estabelecido melhorou significativamente a evolução aos 18 meses de seguimento. Esse resultado sugere que um tratamento voltado para as dinâmicas intrafamiliares tem um efeito específico. O delineamento de nosso estudo permitiu descartar a hipótese de que o ingrediente-chave da efetividade da terapia familiar na AN seria o fato de ela dar “mais ênfase a fazer as pessoas em tratamento comerem bem e manterem um peso saudável” (ver [26], página S27). Além disso, nossos resultados estão de acordo com os do estudo de Pike et al. [52], que mostrou que, no tratamento pós-internação da AN em pessoas adultas, a terapia cognitivo-comportamental é significativamente mais eficaz do que a orientação nutricional isolada para melhorar a evolução e prevenir a recaída.
Segundo, mostramos que a normalização do peso e da menstruação ocorreu com frequência significativamente maior no grupo TF, embora esses sintomas não fossem especificamente visados nas sessões de terapia. Esse resultado tem uma implicação clínica crucial, pois a longa duração da doença tem sido associada a taxas de mortalidade mais altas [53], e a desnutrição e a amenorreia duradouras têm sido relacionadas a complicações somáticas graves (como osteopenia ou osteoporose [14]).
Na literatura, apenas seis estudos com jovens com AN compararam a TF a outro tratamento. Esses estudos compararam a contribuição da TF com a da terapia individual [16], [17], [21], [22], [54], ou compararam dois tipos de intervenção de TF [18], [19], [54], [55], ou ainda duas durações de TF [23], [24]. De modo geral, esses estudos sugerem que quem faz TF tem melhor evolução; que a TF conjunta e a TF separada têm efeitos semelhantes; e que TF de seis ou de doze meses têm efeito semelhante.
Em todos esses estudos, entre 60% e 95% das pessoas em tratamento alcançaram evolução boa ou intermediária e continuaram a melhorar durante o seguimento. Aqui, isso ocorreu com 46,2% das participantes tratadas com terapia familiar (contra 14,2% entre as participantes em tratamento habitual). Vários fatores poderiam explicar essa discrepância, como o uso de critérios diferentes de internação e variações nos procedimentos de encaminhamento e recrutamento.
A comparação mais direta é com o estudo de Russell et al. [16], que incluiu jovens com pesos igualmente baixos na admissão hospitalar (cerca de 65% do PCM), duração semelhante da doença (1,2 a 1,5 ano) e altos níveis de tratamento prévio. No entanto, vários argumentos sugerem uma possível diferença na gravidade da doença entre nossa amostra e a de Russell et al. Em primeiro lugar, enquanto essa equipe incluiu exclusivamente jovens que aceitaram a internação e concluíram o programa hospitalar, nós incluímos muitas adolescentes que tinham recusado os cuidados no momento da admissão, mas foram internadas pelos pais (isto é, eram menores de idade). Em segundo lugar, não excluímos as participantes que não tinham atingido o peso-alvo na alta hospitalar (20% de nossa amostra). Por fim, no estudo de Russell et al. [16], as internações no grupo de TF foram significativamente mais curtas (8,8 semanas) do que no grupo de terapia individual (12,1 semanas). Isso pode ser um indicador indireto de um viés de seleção a favor de jovens com menos dificuldades no grupo de TF.
Quanto aos outros estudos que compararam a TF a outro tratamento em jovens com AN, a gravidade do quadro das amostras era em geral inferior à da nossa:
Portanto, a questão de saber se a efetividade da TF é predita pela gravidade da doença deveria ser abordada em estudos futuros.
Quanto à proporção de evoluções favoráveis, a constatação de uma diferença relativamente pequena (embora significativa) entre nossos dois grupos de tratamento também poderia ser parcialmente explicada pelo fato de que, diferentemente do estudo de Russell et al. [16], os pais aqui estavam envolvidos nos dois tipos de tratamento, com um benefício substancial. De fato, pequenas diferenças semelhantes a favor da TF foram observadas em estudos que, como o presente, compararam duas modalidades de cuidado que envolviam os pais de alguma forma [20], [21]. Estudos futuros que comparem diferentes abordagens de TF deverão ajudar a responder a essa questão.
No presente estudo, contrariando nossa hipótese, a terapia familiar adjuvante não teve efeito significativo na redução de recaídas em relação ao tratamento habitual (respectivamente 33,3% e 48,3%). Ainda assim, 46,7% da amostra geral precisou de reinternação durante o seguimento (18 meses). Embora essa taxa seja mais alta do que as taxas de readmissão de 10% relatadas pela equipe do Maudsley [16], [17], ela é semelhante às de outros estudos de seguimento de jovens com AN em tratamento ambulatorial (por exemplo, 25% a 30% de readmissões após uma primeira admissão e 50% a 75% após admissões subsequentes [56]–[58]).
A principal força do presente estudo, que sustenta nossa confiança nos resultados, é ter tido poder estatístico suficiente, com baixo abandono de participantes no seguimento. No entanto, uma limitação desta pesquisa é que não usamos um manual de TF. Ainda assim, embora não tenha sido formalizado num manual, nosso método foi descrito em publicações médicas, periódicos e sessões de formação [34]. Além disso, como apenas duas pessoas terapeutas de família de nossa equipe conduziram juntas as sessões, acreditamos que essa limitação teve pouco impacto [35]. Também se poderia argumentar que outra limitação é o grupo de TF ter recebido 12 sessões a mais que o outro grupo. Na verdade, não é o caso, pois o número total de sessões de tratamento de todos os tipos não diferiu entre os dois grupos.
Até onde sabemos, este é o primeiro ensaio controlado randomizado planejado para comparar dois programas multidimensionais de tratamento ambulatorial pós-internação para adolescentes com AN que diferiam unicamente pela presença de uma terapia familiar centrada nas dinâmicas intrafamiliares de toda a família.
A TF foi eficaz, embora as pessoas terapeutas de família não abordassem diretamente os problemas alimentares, o peso e a evolução da doença. Ela produziu melhores progressos aos 18 meses de seguimento do que o tratamento padrão em termos de evolução global, peso e estado menstrual. A carga adicional do tratamento, em tempo para a família e em custo, é moderada (em média, 12 sessões de 1h30).
Embora as modalidades de terapia familiar e de programa terapêutico definidas em nosso protocolo sejam um tanto diferentes das descritas pelas equipes que publicaram suas pesquisas sobre o tema, elas se mostraram eficazes aqui. Culturas de equipe diferentes, contextos institucionais variados e sistemas de saúde distintos geraram muitas técnicas para tratar a anorexia nervosa. Essas técnicas, embora diferentes, podem ser igualmente eficazes e não necessariamente melhores ou piores umas que as outras. O essencial, em nossa visão, é a necessidade de avaliar a contribuição de cada técnica, seus pré-requisitos ou suas limitações. A partir disso, seria possível no futuro comparar essas diferentes técnicas de TF quanto à sua efetividade, mas sobretudo determinar as melhores indicações de cada uma. Por exemplo, poderíamos considerar quais pessoas se beneficiariam mais de um foco nas atitudes alimentares e no peso durante a terapia familiar, e quais não.
A avaliação dessas técnicas e a definição de suas indicações específicas poderiam permitir evitar situações em que pessoas em tratamento “afundam” em longos períodos de desnutrição apesar do tratamento. Esses casos difíceis de tratar continuam numerosos demais, e avanços nessa área permitiriam oferecer, já no início do tratamento, cuidados ótimos e adaptados a cada pessoa.
Complexe Systémique: a reter
O interesse deste ensaio francês é resolver uma questão que os estudos do Maudsley deixavam em aberto: a terapia familiar funciona porque mobiliza os pais em torno do prato ou porque transforma as relações? Aqui, as sessões não falavam de peso nem de refeições, e é justamente nesse grupo que o peso e a menstruação voltam com mais frequência aos dezoito meses. Para a clínica sistêmica, é um argumento a favor de um trabalho sobre as fronteiras entre gerações, o conflito, os recursos e a identidade da família, ao lado de um acompanhamento médico que cuida do sintoma: uma divisão de trabalho, e não uma concorrência entre modelos. O próprio texto defende buscar as indicações de cada abordagem, e não a melhor. Os limites contam: uma única dupla de terapeutas, sem manual, sessenta meninas internadas na região de Paris, diferenças modestas, nenhum efeito sobre as recaídas nem sobre os sintomas medidos por questionário. Para ler junto com a metanálise do tratamento baseado na família e com o artigo sobre os domínios familiares na internação.
Notas do original
Conflitos de interesse. A equipe de pesquisa declara não haver conflitos de interesse.
Financiamento. Este estudo foi financiado pelo Projet Hospitalier de Recherche Clinique (CRC-PHRC, 1997, AOM97133, AP-HP, Ministério da Saúde da França) e promovido pela Assistance Publique – Hôpitaux de Paris (AP-HP). Os órgãos financiadores não tiveram nenhum papel no delineamento do estudo, na coleta e análise dos dados, na decisão de publicar nem na preparação do manuscrito.
Agradecimentos. A equipe agradece ao Prof. G. Russell e ao Dr. C. Dare pela ajuda no delineamento do projeto; aos membros do comitê de pesquisa da ESCAP pelos comentários e pelas críticas construtivas ao projeto; a quem organizou a Heidelberg Young Researchers Conference e a quem dela participou; às pacientes e às suas famílias; ao Prof. B. Birmaher e ao Dr. S. Coté pela ajuda na redação do manuscrito; e a A. Verdier pela ajuda com a versão em inglês do manuscrito. Os resultados preliminares deste estudo foram apresentados no Congresso Europeu sobre Transtornos Alimentares, no Porto (Portugal), em 20 e 21 de setembro de 2007.
Referências
Hoek HW, van Hoeken D. Review of the prevalence and incidence of eating disorders. Int J Eat Disord. 2003;34:383–396. doi: 10.1002/eat.10222.
Hudson JI, Hiripi E, Pope HG, Jr, Kessler RC. The prevalence and correlates of eating disorders in the National Comorbidity Survey Replication. Biol Psychiatry. 2007;61:348–358. doi: 10.1016/j.biopsych.2006.03.040.
Keski-Rahkonen A, Hoek HW, Susser ES, Linna MS, Sihvola E, et al. Epidemiology and course of anorexia nervosa in the community. Am J Psychiatry. 2007;164:1259–1265. doi: 10.1176/appi.ajp.2007.06081388.
Flament MF, Godart NT, Fermanian J, Jeammet P. Predictive factors of social disability in patients with eating disorders. Eat Weight Disord. 2001;6:99–106. doi: 10.1007/BF03339758.
Godart NT, Perdereau F, Curt F, Lang F, Venisse JL, et al. Predictive factors of social disability in anorexic and bulimic patients. Eat Weight Disord. 2004;9:249–257. doi: 10.1007/BF03325078.
Godart NT, Flament MF, Perdereau F, Jeammet P. Comorbidity between eating disorders and anxiety disorders: a review. Int J Eat Disord. 2002;32:253–270. doi: 10.1002/eat.10096.
Godart NT, Perdereau F, Rein Z, Berthoz S, Wallier J, et al. Comorbidity studies of eating disorders and mood disorders. Critical review of the literature. J Affect Disord. 2007;97:37–49. doi: 10.1016/j.jad.2006.06.023.
Mitchell JE, Crow S. Medical complications of anorexia nervosa and bulimia nervosa. Curr Opin Psychiatry. 2006;19:438–443. doi: 10.1097/01.yco.0000228768.79097.3e.
Katzman DK. Medical complications in adolescents with anorexia nervosa: a review of the literature. Int J Eat Disord. 2005;37(Suppl):S52–9; Discussion S87–9. doi: 10.1002/eat.20118.
Berkman ND, Lohr KN, Bulik CM. Outcomes of eating disorders: a systematic review of the literature. Int J Eat Disord. 2007;40:293–309. doi: 10.1002/eat.20369.
Gowers SG, Weetman J, Shore A, Hossain F, Elvins R. Impact of hospitalisation on the outcome of adolescent anorexia nervosa. Br J Psychiatry. 2000;176:138–41. doi: 10.1192/bjp.176.2.138.
Gowers SG, Clark A, Roberts C, Griffiths A, Edwards V, et al. Clinical effectiveness of treatments for anorexia nervosa in adolescents: randomised controlled trial. Br J Psychiatry. 2007;191:427–435. doi: 10.1192/bjp.bp.107.036764.
Bulik CM, Berkman ND, Brownley KA, Sedway JA, Lohr KN. Anorexia nervosa treatment: a systematic review of randomized controlled trials. Int J Eat Disord. 2007;40:310–320. doi: 10.1002/eat.20367.
American Psychiatric Association. Practice guidelines for the treatment of patients with eating disorders, third edition. Washington DC: 2006.
National Institute for Clinical Excellence. Eating Disorders: Core Interventions in the Treatment and Management of Anorexia Nervosa, Bulimia Nervosa and Related Eating Disorders. Clinical Guideline 9. London: NICE;2004; 2004.
Russell GF, Szmukler GI, Dare C, Eisler I. An evaluation of family therapy in anorexia nervosa and bulimia nervosa. Arch Gen Psychiatry. 1987;44:1047–1056. doi: 10.1001/archpsyc.1987.01800240021004.
Eisler I, Dare C, Russell GF, Szmukler G, le Grange D, et al. Family and individual therapy in anorexia nervosa. A 5-year follow-up. Arch Gen Psychiatry. 1997;54:1025–1030. doi: 10.1001/archpsyc.1997.01830230063008.
Eisler I, Dare C, Hodes M, Russell G, Dodge E, et al. Family therapy for adolescent anorexia nervosa: the results of a controlled comparison of two family interventions. J Child Psychol Psychiatry. 2000;41:727–736.
Eisler I, Simic M, Russell GF, Dare C. A randomised controlled treatment trial of two forms of family therapy in adolescent anorexia nervosa: a five-year follow-up. J Child Psychol Psychiatry. 2007;48:552–560. doi: 10.1111/j.1469-7610.2007.01726.x.
Robin AL, Siegel PT, Koepke T, Moye AW, Tice S. Family therapy versus individual therapy for adolescent females with anorexia nervosa. J Dev Behav Pediatr. 1994;15:111–116.
Robin AL, Siegel PT, Moye A. Family versus individual therapy for anorexia: impact on family conflict. Int J Eat Disord. 1995;17:313–322. doi: 10.1002/1098-108x(199505)17:4<313::aid-eat2260170402>3.0.co;2-8.
Robin AL, Siegel PT, Moye AW, Gilroy M, Dennis AB, et al. A controlled comparison of family versus individual therapy for adolescents with anorexia nervosa. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 1999;38:1482–1489. doi: 10.1097/00004583-199912000-00008.
Lock J, Agras WS, Bryson S, Kraemer HC. A comparison of short- and long-term family therapy for adolescent anorexia nervosa. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2005;44:632–639. doi: 10.1097/01.chi.0000161647.82775.0a.
Lock J, Couturier J, Agras WS. Comparison of long-term outcomes in adolescents with anorexia nervosa treated with family therapy. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2006;45:666–672. doi: 10.1097/01.chi.0000215152.61400.ca.
Loeb KL, Walsh BT, Lock J, le Grange D, Jones J, et al. Open trial of family-based treatment for full and partial anorexia nervosa in adolescence: evidence of successful dissemination. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry. 2007;46:792–800. doi: 10.1097/chi.0b013e318058a98e.
Fairburn CG. Evidence-based treatment of anorexia nervosa. Int J Eat Disord. 2005;37(Suppl):S26–30; Discussion S41–2. doi: 10.1002/eat.20112.
Lock J, le Grange D. Can family-based treatment of anorexia nervosa be manualized? J Psychother Pract Res. 2001;10:253–261.
Godart N, Perdereau F, Rein Z, Curt F, Kaganski I, et al. Resolving a disagreement in a clinical team: overcoming conflicting views about the role of family therapy in an outpatient treatment programme for anorexia nervosa. Eat Weight Disord. 2006;11:185–194. doi: 10.1007/BF03327570.
Godart N, Atger F, Perdereau F, Agman G, Rein Z, et al. Treatment of adolescent patients with eating disorders: description of a psychodynamic approach in clinical practice. Eat Weight Disord. 2004;9:224–227. doi: 10.1007/BF03325071.
Halmi KA, Agras WS, Crow S, Mitchell J, Wilson GT, et al. Predictors of treatment acceptance and completion in anorexia nervosa: implications for future study designs. Arch Gen Psychiatry. 2005;62:776–781. doi: 10.1001/archpsyc.62.7.776.
Halmi KA. The perplexities of conducting randomized, double-blind, placebo-controlled treatment trials in anorexia nervosa patients. Am J Psychiatry. 2008;165:1227–1228. doi: 10.1176/appi.ajp.2008.08060957.
Godart N, Perdereau F, Gales O, Agman G, Deborde AS, et al. [The weight contract during the hospitalization of anorexic patients]. Arch Pediatr. 2005;12:1544–1550. doi: 10.1016/j.arcped.2005.02.030.
Godart N, Wallier J, Curt F, Gales O, Perdereau F, et al. Determining factors for target weights for adolescent anorexia nervosa inpatient program: Study on the links between theory-based hypotheses and the realities of clinical practice. Eat Weight Disord. 2009;14:176–183. doi: 10.1007/BF03325114.
Kaganski I, Lucet R. Troubles des conduites alimentaires: aspects familiaux. In: Angel P, Mazet P, editors. Guérir les souffrances familiales. Paris: PUF; 2004. pp. 477–495.
Kaganski I. Quoi de neuf dans le domaine des troubles des conduites alimentaires : Aspects familiaux cliniques et thérapeutiques des troubles des conduites alimentaires à l'adolescence. Prisme. 1999;30:106–117.
Kaganski I. La place de la nourriture dans les relations familiales. Enfances & Psy. 2005;27:45–52.
Garner DM. Pathogenesis of anorexia nervosa. Lancet. 1993;341:1631–1635. doi: 10.1016/0140-6736(93)90768-c.
Godart N, Perdereau F, Jeammet P. Etiopathogénie des troubles des conduites alimentaires. In: Guelfi JD, Rouillon F, editors. Manuel de psychiatrie. Paris: Masson; 2007. pp. 424–429.
Schmidt U, Treasure J. Anorexia nervosa: valued and visible. A cognitive-interpersonal maintenance model and its implications for research and practice. Br J Clin Psychol. 2006;45:343–366. doi: 10.1348/014466505x53902.
Lecrubier Y, Sheehan DV, Weiller E, Amorin P, Bonora I, et al. The MINI International Neuropsychiatric Interview (MINI) a short diagnostic structured interview: Reliability and validity according to the CIDI. Eur Psychiatry. 1999;12:224–231.
Morgan HG, Hayward AE. Clinical assessment of anorexia nervosa. The Morgan-Russell outcome assessment schedule. Br J Psychiatry. 1988;152:367–371. doi: 10.1192/bjp.152.3.367.
Jeammet P, Brechon G, Payan C, Gorge A, Fermanian J. [The outcome of anorexia nervosa: a prospective study of 129 patients evaluated at least 4 years after their first admission]. Psychiatr Enfant. 1991;34:381–442.
Garner DM, Olmsted MP, Polivy J. Development and validation of a multidimensional eating disorder inventory for anorexia nervosa and bulimia. Int J Eat Disord. 1983;2:15–34.
Criquillon-Doublet S, Divac S, Dardennes R, Guelfi JD. Le Eating Disorder Inventory (EDI). In: Guelfi JD, Gaillac V, Dardennes R, editors. Psychopathologie quantitative. Paris: Masson; 1995. pp. 249–260.
Weissman MM, Bothwell S. Assessment of social adjustment by patient self-report. Arch Gen Psychiatry. 1976;33:1111–1115. doi: 10.1001/archpsyc.1976.01770090101010.
Waintraud L, Guelfi JD, Lancrenon S, Rouillon F. [Validation of M. Weissman's social adaptation questionnaire in its French version]. Ann Med Psychol (Paris) 1995;153:274–277.
Rolland-Cachera MF, Cole TJ, Sempe M, Tichet J, Rossignol C, et al. Body Mass Index variations: centiles from birth to 87 years. Eur J Clin Nutr. 1991;45:13–21.
Hebebrand J, Himmelmann GW, Heseker H, Schafer H, Remschmidt H. Use of percentiles for the body mass index in anorexia nervosa: diagnostic, epidemiological, and therapeutic considerations. Int J Eat Disord. 1996;19:359–369. doi: 10.1002/(SICI)1098-108X(199605)19:4<359::AID-EAT4>3.0.CO;2-K.
Morgan HG, Russell GF. Value of family background and clinical features as predictors of long-term outcome in anorexia nervosa: four-year follow-up study of 41 patients. Psychol Med. 1975;5:355–371. doi: 10.1017/s0033291700056981.
Casagrande JT, Pike MC. An improved approximate formula for calculating sample sizes for comparing two binomial distributions. Biometrics. 1978;34:483–486.
Fleiss JL. Measures of effect size for categorical data. In: Cooper H, Hedges LV, editors. The Handbook of research synthesis. New york: Russel Sage Foundation; 1994. pp. 245–260.
Pike KM, Walsh BT, Vitousek K, Wilson GT, Bauer J. Cognitive behavior therapy in the posthospitalization treatment of anorexia nervosa. Am J Psychiatry. 2003;160:2046–2049. doi: 10.1176/appi.ajp.160.11.2046.
Keel PK, Dorer DJ, Eddy KT, Franko D, Charatan DL, et al. Predictors of mortality in eating disorders. Arch Gen Psychiatry. 2003;60:179–183. doi: 10.1001/archpsyc.60.2.179.
Ball J, Mitchell P. A randomized controlled study of cognitive behavior therapy and behavioral family therapy for anorexia nervosa patients. Eat Disord. 2004;12:303–314. doi: 10.1080/10640260490521389.
le Grange D, Eisler I, Dare C, Russell GF. Evaluation of family treatments in adolescent anorexia nervosa: A pilot study. Int J Eat Disord. 1992;12:347–357.
Strober M, Freeman R, Morrell W. The long-term course of severe anorexia nervosa in adolescents: survival analysis of recovery, relapse, and outcome predictors over 10–15 years in a prospective study. Int J Eat Disord. 1997;22:339–360. doi: 10.1002/(sici)1098-108x(199712)22:4<339::aid-eat1>3.0.co;2-n.
Steinhausen HC, Seidel R. Outcome in adolescent eating disorders. Int J Eat Disord. 1993;14:487–496. doi: 10.1002/1098-108x(199312)14:4<487::aid-eat2260140412>3.0.co;2-7.
Lay B, Jennen-Steinmetz C, Reinhard I, Schmit MH. Characteristics of inpatient weight gain in adolescent anorexia nervosa: relation to speed of relapse and re-admission. Eur Eat Disord Rev. 2002;10:22–40.
Diem K, Lenter C. Scientific Tables. Basle: Ciba-Geigy; 1971.
Tradução não oficial em português de Um ensaio clínico randomizado de terapia familiar adjuvante ao tratamento habitual após a internação de adolescentes com anorexia nervosa, de Nathalie Godart, Sylvie Berthoz, Florence Curt, Fabienne Perdereau, Zoé Rein, Jenny Wallier, Anne-Sophie Horreard, Irène Kaganski, Réjane Lucet, Frédéric Atger, Maurice Corcos, Jacques Fermanian, Bruno Falissard, Martine Flament, Ivan Eisler e Philippe Jeammet, PLOS ONE, vol. 7, no 1, e28249 (2012), doi: 10.1371/journal.pone.0028249, sob licença CC BY 4.0. Tradução e paginação: Complexe Systémique, setembro de 2026 — a obra foi modificada nos termos da licença (tabelas apresentadas em listas, legendas das figuras traduzidas). Nem os autores nem o editor respondem por esta tradução; a versão original prevalece.
Tradução não oficial para o português de “A Randomized Controlled Trial of Adjunctive Family Therapy and Treatment as Usual Following Inpatient Treatment for Anorexia Nervosa Adolescents”, publicado em PLOS ONE (2012) sob licença CC BY 4.0. A tradução foi realizada pelo Complexe Systémique, não provém dos autores nem da editora, que não respondem por seu conteúdo; a versão original prevalece.
Ler o artigo originalComo citar este artigo
Godart, N., Berthoz, S., Curt, F., Perdereau, F., Rein, Z., Wallier, J., Horreard, A.-S., Kaganski, I., Lucet, R., Atger, F., Corcos, M., Fermanian, J., Falissard, B., Flament, M., Eisler, I., et Jeammet, P. (2012). Um ensaio clínico randomizado de terapia familiar adjuvante ao tratamento habitual após a internação de adolescentes com anorexia nervosa (Complexe Systémique, trad.). Complexe Systémique. https://app.complexe-systemique.com/pt_BR/artigos/um-ensaio-clinico-randomizado-de-terapia-familiar-adjuvante-ao-tratamento-habitual (Obra original publicada em 2012 em PLOS ONE, 7(1), e28249 (2012); republicada em 2012 por PLOS ONE, https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0028249)
Para ir mais longe